20 março 2012

O sistema dos bancos-sombras

Cá estamos outra vez.
E falemos de bancos.

As Mentes Pensantes de Bruxelas lançam um Livro Verde. Um conjunto de receitas vegetarianas? Um manual de jardinagem? Nada disso.
Explica a União Europeia:
Os Livros Verdes são documentos de discussão sobre um específico assunto político, publicados pela Comissão. São antes demais documentos para todos aqueles (organizações e privados) envolvidos no processo de consulta e debate.
Wow, parece uma coisa importante...e de facto é: a ideia é estabelecer uma forma de vigilância do sistema dos bancos-sombras.
O que é isso?

Essencialmente, esses bancos-sombras oferecem alternativas de depósitos para os investidores e a economia real, canalizando recursos para necessidades específicas, permitindo uma diversificação dos riscos (mas sem eliminar o risco, pelo contrário); contornam a regulação bancária, operam numa zona cinzenta onde é difícil saber o que realmente acontece. Mas os riscos não ficam nesta "zona cinzenta", pelo contrário: podem ser transmitidos ao sistema bancário "normal" com os empréstimos e as linhas de liquidez.

São bancos que operam no limite da legalidade e muitas vezes já além disso. Mas não são apenas bancos, pois entre eles encontramos:
  • fundos monetários
  • fundos de investimento
  • empresas que oferecem empréstimos ou garantias para empréstimos
  • empresas que realizam operações de processamento de liquidez sem ser regulamentadas como os bancos
  • sociedade de seguros que garantem produtos de crédito.
Um problema europeu? Nem por isso.

Globalmente, o sistema "sombra" em 2011 alcançou o valor de 46.000 mil milhões de Euros face a os 21 mil milhões de 2002: sozinho constitui 25-30% do total do sistema financeiro e metade de todos os activos bancários. Só nos Estados Unidos os bancos-sombras representam 35-40% de toda a actividade bancária.

E agora eis que a União Europeia decidiu intervir com o Livre Verde. Uma espécie de luta entre Don Quixote e os moinhos de vento, que provavelmente ficará perdida na areia movediça da burocracia e dos recursos.

Porque mais uma vez estamos perante a prova de que o mundo da especulação alcançou um estado de delírio do qual não é possível voltar atrás sem repensar profundamente o sistema das finanças. E o mesmo Livro Verde da União Europeia é um triste sintoma disso: se existir um sistema de bancos-sombras que contornam as regras, este sistema deve ser fechado, não regulamentado.

Mas tentem fazer perceber certas coisas...


Ipse dixit.

Fontes: Bimbo Alieno, Wikipedia (versão italiana)

1 comentário:

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