23 maio 2012

Petróleo do Brasil: China e Pré-sal

Dada a demanda voraz de energia, a China adicionou o Brasil entres os seus principal parceiros no âmbito petrolíferos, provocando uma rápida expansão dos seus negócios no País sul-americano.

Coisa que é vista por alguns como um factor de dinamismo e por outros como um risco para a futura auto-suficiência .

A China foi o grande investidor petrolífero do Brasil nos últimos três anos através de empresas quais a China Petrochemical Corporation (Sinopec) e a Sinochem Corporation (Sinochem), como afirmado pelo Adriano Pires.

Durante este período, investiu cerca de 15.000 milhões de Dólares, principalmente na compra de activos de empresas que já operam no Brasil nas áreas da exploração e da produção de petróleo, principalmente no fundo do mar, onde o País tem as maiores reservas.

Diz Pires, director do Centro Brasileiro de Infra-estrutura (CBIE):
É uma estratégia da China para garantir as reservas de petróleo para o próprio abastecimento, o mesmo acontece em outros Países latino-americanos como Argentina e Venezuela, e em outras regiões, como a  África.
A Agência Brasileira de Promoção de Exportação informa que a China pretende aumentar em 60 por cento as reservas estratégica de petróleo, não importa donde o precioso líquido chegar.

No Brasil, a aposta começou em 2010 com a aquisição por parte da Sinochem de 40 por cento das acções da empresa norueguesa Statoil no campo de Peregrino, em Santos; uma operação de 3.100 milhões de Dólares.

No mesmo ano, a Sinopec investiu 7.100 milhões de Dólares para 40 por cento da subsidiária brasileira da multinacional espanhola Repsol.

Enquanto isso, no passado Março, adquiriu por 4800 milhões 30 por cento da Petrogal Brasil, a filial da empresa portuguesa que é responsável pela exploração e produção de petróleo da Galp Energia.

O capital chinês também está associado à Petrobras, controlada pelo Estado no Pará e no Maranhão, e à anglo-francesa Perenco, na zona de Espírito Santos.

Pires acrescenta que as empresas chinesas também estão interessadas ​​em comprar acções da OGX, uma empresa de petróleo do bilionário brasileiro Eike Batista, que já tem negócios significativos com os chineses nos sectores da mineração e da siderurgia.

O director da Câmara Brasil-China de Desenvolvimento Económico, Tang Wei:
O Brasil é uma fonte deste recurso estratégico para a China, para o crescimento sustentável, mas também estamos muito interessados no mercado brasileiro.
Um interesse que, de acordo com Pires, tem a ver com a necessidade crescente de China para assegurar o consumo de combustível entre a sua crescente classe média.

O especialista lembra que o gigante asiático, com 13 milhões de barris por dia, agora é o segundo maior consumidor de petróleo depois dos Estados Unidos, que utiliza entre 18 e 20 milhões de barris por dia. Estima-se que em poucos anos, essa relação ficará invertida.

Dados da CBIE indicam que a China é o segundo maior importador de petróleo brasileiro, depois dos Estados Unidos, mas também aqui a tendência prevê uma troca das posições.

A Secretária do Comercio Exterior do Ministério de Desenvolvimento, Industria e Comercio do Brasil informa que as exportações de petróleo para a China aumentaram de 1,6 milhões de barris em 2001 para 50,6 milhões em 2011.

Mas a China vai ainda mais longe, e as expectativas estão agora concentradas nos recentes depósitos descobertos sob a camadas de sal do oceano Atlântico, mais de 7.000 quilómetros abaixo da superfície e perto da costa brasileira.

Os 55.000 milhões de barris previstos colocariam o Brasil no grupo dos grandes exportadores de petróleo.

Comenta Pires:
A China não tem experiência no âmbito da exploração offshore, pelo que deixa isso nas mãos da Petrobras e da Repsol
A estratégia de Pequim ficou evidente em 2009, quando o China Development Bank fechou um acordo com o então governo de Luiz Inácio Lula da Silva sobre um empréstimo de 10.000 milhões para a Petrobras em troca de exportações de petróleo para Sinopec; exportações originariamente de 150.000 barris por dia, depois aumentada até 200.000.

Enquanto isso, os empresários brasileiros vêem a actividade chinesa como positiva, porque move o mercado.

A China também ficou associada com empresas brasileiras nos sectores da refinação e da distribuição de combustível, da produção de equipamentos para a exploração do petróleo e da sua extracção.

Conclui Pires:
Não há riscos. O Brasil está interessado porque isso traz dinheiro. É um bom negócio
Em vez disso, o presidente da Associação dos Engenheiros da Petrobras (AEPET), Silvio Sinedino, teme que a necessidade insaciável da China leve a um rápido esgotamento dos recursos fósseis.

A AEPET, que defende um retorno ao monopólio da Petrobras, acredita que o Brasil não deve ser um exportador de petróleo, mas antes garantir a auto-suficiência e que a exportação "deve ser marginal":
Países como a China e os EUA têm muita necessidade de petróleo. Com uma demanda crescente assim, as nossas reservas pré-sal ficariam esgotadas em 15 ou 20 anos quando poderiam manter-se ao longo de  30 anos pelo menos.
Não podemos transformar-nos num exportador de petróleo para o Oriente. Devemos usar o que precisamos e vender tanto quanto possível, defender o nosso património nacional.
A este respeito, Sinedino AEPET vê "com simpatia" a expropriação da Repsol YPF por parte do governo argentino:
O petróleo não é uma mercadoria qualquer. Tem um elevado valor geopolítico.
O interesse da China para o Brasil se reflecte em outros sectores-chave também: soja e ferro, por exemplo. Actualmente é maior parceiro comercial do Brasil.


Fonte: Rebelion

9 comentários:

  1. China é muito esperta, não toma com armas, toma com dinheiro, assim ninguém pode reclamar, afinal vivemos no mundo capitalista certo? Eles entenderam direitinho o jogo.

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  2. maria23.5.12

    Olá Max: também acho que o ideal é atender ao consumo interno, conseguir a auto suficiência, e negociar o excedente.
    Mas há alguns poréns:
    1 - Quando Lula assumiu a presidência, a Petrobras estava desmantelada, sem recursos para investimentos de porte, quase sendo alvo da "privataria" neoliberal, como de resto todas as fontes de riqueza do país.
    2 - A prospecção em águas profundas exigia somas altíssimas, logo só um contrato de troca multimilionário como o assinado com os chineses alavancaria a produção, como efetivamente tem sido feito.
    3 - Malgrado todo jogo sujo dos meios de comunicação, no sentido de gerar confusão sobre a administração da Petrobras, a empresa vem negociando com deus e o mundo, mas salvaguardando o caráter estatal da mesma.
    4 - A parceria com a China, de forma a ter no petróleo brasileiro uma fonte essencial para o seu abastecimento, de certa forma "ampara" a Petrobras contra as investidas nada negociadas dos EUA, quando o império considera que está com sede. Considere-se que o sistema de defesa na América Latina é pífio e, esgotados outros caminhos, os países produtores de petróleo da A.L.são os próximos da fila na re-conquista. Abraços

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  3. Entendo que ainda que possa parecer benéfico ao Brasil ou à Petrobras fazer associações comerciais para a exploração do petróleo do pré-sal, não posso esquecer que a "riqueza" que entra no país é em dólares, ou seja moeda podre, sem lastro, papel pintado ou meramente ativo contábil, em suma não é uma riqueza tangível, ainda que possa parecer que gere empregos e desenvolvimento. Aos EEUU não custa nada apropriarem-se dos recursos naturais dos outros, pois o único custo financeiro que têm é gasto com a tinta e o papel, assim como a China é a maior credora dos EEUU e por possuirem o maior estoque de papel pintado do mundo e assim como fazem os americanos, desovam os seus títulos em troca dos recursos alheios. Se eu pudesse imprimir a minha própria moeda e enfiá-la goela abaixo para o resto do mundo...as coisas seriam bem diferentes, ou talvez iguais!!!

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  4. Anónimo23.5.12

    que bom q o Brasil existe, oq seria do mundo sem ter o país do samba para roubar? primeiro vieram os portugueses, posteriomente holandeses e franceses depois portugueses novamente, ate q eu estava sentindo vontde de ser roubado por asiaticos pq so europeus estava chato, aqui tem tudo que o mundo precisa(futebol,petroleo, e samba),"brasil o país de tolos" ops de todos.

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  5. "É uma estratégia da China para garantir as reservas de petróleo para o próprio abastecimento, o mesmo acontece em outros Países latino-americanos como Argentina e Venezuela, e em outras regiões, como a África. "

    É uma estratégia da China e todo o 4º Reich em ascensão.
    Caro Anônimo, você esqueceu de citar em sua lista, a cabeça de chave, "sua majestade" Inglaterra, por trás de tudo e todos e sempre se fingindo de morta. O resto é lero lero para satisfação dos intelectos. O Brazsil é uma ilha de tolos e cegos cercada de espertos por todos os lados.
    Sinto muito, sou grato.

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    1. Na verdade o poder financeiro estah sendo transferido para os paises Asiaticos, e a Europa Oriental. O Sr. Aldo acha mesmo que os Chineses se esqueceram do que os Britanicos vagabounds fizeram com a China? Usando opium para entorpecer seus soldados e assim ganhar a guerra? Na verdade duas guerras conhecidas como "The Opium Wars". E esses mesmos Britanicos tambem usaram opium contra o Exercito Otomano. Eu so consigo visualizar muita vinganca por todos os crimes cometidos pela Inglaterra, agora em plena decadencia.

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  6. É sério gente, temos de parar de nos preocupar com as coisas que nem podemos observar, agora entendo a Maria, temos que mudar o que temos ao nosso redor, se tu não quer e nem sabe como começar uma revolução, ajude aos carentes em tua cidade, vá ao lar dos velinhos mais próximo, vá a uma creche e faça trabalho voluntário se tens tempo, nos nunca, jamais, iremos mudar o todo em nosso número de conscientes/atuantes no momento, mas sim tu pode mudar o que está ao teu redor agora.
    As vezes os 30 reais que tens no bolso será a oportunidade da vida de quem está a carpir um terreno em troca de 20 reais dia para pagar o quarto em que vive. Parem de se lamuriar e ajudem, no que puderem, não tenham medo de ser enganados, tenham medo de se enganar, jamais mudaremos o sistema com nossos números mas podemos mudar o nosso habitat mesmo que minimamente, isso dá e oportuniza a esperança de fazer algo. E nunca duvidem, mas bondade contagia!

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  7. Eu não sei Pedro Henrique, mas parece-me que há um fosso, entre os que ajudam e os que governam. Os que governam são donos de tudo e dão aos outros as migalhas necessários para que estes existam na quantidade e em condições planeadas... A solução passa por uma vida pública que se oponha aos pequenos poderes...

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