17 dezembro 2012

Aeroportos, coisas poucos sérias

O diário Público publicou na semana passada um interessante mapa.
A quem pertecem os principais aeroportos na Europa?
Eis o mapa:


Pequena correcção: os aeroportos abertos ao público em Portugal são 11 e não 10:
Beja, Horta, Faro, Flores, Lisboa, Madeira, Pico, Porto, Porto Santo, Ponta Delgada, Santa Maria.

A empresa ANA - Aeroportos de Portugal é a empresa pública que administra a maioria dos aeroportos do País, os seguintes: Beja, Horta, Faro, Flores, Lisboa, Porto, Ponta Delgada e Santa Maria.  
Estes, portanto, são aeroportos públicos.

Depois temos os aeroportos não geridos pela ANA, que são: Madeira, Pico e  Porto Santo.
  • O aeroporto da Madeira é gerido pela ANAM - Aeroportos e Navegação Aérea da Madeira, SA. A ANAM é uma parceira entre a ANA e o Governo Regional da Madeira.
  • O aeroporto do Pico é gerido pela SATA, empresa que é uma parceria entre o Estado Português e o Governo Regional dos Açores.
  • O Aeroporto de Porto Santo é um mistério. Deveria ser gerido pela ANAM, mas no site da empresa madeirense  (Porto Santo é uma das ilhas do arquipélago da Madeira) a página de Porto Santo foi apagada. Mesmo assim assumimos que ainda esteja na posse da ANAM (e ainda estava em Setembro deste ano).
Isso significa que a partir de Janeiro de 2013 o Estado Português já não será inteiramente proprietário de nenhum aeroporto público do País. Será parceiro na gestão dos aeroportos das Ilhas dos Açores, mais nada. Nem um aeroporto no continente ou na Madeira.

Para ter uma ideia do que acontece no resto da Europa, podem observar o mapa publicado acima. Ao que parece, os outros Estados são obstinados e continuam a manter a propriedade de pelo menos 1 aeroporto nacional. Quem sabe qual a razão. E quem sabe como fazem, pois é evidente que um aeroporto significa só prejuízos, caso contrário o governo não teria vendido tudo.
Evidentemente nos outros Países há inconscientes cambadas de bestas.

Portugal, pelo contrário, fica muito a frente, em linha com a situação de Chipre, que tem dois aeroportos, ambos privados. É assim que podemos construir o futuro.

A TAP, o Brasil, Miguel Relvas
e o empreendedor ex boliviano agora colombiano-brasileiro-polaco

Última nota sempre em tema de aviões, mas desta vez com a participação do Brasil.
Eis o que reporta o diário Público:
Na primeira quinzena de Novembro de 2011, Luiz Eduardo de Oliveira e Silva, sócio e irmão de José Dirceu, veio a Lisboa falar com altos responsáveis. Semanas antes, Miguel Relvas tinha recebido Efromovich, a pedido do empresário.

As consultoras brasileiras e portuguesas ligadas ao antigo chefe da Casa Civil do ex-Presidente da República Lula da Silva, José Dirceu, condenado a mais de 10 anos de prisão pelos crimes de formação de quadrilha e corrupção activa no caso Mensalão, promoveram a candidatura de Gérman Efromovich à privatização da TAP, a única proposta de compra da companhia aérea nacional que chegou a ser avaliada pelo Governo de Passos Coelho.

As movimentações para o Estado vender a TAP a Gérman Efromovich, dono da companhia aérea colombiana Avianca-Taca (ligada à Avianca Brasil), arrancaram em Setembro/Outubro de 2011 quando o ministro-adjunto e dos Assuntos Parlamentares Miguel Relvas recebeu o empresário (a pedido deste) para falar do possível investimento na TAP.

Os encontros foram confirmados ao PÚBLICO por Miguel Relvas: “O Ministro-Adjunto e dos Assuntos Parlamentares recebe pedidos de audiência de vária índole” e “nesse âmbito, confirma que recebeu em Setembro e Outubro de 2011, pedidos de audiência do empresário mencionado para falar com o Governo Português sobre as suas intenções de poder vir a investir em Portugal”.

Os encontros “foram concedidos e decorreram, como é usual, com a maior cordialidade”. Relvas garante que desde que a privatização arrancou nunca mais teve contactos com Efromovich. Este empresário nasceu em 1950, na Bolívia, nacionalidade que recusou para assumir a colombiana (Avianca-Taca), a brasileira (Avianca Brasil) e a polaca/europeia (TAP).

Dias depois de Relvas ter recebido Efromovich começaram os contactos para ajudar Efromovich a entrar na TAP. Assim, na primeira quinzena de Novembro, Luiz Eduardo de Oliveira e Silva, sócio e irmão de José Dirceu de Oliveira e Silva, deslocou-se a Lisboa para desenvolver contactos, ao mais alto nível, financeiros e políticos. O PUBLICO apurou que as reuniões foram articuladas com o escritório de advocacia português Lima, Serra, Fernandes & Associados (LSF), liderado por Fernando Lima, parceiro dos vários gabinetes de José Dirceu.

Contactado pelo PÚBLICO para comentar o papel que desempenhou na promoção da candidatura de Efromovich à compra da TAP, Luiz Eduardo de Oliveira e Silva começou por fazer uma confusão o que o levou a declinar pronunciar-se por não conhecer Abramovich [o bilionário russo dono do clube inglês Chelsea]. Mas, depois dos necessários esclarecimentos, acabou por confirmar que veio a Lisboa, mas “só fui recebido pelo dr. Ricardo Salgado, presidente do BES”.

Para falar de Miguel Relvas aconselhou o PÚBLICO a falar com o advogado João Serra [sócio do Lima, Serra, Fernandes & Associados]: “Fala com o João Abrantes Serra. [...] porque neste momento, estamos a passar aqui por uma situação complicada e estamos a evitar contactos.” Uma menção ao Caso Mensalão que tem no epicentro o irmão, José Dirceu.

Recorde-se que O Globo, na sua edição de 28 de Outubro, publicou uma crónica de Ancelmo Goes onde este escreveu: “Quem está ajudando o empresário Gérman Efromovich a comprar a TAP é o ministro-adjunto e dos Assuntos Parlamentares de Portugal, Miguel Relvas” que “tem amigos influentes no Brasil — inclusive, Zé Dirceu.”

Em declarações ao PÚBLICO o jornalista referiu que Relvas possui, no Brasil, “uma rede de amigos” e observou que existe, hoje, “grande articulação entre as autoridades colombianas [a Avianca tem sede em Bogotá] e o governo português.”

Foi só depois de Luiz Eduardo ter regressado a São Paulo é que os nomes de Efromovich/Avianca/Sinergy (empresa através da qual o colombiano concretizou a sua oferta de compra da TAP) começarem a integrar de forma permanente e generalizada as listas dos potenciais candidatos a comprar a TAP, uma das privatização mais delicadas e polémicas, nomeadamente, por estar em causa uma empresa de bandeira emblemática e estratégica para Portugal.

Contactada pelo PÚBLICO, fonte oficial de Efromovich negou conhecer José Dirceu, Luiz Eduardo Oliveira Silva, João Serra ou Fernando Lima, apesar de no Brasil o seu nome ser colocado como estando próximo dos petistas ligados a Lula da Silva e a José Dirceu. Já o BES optou por não comentar as informações, enquanto Joao Serra alegou dever de sigilo profissional para não responder ao PÚBLICO.
Já sei o que pensa o Leitor.
Mas eu digo: Vergonha! Não sabe que pensar mal é pecado?

Em vez disso: que dizem os Leitores do Brasil acerca deste Efromovich (que aqui é um emérito desconhecido)?
Por Relvas não se preocupem, garanto eu :)


Ipse dixit.

Fontes: Público, ANA, ANAM, SATA, Público (2) 

4 comentários:

  1. Olá Max: o tal "Efromovitichiii", eu nunca ouvi falar. Já de privatizações, ouço todos os dias, parece uma praga que atravessa os Estados. E fico me perguntando: como gerenciar um país onde os serviços essenciais (educação, cultura, saúde)estão nas mãos de proprietários privados?Onde segurança nacional (infraestrutura rodoviária, ferroviária, fluvial, portos, aeroportos,alta tecnologia) estão fora da gerência estatal? Onde o serviço de segurança privada excede o governamental? Onde as riquezas em minas, florestas e terras são interditadas aos administradores e governantes? Onde as corporações são privadas e multinacionais?Onde até os presídios tendem a ser propriedade dos privados? Onde os governos um pouco sérios tentam malabarismos incríveis para assegurar um mínimo de domínio estatal sobre fontes e distribuidoras de energia, telefônicas, mídia impressa e televisionada?Onde os bancos, seguradoras e tudo que envolve finanças naturalmente não poderia deixar de ser domínio privado? Nesta situação a esfera do público se restringe tanto, que o Estado é um fiasco que só PARECE existir, mas já não existe.Ao público sobra duas opções me parece: ou ser acionista, se tiver dinheiro, ou não ser (entenda-se ter), o que significa estar numa posição muito vulnerável.Abraços

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  2. Anónimo17.12.12

    Boa tarde Max,

    Numa breve pesquisa, sobre a personagem Efromovich, encontrei este artigo na "Veja":

    Até o final de 1994, o empresário German Efromovich era dono de uma empresa de pequeno porte que prestava serviços de manutenção submarina na área de petróleo, a Marítima. Seu trabalho era colocar mergulhadores no fundo do mar para verificar se os equipamentos das companhias para as quais prestava serviço estavam em ordem. Nessa época, a empresa funcionava numa casa ao pé de uma favela num subúrbio do Rio de Janeiro. Até aí, tudo normal. O que causou estranheza mesmo foi o fato de, menos de um ano depois, a insignificante Marítima, cujo patrimônio não chegava a 1 milhão de dólares, começar a ganhar quase todas as concorrências da Petrobras para a construção de plataformas de perfuração e exploração de petróleo. Uma área em que Efromovich não possuía a mínima experiência e que envolvia contratos superiores a 2 bilhões de dólares.

    Essa façanha empresarial seria digna de figurar no livro de recordes. Mas a Marítima não conseguiu fazer mais nada direito a partir daí. Começou a descumprir todos os contratos, sempre contando com a vista grossa de quem deveria ser rigoroso com ela, a Petrobras. Entre os contratos estava o da superplataforma P-36, a maior do mundo, que chegou ao país há alguns dias, com um atraso de quatro meses. Pior: a P-36 só ficou pronta depois de a Petrobras ter sido obrigada a desembolsar 45 milhões de dólares, porque a Marítima não cumpriu sua parte no contrato. Se não fizesse isso, a plataforma só entraria em operação no final do ano que vem – e cada dia de atraso custa muito dinheiro, já que se inviabilizam todas as metas de produção de petróleo.

    As proezas de Efromovich começaram a ser notadas no final de 1995, alguns meses após o superintendente de Engenharia da Petrobras, Antônio Carlos Agostini, ser promovido a diretor da área de exploração e produção da companhia. Agostini era conhecido de longa data de Efromovich. Nessa época, a Petrobras decidiu abrir concorrência para a construção de duas plataformas de produção de petróleo. O edital de licitação trazia, no entanto, uma cláusula que todos os participantes diziam ser impossível de cumprir: prazo de dezoito meses para a plataforma entrar em operação. Mas a Petrobras, então presidida por Joel Rennó, manteve-se irredutível alegando que havia empresas que se diziam capazes de cumprir o prazo. Essas "empresas" a que a Petrobras se referia era apenas uma – a Marítima. Para surpresa do mercado, foi ela a vencedora da concorrência de um contrato de 720 milhões de dólares. O que aconteceu a partir daí foi uma sucessão de absurdos. A Marítima não tinha projeto nem estaleiro contratado para a execução da obra e tampouco financiamento. Mas a Petrobras pareceu não se importar muito. Em 1997, a estatal fez nova concorrência e declarou vencedora a inadimplente Marítima.

    A tendência de Efromovich, de 49 anos, para o blefe sempre pautou sua vida profissional. Quando sua empresa ainda estava começando, ele costumava impressionar os potenciais clientes marcando reuniões no Hotel Sheraton, um cinco-estrelas carioca. Na verdade, por causa do dinheiro curto, ele se hospedava em hotéis baratos na zona de boemia do Rio. Pegava o ônibus duas horas antes do encontro, atravessava toda a Zona Sul da cidade para chegar ao hotel e dar a impressão de que estava hospedado ali. Seu pulo-do-gato, porém, foi com a Petrobras. A companhia pediu que ele fizesse a manutenção de uma plataforma em 1988 e perguntou a Efromovich se o barco que ele possuía tinha condições de fazer o serviço. Efromovich não pestanejou. Disse que sim. Era mentira. Fez, no entanto, das tripas coração para adaptar seu barco ao serviço, comprometendo-se a trabalhar três anos de graça para um estaleiro que concordou em fazer a adaptação. Agora, pode estar chegando ao fim a era de Efromovich na estatal. A Petrobras se prepara para cancelar o restante dos contratos que estourarem o prazo combinado. "A Petrobras está sendo injusta", afirma o empresário.

    Um abraço,

    Zarco

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  3. Olá Zarco: como eu não confio um tostão furado na Veja, fui atras de informações de quem me parece mais idôneo (Brizola Neto), e também mais compromissado com as questões do petróleo no Brasil. Eis, no entanto, o resultado:

    Petrobras: o escândalo que a mídia não quer
    Escrito por Deputado federal Brizola Neto
    Sáb, 29 de Outubro de 2011 15:58
    A mídia comercial brasileira não tem interesse em apurar escândalos quando se trata de grupos econômicos ligados a sionistas. Foi assim na venda da Vale do Rio Doce.
    “O homem da P-36 quer as sondas da Petrobras” é baseado numa matéria de hoje, do jornal Valor Econômico, o único que vem dando algumas informações sobre a maior licitação já realizada neste país, a contratação de 21 sondas de águas ultraprofundas pela Petrobras. Um negócio de dezenas de bilhões de dólares.
    Vários grupos brasileiros se uniram para fazer aqui estas sondas, que fazem parte de um total de 40 necessárias à exploração do pré-sal. Doze, por prazo, foram contratadas lá fora. Das 28 restantes, o primeiro lote, de sete, ficou aqui e vai ser construído em Pernambuco. Faltavam estas 21 e tudo parecia indicar que o mesmo grupo as faria.
    Mas surgiu uma figura chamada Guerman Efromovich e entrou na disputa, oferecendo um preço um pouco menor, com uma empresa recém-criada, a Ocena Rig do Brasil, associado a uma empresa norueguesa controlada por armadores gregos.
    Efromovich tem uma penca de processos judiciais contra a Petrobras. Todos depois que deixou a diretoria o ex-presidente Joel Rennó, tempo em que ganhava, sem licitação, contratos para comprar e reformar plataformas.
    Inclusive a P-36.
    O pior é que Efromovich ainda foi a Justiça inglesa pedindo 240 milhões de dólares como indenização pelo caixão que fez. Foi buscar lã e saiu tosquiado, porque a corte inglesa, em lugar de receber, mando foi ele pagar à Petrobras. Este ano, em abril, o STJ recusou a pretensão de Efromovich de não cumprir a sentença que confirmava sua responsabilidade no caso.
    Quase ninguém publicou. Que eu achasse, apenas uma nota de dez linhas no G1, reproduzindo texto da Agência Estado.
    Agora ele quer as sondas do nosso pré-sal.
    E a mídia, que é doida por qualquer coisa que possa ser problema na Petrobras – onde Efromovich, segundo o repórter Chico Santos conta, anos atrás, então no Valor Econômico, tentou reentrar usando desde flores para secretárias até ordens de prisão contra diretores que o abominavam – não dá a menor bola para isso?
    Ou as suspeitas aqui são seletivas e nunca envolvem os nomes que se tornaram notórios da era tucana?
    Se os jornais quiserem ajuda, está tudo contado no Projeto Nacional, com os links devidos para todas as informações sobre o passado de Efromovich. Nem era preciso, porque está no Google, que o pessoal das editorias parece ter dificuldades em usar.
    Não dá muito trabalho conhecer o passado dele, que já foi mastigado, anos atrás, pelo excelente repórter Chico Santos, um dos que mais entende de indústria naval no Brasil.
    E que, sem nem mesmo falar com ele, sou capaz de apostar que não compra uma bóia de pneu do Efromovich.

    Como podes observar Zarco, Max, e os leitores também, as sujeiras do Efromovich são as mesmas, mas enquanto Veja e Globo fazem questão de associar "o grosso da porcaria" às figuras petistas, o Brizola recoloca a questão vinculada à celebre plataforma afundada, a semelhança do Brasil afundado no governo tucano de FHC.
    Abraços

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  4. Anónimo20.12.12


    Bom dia! Contrariamente ao que é afirmado deste post, designadamente que "O Aeroporto de Porto Santo é um mistério. Deveria ser gerido pela ANAM, mas no site da empresa madeirense (Porto Santo é uma das ilhas do arquipélago da Madeira) a página de Porto Santo foi apagada. Mesmo assim assumimos que ainda esteja na posse da ANAM (e ainda estava em Setembro deste ano). ", esclareço que a página do Aeroporto do Porto Santo está onde sempre esteve, em http://www.anam.pt/portosanto.
    Cumprimentos.

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