27 julho 2012

Um litro de luz

Dado que a Páscoa é ao virar da esquina, aqui fica um presente para todos os leitores: querem luz? Comprem uma garrafa de água. E não é brincadeira.

Esta é uma solução praticamente com custo zero que está a mudar as vidas de muitos Filipinos, os quais, vivendo na pobreza (melhor ainda: miséria), não podem pagar o acesso à rede eléctrica e ainda menos as contas para a iluminação das próprias casas ou pequenas lojas.

Agora há luz graças Project 1 Liter of Light (Projecto 1 Litro de Água) que literalmente transforma as garrafas de água em lâmpadas solares que não requerem o uso de eletricidade.

As garrafas são aplicadas ao tecto e são capazes de reflectir a luz solar, graças à presença da água e duma superfície reflectora, de uma forma tão potente e eficaz que projectam um brilho aparentemente muito semelhante ao de uma lâmpada comum. Um sistema que evita as perigosas lâmpadas de querosene utilizadas até agora.

A iniciativa teve início um par de anos atrás com a ideia de um estudante filipino e num período relativamente curto tem permitido a instalação de pelo menos 1 milhão de lâmpadas obtidas a partir de garrafas de plástico. Estas resolvem o problema da pouca luz em ambientes domésticos durante o dia, pois o uso da luz solar só precisa de sol e não de dinheiro.

Nas Filipinas, ter acesso à eletricidade é um luxo que muitas vezes não é sinónimo de segurança, porque a luz traz acidentes ou incêndios: corto-circuitos derivados de instalações precárias e mal feitas, incêndios provocados pelas lâmpadas de querosene. Problemas resolvidos, obviamente, com a luz das garrafas de plástico, que podem ser instaladas com uma hora de trabalho.

As garrafas-lâmpadas provam ser capazes de iluminar completamente os quartos em que são localizadas e transmitem uma quantidade de luz (a partir de fora para dentro) igual ao produzido por um normal lâmpada de 60 Watt lâmpada. Também são muito resistentes, dado que podem durar até cinco anos.

A associação, com a valiosa contribuição de voluntários que participam na construção e na instalação das lâmpadas, pretende agora expandir a sua presença além das Filipinas: o próximo objectivo é a instalação das lâmpadas em mais de 4 milhões de lares que necessitam de iluminação em todo o mundo até o final de 2013.

No site da associação é presente um vídeo que explica passo a passo como fazer a energia solar com a recuperação de uma garrafa de plástico.
Eis o vídeo (está em Inglês, mas o que conta são as imagens):


A seguir um vídeo parecido, em castelhano:


Só para prevenir possíveis perguntas: não, não funciona à noite...


Ipse dixit.

Fontes: Liter of Light, AltroGiornale

8 comentários:

  1. Apesar das limitações, não deixa de ser uma óptima ideia.

    "A necessidade é a mãe da invenção."


    Grande abraço,
    --
    R. Saraiva

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  2. Anónimo27.7.12

    Já tinha visto um vídeo sobre isso. Mas como "não funciona à noite", achei que a principal função saía gorada...bem, pelo menos durante o dia, pode iluminar onde está escuro...

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  3. Olá Saraiva!

    Fogo, ainda tenho que responder ao mail...se pelo menos Leonardo pudesse escrever um post, de vez em quando...

    Pois, limitações há. Uma, não presente no artigo, é que o projecto tem o patrocínio da Pepsi, que, casualmente, produz garrafas do mesmo tamanho.

    Mas enfim, ao que parece nas Filipinas estão mesmo mal...

    Grande abraço!!!

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    Respostas
    1. É verdade caríssimo amigo,

      respondes quando tiveres um tempo.
      Pois é, para quem não sabe irei em missão de voluntariado durante o mês inteiro de Agosto para Cabo Verde, trabalhar com crianças com paralisia cerebral. A minha mulher irá para o interior de Angola, mais precisamente para o município da Ganda (província de Benguela) trabalhar na área da educação e saúde.
      Será um mês em grande e temos estado a trabalhar imenso para que tudo corra bem...daí a minha ausência deste blog. Não que me tenha chateado ou algo parecido, mas porque infelizmente o tempo tem andado contado e os poucos tempos livres que temos tido tentamos dedicar a família e amigos.

      Quanto à Pepsi, já nem sei o que pensar das multinacionais: operação clichêt? Forma de venderem mas Pepsi? Ou simplesmente uma mudança de consciência na cabeça dos seus CEO's?
      A ser a última opção, certamente existem processos bem mais interessante de trazer luz àquelas populações. Mas ainda assim, não deixa de ser algo interessante. Uma boa forma de poupar electricidade durante o dia.
      Poderíamos ter construções de habitações diferentes? Podíamos; casas que funcionassem de forma holística e reaproveitassem imensa coisa...mas todos conhecemos bem o poder dos lobbies que andam aí.

      Espero trazer imensas histórias para contar em Setembro.


      Um abraço deste que vos quer bem,
      --
      R. Saraiva

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  4. Olá Anónimo!

    Pois, não funciona à noite, esta é a grande limitação: e nas Filipinas não têm dinheiro para paneis solares com acumuladores.

    Aqui temos o dinheiro (por enquanto), mas não usamos paneis e acumuladores na mesma, a não ser em número extremamente limitado. Óbvio, somos "ricos"...

    Abraço!

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  5. Faltausername28.7.12

    Vou defender meu conterrâneo. Isso foi inventado no Brasil, veja: http://g1.globo.com/minas-gerais/triangulo-mineiro/noticia/2012/06/invencao-brasileira-lampada-de-garrafa-pet-e-usada-na-africa-e-na-asia.html

    Saudações

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  6. Anónimo28.7.12

    Tambem existe tecnologia, através de tuneis reflectores, por forma a conduzir a luz para zonas mais distantes da cobertura, como pisos inferiores ou caves.

    Esta ideia é interesante apesar das limitações evidentes. Dadas as circunstâncias não deixa de ser uma excelente solução.

    Krowler

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  7. Sim, não sei se a ideia básica é brasileira, mas tem + de 2 anos que já vi isso aqui no Brasil com vídeos na net e até reportagem em TV. Baseado na ideia de um mecânico que iluminou toda sua oficina e aboliu o uso de lampadas durante o dia (só funciona de dia como a oficina). Porém li outro dia em
    http://www.keshefoundation.org/en/
    um assunto novo que merece maiores pesquisas (eu não tenho experiencia para tal),mas promete energia a baixo custo, quase ilimitada,sera?!?!
    Abraços

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