29 março 2012

Nem todas são Sakineh

A execução de Amina
Lembram-se de Sakineh?

A jovem iraniana condenada à morte por ter cometido adultério?
Uma história triste, que chegava do Irão e que ocupou as páginas dos diários de todo o mundo.

Sakineh teve a apoio das organizações humanitárias do planeta, tal como Avaaz, Human Rights Watch ou Amnesty International. Até surgiram blog para salvar a vida dela, por exemplo Liberdade para Sakineh.

A história da rapariga era mais uma demonstração da crueldade do regime dos ayatollah: um País sem coração, governado por monstros, atrasado e inimigo da Humanidade. Um País que deve ser combatido e democratizado.

Afinal Sakineh não foi lapidada. Apesar de ter assassinado o marido com a ajuda dos dois amantes (o que não é coisa tão simpática, mas este é um pormenor que as associações humanitárias esquecem frequentemente), Sakineh não foi justiçada e continua nas prisões do Irão. Mas o País continua a ser um regime de monstros.


Lembram-se de Amina bint Abdul Hamis bin Salem Nasser?
Acho que não. Esquisito, pois com um nome assim não deveria ser difícil lembrar dela. Mas ninguém conhece a mulher. Aliás: conhecia. Pois Amina foi justiçada em Dezembro com a acusação de bruxaria na província setentrional de al-Jawf, na Arábia Saudita.

Amina foi a decapitada.


Agora tenho um vazio na memória. É que não consigo lembrar dum blog tipo Liberdade para Amina, nem de campanhas de Avaaz, Human Rights Watch ou Amnesty International.

Estranho, não é? Onde estão as mulheres que choravam cada vez que aparecia o rosto de Sakineh?
Mais: na Arábia o caso de Amina nem é uma excepção, é a regra.

Pouco antes da decapitação de Amina, na cidade de Medina tinha sido decapitado um sudanês, "culpado" de bruxaria também. Neste caso o homem foi forçado a confessar sob tortura e nem um advogado foi-lhe concedido.

'Abd Allāh bin ʿAbd al-ʿAzīz Al Saʿūd
Um País demasiado rígido? Nem por isso, pois não há só decapitação: há o enforcamento e o apedrejamento também. Neste aspecto a Arábia oferece várias soluções.

E para poder experimenta-las (não todas, só uma delas...): assassinato, estupro, assalto à mão armada, tráfico de drogas, homossexualidade, bruxaria, adultério, apostasia e sabotagem.

Funciona? Sim, funciona bem: em 2011 foram realizadas 79 execuções, em 2010 tinham sido 27 e em 2009 67. O topo foi alcançado em 1995, quando 191 pessoas foram mortas pelo Estado, mais da metade de nacionalidade estrangeira; isso para que ninguém pense na Arábia como um País de racistas.

É normal, portanto, que um homem ou uma mulher condenados sejam arrastados até a morte logo fora da mesquita, onde são amarrados, ajoelhados aos pés do carrasco e da espada dele, diante de uma multidão que grita "Alá Akbar" ("Deus é grande").

Assim morreu Amina. E as organizações que ficaram sem voz para salvar Sakineh? Nem um pio. E porquê? Porque a Arábia Saudita é boa. Vejam o simpático rosto do rei 'Abd Allāh bin ʿAbd al-ʿAzīz Al Saʿūd: é um rosto que sugere bondade, confiança. Um homem assim não pode ser mau e nem o petróleo dele.

O Irão? O Irão é mau, vê-se logo.
Demonstração: queria matar Sakineh.


Ipse dixit. 

Nota: acerca do mesmo assunto podem ler este artigo do blog O Tempo Chegou, escrito na altura dos acontecimentos.

Fontes: NewNotizie

4 comentários:

  1. MAX ALERTA...

    Antes que muitos leiam esta tua mensagem vai lá à casa do LOUCO e lê isto tem informação importante... acho eu...

    Abraço

    (P.T.: Como sou LOUCO e malabarista poucos são os que lêem os meus ataques de insanidade!)

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  2. maria29.3.12

    Beleza de post, Max, verdadeiro serviço de utilidade pública. E sobre as condenações a morte no despótico mundo muçulmano, bem que gostaria de vê-las comparadas as condenações a morte no democrático mundo cristão ocidental. Fica a sugestão. Abraços

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  3. Anónimo30.3.12

    Mais uma pérola no II. Excelente artigo.

    Para quem anda de olhos abertos estes enredos já não enganam há muito tempo. Infelizmente a mioria, que inclusivé vota, ainda sofre de um torpor mental que lhe impede de ver a luz do dia.

    Era interessante ver os dados das execuções nos EUA para comparar.

    krowler

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