04 abril 2012

Tendências

Duas contas? E vamos com duas contas.

Richard Heinberg, do Post Carbon Institute, extrapolou alguns dados a partir da realidade actual. Como o mesmo autor realça, são apenas isso, extrapolações, não previsões: na prática, Heinberg tomou as actuais tendências e observou as consequências teóricas no longo prazo.

A História não funciona assim, todavia é útil para reflectir acerca dalguns aspectos.

Por exemplo, se as tendências da população continuar com a mesma tendência demográfica...
  • A população dos EUA irá aumentar até mais de 600 milhões em 2080 e em 2150 atingirá o tamanho da China actual.
  • A população mundial atingirá 14 biliões até 2075 e 30 biliões até 2105.

Se as actuais tendências da energia continuarem...
  • Em 2015 a China importará mais petróleo do que os Estados Unidos.
  • Em 2030 a China irá absorver todas as exportações mundiais de petróleo disponível, não deixando nada para os Estados Unidos ou a Europa.
  • Em apenas oito anos, a China irá queimar o mesmo carvão que é queimado hoje em todo o mundo
  • Os depósito naturais de gás nos Estados Unidos ficarão esgotados 2015.

Se as actuais tendências económicas continuarem ... 
  • A economia chinesa será oito vezes maior em 2040.
  • A economia chinesa vai superar o tamanho da economia global em 2050.
  • A dívida federal dos EUA vai dobrar (de 14 para 28 biliões de Dólares) até 2022.
  • Em 2072 a dívida federal vai atingir 896 triliões de Dólares, o equivalente a 1.629.091 Dólares de dívida por cada cidadão americano (assumindo uma população de 550 milhões de pessoas)
  • De acordo com a duplicação das famílias americanas que vivem com menos de 2 Dólares per capita por dia (duplicação realmente acontecida entre 1996 e 2011), em 150 anos haverá cerca de 1,5 biliões de Americanos que vão viver com praticamente nenhuma renda.

Se as actuais tendências ambientais continuarem ...
  • Graças a décadas de declínio no total dos espermatozóides, aparentemente causado pela proliferação dos poluentes ambientais com base nos hidrocarbonetos, a espécie humana será extinta dentro dos próximos dois séculos.

Como afirmado, são tendências. As tendências tendem a continuar durante um certo período, depois param e mudam, de outro modo não seriam tendências. Às vezes as tendências em diferentes áreas trabalham uma contra a outra e acabam por apagar-se mutuamente. Na verdade todas as tendências (excepto, talvez, a expansão do Universo), atingem os limites, param ou invertem.

Aplicando a matemática simples com as tendências no futuro é possível chegar até conclusões absurdas, como nos casos acima reportados. Mas, ao mesmo tempo, as tendências são um alarme: realçam a qualidade da vida presente e possíveis cenários futuros. Mais: descrevem o nível de atenção que uma sociedade reserva para o próprio futuro. E este é um aspecto assustador, porque o futuro delineado pelas tendências analisadas não apenas não é sustentável: simplesmente é impossível.

Agora pensemos nisso: se as tendências analisadas não são sustentáveis, é óbvio de que será necessária uma inversão de tendência ou, no mínimo, uma "travagem". Mas que acontece quando a nossa sociedade é obrigada a inverter ou travar muitas das tendências até então evidenciadas?

O resultado é uma descontinuidade histórica, uma mudança profunda, cujos moldes, por enquanto, permanecem desconhecidos.

Dito de forma ainda mais simples: é evidente que as actuais tendências não podem continuar ao longo de muito tempo, pena o colapso da nossa sociedade. E como falamos não de uma mas de várias tendências (demográfica, energética, ambiental, económica...) que deveriam mudar ao mesmo tempo e num curto prazo, o resultado seria uma profunda mudança da nossa actual sociedade. A tal descontinuidade.

Mas onde começará a mudança? E quando? Será pacífica?

Se o Leitor gostar da mudança, este será um óptimo planeta para viver nos próximos tempos.


Ipse dixit.

Fonte: Post Carbon Institute, Contercurrents

5 comentários:

  1. Anónimo4.4.12

    Resumindo,
    a China vai dominar!

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  2. Eu sempre disse que a força bruta não é o único meio para a imposição perante os mais fracos. A quantidade de indivíduos numa organização, independentemente do seu tamanho ou força, é determinante. Acho que aos EUA lhes vai saír o tiro pela culatra e o Kissinger deve estar a engolir em seco! É o que se chama virar-se o feitiço contra o feiticeiro...

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  3. maria4.4.12

    Olá Max: se há uma coisa com a qual concordo integralmente é que nossa geração verá uma descontinuidade histórica, que poderá ir, segundo meus mais "profundos palpites", em duas direções possíveis:
    A BOA: drástica metamorfose nos padrões de distribuição de gente por território, ou seja, se há países com alta concentração de gente, terão de redistribuir-se por locais com mínima concentração, ao mesmo tempo que as cidades populosas terão de dar vazão para o campo despovoado, configurando um planeta onde bilhões de pessoas poderão viver, produzir em escala humana, e manter um equilíbrio de forças em um mundo multipolar. As pseudo dívidas e déficits serão zerados mundialmente e as trocas tenderão a um equilíbrio mutual, tendendo a diminuir a fome e o desemprego, em função dos empregos massivos na agricultura familiar e na indústria mantida em fontes múltiplas de energia.
    A RUIM: o caminho para a multipolaridade será interrompido por agressões regionais, envolvendo então vários países ou polos de poder em ascensão, determinadas pelo atual império e pela operacionalização mundial do estado imperial policial, estabelecendo-se no planeta um estado de controle tal, só comparado a uma granja, daquelas onde tudo que não é aproveitado é queimado vivo.
    Sem querer ser catastrofista, aposto mais, infelizmente, na opção ruim, já que, históricamente, a humanidade faz M...Mas não se preocupem demais porque sempre haverá buracos nas cercas da granja, onde alguns frangos e frangas mais lúcidos poderão fugir para o mato. E, como, infelizmente, os lúcidos são poucos, esses serão deixados de lado e viverão em paz. Só palpite, gente, só palpite, tá !?

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  4. maria4.4.12

    Olá Max: e por falar em cercas, os amáveis colegas leitores do Max já perceberam como as cercas estão sendo construídas ultimamente? Se pensa em construir uma entre a Grécia e Turquia, espécie de fosso para impedir "problemas de migração" do Afeganistão, via Turquia, etc e tal. Todos devem saber dos diferentes muros já construídos e em expansão na fronteira México - EUA, Gaza, nas cidades populosas da França, EUA, Brasil e outros para separar essas massas inconvenientes de gente pobre. São as cercas da granja, pessoal, as cercas em construção...Outro dia toda gente noticiou as cercas da FEMA nos EUA. Sinais em direção a minha opção ruim, não é mesmo? Abraços

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  5. Anónimo4.4.12

    A propósito das tendências, e para que ainda não viu, deixo aqui um link de um excelente video sobre o crescimento e a função exponencial. Recomendo vivamente.

    http://www.youtube.com/watch?v=F-QA2rkpBSY

    Abraço
    Krowler

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