21 setembro 2012

O Decrescimento

O que é o Decrescimento?
Diz a eterna Wikipedia:
Decrescimento é um conceito econômico, mas também político, cunhado na década de 1970, parcialmente baseado nas teses do economista romeno e criador da bioeconomia, Nicholas Georgescu-Roegen as quais foram publicadas em seu livro The Entropy Law and the Economic Process (1971).
Por isso, em primeiro lugar, o Decrescimento não é uma nova moda, filha da cultura New Age, ou um delírio para ecologistas extremistas: é uma teoria económica, já com alguns anos de vida.
Continua Wiki, que tudo sabe:
A tese do decrescimento baseia-se na hipótese de que o crescimento econômico - entendido como aumento constante do Produto Interno Bruto (PIB) - não é sustentável pelo ecossistema global. Esta idéia é oposta ao pensamento econômico dominante, segundo o qual a melhoria do nível de vida seria decorrência do crescimento do PIB e portanto, o aumento do valor da produção deveria ser um objetivo permanente da sociedade.

E aqui encontramos um ponto fundamental.
A nossa actual economia está baseada na ideia de Crescimento que, obviamente, fica nas antípodas do Decrescimento. Hoje uma economia é julgada ser saudável se apresentar uma taxa de crescimento positiva.
Atenção: o Crescimento não é a manutenção do actual nível de riqueza! O Crescimento é um fenómeno económico que prevê um aumento do desenvolvimento, isso é, uma incrementação da riqueza, dos consumos, da produção de mercadorias, dos serviços, da ocupação, do capital, da pesquisa científica, de novas aplicações tecnológicas.
Quando um País não conseguir um Crescimento (por exemplo quando o PIB dum ano for igual ao PIB do ano anterior), fala-se de Estagnação; quando o PIB for inferior (e, portanto, toda a riqueza produzida for inferior), fala-se de Recessão.

Problema: num sistema fechado como o nosso (o planeta é grande, mas sempre o mesmo é), é viável falar de Crescimento infinito? A resposta é: não. Num sistema fechado, também os recursos são limitados: e, cedo ou tarde, irão esgotar-se.

Perceber isso é simples: imaginem o Leitor enquanto come uma sopa. Uma vez que o prato for vazio (o sistema fechado), o Leitor deixará de poder comer sopa e ficará zangado comigo pensando seja toda culpa do blog. Mas não é culpa minha: é uma questão de lógica. Só se alguém por perto tiver uma panela com nova sopa o Leitor poderá continuar a comer. Mas neste caso teremos a intervenção dum elemento exterior (a panela), e o prato deixará de ser um sistema fechado.

Com o planeta é o mesmo. Pensemos por exemplo no petróleo (e vamos esquecer por enquanto a questão abiótica): extrai hoje, extrai amanhã, o petróleo cedo ou tarde irá acabar. E como não há nas redondezas ninguém com uma panela de novo petróleo (e deveria ser uma panela bem grande), a sociedade ficaria me sérios apuros (afinal toda a nossa sociedade está baseada em máxima parte na exploração do petróleo).

Quanto dito no caso do petróleo pode ser aplicado em outros casos também, apesar dos tempos de esgotamento ser muito variáveis: podemos pensar nos metais, por exemplo.
Há também outros factores que apoiam o Decrescimento: não querendo falar do aquecimento global, podemos pensar na poluição, na saúde do homens ou das outras espécies animais.

Mas a base é sempre a mesma: num sistema fechado os recursos são necessariamente limitados. E o nosso é um sistema fechado.

Continuemos com Wikipedia e com o copy/paste, que tudo explica, para ver quais os pressupostos da Teoria do Decrescimento:

  • O funcionamento do sistema econômico atual depende essencialmente de recursos não renováveis e portanto não pode se perpetuar. As reservas de matérias-primas são limitadas, sobretudo quanto a fontes de energia, o que contradiz o princípio de crescimento ilimitado do PIB.
  • Não existe evidência da possibilidade de separar crescimento econômico do aumento do seu impacto ambiental.
  • A riqueza produzida pelos sistemas econômicos não consiste apenas de bens e serviços. Há outras formas de riqueza social, tais como a saúde dos ecossistemas, a qualidade da justiça e das relações entre os membros de uma sociedade, o grau de igualdade e o caráter democrático das instituições. O crescimento da riqueza material, medido apenas por indicadores monetários pode ocorrer em detrimento dessas outras formas de riqueza.
  • As sociedades ocidentais, dependentes do consumo supérfluo, em geral não percebem a progressiva perda de riquezas como a qualidade de vida e subestimam a reação das populações excluídas - a exemplo da violência nas periferias e o ressentimento em relação ao ocidente, por parte dos países que não apresentam o padrão de desenvolvimento econômico ocidental.
No caso do primeiro ponto, acho não existirem dúvidas: os recursos hoje utilizados são maioritariamente não renováveis; e os recursos renováveis apresentam sérias dificuldades (primeira entre todas: a relação entre custos e energia obtida).

O impacto ambiental? Não vejo como possa ser possível contrastar a ideia pela qual o crescimento económico implica um cada vez maior impacto ambiental: é o que tem acontecido ao longo da História toda.

Também o conceito de saúde (num sentido particularmente amplo) é intrinsecamente alterado pela ideia de crescimento constante: e pensar que a riqueza possa ser limitada apenas ao capital (o dinheiro) é um erro, pois outros factores devem ser incluídos (a saúde física e psicológica dos indivíduos, a qualidade dos relacionamentos sociais, etc.).

Não concordo plenamente com o último dos pontos: acho que a riqueza de uns e a pobreza de outros não estão indissoluvelmente ligadas ao conceito de Crescimento, pois outras razões entram em jogo.
E também a ideia de "supérfluo" é muito subjectiva. O que é "supérfluo"? Também um chapéu de chuva é supérfluo se não chover.

Mesmo assim, nos restantes casos a ideia de Decrescimento parece ter bases concretas.
Mas agora começam os problemas.

Quais as soluções propostas pelos apoiantes do Decrescimentos?
O Decrescimento apoia o conceito de "suficiência", quantitativamente estável, ambientalmente sustentável e articulados um três níveis:
  1. a auto-produção individual
  2. a cooperação solidária no interior da comunidade local
  3. o mercado, cuja acção ficaria limitada aos bens que não é possível produzir nos primeiros dois níveis.
No campo social, um modelo de comunidades pacifistas, uma rede de pequenas comunidades não competitivas e não violentas, baseadas nos relacionamentos solidais.
Em campo cultural, o elemento central é o abandono do conceito antropocêntrico (o Homem em primeiro lugar, qual centro do Universo) como modelo de desenvolvimento. Significa isso que o Decrescimento não vê os sistemas naturais como algo à disposição do Homem, mas como um elemento que deve ser partilhado entre todos os seres viventes.
Também os mosquitos? Também.

O Decrescimento põe em primeiro lugar os aspectos não matérias (culturais e éticos) da vida humana.

Dito assim pode parecer um Paraíso. Pode, eu tenho algumas dúvidas. Porque se os objectivos do Decrescimento forem claros (e são, de facto), os mecanismos permanecem um mistério.

Vamos ver.

1. Com quais instrumentos é obtido o Decrescimento?
Explico: é uma revolução ou uma mudança progressiva? Controlada por quem? Quem decide a) o começo da revolução ou b) as etapas da mudança? Deve ser global ou começa com uma escolha individual? Isso é: é suficiente ir todos a lavrar a terra e tudo o resto acontece de forma automática? E que acontece se uma parte do planeta escolher o Decrescimento e outra parte não?

A ideia que está na base do Decrescimento é uma mudança radical no conceito de "consumo". Mas quem tem que impulsionar esta mudança? Com quais meios? Quem decide o que é supérfluo e o que não é?

É claro que o Decrescimento tem que nascer como impulso individual, assim como é claro que numa segunda fase a escolha individual tem que juntar-se à escolha da comunidade. Mas aqui a teoria do Decrescimento não é clara: quem deveria controlar o processo? Com uma escolha directa por parte dos cidadãos? E caso não haja unanimidade? Criamos um continente do Decrescimento e outro do Crescimento?
 
2. Qual o papel do Estado?
O Estado é suprimido? Então vivemos em quê? Numa rede de pequenas comunidades dominadas pelas boas intenções? O planeta seria uma enorme rede de pequenas comunidades auto-suficientes onde todos viveriam directamente do próprio trabalho e de cooperação? Isso já aconteceu, costumamos chamar esta época "Idade Média".
E voltamos ao problema anterior: e se alguém estiver contrário? É guilhotinado logo ou poder continuar a viver de forma diferente, emigrando? Quem pode segurar os serviços básicos durante a "Grande Mudança"? Com quais meios?

3. Donde chegaria o dinheiro para os investimentos?
Por exemplo: as doenças são uma realidade, como seria financiada a pesquisa científica? Ou seria abolida? E a pesquisa astrofísica? Abolida também porque supérflua? Voltamos à Idade Média?

4. E a superpopulação?
Num Paraíso como aquele descrito, a comunidade humana não deixaria de crescer (outro problema do Crescimento, muitas vezes esquecido), começando a ter um pesada influência no meio ambiente: e não é uma mera hipótese, é só questão de tempo. Como seria resolvido este problema? Com um decréscimo da taxa de natalidade?

5. Qual o verdadeiro objectivo deste novo mundo?
O Decrescimento (redução) ou um a-Crescimento (falta de Crescimento)?
Temos consciência do facto que são dois conceitos distintos e separados?


Tudo isso só para lembrar que de boas teorias está cheio o mundo. O que muitos esquecem é a prática. O assunto é complexo, muito mais complexo de quanto os mesmos "descrescimentistas" podem imaginar. E esta é apenas uma curta introdução, tanto para ter as ideias de base.
Espaço para o debate.


Ipse dixit.

Fontes: Wikipedia, MDF,

74 comentários:

  1. maria21.9.12

    olá Max: vasto assunto este do post. Preciso dividir: 1 - o que temos hoje no mundo,2 - os exemplos de decrescimento "à força",3 - as possibilidades do que eu chamo desenvolvimento qualitativo, tudo isso tendo como base apenas os meus pitacos.
    1 - Países onde impera um consumismo abusivo, outros onde impera a ausência de consumo básico para sustentação coletiva. Ao mesmo tempo, grupos em todos os lugares vivendo no abuso aos recursos, enquanto maiorias desprovidas de tudo. Pensem só num exemplo: o biocombustível que enche o tanque de um carro esporte de luxo daria para alimentar um egípcio durante um ano.Algo fará provocar uma mudança como um todo? Não, nem uma guerra atômica, nem a crise de fome mundial que se avizinha para 2013, considerando as enormes perdas de grãos, mediante as secas/chuvas demasiadas este ano (EUA,Rússia,Tailândia,Índia,Brasil), como o esgotamento das minas de fosfato necessário aos insumos para as monoculturas (comodities) e consequente elevação de preços/escassez de alimentos.Nada disso atingiria os poderosos, responsáveis diretos por este estado "da arte", nem existe massa crítica no mundo ou vontade política global para acabar com essa "brincadeira".As instituições globais como FAO, Unesco e ONU são meras representações do que deveriam ser.
    2 - Após os anos 90, e até antes, a ilha de Cuba provou ao mundo que é possível viver com distribuição equitativa de pouco, considerando o histórico de embargos, etc, etc. Mas,nem todos gostam de ser mandados diretamente (porque indiretamente, todos nós somos),viver muito modestamente, mesmo que isso garanta a saúde, segurança alimentar e moradia para todos.
    3 - Pessoalmente, escolho uma terceira via, por assim dizer, de desenvolvimento qualitativo,ou seja, vivência o mais possível auto regulada, com baixo consumo daquilo que considero supérfluo, a nível individual e grupal onde exista afinidade de pensamento/ação.Quanto ao mundo (ó ingrato mundo!!!)faz-se o que se pode para alavancar consciência coletiva em favor da ampliação de grupos com desenvolvimento qualitativo. Abraços

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  2. Anónimo21.9.12

    Conheço os prossupostos da teoria do Decrescimento, mas porque esta sempre me suscitou duvidas, sugeri abrir um espaço para debate. Max obrigado pela atenção.

    Como disse, tinha um conjunto de dúvidas que agora ficou mais alargado após ler a parte final do post.

    A questão do Decrescimento pode ser analisada do ponto de vista do sistema como um todo, ou então do ponto de vista do individuo, sendo esta pesrpectiva aquela que realmente acho interessante.

    Como referiu a maria e muito bem, o Decrescimento individual forçado está na ordem do dia. Portugal é um exeplo catita neste aspecto. Com um pouco de observação do que se passa à nossa volta, verificamos que este modelo de decrescimento forçado tem outro nome: empobrecimento, e está por demais debatido.

    Agora penso ser realmente interessante abordar a perspectiva que a maria menciona no ponto 3 - ' as possibilidades do que eu chamo desenvolvimento qualitativo, tudo isso tendo como base apenas os meus pitacos.'
    ou seja:
    Decrescimento por opção
    que pareçe estar cada vez mais na moda, nuns casos por razões ou convicções diversas e na grande maioria por força das circunstâncias.

    O que tenho verificado em pessoas que resolvem optar por um modo de vida mais simplificado é que a grande maioria diz que mudou para muito melhor. Ganhou em liberdade, qualidade de vida etc. etc.
    Obviamente mantêm o cordão umbilical ligado ao sistema apesar de terem ficado menos dependentes.

    Mais tarde voltarei à carga, mas gostava de ouvir outra opiniões.

    abraço
    Krowler

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  3. Pois, assuntos complicado.
    Estou na mesma situação de Krowler: Decrescimento? Sim, atractivo, mas...

    Como sempre, muito interessante o comentário de Maria com o Decrescimento Forçado. Esta rapariga tem a capacidade de fazer-me ver as coisas sempre sob novos pontos de vista...

    E depois a questão da crise dos alimentos para 2012, que ainda não apareceu no blog (erro meu) mas que arrisca ser uma realidade aterradora para centenas de milhões de pessoas. Obviamente não as mais ricas.

    Vamos esperar para outras opiniões.

    Grande abraço!

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  4. maria21.9.12

    Olá Max e todos: " Esta rapariga tem a capacidade de fazer-me ver as coisas sempre sob novos pontos de vista..." Que bom, que bom...essa é a ideia, obrigada por considerá-la!
    Mas, estou louca para ler a opinião dos demais colegas leitores/comentaristas. Abraços

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  5. maria21.9.12

    Olá Max: segundo minhas modestas investidas em pesquisa virtual, e não tão modestas em leituras, 2013aponta para a morte por escassez de alimentos de 18 milhões de pessoas na África central, mais 12 milhões em Somália, Eritréia e regiões fronteiriças (talvez mais, agora já sem contar com a ajuda do "malfadado coronel Kadaffi"). No Brasil, as mortes de pobres por "ataque, seguido de morte" estará por volta de meio milhão, perpetrada pelos serviços de segurança público e privado, e nos EUA, em torno de 1 milhão, graças ao "encarceramento, seguido de morte", aí já em função da "prevenção ao terrorismo". Apenas alguns exemplos (tem muuuuiito mais) para acalmar aos preocupados com o crescimento populacional desordenado. Eu sempre apostei na capacidade de planejamento dos poderosos. Acrescentem os conflitos bélicos,acrescentem os suicídios europeus, os 15 mil mortos ilegais anuais para reposição de órgãos nos ricos, e percebam como os donos do mundo são bons em planejamento populacional! Desculpem os arroubos,...e abraços.

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  6. Boa noite...
    No Brasil, as mortes de pobres por "ataque, seguido de morte" estará por volta de meio milhão???????? Olha o exagero...
    18 milhões de pessoas na África central, mais 12 milhões em Somália, Eritréia e regiões fronteiriças????? Olha o exagero...
    ajuda do "malfadado coronel Kadaffi"??? Que teve ele alguma vez o que quer que seja com a fome (promovida para dar um ar entendido a "escassez de alimentos")
    e nos EUA, em torno de 1 milhão, graças ao "encarceramento, seguido de morte", ????? olha o exagero...
    Voçe estará a falar da mesma terra que eu conheço?
    Francamente... estes delirios chegam a ser um pouco até infantiss... misturar invenções um pouco parecidas com qualquer coisa... juntar tudo... e concluir do Ar que os culpados são os do costume...
    Eu não leio este blog como uma reunião comica... mas sim informativa, esclarecedora, e muito, muito interessante... e este comentário não está á altura...
    Bom fim de semana a todos...

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  7. Anónimo22.9.12

    O decrescimento não é opcional, ou seja, não depende de gostarmos ou não gostarmos da ideia. Uma economia assente no crescimento exponencial, como a dos últimos 100 anos, não é sustentável. Quando uma espécie esgota todos os recursos à disposição no seu habitat, o resultado é sempre o mesmo: morte em massa. A natureza tem as suas leis, gostemos ou não, achemos justo ou injusto. Mesmo sem falar das pressões sobre o ecossistema, a energia barata está em vias de acabar, e sem energia barata não é possível uma economia em crescimento. Mais uma vez, não é uma questão opcional. Portanto, o decrescimento é a ideia política mais sensata que existe, é a nossa única saída. Se não decrescermos a bem (redistribuindo sensatamente os recurso globais de forma igualitária), vamos decrescer a mal (ou seja, numa guerra de todos contra todos pelas migalhas disponíveis). É esta a nossa única opção: decrescer a bem ou a mal.
    A mim, isto parece-me muito claro. E imaginar que num mundo sem petróleo vai ser possível todos os sistemas complexos que o sec XX nos trouxe (investigação astrofísica!!) é uma ilusão.
    A ideia da comunidade auto-suficiente agrada-me sobremaneira, e é nisso que vou apostar tudo.

    Se alguém tem dúvidas a este respeito, pode tirá-las muito facilmente com os seguintes autores:
    Richard Heinberg, James Howard Kunstler e Guy Mcpherson.

    JMS

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  8. JMS é exactamente o que penso, mas já cheguei a conclusão que a sociedade não irá aceitar o inevitável colapso do sistema do crescimento infinito, e até do crescer porque sim, porque a maioria do crescimento que vimos nos últimos(20 anos) anos foi fictício era só crescer para enganar o sistema, porque o nível de vida mesmo dos países desenvolvidos estagnou ou baixou nos últimos anos.

    Não sei se será mais violento aceitarmos o decrescimento, ou continuamos a insistir no crescimento e depois o sistema implodir, a verdade é qualquer dos cenários irá mudar as vidas de todos nós.

    O Max falou na idade Média, mas o Império Romano não caiu por sua vontade, foram forçados, o sistema colapsou, e depois já sabemos o que aconteceu, tudo baixou a escala, uma economia local, e sinceramente é o que acho que irá acontecer, claro que não irá ser outra idade média, mas a economia acho que irá ser mais local.

    Se quiserem saber mais sobre o assunto pesquisem Jeff Rubin.

    Saudações

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  9. Anónimo22.9.12

    Numa sociedade onde está tão presente o consumismo abusivo, como ja foi referido, porque havemos de pensar que o Mundo todo de repente se irá lembrar de ser solidário com quem mais precisa. Nunca foi assim e só irá mudar à força.

    O Max disse que nem todos iriam concordar com o Decrescimento se tal fosse implementado mas todos concordamos com este tipo de economia? Nao mas continuamos nela...

    John

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  10. maria22.9.12

    Olá Olissiponense: "Voçe estará a falar da mesma terra que eu conheço?" É para ver como as fontes divergem,não? Não cito as minhas porque, em primeiro lugar, tu não desejastes saber, e depois, somos levados a aceitar os resultados de fontes com os quais nosso entendimento/experiência prévios dos acontecimentos coincide. Isso é inevitável, mas para mim, quando as fontes divergem, gosto de saber suas origens. Portanto, gostaria imenso de conhecer as tuas, pois sinceramente prefiro estar redondamente errada. Quanto ao Coronel Kadaffi,talvez não tenha sido suficientemente clara. Considero que sua política para com os povos africanos realmente os ajudava a evitar colapsos maiores daqueles que existem naquela região ad eternun.
    Achei curioso não contestares os números relativos a assassinatos para aproveitamento de órgãos. Neste pormenor nossas fontes coincidem?
    Finalmente, te parabenizo por ler ii para informar-te, e sempre podes pular meus comentários para não perderes tempo com infantilidades. Abraços

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  11. Rita M.22.9.12

    Depois de fazer coro com a sugestão Krowler começo também por agradecer, sabia pouco sobre a teoria do Decrescimento.

    Por aqui, inclino-me para o “decrescimento forçado” por causa do sistema financeiro/económico actual. Decrescimento por opção só mesmo a nível individual. Não estou a ver um país a fazer essa opção. Já ver-se forçado a ela…

    Quanto ao papel do “estado”… O conceito de comunidades mais pequenas sem um “estado” comum parece-me difícil, seja qual for a modalidade dessas comunidades. Tem de existir algum modelo de “estado”.
    Já o tipo de poder que tem para decidir o que é importante para as pessoas tem garantidamente que mudar.
    Governos centrais alienados das verdadeiras necessidades da população a decidirem sobre realidades que desconhecem e a visar o “eterno crescimento” e não o bem-estar de todos os que governam… complicado.

    É obviamente uma opinião minha, mas a realidade que temos vai mudar a bem ou a mal, mais depressa ou mais devagar, mas muda. Basta olhar para a História e ver como tudo muda e avança, nem sempre para melhor, é verdade e não faltam exemplos, mas muda e segue em frente.
    Agora o que realmente vem aí… algo próximo do tal “decrescimento forçado” é o que me parece mais provável.

    Em relação à superpopulação… a continuar assim não me parece que se vá ter grandes preocupações por termos população a mais nos próximos tempos… o modelo actual já faz a sua parte, temos muita gente a morrer de fome, falta de cuidados médicos, doenças, em guerras… aliás, a própria mudança, que acredito que será inevitável, e também creio que evitada o mais possível, tem muitas probabilidades de contribuir também para isso.
    O modelo actual é disfuncional e as mudanças forçadas dificilmente poupam vidas, directa ou indirectamente.

    Confesso que só vejo a ganância e o egoísmo do ser humano como entrave para se ter a sustentabilidade/qualidade de vida de todos como um objectivo para os países, ao invés do tal crescimento contabilizado através do PIB e dos lucros.

    Por aqui, pergunto-me se a verdadeira base da crise que se vive não será uma crise de valores morais e não tanto financeiros. Os recursos ainda existem, o conhecimento para melhorar a vida de todos também. Vontade de todos para isso é que não. Um pouco mais de respeito pelo próximo e de bom senso e há mesmo muito que simplesmente não aconteceria e provavelmente já estaríamos todos mais encaminhados para uma mudança de modelo... crescimento eterno num mundo onde os recursos não o são... o modelo não é sustentável na forma actual.

    Abraço
    Rita M.

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  12. Anónimo22.9.12

    Bom, se vocês pensam em decrescer tudo bem, pois é isso que a grande elite, a nata quer. Quer concentrar o poder, o controle e o dinheiro cada vez mais apenas em suas mãos e tirá-los dos outros. Pois não ha revolução sem dinheiro, não ha batalha ou resistência sem dinheiro, quanto mais pobre for um povo, mais difícil será quando precisar lutar pelas suas causas, ou seja, grande parte do mundo vai ficando mais pobre (de certa maneira)enquanto a elite vai rindo da nossa cara e ficando cada dia mais rica e poderosa.

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  13. Anónimo22.9.12

    A reciclagem adquiriu um status moral quase que inquestionável, em grande parte porque crianças e adolescentes, doutrinados pela propaganda ambientalista continuamente regurgitada pelas escolas e universidades, chegam às suas casas munidos de informações falaciosas e as utilizam para intimidar seus pais. Não seria exagero algum dizer que mais de 70% da juventude quer que seus pais reciclem.

    Se reciclagem fosse realmente uma necessidade premente, tal ato teria um enorme preço de mercado, e as pessoas seriam pagas para incorrer em tal atividade. O que nossas crianças e adolescentes estão aprendendo nada mais é do que ideologia esquerdista, sem nenhum respaldo em fatos ou na ciência.

    Um dos argumentos utilizados em prol da reciclagem é que o mundo está ficando sem aterros sanitários, pois o espaço para eles estaria acabando. Os meios de comunicação se esmeram em propagandear, principalmente em canais voltados para o público infantil, imagens sombrias de cidades soterradas sob seu próprio lixo. É exatamente isto o que se passa por educação ambientalista no mundo atual.

    Porém, a realidade é que não há e nem nunca houve qualquer escassez de espaço para a construção de aterros. Se houvesse de fato tal escassez, o preço de mercado para tal espaço seria tão astronômico, que as pessoas estariam demolindo suas próprias casas para construir aterros em seus lugares. Ato contínuo, elas iriam embolsar o lucro e comprariam mansões. No entanto, a verdade é que se todo o lixo sólido a ser produzido nos próximos mil anos fosse concentrado em um único lugar, ele ocuparia apenas 114 quilômetros quadrados — o equivalente a 0,001% de toda a área dos EUA.

    E o que dizer sobre a tão propalada alegação de que a reciclagem, principalmente a de papel, irá "salvar a vida" de várias árvores? Toda criança tem este mantra na ponta da língua. O papel, afinal, é feito da madeira das árvores. Por que não produzir papel novo utilizando papel antigo e, assim, evitar que mais árvores sejam derrubadas? Simplesmente porque não é assim que funciona a lógica econômica. A oferta sempre será comandada pela demanda. Se amanhã repentinamente pararmos de utilizar trigo para fazer pão, haveria menos trigo no mundo daqui a um ano. A oferta de trigo cairia drasticamente. Não mais haveria incentivos de mercado para se cultivar trigos, seus preços despencariam e o cultivo de trigo seria uma atividade totalmente deficitária. Da mesma forma, se todo o mundo parasse de comer frango, a população de frango diminuiria, e não aumentaria, como supõem quase todos os ambientalistas.

    continua...

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  14. Anónimo22.9.12

    A mesma lógica se aplica à relação entre papel e árvores. Se pararmos de utilizar papel, menos árvores seriam plantadas. Não haveria incentivos de mercado para a conservação de florestas. Na indústria papeleira, 87% das árvores utilizadas são plantadas para a produção de papel. Isto significa que, de cada 13 árvores que seriam "salvas" pela reciclagem, 87 jamais seriam plantadas. É exatamente por causa da demanda por papel que o número de árvores plantadas no mundo aumentou nos últimos 60 anos. Eis, portanto, uma lição incômoda para os ambientalistas: se o seu objetivo é maximizar o número de árvores, não recicle papel. Outra lição: se você quer aumentar o número de árvores, defenda o capitalismo e a propriedade privada. Quando se é dono da sua própria terra, há vários incentivos econômicos para se cuidar muito bem desta sua terra. Sua preocupação é com a produtividade de longo prazo. Assim, o proprietário de uma floresta, por exemplo, irá permitir que uma madeireira ceife apenas um número limitado de árvores, pois ele não apenas terá de replantar todas as que foram ceifadas, como também terá de deixar um número suficiente para a colheita do próximo ano.

    Outras declarações feitas por defensores da reciclagem são igualmente problemáticas. Reciclar não poupa recursos. Pelo contrário, desperdiça recursos valiosos. Em geral, reciclar é mais caro do que construir aterros, com a única exceção para esta regra sendo o alumínio. As crianças também são doutrinadas a acreditar que reciclar irá reduzir a poluição. Mas a elas não é dito que o processo de reciclagem é, em si, extremamente poluente. A reciclagem de jornais, por exemplo, requer que a tinta velha utilizada nos jornais seja retirada das páginas. Este é um processo quimicamente intensivo que gera enormes quantidades de lixo tóxico. Muito mais "ambientalmente saudável" seria simplesmente jogar os jornais fora. Adicionalmente, um programa de coleta de recicláveis exige o uso de caminhões diferentes dos caminhões utilizados para a coleta de lixo comum. Isto, por sua vez, significa mais caminhões circulando diariamente (ou semanalmente) nas cidades. E isto, por sua vez, significa mais poluição do ar. Em Nova York, por exemplo, após instituir a reciclagem compulsória, a prefeitura teve de acrescentar duas coletas adicionais por semana. Já em Los Angeles, a prefeitura teve de duplicar sua frota de caminhões de lixo.

    Mas o fato é que os recicladores têm uma agenda muito mais ambiciosa do que aquela com que doutrinam as crianças e os adolescentes. No livro Waste Management: Towards a Sustainable Society, seus autores, O.P. Kharband and E.A. Stallworthy, chegam a reclamar que as construtoras descartam pregos envergados e que os hospitais utilizam seringas descartáveis. "O chamado 'padrão de vida'", concluem os autores, "terá de ser reduzido".

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  15. Anónimo22.9.12

    "O chamado 'padrão de vida'", concluem os autores, "terá de ser reduzido".

    Eis aí o real objetivo da elite defensora de programas compulsórios de reciclagem. E, tragicamente, esta redução no padrão de vida já foi alcançada em várias cidades que construíram monstruosas e caras fábricas de reciclagem, o que levou a desperdícios inacreditáveis, impostos mais altos, e prefeituras financeiramente estropiadas.

    Algumas pessoas argumentam que, ao fazermos nossos cálculos ambientais de hoje, as gerações futuras deveriam ser incluídas nele e consideradas como tendo o mesmo peso da geração atual. Certo, mas qual a consequência real e lógica de tal postura? Ora, se realmente fizermos isso para todos os assuntos envolvendo o ambiente, então qualquer questão sobre a proteção do planeta irá se tornar irrelevante por causa de um fato incômodo e perturbador já apontado pelo economista Walter Block: em algum momento futuro, o sol irá desaparecer, e o planeta com o qual estamos tão preocupados hoje irá simplesmente desaparecer. E isso é um fato para o qual não há alternativas.

    Logo, se estamos tão preocupados com a preservação das espécies, e se já sabemos de antemão que, um dia, o planeta Terra irá inevitavelmente desaparecer, então temos de buscar um conjunto de ideias radicalmente distintas e uma abordagem radicalmente diferente da atual maneira de se pensar o ambiente. Temos de levar em conta que haverá um momento em que o principal problema ambiental a ser enfrentado pela humanidade não será como reduzir a poluição da terra, do ar e do mar, mas sim como sair deste planeta ou como alterar sua posição no sistema solar, duas tarefas que estão muito além das fronteiras da nossa atual capacidade tecnológica, mas que podem ser alcançadas, pelo menos em princípio.

    Uma solução para este inevitável problema seria o acúmulo de recursos e capital, algo que requer um nível muito maior de criatividade e engenho humano, e uma divisão do trabalho muito mais acentuada que a atual, de modo que as pessoas possam se concentrar nos problemas e desafios gerados por uma viagem interplanetária. Isto significa que seriam necessárias mais pessoas habitando o planeta, e elas teriam de ser muito mais ricas do que são hoje, e teriam de enriquecer de maneira bem mais acelerada, pois isso liberaria o recursos necessários para solucionar todos estes problemas.

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  16. Anónimo22.9.12

    Embora isto — aumento populacional e enriquecimento acelerado — seja algo que vá exatamente contra as ideias ambientalistas convencionais, trata-se exatamente da consequência lógica de se dizer que as gerações futuras devem ser consideradas como tendo o mesmo valor da nossa geração atual. A tese de que não devemos dar ao futuro — e às gerações futuras — um valor presente descontado implica que todos os outros problemas atuais devem ser relegados a segundo plano, dando-se prioridade ao urgente problema de como impedir a inevitável extinção humana que irá ocorrer quando o sol morrer.

    Conclusão
    À primeira vista, o objetivo de se reciclar mais e de se conservar mais pode parecer muito apropriado, até mesmo desejável. No entanto, os defensores de tais práticas não possuem as informações econômicas necessárias para se tomar as decisões corretas nestas questões, pois não há direitos de propriedade claramente definidos sobre os recursos naturais escassos. Não há propriedade privada sobre aterros sanitários e não há livre mercado para a reciclagem de lixo.
    Se realmente nos importamos com as gerações futuras, se dermos a ela exatamente a mesma importância que damos a nós mesmos e, consequentemente, se estamos dispostos a nos sacrificar por ela — pois, afinal, damos a ela o mesmo valor que damos a nós mesmos —, então o inevitável fato de que o sol irá morrer um dia significa que, em vez de estarmos hoje preocupados com a reciclagem de lixo, deveríamos, isto sim, estar preocupados em construir colônias planetárias, exatamente como no seriado Battlestar Galáctica. Quem for contra isso, ou achar que se trata de um exagero, então tal pessoa realmente não está preocupada com as gerações futuras que presumivelmente irão habitar a terra daqui a vários bilhões de anos.

    Recicladores e ambientalistas não são cidadãos melhores ou mais bem intencionados. São apenas mal informados.



    Até mais pessoal

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  17. Em primeiro lugar gostaria comentar o último comentário, e desculpem a redundância.

    Neste blog nunca escrevi algo acerca da reciclagem (que eu me lembre, com mais de 2.000 posts algo pode ter escapado, mas acho que não neste caso concreto).
    E existe uma razão.

    Por motivos profissionais, quando ainda vivia em Italia, tive modo de visitar as assim chamadas "ilhas ecológicas", os lugares onde são recolhidos os materiais reciclados. Gostaria que alguns ambientalista visitassem estes sítios, só para ter uma ideia do que realmente é a reciclagem, de quanto esta possa poluir de forma indiscriminada.

    Pelas mesmas razões visitei as empresas que reciclam papel e posso confirmar que a quantidade de químicos envolvidos no processo chega a ser assustadora. E posso também confirmar que nos últimos 40 anos a área florestada em Italia cresceu de forma bem significativa, apesar do mínimo impacto em termos de papel reciclado.

    A reciclagem então é "falsa"? Não, não é, mas tem fortes limitações das quais ninguém fala.

    Não seria mal começar a ver a reciclagem como uma outra área industrial, não apenas como um conjunto de empresas que fazem "uma coisa boa". Não esqueçam que há dinheiro envolvido, e não pouco, com todas as consequências do caso.

    É muito simples fazer uma sopa de peixe a partir dum aquário. Mas é muito difícil partir duma sopa de peixe para fazer um aquário.

    Obrigado ao anónimo autor.

    Abraço!

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  18. Anónimo
    Realmente eu gostava de ver como o mundo funcionaria se os 7 mil milhões de habitantes do planeta tivessem o nível de consumo de um cidadão Europeu ou Americano comum.

    Tinha imensa curiosidade de ver isso...

    Saudações

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  19. Um observação geral acerca dos outros comentários.

    Agradeço antes de mais a participação, mas não posso não reparar num facto: ninguém avança com ideias, tal como pedido no post.

    Vejo pessoas que acham o Decrescimento como uma inevitabilidade, qual fruto do colapso da nossa sociedade. Pelo que, parece não existir a possibilidade duma intervenção prévia. É isso?

    Depois há a questão do Decrescimento "forçado".
    É interessante notar como a moderna vaga do Decrescimento nasceu dum estudo do Clube de Roma, em 1972. Não sugere nada este facto?

    Quanto ao colapso do Império Romano. O Império entrou em colapso por causa de motivos internos mas também sob a força que exercitava uma notável força a partir do exterior. Não acham que nas actuais condições o que falta é mesmo esta força exterior? Não pode significar isso que, em falta dum evento traumático repentino, a sociedade possa evoluir (ou de-evoluir) sem por isso passar por um autêntico colapso (entendido como evento violento)?

    A falta de petróleo poderia substituir os bárbaros nas fronteiras? Sim, poderia. Mas a produção aumentou ao longo do último ano, este é um dado que não pode ser ocultado.

    Olisipponense & Maria! Paz e Amor!

    Vou comer algo. Dói-me o dente. Até já.

    Abraço para todos!!!

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  20. Anónimo22.9.12

    Caro anónimo que falou sobre a reciclagem, eu posso ser um desses adolescentes que foi ensinado a reciclar mas temos de pensar constantemente que há algo superior a controlar-nos? Posso ser demasiado inocente mas isso parece-me um quanto conspiracionista.

    É verdade que nunca vi a nidústria q recicla nem como realmente funciona mas acredito que um ato de cada um de nos podera fazer a diferença. Já agora, na escola também ensinam para poupar água, também há algum grande plano por trás?

    Atenciosamente John

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  21. Anónimo22.9.12

    A água faz parte dos próximos planos da ONU, é o próximo passo, infelizmente...

    Mas, tenho que dizer que..
    A água nunca vai acabar! Quer dizer, é extremamente difícil isso acontecer. Ainda hoje temos tecnologias capazes de converter água salgada do mar em água potável e bebível, existem filtros capazes de filtrarem água suja e até a urina para que possa ser bebível, só que por enquanto isso ainda é um pouco caro, mas nunca se esqueçam disso. Pois daqui a pouco, todos nós vamos começar ou já estamos começando a ouvir e ver propaganda sobre a escassez de água e bla bla bla, isso é claramente mais um plano para nos limitar, limitar nossos bens e nosso modo viver, atuar no nosso psicológico, nos privando cada vez mais do que é nosso, através de ordens e ciências que dizem serem verdadeiras. É capaz de nunca mais ouvirmos falar nessas tecnologias de filtragem da água, pois futuramente ela será transformada em questão de valores, será o novo petróleo, e isso simplesmente por vontade da grande elite.

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  22. Anónimo22.9.12

    Ah, e fiquei sabendo que nos EUA já proibiram até tomar água da chuva, pelo menos em alguns estados.

    Isso é só o começo.

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  23. Anónimo22.9.12

    obs:
    já proibiram até coletar e tomar água da chuva*

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  24. Olá John!

    Tendo apoiado as ideias do Anónimo, permito-me responder (por acaso, tenho que dar outras respostas ao John, não ficaram despercebidas!).

    Temos que escolher um significado para o termo "reciclagem", pois há diferença entre "reciclagem" e "ré-utilização".

    A ré-utilização não tem contra-indicação, desde que o custo dos materiais envolvidos (na limpeza, por exemplo) não ultrapasse um certo limite.

    A reciclagem é outra coisa: é pegar num material e trabalha-lo para reinseri-lo no mercado geralmente com outra forma.

    Eu percebo que a ideia de reciclagem possa parecer boa em absoluto. Mas paramos um segundo e pensamos: alguém entre nós sabe como é tratado o papel antes de ser post em condições de ser ré-utilizado? Por quais processos passa? Quais os químicos utilizados? Quais os custos ambientais (porque reciclar custa)?

    Se formos capazes de responder a estas perguntas, então teremos a nossa resposta.
    Caso contrário, acreditamos em algo sem saber o que realmente é e como funciona: o que fazemos é um simples acto de fé.

    Acho que acerca disso podemos concordar todos, não é?

    Então pergunto: ao comprar um carro, o Leitor faz um acto de fé ou antes tenta informar-se? Compra um carro da marca XY porque todos os carros daquela marca são excepcionais ou, pelo contrário, tenta informar-se e se calhar pede para dar uma voltita de prova antes de assinar o cheque?

    A maioria das pessoas escolhe a segunda possibilidade. Desconfiados? Não, realistas: sabem muito bem que as afirmações da marca produtora têm um nome: "publicidade" e têm como fim aumentar as vendas, nada mais do que isso.

    Agora, é interessante notar que tudo isso não acontece em relação à reciclagem. Duvidar da reciclagem é blasfemo, o ambiente não tem preço. Não tem preço, é verdade, mas tem lucros: há empresas no sector que facturam milhões.

    Nos entregamos o nosso lixo, bem divido, não sabemos o que acontece a seguir, mas vivemos bem com a nossa consciência e defendemos a reciclagem, sempre, sem excepções.

    John, não acha isso um bocado esquisito?

    Pensamentos doentios dum conspirador sem limites? Ou realismo de quem percebe que as empresas têm um único objectivo (ganhar) para atingir o qual muitas (demasiadas) vezes fazem afirmações que não são o espelho da realidade?

    Abraço!!!

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  25. maria22.9.12

    Olá todos: me parece que o fenômeno da escassez está vinculado ao que considero apropriação indevida para efeito de lucro, principalmente. Quando os grãos viram comodities, a oferta é negociada na bolsa, e a produção se perde. Quando a água é engarrafada pela empresa privada, viaja centenas de km, falta para uns, enquanto outros tomam banho com ela. Então a especulação parece ser um fator preponderante, não o único é claro, num mundo onde tudo virou mercadoria. Aí, do meu ponto de vista, radica duas formas diferentes de decrescimento: um que leva ao empobrecimento, e outro que pode levar ao desenvolvimento qualitativo. Do primeiro, forçado, temos exemplos bem atuais, como já foi falado. Outro é decorrente de opção pessoal, grupal, ou de governos que encarem uma mudança radical de gestão, e estaria baseado numa distribuição equitativa de bens essenciais, com forte regulamentação, e na construção de uma mentalidade de consumo a escala humana, não desperdício, e reaproveitamento, quando conveniente.O objetivo desta última forma de decrescimento não impõe a miséria para muitos, mas uma vida melhor para todos. Abraços

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  26. Max
    De que vale a produção de petróleo aumentar se o preço também aumenta?
    Eu acho que isto levanta um problema não?

    O petróleo á 10 anos estava abaixo do 25 dollars hoje esta a 110, será que os senhores do petróleo decidiram subir o petróleo nestes últimos 10 anos porque lhe apetecia? será um lobbi das renováveis? será apenas um sintoma das desvalorização do dollar? Será que o petróleo barato se está a extinguir? será uma conspiração de um grupo qualquer? isto são tudo teorias cada um acredita na que quiser, ou noutra qualquer...

    Mas na prática podemos ver o que um pais como Portugal que importa petróleo, em que nos ultimo anos reduziu a importações, mas cada vez paga mais devido ao aumento unitário do preço...

    Anónimo
    A água o petróleo, blá blá a tecnologia resolve não é ?

    Desculpe lá rebentar essa bolha, mas a tecnologia que eu saiba tem custos monetários, energecticos, não sei porque existem pessoas que dão a energia como um bem adquirido, é fácil não é? È só ligar o interruptor e pronto faça-se luz.

    Imagine-se que hoje em dia que há água potável relativamente fácil de explorar no subsolo em barragens em lagos, e nem todos tem acesso a ela para beber, quanto mais se tivéssemos á espera de água filtrada.

    Se hoje em dia há monopólio com a água da chuva, não haveria monopólio com a água filtrada? quer dizer que é contra a reciclagem no geral, mas no particular da água é a favor?
    Alguma contradição não?

    PS- Não sou ambientalista, nem acredito no aquecimento global por exemplo

    Saudações

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  27. Anónimo22.9.12

    Já me tinha passado pelo cabeça a quantidade de recursos utilizados para a reciclagem mas sempre pensei q o fim compensada o meio, provavelmente o q nos quiseram induzir a fazer. Nao estou totalmente convicto do que foi aqui dito porque preciso de fazer as minhas pesquisas (sem querer ofender ninguém). Agora em relação a água, já tinha ouvido falar desse processo de "limpeza" de água mas tb sabia dos seus custos por isso nunca considerei a hipótese. Acho q evitar o desperdício nunca fará mal a ninguém mesmo q nao seja necessário. Quanto a guerra por causa da água considero ser uma "certeza" em reação ao futuro mas nao me passou ser algo provocado pois todos os recursos tem limites. Por enquanto fico na dúvida pois e algo q me foi incumbido desde novo.

    Bom, já escrevi demais, abraço
    John

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  28. maria22.9.12

    continuação: fragmento de uma reportagem de Antonio Luiz M.C. Costa, na revista Carta Capital/agosto de 2012
    "Em 2008, o Goldman Sachs conseguiu um terço de seus lucros de investimento em commodities. Segundo consultores citados pela IATP (Instituto de Agricultura e Política Comercial dos EUA)31% do preço do milho em 2008 era devido puramente à especulação, independentemente dos fatores de oferta e demanda...Em tempos de prosperidade,um aumento dos preços das commodities alimentares talvez fosse absorvido sem traumas pelos países desenvolvidos, mas numa época de desemprego, com alguns países a beira de uma longa depressão, essa perspectiva começa a parecer assustadora." Abraços

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  29. Anónimo22.9.12

    Afinal, voltei a escrever...

    Estava a espera q a conversa chegasse a este ponto. O aquecimento global e algo q acredito e nao e preciso muito para ter provas para o fundamentar. Comecemos por olhar a nossa volta e ver todos os fenômenos naturais q de repente "apareceram". Aqui nao acho q me consigam mudar a opinião.

    Também nao sou nenhum ambientalista
    John

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  30. Anónimo22.9.12

    Anónimo,
    Voce devia informar-se um bocadinho antes de se pôr a debitar um montão de ideias feitas (e invariavlemente veiculadas media corporativos).
    Todos os ecologistas sérios sabem que a reciclagem não é nenhuma panaceia. O objectivo principal deve ser REDUZIR E REUTILIZAR. A reciclagem é apenas um mal menor. Os ecologistas que acreditam que a sustentabilidade pode ser alcançada apenas com a reciclagem não percebem nada de ecologia.
    Mas você diz tantos disparates que uma pessoa nem sabe por onde é que há-de começar. Árvores, papel, aterros. Ecologicamente, o problema não é o lixo, é a PRODUÇÃO, ou seja, o consumo exponencial de recursos FINITOS para produzir gadgets idiotas. Sabe quantos litros de água se desperdiçam para fazer 1 lt de Coca-Cola, por exemplo? Claro que não sabe. Ou quantas calorias vegetais são necessárias para produzir uma caloria em forma de carne?
    Também de árvores você não percebe nada. A produção de pasta de papel exige MONOCULTURAS. Sabe o que são as monoculturas e o modo como afectam a biodiversidade? Não sabe. Porque deve estar convencido, como todas as pessoas formatadas no pensamento economicista, que a quantidade é que conta, e que se em Portugal, por exemplo, se cortar todas os carvalhos, sobreiros, etc. e se substituir por eucaliptos está tudo bem... Não está.
    Ainda por cima usa argumentos demagógicos, como o de que o planeta só tem mais alguns milhares de milhões de anos de vida e que portanto devíamos estar a preparar a partida para outra galáxia. Uma bocadinho precipitado, não?

    Repito, se quer opinar sobre ecologia, informe-se primeiro. Deixe essa ideia feita de que ecologia=reciclagem. A ecologia é uma ciência, e a ciência não se aprende nos jornais nem nos blogues "alternativos". É preciso perder tempo a ler, sabe?. A ler os cientistas´da área: biologia, palentologia, climatologia, geologia, etc. Percebeu? E ler os economistas sérios, como Herman Daly e Roegen, e não os economistas que são pagos para dizer o que os capitalistas querem ouvir.

    JMS

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  31. Anónimo23.9.12

    (continuação)

    "temos tecnologias capazes de converter água salgada do mar em água potável e bebível, existem filtros capazes de filtrarem água suja"

    Você não faz a mínima ideia do que está a dizer. INFORME-SE dos custos energéticos e monetários dessa "miraculosa" tecnologia de água salgada em água potável, e depois venha opinar sobre o assunto.

    "as gerações futuras devem ser consideradas como tendo o mesmo valor da nossa geração atual"

    Mas isso é precisamente o que não faz a economia, ao não levar em conta a finitude dos recursos. O exemplo mais flagrante da estupidez economicista do homo sapiens é o petróleo: em 4 gerações a humanidade consumiu metade do petróleo formado na Terra ao longo de milhões de anos. E, como é óbvio, essa metade era a mais acessível. Logo, o petróleo que resta vai ser muito mais caro de extarir (mais caro, note-se,em termos energéticos, e não de papel-moeda), e quanto mais se extrair mais caro ficará o que sobre, até chegar uma altura em que já não compensará extraí-lo e os poços serão fechados com mt. petróleo ainda por extrair. Procure no google a expressão "Energy return on investment" (EROI) e aprenda.

    Demografia. Em 1800, antes da exploração massiva dos combustíveis fósseis existiam mil milhões de pessoas na terra. Hoje somos 7 vezes mais. Pergunta difícil: Quando se acabar o petróleo e o gás natural, o que é que vai acontecer aos 8 (porque a pop. vai continuar a crescer por mais algum tempo) mil milhões? Como é que a nossa agricultura industrializada e petróleo-dependente (mas tb. dependente do gás natural) vai alimentar 8 mil milhões de pessoas em 2035? E sobre o nível de consumos de água na agro-indústria, sabe alguma coisa? Sabe alguma coisa sobre erosão e esgotamento dos solos, sobre acidificação dos oceanos e dos lençóis freáticos, e todos os outros problemas criados pela agro-indústria?

    Em resumo: Deixe de confundir ecologia com ambientalista reciclista, e não confunda ecossistema com biomassa. Se quer aprender alguma coisa sobre a CIÊNCIA chamada ecologia, e sobre as implicações da biodiversidade no equilíbrio ecológico, e sobre os VERDADEIROS problemas que a espécie sapiens enfrenta, pode começar por aqui:

    "Too Smart for Our Own Good", de Craig Dilworth.

    JMS

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  32. Anónimo23.9.12

    Max,

    A produção de petróleo convencional entrou num planalto em 2004, e de lá não saiu. A produção global de petróleo só tem aumentado porque se começou a explorar petróleo não convencional (shale, etc), cujos custos económicos e ambientais são altíssimos e portanto INSUSTENTÁVEIS a médio prazo. Suponho que saiba isso, não? Claro que sabe.

    JMS

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  33. Este debate parece cada vez mais um dialogo entre surdos.

    Eu pergunto como implementar a Decrescimento, Maria fala da fome no mundo, Olissiponense critica Maria, o Anónimo introduz o assunto ecológico, eu falo das idea da reciclagem/re-utilização e JMS critica o Anónimo...realmente não me parece grande coisa.

    Mas calma, em primeiro lugar calma.

    Comecemos pelo fim.
    JMS, percebo o seu ponto de vista; mas na sua resposta não encontro uma só palavra de auto-critica "ecológica".

    Explico: há na sociedade a ideia de que tudo o que for "ecologia" é bom. Lamento, não é.

    Há uma vertente ecológica que é industrial, você, pelo que percebi, entende de assuntos ecológicos, portanto deve saber isso.

    Há uma vertente política também, que com certeza conhece.

    Agora, misture industria e política e veja o que dá...

    Há, para ré-utilizar as suas palavras, economistas que são pagos para dizer o que os ecologistas querem ouvir.

    Assim como eu não caso um ideal político só porque "assim fazem todos", da mesma forma não aceito uma ideia só porque a maioria das pessoas acha isso "um dever moral". O meu dever é defender os recursos do planeta, ter o máximo respeito pela Natureza, não concordar com uma pessoa só porque exibe o rótulo de "ecologista".

    Também acho ser um dever, ainda mais importante talvez, utilizar a nossa capacidade critica para evitar que em nome da ecologia "à qualquer custo" sejam feitas escolhas que de "ecológico" não têm nada.

    A ecologia é uma ciência, sem dúvida. Mas isso significa que a reciclagem é boa só porque é "ecológica"? JMS, olhe que eu só uma pessoa que separa diligentemente o vidro, o papel e as outras amenidades, apesar de saber perfeitamente para onde vão.
    Neste aspecto, sugiro ler uma investigação da Deco de algumas semanas atrás, com resultados decepcionantes.

    JMS, que fique claro, o que estou à escrever não é nada de pessoal, ora essa: é que quando vejo uma atitude do tipo "Tudo isso é bom" fico de cabelos em pé (a mesma atitude do Anónimo, só no sentido contrário), talvez por achar que a perfeição não seja deste planeta, só isso.

    Carlos Janeiro: o petróleo aumenta de preço só porque o "petróleo fácil" é pouco. Mas isso não significa que o petróleo esteja para acabar. Há o petróleo do xisto, como vimos neste mesmo blog, com custos ambientais elevadíssimo (mas isso não interessa às empresas, se não pelo aspecto do preço final do produto).

    Todavia, o facto do petróleo não estar preste à acabar deveria fazer pensar acerca do tal colapso da nossa sociedade. E aqui voltamos ao Decrescimento.

    (continua)

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  34. Anónimo23.9.12

    Soluções? Soluções não faltam, só que ninguém as deseja, porque o ser humano é genetica e culturalmente programado para querer SEMPRE MAIS. Os americanos são 4% da pop. mundial mas consomem 20% da energia mundial. Quem é que os vai convencer de que esses níveis de consumo não são um direito que lhes assiste? Quem é que está disposto a optar pela frugalidade voluntária? Quem é que está disposto a abandonar a estúpida "rat race" do produtivismo/consumismo escravizante e abdicar dos símbolos de status que o materialismo confere aos idiotas? Entre ter mais dinheiro e ter mais amigos, o que é a maioria dos seres humanos prefere? O que é que nos move, o amor ou o poder? Não é verdade que a maioria das pessoas prefere a sensação de poder? Muitas das pessoas que se dizem anti-capitalistas e anti Bilderberg e anti-NOM, no fundo pensam exactamente como os Rockefellers & Cª. E se atirássemos dum penhasco todos Rockefelers do mundo, não faltariam candidatos à sua sucessão, incluindo muitos que se julgam anti-capitalistas, mas que na verdade são tão materialistas e tão pobres intelectual e espiritualmente como os Rockefellers. (Não estou aqui a acusar ninguém em concreto, estou apenas a generalizar).

    JMS

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  35. (continua)

    (entretanto respondi involuntariamente ao JMS na primeira parte deste comentário)

    Isso significa que o tal Decrescimento pode estar cada vez mais perto, só não nos moldes imaginados. Mais provavelmente teremos uma sociedade com divisões cada vez mais profundas: um Terceiro Mundo cada vez mais pobre, uma faixa intermédia de Países que conseguem (por enquanto e com algumas limitações) a manter um determinado nível de vida (mas serão destinados a tornar-se cada vez mais pobres), um pequeno grupo de Países que têm recursos suficientes para enfrentar os preços em aumento do petróleo (e das outras fontes energéticas).

    Nada de colapso no prazo de poucos anos, mas um lento e constante aumento do fosso entre ricos e pobres.

    E voltemos, mais uma vez, à pergunta que tinha deixado no post: Decrescimento? Sim, boa ideia: alguém pode explicar "como"?

    Mais uma vez agradeço todos pela participação: às vezes há "confrontos" acerca de determinados assuntos, mas é só com o debate que podemos esclarecer as nossas ideias :)

    Grande abraço para todos!

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  36. Anónimo23.9.12

    "há economistas que são pagos para dizer o que os ecologistas querem ouvir"

    Sim, sim, o poderosíssimo lóbi da indústria ecologista. Será economicamente mais poderoso do que o da indústria petrolífera ou agro-alimentar? Hummm... Assim de repente não me estou a lembrar de nenhuma "empresa" ecologista no ranking da Fortune... Quem é que gerará mais receita, a Greenpeace ou a Monsanto? Hummm....

    Quem se pôs a confundir ambientalismo com reciclagem foi o anónimo. Para mim o ambientalismo está MUITO LONGE de se cingir apenas à reciclagem, e confundi-lo com ecologia ainda mais grave é. A reciclagem tem um valor mais simbólico, ou melhor, pedagógico, do que real. Eu reciclo tudo, mas nem sequer tenho a certeza de que as empresas de reciclagem não atirem com o lixo indiferenciadamente para um aterro. Afinal de contas estamos em Portugal, um país de faz-de-conta, e eu sei bem que a reciclagem é um negócio, tal como o ambientalismo tambem se tornou um negócio, e que há muitas empresas que se aproveitam da imagem "verde" para vender produtos que de verde não têm nada. Mas isso não invalida que o ambientalismo seja importante, e muito menos invalida os factos da biologia. Mas isso você sabe tão bem como eu.

    JMS

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  37. Anónimo23.9.12

    JMS,
    entendi seu ponto de vista e o agradeço. Pois opiniões divergentes são necessárias, visões opostas também, o mais importante de tudo é manter um equilíbrio, já que nada é perfeito, vos digo, o equilíbrio é e sempre será o melhor caminho, sem exageros para nenhum dos lados.

    É bom que existam defensores do meio ambiente e da natureza como você, é essencial mesmo, assim como é essencial que existam defensores das condições e padrões de vida melhores para a sociedade humana.

    abraço!

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  38. Um post de Brandon Smith precisamente sobre o problema das Soluções, no qual se pode ler:

    The conditions today are ripe for disaster as well as dictatorship.

    The bottom line is that there is little time left for top-down political fairytale dreams, and little utility left in standard street actions. The real solutions require blood, sweat, and tears, starting with a method I have discussed for quite some time: Decentralization.

    In order for a Collectivist system to prevail, its controllers MUST convince the masses that people need the system to survive. Elitists deliberately deny or forcefully remove options and choices from the public view, until we are led to believe that there is only one way to live. Only one way to subsist. Only one path to security. Collectivists must condition the populace to believe that the machine is indispensible to their prosperity, even if that same machine is actually bringing about their downfall.

    Decentralization is essentially any action which removes you from dependence on the establishment. Meaning, Americans must fight back by first being able to provide for themselves the necessities of economy and of life. Any counter-movement to tyranny that thinks it can combat the system while being completely dependent on the system is wholeheartedly fooling itself.

    ....

    People who promote globalism unknowingly (useful idiots) are often dumbstruck by the idea that anyone would actually want to walk away from the collective entirely. They have so embraced their servitude to the con of the “greater good” that they are incapable of imagining any other alternatives. They therefore see any person who separates from the hive in any way as an immediately outlandish threat; an “isolationist”, which is just another term for “selfish hoarder”.

    One can form or be a part of a community that does not require him to cast aside his individualism or sovereignty. “Community” does NOT necessarily denote “communism” as long as it respects the pursuit of independence by its members. There is such a thing as voluntary compassion, charity, mutual aid, and industry. Societies have in the past functioned quite well without overt government administration and mandatory participation. The suggestion that mankind cannot survive without being told how by some faceless bureaucracy is absurd, not to mention historically inaccurate.

    Decentralization and voluntary community go hand in hand. In order to defeat a collectivist system which seeks to dissolve individual liberties and focus social power, we must build communities outside of the mainstream that foster individual liberty and disperse social power. This begins with personal sustainability, or what some of us call "prepping". Each and every Liberty Movement proponent can and should distance himself from the globalist construct. This takes time, and planning. It requires us to learn useful skills, to produce many of our own goods, and to eventually form legitimate face-to-face networks which localize businesses and services.

    International corporate chains and banks siphon wealth away from communities in exchange for a limited number of low-wage service sector jobs. This trade is highly uneven. These entities will continue to hold sway over our towns and cities as long as we continue to give them all our business. Our first goal, then, should be to remove them from the picture. By forming our own markets, whether through barter or through alternative currencies (as long as those currencies are backed by something tangible), Americans can break the false paradigm of the consumerist cycle, and support themselves and each other while keeping wealth steadily flowing within a region.

    Etc.

    Para ler o texto completo: http://www.alt-market.com/articles/1050-decentralize-or-die

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  39. Anónimo23.9.12

    Max,

    O futuro será necessariamente mais pobre do que o passado. A riqueza para todos é um sonho bonito, mas fisicamente impossível. Como muito bem diz o Carlos Janeiro, é impensável que 7 mil milhões de pessoas vivam o american way of life. Precisaríamos não de 1,5 planetas Terra, como actualmente, mas de uns 15! Portanto, decrescimento obrigatório.
    A questão é como geri-lo. Igualitária e democraticamente, ou em pé de guerra?


    As potências militares imperialistas, sobretudo os EUA, vão tentar apoderar-se do máximo que puderem, enquanto puderem (ou seja, até deixarem de ter petróleo barato para manter o império). Quem mais vai empobrecer são os países sem petróleo nem gás natural. Inversamente, quem se vai safar melhor são países com recursos energéticos abundantes (ou seja, que possam produzir pelo menos para consumo interno).
    A riqueza de papel é uma ilusão. Os países são ricos ou pobre conforme a energia de que disponham (ou que possam dispensar). O petróleo caro só é bom para a economias de um país que seja um exportador líquido. Para todas as outras é mau e provoca sempre recessão. Países que hoje são exportadores, como Angola, Brasil, etc, deixam de o ser (tal como aconteceu com a China) quando o mercado interno cresce e absorve mais petróleo para consumo interno, logo, deixa de de pôr o seu petróleo no mercado. E que adianta um país ter muito papel-moeda, se ninguém estiver disposto a trocar papeluchos por petróleo?

    JMS

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  40. Anónimo23.9.12

    Sobre a "racionalidade" do crescimento:

    "Here we see someone like Energy Secretary Stephan Chu, a Nobel physicist, still playing as if technology (like clean coal) will win the day and we can get the economy going again. Economic growth is physically impossible and somewhere in that man's mind he has to grasp that. Real economic growth depends on increasingly turning physical resources into assets that humans use (and use up). It depends on increasingly available energy to do useful work. It is NOT increasingly printing money just to say we have liquidity! In my mind that fellow is guilty of criminal deceit in not declaring the physical truth.

    [...]
    They are not scientists and they are not sensitive to counter evidence to their positions until such evidence becomes overwhelming and obvious to all observers. And that is exactly what is going to happen in the not-too-distant future when regional economies fall right and left as the global economy falters and eventually fails. But then, of course, it is too late to do anything meaningful about it.

    Both parties, the ideologues in both camps, the neoclassical economists stubbornly asserting their model of how the world works, all hold to the idea that growth means a healthy economy. A healthy economy creates jobs and lets everyone consume to their hearts' contents. Consumption means demand. Demand drives the economy to grow. THIS HAS GOT TO BE THE ABSOLUTELY STUPIDEST MODEL THAT EVER EXISTED! There is no rational way on Earth that anyone can justify this notion of infinite growth.

    George Mobus, no blogue "Question Everyhting"


    JMS

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  41. Anónimo23.9.12

    A Teoria do Decrescimento tem servido como modelo de inspiração para um modo de vida diferente, normalmente designado por Simplicidade Voluntária.

    A Simplicidade Voluntária como referi acima, tem vindo a ganhar cada vez mais adeptos.

    Parece-me que a adopção de um modelo de vida mais simples pode nas circunstância actuais, representar a solução para muita gente que se encontra em vias de um decrescimento forçado, saturada dos constrangimentos do seu dia-a-dia ou que por qualquer motivo pretenda alterar as suas prioridades.

    É comum ver em tempos de crises graves, pessoas dadoptarem soluções
    que vão desde o aumento do consumo de alcool e anti-depressivos até, em casos mais extremos, o suicidio.

    A Simplicidade Voluntária, na maioria dos casos, representa um salto qualitativo muito grande. É este o aspecto que me interessa debater no âmbito da ideia do Decrescimento.

    Simplicidade Voluntária, encerra em si dois conceitos que me agradam em contraponto com a ideia de Crescimento Sustentável cujos conceitos, em minha opinião, são contraditórios.

    A Simplicidade Voluntária implica entre muitas coisas as seguintes:

    - Viver num meio rural e possuir terra para que parte das suas necessidades de alimentação fiquem satisfeitas. Produzir os seus próprios alimentos de forma saudável.

    - Reduzir ao máximo as suas dependências, tanto do ponto de vista pessoal como com do sistema, através auto-sufuciência de agua e energia, etc. etc.
    (para evitar dar sugestões do tipo 'subversivo', não detalhei muito este ponto, apesar de ser o mais interessante de discutir)

    - Refazer conceitos como 'Tempo' 'Distância', 'Necessidade', 'Obsolescência' e 'Reutilização'. Ou seja desfazer mentalmente todo o trabalho que as empresas de marketing e publicidade fizeram estes anos todos

    - Manter sempre alguma forma de rendimento que suporte as suas necessidades presentes e futuras

    No fundo, será o que há 40 ou 50 anos se passava nas nossas aldeias, mas com as necessárias adaptações aos tempos actuais.

    Krowler

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  42. Max
    Eu não disse que o petróleo iria acabar, e posso dize-lo com a certeza absoluta, os humanos NUNCA irão acabar com o petróleo, ou gás natural ou Carvão, os combustíveis fosseis só irão acabar quando o planeta acabar.

    O Canada e Venezuela tem petróleo para mais de 200 anos, mas qual o custo de extrair o petróleo desses locais, esqueçamos o custo ambiental e monetário, custo energética apenas.

    È preciso investir 1unidade de energia para um retorno de 4 ou 5, o petróleo da arábia saudita é preciso investir 1 unidade de energia para extrair 100. A isto chama-se Eroei o JMS já falou nisso.

    Se quisermos alimentar uma sociedade com 100 milhões de barril por dia com petróleo areias, temos que produzir 130 milhões, os outros 30 são para alimentar a exploração.

    A sociedade medieval tinha um Eroei de 3-1, alguém acha que se consegue manter uma sociedade tão complexa como a nossa numa escala de retorno energética de 4-1 ou 5-1? Claro que vai haver cortes no nível de vida, desta pequena parte da população dos ditos países desenvolvidos, que talvez nem chegue a ser 20% da população total do planeta.Ainda para mais com o emergir dos países em desenvolvimento.

    Se alguém quer acreditar que isto é um plano da NWO, por mim é me indiferente, não me venham é com a conversa de que temos que lutar por os nosso direitos de termos um IPAD novo todos os anos, ou ter um plasma de 30 polegadas em cada divisão da casa, mudarmos de carro de 2 em 2 anos, termos 3 ou 4 casas entre muitas outras coisas.

    Defender os nossos direitos de consumir desenfreadamente, para ir contra a Elite, isso é uma teoria muito rebuscada e tola.

    Eu imagino o que uma daqueles banqueiros das familias sofre ao saber que um plebeu tem a casa cheia de plasmas, e a garagem com 3 ou 4 carros, enfim.

    Em vez de perdermos tempo a defendermos o consumo desenfreado, devíamos concentrar em defender outras coisas muito mais importantes, outro tipos de valores que nos fazem muito mais falta na passagem por este planeta.

    Saudações


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  43. O debate vai muito bem, mas, em casa onde e quando os Eus se supõem em paz espiritual e não há pão, não é bom nos perguntarmos por que todos falam e ninguém tem razão? Espero estar contribuindo ao debate. Sinto muito, sou grato.

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  44. maria23.9.12

    Olá Krowler e Carlos janeiro: concordo com vocês, e por sinal,é o que venho dizendo quando narro minha experiência com Terra Âncora. No entanto creio que não é necessário ir para o campo para atingir os objetivos do que o Krowler chama de simplicidade voluntária e eu chamo de desenvolvimento qualitativo. Trata-se de implementar iniciativas importantes como diminuir o uso de bancos e seus instrumentos tais como cartões, cheques, investimentos em ações, preferir as cooperativas de crédito, desfazer-se da ideia de moda vinculada a sentir-se bem. E aí não se trata apenas de moda na roupa, mas nos utensílios, na casa, no carro. Tenho conforto, vivo bem, cerco-me do que me é útil e agradável, e não do que me dizem que me deixa mais bonita, desfrutando de mais status ou mais feliz. Me parece que o uso do tempo, do qual já falei aqui é importantíssimo: mais vale tu trabalhares menos, ganhares menos, e ser dono do teu tempo para agilizar coisas que te dizem respeito,como a confecção de uma comida mais saudável, por exemplo, ou tratamento da saúde que não se restringe aos ditames ocidentais, mas requer tempo e paciência. Acabas ganhando muito mais em qualidade de vida, e só serás pobre na compreensão estreita dos consumistas compulsórios. Perceber o que realmente te é importante e te faz feliz, independente do que te fazem crer que é importante e te faz feliz. Mas para isso é preciso livrar-se de preconceitos, de costumes arraigados, de atavismos, de uma moral reacionária, de uma compreensão da vida como consumo, desperdício e representação. É necessário querer se re-inventar, e isso depende de cada um. Abraços

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  45. Anónimo23.9.12

    Há muita gente em busca de alternativas e soluções. Pessoas que já deixaram de acreditar no sistema e nos políticos, pessoas cujo projecto é simplesmente saltar fora do comboio-bala do capitalismo, antes que ele chegue ao despenhadeiro.
    A simplicidade voluntária de que fala o Krowler implica também cortar ao máximo com toda a dependência de um sistema intrinsecamente corrupto e irreformável. A solução mais radical é a do comunitarismo auto-suficiente, à maneira da vida aldeã que em Portugal existiu até aos anos 70. Mas não será propriamente um regresso à Idade Média, porque hoje temos conhecimentos téncnicos que os medievais não tinham, e que nos permitem obter mais com muito menos trabalho. Quem quiser saber mais sobre estes assuntos, procure termos como permacultura, "forest gardening" ou "transition towns".

    Quem quer usufruir das benesses consumistas da sociedade industrial tem de abdicar da sua liberdade, tem de se vender num mercado de trabalho em declínio e cada vez pior pago. Quem prefere a liberdade, só tem uma opção. Em teoria, a escolha é fácil de fazer.
    Na prática, não é tão fácil assim, porque fazer a transição para a auto-suficência exige que tenhamos alguma terra, conhecimentos sobre técnicas alternativas de produção alimentar e energética e (de preferência) que estejamos inseridos numa comunidade (rural ou urbana) de pessoas que partilhem minimamente os nossos pontos de vista.

    JMS

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  46. Anónimo23.9.12

    OLá, Carlos Janeiro

    Duvido que o EROI do petróleo saudita seja, actualmente, de 1/100. É sem dúvida muito mais baixo do que o do petróleo venezuelano ou angolano, já para não falar do das areiuas betuminosas. Mas 1/100, suponho, só é possível com petróleo quase à superfície. E os sauditas já não têm petróleo à superfície, daquele em que basta espetar uma picareta na terra (na areia, no caso deles) para o ouro negro saír em borbotões.

    Cumprimentos,
    JMS

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  47. maria23.9.12

    Olá Max: como tu para comigo, raramente discordo de ti. Mas não creio que estejamos fazendo uma conversa de surdos. O furo seria mais embaixo, como se diz popularmente. Criastes um ambiente em ii, onde os leitores/comentaristas estão afinados com ideologias diferentes, e isso é muito bom, mas está sujeito a arranhões. Observa; Oligoponense se irrita com meus arroubos (insólitos, pouco divulgados, mas em bases reais e progressistas), mas não se irrita com pérolas do pensamento reacionário deitadas aqui extensivamente.JMS se irrita com o anônimo que , na maior parte das vezes copia fragmentos de ativistas de direita, ligados a igreja católica (coisa que também me irrita)e chama tais desatinos de asneiras. Lamentavelmente não são apenas asneiras. Faz parte de uma estratégia insidiosa de discurso que joga como tema fundamental coisas interessantes a serem discutidas tais como, neste caso recente a reciclagem, joga posições bastante críveis, para logo após fundamentá-las nos princípios mais reacionários possíveis, amparados numa moral católica superada, nos chamados bons costumes e num apoio irrestrito ao capitalismo selvagem. É claro que esta estrutura de discurso causa calafrios nos menos autoritários, e pessoalmente não respondo, ou as vezes até já tentei contemporizar porque os discursos são longos o suficiente para ficares em dúvida se separas parte por parte e desmontas, ou simplesmente deixas como está. Tenho me conduzido por ignorar e tentar ser afirmativa nos meus pitacos, porque em respeito a ti Max, e aos demais colegas comentaristas, me parece ser esta a orientação que imprimes a ii, para que diferentes posições tentem uma discussão civilizada. Abraços

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  48. maria23.9.12

    olá Max:"Ecologicamente, o problema não é o lixo, é a PRODUÇÃO, ou seja, o consumo exponencial de recursos FINITOS para produzir gadgets idiotas." Essa fala do JMS me parece um bom começo para começar a discutir as relações da ecologia com o decrescimento. Abraços

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  49. JMS
    Foi um lapso meu, não referi esse eroei foi na altura da abertura dos poços de petróleo. A informação que encontrei para o actual foi de 76:1 para o Ghawar o maior poço do mundo e o que tem o eroei mais favorável, em média para o petróleo da arábia deve ser menor pois eles recentemente abriram plataformas offshore que vão baixar em muito a média.

    Saudações

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  50. Anónimo23.9.12

    maria, há uns anos atrás fiz a opção de ir viver para uma zona rural, apesar de próxima de Lisboa.

    Comparando as circunstâncias anteriores e actuais, devo dizer que o facto de se cortar com os bancos etc, etc. por sí só não é suficiente. Quem vive na cidade está condicionado em tudo ao conteúdo que tem na carteira. Sem dinheiro consegue fazer quase nada. Está numa situação de dependência total.

    Por outro lado, numa zona rural, sem implicar o desterro, outras possibilidades são abertas.
    Falo de ocupação de tempos livres e convivio saudável, hobbies ao ar livre como jardinagem, agricultura, passear com os cães no mato, e por aí fora.

    Mas é sempre bom nestes casos ouvir opiniões diferentes. Temos sempre a aprender com elas.

    abraço
    Krowler



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  51. Olá pessoal!

    Provavelmente Maria tem razão: a diversidade de pontos de vista é a riqueza do blog. E paciência se, por vezes, as conversas parecem envergar por trilhos mais pontiagudos, um dos problemas da internet "escrita" é que cada um tem que interpretar as palavras sozinho, sem o suporte da expressões. Isso cria problemas.

    Mas queria deixar claro que, como já afirmado, gosto de ler opiniões contrárias às minhas (e por isso agradeço todos, mais uma vez) e que, em qualquer caso, o respeito reciproco tem que constituir a base de qualquer dialogo.

    Além disso, o facto de ler opiniões diferentes, reforça a ideia de que as minhas ideias são as melhores :)))

    Agora, à serio.
    Esta sociedade "decrescida" tem alguns pontos firmes (não muitos) mas muito nevoeiro.
    Tenho a impressão que muitas vezes o Decrescimento seja interpretado como forma extrema de "Comunismo", apoiado por pessoas de Esquerda, isso apesar do Marxismo recusar a hipótese do Decrescimento.

    Digo isso porque este pode constituir um grande entrave à difusão da ideia: na altura em que os dogmas políticos conseguem ocupar espaços de discussão, a discussão morre. Observei isso nos muitos blogues e páginas internet que consultei nestes dois-três dias.

    Mesmo Maria introduz conceitos como "progressista", "Direita". E aqui, para mim, o debate perde logo importância. É como entrar num estádio e observar os adeptos das duas equipas: não tem interesse.

    Observo também que ainda ninguém respondeu às perguntas do artigo (não considero o artigo sugerido por JMS, que será publicado amanhã). Fala-se de "consumo excessivo, de supérfluo. O que é o supérfluo? Alguém pode sair do genérico e apontar exemplos concretos?

    Um telemóvel é supérfluo? Não digo um iPad ou um iPhone, acho que acerca destes todos podemos estar de acordo. Falo dum simples telefone, um meio de comunicação. E todos sabemos quanto importante seja a comunicação em todas as sociedades humanas, presentes ou passadas.

    Vida rural? Eu fiz uma escolha antes de vir para Portugal: deixei a minha cidade (Genova, 800.000 habitantes) para uma aldeia do interior, 2.500 almas, no meio dos bosques. Satisfeito? Sim, muito. Mas até num período mais escuro da nossa História (a Idade Média) as cidades continuaram a existir. E com razão, porque socializar é uma das características da nossa espécie.

    Entre os vários projectos (demasiados) que tenho, há um livro acerca da pré-história da zona onde moro agora. Consultei documentos, visitei sítios arqueológicos, museus, falei com especialistas locais, via internet com os de outras zonas. E a conclusão é que mesmo numa altura em que o Homem realmente não tinha nada a não ser a própria terra, uma cabana e a própria tribo, havia viagens, trocas, ideias que percorriam o mundo. E havia o supérfluo também. Há panelas dos Marrocos nesta zona, numa altura em que nem estradas existiam.

    Isso para dizer que o Decrescimehto cada vez mais parece-me uma cruzada contra o nosso actual estilo de vida. Eu concordo com boa parte desta crítica, não há dúvida: mas até onde vai a cruzada ideológica e onde começa a utopia que não tem contactos com a realidade da nossa espécie?

    Temos a certeza de que o Decrescimento não seja algo contrário ao nosso código genético? Mas realmente alguém imagina que o Homem possa enterrar, assim, de repente, a própria intrínseca curiosidade e sede de saber, limitando a existência nos horizontes duma aldeia?

    (continua)

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  52. (continuação)

    É claro, aqui não falo de ideias quais uma melhor redistribuição dos recursos por exemplo, maior equidades, mais respeito pela Natureza, crescimento sustentável e mais ainda, acho serem estes conceitos acerca dos quais pode haver um amplo consenso.

    Falo mesmo da ideia segundo a qual os Homens estariam dispostos a aceitar uma vida tão limitada. E mesmo que aceitassem: ao longo de quanto tempo?

    Eu tenho cada vez mais uma ideia cíclica das sociedade. Então para mim o Decrescimento não é o objectivo final, mais parece uma fase que o Homem terá de enfrentar, por óbvias razões, mas da qual irá sair. Tal como aconteceu com a Idade Média.

    E, repito, dado ser altamente improvável conseguir convence todos e previamente acerca da absoluta necessidade do Decrescimento, acho que este será uma fase com um forte desequilíbrio e episódios de violência.

    Fala.se da tecnologia que poderia ajudar os Homens Decrescimentados a não voltar atrás, para uma verdadeira Idade das Trevas. E aqui fico assustado porque, mais uma vez, a utopia apaga uma outra realidade: o Homem sempre conseguiu utilizar a tecnologia de forma positiva e negativas, como esquecer isso?

    E porque esta mesma tecnologia não poderia permitir a existência dum grupo de homens que não tenciona viver no Decrescimento e desfruta a tal tecnologia para conservar a supremacia?

    Não estou a falar de NWO ou coisas assim, não é isso que interessa agora. Mas, como lembrou e bem Carlos Janeiro, somos 7 biliões: todos pró-Decrescimento? Duvido muito.

    Mais uma vez: então? Qual a solução proposta? Eu continuo a fazer perguntas, mas as repostas não chegam.

    Vamos viver no meio rural? E vamos. Vamos abdicar do supérfluo? E vamos. Vamos viver em pequenas comunidades auto-suficientes? E vamos.

    É isso? Não estamos a esquecer alguma coisa? Querem convencer 7 biliões de pessoas a viver no campo de forma auto-suficiente? Ou acham que, pelo facto do Decrescimento ser uma coisa que em qualquer caso terá de ser enfrentada, isso fará surgir uma sociedade melhor? Mas a História não ensina mesmo nada?

    Grande abraço para todos!

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  53. maria23.9.12

    Olá Krowler: a opção que fizestes, eu também fiz. E as vantagens que encontrastes, também encontrei. Acho mesmo que as relações entre as pessoas em lugares pequenos tendem a aprofundar-se.No meu caso a tranquilidade me deu oportunidade de aprender mais, tanto em contato com o que está próximo, como o tempo necessário para desfrutar de leituras que antes não tinha tempo para fazer.E imagina que é a partir daqui que consigo planejar um novo ciclo de vida, que inclui novas viagens, mas não condicionadas pelas situações que me fizeram andar por aí.Acho que o contato com gentes do mundo é primordial, mas mais é o lugar onde constróis uma base, mesmo que não dure a vida toda. Por sinal nunca me vi a vida toda numa única base. "Navegar é preciso!". Abraços

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  54. maria23.9.12

    Olá Max:"Além disso, o facto de ler opiniões diferentes, reforça a ideia de que as minhas ideias são as melhores :)))". Ninguém como o Max para fazer a gente sorrir!
    "Mesmo Maria introduz conceitos como "progressista", "Direita"". Certo, tens toda razão. Eu me esforço, mas ainda não consegui substituir de todo os elementos conceituais, do rótulo a eles atribuído. Eu chego lá, vais ver!
    Olha Max, pode ser que me engane mas nunca vamos conseguir um modelo que funcione, propiciando uma vida melhor para as maiorias massacradas. De forma que eu me confesso incapaz de responder a tua pergunta nos moldes que desejarias obter uma resposta. Quando dou minhas sugestões, estou consciente de ser um paliativo, uma forma menos pior de encarar individual, grupal ou nacionalmente os piores momentos que acredito que estejam por vir. Abraços

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  55. Para mim, a diferença entre esquerda e direita faz cada vez menos sentido, porque tantos os ideólogos de esquerda como os de direita tendem a ignorar a realidade biofísica que subjaz à nossa economia. Ambos são vendedores de falsas promessas. Admito que os de esquerda sejam mais bem intencionados do que os de direita (que apenas querem defender os interesses da minoria globalista corporativa), mas são tão cegos como estes. É por isso que já deixei há muito de dar ouvidos aos papgaios de esquerda (aos de direita nunca liguei nenhuma).

    Também eu me mudei para uma aldeia há meia dúzia de anos, numa altura em que nem sequer tinha perfeita consciência dos problemas que o futuro nos reserva. Na altura, foi apenas uma maneira de poder trabalhar menos horas por dia e aproveitar melhor o meu tempo, deixar de ser escravo do sistema. Essa mudança permitiu-me viver com menos dinheiro, e isso para mim significa liberdade. Hoje percebo que foi uma decisão ainda mais sensata do que eu imaginava.

    JMS

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  56. Anónimo23.9.12

    Com este, já vamos em 54 comentários e o Max ainda não encontrou as respostas que tanto deseja. Provavelmente nem irá encontrar, tal como eu. Existirá sempre o tal 'bug' e as coisas sguirão o seu curso normal. Daí o meu interesse em analisar as coisas do ponto de vista individual e não do colectivo.

    O JMS neste seu ultimo comentário resume aquilo que eu tenho como objectivo. Apesar de eu já ter feito parte do percurso falta-me a mais dificl, terminar com algumas dependências.

    É claro que o objectivo não será voltar à idade média nem nada parecido, mas somente fazer uma deslocação mais para o lado da auto-sufuciência e da independência.
    O telemovel sempre será necessário, negar isso seria negar a realidade.
    Mas posso projectar um vida sem cartões de crédito, sem confusão, sem coca-cola ou leite com cálcio, sem bifdus activos nos iogurtes e sem ipad, sem ter que fazer todos os dias o mesmo percurso para ir trabalhar e esperar pacientemente a reforma, se nessa altura ainda existir. Posso dispensar os anti-depressivos e os reality shows. Posso dispensar muita coisa, o que aliás já faço.

    Isto nada tem de politico, até porque já não contribuo para esse peditório há muito tempo. Decrescer tambem nada tem de ideológico, pelo menos na minha perspectiva. Tem sim a ver com uma opção que vai contra a corrente dominante em que temos de viver subjugados ao consumo para sustentar a nossa sociedade.

    No II, num post anterior, referiu-se que 70% dos bens produzidos são supérfulos. Estou convencido que conseguirei viver sem a maior parte deles, ou melhor, trocá-los por coisas bem mais interessantes. Em todo o caso alguns irei sempre comprar. Tambem tenho as minhas frequezas e desejos.

    Quanto ao meio em que melhor nos iremos enquadrar para atingir esses objectivos, será sempre uma escolha pessoal. A minha experiência infantil em meios rurais puxam-me mais para esse lado.

    abraço
    Krowler

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  57. Rita M.23.9.12

    "Um telemóvel é supérfluo? Não digo um iPad ou um iPhone, acho que acerca destes todos podemos estar de acordo. Falo dum simples telefone, um meio de comunicação. E todos sabemos quanto importante seja a comunicação em todas as sociedades humanas, presentes ou passadas."

    Pois, mas não ;)
    Para mim são como o chapéu de chuva, dependem da utilidade que lhes damos.

    Há quem não consiga comunicar através da fala, por exemplo, depois de um avc, um acidente, uma paralisia, uma doença degenerativa...

    Nesse cenário, ipad/iphone ou algo que surja semelhante noutra marca qualquer, assumem uma utilidade totalmente diferente se se recorrer a software adequado.

    Dependendo das necessidades e capacidades da pessoa, como é óbvio, estão a revelar-se até uma alternativa mais barata e/ou com mais funcionalidades do que recursos que já existem...

    Sim, ipad's e iphone's não foram garantidamente produzidos com essa intenção, o certo é que podem ser utilizados dessa forma e melhorar a qualidade de vida de muita gente.

    "É isso? Não estamos a esquecer alguma coisa? Querem convencer 7 biliões de pessoas a viver no campo de forma auto-suficiente? Ou acham que, pelo facto do Decrescimento ser uma coisa que em qualquer caso terá de ser enfrentada, isso fará surgir uma sociedade melhor? Mas a História não ensina mesmo nada?"

    Bom, lamentavelmente a História mostra que o potencial de as coisas correrem mal para muita gente é grande.

    Por aqui concordo com a ideia da evolução cíclica e espero um dia fazer o mesmo que alguns de vocês já fizeram e sair da "cidade grande".

    Abraço
    Rita M.

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  58. Caros Max, Maria, Krowler e demais amigos.
    Como alguns já sabem; parto do princípio de que sendo O SISTEMA PSICOPÁTICO, ESCRAVAGISTA, ALIENÍGENA, INUMANO E ANTROPOFÁGICO, e que por isto mesmo nunca desligaremos nossos detectores de mentiras pois, ninguém virá nos salvar... Demorei enxergar. Adotei, por isto, o comportamento de estar fora da "manada" sem condena-la por optar aceitar (inconsciente de seus poderes verdadeiramente amorosos/criativos) o determinismo ditado pelos dominadores. Afirmo ser isto possível, e sem violência.

    As guerras por exemplo; são sempre contra a humanidade, são um "mero" FATOR no jogo de escravização e lucros permanentes de uma elite que jamais pega em arma ou vai à guerras. Um JOGO de espetacular GRANDE NEGÓCIO. Um jogo "divertido" entre psicopáticas reptilianas coroas do qual tomamos parte ativa sem o saber conscientemente. Mandam ir às guerras, e sustenta-las "em tempo de paz" (eufemismo para trégua entre eles), sob acusação de, por traição condenar às torturas até a morte qualquer "desertor" deste imenso e milenar "tabuleiro de xadrez". A lúdica humanidade está numa prisão. O terrorista medo de tudo, a Guantânamo planetária.

    Tudo para a elite, historicamente, transformou-se nesse luciferino jogo macabro que os diverte enquanto nos oprimem, abusam, adoecem, torturam e matam. O JOGO existe, persiste e é lucrativo porque nós, apavorados, concordamos aceitar e colaborar com a imposta escassez planejada DE TUDO pelos amorais banqueiros que financiam a mesma elite que os comanda enquanto nos desgoverna. Outra vez, crenças e escolhas nos computadorizados ditames das casas grandes que nos senzalam.

    As religiões são um outro exemplo "chip" dentro dos processos escravistas contra toda forma de "espiritualidade" e ou, a negação dela. Espiritualidade é o conceito que embute, em verdade e semântica, o nosso ativo poder criador no ressonante infinito orgônico campo quantico de amor incondicional, fonte inesgotável criadora de infinitas possibilidades para o nosso bem e o bem de todos universalmente, ao qual se convencionou chamar de Deus, e do qual somos parte integrante. A amorosa cósmica teia eterna e infinita. Mas, para compreendermos isto, foi preciso fazer muito silêncio. Silêncio interior que começou quando desliguei a tal de televisão. Já experimentaram ficar sem televisão por uma semana? Um mês? Decrescimento? A televisão hipnotiza e aprisiona, adoece e mata na burrice o "cidadão". É arma de controle e extermínio em massa. É uma espécie de HAARP do desamor, arma que ninguém vê, mas, entrona em sua sala de alimentar-se e não sente os efeitos devastadores. Permanentes abomináveis "Chemtrails" de condutas imorais e amorais direto dentro dos "lares doces lares" ou dos pratos de comida. Lixo manipulador genocida servido com luxo.

    Nem todos concordarão comigo. Que fazer... Crenças e escolhas necessariamente conscientes. Neste campo ressonante ninguém substitui ninguém, cada um de nós é necessário e insubstituível. Nós não organizamos as idéias, as idéias é que nos organizam. Crenças e escolhas ressonantes determinando (ou não) nosso processo contínuo de limpeza de memórias e programas escravagistas que nos tiram da conexão amorosa com a paz do agora infinito. A humanidade está à disposição da elite e a recíproca não é verdadeira. Dentro do generalizado caos imposto audio visualmente pela elite escravista é impossível encontrar as soluções que desejamos para salvação de nossa humanidade. Decrescimento, ou crescimento interior? O jogo de escolhas segue...
    Sinto muito, sou grato por poder publicar o pensar estar contribuindo ao debate.

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  59. Max,

    Não se preocupe com aqueles que não têm interesse em participar de um decrescimento ou acrescimento. Para estes, e para todos os demais, não haverá escolha. O totalitarismo da mãe natureza não permitirá escolhas. Agora, teremos ainda umas boas dezenas de anos para esculhambar de vez com o planeta, pois temos os leitos dos oceanos, ambos os pólos para nosso deleite consumista. Se de todo a coisa se exaurir, poderemos enviar cargueiros intergaláticos para, existindo outras vidas, mostrarmos à estes nossa capacidade extrativista destrutiva. Creio que será este (acabei de matar uma formiga sobre o teclado, não condiz com tua atitude em relação ao mosquito) o mais aguardado dos avanços tecnológicos pelas futuras gerações. Eu sempre me bati em relação a necessidade que nossa sociedade tem por crescimentos absurdos do PIB. Talvez seja o único ponto de convergência entre patrões e trabalhadores. Todos querem o crescimento. Não tenho a pretensão de teorizar sobre como poderia nossa sociedade abrir mão do crescimento, na verdade não me sinto qualificado pra isso. Mas salvo se criarem o extrativismo nas estrelas e os cargueiros intergaláticos, não teremos num futuro, qualquer outra escolha e o debate já ão se fará necessário.

    Abraços.

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  60. Anónimo23.9.12

    O capitalismo é única forma de todos nós podermos optar pelo decrescimento. Eu digo sim – “optar”, pois assim não se torna uma obrigação, quem quiser que se adapte a isso, sem impor a outras pessoas. E não podemos esquecer que foi graças ao “temido” crescimento que cada um de nós possuímos 1 computador e um telemóvel, do contrário, se fossemos pelo lado do decrescimento não teríamos nada disso hoje em dia, agradeçam a grande indústria por poderem comprar e adquirir o que bem entenderem e o que precisarem, tem gente que precisa de computador, outros não, alguns precisam de telefone, outros não, hoje em dia já temos até GPS para nos ajudar caso estamos perdidos, isso graças ao crescimento tecnológico. Se não tivesse havido o crescimento tecnológico e industrial para acompanhar o crescimento da população, não poderíamos viajar adequadamente de avião ou não poderíamos por exemplo, ter o conforto que temos hoje em dia. E porque criticam tanto o capitalismo? Vocês podem muito bem viver com menos, praticar o decrescimento e mudar seu estilo de vida, ninguém vai impedi-los, ao contrário de um regime comunista, que impõe normas severas de consumo, impõe severamente e obrigatoriamente, e coitado de quem for contra, não há espaço pra os que criticarem o regime revolucionário.

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  61. Anónimo23.9.12

    O capitalismo é única forma de todos nós podermos optar pelo decrescimento. Eu digo sim – “optar”, pois assim não se torna uma obrigação, quem quiser que se adapte a isso, sem impor a outras pessoas. E não podemos esquecer que foi graças ao “temido” crescimento que cada um de nós possuímos 1 computador e um telemóvel, do contrário, se fossemos pelo lado do decrescimento não teríamos nada disso hoje em dia, agradeçam a grande indústria por poderem comprar e adquirir o que bem entenderem e o que precisarem, tem gente que precisa de computador, outros não, alguns precisam de telefone, outros não, hoje em dia já temos até GPS para nos ajudar caso estamos perdidos, isso graças ao crescimento tecnológico. Se não tivesse havido o crescimento tecnológico e industrial para acompanhar o crescimento da população, não poderíamos viajar adequadamente de avião ou não poderíamos por exemplo, ter o conforto que temos hoje em dia. E porque criticam tanto o capitalismo? Vocês podem muito bem viver com menos, praticar o decrescimento e mudar seu estilo de vida, ninguém vai impedi-los, ao contrário de um regime comunista, que impõe normas severas de consumo, impõe severamente e obrigatoriamente, e coitado de quem for contra, não há espaço pra os que criticarem o regime revolucionário.

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  62. Não sei quantos anos teremos o sol sobre nossas cabeças, mas me parece um pouco demais achar que temos que aumentar exponencialmente nosso nível de consumismo para encontrarmos uma saída patrocinada por uma espécie de crescimento avassalador no caso de algum globalista se julgar dono da Héliobras, ou Eurohélio, ou US-hélio. Aliás, pensando bem, vai que o cara desligue o disjuntor solar. Desculpem o gracejo.

    Minha visão é a mesma de Maria e Krowler: a "simplicidade voluntária" de JMS. Mas pelo caminhar, da expressão será excluída a palavra "voluntária". Penso que novas tecnologias possibilitarão a extração onde hoje é impraticável, fazendo com que os custos caiam. Isso, quero dizer, se houver real interesse. Coisa que duvido. Mas e daí? Quais as consequências disso para o planeta? Que me desculpe o anônimo, mas distribuir o bolo da festa nunca foi intenção de ninguém. De acordo com o anônimo: todos deveriam consumir extraordinariamente. Penso que seria suicídio. Lógico, eu creio num esgotamento de recursos num espaço de tempo infinitamente menor que o anônimo. Pra mim seria uma aposta na solução antes da hecatombe. Contar com o ovo no fiofó da galinha. Só uma aposta, nada mais. E sinceramente, desculpem a expressão ecológica, não vejo como 'melhorar a qualidade' de vida dos terráqueos com extrativismo desenfreado. As remediações são simulacros de reconstrução da natureza, como bem lembrado aqui em relação ao replantio de árvores.

    Solução zero meu bom Max.

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  63. Concordo Anônimo.

    Deveria ser opção, mas uma visão particular, faz com que eu pense que o voluntarismo ficará obsoleto. Se é que me faço entender? Não é o que prego, é o que consigo intuir.

    De fato o capitalismo se fez necessário, nunca disse o contrário. Tem o seu sabor. A coca cola também. É gostosa, mas provoca problemas gástricos, outros afirmam: câncer.

    Abraços.

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  64. "O capitalismo é única forma de todos nós podermos optar pelo decrescimento".

    Poucas vezes na vida li uma afirmação tão absurda e ignorante. Dizer que o capitalismo, que causou os problemas, é condição indispensável para resolver esses mesmos problemas faz lembrar aquela frase de Einstein sobre a insanidade: fazer a mesma coisa repetidamente, e esperar resultados diferentes.

    Claro que o capitalismo, baseado naquilo a J H Kunstler chamou "the fossil fuel fiesta", permitiu um incremento exponencial da riqueza e da complexidade das nossas sociedades. Ninguém diz que tudo foi mau, e que a civilização industrial não trouxe também benefícios. Claro que trouxe, sem a sociedade industrial não teria havido todo o avanço na ciência, nas artes e mesmo na moral, dos últimos 200 anos. Mas esses efeitos positivos foram contrabalançados, e de que maneira!, pelos negativos: exploração do homem pelo homem, colonialismo, explosão demográfica, exaustão dos recursos, destruição dos ecossistemas e alterações climáticas. Pode-se dizer que foi bom enquanto durou, mas agora acabou a festa. Gastámos numa noite as bebidas que haviam de durar todo o fim de semana. Agora os Anónimos olham para o relógio, vêem que ainda é sábado de manhã, e em vez de conformarem com o fim do álcool, congeminam prolongar a bebedeira à força, seja assaltando as garrafeiras da "vizinhança" (Irão, China, etc.), seja imaginando uma maneira de destilar álcool a partir do mijo. A única coisa que apatece dizer é: boa sorte!

    JMS

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  65. Olá JMS!

    Não percebi esta: "Pode-se dizer que foi bom enquanto durou, mas agora acabou a festa"

    A mim não parece. Que dizer, eu vivo num País ainda capitalista (seria preciso discutir acerca deste actual "capitalismo", mas vamos em frente), num continente capitalista, num planeta maioritariamente capitalista.

    E a vizinhança (China e Países do leste asiático, pois do ponto de vista económico o Irão não tem relevância) nada mais tem senão outras garrafas capitalistas, apesar de estarem bem disfarçadas.

    A festa continua. Talvez haja menos gente a divertir-se, e na minha óptica será cada vez menos. Mas ainda há quem consiga dar boas gargalhadas e será extremamente difícil tirar-lhe o riso da boca.

    Este pseudo-capitalismo (que, repito mais uma vez, de Capitalismo tem quase nada) continua na boa. Isso faz-me lembrar a história de "O Rock está morto" mas sempre aí está.

    Acho preciso não esquecer que nós vivemos (grande sorte!) uma grave crise, sem dúvida: mas nada mais do que uma crise amplamente prevista pela mesma teoria capitalista (e até comunista). A actual crise não tem como origem a escassez dos recursos naturais, mas uma ré-organização nos relacionamentos entre as forças em campo.

    Alguém viu escassez de gasolina nas bombas? Falta de água ou de papel? Falta de ferro? Aqui não.

    Pode acontecer? Sim, e provavelmente irá acontecer um dia (não consigo fazer previsões neste aspecto, lamento), mas não já.

    Por isso decidi falar do Decrescimento (após sugestão de Krowler): no estado actual das coisas não há nada que possa fazer pensar numa repentina queda da nossa sociedade (e será bem não confundir a nossa sociedade com o sistema económico em vigor: o pseudo-capitalismo pode desaparecer, mas a sociedade pode ir em frente com outra economia, até com outra forma de Capitalismo), por isso qual melhor altura para enfrentar determinados temas? "Depois" pode ser demasiado tarde.

    Amanhã vou traduzir o artigo que JMS sugeriu (por enquanto li "por alto": mesmo assim agradeço muito e mais uma vez o link), acho que teremos mais lenha para a fogueira.

    Grande abraço para JMS e todos os Leitores!

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  66. Enquanto houver liberdade para as corporações atuarem a revelia dos interesses da sociedade, enquanto as corporações continuarem elegendo seus escolhidos nos três poderes constituídos não haverá regime que dê jeito neste estado de coisas.

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  67. O meu comentário não foi simpático, e foi apenas dirigido ao texto, nunca a qualquer autor, e peço desculpa por escrever mal. Foi um dos muito poucos, espero que seja apenas falta de experiência. Vou insistir e explicar melhor a minha posição, é o minimo que devo.
    Boa noite
    Paz e Amor para todos...

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  68. Max,

    Dizer que a festa acabou é um exagero, claro. É verdade que ainda há algum "álcool" no frigorífico. Mas, continuando com a metáfora, esse "álcool" não vai chegar para dar de beber aos simpáticos chineses e indianos que vivem ao fundo da rua, e que nós, "imprudentemente", convidámos também para virem beber um copo.
    E neste momento nós (isto é, a nossa economia) está tão bêbada(com o álcool do crédito, da especulação e do fiat money), que já vemos as garrafas a triplicar, e por isso acreditamos que a festa pode continuar. Mas não pode nem vai.
    O capitalismo parece muito vivo, mas o meu gato Félix também parecia completamente vivo antes de ser atropelado por um camião a trezentos metros de casa. Eu sempre lhe disse: "Félix, estas tuas aventuras amorosas ainda vão acabar mal; porque é que tens de ir caçar miúdas para os lados da estrada nacional? Não te chegam as da aldeia?" Mas ele, claro, não me dava ouvidos, e como também não sabia ler, não reparou numa placa que dizia PERIGO, CIRCULAÇÃO DE CAMIÕES.
    O capitalismo está na mesma situação. Não porque não saiba ler, mas porque não quer ler más notícias, nem quer saber de nada que lhe diga que o crescimento económico acabou. E acabado o crecimento económico, acaba-se a festa do capitalismo. Por enquanto, o capitalismo ainda pode tentar negar essa evidência (injectando na economia dinheiro roubado aos contribuintes e aos trabalhadores, e injectando na banca dinheiro digital criado pelos bancos centrais), mas muito em breve vai ter que "cair na real", como dizem os amigos brasileiros. Emitir dívida descontroladamente só fazia sentido (se é que fazia) no tempo em que as perspectivas de crescimento eram sustentadas pela disponibilidade de energia barata, recursos abundantes, etc. Hoje não há mínima hipótese de as promessas de dividendos futuros serem cumpridas. Por isso é que a banca não empresta dinheiro a ninguém; por isso é que quem tem dinheiro não investe; por isso (mas não só por isso) é que o desemprego entrou na sua fase galopante, e até na China ou no Brasil as coisas já não são o que eram. Segundo todos os analistas sérios, a Europa e os EUA estão a caminho duma depressão profunda, que vai fazer com que a de 1929 pareça um passeio no parque.

    "ainda há quem consiga dar boas gargalhadas e será extremamente difícil tirar-lhe o riso da boca"
    Claro que estes, os oligarcas globalistas, vão poder rir-se por mais algum tempo, graças ao que nos têm roubado nos últimos decénios, mas se a coisa correr realmente mal, até eles vão perceber que o dinheiro, as acções ou o ouro não enchem barriga. Com isto do "correr realmente mal" estou a referir-me a uma possibilidade equacionada por muita gente: que o colapso financeiro e económico arraste consigo o colapso da sociedade industrial. Nesse cenário, ter no banco 5 mil milhões de euros ou ter 4 euros não fariam talvez grande diferença. A hiperinflação pode transformar uma fortuna de papel num montão de lixo, como se viu na Alemanha na década de 20.

    (continua)

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  69. "Acho preciso não esquecer que nós vivemos (grande sorte!) uma grave crise, sem dúvida: mas nada mais do que uma crise amplamente prevista pela mesma teoria capitalista (e até comunista). A actual crise não tem como origem a escassez dos recursos naturais, mas uma ré-organização nos relacionamentos entre as forças em campo."

    Não creio que isto seja bem assim. Esta crise não é como as anteriores, não é mais uma daquelas crises cíclicas típicas do capitalismo. Estou convencido de que a escassez dos recursos naturais tem realmente um papel nesta crise, na medida em que a globalização exige mais petróleo (para transportes), a agro-indústria exige mais petróleo (e gás natural, água, fosfatos, etc.). Mas na base da crise também está um endividamento excessivo e insustentável(nos EUA, sobretudo, mas tb. na Europa). E parece-me que a "reorganização das forças em campo" é precisamente um sintoma de que os super-ricos têm consciência de que a festa está no fim, e por isso estão a tentar acumular no bucho o máximo de "álcool" que podem. Mas se o álcool está a acabar, a culpa não é (só) dos globalistas. É de todos nós, sobretudo no ocidente, que acreditámos que podíamos beber para sempre, como se não houvesse amanhã e o álcool fosse infinito.

    Abraço

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  70. Mas Chris Hedges e R. Heinberg dizem tudo isto muito melhor do que eu. Pessimistas? Não acho.

    The ceaseless expansion of economic exploitation, the engine of global capitalism, has come to an end. The futile and myopic effort to resurrect this expansion—a fallacy embraced by most economists—means that we respond to illusion rather than reality. We invest our efforts into bringing back what is gone forever. This strange twilight moment, in which our experts and systems managers squander resources in attempting to re-create an expanding economic system that is moribund, will inevitably lead to systems collapse. The steady depletion of natural resources, especially fossil fuels, along with the accelerated pace of climate change, will combine with crippling levels of personal and national debt to thrust us into a global depression that will dwarf any in the history of capitalism. And very few of us are prepared.
    “Our solution is our problem,” Richard Heinberg, the author of “The End of Growth: Adapting to Our New Economic Reality,” told me when I reached him by phone in California. “Its name is growth. But growth has become uneconomic. We are worse off because of growth. To achieve growth now means mounting debt, more pollution, an accelerated loss of biodiversity and the continued destabilization of the climate. But we are addicted to growth. If there is no growth there are insufficient tax revenues and jobs. If there is no growth existing debt levels become unsustainable. The elites see the current economic crisis as a temporary impediment. They are desperately trying to fix it. But this crisis signals an irreversible change for civilization itself. We cannot prevent it. We can only decide whether we will adapt to it or not.”

    Heinberg, a senior fellow at the Post Carbon Institute, argues that we cannot grasp the real state of the global economy by the usual metrics—GDP, unemployment, housing, durable goods, national deficits, personal income and consumer spending—although even these measures point to severe and chronic problems. Rather, he says, we have to examine the structural flaws that sit like time bombs embedded within the economic edifice. U.S. household debt enabled the expansion of consumer spending during the boom years, he says, but consumer debt cannot continue to grow as house prices decline to realistic levels. Toxic assets litter the portfolios of the major banks, presaging another global financial meltdown. The Earth’s natural resources are being exhausted.
    [...]
    Heinberg also highlights what he calls “the highly dysfunctional U.S. political system,” which is paralyzed and hostage to corporate power. It is unable to respond rationally to the crisis or solve “even the most trivial of problems.”

    The collision course is set. It is now only a matter of time and our personal response.“It could implode in a few weeks, in a few months or maybe in a few years,” Heinberg said, “but unless radical steps are taken to restructure the economy, it will implode. And when it does the financial system will seize up far more dramatically than in 2008. You will go to the bank or the ATM and there will be no money. Food will be scarce and expensive. Unemployment will be rampant. And government services will break down. Living standards will plummet. ‘Austerity’ programs will become more draconian. Economic inequality will widen to create massive gaps between a tiny, oligarchic global elite and the masses. The collapse will also inevitably trigger the kind of instability and unrest, including riots, that we have seen in countries such as Greece. The elites, who understand and deeply fear the possibility of an unraveling, have been pillaging state resources to save their corrupt, insolvent banks, militarize their police forces and rewrite legal codes to criminalize dissent.”

    Para ler o resto:
    http://www.truthdig.com/report/item/growth_is_the_problem_20120910/

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  71. Max
    Mas porque terá que haver falta de gasolina nas bombas ou de ferro , ou de aço ou de outro material qualquer, para nos darmos conta que chegamos a um certo limite?
    Quando pagarmos 3 ou 4 euros por um litro de gasolina, a mim parece-me que a sociedade em que vivemos ou modelo económico não conseguira manter a sua complexidade.

    Agora se me perguntam se existe especulação nos preços das comodities, claro que há, há muita gente a ganhar com isso, mas não é só isso, existem mais razões.

    E outra coisa nós só conseguimos manter esta sociedade, pedindo dinheiro emprestado ao futuro, terá que haver um limite também para isso.

    O capitalismo teve as suas virtudes ajudou a desenvolver alguns países , afundou outros, agora está a afundar os que ajudou á anos atrás.

    Decrescimento, transição podem chamar-lhe o que quiser, irá acontecer, não sei se será melhor ou pior.

    Mas no caso de um país como Portugal quando se ouvem pessoas, a falar em crescimento, eu pergunto, mas como??
    É que nos últimos 20 anos andamos brincando ás construções para dizer que crescemos, agora não há mais cartas na manga.

    Saudações

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  72. Anónimo24.9.12

    Há uns tempos vi um estudo em que se referia que para suprirmos as nossas neccessidades, precisávamos de trabalhar apenas 2 horas por dia.
    Um pouco de bom senso diz-nos que mais minuto, menos minuto este valor não estará muito longe da verdade. O restante tempo é gasto em supérfulos e acima de tudo em impostos.
    A parte que me choca mais é a utilização da parcela destinada a impostos que poderá rondará os 70% do rendimento auferido.
    Nas condições actuais, grande parte da verba destinada a impostos não está a ser canalizada para os fins desejáveis que seria por esse dinheiro ao serviço das pessoas. Bem pelo contrário está ser ser canalizado para o serviços da dívida. Esta tendência será cada vez maior. O estado social está a ser desmantelado, o investimento público quase não existe e a economia a caminhar para um falência generalizada como pormenoriza o JMS.

    Quando o Carlos Janeiro fala em gasolina a 3 ou 4 euros, para mim basta os 2 a 2.50 euros para arrumar de vez com a nossa economia, que já está presa por arames, ou se preferirem, ligada à máquina.

    Daí a questão do Decrescimento Voluntário Individual fazer sentido. No fundo traduz entre outras coisas a adaptação aos tempos futuros, passando naturalmente pela não aceitação da economia como se está a perfilar nos moldes actuais.

    Por oposição o Decrescimento Colectivo ou da sociedade será algo que se tornará uma inevitabilidade por força da evolução da economia globalizada.

    Todos aqui sabem que não é facil convencer alguem a participar numa mudança social, quando as pessoas só se preocupam com os seus bolsos e estão-se nas tintas para o vizinho do lado. Desde que não lhes toque tambem não se mexem. Existem excepções, mas não é a regra.

    É facil criar divisões sociais, o dificil é unir a sociedade em torno de uma causa comum.

    Krowler

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  73. Rita M.24.9.12

    "Todos aqui sabem que não é facil convencer alguem a participar numa mudança social, quando as pessoas só se preocupam com os seus bolsos e estão-se nas tintas para o vizinho do lado. Desde que não lhes toque tambem não se mexem. Existem excepções, mas não é a regra.

    É facil criar divisões sociais, o dificil é unir a sociedade em torno de uma causa comum."

    Totalmente de acordo Krowler.

    Unir as pessoas só quando há um sofrimento comum a todos muito grande ou quando há algo de grande/positivo que beneficie todos.

    Leva o seu tempo até as pessoas começarem a perceber que se continuam a pensar só nelas pode chegar o dia em que ninguém estará lá para as ajudar a elas.

    Muitas vezes é literalmente estar a falar sozinho.

    E por assim ser é que se torna complicado para mim acreditar que independentemente do que venha a acontecer que as coisas sejam fáceis.

    Ainda assim, acredito que a humanidade como um todo tenha capacidade de ultrapassar isto... afinal, já conseguimos chegar até aqui.

    Já agora aproveito para agradecer a todos as informações que partilharam.
    Um post e 70 comentários depois já tenho muitas mais informações do que as que tinha.

    Abraço
    Rita M.

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  74. maria24.9.12

    olá todos:"Daí a questão do Decrescimento Voluntário Individual fazer sentido. No fundo traduz entre outras coisas a adaptação aos tempos futuros, passando naturalmente pela não aceitação da economia como se está a perfilar nos moldes actuais.".Esta ideia do Krowler me parece uma ideia chave. E não confundir com uma vida carente dos desenvolvimentos tecnológicos que foram alcançados.Aqui, no meio do mato, desliguei a Tv, mas não desliguei o computador (óbvio,não?!), mantenho um sistema de som ultra, super eficiente (como diz o Krowler, temos de dar margem aos nossos desejos também). Adoro música, e é graças ao desenvolvimento tecnológico que satisfaço minhas vontades nessa área, obtendo uma acústica próxima do perfeito. Logo estou longe de me sentir na idade média, ou apartada do mundo. No entanto, não preciso de academia para me exercitar pois tenho espaço e atividades variadas, me escapo de muitos impostos, referentes a água,parte da energia,aquecimento, alimentos, parte de medicamentos,insumos, porque a coisa vem da terra e para ela volta. Não preciso gastar no cinema ou em shows que me interessem, eles estão em casa porque a Ana, que é entendida nestas coisas internáuticas me disponibiliza o que eu desejar, bem como acesso a livros.E, me creio vivendo a ideia esboçada pelo Krowler. Fico imaginando o problema que estaríamos criando para uma economia que depende do consumismo, desperdício e representação, se uma décima parte da humanidade fosse assim como alguns de nós aqui. Abraços

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