30 maio 2012

A Dívida: Bau vs. Miau

Ainda com esta raio de Dívida Pública?

Com certeza. É preciso. Lamento, mas é preciso perceber o que se passa. E não apenas perceber: é preciso ler, ingerir e digerir. Podem chama-la "lavagem cerebral", como aquela feita diariamente pelos media, só que aqui o sentido é inverso.

Mais: é importante porque o mecanismo da dívida está ligado à Modern Money Theory, da qual falámos no recente passado.

Muitas vezes já disse que a austeridade não é a solução: pelo contrário, piora a situação.

Agora, o que digo eu não conta muito. Mas se o mesmo for dito por um economista? Mais: se for demonstrado por um economista? Mais: se for dito e demonstrado por um cão economista?

- Olá Leo.
- Saudações para todos os Leitores de Facebook.
- Não temos Facebook. Que dizer, temos mas não funciona.
- Cada vez pior este blog...
- Temos Tweeter
- Tweeter é para deficientes.
- Ok, vamos em frente. Leo, vieste para explicar algo importante acerca da dívida pública, não é?
- Claro. É preciso. Por isso vou ler alguns trechos dos Actos dos Economistas, a base histórica de qualquer estudo sério no âmbito da economia canina. Que, como sabes, é bem superior à economia humana.
- Óbvio...

- Comecemos. Livro V:
Naquele tempo existia na Terra um País feliz, chamado Ossilândia. O Deus Bau tinha feito de Ossilândia um pequeno jardim com maravilhosas florestas de urtigas, Invernos gélidos e Verões mais do que quentes, praias espectaculares não tivesse sido pelas fortíssimas correntes oceânicas que diariamente matavam dezenas de pescadores. Isso para não falar da terra, da qual brotavam deliciosas beterrabas rijas e amargas.
- Um Paraíso...
- Claro, o Deus Bau não brinca. Mas continuemos:
Ossilândia era uma País feliz, com praças frequentadas por mercantes de todas as Nações que compravam as beterrabas. As pessoas rezavam, respeitavam o Sábado e também os Domingos, um pouco menos as Segundas-feira, mas o Deus Bau gostava deste cantinho de terra. Até que um dia o sacerdote Akryb correu até o Palácio do Rei.
- Então Ossilândia tinha um Rei. E qual era o nome dele?
- Nuno. Mas vamos ler:
"Grande Rei Nuno, um praga atingiu Ossilândia!" disse Akryb.
E Rei Nuno perguntou "Fala Akryb, qual praga?"
Akryb pegou nos livros da contabilidade e explicou: "Grande Rei Nuno, o ano acabou mal: um PIB de 5 milhões de Libras e uma dívida de 6 milhões de Libras. Isso significa que o rácio dívida/PIB é de 6/5, isso é: 1,2. Dito de outra forma, Grande Rei Nuno: a dívida alcançou 120% do PIB"
- Ehhh?
- Ó Max, são contas, não é? Um rácio dívida/PIB 6/5 significa 1,2. O que, por sua vez, indica uma dívida 120% do PIB.
- Tens a certeza? É que eu com a matemática...
- Já sei, já sei...confia no teu cão, é mesmo assim.
- Ok. E depois?
O Grande Rei Nuno ficou alarmado e convocou uma reunião com todos os sábios do País. "Ó Grandes Sábios, uma terrível praga perturba as noites de Ossilândia: a dívida pública é agora 120% do PIB!" anunciou. "OHHHH!!!!" responderam os Sábios.
- Não é grande coisa como resposta...
- Os sábios não podem ser precipitados.
- Justo, Leo, justo.
Entre os Sábios havia Matusacão, o qual tinha sempre consigo uma versão portátil dos Onze Mandamentos. E assim falou: "Grande Rei Nuno, este não é um verdadeiro problema, pois o décimo-primeiro Mandamento diz Não ligar à dívida. E esta é a Palavra do Deus Bau."
- O Deus Bau fala da dívida também?
- Claro, o Deus Bau fala acerca de tudo. Mas o Rei Nuno não estava convencido, sobretudo porque o espírito do terrível Miau tinha tomado posse da alma dele.
- Miau?
- Sim, é o vosso Satanás.
- Claro. Então que aconteceu?
- Vamos ler:
Então o Grande Rei Nuno começou a gritar "Austeridade! Austeridade para todos os filhos de Ossilândia! Fizeram a boa vida, viveram acima das possibilidades: mas agora acabou!". E austeridade foi.
- Austeridade?
- Claro, Max: o terrível Miau fez crer ao Grande Nuno que o rácio de 120% era uma coisa terrível. Então o Rei Nuno decidiu implementar a austeridade para que o rácio voltasse a ser não mais do que 100%.
- Ahhh...e depois?
- Calma.
Passado que foi um ano, o sacerdote Akryb voltou a correr até o Palácio do Rei. "Grande Rei Nuno, Grande Rei Nuno: o rácio subiu ainda mais!!!"
- Ainda mais?
- Com certeza.
- Mas como é possível? Não tinham implementado a austeridade?
- Calma, continuemos a ler:
Naquele tempo havia numa pequena aldeia um jovem, Zé Noé, filho dum carpinteiro e duma engomadora. Zé Noé tinha sido tocado pela Graça do Deus Bau. Então foi até a cidade e pediu para falar com o Grande Rei Nuno.
"Fala Zé Noé, e que o Deus Bau ilumine as tuas palavras!" disse o Rei.
E Zé Noé assim falou: "Y = C + G + I + NX"
"Eh?" perguntou o Rei.
E Zé Noé repetiu: "Y = C + G + I + NX!"
- Zé Noé tinha alguns problemas de fala?
- Nada disso. Continuemos:
"Em verdade, em verdade eu digo: é simples" explicou Zé Noé.
"Y é o Produto Interno Bruto que é formado por: 
C os consumos privados
G os consumos públicos
I formação do capital líquido
NX as exportações
Grande Rei Nuno, se no teu Reino ninguém gastasse dinheiro, se ninguém comprasse beterrabas, então ninguém ganharia nada e nem teria sentido produzir. É por isso que o PIB coincide com os gastos das famílias (C), do Estado (G), das empresas (I) e do estrangeiro (NX)."
-Ó Leo, isso é muito complicado...
- Para o teu cerebrinho sim, sem dúvida. Mas na verdade é simples: o PIB é a riqueza do País e a riqueza o que é afinal? A riqueza não é uma pilha de ossos ou de moedas fechadas num cofre, a riqueza é a movimentação de dinheiro, de bens. Sem todos mantivessem os próprios bens fechados num cofre, o PIB do País seria zero.
-"Zero"?
- Claro Max, claro. Qual a definição do PIB?
- Espera que vou ver...aqui, na Wikipedia diz assim: O produto interno bruto (PIB) representa a soma (em valores monetários) de todos os bens e serviços finais produzidos numa determinada região (quer sejam países, estados ou cidades), durante um período determinado (mês, trimestre, ano, etc).
- Viste? Diz "produzidos" não "guardados". E como são "produzidos"? Com a aquisição de bens que permitem a criação e a venda de outros bens.
- Faz sentido.
- Claro que faz, este é um dos grandes ensinamentos de Bau:
Então Zé Noé explicou: "Meu Grande Rei Nuno, quiseram introduzir a austeridade apesar disso ir contra às palavras do Deus Bau. E que aconteceu? Aconteceu que diminuíram os salários, cortaram os serviços. Isso significou baixar o valor G. Mas ao baixar o valor G, o resultado final Y baixou também, porque Y (o PIB) é apenas o somatório de vários valores entre os quais há G.. Esta, Grande Rei Nuno, chama-se recessão".
- Ehi Leo, a recessão!
- Óbvio. Se o PIB for formado pelos vários gastos, ao reduzir um deles reduzimos também o PIB.
- Ehi, Leo, espera. Mas isso significa que se um País estiver em crise, a solução melhor não será "cortar" mas fazer que seja possível gastar mais.
- Entendeste agora? Foi o mesmo que disse o Rei Nuno:
"Zé Noé, isso significa que se Ossilândia estiver em crise, a solução melhor não será "cortar" mas fazer que seja possível gastar mais" disse Rei Nuno, finalmente tocado pela Graça de Bau.
"Exacto" respondeu Zé Noé, "esta é a palavra do Bau o Omnisciente. No ano passado o PIB era 5, agora é 4. A dívida desceu? Com certeza, graças aos cortes hoje é 5. Mas atenção, Grande Rei Nuno: no ano passado o rácio era 6/5 (6 o valor da dívida, 5 o valor do PIB), que dá 120%. Hoje o rácio é 5/4 (5 a dívida, que baixou, 4 o PIB que baixou também): e um rácio 5/4 significa 125%." 
- Fantástico Leo, muito bom mesmo, até eu percebi.
- Espantoso, de facto...
- ...e que aconteceu depois?
- Aconteceu que o espírito malvado de Miau abandonou o corpo do Rei Nuno entre nuvens de fumo cinzento e chamas. Ossilândia voltou a crescer e as beterrabas surgiram mais amargas e mais rijas do que nunca.
- E Zé Noé?
- Foi crucificado para que não pudesse revelar de ter visto o Grande Rei Nuno possuído pelo terrível Miau.
- ...!!!


Ipse dixit.

(Por incrível que pareça, a formula Y = C + G + I + NX com relativa explicação aparece também no blog do Professor Alberto Bagnai. O qual, esta é a única explicação, deve conhecer os Actos dos Economistas e a relativa epopeia de Zé Noé.)

23 comentários:

  1. Anónimo30.5.12

    Max uma duvida.

    Na formula Y=C+G+I+NX

    Y é a dívida ou não será antes o PIB? Não terá havido aí uma troca?

    abraço
    Krowler

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  2. Pois claro que é...
    Já corrigi, peço desculpa.

    Muito obrigado Krowler!!!

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  3. maria30.5.12

    Olá Max: até aí, tudo claríssimo, até para mim. Essa foi a política econômica incrementada por Lula no Brasil, e funcionou.Mas e os países da Europa, hoje? Tem soberania para aplicar fundos de investimento, produzir e gerar empregos? Se o tal de MEE entrar em funcionamento, penso que não. Então, voltar a ser Estados soberanos economicamente, com a própria moeda, liberdade para imprimir dinheiro e tudo mais, não é o essencial,tenha já o país caído em desgraça, como a Grécia, ou esteja a beira do precipício, como os demais, Alemanha inclusive? Então, porque essa insistência em incorporar o espírito miau? Porque é tão importante para as elites financeiras mundiais o colapso financeiro dos estados europeus, agora, neste momento das estratégias globalizantes? Esta última questão, me parece oportuna do Leo refletir, e nos contar.Se estiver fazendo questões estúpidas, diz para o Leo sentir-se a vontade para desdenhar delas. A gente também aprende com as próprias besteiras. Abraços

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  4. Anónimo30.5.12

    Aqui está a continuação e o resultado da política econômica incrementada pelo chefe do mensalão, digo, Lula:

    http://economia.terra.com.br/noticias/noticia.aspx?idNoticia=201205292358_ABR_81254846

    " comissão dividiu a classe média em três grupos: a baixa classe média, composta por pessoas com renda familiar per capita entre R$ 291 e R$ 441, a média classe média, com renda compreendida entre R$ 441 e R$ 641 e a alta classe média, com renda superior a R$ 641 e inferior a R$ 1.019."

    Agora digo, CLASSE MÉDIA????
    R$ 291 é classe média???
    Não sei onde, só no Brasil mesmo que menos de meio salário MÍNIMO é classe média.

    Só assim mesmo para o governo fazer propaganda internacional, trocando nomes e posições das classes. RIDÍCULO.

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  5. maria30.5.12

    olá Anônimo: que a miséria diminuiu substancialmente no Brasil nos anos Lula, não precisa estatística (bem ou mal feita)para constatar. Basta olhar com os próprios olhos o lugar que se vive, ou viajar pelo país, especialmente norte e nordeste.
    Que as estatísticas, organizadas por tecnocratas e intelectuais de matiz conservador, são extremamente duvidosas, tanto no Brasil de agora, como no de sempre, e em todo o mundo, não há dúvida que são, porque são produtos para consumo de populações desavisadas, e acríticas.
    Respondi sobre isso num comentário de post anterior, em função de questões levantadas pelo Voz. Me referia aos descalabros apresentados como estatística no Brasil.
    Me parece que a questão crucial, nesse caso, é a dimensão da miséria em cada lugar e em cada tempo.No terceiro mundo (e nós somos terceiro mundo)a miséria significa ausência total de dinheiro, ou talvez até uns 50 reais mensais. É a fome crônica, o total despreparo para enfrentar a vida, a absoluta insegurança e desamparo É algo que africanos e a maioria dos países asiáticos conhece bem, algo que parte das populações do oriente médio também conhece, mas que só agora, e desgraçadamente, americanos do norte e europeus começam a vislumbrar. Daí, que o sujeito miserável no Brasil, que passa a ter carteira assinada, entra num banco pela primeira vez para receber o salário família, o auxílio gás e a bolsa de incentivo a sei lá o que, e recebe um salario mínimo (em torno de 700,00,dependendo do estado da federação), se considera e é considerado classe média, hoje, neste país miserável, onde só agora a maioria da população tem um prato de comida para se alimentar.E não é graças as conquistas populares, não, porque infelizmente a estupidez e o atraso cultural e crítico político aqui é denso, muuuuiiito denso.É simplesmente devido a inteligência de governos que perceberam exatamente o que o Max descreveu no post, e o intelectual lá do post de cima também percebe, como qualquer capitalista sabe: se permitirem que milhões comprem alguma coisa, a máquina gira, e a economia prospera. Abraços

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  6. Anónimo30.5.12

    A maria referiu o caso da Alemanha.
    É um caso muito interessante sem dúvida.
    Muita gente ainda por cá continua a dar a Alemanha como um exemplo a seguir pelos outros. Em primeiro lugar fruto de todo o historial divulgado pelos suspeitos do costume e ainda pelo posiciamento da Merkel na assunção da liderança da politica económica europeia.

    Se aplicarmos a formula do cálculo do PIB temos para a Alemanha:

    PIB (alemão) = C+G+I+NX

    Se analisarmos o saldo da balança comercial alemã publicado no post 'Entre Gnomos e Dragões' verifica-se que a Alemanha floresce essencialmente à conta dos outro países da Europa.
    Com a situação e o consumo a agravar-se no paises NEuro a variavel NX(exportações) vai cair e de que maneira. Portugal e a Grécia já não vão comprar submarinos, a malta por cá se quiser um Mercedes um BMW ou um Audi, se calhar compra em 2.ª mão.
    Os bancos portugueses agrafaram os cordões da bolsa. Dali não sai quase nada muito menos para carros.
    Com a queda dos salários reais na Alemanha o consumo interno - C tambem está a cair, logo o PIB vai para baixo.
    Resta à Sr.ª Merkel aumentar o investimento publico para segurar as pontas. Mas isso estaria em contraciclo com os demais parceiros eurpeus.

    Ou os Neuromen têm na cartola muitos coelhos para tirar ou então os próximos tempos vão ser de festa, ... e da grossa.

    Krowler

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  7. maria31.5.12

    Olá Krowler: e se aplicarmos a fórmula do PIB aos EUA, como no raciocínio que fizestes para a Alemanha, "a vaca também vai para o brejo", não vai? Então, a menos que a confiança que as elites tenham no trio:polícia/militarização/consenso em torno do pensamento único seja desmedida, para dar conta de controlar as desregulagens da máquina de fabricação da miséria globalizada, o que elas pensam que vai acontecer nos próximos 50 anos? Supondo que de uma forma ou de outra, consigam amordaçar toda iniciativa, digamos, keynesiana no ocidente, como se comportariam as economias do mundo árabe,diante disso,entrariam no mesmo esquema? E o grupo que parece se encaminhar para tendências econômicas de manutenção de uma certa autonomia/soberania econômicas, tipo Rússia, Argentina, e uns poucos mais, sucumbiria também em mais meio século? Não falo em brics porque este conceito não me passa redondinho na garganta. Nem falo nas análises dos Olavos de Carvalho da vida, que conheço de outros carnavais. Gostaria que tu, Krowler,Max e outros que estão raciocinando a respeito aqui no botequim do Max, me dissessem o que pensam, com as próprias palavras, e os próprios raciocínios, como o Krowler acabou de fazer, respeito a Alemanha.Abraços

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  8. Anónimo31.5.12

    Maria, são varias perguntas muito pertinentes juntas numa só.
    Realivamente à Alemanha, eu fiz um raciocinio muito simples baseado em factos de conhecimento geral e aplicados a uma formula tambem muito simples. O que mencionei foi uma tendência que em minha opinião é obvia.

    Não sou economista e ainda bem, acho um tédio, mas por ser da area de engenharia, gosto de analisar numeros e tendências.
    Nestas condições, vou dar a minha opinião baseado naquilo que aprendi até hoje.
    A melhor forma de prevermos a evolução de uma economia é olhar para o gráfico Divida/PIB. Uma imagem vale por mil palavras.
    Tanto na natureza, como nas ciências económicas e sociais, um grafico têm 'sempre' uma variação 'linear' cumprindo uma tendência. Essa tendência é determidada pelo comportamento, no caso do PIB, das 4 variáveis que contribuem para o seu cálculo. No post do Max acima, ficou claro que o PIB está interligado com a Divida.
    A história mostra-nos que sempre que ocorreu uma alteração a essa tendencia, verificou-se a existencia de um factor exterior que influenciou de forma drástica o comportamento dessas 4 variáveis.

    No grafico da divida dos EUA podemos quase de olhos fechados localizar no tempo, os tais factores que contribuiram da forma drástica para a alteração tambem drástica no comportamento desse grafico.
    São eles a criação do FED que culminou com a Grande Depressão com pico em 1929, New Deal + 2.ª Guerra Mundial com pico inferior em 1953, e finalmente Bretton Woods 2 em 1971, com a revogação da convertibilidade dinheiro-ouro.

    Actualmente estamos nesta fase: Efeitos de Bretton Woods 2. O dinheiro passou a ser criado a partir do nada. Dinheiro criado a partir do nada igual a divida que tem de acontecer de acordo com os mesmos principios e com mesma a velocidade com que o dinheiro cresce. Dinheiro=divida.

    Já no periodo pós 1971, o comportamento do gráfico sofre uma alteração quase subtil que occorreu em 1981. Apesar de ser subtil, é na minha opinião tudo menos isso.
    Esse ponto no gráfico significa que o comportamento da curva passou de linear a exponencial. Numa fase de crescimento exponencial, ou seja tudo acontece cada vez mais depressa. A velocidade com que as coisas acontecem é forçosamente maior que no ano anterior e por aí fora. Sem parar. Mas, .... vai ter de parar.

    Chegados a este ponto, temos de perguntar: como se vai inverter a tendencia desta curva? Ela vai ter de ser invertida, disso não tenho duvida.

    Se em 1929 a tendência negativa da curva ficou resolvida com a 2.ª guerra mundial, agora que estamos na era do nuclear esta solução pode ser encarada como viável?
    Existe na cartola algum coelho que seja a solução para o problema?
    Estou seguro que varias soluções estão pensadas, mas tenho a certeza o que não vou gostar de nenhuma delas.

    O que disse acima não é novidade para quem acompanha estes assuntos, as minhas duvidas porque estou cheio delas, têm a ver com as eventuais soluções. Ou seja, que tipo de coelhos vão ser tirados das cartolas?

    Relativamente aos outros países, e porque a economia está de tal forma interligada entendo que o mesmo tipo de raciocinio tambem se aplica.

    Aqui eu preferia deixar este ponto para discussão.
    Teriamos de partir para a analise da demografia mundial, recuros, economia e energia. Este tipo de analise já foi feito por muita gente, e as conclusões são muito pouco animadoras.

    Abraço
    Krowler

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  9. Anónimo31.5.12

    Ainda sobre os EUA, actualmente a dívida distribui-se pelos cidadãos da seguinte maneira
    - 50.200 dolars por cidadão, incluindo ciranças, idosos, reformados e desempregados
    - 138,500 dolars por cada trabalhador que paga impostos.
    Estes valores não são possiveis ser pagos via austeridade, com impostos.

    Sobre a economia global, Kondratiev apecebeu-se que a economia tinha um comportamento ciclico aternando entre epocas de crescimento e epocas de retracção. O comportamento ciclico assemelha-se a uma onda. Factores como a Invenção do Automóvel, Revolução industrial, Explosão da Industria Quimica contribuiram para modelar essa mesma onda e criar uma inversão no ciclo.

    Previsivelmente e de acordo com o raciocinio de Kondratiev, com a era informática e a generalização da Internet um novo ciclo de crescimento deveria acontecer. Mas não aconteceu.

    Tal só não foi possível porque o crescimento da economia deixou de estar dependente dela própria, economia real, mas passou a estar dependente do endividamento através do sistema financeiro privado.

    Krowler

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  10. Rita M.31.5.12

    Quando li o comentário da Maria só pensei: "agora é que foi, não tenho pedalada para mais". E não tenho ;)

    Por aqui sou de letras/educação. Por várias razões li manuais e textos de economia (samuelson e afins).
    Nada de formação específica, mas achei logo que o lia confirmava algo que sempre achei... esta maneira de viver de empréstimos/dívidas não faz muito sentido e quando percebi como se faz dinheiro... pior.

    Não percebo como se deixa de ter o ouro como referência, como se produz dinheiro do nada e se vive na virtualidade e na dívida.
    Onde fica a troca de um bem por outro?
    É que nesta troca um dos bens é produzido a partir do nada/dívida
    Para mim isto desregula o mercado Disse uma grande asneira, certo? Mas é só o que me ocorre.
    Se crias riqueza a partir do que não existe/do que se deve... bom quem é que fica com o que não existe/o que se deve?

    Este últimos posts do Max ainda me deixam mais convicta disso (PIB).
    Não pode continuar assim e não tem como acabar bem.

    Por isso perguntava se faz algum sentido comprar dívida alemã... é que para mim não. Eles não são imunes a nada. Podem apenas demorar mais a cair, mas o lado exponencial do que se passa...
    Outros países estarão menos expostos, mas se todos fazem o mesmo e se regem pelo mesmo sistema... estamos mal.

    Para acabar bem acho sinceramente que o mundo se devia reger por outros valores morais.

    Realmente factos são factos, mas a partir do momento em que começamos a ter pessoas a determinar/decidir algo... cada pessoa é um mundo e a partir daí torna-se difícil.

    Por isso temos metodologias diferentes para estudar em diferentes áreas... há factos que não são generalizáveis porque envolvem pessoas, logo valores/juízos pessoais.

    Se temos várias velocidades (primeiro mundo, segundo mundo, terceiro mundo) e permitimos e garantimos formas de essa diferença se manter e, actualmente, crescer, acho difícil travar algo que está a evoluir, como o Krowler diz, de forma exponencial.

    Concordo com o que Krowler escreveu. Claro que é a minha opinião que como já perceberam não é de quem sabe muito do assunto.

    (continua)

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  11. Rita M.31.5.12

    (continuação)

    Para mim, dado que temos um grupo muito poderoso a controlar o dinheiro e a economia... acho complicado.
    Não impossível, mas complicado.

    Há coisas que é preciso querer... eles estão bem e garantidamente já deu para perceber que querem mais ainda independentemente do preço que tenha para os outros.

    Esta ideia do Krowler parece-me resumir bem a questão de forma muito clara: "Tal só não foi possível porque o crescimento da economia deixou de estar dependente dela própria, economia real, mas passou a estar dependente do endividamento através do sistema financeiro privado."

    Quando li isto pensei: a economia já não é livre há muito... não por causa dos políticos, mas por manipulação do próprio sistema financeiro por que faz parte dele.

    Espero ter feito algum sentido... na prática tenho é mais que muitas dúvidas.

    Abraço

    Rita M.

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  12. Olá Maria!

    "Essa foi a política econômica incrementada por Lula no Brasil, e funcionou"
    Mais ou menos, no sentido que Lula não teve a "coragem" de ir até o fundo: é por isso que o Brasil tem uma dívida pública baixa quando deveria ser bem maior. É com a dívida que o Estados pode criar riqueza.

    Pode parecer esquisito falar de dívida pública maior como um factor positivo: mas é mesmo assim. Como vimos, os Países europeus em crise não tinham dívidas públicas enormes, era a privada muito elevada. Depois a dívida privada tornou-se pública, mas a responsabilidade disso foi das classes políticas que utilizaram o dinheiro público para pagar as dívidas privadas. Nisso não há nenhuma riqueza para o País, pelo contrário, estes ficam com uma dívida que é verdadeiramente tal e nada mais.

    Mas para perceber a razão pela qual Lula não foi mais além temos que observar melhor o Banco Central do Brasil: andam por ai certas figuras...

    "Então, porque essa insistência em incorporar o espírito miau? Porque é tão importante para as elites financeiras mundiais o colapso financeiro dos estados europeus, agora, neste momento das estratégias globalizantes?"

    Porque estamos em guerra. O Dólar nunca teria permitido a existência duma forte moeda alternativa. Não pode conceder-se este luxo, sobretudo agora que tem nas costas uma economia frágil.

    Por quem são compostas hoje as elites políticas da Europa? Onde trabalhava Mario Monti? Porque a Goldman Sachs ajudou a Grécia a falsificar as contas para que Atenas entrasse no Euro?

    A Europa tem que acabar como entidade económica com um possível futuro independente, tem que voltar no quintal económico dos EUA.

    Em vez que focar a nossa atenção na treta do NWO, melhor seria entender quem realmente está na base da crise Europeia; quem detém a maioria da dívida pública dos Países em crise.

    Solução? Olhem para outro lado do oceano...

    Abraçoooooo!

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  13. @ Krowler:

    "Em primeiro lugar fruto de todo o historial divulgado pelos suspeitos do costume e ainda pelo posiciamento da Merkel na assunção da liderança da politica económica europeia".

    Sobrescrevo na integra os comentários. E muito obrigado, são dados que ajudam muito a compreensão daquilo que se passa.

    A ideia dinheiro= dívida é bem real e tem profundas implicações (positivas e negativas ao mesmo tempo).

    O problema acontece quando a criação do dinheiro-dívida ficar sob o controle das entidades privadas. Neste caso a agulha pende mais para o lado da dívida, sem os benefícios que a criação do dinheiro podem trazer.

    A criação de dinheiro "privado" (por assim dizer) implica o nascimento duma economia obrigada a afastar-se cada vez mais da realidade. Há limites não economia real, não há limites nos algoritmos da finança criativa.

    Dada a equação dinheiro=dívida, é óbvio que a criação do dinheiro comporta a criação da dívida também. E os privados não gostam da dívida.
    Mas nesta altura nem todo está perdido: a dívida pode ser utilizada como arma.

    Se fosse possível "descarregar" a dívida nas contas públicas, então seria possível:
    a - livrar-se da dívida privada b - criar uma situação de crise que, se oportunamente explorada, pode consentir a infiltração dos privados em áreas que antes estavam sob o controle público.

    É isso que estamos a observar na Europa.

    Neste sentido, a Alemanha é o melhor País que os EUA poderiam ter escolhido como Cavalo de Tróia, dado que o Reino Unido ficou "de fora" do bazar de Bruxelas (além do UK ser muito suspeito por definição dada a conhecida proximidade com Washington).

    Os fantasmas criados pelos adeptos da NWO têm raízes na Europa. Na Europa dos privados, claro. Então, na minha óptica, é melhor não ver nisso o fruto de missas negras e gatos queimados, mas a tentativa de algumas grandes famílias para tornar uma possível vantagem dos Estados na razão da ruína deles.

    A dívida pública, verdadeira rampa de lançamento das economias nacionais, é agora a âncora que ameaça trazer para o fundo os Países.

    Mas há um "mas. Há sempre um "mas".

    (continua)

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  14. (continua)

    "Ou seja, que tipo de coelhos vão ser tirados das cartolas?"
    diz Krowler.

    Porque a situação é esta: é preciso um coelho.

    A bolha dos subprimes pode ter sido "ajudada" na sua eclosão para optimizar tempos e modalidades, mas não deixava de ser uma bolha. Há outras bolhas que circulam. E as bolhas explodem.

    É esta o principal efeito adverso da finança criativa e dum mercado que em boa medida está saturo. Vejo a "ocupação" dos Estados europeus como um efeito secundário numa crise real e profunda, que tem como pano de fundo a guerra entre duas moedas em crise (Dólar e Euro).

    A provável vitória do Dólar, como o desaparecimento do Euro, não significará a resolução dos problemas.

    É por isso que estou certo duma guerra no futuro, porque esta é a única maneira com a qual este pseudo-capitalismo pode encontrar o crescimento. É esta a única cura que os delirantes "especialistas" conhecem.

    Não será uma guerra para "dominar o mundo", será uma guerra de sobrevivência por alguns (Ocidente) e de expansão para outros (China).

    Quando? Não faço ideia. Não neste ano, esta é a única coisa que sei.

    Abraços bélicos!

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  15. @ Rita!

    "Não percebo como se deixa de ter o ouro como referência, como se produz dinheiro do nada e se vive na virtualidade e na dívida".

    É possível. Aliás, até é benéfico.
    Desligar a moeda do ouro não é mal. Vai contra aquele que podemos definir como "sentido comum", mas faz sentido.

    Aliás, após milhares de anos não seria mal se o homem deixasse de extrair o ouro para fecha-lo numa cave e dizer "Estou rico".

    Qual Homem? Rita, o Homem como Humanidade!

    Desligar a moeda do ouro significa libertar a economia. Esquisito, não é? Pois é.

    Mas eis uma pergunta que pode parecer banal: o que conta mais numa sociedade? A quantia de ouro guardado no cofre ou o nível de trocas comerciais?

    A resposta é óbvia: são as trocas que criam riqueza não o ouro. E a riqueza não é novo ouro acumulado, mas a satisfação das necessidades. E esta é possível unicamente com as trocas de bens, as únicas que podem permitir a satisfação no longo prazo (também o ouro no cofre permite a tal satisfação, mas apenas no curto prazo: acaba o ouro, acaba a satisfação).

    E a dívida. A dívida, Rita. Rita, a dívida!

    E se em vez de dívida se chamasse "cerejas"? Mudaria alguma coisa?

    Imagina o Primeiro Ministro que na televisão afirma "Temos muitas cerejas, até demais".
    Qual a reacção de Rita? Poderia pensar? "Demasiadas cerejas? E porque não distribuem entre os cidadãos?"

    Estou a delirar? Nem por isso. O problema está nos nomes. As palavras. É com as palavras que gozam connosco.

    Porque o nome é "Dívida"? É uma dívida pelo Estado, mas para quem comprar a dívida? É uma crédito, correcto?

    Então porque insistir com o termo dívida? Porque, responde Rita, é vista na óptica do Estado. Correcto, Rita, correcto.

    Mas o que faz o Estado com esta dívida? Não que faz "agora" num País como Portugal ou Grécia, estes são casos limites. O que deveria fazer em condições optimais?

    Deveria investir, criar trabalho, criar emprego. Resumindo: riqueza.

    Opsss! Tenho que ir...não faz mal, continuemos mais logo.
    Medita Rita, medita...

    Abraço meditante!

    ResponderEliminar
  16. maria31.5.12

    "Não será uma guerra para "dominar o mundo", será uma guerra de sobrevivência por alguns (Ocidente) e de expansão para outros (China)."
    Olá Max: guerra de sobrevivência não é a que EUA/UTAN já praticam no Oriente médio e África? E a guerra de expansão da China não é a que ela já desenvolve expandindo seus mercados pelo mundo todo?
    Tem algum coelho, então, para tirar da cartola, que já não tenha sido tirado?
    Abraços

    ResponderEliminar
  17. @ Maria!

    "guerra de sobrevivência não é a que EUA/UTAN já praticam no Oriente médio e África? E a guerra de expansão da China não é a que ela já desenvolve expandindo seus mercados pelo mundo todo?"

    Nãaaaao...as guerras EUA/Nato são nada, são conflictos locais onde morre só quem ai vive, por isso não interessam.

    Servem para alimentar as industrias das armas, para ocupar os bancos centrais rebeldes, para manter em forma os rapazes de Al-Qaeda, mas não podem relançar a economia ocidental.

    A China, pelo contrário, já começou uma guerra séria, mas com armas não convencionais. É por isso que ganhará.

    Aqui no Ocidente conseguimos ver a solução para uma economia em coma apenas em conflitos armados de alcance planetário. Mas esta é uma ideia velha.

    Quando a guerra eclodir (e espero que isso nunca venha a acontecer, apesar daquilo que penso), os EUA terão de enfrentar dificuldades não apenas bélicas ou logísticas. Terão de lutar internamente contra uma economia desfeita, revoltas nas ruas, motins por causa da fome e da falta de combustíveis.

    A frente anti-China terá de ser bem ampla e sólida, caso contrário será uma guerra muito, mas mesmo muito breve.

    Mas estes são discursos acerca do futuro e até lá as coisas podem mudar, quem sabe?

    Abraço pacifista!

    ResponderEliminar
  18. Rita M.31.5.12

    Estou a meditar Max, estou a meditar, mas olha que também não é o meu forte ;)

    Vou escrever e se sair alguma argolada técnica, por favor avisa :)
    Sim, vão sair umas quantas… isso é garantido.

    “É possível. Aliás, até é benéfico.
    Desligar a moeda do ouro não é mal. Vai contra aquele que podemos definir como "sentido comum", mas faz sentido.”

    Ok, ouro, prata, maçãs, bananas. É uma convenção, eu percebo.
    Percebo a ideia. Percebo igualmente a criação de dinheiro a partir de percentagem da dívida. A questão é que estás a criar dinheiro a partir de algo que alguém terá de repor e pode não o fazer! Depois crias produtos financeiros para o caso de isso acontecer, cada um com os seus prazos, depois andamos de aposta em aposta até eu já não perceber nada!

    O certo é que fazemos dinheiro a partir de dívida que pode não ser paga.

    “Aliás, após milhares de anos não seria mal se o homem deixasse de extrair o ouro para fecha-lo numa cave e dizer "Estou rico".”

    Bom, aí teria de arranjar outra convenção ou garantir que o que tem na cave dá para o que precisa.
    Até porque o outro pode acabar. Os recursos não são infinitos.

    “Desligar a moeda do ouro significa libertar a economia. Esquisito, não é? Pois é.”

    Eu percebo a questão de te libertares dessa referência/convenção. O que me confunde é como é que se pode libertar a economia para uma alternativa destas. Quem é que quer dívida que pode ou não ser paga?
    Hitler criou os tais títulos e teve sucesso porque acreditaram no valor dos papéis que ele emitia, que iria pagar, ou teria sido um fracasso total.
    Confiança.

    (continua)

    ResponderEliminar
  19. Então Rita, continuemos.

    Pois, Rita, é assim: o que nós chamamos dívida é apenas um lado da moeda. Um lado feio ao qual decidimos dar um nome que inspira logo um sentimento de repulsa.

    Mas o que é a dívida? É o Estado que diz: "Querido cidadão, queres ganhar uns trocos? Então toma este pedaço de papel. No ano próximo eu devolvo-te o papel mais alguns trocos extra". Isso acontece com os Títulos de Estado.

    O que é afinal um Título de Estado? Sou eu, cidadão, que emprestou ao Estado dinheiro, justo?
    Justo.
    Mas aqui temos outra pergunta: quem é o Estado? Surpresa: sou sempre eu! Não sozinho, claro, mas com todos os outros "eu", alguns dos quais decidiram empresta dinheiro ao Estado.

    Mas se eu emprestar dinheiro para que sejam feitos investimentos em meu favor, como se chama isso? Chama-se "auto-financiamento".

    Este é o verdadeiro nome da dívida pública.
    É ou deveria ser, pois na realidade as coisas são um bocados diferentes. Porque se o Estado, em vez de vender dívida aos próprios cidadãos, vende aos instituto privados (bancos, fundos de investimentos, etc.), se o Estado se apropriar das dívidas dos privados (sempre os mesmos) e começa a chama-la "dívida pública", então o discurso muda. E muito.

    É esta a nossa actual situação.

    Há uns tempos fiz o exemplo do Japão, que tem uma dívida de 200% do PIB nacional. Rita, 200% enquanto em Portugal estamos falidos com uma dívida que nem atinge 90%!
    A Italia tem uma dívida superior a 100%.

    Japão e Italia deveriam estar não apenas falidos mas de rastos, com os cidadãos a morrer de fome nas ruas.
    Porque isso não acontece? Porque no Japão a maior parte da dívida (Títulos de Estado) estão nas mãos dos cidadãos.

    Mesmo discurso em Italia, onde a Goldman Sachs pôs um seu homem para resolver este problema.

    Este é o tal auto-financiamento.

    Se o cidadão for credor de +1 perante o Estado, se o Estado for devedor de -1 perante o cidadão, e se cidadão e Estado forem a mesma coisa (e são, de facto) quem deve a quem?

    +1 -1 = ?

    Abraço aritmético!

    ResponderEliminar
  20. Rita M.31.5.12

    (continuação)

    “Mas eis uma pergunta que pode parecer banal: o que conta mais numa sociedade? A quantia de ouro guardado no cofre ou o nível de trocas comerciais?”

    As trocas claro!
    Afinal, em última instância crias uma nova moeda ou partes para a troca directa, como já aqui falaste.
    Exactamente por isso me faz confusão permitir uma mudança como a que se viu.
    Com a economia como dizes, e de facto, mais liberta que temos agora, se me perguntares no que usaria para garantir que conseguia adquirir a convenção (fosse qual fosse) que me permitisse fazer as trocas comerciais… ouro, ou como so gregos já fazem, outra moeda, troca directa. As trocas têm de ocorrer.

    “A resposta é óbvia: são as trocas que criam riqueza não o ouro. E a riqueza não é novo ouro acumulado, mas a satisfação das necessidades. E esta é possível unicamente com as trocas de bens, as únicas que podem permitir a satisfação no longo prazo (também o ouro no cofre permite a tal satisfação, mas apenas no curto prazo: acaba o ouro, acaba a satisfação).
    E a dívida. A dívida, Rita. Rita, a dívida!”

    Pois, eu sei, mas a minha dúvida é exactamente essa, como se pode fazer dinheiro a partir do ar criando níveis de dívida a estas proporções, se na prática não há como cobrir essa dívida por parte das diversas partes?
    Ok, é uma questão de confiança, mas não só.
    A sensação que tenho é que esta libertação tem toques de libertinagem ;)
    Algures por aqui, algo que era bom, tornou-se em algo descontrolado.
    Ocorre-me o exponencial mencionado pelo Krowler.

    “E se em vez de dívida se chamasse "cerejas"? Mudaria alguma coisa?”
    Claro que não! :)

    (continua)

    ResponderEliminar
  21. Rita M.31.5.12

    (continuação)

    “Imagina o Primeiro Ministro que na televisão afirma "Temos muitas cerejas, até demais".
    Qual a reacção de Rita? Poderia pensar? "Demasiadas cerejas? E porque não distribuem entre os cidadãos?"”

    ;) Pois, mas é mesmo isso que estão a fazer, estão a dar aos cidadãos cerejas, perdoem a expressão, mastigadas por outros, que ninguém quer e estamos com umas cerejas que não servem para as trocas porque agora já ninguém compra as cerejas/divida e para o fazer pede justos exorbitantes.

    “Estou a delirar? Nem por isso. O problema está nos nomes. As palavras. É com as palavras que gozam connosco.”

    Tu, a delirar, com o teu discurso sempre tão concreto?
    Duvido, mas palpita-me que já eu… a ideia era meditar eu sei, não delirar, mas realmente isto é mesmo o que me faz verdadeira confusão.

    “Porque o nome é "Dívida"? É uma dívida pelo Estado, mas para quem comprar a dívida? É uma crédito, correcto?
    Então porque insistir com o termo dívida? Porque, responde Rita, é vista na óptica do Estado. Correcto, Rita, correcto.
    Mas o que faz o Estado com esta dívida? Não que faz "agora" num País como Portugal ou Grécia, estes são casos limites. O que deveria fazer em condições optimais?
    Deveria investir, criar trabalho, criar emprego. Resumindo: riqueza.”

    Exacto! A questão é que este sistema tem coisas boas, mas não está a funcionar! E não está a funcionar em grande escala!

    “Medita Rita, medita...”

    Lol meditei e vais desancar-me quando leres este meu delírio, todo ele só com base nesta minha cabeça delirante lol

    (continua)

    ResponderEliminar
  22. Rita M.31.5.12

    (continuação)

    A questão é que ao libertar a economia do ouro, foi-se a regulamentação que essa convenção naturalmente impunha pela sua própria natureza.
    Quando passas a criar o dinheiro a partir de uma percentagem da dívida tem de existir um controlo apertado.
    Estás a lidar com um recurso ilimitado, podes emitir o que queres desde que controles a inflação, e ainda por cima com menos custos, afinal não tens de extrair o ouro e boa parte do dinheiro que circula é virtual, pelo que não tem de gastar tanto a emitir papeis e moedas.
    Na teoria, o cenário deveria ser paradisíaco, mas é olhar e ver a guerra em que se vive.

    Dizias mais acima : “A provável vitória do Dólar, como o desaparecimento do Euro, não significará a resolução dos problemas.”

    Não significará porque isto está tão desregulado e descontrolado que enfim… digo eu… e as minhas opiniões…

    Lembra-te, meditar é pacífico e delirar é de quem merece paciência, afinal o delírio pode incluir muitos disparates ;)

    Ocorre-me: de cada vez que esta gente nos gritar austeridade nós devíamos gritar regulamentação.
    Afinal, andamos a ficar com cerejas desregulamentadas…

    E lembro-me agora da questão da dívida odiosa.
    Mas temos de que ficar com cerejas que nascem de árvores corruptas porque…

    Depois há a história da China… tenho de ir ver o que tens aqui no blog sobre isso... 3 meses para 2 anos é muito ;)

    Obrigada Max :)
    Abraço
    Rita M.

    ResponderEliminar
  23. Rita M.31.5.12

    “Este é o verdadeiro nome da dívida pública.
    É ou deveria ser, pois na realidade as coisas são um bocados diferentes. Porque se o Estado, em vez de vender dívida aos próprios cidadãos, vende aos instituto privados (bancos, fundos de investimentos, etc.), se o Estado se apropriar das dívidas dos privados (sempre os mesmos) e começa a chama-la "dívida pública", então o discurso muda. E muito.”

    Exacto!
    E aqui começo eu a perder-me, porque não consigo perceber como é que gente inteligente consegue arranjar um sistema que permite isto.
    E pior ainda, na total impunidade.
    Deixar o ouro e mudar o modelo para isto?!?!?
    Sim, na teoria é muito melhor, mas na pratica...

    “Japão e Italia deveriam estar não apenas falidos mas de rastos, com os cidadãos a morrer de fome nas ruas.
    Porque isso não acontece? Porque no Japão a maior parte da dívida (Títulos de Estado) estão nas mãos dos cidadãos.
    Mesmo discurso em Italia, onde a Goldman Sachs pôs um seu homem para resolver este problema.
    Este é o tal auto-financiamento.
    Se o cidadão for credor de +1 perante o Estado, se o Estado for devedor de -1 perante o cidadão, e se cidadão e Estado forem a mesma coisa (e são, de facto) quem deve a quem?
    +1 -1 = ?”

    Pois, voltamos ao tal do zero ;)
    O Japão controla a moeda e pode sempre tentar resolver a questão de outra forma.
    Mas e a Itália?
    A Espanha está nas últimas.
    Isto é uma autêntica guerra especulativa… qual é o país que se segue?
    Quando terminar, os países que até estão aparentemente bem começam a ver a equação de que falaste a dar problemas em algumas frentes, certo?
    Mais uma vez, muito obrigada Max :)
    Abraço
    Rita M.

    ResponderEliminar

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