16 abril 2012

Grécia: uma nova-velha boa ideia

Há crise? O Euro não presta?
Vamos substitui-lo.

É isso que devem ter pensado em Volos, uma cidade portuária da Grécia. Porque da Grécia não chegam só péssimas notícias.

Há alguns meses atrás, foi introduzida a moeda alternativa, com uma iniciativa popular que desde então tem crescido e hoje pode contar com uma rede de mais de 800 membros, num País que luta diariamente para pagar em Euro no meio duma espantosa crise financeira.

Hara Soldatou pega no conjunto de velas decoradas, feliz da sua compra: "Custaram 24 TEM, que eu juntei oferecendo aulas de ioga".

TEM? Pois esta é coisa engraçada: é possível passear pela zona do mercado sem precisar de Euro no bolso. Jóias, alimentos, peças eléctricas, roupas: tudo aqui está à venda através da moeda alternativa chamada TEM.

Não é uma ideia totalmente nova, mas funciona. Como? Funciona como um sistema de troca. Se você tem produtos ou serviços para oferecer, você ganha de crédito, com um euro que é o equivalente de um TEM. Uma vez juntados alguns TEM, estes podem ser usados para comprar o que mais está a ser oferecido através da rede.

Só isso? Só isso. É uma reminiscência do antigo sistema de troca que regressar à Grécia de hoje.

Stavros Ntentos, que vende roupas íntimas para crianças:
Posso ter aulas de idiomas ou de informática em troca. É uma ideia muito boa, porque temos de fazer as pessoas perceber que todos nós podemos comprar e vender alguma coisa, não precisamos de Euros.
Tasos vende vegetais:
Chegamos ao fundo nas nossas vidas: agora temos que pensar de uma maneira diferente
Todo o sistema está organizado online, com os membros que são titulares de contas TEM: aí são debitadas as transacções virtual.

O fundador, Yiannis Grigoriou, fica ao lado do computador no mercado, controla o processo.:
É atraente porque as pessoas encontram esperança aqui. Encontram coisas para dar e receber.
Poderia o TEM ser a moeda principal em Volos?
Não sei, vamos ver.
A saída da Zona Euro tem sido um cenário frequentemente discutido nos últimos meses, enquanto a Grécia continua a afundar-se na pior recessão da história moderna. "O Euro é coisa do passado" explica um cliente.

O presidente da Câmara prefeito de Volos, Panos Skotiniotis, insiste que o Euro não está em perigo com o TEM.
É a favor do projecto, mas diz que as duas moedas podem coexistir:
Nós apoiamos a iniciativa porque é uma boa forma de sair da profunda crise económica e social. É uma iniciativa que complementa o Euro, mas não substitui o Euro. Queremos que a Grécia fique na Zona Euro, pensamos que tem de permanecer no Euro.
"Coexistir"? Bem pouco provável.
A rede da moeda alternativa está a espalhar-se por toda a comunidade, com cada vez mais empresas que pensam adopta-la.

Na local cooperativa de floricultura, composta por pessoas com dificuldades de aprendizagem, os trabalhadores usam o TEM para vender as plantas em troca de serviços que de outra forma seria difícil poder pagar.

Peri Mantzafleri, que dirige a cooperativa:
Podemos comprar pão ou carne em troca dos nossos produtos, ou as meninas podem ir ao cabeleireiro. Eu cresci numa aldeia, era assim que se costumava trabalhar nos velhos tempos, antes que o dinheiro se tornasse tão importante. Esta poderia ser uma ocasião para recomeçar.
E a próxima geração pode ficar avantajada também.
Na Câmara, as crianças participam nas aulas de actividades animadas, uma mistura de jogos, músicas e desenhos. Os pais que estão a ter dificuldades para pagar as aulas em Euro podem também pagar em parte através do TEM, com as duas moedas que trabalham lado a lado.

Charalampos Bardas, o coordenador das aulas, diz que a moeda local é inestimável:
É uma grande solução contra a crise. A vida continua, temos que lutar. Temos de ver as coisas de forma diferente agora. Não é o fim do mundo esta crise. Queremos ter sucesso e seguir em frente.
E assim, esta pequena comunidade desenvolveu uma nova ferramenta para combater a pior crise financeira da Grécia moderna. O Euro não pode ser forçado a sair, mas Volos encontrou uma maneira de lidar com o problema através dos meios alternativos: um sistema de troca simples.

Moral: quando as coisas ficam feias, o Homem volta a descobrir a simplicidade. E, milagre!, a simplicidade funciona bem.

Com boa paz da Zona Neuro.


Ipse dixit.

Fonte: BBC

2 comentários:

  1. Anónimo16.4.12

    Porque será que as pessoas precisam chegar ao fundo do poço para começar a fazer o óbvio!?

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  2. Vanessa17.4.12

    sem querer ser muito cetica, pergunto, mas como é que pagam os impostos? e a água, a luz e a net e a gasolina? é muito dificil uma comunidade ser atualmente autosuficiente a não ser que regresse ao modo de vida quase primitivo.

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