08 agosto 2012

Os mortos não pagam

Os mortos pagam as dívidas? Boa pergunta.

Cristina Kirchner fala na Câmara do Comércio de Buenos Aires no dia 2 de Agosto, e lembra as palavras do seu falecido marido, Nestor, que em 2003 tinha advertido as Nações Unidas: "Os mortos não podem pagar as suas dívidas". Pelo que a resposta parece ser negativa: os mortos não podem mesmo pagar. Mas porquê?

Eis a grande revelação: a austeridade não cria riqueza e nunca poderia ter permitido a recuperação da Argentina. Conclui a Kirchner:
Eu sinto que a Europa não entende isso.
Querida Cristina, não é bem assim: na Europa muitos políticos sabem isso, e bem. Só que o objectivo não é a recuperação económica mas a mesma austeridade e o desmantelamento dos Estados. Mas este é outro discurso. Vamos ver o que diz a Presidente: 
Como é possível ter crescimento se as pessoas perdem os empregos, os salários são cortados, as casas leiloadas e os benefícios sociais são reduzidos?
Pois: não é possível. E a Argentina bem conhece esta história.

Não podemos sustentar uma economia ou uma sociedade nestas condições. Na Europa há uma crise especulativa incrível, algo que conhecemos bem.
Sim, Cristina, foi o que eu disse. A Argentina teve que lidar com o FMI e com os bancos que antes emprestaram o dinheiro e que depois reclamaram um resgate, não é? 
Como no caso da espanhola Bankia, administrada pelo ex-diretor do FMI Rodrigo Rato. Rato, que costumava dar lições de política económica, mas o seu banco agora tem um buraco de 230 biliões de Euros. Houve um dramático resgate dos bancos, para que estes pudessem livrar-se de posições difíceis em relação aos Países do sul da Europa, mas são os mesmos bancos que emprestaram muito dinheiro a esses Países!
Ó Cristina, tá bom, mas estás a repetir o que eu digo...e acerca da Argentina, que podes dizer? Por exemplo: o mega-swap, a finança "blindada" contra a crise?   
É como a Argentina em 2001, quando os predadores financeiros estrangeiros decidiram um mega-swap e condições de salvamentos impossíveis, prometendo que isso teria protegido o País da crise. Foi uma fraude, e os Argentinos foram as vítimas.

...si, tal como tinha dito. Ok, então acerca dos empréstimos estrangeiros, como no caso do "empréstimo Barings" de 1811, que foi utilizado para saquear o País? A matemática dos banqueiros, que cria espirais das quais os Países nunca conseguem sair e que obrigam o País a pagar cada vez mais?
Como o famoso empréstimo da Barings Brothers, em 1811, que foi usado para saquear o País, pois a "matemática dos banqueiros" forçou a Argentina a pagar cada vez mais, mas a dívida foi só crescendo.
Ok, ok, não vale a pena.
Então melhor fazer um resumo: o governo Kirchner deu um pontapé ao FMI, recusando os resgates, a austeridade e todo o resto. A dívida pública caiu de 166% para 41,8%, o PIB dobrou, os juros sobre a dívida passaram de 21,9 para 6% do orçamento, o salário mínimo aumentou oito vezes, o número de pobres diminuiu 48%, a dívida das províncias passou de 21,9 para 6,9%. Estes são os dados.
A dívida das províncias passou de 21,9 para 6,9%
Sim, ok, obrigado Cristina...


Ipse dixit.

Fonte: Movisol, Facebook

9 comentários:

  1. Anónimo8.8.12

    A intenção é haver mesmo mortos...o objectivo de ganhar dinheiro, para as elites, não é tão importante como fazer com que a população mundial seja reduzida a uma escala mais controlável.
    Confusos? "Georgia guidestones". Procurem. Obrigado.

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  2. Ricardo8.8.12

    Iiiiixi... é melhor essa Cristina ficar caladinha... daqui há pouco se falar demais será derrubada! :)

    Ó:

    http://oglobo.globo.com/mundo/os-europeus-sao-meio-xenofobicos-diz-cristina-kirchner-5723760

    http://epocanegocios.globo.com/Informacao/Acao/noticia/2012/08/cristina-kirchner-herdou-us-68-milhoes-de-seu-marido-e-antecessor.html

    PS: o que é a regra do outro que a itália aprovou?
    :)

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  3. Caros amigos
    O "problema" da elite escravista não é ganhar mais e mais dinheiro, é o manter-se no poder com mais e mais poder com o maior divertimento em "menor custo benefício"; eles adoram esta frase ideológica/publicitária. Adoram muito mais a inumanidade de sua natureza, e nos tem, aos "humanos", como seus prediletos brinquedos de luxo, aqueles que podem rasgara as roupas, arrancar os olhos, braços, pedaços, pilhas e baterias. "Lamentam" quando os brinquedos "morrem", estraga o jogo e os lucros... E mesmo assim, a banca nunca perde. O cassino nunca fecha as portas.
    O resto é ingênua nossa descrença humana na velha e bem azeitada escravidão a que somos submetidos.
    Rótulos para confundir as senzalas estupidificadas é outro de seus divertimentos. Perguntemos às Fátima Bernardes e seus "maridões...
    Pergunto: os homens e mulheres que chegam a governação de um país não sabem disso? Ou fingem não saber? Para ambas resposta, seja lá o que expliquem não justifica.
    Sinto muito, sou grato.

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  4. Anónimo8.8.12

    A Cristina vai arcar com as consequências agora, a mídia já começou a fazer a sua parte com a difamação de sua imagem.

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  5. maria8.8.12

    Olá Max: olha, penso que a Argentina e a Europa estão vivendo momentos diferentes, no mesmo momento. Bah...!!vais pensar, a maria tá falando besteira, agora! Explico:as circunstâncias que definem as relações de rapina nos dois lugares, constroem, agora na Europa, o momento (que já aconteceu na América Latina de 70 a 90, aproximadamente)da minimização dos Estados nacionais, das privatizações de recursos e serviços, da entrega de empresas para enormes corporações, do império dos bancos, a custa, naturalmente da austeridade e empobrecimento etc, etc. Tudo isso em conluio com os chefes de governo. Na América latina, os dispositivos de rapina, através dos quais as mesmas oligarquias transnacionais e também as nativas,sócias menores destas, estão pondo em funcionamento, passa pelo boicote da transferência de alta tecnologia,pela apropriação de terras, seus recursos e seus produtos, cujos lucros são majoritariamente dirigidos para o exterior, e cujo financiamento é sustentado por bancos de desenvolvimento nativos. Existe um porém, que é a ação/intenção de governantes latino americanos que, sem agirem radicalmente, ( a A.L.tem governantes atualmente que já sentiram no próprio corpo como as oligarquias reagem, se confrontadas diretamente)buscam espaços de afirmação independente.
    E tal processo tem a sua lógica, não? Os povos latino americanos já foram empobrecidos, já lhes foi roubada a oportunidade de gozarem de educação, cultura, saúde, infraestruturas e tais...tudo que os europeus nativos têm (não falo de imigrantes e refugiados), e dos quais a eminente supressão representa mais concentração de dinheiro e poder. Porque não, se os povos deixam? Abraços

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  6. Rita M.9.8.12

    Os mortos não pagam, mas os zombies pagam e nem parecem muito inquietados em saber o que realmente andam a pagar aos verdadeiros vampiros que andam pelo mundo fora a sugar o que podem...

    Lembro-me de uma frase do Correa, Equador, no documentário Dividocracia: O Equador deixou de estar à venda.

    Nós por cá estamos a ver o que é estar a saque.

    Como a Maria diz: "Porque não, se os povos deixam?"

    Abraço
    Rita M.

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  7. Ricardo9.8.12

    Corrigindo meu PS: o que é a regra do OURO que o "governo" da itália aprovou?

    E quanto à Maria: isso aí... a guerra fria começou à esfriar e isso abriu espaço para a desapropriação da américa latina...

    A África nunca teve a chance de ser autônoma ao fim do império egípcio... a américa teve mais oportunidade e poderia se erguer... chance que foi destruída à partir desse período que você relata (anos 70 aos 90)...

    Se leres um livro chamado A HISTÓRIA SECRETA DO BRASIL, do Gustavo Barroso, verá que o brasil desde SEMPRE foi colônia dos banqueiros... sua independência foi 100% financiada pelo Rotchild Bank, diretamente, sem subterfúgios, totalmente registrado em livros fiscais... e a dívida externa desde sempre a moeda de barganha para manter o país tão escravo quanto à África...

    E essa cartada final (as ditaduras militares... as privatizações... austeridades... e estupidificação da cultura e do povo) que me fizeram deixar o país...

    A minha esperança, vindo para Europa, é que aqui estão os únicos povos que carregam tradição e que possuem um nível cultural mais difundido... menos concentrado em elites intelectuais...

    Já passaram por muitos genocídios e já viveram centenas de gerações... regimes diferentes...

    Se alguém tem que dizer BASTA... este alguém estará na Europa... e não no Brasil!!!

    [ ]s

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  8. Ricardo9.8.12

    Ah sim... como Max já disse anteriormente... aparentemente Argentina e Islândia, parciamente disseram basta... um em cada continente... a esperança é a última que morre...

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  9. Olá Ricardo: "Se alguém tem que dizer BASTA... este alguém estará na Europa... e não no Brasil!!!" Pois é Ricardo, eu também acredito que nível cultural, memória histórica e que tais auxiliam um posicionamento frente aos desmandos políticos econômicos sociais. E também acredito que a memória do sofrimento, da luta desigual e da injustiça, também são essenciais ao levante do povo.Na Argentina,que de certa forma reúne os dois quesitos que citei, um pouco parece funcionar, só um pouco...Na Europa, aqui mesmo no ii, eu jurei que a força da cultura mobilizaria os povos...mas, mas, mas...Será!? Abraços

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