22 maio 2012

Estadias em Louisiana: tudo pago.

Qual a capital mundial das prisões?

O País com o maior número de presos per capita são os Estados Unidos: resposta óbvia, é o País da Democracia e da Liberdade por excelência. É um pouco como dizer que o País mais "vivo" é aquele com a maior mortalidade infantil.

Mas nos Estados Unidos há uma Estado em destaque: o Estado de Louisiana, a verdadeira capital mundial das prisões.

Este País à beira do Golfo do México tem uma percentagem de presos que é três vezes maior do que o Irão, sete vezes maior do que a China e dez vezes do que a Alemanha. Mais de 1600 pessoas presas por 100 mil habitantes: 1 adulto cada 86 está atrás das grades (1 pessoa negra em cada 14, porque o racismo é algo ultrapassado).

Dito assim, a Louisiana parece um inferno: criminalidade imparável, bandidos por todos os lados, velhinhas assaltadas em pleno dia. Ou talvez uma polícia particularmente repressiva.

Mas não, a explicação é outra: as prisões são privadas.

Do relatório Nola.com :
O motor por trás da máquina penitenciária bem lubrificada é o dinheiro, o bom e velho dinheiro. A maioria dos reclusos são alojados em prisões privadas, que devem ser constantemente reabastecidas com seres humanos ou a indústria de 182 milhões Dólares vai à falência.
A loucura do sistema inclui xerifes que também são empresários prisionais ou têm parcerias com as prisões (conflitos de interesses? Não mora aqui). E as polícias locais, muitas vezes financiadas pelas receitas do negócio dos presos: cada preso vale quase 25 Dólares por dia, dinheiro público, óbvio.

Dinheiro que poderia ser utilizado para melhorar escolas, hospitais e que, pelo contrário, engorda o business das instituições carcerárias.

Se o Leitor tenciona visitar a Louisiana nos próximos tempos, tente demonstrar a própria simpatia e cometa um crime qualquer, mesmo que pequeno, para passar alguns dias numa prisão do Estado. Afinal falamos de comida e alojamento de graça.


Ipse dixit.

Fontes: Crisis, Nola 

12 comentários:

  1. maria22.5.12

    Olá Max: sinto discordar de ti em um ponto. Se fores antipático com um xerife destes que tem um pé no serviço estatal e outro no privado, tu não ficas "uns dias no xilindró", tu vais ficar quanto tempo for necessário, até que outro possa tomar a tua vaga. Isso pode durar anos, ou a vida inteira, dependendo de a instituição carcerária ter contratos com a indústria farmacêutica, militar (daí quem sabe a tua oportunidade de cooperação com o país)ou centros de pesquisa médicos ou psiquiátricos. Se as pessoas se dessem conta do que é a "vida", especialmente para negros, índios, latinos,orientais,árabes, desde que pobres ou remediados no país da liberdade e dos direitos humanos, garanto que escolheriam passear por outros rincões, para não correr o risco de acordar sem sorte. E quanto a ser Louisiana, é natural, estado com "alarmante" densidade de afro-americanos, e pobres.Abraços

    ResponderEliminar
  2. voz a 0 db22.5.12

    Olá... quando li esta parte "...1 adulto cada 86 está atrás das grades (1 pessoa negra em cada 14" pensei: "Algo de errado aqui, só um negro em cada 14 pessoas" depois fui ler a fonte e afinal é "entre os negros 1 por cada 14 negros! E aí já fiquei mais convencido!

    Eu só faço questão de ir à zona de terra que actualmente é conhecida pelo nome de Estados Unidos da América quando lá já não existirem os EUA! Só por isto acho que nunca lá irei! E não perco NADA!

    ResponderEliminar
  3. Anónimo22.5.12

    Que bizarro!
    Simplesmente bizarro:

    Cientistas conseguem fazer DNA funcionar como um 'pendrive'

    Você conhece o DNA como uma espécie de cordão de químicos que define quem somos. Mas agora, cientistas da Universidade de Stanford foram capazes de guardar memórias dentro dessas estruturas. Isso mesmo, armazenar dados, assim como um computador armazena seus arquivos.

    Não é o primeiro sistema de armazenamento de dados biológico já criado – pesquisadores já foram capazes de fazer o mesmo com proteínas. Então qual é a novidade? É que ao alterar o DNA, é possível criar células sintéticas e digitais. Ou seja, o DNA pode reprogramar o organismo para funcionar de forma diferente.

    Para chegar a esse resultado os cientistas trabalharam com o DNA da bactéria Escherichia coli, separando seus elementos genéticos. O que sobrou foi um sistema que contem lugares marcados onde esses elementos deveriam estar, indicando para enzimas que o DNA pode ser ‘copiado e colado’ de forma reversa – e é o que acontece por, pelo menos, 16 vezes.

    Até conseguirem esse feito, os cientistas precisaram programar filamentos de DNA 750 vezes. O pesquisador à frente do projeto, Drew Endy, conta que foi como “tentar escrever um código de seis linhas em um computador, mas que precisa de 750 tentativas de debug para funcionar”.
    Acredita-se que o novo sistema poderá estar em organismos vivos antes do fim do século.

    FONTE
    http://revistagalileu.globo.com/Revista/Common/1,,EMI306405-17770,00.html

    ResponderEliminar
  4. Anónimo22.5.12

    Já pensam é em fazer computadores de adn em vez de silício...uma gota de adn contém mais dados do que todos os computadores do mundo.
    É o transhumanismo sem ética no seu pior.

    ResponderEliminar
  5. Anónimo22.5.12

    É a conversão do estado-providência em estado-penitência, como muito bem diz Louic Wacquant em Prisões da Miséria. A melhor maneira de se desembaraçar dos desempregados e da força de trabalho de que o neo-capitalismo financeiro já nao precisa é metê-los na prisão. Se ainda por cima se trata de prisões privadas, junta-se o útil ao agradável e ainda se dá uma ajudinha ao big business. Perfeito.
    Como diz o Voz, nos EUA é que nunca hei-de pôr os pés.
    JMS

    ResponderEliminar
  6. Estou a cem por cento de acordo com o JMS e como Voz, apenas receio é que caminhemos a velocidade cruzeiro, para ficarmos iguaizinhos aos EUA, em tudo.

    ResponderEliminar
  7. Anónimo23.5.12

    Pegando na ideia do JMS, se o custo de metê-los na prisão for inferior ao subsidio de desemprego então de acordo com as melhores teorias económicas capitalistas, o estado do Louisiana está no bom caminho.

    Se a moda pega, adivinha-se um boom na construção por esse mundo fora com a Halliburton à cabeça.

    Eu junto-me à lista daqueles que não estão a pensar marcar uma viajem para os EUA nos próximos 100 anos.

    Krowler

    ResponderEliminar
  8. Anónimo23.5.12

    Eu pago para não ir aos EUA.

    ResponderEliminar
  9. maria23.5.12

    Olá Fada: do que afirmas podes ter a mais absoluta certeza. Quando o neoliberalismo passa a gerir a administração política, econômica e militar de um país, a primeira consequência visível é que as instituições deste país e a própria sociedade, em sua maioria, fica com a cara dos EUA. E pior, isso é um estigma que gruda no pensamento ação sociais, e leva décadas para desgrudar. A América Latina é exemplo cabal desse fenômeno, com a defasagem de algumas décadas.A "vasta" classe média brasileira conserva os valores da longa noite de neo colonização norte americana. É trágico! Abraços

    ResponderEliminar
  10. Anónimo24.5.12

    Krowler,

    O custo do encarceramento é muito mais alto do que o do subsídio de desemprego, cuja duração, nos EUA, varia entre as 60 e as 99 semanas (desde que a pessoa tenha feito os descontos, porque senão não recebe nada), e uma pena por pequenos delitos pode atingir anos de cadeia. Portano, ao estado fica muito mais caro prender as pessoas do que pagar-lhes subsídio de desemprego. Acontece que o subsídio de desemprego só beneficia, pelo menos directamente, os desempregados, enquanto que o encarceramento beneficia as empresas penitenciárias, as empresas de catering, etc. E qual é a grande prioridade dum governo liberal? Puxar para cima os lucros das empresas, claro.

    JMS

    ResponderEliminar
  11. Anónimo24.5.12

    JMS, apesar de não conhecer os custos de desemprego nos EUA, já suspeitava que assim fosse. As empresas americanas que prestam este tipo de serviços 'Sociais' não trabalham para aquecer. É o caso da Xe ex-BLACKWATER, que dava um bom tema para um post do Max.

    abraço
    Krowler

    ResponderEliminar
  12. Claro que a Maria, a Voz, o JMS e a Fada do Bosque estão certos. No entanto a resistência existe, incluindo a resistência interna dos cidadãos norte-americanos (veja-se znet). Por mais formidável que seja o inimigo, a vitória será mais fácil se não for tentada uma defesa; não faltam bons e maus exemplos na américa central.

    ResponderEliminar

Printfriendly

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...