28 fevereiro 2012

Senegal? Não tem graça.

O simpático Abdoulaye Wade 
Há mortos e mortos.

Por exemplo: há um lugar onde houve violentas manifestações nas ruas, feridos, intervenções da polícia e, como afirmado, mortos? Minha Nossa Senhora do Sudoku, mas onde, onde?
Senegal? Ah, tá bom...

Porque é assim: ninguém quer saber dos mortos africanos. São interessantes quando relacionados com intervenções ocidentais (por exemplo, o caso das revoltas no Egipto, na Líbia), caso contrário não têm graça nenhuma.

Racismo? Nada disso. Mais uma vez: economia. No Senegal não há recursos. Porque ter grandes plantações de amendoins não pode ser considerado como um grande recurso. Se o Senegal tivesse petróleo então as coisas seriam um pouco diferentes, mas assim não tem atractivos. Sejamos honestos: quem entre nós abre o jornal à procura de notícia do Senegal?

Com uma superfície e um número de habitantes maiores de que Portugal, o Senegal é um dos poucos Países africanos que não sofreram golpes de Estado. Mas nem por isso está melhor.


Por vários dias, uma série de violentos confrontos marcaram a véspera das eleições presidenciais do passado Domingo, 26 de Fevereiro.

As manifestações foram organizadas pela oposição oficial e por grupos da sociedade civil em protesto contra a candidatura do presidente, Abdoulaye Wade, que apesar das limitações impostas pela Constituição concorreu para o terceiro mandato.

O jovem presidente senegalês, com 85 anos de idade e no poder desde 2000, já em Setembro passado tinha anunciado a intenção de concorrer apesar de, em 2007, ter prometido publicamente que iria despedir-se de política activa em 2012. Faz lembrar um político da Madeira, do qual agora não lembro o nome...

Mas depois mudou de ideia: segundo Wade, o limite de dois mandatos exigido pela Constituição não se aplica ao seu caso, pois foi introduzido após o início da sua presidência, em 2000.

E para resolver o problema, nada melhor de que consultar o Tribunal Constitucional, composto por fieis do presidente. E que decidiu o Tribunal? Com grande surpresa, por assim dizer,  estabeleceu que o limite de dois mandatos não é retroactiva e em 27 de Janeiro deu o sinal verde para a candidatura de Wade. É o mesmo tribunal que no mesmo mês excluiu a candidatura do cantor Youssou N'Dour, afirmando que dezenas de milhares de assinaturas recolhidas em favor dele estavam ilegíveis.

A decisão em favor de Wade provocou imediatos protestos da oposição, mas os confrontos de rua com a polícia começaram a assumir proporções alarmantes na semana passada. O centro da capital, Dakar, foi ocupada por milhares de manifestantes, recebidos pelas forças de segurança que tentaram de todas as maneiras impedir a realização de uma marcha de protesto contra o presidente.

Os três adversários principais de Wade são o ex-ministro das Relações Exteriores, Ibrahim Fall, o deputado da Frente para o Socialismo e a Democracia, Abiboulaye Cheikh "Bamba" Dieye, e o antigo primeiro-ministro Idrissa Seck. Todos ficaram entre as vítimas dos maus-tratos por parte da polícia contra os manifestantes. Porque a polícia do Senegal não atira amendoins, mas usa a força tal como no resto do mundo.

Confrontos de uma certa intensidade também foram relatados em outras partes do País, particularmente na cidade de Kaolack, sudeste de Dakar, onde um jovem manifestante foi morto. Até agora em todos o Senegal há pelo menos seis mortes entre os adversários de Wade.

As tensões também dispararam na sexta-feira passada, quando a polícia lançou bombas de gás lacrimogéneo no interior duma mesquita em Dakar, onde um grupo de manifestantes tentaram refugiar-se. Como resultado, também os fieis que se preparavam para a oração ficaram zangados e saíram às ruas em protesto.

Alguns líderes da oposição fizeram um apelo à comunidade internacional para intervir com formas de pressão sobre Wade e para travar a repressão. A comunidade internacional respondeu prontamente: "Senegal? Ah, sim Senegal, na África, não é? Ainda têm amendoins?".

O simpático Abdoulaye Wade foi eleito pela primeira em 2000. Uma vez no poder, Wade presidiu várias emendas constitucionais, muitas vezes caóticas. Em Fevereiro de 2007 ganhou um segundo mandato numa votação manchada por numerosas irregularidades.

Em protesto, os partidos da oposição boicotaram as eleições parlamentares do Junho sucessivo, permitindo que Wade e o seu Partido Democrático do Senegal (PDS) ganhassem o controle quase absoluto da máquina politica senegalesa.

Em Junho de 2011, Wade tentou um novo golpe que previa a supressão do segundo turno das eleições presidenciais caso um dos candidatos alcançasse 25% dos votos em vez de 50%. A medida  não passou por causa dos protestos que se seguiram, sendo evidente que tinha sido ditada pela nítida queda na aprovação do presidente, que via o risco real de ser batido por parte do único candidato da oposição.

Wade, no entanto, permaneceu firme na sua intenção de obter o terceiro mandato, num País caracterizado pelas precárias condições nas quais têm de viver os seus habitantes. O nível de desemprego está próximo de 50% enquanto, apesar de uma pequena elite que beneficiou das "reformas" económicas implementadas nos últimos anos, a maioria dos cidadãos vivem numa condição de pobreza permanecem, totalmente excluídos de qualquer perspectiva de melhoria.

Como se isso não fosse suficiente, também os vizinho têm graves problemas: 20.000 pessoas da Mauritânia procuraram refugio no Senegal após a grave carestia a área do Sahel, onde  10 milhões de pessoas sofrem das consequências da seca  Mas esta é um história que interessa ainda menos, pois estes desgraçados nem amendoins têm...


Ipse dixit.

Fontes: AltreNotizie, La Repubblica

3 comentários:

  1. Olá,

    Enviei um e-mail pra você, vamos fazer uma parceria de divulgação.
    www.ianoticia.blogspot.com

    Obrigado

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  2. maria28.2.12

    Ih,Ih...Vai que é tua BURGOS,...castiga!
    Abraços

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  3. Maria

    O Senegal é outro país explorado pelos americanos,com um governo corrupto, Ongs trabalham em prol do interesse ianque.
    É mais um país da África a sofrer para sustentar o malfadado "império".



    Abraços

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