08 fevereiro 2012

Síria: a conta dos mortos

Quantos mortos na Síria? Depende, é só escolher.

O alegado "massacre de Homs" da semana passada, por exemplo:
Yahoo Notícias Brasil: 105 mortos.
Washington Post: mínimo 200 mortos.
Euronews: 200 mortos.
Expresso: 217 mortos.
New York Times: 287 mortos.
La Repubblica: mais de 300 mortos.
Corriere della Sera: 337 mortos.

Cada um pode escolher o número de mortos que mais lhe agrada. O importante é lembrar que todos os mortos são obra do regime. O mesmo regime que corta a electricidade e deixa morrer as crianças nas incubadoras, óbvio.

E os "revolucionários"? Não têm armas? Sim, mas só para legitima defesa, pois os "revolucionários" são bons.

O que é certo é que em Homs houve confrontos entre a oposição e as forças governamentais. Dizer mais é impossível. Não porque faltem as fontes,: mas porque as fontes que fornecem as notícias para todos os media ocidentais são duas e ambas da oposição.


Uma investigação do jornal Al Akhbar (edição inglesa) revela que o Observatório Sírio para os Direitos Humanos (Sohr) tem duas agências de imprensa: Syriahr Org e Syriahr Ner, que lutam entre elas.
A primeira, Syriahr.Org, define-se como "o site oficial do Observatório", a segundas, Syriahr.Net,...também.

Em Syriahr.Org é bem visível desde 17 de Janeiro uma carta assinada pela oposição síria que "repudia" Rami Abdul Rahman (também conhecido como Osama Ali Suleiman), "director" do Observatório, com acusações pesadas. Syriahr.Org pede desculpa pela confusão, acrescentando que pediu ao director para demitir-se por contabilizar nos seus relatos também as baixas entre as forças governamentais. E isso não fica bem: os mortos devem ser todos inocentes cidadãos ou heróicos revolucionários. Por isso abriram um novo "observatório".

Nos bastidores há uma divisão política: Suleiman está próximo da oposição do Ncb (National Coordination Body for Democratic Change in Syria) de Al-Manna que quer uma solução negociada da crise interna e que condena a luta armada, enquanto a contra-parte é constituída pelo Cns de Gharioun, ainda mais filo-ocidental, financiado pelos Países do Golfo e que recruta milicianos estrangeiros.

Em qualquer caso, os media ocidentais preferem as notícias do Ncb e Sulemain já denunciou pressões para que a organização dele apoie uma intervenção armada da Nato e para que deixe de falar dos mortos entre os soldados sírios.

Em ambos os casos, as notícias mais eficazes são aquelas das "crianças mártires" e das famílias mascaradas pelo governo mau.
Madre Inês de la Croix-Mariam, superior do mosteiro sírio de St. James, que por sua vez difunde as listas das vítimas dos grupos armados (e por isso é ignorada pelos media), pesquisou nos últimos dias o caso do "Massacre de Homs", incluindo o caso da família Bahadour, 12 membros mortos inclusive as crianças.

Segundo a versão do francês Le Monde e da americana CNN, os assassinos eram "7 homens em uniforme, partidários do regime." A irmã contactou então a família que deu uma versão oposta:
Abdel Ghani Bahader, irmão de uma vítima, disse-nos que: "Nós somos uma família sunita, que trabalha para o estado, queremos ser neutros. Mas os insurgentes atacaram várias vezes, até que o meu irmão queria mudar para outro lugar depois de ter recusado o convite para juntar-se ao Exército sírio livre. Mas não conseguiu a tempo"

Ipse dixit.
.
Fontes: Yahoo Brasil, Euronews, Expresso, Corriere della Sera, La Repubblica, New York Times, Washington Post., Syriahr.org, Syriahr.net, Il Manifesto

1 comentário:

  1. Boas!

    Não há por aí erro... não será "Líbia: a conta dos mortos"?

    Não?!? Ah... pois é verdade a Síria é a nova Líbia... isto é a nova hipótese dos Assassinos e Piratas do costume fazerem mais uma operação Humanitária!

    Vamos invadir os EUA? Afinal por lá também existem graves violações dos direitos humanos básicos...
    Temos é que pagar a invasão com cartão de crédito, pois se pagarmos em dinheiro somos etiquetados de Terroristas...

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