02 maio 2012

Estalos

Pergunta um Leitor Anónimo:
...mas há uma coisa que não entendo mesmo. [...]
O BPN vai custar aos contribuintes um balúrdio.
Porquê aos contribuintes? Porque é que temos de ser nós a pagar uma dívida privada só porque se trata de um banco? Se fosse a SONAE, a PT, ou a Jerónimo Martins a falir, não se dizia que ia "custar aos contribuintes" x valor, ou dizia-se?
Se um banco pode criar dinheiro do nada, que se trata tudo de informação electrónica, como é que pode falir? E se pode criar dinheiro do nada...porque contrai empréstimos no estrangeiro? E porque não os pode pagar?

Você, se calhar, já respondeu a estas questões mais do que uma vez..se é esse caso, peço-lhe mesmo desculpa. Mas a situação é tão absurda para mim, que me custa mesmo a entender! Isto, na Islândia, foi o que não se passou...
Caro Anónimo, antes demais muito, muito obrigado mesmo. Gosto de receber perguntas e gosto mais quando sou capaz de responder. E não me parece este o caso.

Explico.
Estou em Portugal há alguns anos e, passados os primeiros tempos nos quais sabia dizer apenas "sim, não, obrigado, galão", comecei a interessar-me pelos acontecimentos locais. Também na altura em que o blog começou a funcionar dediquei um pouco de espaço ao que se passava nesta terra. Só que a seguir, de forma lenta mas contínua, o interesse foi morrendo.

Até hoje, dias nos quais estou nas tintas. Por causa do panorama político ou económico? Não: por causa da reacção dos Portugueses. Ou melhor: da falta de reacção.

Pegamos na história dos subsídios de férias destas últimas 2 ou 3 semanas. Antes o governo afirma que os subsídios serão repostos em 2013. Depois descobre-se que será em 2014. Afinal não, só em 2018: sete anos depois de terem sido retirados.

É evidente que o governo está a gozar com os cidadãos. Ou está a gozar ou é formado por incompetentes que nem conhecem as medidas que introduzem. Prova mais clara não pode haver.

Reacção? Zero.
O Português aceita tudo, submisso.

Agora, se os Portugueses não se preocupam, porque deveria preocupar-me eu que nem Português sou? Porque aqui vivo? Mas eu não assinei nenhum contracto: ontem estava em Italia, hoje estou aqui, amanhã não sei. O que eu sei é que é cada vez mais improvável que aqui passe os meus últimos dias (que, espero, estejam ainda longe...). Até os Chineses começam a fechar as lojas e eu não tenho o espírito do kamikaze.

Isso para explicar que uma vez, ao abrir os diários, antes lia as notícias portuguesas e depois o resto: mas agora é o contrário. E já sei que nos próximos tempos as notícias políticas e económicas deste País ficarão depois das páginas do desporto.

O mesmo se passou com a história do BPN, banco privado, falido.

Pode falir um banco? Com certeza. O joguinho de criar dinheiro a partir do nada funciona até um certo ponto, pois há limites (por enquanto). E estes limites são as reservas do banco, por exemplo, com base nas quais pode criar dinheiro até um determinado ponto (é o esquema da reserva fraccionária). Se o banco criar mais dinheiro do que as reservas e conduzir maus investimentos, chegará uma altura em que o banco terá de pagar mas os cofres estarão vazios.

Este é apenas um exemplo muito simples, claro. No BPN a impressão é que boa parte do dinheiro foi utilizado em operações que já em princípio sabia-se não serem rentáveis ou com empréstimos despropositados (e sem adequadas garantias: porque as garantias são pedidas aos parvos como nós, outros nem conhecem o significado do termo).

Porquê devem ser os cidadãos a pagar a dívida dum banco privado? Isso lembro. Apareceu um gajo, há uns anos, a explicar que se a dívida do BPN não fosse paga, as consequências terríveis teriam recaído por cima da cabecinha de todos os Portugueses. Um efeito dominó que teria precipitado o sistema bancário nacional no caos, com famílias a viver na rua, crianças a chorar sem leite, etc. etc.

Nada disso era verdade, mas pouco importa, pois quem disse estas palavras sabia perfeitamente que esta desculpa teria sido suficiente, pois em qualquer caso os Portugueses não teriam mexido um dedo. E foi o que aconteceu.

Enquanto em Espanha ocupam-se as ruas e luta-se contra as próximas medidas do governo (que quer limitar fortemente o papel da internet em nome duma suposta "ordem pública") e em Italia contestam-se os políticos nas praças (como em Torino no dia 1 de Maio: choques entre polícia e manifestantes) e o Presidente da República é alvo de várias queixas judiciais com a acusação de traição, já para não falar da Grécia, enquanto isso em Portugal tudo procede no âmbito duma calma deprimente e submissa.

Um banco contrai empréstimos? Com certeza.
O banco precisa de dinheiro, sempre. A actividade principal do banco ("principal" no sentido de "mais notória") é pouco lucrativa, por isso o banco gosta de efectuar investimentos arriscados, aqueles que fornecem uma margem de lucro mais consistente. Mas esta actividade é arriscada, esvazia temporariamente os cofres, e o banco pede empréstimos. Óbvio, chega uma altura em que já não há empréstimos que possam cobrir os buracos anteriormente provocados, então o banco fecha.

A bolha imobiliária dos Estados Unidos (os subprimes) são um bom exemplo disso. Os bancos sabiam muito bem que muitos entre os clientes não teriam tido a possibilidade de pagar as hipotecas contraídas, mas esperavam conseguir despachar este risco (nas carteiras de outros investidores) antes da bolha estoirar. Alguns não conseguiram, e fecharam: foi uma forma de investimento que acabou mal.

Outro exemplo de investimento arriscado: os Títulos de Estado da Grécia. Prometem uma taxa de juro particularmente elevada (bem maior do que 10%), mas quem pode ter a certeza de que nos próximos anos ainda haverá alguém em Atenas para pagar?

Estes são investimentos que precisam de enormes quantias de dinheiro, não falamos do reformado que vai investir os 100 Euros. O banco pode ter a conveniência em investir dinheiro que não possui, através dos empréstimos. Pode parecer esquisita a ideia de investir dinheiro emprestado, mas em determinadas condições é vantajoso.

Se os bancos tivessem continuado a fazer simplesmente os bancos em vez de atirar-se para negócios tão arriscados, agora a situação económica global seria diferente. Mas temos de esquecer a clássica imagem do banco que empresta dinheiro para o jovem casal construir o próprio futuro: como afirmado, esta é uma actividade marginal, com lucros reduzidos e ainda mais perigosa numa altura como esta, na qual as pessoas não têm dinheiro. E num mundo cada vez mais competitivo, os bancos não podem dar-se ao luxo de ficar atrás.

Na Islândia não aconteceu? Em verdade aconteceu, só que os Islandeses são um bocado mais espertos e desfrutaram a ocasião para fazer um pouco de limpeza, punir os responsáveis, dar um pontapé ao FMI, voltar a crescer. É uma questão de atitude, a mesma que falta em Portugal.

Por isso: não conheço as últimas aventuras do BPN, deixei de seguir a coisa. Mas os pontos mais importantes acho serem aqueles lembrados: uma gestão desastrosa dos próprios activos, investimentos errados, empréstimos aos amigos dos amigos...

É isso que os Portugueses irão pagar. Não satisfeitos de manter uma classe política incapaz e corrupta, não contentes de pagar uma dívida pública absurda que enriqueceu (e enriquecerá) unicamente os privados, com o BPN chegou a altura de pagar também os negócios dos amigos dos amigos.

E, acreditem ou não, começo a pensar que afinal seja justo assim. Porque se eu dou um estalo na cara duma pessoa que não reage, posso pensar que:
1. a pessoa é idiota
2. a pessoa gosta

Então nada me impede de dar um segundo estalo, e depois um terceiro, um quarto...
Por isso Portugal ocupará cada vez menos espaço neste blog.

Simplesmente: não merece e eu não quero tornar-me uma pobre cópia dum Marcelo Rebelo de Sousa ou dum Miguel Sousa Tavares. Nem sou pago para isso.


Ipse dixit.

23 comentários:

  1. Bruno António2.5.12

    Portugal também é um país de brandos costumes! Mas não só…já muito antes de ser reino este retângulo era descrito por Roma como um grupo de gente “que não se governa nem se deixa governar” Espanha esse “aglomerado de regiões”, manifesta-se… mas já alteraram o rumo? Veja-se o caso de “Occupy Wall Street: …a quem serviu essa manifestação? Em 1128; 1383, 1640, 1910 o que se passou em Portugal foi tudo menos brando, demora tempo é certo, mas como explicar então que este país de “brandos costumes” seja um dos mais antigos da Europa e do mundo? Varias vezes invadido e até por potências superiores? Há coisas que não se explicam pela simples observação dos factos, traços de caracter que permanecem adormecidos as vezes durante gerações mas que indubitavelmente estão lá! A revolução de 1640 , por exemplo, foi precedida de 60 anos de maus tratos e humilhações por parte de 3 dinastias de Castela que deixaram o pais de rastos num estado inimaginável aos padrões de hoje mas quando aconteceu não deixou margem para dúvidas sobre quem é esta gente .Note-se que Portugal foi a única região que “Espanha” nunca conseguiu absorver talvez dai nos venha a simpatia dos Bascos e dos Galegos. Obviamente também eu tenho pressa de correr com esta corja de usurpadores mas a pressa sempre foi inimiga da perfeição. Serei ingénuo? Admito a possibilidade, mas estou no meu direito e manifesto-o, mas também o justifico com a minha interpretação de 1500 anos de história. Não baixarei os braços nem perderei o rumo e tudo farei ( dentro dos limites do bom senso) para não serem necessários mais 60 anos…não tenho tanto tempo : )

    O tal abraço!

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  2. Anónimo2.5.12

    Apesar de já viveres em Portugal há algum tempo, quer-me parecer que ainda não conheces muito bem este Povo. A Nação portuguesa tem 900 anos de história, a mais antiga da Europa, e isso fez-nos aprender a ser pacientes, a esperar até à última, tal como o caçador que espera até ao melhor momento para abater o animal mais possante do grupo. Espera e verás, e quando chegar a altura certa, Portugal será um Farol que iluminará o resto da Europa e talvez o mundo inteiro. Já o fizemos outrora. Não por acaso calcorreamos os sete mares em cascas de noz. A solução é então, sair para a rua partir montras e incendiar caixotes do lixo? essa solução é semelhante à de um adolescente birrento, não de homens e mulheres maduros,pois estes, tentam encontrar antes a melhor solução para resolver os seus problemas. já bastou de querermos ser iguais aos outros europeus, nunca o seremos, seremos sempre diferentes, e essa é a nossa génesis, apenas Portugueses... esse é o nosso destino, seja ele bom ou mau.

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  3. Anónimo
    Concordo plenamente com o ultimo paragrafo, basta de querermos pertencer à força a isto que chamam de Europa, isto já dura à 900 anos, e sempre foi prejudicial para Portugal, e nos últimos 30 anos, esse desejo foi o principal motivo para nos afundarmos alegremente, abdicamos tudo para podermos pertencer à "Europa".

    Max
    Vou ter de discordar em parte, não sei se será possível comparar o caso de Islândia ao de Portugal, os Islandeses serão mais espertos? convém lembrar que a maioria da população da Islândia dançava o tango alegremente com o banqueiros antes de tudo desmoronar.
    Aquilo deu para o torto e grande percentagem da população perdeu os seus bens do dia para a noite, foi um evento extremo e rápido comparando com o caso de Portugal e isso provoca uma reacção diferente nas pessoas.
    Nós levamos anestesias desde 2008, claro que a reacção não é a mesma.

    Os portugueses não reagem?
    Portugal está tão habituado, que mesmo quando a crise é global, para nós é só mais uma, nós estamos em crise desde 1143, isto para nós não é nada, vivemos sempre na mediania.

    Os Portugueses são tão moderados, se formos ver bem até o Salazar, foi um ditador mediano, comparando com outros da Europa a sério.


    Vejam isto:
    http://www.youtube.com/watch?v=ljKns0zeCe8

    Saudações
    Carlos Janeiro

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  4. Agradeço os comentários, como sempre.
    Todavia discordo em pleno.

    Os Portugueses estão habituados à esperar?

    Eu até poderia aplaudir a sabedoria lusitana, mas sejamos honestos: o que dá esperar? E, sobretudo, qual foi o resultado?

    Longe de mim a ideia de ser ofensivo, não estou interessado nisso.

    Mas não confundimos a paciência virtude chinesa (pois quando os chinocas fixarem um objectivo, cumprem, custe ou que custar), com a falta de reacção.

    Meus amigos, você foram um dos Países mais atrasados do Continente com Salazar, uma economia deprimida, uma indústria ausente, analfabetismo como se chovesse.

    Todas coisas pelas quais os outros País tinham passado também. Mas antes. Portugal teve que esperar até 1974 para ter algo (e nem falamos do que se passou depois...).

    Entraram na Europa para ocupar os últimos lugares das piores classificações: dum País com 900 anos de História seria lícito esperar um pouco mais. Não digo ser a guia da Velha Europa, mas um mínimo de amor próprio, isso sim.

    "A solução é então, sair para a rua partir montras e incendiar caixotes do lixo?"
    Não, será fica em casa para ver o Benfica. Porque a ideia de fazer algo nem passa pela cabeça. Reunir-se, discutir...nada. Só esperar.

    "vivemos sempre na mediania".
    Sim, e mais uma vez: o que dá? Porque há outras opções além de viver sempre na mediana. Não digo ser "óptimos", mas que tal um bocado "bonzinhos"?

    Por favor, tentem perceber: não estou a vestir a roupa do censor, por enquanto aqui vivo e até deixar este País gostaria de participar em algo, contribuir.

    Mas aqui é o deserto. E não há só queimar caixotes do lixo, há outras possibilidades que nem elenco porque são óbvias.

    "a pressa sempre foi inimiga da perfeição".
    Tranquilo Bruno António, em Portugal não corremos este perigo.

    Mas gostaria de acabar com uma observação do Leitor Anónimo:
    "esse é o nosso destino, seja ele bom ou mau".

    Está aqui a chave, está aqui toda. Em Portugal há uma doença e esta doença tem um nome: destino. Ou melhor, fatalismo.

    Lamento, mas não consigo entrar nesta óptica: o meu destino sou eu.

    Grande abraço para todos!

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  5. Anónimo3.5.12

    Ó Max, mas não é porrada nas ruas que a elite quer ver só para justificar mais policiamento?
    E não é esse um dos motivos pelos quais criou esta crise?

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  6. Anónimo3.5.12

    Max, o Português simplesmente sabe que não pode contar com ninguém. Para "correr com gente" é preciso recursos que funcionem. Aqui, faz-se legislação que impede as coisas de funcionarem só para não podermos fazer nada. Porque é que andam casos de tribunal a arrastarem-se anos e anos? Porque é que a Justiça demora anos e anos a responsabilizar pessoas? Porque que manda na "máquina" do Estado já se sabe de que lado está. você há pouco sugeria um referendo para lançar a democracia directa. Esse referendo tem de ser autorizado pelo Estado. Está a "ver" alguém a autorizá-lo?... Claro que não! É este tipo de coisas que desencoraja.

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  7. Mário3.5.12

    Eis um vídeo que vale a pena correr o mundo inteiro: http://www.youtube.com/watch?v=KphWsnhZ4Ag - Para ativar as legendas, use o botão "CC" na parte de baixo da tela de reprodução do vídeo.

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  8. Anónimo3.5.12

    A olimpica passividade dos portugueses, em minha opinião, não é mais que a consequência directa do seu nível cultural reduzido. Um povo abrutalhado e ignorante.

    Não somos islandeses. Os outros tambem não.

    Será que os americanos com a sua cultura de contrabando são mais evoluídos que nós? Claro que não. Têm eventualmente mais coisas onde gastar o dinheiro.

    Não é pois de esperar que os portugueses se levantem em uníssono para reclamar os seus direitos, quando já nem nem se lembram o que isso é.

    Resta a esperança que esta geração da Net com acesso a informação que antes não estava disponível, apesar da contra-informação, começe a reagir ao rumo o mundo está a levar.

    Continuo a pensar que só gente informada poderá começar a fazer algo. Outros irão atrás.

    abraço
    Krowler

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  9. Caro Max
    Antes de mais queremos agradecer-lhe os excelentes conteúdos informativos que têm passado neste seu Blogue.
    Sobre o tema deste post estamos inteiramente de acordo consigo.
    A nossa história não é tão "brilhante" como alguns aqui expressaram e desde há séculos que Portugal vem sendo um dos países mais atrasados da Europa. A ilusão do ouro do Brasil e não só, poucas consequências teve no panorama social deste povo há muito embrutecido e assim mantido pelas sucessivas classes politicas dominantes, de braço dado com a igreja. A consequência de toda esta "história" é continuarmos a ser um povo sem grandes margens de gente "culta e informada", pelo menos no sentido lato do termo. É assim natural que enquanto a fé dominar e a esperança no além subsistir, as "grandes massas" continuarâo a estar controladas, até nos seus institos mais primários. É por isso que ainda não se partiram vidros.
    Gostariamos só de acrescentar o seguinte, ao que disse o Krowler no comentário anterior.
    De facto existe hoje muita gente informada e que através da NET vem expressando ideias e fazendo análises que indiciam que se poderia ter outro nivel de combatividade. Mas caro Krowler, até nisso somos mesquinhos e desconfiados uns dos outros. E neste aspeto falamos do que sabemos, pois em 2009 passámos quase um ano em contatos com os chamados pequenos partidos e diversos movimentos, afim de se tentar uma plataforma de intervenção cívica que pudesse juntar pelo menos parte desta gente aparentemente válida e esclarecida, afim de se poder ganhar "corpo" que nos desse a possibilidade de uma intervenção mais determinante e efetiva. Lamentavelmente acabámos por comprovar que quase todos preferem manter uma quase inexpressividade a poderem juntar-se com outros, pois pensam que perderiam o protagonismo que erradamente pensam ter. È assim natural que a classe politica instalada continue este jogo de alternância no poder e a "sociedade civil" continue incapaz de desenvolver uma contestação efectiva.
    Para finalizar, desejo que não parta para Itália. Não é este País que precisa de si. Somos nós, todos os que prezamos acima de tudo a seriedade o bom senso e a equidade social. Um abraço

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  10. Anónimo3.5.12

    Força Emergente, compreendo perfeitamente esse lamento. Eu próprio como já referí outras vezes neste blog, tambem me deparo com o mesmo tipo de dificuldade.

    Assumindo que a minha perspectiva das coisas será a correcta, pelo menos assim o entendo, vejo-me muitas vezes defrontado com o desinteresse daqueles com quem vou falando no dia a dia. No entanto penso que existe aqui uma grande margem de progressão. Ela passará forçosamente pela informação das pessoas e sobretudo pela união de todos aqueles que entendem que o caminho terá de mudar.

    Se é verdade que a união faz a força, não é menos verdade que fazer essa união, é uma tarefa penosa. As condições em que o país se encontra é um terreno que facilita em muito esse trabalho. As pessoas nos momentos dificeis tendem a unir-se em torno de objectivos comuns.

    Acredito que existe muita gente com qualidade e bem infomada. É nesses que deposito esperança. Não vou desistir, e acredito que muitos que participam neste e noutros foruns, tambem não o farão. Não estou disposto a pagar o preço da minha desitência.

    O objectivo é ambicioso. 99%

    Vamos em frente. Todos. Amanhã seremos mais.

    abraço
    Krowler

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  11. koalabomb3.5.12

    Boas a todos
    O povo português ao longo dos séculos teve mutações na sua generalidade
    Se á 600 anos lutávamos e navegávamos sem receios hoje não é assim, a maioria do povo está num estado de coma absoluto.
    O governo português tira os subsidios de natal e férias e aumenta impostos: "pois, é a vida, eles é que sabem"
    Aquela ordinário levou o azeito todo na promoção do Pingo Doce? "Anda cá sua maldita que vais levar já dois estalos!!"

    Este é o Portugal de hoje, contam-se pelos dedos aqueles que querem ver o país e a sociedade crescer

    Max, deixo uma pergunta:
    Geralmente quando uma mudança politica radical em qualquer país acontece precisa do apoio do povo, mas acima de tudo uma cabeça de cartaz, alguém com carisma que una a nação, achas que o povo português (e as outras nações europeias) precisam dessa personalidade que consiga realmente unir um povo e liderar? (claro que para o bem ou para o mal como a história nos ensina)

    abraços

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  12. Mário3.5.12

    Krowler, como se diz aqui no Brasil: "Tamô junto!"
    Depois de amanhã seremos ainda mais e assim a cada dia!
    Hora que conseguirmos vencer a inércia, não haverá caminho de volta!

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  13. Anónimo3.5.12

    Max, não sei se ja viu.:

    http://www.provafinal.net/2012/04/donos-de-portugal/

    Mas não deixa de ser interessante..

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  14. voz a 0 db3.5.12

    O Portuga (M/F) é um "Cavalo Lusitano"

    "TEMPERAMENTO: Nobre, generoso e ardente, mas sempre dócil e sofredor."

    E também gostamos de ser montados e de sermos bons Alunos na Alta-Escola!

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  15. concordo plenamente consigo, os portuguese são demasiado submissos, e toda a gente já percebeu isso,por isso este governo vai fazer o que bem entender porque já sabe que ninguém se impoe.

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  16. Bruno António3.5.12

    Krowler:
    11 Milhões de pessoas não são fáceis de descrever e muito menos com 3 expressões…só para alguns espíritos mais ousados como parece ser o seu. Há muito tempo que penso que o animal humano tende a julgar os outros pelo que é, não sei, nem imagino qual será a sua nacionalidade, mas para falar com tanta convicção certamente não será composta de seres: incultos, brutos e ignorantes como achou correto descrever os Portugueses, nos quais me incluo, procuro não me encaixar nesses epítetos (mas também não sou bom juiz em causa própria). Em todo o caso, não me sinto de modo algum ofendido pois não lhe reconheço credibilidade para me ofender, apenas lamento que a sua abordagem não seja mais construtiva e menos corrosiva. Portanto lamento por si e por todos os que ao primeiro embate veem tudo perdido “choram baba e ranho” ou gritam impropérios “como cães a ladrar ao vento” ( Não pretendo ser ofensivo nesta alusão, tenho muito respeito pelos cães)
    Quando á velha ideia de que tais recursos linguísticos servem para “despertar o povo” custa-me muito a compreender como é que se pretende “despertar” alguém dirigindo-se a “ele” com este tipo de linguagem? Mas já sei que estamos em liberdade e cada um diz o que quer…e que lhe dá na gana.
    Não sei se conhece os mínimos olímpicos da historia de Portugal ( acho que não) mas em todo o caso talvez não seja despiciente recordar-lhe que este país de incultos , brutos e ignorantes já existia muitos seculos antes da sua excelsa pessoa aparecer ao mundo com as suas doutas e sapientes analises, talvez lhe fosse útil estudar como é que este pais de incultos, brutos e ignorantes sobreviveu no passado a provações bem piores, só quem conhece o passado pode compreender o presente e preparar-se para o futuro.
    Com os melhores cumprimentos.

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  17. Anónimo3.5.12

    Bruno António, é a minha opinião e tambem a do Guerra Junqueiro que teve a ousadia de ir um mais longe. Daquela altura para cá parece que pouco ou nada mudou. No entanto como referi, não perco a esperança. Se em 25 de abril de 74 foram todos para a rua levados pela onda. Pode ser que tal possa suceder de novo com uma onda diferente.

    Sugiro que leia tudo o que escrevi. Existe gente com muita qualidade neste país e ainda bem. Não me refiro aos que andaram ao soco no Pingo Doce.

    Não estou aqui para ferir susceptibilidades , somente para manifestar a minha opinião sempre que entendo que o devo fazer.

    Com ou sem orgulho sou português.

    Abraço
    Krowler

    Segue um texto do Guerra Junqueiro. Outro português.

    'Um povo imbecilizado e resignado, humilde e macambúzio, fatalista e sonâmbulo, burro de carga, besta de nora, aguentando pauladas, sacos de vergonhas, feixes de misérias, sem uma rebelião, um mostrar de dentes, a energia dum coice, pois que nem já com as orelhas é capaz de sacudir as moscas; um povo em catalepsia ambulante, não se lembrando nem donde vem, nem onde está, nem para onde vai; um povo, enfim, que eu adoro, porque sofre e é bom, e guarda ainda na noite da sua inconsciência como que um lampejo misterioso da alma nacional, reflexo de astro em silêncio escuro de lagoa morta. [.]

    Uma burguesia, cívica e politicamente corrupta até à medula, não descriminando já o bem do mal, sem palavras, sem vergonha, sem carácter, havendo homens que, honrados na vida íntima, descambam na vida pública em pantomineiros e sevandijas, capazes de toda a veniaga e toda a infâmia, da mentira a falsificação, da violência ao roubo, donde provem que na política portuguesa sucedam, entre a indiferença geral, escândalos monstruosos, absolutamente inverosímeis no Limoeiro. Um poder legislativo, esfregão de cozinha do executivo; este criado de quarto do moderador; e este, finalmente, tornado absoluto pela abdicação unânime do País.

    A justiça ao arbítrio da Política, torcendo-lhe a vara ao ponto de fazer dela saca-rolhas.

    Dois partidos sem ideias, sem planos, sem convicções, incapazes, vivendo ambos do mesmo utilitarismo céptico e pervertido, análogos nas palavras, idênticos nos actos, iguais um ao outro como duas metades do mesmo zero, e não se malgando e fundindo, apesar disso, pela razão que alguém deu no parlamento, de não caberem todos duma vez na mesma sala de jantar.

    Guerra Junqueiro, in 'Pátria (1896)'

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  18. Bruno António3.5.12

    Guerra Junqueiro que disse: “um povo, enfim, que eu adoro, porque sofre e é bom, e guarda ainda na noite da sua inconsciência como que um lampejo misterioso da alma nacional, reflexo de astro em silêncio escuro de lagoa morta” O cerne da questão não era o facto do povo ser inculto, bruto ou ignorante, o cerne da questão era a incapacidade da classe politica e a opressão da burguesia e dos políticos para com o povo…poderíamos dissertar aqui sobre se essas classes não eram oriundas do mesmo povo e recriar aqui as celebres conferencias do casino…mas prefiro resumir e referir-me ao facto de ser Português com ou sem orgulho…ou é Português com orgulho ou é mais um “infiltrado”…decida-se! Quanto a ferir suscetibilidades nem pense mais nisso…porque eu sou Português com orgulho!
    O tal abraço.

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  19. Anónimo3.5.12

    Bruno António, para terminar esta conversa que já vai longa, vou esclarecer o seguinte:

    Não pertenço ao cartel bancário, farmaceutico ou outros, não sou infiltrado, muito menos sou responsável pela situação do país.

    Trabalho todos os dias porque preciso, senão dedicava-me a actividades mais interessantes.

    Mas, sou um homem do norte e como homem do norte não gosto de levar desaforos para casa, por isso cá vai:

    Se acordou com os pés de fora o problema é seu. Se não gosta do que escrevo não leia ou ponha à beira do prato.
    Se quer implicar com alguém, escolha outro pois eu não estou mais disponível.
    O chá de cidreira faz bem à azia.

    Aquilo que penso dos portugueses e da sua inactividade é problema meu. Nem todos pensarão da mesma maneira e ainda bem

    Krowler

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  20. Calma pessoal!

    Este é um lugar para trocar opiniões, não para litigar: para isso já existe vida fora da internet...

    Não era minha intenção despoletar uma "guerra civil", por isso peço um pouco de calma. E se mesmo assim continuar a vontade de zangar-se, podem escolher o autor do blog como alvo (que depois sou eu) acho que não se importa muito: afinal sou em estrangeiro que critica Portugal (aliás, como é que ninguém ainda se lembrou disso? Fiquei um pouco desiludido...).

    Alguns pontos: não é minha intenção voltar para Italia, começo a estar farto de Países falidos ou à beira da falência.

    Se um dia deixar Portugal, não será para outro País mediterrânico. Tive a sorte de viajar ao longo da vida e seu que há outras formas de viver, além da nossa. Algumas, diga-se, bem melhores.

    Voltando ao "caso Portugal". Como alguns Leitores com certeza sabem, gosto imenso da História. E é com surpresa que vejo chamada em causa o passado glorioso deste País. E disse "glorioso", pois acho ser o termo idóneo.

    Por acaso, venho duma cidade (Genova) que sempre teve fortes relacionamentos com Portugal: os Pessanho, celebre família lusitana, são os descendentes dos Pessagno, do interior da Ex-República de Genova; Cristoforo Colombo, outro genovês, tinha uma esposa portuguesa; e seria possível continuar. Mas é normal: dois povos de navegadores, com inevitáveis contactos.

    Hoje da grandiosidade genovesa não sobra nada. E daquela portuguesa? Mesma coisa.

    Porque a grandiosidade dum povo não se encontra nos livros de História: aí podemos ler apenas o passado. A grandiosidade duma Nação está em outros factores, como o respeito das instituições (se merecedoras, claro), dos bens comuns; ou a participação cívica, a coragem de arriscar para si e para o próprio País.

    Estas são coisas que faltam, e muito. Genova entrou em decadência na metade de 1600 e recebeu o golpe da misericórdia com Napoleão (1798).
    E Portugal? Não sei. Li algures que o trauma foi com o terremoto de 1755. Uma tese interessante, mas se calhar um bocado simplicista. Deve ter existido algo mais.

    Seja como for, os brandos costumes são hoje uma realidade. Não há nem é pedido respeito, não há certeza da pena e sem certeza da pena não pode haver democracia.

    É uma situação complicada que não pode ser resolvida só lembrando os "bons tempos idos". Porque com os tempos foram-se também algumas características do povo. E recupera-las não é simples.

    Pode parecer esquisito falar dum País como dum todo: justamente nos comentários fala-se de 11 milhões de pessoas.
    Mas mesmo pelo facto de ter viajado um pouco e ter tido a possibilidade de comparar, posso dizer que sim, é possível: há características partilhadas pelos cidadãos dum País.

    Vi Países pobres mas com um orgulho que aqui na Europa do Sul nem conseguimos imaginar. E não falo do orgulho de ver a Selecção marcar um golo...

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  21. Seja como for, gostaria de agradecer todos os que participaram nesta discussão, os que partilham a minha ideia e, óbvio, os que não partilham também.

    Claro está, os que não partilham terão o acesso ao blog proibido a partir de hoje.
    Ok, ok, estou a brincar...

    Lembro mais uma vez que este blog não apresenta "grandes verdades", mas ocasiões para falar de determinados assuntos.

    Apenas isso, porque sei de não ser o dono da verdade e sei que o mesmo se passa com os Leitores (que, por isso, não deveriam zangar-se um com outro...).

    Mais uma vez: Obrigado!!!

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  22. ...pois, bem me parecia que houvesse uma pergunta.

    Koalabomb: comecei a responder, depois percebi ter escrito demais...tanto vale publicar um post amanhã acerca do assunto.

    Abraço!!!

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  23. Bruno António4.5.12

    Krowler, obrigado pelo esclarecimento, a calma é uma constante afinal isto não passa de um debate de ideias entre pessoas que apenas se conhecem virtualmente. Apesar de haver traços que caracterizam os povos como diz o Max não creio de forma alguma que atirar de rajada com adjetivos nus e crus como inculto, bruto e ignorante, sejam forma de descrever um povo (qualquer povo) e reitero essa opinião. Quanto ao facto de ser do Norte e não gostar de levar desaforos para casa ( ou lá o que isso é..) o que é que o faz pensar que os outros gostam? Os do norte são especiais? O que pensa é problema seu, certíssimo…todo seu! Mas quando o partilha num blog de livre acesso creio que se pode comentar…ou proíbe-me de comentar as suas publicações? Se assim for (como me parece ser) respeitarei o seu desejo. Quanto ao chá de cidreira é de facto uma boa escolha, aceito a sua sugestão e convido-o para me acompanhar e que lhe que lhe faça bom proveito pois dele me parece carenciado.

    Homem do norte : ) O tal abraço !

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