31 janeiro 2012

Do Proteccionismo - Parte I

A Apple "terceiriza" ainda mais: desloca a produção para Países onde a mão de obra é mais barata. Até o New York Times agora está preocupado com o que a globalização tem feito para os Americanos.

Praticamente todos os 70 milhões de iPhones e os 30 milhões de iPad vendidos são fabricados fora dos EUA. A Apple ainda tem 43.000 funcionários nos EUA, mas paga outros 700.000 trabalhadores não-americanos que dependem de sub-fornecedores, empreiteiros e projectistas. Todos estrangeiros, que vivem, residem, produzem no estrangeiro.

Agora, outros postos de trabalho estão prestes a emigrar, para não voltar, chora o New York Times. Que apresenta uma investigação da qual emergem algumas realidades que até agora ficaram ocultadas. E não por mero acaso, mas por clara vontade de não encarar determinados assuntos.

Em 2011, a Apple "extraiu" 400.000 Dólares de puro lucro de cada um dos seus trabalhadores, mais do que as várias Goldman Sach, Exxon ou Google. Apenas pequenas migalhas deste titânico lucro voltaram nos bolsos dos trabalhadores: na verdade, o trabalho é pago cada vez menos.

Krugman e a dona de casa

Já falámos várias vezes de Paul Krugman, o economista americano que ganhou até um Prémio Nobel.
E o que diz Krugman agora?

Krugman sustenta que o Produto Interno Bruto (o PIB, a riqueza gerada) da maioria das principais economias europeias está a evoluir pior do que após a Grande Depressão de 1929, o que prova que a austeridade na Europa não está a funcionar.

Informação Incorrecta não é de autoria dum Nobel mas, olhem só, tinha chegado à mesma conclusão. Terei que escrever para Estocolmo? A Fundação Nobel esqueceu-se de mim?

Nada disso. É apenas bom senso comum, o mesmo que podemos encontrar em qualquer mercado de rua, de manhã, entre as donas de casa que comprar a fruta.

O que faz uma boa dona de casa quando o filho dela estiver constipado? Tira-lhe a roupa e costuma pô-lo na varanda com 5 graus negativos ou tenta protege-lo e alimenta-lo para que possa recuperar?

Na Europa as Mentes Pensantes decidiram pôr todos na varanda e agora observam os doentes que estão a piorar. E não percebem. "Olhem só, estão pior", "Não entendo, como é que não recuperam?", "Esta gente não presta".

A Sopa na Pipa

Algo está a mudar.

Provavelmente os Leitores repararam: houve alguma coisa na internet ao longo das últimas semanas. Google, Wikipedia e outros decidiram dedicar espaço para reclamar liberdade.

Internet já não é livre? Ainda é, mas o perigo que esta situação possa não ser duradoura existe, é bem real.

Pipa? Sopa? Acta? Ouviram falar disso? São estas as ameaças, partidas dos Estados Unidos e agora chegadas na Europa.

Um problema regional? Não, global: o que o Leitor está a ler neste preciso momento (o blog), é um produto que desfruta um serviço (Blogger) sediado nos Estados Unidos, tal como WordPress. A maioria dos bloggers mundiais utiliza tecnologia que tem origem e é gerida a partir dos EUA, em ambos os casos na Califórnia.

E os perigos não são limitados aos blogs, pois as maiores empresas de web hosting, (que alugam espaço aos sites) estão sediadas nos Estados Unidos também.

Estamos perante uma possível profunda revolução do web. Uma revolução que não tem nada de "inovador" ou de "democrático", pelo contrário: é a introdução de novas regras do jogo para um controle muito mais apertado.

30 janeiro 2012

México? Terremoto? Oakland!

Circulam em internet muitos vídeos de alegadas movimentações de tropas e meios militares no interior dos Estados Unidos. E, como é óbvio, as especulações não faltam.

Entre as hipóteses: a invasão do México(!!!).

Ok, vamos ver um dos vídeos:


Este foi gravado no passado dia 19 nas redondezas de Santa Cruz, na Califórnia. Mas há mais vídeos disponíveis, de outras localidades também.
Na verdade não é a primeira vez que é possível observar uma deslocação de meios militares e as explicações podem ser várias: a entrega de produtos por parte dos fornecedores, exercícios e mais ainda.

Há também as imagens de milhares de caixões empilhados, mas esta não é uma novidade: são as mesmas imagens que periodicamente aparecem, são sempre recicladas. 

A fila

Chicago, Estados Unidos, semana passada, 12 graus negativos de temperatura.

A Ford anuncia a intenção de assumir pessoal. Não muito, mas já é suficiente para formar uma fila, alguns passaram a noite em tendas. O resultado são as seguintes imagens, que não passaram em nenhum noticiário americanos.


Após algumas horas, a Ford fechou as portas: os candidatos eram demais.

A OCDE e o trabalho

A liberalização económica cria trabalho?
Falamos, é claro, duma extrema liberalização.

É um facto conhecido que quando dois fenómenos ocorrem simultaneamente há uma relação causal entre elas. Parece ser este o caso dum artigo publicado recentemente pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) no qual são relatados os benefícios da liberalização em termos de trabalho.

Não é um mero acaso que este relatório apareça agora, mesmo na altura em que o debate acerca das privatizações está ao rubro: é outro canal com o qual a propaganda tenta convencer os cidadãos de que as privatizações maciças são uma improrrogável necessidade.

O artigo começa com uma pergunta estúpida: "o comércio internacional reduz ou cria empregos?".
Depende. Depende do contexto histórico, depende do País, do tipo de comércio, em quais circunstâncias.
Uma empresa que transfira a produção na China pode provocar o desemprego na Europa ou na América. Sim que globalmente o volume de trabalho permanece inalterado, mas tentem explicar isso aos que ficaram sem salários.

Mesmo assim, aceitamos as hipóteses do documento, que são as seguintes:
  • as economias abertas, ao contrário daquelas protegidas, alcançam níveis mais altos de crescimento
  • a abertura comercial tem contribuído para a criação de emprego
  • a estabilidade do trabalho global pouco foi mudada.

Será? Vamos ver.

28 janeiro 2012

Vacinas e eugenia: o caso Goncharov

Há mais de um ano desapareceu Alexander Goncharov, um activista russo cuja intenção era apresentar um programa de vacinação que, na realidade, ocultava finalidades ligadas à eugenia.

Este termo, como explica Wikipedia, foi cunhado em 1883 por Francis Galton, significando "bem nascido". Galton definiu a eugenia como "o estudo dos agentes sob o controle social que podem melhorar ou empobrecer as qualidades raciais das futuras gerações seja física ou mentalmente".

Em outras palavras, o melhoramento genético. Melhoramento ou, em qualquer caso, manipulação.

Os episódios mais conhecidos de eugenia aplicada são a Alemanha de Hitler, o Brasil e os Estados Unidos.

A eugenia nazista tinha como objectivo aperfeiçoar a raça ariana e, neste sentido, proibiam o casamento e o contacto sexual entre alemães e judeus, pessoas com problemas mentais, doenças contagiosas ou hereditárias, e até a esterilização em muitos casos. Além disso, havia centros de reprodução programada.

27 janeiro 2012

Líbia: liberdade, democracia, tortura

Líbia, lembram? Pois.

Seriam milhares os detidos nas prisões ilegais da "Nova Líbia", detidos que sofrem terríveis torturas e maus-tratos, a maioria acusados ​​de serem fiéis ao ex-ditador Muamar Kadhafi .

A fonte deste alarme? O Conselho de Segurança da ONU. O Alto Comissariado das Nações Unidas sobre os Direitos Humanos, Navi Pillay, lamenta "a falta de controle pelas autoridades centrais, que criam um clima em que a tortura e maus-tratos" e salienta a urgência de colocar os centros de detenção, na maioria ilegais, sob o controle do governo da CNT (o comité de transição).

A ONU agora lembra da Líbia? Assim parece. Até organiza inspecções: "Os meus colaboradores têm recebido relatórios alarmantes, segundo os quais a tortura ocorre nos centros de detenção visitados."

De acordo com um funcionário das Nações Unidas, o actual governo está a tentar de todas as formas tomar o controle dos presos agora nas mãos dos rebeldes, mas é prejudicado pela falta de agentes penitenciários.

Offshore: os nomes - As empresas

Ainda offshore.
Mas quais as grandes empresas que utilizam o offshore?

A lista é bastante comprida, por isso tratamos apenas dos nomes mais conhecidos no mundo: as marcas que todos, mais ou menos conhecemos. Ficam de fora os bancos, pois já foram tratados num artigo anterior.

A seguinte lista não trata dos fundos mas apenas das sede fiscais utilizadas pelas empresas. Por cada empresa, todas ordenadas alfabeticamente, é reportado o número das sedes offshore. Os dados são os últimos disponíveis, de 2008.

Crise: trabalhar mais?

Tempos feios? Trabalhar mais.
Eis a receita que muitos apresentam.

Se calhar é o caso de pensar no sentido deste "mais". O quê significa? Mais horas?

Esta é a interpretação, por exemplo, do governo português, segundo o qual os trabalhadores do sector privado deveriam trabalhar mais meia hora por dia. De graça, claro.

Mas é mesmo assim que funciona? Trabalhar mais horas resolveria os problemas?

A resposta parece ser "sim", pelo menos a resposta ditada pela lógica imediata. Mas atenção, a economia está repleta de paradoxos.

Adam Smith, por exemplo, gostava de repetir que o é egoísmo individual que cria a riqueza numa sociedade capitalista. Este mito foi definitivamente destruído com a crise de 2008, quando o egoísmo de poucos levou ao colapso a economia mundial.

Offshore e o dinheiro escondido

Dinheiro. Um rio de dinheiro.
Mais: um oceano de dinheiro.

Meu? Não, obrigado.
Do Leitor? Gostava, não é? Mas não, não vosso nem meu.

Nos últimos dias, a notícia segundo a qual o candidato presidencial dos Estados Unidos Mitt Romney teria milhões de Dólares estacionados nas Ilhas Cayman ganhou as manchetes dos jornais. Não porque esta seja uma coisa excepcional, mas simplesmente porque Romney é candidato.

18.000.000.000.000

Na verdade a elite global oculta uma quantidade quase inacreditável de dinheiro nos bancos offshore. De acordo com uma pesquisa do Fundo Monetário Internacional, a elite global tem um total de 18.000 biliões de Dólares em bancos offshore. E este número nem sequer ter em conta o dinheiro na Suíça (que não é pouco).

Mas quanto são 18.000 biliões de Dólares? São 18.000.000.000.000. 18 mais 12 zero. Um bom montante, se dúvida. Para fazer uma comparação, o PIB dos Estados Unidos em 2010 foi de 14.580 biliões.

26 janeiro 2012

Os sionistas e o Holocausto

No imaginário colectivo, o povo de israel e o sionismo são perfeitamente sobreponíveis, identificando-se um com o outro; às vezes são utilizados quase como sinónimos, um erro particularmente grave.

De facto, o sionismo é um movimento nascido no interior da comunidade hebraica mas que não pode ser identificado com a totalidade do povo israelita. Com um exemplo banal (e nem muito pertinente), seria como afirmar que todos os cristãos são católicos.

Na verdade, no interior dos israelitas há quem veja no sionismo uma das principais causas dos próprios males.

O seguinte é um artigo do rabino Gedalya Liebermann, que ré-constrói alguns passos da história recente do sionismo para realçar o papel negativo (e até anti-israelita) deste. Porque, como muitas vezes afirmado neste blog, é preciso distinguir entre o povo israelita e a política neo-nazista (fruto também do sionismo imperial) do Estado de israel.

Alimentação: o kebab

Quem não gosta do kebab? Ou melhor: do döner kebab?
Eu gosto e muito.

Os Leitores do Brasil perguntarão: "Kebabequê?", pois na América do Sul o kebab é conhecido como "churrasco grego".

Mas vamos descrever com a ajuda de Wikipedia:
O kebab é um prato nacional da Turquia, feito de carne assada num espeto vertical e fatiada antes de ser servida. A carne pode ser de cordeiro, carneiro, bovina, caprina ou frango. Alguns dos nomes alternativos também utilizados para o prato, muito comum em todo o Oriente Médio e na região europeia dos Bálcãs, são kebab, donair, döner, ντονερ, doner ou donner.
Falta dizer que é servido no pão.

Eu, por exemplo, costumo comer o kebab recheado de vegetais como alface, cebola, tomates, cenoura não (a cenoura é má, tem cara suspeita), um pouco de piri-piri, tudo acompanhado por uma lata de sumo de coco. E quando quero arruinar o fígado, junto maionese com alho. O desespero de qualquer nutricionista.

25 janeiro 2012

Equador: um novo caminho?

Na América do Sul, num cantinho, há um País esquisito: chama-se Equador.

Aqui na Europa o Equador é um lugar misterioso, no sentido que bem pouco é conhecido.

Aliás, a única coisa conhecida é que aí passa o equador, pelo que é possível imaginar os habitantes todo o tempo que perscrutam o céu para ver se a linha ainda esteja aí ou se já foi democraticizada pelos Estados Unidos.

O facto de ter sido origem de apenas 4 visitas em quase dois anos de blog, parece ser sintoma também dum certo atraso intelectual. E não venham com a desculpa do idioma, ora essa.

Na verdade o Equador é um pouco mais do que isso. E se calhar até o factor "atraso" terá que ser reconsiderado.

O Equador, neste momento, deve ser considerado um dos lugares mais interessantes do planeta, no sentido de que indica um novo paradigma de desenvolvimento. Mostra o que pode ser alcançado com vontade política, mesmo em tempos de incerteza económica.

2012: As previsões dos outros - Parte II

Sempre dos Estados Unidos chegam as previsões de Jack Rasmus.

Economista, Ph.D em Economia, professor universitário da Universidade de Santa Clara (Califórnia), Rasmus é conhecido por ter publicado em 2006 The War At Home: The Bush-Corporate Offensive Against American Workers and Their Unions e, mais recentemente, PIC Recession and Global Financial Crisis, livros nos quais analisa as causas da actual crise dos Estados Unidos e as perspectivas de curto e médio prazo.

E que diz Rasmus acerca de 2012? Eh? Que diz? Não sei, calma, vamos ler a síntese das previsões dele. 

Os Estados Unidos vão experimentar uma recessão double dip [de duplo mergulho, ndt] no início de 2013 [estúpido Rasmus, mas não eram as previsões para 2012?...], ou no caso de outra crise bancária na Europa, talvez até antes, em 2012 [ainda bem].

Apesar das contínuas notícias de recuperação económica nos mídia e na imprensa especializada nos últimos meses, não há nenhuma recuperação do emprego, sector imobiliário ou finanças públicas. O crescimento do emprego tem parado ao longo de 2011 de acordo com os dados mensais do Departamento de Trabalho. A medida mais ampla do desemprego, o índice U-6, tem-se mantido constante e permaneceu em 16% (25-26 milhões) no ano passado.

Governos estaduais e locais continuam a despedir trabalhadores na média de 20.000 por mês. Esperamos escassos efeitos a nível federal, apesar da eleição de 2012. O primeiro trimestre de 2012 irá gravar novamente um significativo abrandamento do crescimento do Produto Interno Bruto (PIB).

2012: As previsões dos outros - Parte I

Previsões? Ainda? Já temos as fantásticas profecias de Informação Incorrecta!
O que é verdade. Mas como de natureza sou magnânimo, espaço para dois aspirantes profetas, o jovem George Soros e Jack Rasmus.

Comecemos com Soros.

George Soros é um jovem e prometedor empresário de 81 anos, americano de origem hebraica, que Wikipedia define como político, economista, filantropo, esperantista (que fala o Esperanto), filósofo. Teria sido suficiente escrever "homem dos Rockefeller" para explicar isso e muito mais.

"Filosófo"? Com certeza. Eis um dos pensamentos profundos:
Uma sociedade aberta é uma sociedade que permite aos seus membros o maior número de graus de liberdade para atingir o próprio interesse compativelmente com o interesse dos outros.
Sem dúvida, é filósofo.
Mas vamos ler as profecias, recebidas em estado de transe durante uma entrevista com Newsweek.

24 janeiro 2012

O quê é a Nato?

Cresce o interesse das multinacionais pelos negócios "pobres": reformas, serviços. Tudo é ocasião para privatizar, introduzir códigos fiscais, novas contas bancárias, cartões de crédito.

É preciso liberalizar. E para liberalizar, os seguros tornam-se obrigatórios, pois já não há o Estado ou a autarquia nos bastidores, há só o privado.

Em Italia, por exemplo, em cruz estão agora os taxistas que, ao ler os diários nacionais, vivem em condições próximas daquela de Bill Gates. Aliás, nem se percebe porque continuam a trabalhar, deve ser um vício, como a cocaína.

A conclusão? A mesma dos taxistas dos Estados Unidos, totalmente liberalizados, totalmente compostos por imigrados: pessoas que fugiram dos próprios Países, das condições de inimaginável miséria, para aceitar salários de fome no estrangeiro.

Doutro lado, migrar é uma necessidade, não apenas das pessoas mas dos governos: por isso o primeiro ministro de Portugal e alguns homens do executivo dele convidam os Portugueses a abandonar o País. Tudo tornará mais simples gerir as liberalizações, que serão reduzidas até meros conflitos étnico-raciais, com as vítimas umas contra as outras. Racismo e xenofobia: pode haver acusação pior?

O que é mais simples: controlar um povo ou controlar um conjunto de pessoas com língua, religiões, usos diferentes? Paradoxalmente, a resposta correcta é a segunda, porque neste caso é suficiente a força.

Sons

Voltamos aos sons. Quais sons? Os sons dos vídeos que alguns entre os Leitores sinalizaram e que foram tratados neste post.
Ah, estes sons. Pois, estes.
Desculpe, é que ainda não me sinto tão bem.
Tá bom, mas presta atenção.
Ok.

Como afirmado, os vídeos apresentados são falsos, coisa bastante simples de demonstrar.
Mas isso significa que todos os vídeos na internet são falsos?
Pensemos nisso: qual poderia ser a melhor forma para abafar um fenómeno real? Resposta: mergulha-lo no meio de fenómenos muito parecidos mas claramente falsos.

Por isso fiquei curioso e fiz algumas pesquisas, só atrasadas pelo maléfico vírus gastro-destruidor.

Um pouco de história.
O fenómeno dos sons começa no final da década dos '70, quando alguns radio-amadores detectam um som esquisito que faz lembrar aquele produzido pelo pica-pau, pelo que o som fica conhecido como Woodpecker sound (literalmente: som do pica-pau).

"Querido Irão,..."

O New York Times anunciou que a administração do simpático Obama, em 12 de Janeiro, enviou uma carta para os líderes do Irão.

Três dias depois, 15 de Janeiro, o porta-voz do Ministério iraniano dos Negócios Estrangeiros reconheceu que a carta tinha sido entregue através de três canais diplomáticos:
  1. uma cópia da carta chegou em New York, ao embaixador do Irão na ONU, Mohammed Khazaee, através do seu homólogo dos EUA, Susan Rice;
  2. uma segunda cópia foi entregue através da embaixadora suíça em Teheran, Livia Leu Agosti;
  3. uma terceira cópia chegou com o iraquiano Yalal Talabani. 

Votos de Feliz Ano Novo? ao que parece não.

Na carta, a Casa Branca detalhou a posição dos Estados Unidos, enquanto as autoridades iranianas afirmaram que é um sinal de como as coisas realmente estão: os Estados Unidos não podem dar-se ao luxo de travar uma guerra contra o Irão.

23 janeiro 2012

O exemplo (e um conselho)

Hoje um post.
Só???
Ah pois. Um post e um conselho.

O conselho é o seguinte: não fiquem doentes. Sério, não tem graça nenhuma. Uma pessoa pode pensar "Sei lá, uma gripe, de vez em quando, até pode dar jeito, não é?". Não, não dá. E se mesmo assim decidirem estar doentes, pelo menos fiquem longe das infecções alimentares, aquelas com vírus, náusea, disenteria e tudo o resto.

"Dieta hídrica " até pode soar bem, mas é uma mentira. É "dieta", disso não há dúvida, mas não é "hídrica" no sentido amplo do termo, pois não inclui bebidas óbvias como chocolate quente, milk shake, cocktail ou cerveja. Nada disso, tudo fica resumido ao chá, pelo que deveria chamar-se "dieta chática".

Mas vamos em frente.
O Diário de Notícias publica as poupanças dum cidadão português. Nunca é bom fazer as contas no bolso dos outros, até acho um bocado de mau gosto, mas também é verdade que este blog chama-se "Informação Incorrecta", por isso...

O cidadão em questão é o idoso Aníbal Cavaco Silva que, como vimos num post anterior, sobrevive no limiar da indigência com umas reformas de 10.000 Euros mensais.

21 janeiro 2012

Ajudar um idoso

Ontem fiquei muito sensibilizado com a história dum idoso português e estou a pensar acerca da possibilidade de lançar uma iniciativa, possivelmente uma recolha de fundos ou de roupa.

Mas eis os pormenores.

Aníbal António Cavaco Silva nasce em Boliqueime, uma desolada aldeia algarvia, no longínquo 1939.

Filho de Teodoro Gonçalves da Silva e de Maria do Nascimento Cavaco, aí cresce enquanto o pai tenta vender frutos secos e combustíveis: por isso o aquecimento nunca falta, mas o jantar é sempre cascas de nozes grelhadas.

O jovem Aníbal decide abandonar o anonimado da pequena aldeia e frequenta a Escola Técnica Elementar em Faro, localidade que dista uns trinta quilómetros e que o pobre Aníbal possivelmente alcança após marcha forçada diária.

Caminha hoje, caminha amanhã, o pobre Aníbal um dia repara ter chegado até Lisboa e para não desperdiçar a sola dos sapatos (feitas de casca de noz cozida), decide frequentar outro instituto, o Curso de Contabilidade do Instituto Comercial de Lisboa; e em 1963 casa com Maria Alves da Silva, uma pobre estudante de filologia germânica.

Sucessivamente o jovem Aníbal cumpre o serviço militar obrigatório e é enviado para Moçambique. Voltado de África, o pobre Aníbal consegue encontrar alguns trabalhos na capital, mas são todos empregos de escasso valor e mal remunerados: investigador da Fundação Gulbenkian, director do Departamento de Estatística e Estudos Económicos do Banco de Portugal, vogal da Faculdade de Economia da Universidade Nova de Lisboa, docente na Universidade Católica Portuguesa.

Mas o dinheiro continua a faltar: apesar do trabalho, o casal Cavaco Silva vive numa condição próxima da indigência e Aníbal, desesperado, decide tentar a sorte entrando no pérfido mundo da política. Ministro das Finanças, deputado, presidente da Assembleia Distrital de Lisboa pelo Partido Social Democrata, líder do partido em 1985, finalmente Aníbal chega a ser nomeado Primeiro Ministro e o casal parece ter assim encontrado um mínimo de estabilidade económica.

Mais fotografias e finalmente rico!

Três novidades.

1. Desaparece o widget "Últimos visitantes": implicava bastante tempo no carregamento da página e, como realçado por alguns Leitores (que agradeço), nem era muito preciso.

2. Voltam as imagens. Eu sei, as imagens, mesmo que redimensionadas, atrasam o carregamento da página, por isso há alguns tempos decidi "corta-las". Mas o blog sem imagens é um pouco monótono. Enfim, não gosto. Por isso voltam as imagens, provavelmente a preto e branco (gosto!). Peço aos Leitores um pouco de paciência caso o blog demore mais para abrir, mas acho que o aspecto geral ganha bastante com isso.

3. Aparece o botão "Donate", na coluna de direita. E neste caso agradeço os Leitores que sugeriram e apoiaram a ideia (do botão, não da coluna de direita).
Atenção: efectuar uma doação não comporta nenhum privilegio, a totalidade do blog permanece livremente consultável, tal como sempre foi e sempre será. É apenas uma forma de apreciar o trabalho desenvolvido e um estimulo para continuar e melhorar.

Obviamente qualquer montante terá um grande significado, mas é verdade que doações a partir dos 5.000 Euros (possivelmente mensais) tornariam o Leo um cão muito feliz. Não pensem em mim, pensem no bicho coitado...

Ipse dixit.


20 janeiro 2012

Iraque: um País em pedaços - Parte II

E que tal a economia do Iraque?

De acordo com o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), a taxa de pobreza no Iraque é de 23%, o que significa que cerca de seis milhões de Iraquianos são pobres e sofrem a fome, apesar dos recentes aumentos nas exportações de petróleo. O Ministério iraquiano do Planeamento também anunciou que o País precisa de 6,8 mil milhões de Dólares para reduzir o nível de pobreza.

Zahra concorda.
Na minha família ninguém tem um emprego. E na casa da minha irmã há sete adultos, apenas dois deles trabalham.

Jaibur Hassan, assistente médico que não consegue encontrar emprego na sua área, vende frutas num mercado:
A situação é grave e vai piorar. Os preços continuam a subir e não há trabalho. Tudo o que podemos fazer é viver dia a dia.

Jaibur disse que ele e sua família vivem com o que eles conseguem vender, mas têm um filho doente e todo o dinheiro vai para os cuidados médicos.
Todos os meus familiares e amigos estão numa situação similar. Muitos deles tentam encontrar trabalho mesmo que seja só ao longo dum dia.

A Revolta dos Forcados

Uma revolta em Italia? Espanto.
Uma revolta no Sul de Italia? Mais espanto.
E os media? Silêncio. Normal.

Mas é revolta: a "Revolta dos Forcados". Pois quem decidiu mexer-se foram os agricultores. E da Sicilia, onde nasceu, passou até a Calabria. Desenvolvimentos? Ninguém sabe, pode ser que tudo acabe hoje, pode ser que não. Mas é um sinal, pois não é a primeira e nem será a última das manifestações no Velho Continente. Aliás, é provável que com a total implementação das medidas de austeridade, este tipo de manifestações possam intensificar-se.

Partiu dos agricultores para depois incluir outras categorias de cidadãos, praticamente todas.

A intenção é de parar pacificamente toda a Sicilia, bloqueando os pontos cruciais do transporte regional: pontes, autoestradas, portos, em qualquer canto da região, incluídas as refinarias.

Em foco: de-fiscalização dos carburantes e da energia eléctrica, plano de desenvolvimento rural, intervenção da justiça para a protecção dos produtos locais.

A trombeta do Dia Final

Eis uma coisa curiosa, já realçada por um Leitor.
Em várias partes do mundo são alegadamente ouvidos sons esquisitos.
Aqui vai um exemplo:


Outros casos (o link mostra o relativo vídeo):
Costa Rica
República Checa
Chile
México
Ucrânia

Em particular o último link é interessante, pois é uma reportagem da televisão ucraniana (não legendado, por isso não compreensível).
Temos que admitir: os vídeos são sugestivos e totalizam um número muito elevado de visualizações.

É a trombeta do Dia do Juízo? O Armageddon? Ou um caso de má digestão?
Resposta: é um falso. São todos falsos.

Um caso esquisito

O Muy Nobre Saraiva pede para realçar esta notícia.
Saraiva pede, Max actua.

Eis o artigo completo tal como apareceu no diário Público do dia 14 de Março de 2011 (e não, não é uma "Última hora"):
Arsénio Almeida, engenheiro electrónico de 45 anos, só queria visitar o pai que estava acamado em casa, numa aldeia de Sever do Vouga. Mas ao longo de um intenso périplo na Justiça "monstruosa", ficou anos sem ver o pai, que morreu em Julho de 2010 e acabou duas vezes detido pela GNR e com o salário e o carro penhorados. Uma história de loucos, nas palavras de uma vizinha que a acompanhou, sem final feliz.

Na semana passada, depois de bater insistentemente à porta de inúmeros meios de comunicação, Arsénio decidiu tirar férias e iniciar uma greve de fome. Queria denunciar a desumanidade da sua história. Montou tenda durante vários dias em frente a um mural dedicado aos direitos humanos, em Belém, Lisboa, cidade onde reside.

19 janeiro 2012

Iraque: um País em pedaços - Parte I

 Enquanto a violência continua por todo o Iraque, as pessoas continuam a lutar para encontrar algum sentido de normalidade, uma tarefa extremamente difícil por causa da já citada e persistente violência e da falta de água e de electricidade .

Durante os preparativos para a invasão do Iraque, a administração Bush prometeu que a guerra traria aos Iraquianos uma vida melhor e grandes benefícios nas infra-estruturas, severamente enfraquecidas por treze anos de sufocantes sanções económicas.

Mais emprego, melhor disponibilidade de água, fornecimento de electricidade e uma grande remodelação das principais instalações médicas: estas as promessas.

Mas agora que os militares dos EUA formalmente retiraram-se, depois de quase oito anos de guerra, as promessas são pouco mais que uma miragem.

Alimentação: a lixo-comida

E porquê não falar de comida? Eh? Porquê?
Ok, falemos de comida.

Mas este deveria ser um blog de geopolítica e economia. Então mudo: geopolítica, economia e culinária. E no futuro: vida e obras das formigas vermelhas.

Tá bom, se calhar nada de formigas vermelhas. Mas espreitar no prato não é mal: afinal é por aí que passa a nossa comida e sabemos que com os alimentos introduzimos no nosso organismo várias substâncias. Algumas fazem bem, outras nem por isso.

Sem falar de assuntos empenhados como o Codex Alimentarius, vamos observar alguns produtos e meditar.
Prontos? Ok, meditemos.

O caso clássico: a pseudo-comida do McDonald´s.
Todos sabemos que as refeições servidas na mais conhecida cadeia de fast-food são uma porcaria. Mesmo assim, entrem num centro comercial e observem: qual a fila mais comprida? Aquela do McDonald´s.


Agora observem os preços. Em Portugal, por exemplo, o Menu Happy Meal (vocacionado para as crianças) custa 3,25 Euros. Inclui: um cheesburger (sal), batatas fritas pequenas (gorduras, sal) e um refrigerante (açúcar). Eis que com apenas 3,25 Euros teremos subministrado à criatura uma bomba calórica, pouco nutriente, insuficiente e prejudicial do ponto de vista da alimentação.

A "nova" teoria do petróleo

Um dos artigos mais lidos deste blog foi O petróleo inesgotável, que trata da origem abiótica do precioso líquido. Em poucas palavras, o petróleo não seria o fruto da decomposição de compostos orgânicos mas sim um produto "das rochas".

As implicações desta teoria alternativa são enormes: o petróleo não seria algo em via de desaparecimento mas um componente renovável da terra.

A teoria tem fundamento? Cabe ao Leitor julgar.
Aqui vamos aprofundar o assunto.

Gás e termodinâmica

A essência da moderna teoria russo-ucraniana acerca da origem do petróleo abiótico é um amplo conjunto de conhecimentos científicos que abrange os temas da génese química das moléculas dos hidrocarbonetos que constituem o petróleo natural, os processos físicos e dinâmicos relacionados,o posicionamento e a produção de petróleo.

Na prática, a teoria reconhece o petróleo como um material primordial de origem profunda, que é expelido das camadas interiores do planeta. Isso significa que o petróleo não é um combustível fóssil e não tem relacionamentos com detritos biológicos (como animais mortos).

18 janeiro 2012

Greetings from Guantanamo

Dez anos atrás, Omar Deghayes e Morris Davis teriam parecido um casal muito estranho. Embora nunca se encontraram, agora compartilham um vínculo profundo, cimentado pelo tempo gasto na prisão dos Estados Unidos: Guantánamo, a antiga Port Grande de Cristoforo Colombo.

Guantánamo é uma base do marines em território cubano. Em 1903, o então presidente de Cuba Tomas Estrada Palma ofereceu aos Estados Unidos um contracto de locação permanente, com completa jurisdição e controlo por parte de Washington, tudo em troca de 2.000 Dólares de ouro anuais. Cuba nunca reconheceu a validade do acordo, mas Guantánamo era e continua a ser a única base norte-americana num País comunista.

E desde Janeiro de 2002, com a administração Bush, foi aberto uma prisão no interior da base, tendo como fim a detenção de pessoas suspeitas de actividades terroristas.

Cuba Deghayes era um prisioneiro enquanto o coronel da Força Aérea Morris Davis chefiou a a comissão militares em Guantánamo desde 2005 até 2007.

Outros tempos

Dizia John Swinton:
Nos Estados Unidos, neste período da história mundial, uma imprensa independente não existe. Sabemos bem disso.
Não há nenhum de vocês que se atreveria a escrever acerca das suas verdadeiras opiniões, e você já sabe de antemão que ao fazê-lo nunca seriam publicados. Eu sou pago tanto por semana para manter as minhas honestas opiniões fora do jornal com o qual tenho o relacionamento. Outros de vocês são pagos de forma semelhante para coisas semelhantes, e aqueles que fosse tão louco ao ponto de escrever opiniões honestas ficaria de imediato no meio da rua à procura de outro emprego. Se permitisse a minha real opinião num número do meu jornal, antes de 24 horas a minha profissão seria liquidada.
O trabalho do jornalista é destruir a verdade, mentir descaradamente, subornar, desprezar, abanar o rabo ao pé da riqueza, vender o seu País e o seu povo para o seu pão de cada dia. 
Você sabe isso e eu sei também. Então, que loucura é essa de brindar a uma imprensa independente?
Nós somos as ferramentas e os vassalos dos ricos homens nos bastidores. Nós somos fantoches, eles puxam as cordas e nós dançamos. Os nossos talentos, as nossas possibilidades e as nossas vidas, são todos bens dos outros. Nós somos prostitutas intelectuais.

Um péssimo acordo

Um artigo acerca de Portugal? Sim, hoje é o caso.

O governo e os parceiros sociais (mas o termo correcto seria "cúmplices") assinaram ontem o Compromisso para o Crescimento, Competitividade e Emprego. Dito assim parece coisa boa e justa. Mas não é, é exactamente o contrário: faz parte do grande ataque que a classe político-económico-financeira perpetra contra as classes médias e baixas do Velho Continente.

Mas antes demais, vamos ver quais as principais medidas do documento, resumidas nas páginas do diário Expresso:

17 janeiro 2012

A terrível censura

Olá Leitores de Informação Incorrecta.

Há alguns dias o blog recebe comentários e e-mails de "patriotas" brasileiros. Não há nada de mal em ser patriotas, sobretudo se nos factos e não apenas com as palavras: o problema é que aqui de verdadeiro patriótico há bem pouco, cheira muito mais a defesa partidária.

Ao longo de quase dois anos no ar", acho que Informação Incorrecta sempre teve uma atitude correcta (e peço desculpa pela redundância) com os Leitores do Brasil: e não é um acaso se a grande maioria dos Leitores tem origem naquele País.

Agora este relacionamento arrisca estragar-se por culpa dalguns obcecados que preferem esconder-se no anonimato e, sob esta capa, aproveitam do espaço do blog para fazer campanha política. Porque, meus senhores, quando defendermos as escolhas do nosso governo sem sequer saber do que estamos a falar, esta é campanha política.

A partir de agora ou um comentário demonstra ter uma real utilidade para os Leitores ou  será apagado.
Isso, óbvio, só no caso dos tais comentários pseudo-patrióticos, os outros não serão abrangidos por esta medida, tal como sempre aconteceu..

Lamento recorrer a esta medida que sempre afastei do âmbito das possibilidades, mas Informação Incorrecta fez e faz questão de ser um blog "apolítico" e assim terá de continuar a ser.

Além disso, não tenciono gastar o meu tempo com estas lesões cerebrais humanas. O blog não presta? Encontrem outro.

(p.s.: hoje estou enervado, tá bom?)


Ipse dixit.

Barco, Autocarro, Pulgas e falta de inspiração

Hoje em Lisboa. Sem corrector ortográfico. Ops...tá bom, problema do Leitor que deverá tentar entender o sentido das frases entre um acentos que falta e uma cedilha desaparecida. Assim aprendem a ler blogues escritos por estrangeiros.

Bom, dizia: Lisboa.
Almada fica à beira do Tejo, mesmo na frente da capital. Há várias maneiras para atravessar o rio. Nadando, de comboio, com a ponte 25 de Abril (ex ponte Salazar), de barco, de barco com carro.

Nadar é saudável mas admito que atravessar 3 quilómetros de rio às 8 de manhã pode não ser o ideal. Além, disso, há sempre o perigo de ser atropelado por um navio, deve ser por isso que como solução é a menos utilizada.

Comboio: sem considerar as assinaturas mensais, um bilhete para duas pessoas custa um total de 3 Euros, mais a deslocação para chegar até a estação (do centro de Almada devem ser uns três quilómetros). E hoje não havia o cão ("Não, obrigado, não gosto do trânsito da capital, prefiro ficar aqui"). Além disso, há o custo para os transportes públicos uma vez chegados em Lisboa.

16 janeiro 2012

Problema? Solução.

Muito bem pessoal, pegamos numa calculadora.
Imaginemos uma dívida pública de 2.000.000.000.000 (dois mil biliões), uma taxa de juro de 7% e, como unidade de medida, as gerações (mais ou menos 25 anos).

Eis as prestações para extinguir a dívida:
com prestação anual de 172 biliões (172.000 milhões) = uma geração
com prestação anual de 145 biliões (145.000 milhões) = duas gerações
com prestação anual de 140 biliões (145.000 milhões) = 6 gerações.

Fui eu que fiz estas contas? Não, caso contrário este artigo teria sido publicado em Junho de 2024. Mas o que impressiona é o seguinte: 6 gerações? Exacto, mais ou menos 150 anos. Sempre que seja possível pagar 140.000.000.000 por ano. Porque no caso de Italia, por exemplo, País com uma dívida de 2.000 biliões de Euros, o PIB anual é inferior; isso é, a riqueza produzida ao longo dum inteiro ano não chega para atingir o valor da dívida.

Os perigos de 2012

Joseph Stiglitz é um economistas e escritor dos Estados Unidos.

Figura esquisita esta: trabalhou no Banco Mundial antes de ser corrido pelo Secretário do tesouro americano Lawrence Summers. Depois começou a criticar o Fundo Monetário Internacional, afirmando que não faz os interesses dos Países mais desfavorecidos.

Quase quase pode ser definido como "simpático".

Eis um artigo dele, do passado dia 13 de Janeiro, onde fala da situação actual e dos próximos 12 meses. 

Os perigos de 2012: quando a austeridade ainda morde 

O ano de 2011 será lembrado como o período em que muitos ultra-otimistas americanos começaram a perder a esperança. O Presidente John F. Kennedy disse uma vez que é a maré crescente que levanta todos os barcos. Ma os Americanos estão a ver que muitos dos barcos já foram partidos nesta espera mortífera.
Naquele breve momento, quando a maré estava realmente a levantar-se, milhões de pessoas pensaram ter uma boa chance de realizar o próprio "sonho americano". Agora esse sonho também estão a recuar. Em 2011, as poupanças daqueles que haviam perdido os empregos em 2008 ou 2009 foram-se. Como também os subsídios de desemprego. A manchete dos jornal que anunciam novas contratações, ainda não suficientes para manter o ritmo com o número daqueles que normalmente teriam entrado no mundo do trabalho, pouco significam para quem com cinquenta anos têm pouca esperança de recuperar um emprego.

Quando um petroleiro afunda

Vista de Genova fazia impressão. Mas era da praia de Arenzano que era possível colher a violência. A pouco mais dum milho de distância havia agora uma enorme coluna de fumo espesso, negro: e na base, chamas, muitas chamas que surgiam do mar.

Água e fogo. Eu tinha ido com os meus pais para ver o raro espectáculo: aí, perante os olhos dos milhares de curiosos, estava a consumar-se uma catástrofe ecológica, com 144.000 toneladas de petróleo no mar, poucas centenas de metros da costa onde as famílias costumavam apanhar o sol e os pescadores preparavam as redes.

Mas que acontece quando um petroleiro afunda? Quais as consequências dum acidente como este? E é correcto falar de "desgraça"?

13 janeiro 2012

França: AA. Portugal: Eheh.

Admito: era uma previsão simples. Mas estava certa. O novo alvo das agências de rating é a França.
Depois de várias de ameaças, a França perde a notação máxima, tal como Áustria, passando ambas para AA.
Ainda não foi, contudo, emitido qualquer comunicado por parte da agência de ratings americana.
A Reuters já tinha anunciado que a S&P estava a avançar com o corte dos ratings soberanos dos países da zona euro e dos dezassete apenas dois escapam.
Alemanha, Holanda e Luxemburgo foram poupados segundo a agência francesa.

Os biocombustíveis e a cana do Brasil

Jean Ziegler é um sociólogo suíço, professor nas universidade de Genebra e La Sorbonne de Paris. Acaba de publicar um livro, Destruction massive: Géopolitique de la faim que trata do problema dos biocombustíveis, uma área em plena expansão.

Um biocombustível não é apenas um carburante mais "amigo" do ambiente: é, antes disso, o uso das terras agrícolas e das culturas para produzir combustível para veículos de transporte em vez de alimentos para seres humanos, um factor-chave na escalada dramática dos preços dos alimentos em todo o mundo.

No seu livro, Ziegler mostra como a indústria dos biocombustíveis ameaçam aumentar a fome no mundo até níveis nunca atingidos antes. É isso não é um acaso, um acidente: é o resultado de políticas deliberadas implementadas pelos governos relacionados com as poderosas empresas do agro-negócio na procura do lucro privado.

Desta forma, o dramático aumento dos níveis da fome no mundo pode ser descrito como uma forma de "homicídio assassinato calculado".

12 janeiro 2012

A economia militar

Militares e "alta" finança? Que têm em comum o Pentágono e a JP Morgan? Resposta: muito, muito mesmo.

Hoje é repetido muitas vezes (também neste blog) que a economia de papel já não tem nada a ver com a economia real. Isso é verdade, mas mesmo assim a economia continua a ter uma ligação com outro tipo de "realidade", aquela das armas: porque um banco não tem a força necessária para prevalecer no circuito internacional da produção e do consumo. Esta é uma tarefa que é desenvolvida por outras forças, as forças militares.

 No dia 11 de Maio do ano passado, CNN Money, fez saber que JP Morgan está no Afeganistão, a caça de recursos minerais local, com a ajuda do Pentágono. Não é uma excepção: é a regra. 
McNamara, falecido em 2009, tinha sido Secretário de Defesa com os presidentes Kennedy e Johnson. McNamara é famoso pela organização que deu ao Pentágono, torna-do na mais colossal máquina de despesa pública da história.

McNamara: vamos conhece-lo melhor? E vamos.

Desaparecimento do Euro: manual de sobrevivência

Diz Bruno:
[...] sinto necessidade de recorrer ao seu discernimento em algo que presumo ser de interesse geral; trata-se dos possíveis planos de contingência pessoais perante a possibilidade (apenas a possibilidade) de fim da moeda única. Seria útil possuir economias em moedas estrangeiras estáveis? Seria útil reduzir as economias confiadas aos bancos ao nível da liquidez mensal? Seria útil aumentar os stocks pessoais de alimentação de longa validade e energia contando com uma possível inflação generalizada? Por exemplo; a Grécia que esta á nossa frente para a descida ao fundo do poço, como se tem eles organizado para fazer frente á adversidade, sinto que olhar a Grécia é olhar o nosso futuro, que ensinamentos pode-mos colher dali para o nosso futuro?
Podemos falar sobre isso?

Claro  Bruno, podemos falar de qualquer assunto. O problema, eventualmente, podem ser os resultados, e recorrer ao "meu discernimento" é meio caminho andado para a desgraça (entre as outras coisas: não sou economista!)...mas vamos em frente.

Fracking

Fracking.
O que é isso?

É uma técnica relativamente nova para extrair gás da terra. É genial e disso já falámos num passado artigo.
Resumindo: pega-se num líquido composto por várias substâncias químicas, enfia-se o líquido numa sonda de alta pressão e depois dispara-se tudo no solo. Resultado? A rocha fica em pedaços, o gás é libertado.

Uma vez extraído o gás ou o petróleo, o buraco deixado atrás é enchido com areia, cascalho ou cerâmica. Antes rocha, depois areia. Mesma coisa, evidente.

As companhias petrolíferas estão tranquilas: o fracking é seguro, ora essa. Cria-se um buraco, enche-se o buraco, onde está o problema? 

O problema é que após o tremor de terra do passado 31 de Dezembro (grau 4.0 Richter), as autoridades do Ohio (Estados Unidos) decidiram travar todas as operações de extracção, em particular a ré-injecção de líquido em cinco poços. Segundo os dados oficiais, desde Setembro até Dezembro de 2011, nestes poços foram injectados 350.000 barris de fluidos perfurantes, mais ou menos 56 milhões de litros de químicos. 

Estes poços são definidos de ré-injecção, são profundos 3 quilómetros e são utilizados para despejar as abundantes águas tóxicas produzidas durante as operações de extracção. Porque verdade seja dita: o fracking é um pouco sujo. 

Em todo o Ohio, ao longo do ano passado, foram ré-injectados 7 milhões de barris, mais ou menos 1.000 milhões de litros deste lixo. 

E começam as dúvidas: mas será que o fracking é depois tão seguro?

11 janeiro 2012

Origens - Parte IV

Pois é. Até aqui vimos como o Universo e o nosso planeta se formaram.
Talvez. E é um talvez bem grande, pois há algo no ar.

O problema é que o mundo científico tem atitudes repetidas e previsíveis; o que se está a passar agora já aconteceu no passado. Que se passa agora? Passa-se que desde os trabalhos de Albert Einstein, a Teoria da Relatividade tornou-se não apenas doutrina científica mas verdadeira fé. Não é possível contradizer, nem sequer questionar: a dúvida não é uma opção. E quem decide ir contra a corrente fica marginalizado, ridicularizado, excluído.
O mesmo que aconteceu com a Igreja e Galileu.

Já visto

Há algo que não bate certo, mas mesmo assim não é possível pôr em causa a Relatividade. Mesmo os evidentes fracassos.

Fracassos? Isso mesmo: fracasso.
Reparem: para explicar o Universo (até mesmo a existência dele), os cientistas têm que admitir a existência duma não bem identificada Matéria Obscura, algo que deve estar aí, no espaço, porque caso contrário as coisas não fazem sentido: não poderia existir nem funcionar um Universo com apenas as coisas que conhecemos, e a Matéria Obscura torna-se absolutamente necessária.

"Tá bom", pode pensar o Leitor "um pouco de Matéria Obscura que mal pode fazer?".
"Um pouco"? Estamos a falar de 90% do Universo. Isso mesmo: desconhecemos 90% do Universo, coisa que sintetizamos com o termo Matéria Obscura.

A Primavera da Nigéria

A Nigéria, um dos Países mais azarados do mundo.

Quase 160 milhões  de habitantes que vivem flutuando por cima duma camada de petróleo. Se a Nigéria fosse um País da América do Norte seria uma potência; se fosse um País da América do Sul seria um País em forte desenvolvimento. Mas a Nigéria fica em África, por isso é só exploração por parte das companhias ocidentais.

Um quinto de toda a população preta da África vive neste País, mas mesmo assim apenas 25% mora em cidades. Islâmicos e Cristãos, quando não empenhados em massacrar-se uns com outros, são administrados por uma governo onde a corrupção é a regra e onde as multinacionais do "ouro negro" mandam.

De infraestruturas nem falar, os transportes são uma lástima, o desemprego fica perto de 30%, doenças provocadas pelas ausentes normas higiénicas, pobreza: este o resumo. A Nigéria é um inferno petrolífero.

Única consolação: a gasolina é muito barata, isso por causa dos subsídios estatais..
Sorte? Não: azar.

...a propósito: o Euro vai acabar. Em breve.

Um pouco de optimismo em molho europeu?
Sim, não faz mal, de vez em quando é bom sonhar. Aliás, os sonhos ajudam a viver. E se forem sonhos com boas possibilidades de realizar-se, ainda melhor.

Qual o sonho? O seguinte: a Zona Euro irá explodir.
Quando? Em breve. Acredito que em 2013 já não existirá. Pelo menos, não na forma actual.

The European Dream

Mas é este optimismo? Sim, agridoce mas sempre optimismo é.
Para quem, como eu, gosta da ideia duma Europa "forte", claro que a notícia não pode ser considerada tão boa. Mas a verdade é que esta União não tem rigorosamente nada a ver com uma Europa entendida como união de Estados. E ainda menos parece uma Europa federal (este sim um autêntico sonho).

A Europa actual é um conjunto de poderes fortes que actuam sem o consentimento dos povos. E em caso de dúvidas, façam o favor de ré-lembrar como foi aprovada a tão falada "Constituição Europeia" (que depois constituição não é, mas enfim...). Lembraram? Muito bem.
E já que estamos em tema de recordações, tentem lembrar quem elegeu os membros da Comissão Europeia (pequena ajuda: mas alguma vez foram chamados a votar neste sentido?).

Tudo bem, basta com o passado e vamos falar do futuro.
A Zona Euro encontra-se numa situação esquisita: as Mentes Pensantes de Bruxelas e os servos mediáticos repetem que sim, há problemitos mas nada de grave agora. No máximo afirmar que existe uma remota possibilidade das coisas piorar, mas a maioria tem a certeza de que nada irá acontecer.

É quando aparecem estas certezas que as dúvidas deixam de ser tais e se tornam previsões.

10 janeiro 2012

Festival do Cinema - Parte II: Longa-metragem

Bem vindos ao Festival do Cinema, parte segunda.

Falamos agora da categoria mais esperada: a das longa-metragem.

O Primeiro Prémio vai para o filme A Sul da Fronteira, do realizador Oliveiro Pedra (nome artístico: Oliver Stone).

Como realça a patrocinadora Ana Maria (que a Júri publicamente agradece):
O diretor Oliver Stone viaja por seis países da América do Sul e ainda Cuba, em uma tentativa de compreender o fenômeno que os levou a ter governos de esquerda na primeira década do século XXI. Através de conversas com Hugo Chávez (Venezuela), Cristina Kirchner (Argentina), Evo Morales (Bolívia), Luiz Inácio Lula da Silva (Brasil), Fernando Lugo (Paraguai), Rafael Correa (Equador) e Raul Castro (Cuba), é analisado o modo como a mídia acompanha cada governo e o maneira como lidam com os Estados Unidos e órgãos mundiais como o FMI.  

E agora vamos com a projecção.
Baixem as luzes, desliguem os telemóveis, silêncio s.f.f.

A bolha da dívida

E assim, pela segunda vez em dois anos, o sistema bancário entrou em colapso, o que significa que os bancos já não são capazes de financiar-se através dos meios normais.

Desta vez tudo aconteceu de forma soft, abafada, sem grandes títulos nos jornais. Porque agora a prioridade mudou.

Antes era preciso gritar "A crise, chegou a crise!", criar um clima de profunda preocupação e até de medo, com os media que amplificavam o que antes tinham colaborado em esconder.

Agora as coisas mudaram: os cidadãos precisam de aceitar os sacrifícios em nome do saneamento das contas e não podem ficar distraídos com suspeitas do tipo "e se o verdadeiro problema não fosse a dívida pública?". São estes pensamentos pecaminosos, pois o único culpado foi e continua a ser o cidadão, com as suas absurdas necessidades e gastos.

Pelo que, a queda ficou quase despercebida. Mas estamos perante o mesmo cenário de 2007: há bancos, grandes bancos, que não têm dinheiro, insolventes.

Os bancos já não obtêm a maioria dos financiamentos através da recepção de depósitos e da emissão de empréstimos. Que, é bom lembrar, seria a actividade primária dos bancos.

Agora fazem empréstimos, mas de curto prazo, através da troca de activos.
Obviamente, cada vez que surgirem dúvidas acerca destes activos, o sistema fica de joelhos. Porque estas instituições já não podem ser definidas "bancos", mas são mais parecidas com as casas de penhora.

Festival do Cinema - Parte I: Curta-metragem

Bem vindos ao Primeiro Festival do Cinema de Janeiro de 2012, o ano em que o mundo acabará.

E dado que estamos todos condenados, nada melhor duma boa gargalhada com a curto-metragem que acaba de ganhar o Primeiro Prémio do Gran Jurí.

A curta metragem, patrocinada pelo Nobre Saraiva (que o Jurí agradece publicamente) tem o título de Mouseland, Ratolândia.

A fábula Mouseland (em português: "Ratolândia") foi inicialmente contada por Clarence Gillis e mais tarde popularizada em discurso por Tommy Douglas, político canadiano. A fábula expressava a visão de que o sistema político canadiano estava viciado, pois oferecia aos eleitores um falso dilema: a escolha de dois partidos, dos quais nenhum representava os interesses do povo.

Na fábula, os ratos (o povo canadiano) votavam nos gatos negros (Partido Progressivo Conservador) e depois de algum tempo descobriam o quão difícil suas vidas eram. Depois votavam nos gatos brancos (Partido Liberal) e assim ficavam alternando entre os dois partidos.

O filme é curto, 5 minutos, e bem engraçado. E inteligente também.

Baixem as luzes, silêncio s.f.f.:

09 janeiro 2012

A batalha perdida

Eu continuo com os problemas do costume que, na verdade, continuam a crescer: comentários aos quais nem tenho tempo para responder, e-mails cheias de dicas interessantes, a necessidade de procurar novo material para a publicação. E, no tempo que sobrar, desligar o computador e viver.

Por isso, uma das coisas que farei ao longo deste 2012 será encontrar uma solução. Por exemplo: já pensei em publicar artigos criptografados, de forma que os Leitores sejam obrigados a gastar tempo na tentativa de decifra-los, e fechar o endereço de correio electrónico sem dizer nada a ninguém.

Ok, ok estou a brincar. Aliás, façam o favor de continuar a enviar links de público interesse e de comentar, pois este é o sumo de Informação Incorrecta. E tenham paciência com os atrasos do blogueiro.

Mas não é deste blog que desejo falar.
Ontem, já passava da meia-noite, Informazione Scorretta (a "mãe" de Informação Incorrecta) anunciou o fecho.
Também Bimbo Alieno, a excelência no âmbito da critica económica, anuncia ser obrigado a "repensar" profundamente o blog.
Il Cigno Nero já fechou há alguns tempos.
E Mondart deu um novo rumo ao trabalho.

Não são os únicos exemplos. São sinais, péssimos sinais.

Cinquenta grandes poluidores

São cinquenta.
Quem são? São os cinquenta bilionários contra os quais o dedo está apontado por causa das responsabilidades na degradação do meio ambiente.

Derivam as próprias riqueza de actividades altamente poluidoras e não hesitas em gastar milhões para influenciar o governo e a opinião pública. As riquezas deles, todas juntas, totalizam um impressionante 613.000.000.000 Euros. Este 50 têm um peso financeiro maior do que o fundo de estabilidade que foram criados para "defender" a Zona Neuro contra a especulação.

Este é o poder que detêm. É esta concentração de poder que é denunciada no relatório do Fórum Internacional da Globalização (IFG), um instituto independente com sede em San Francisco, que reúne economistas e pesquisadores, incluindo o indiano Vandana Shiva ou o canadiano Tony Clarke, conhecido pelas suas batalhas contra os abusos corporativos.

Este volumoso relatório, Outing The Oligarchy, tem como objectivo "atrair a atenção do público sobre os indivíduos ultra-ricos, que obtêm cada vez mais lucros - e mais responsabilidade - do agravamento da crise climática".
Por causa da poluição causada por eles e por exercer uma pressão em defesa dos combustíveis fósseis, é este grupo de bilionários, de acordo com o IFG, "a maior ameaça que pesa sobre o nosso clima". O instituto decidiu divulgar os nomes daqueles que constituem esta ameaça. Uma vez que é o 99% a sofrer as consequências do enriquecimento deles, temos de saber de quem estamos a falar. Uma espécie de "outing" forçado.

O mundo em preto e branco

Politica. Pois.

A politica pode ser uma eficaz gaiola mental e o texto a seguir é um bom exemplo disso. Neste caso o autor, Lucio Garofalo, é um Marxista e o artigo dele aparece num site comunista italiano (Bella Ciao, título duma conhecida canção utilizada na Segunda Guerra Mundial pelas tropas anti-nazistas).

Mas o importante é realçar como o mesmo discurso possa ser expandido até incluir qualquer pessoa que ponha na base dos próprios pensamentos uma doutrina politica, seja ela de qualquer cor. Neste sentido, o presente artigo não é especificamente contra a doutrina comunista: simplesmente é utilizado um artigo de Esquerda para realçar algumas atitudes típicas de quem costuma ver o mundo apenas com duas cores: preto e branco.

Os resultados são bastante tristes: as afirmações chegam a chocar com a realidade e quem escreve nem consegue dar conta disso.
Vamos ver a razão.

08 janeiro 2012

Origens - Parte III

Então: já sabemos (ou pensamos saber) como o Universo foi criado.
Já sabemos (ou pensamos saber) como nasceram o Sol e os planetas do nosso Sistema Solar, Terra incluída.
Que falta? A vida.

Miller e a falsa atmosfera

Na década dos anos '50, o cientista Stanley Miller pegou num garrafa, encheu com hidrogénio, metano, amoníaco e água. Depois condimentou tudo com descargas eléctricas para simular os raios (ou a radiação solar) e foi para casa.
Após uma semana, observou a garrafa e que encontrou? Compostos orgânicos, entre os quais aminoácidos e outros potenciais constituintes biológicos: Miller tinha encontrado os tijolos da vida numa garrafa com a atmosfera primordial da Terra!

Aplausos, festa, hip hip hurra. A vida nasceu sozinha. E ainda hoje nos livros de história encontramos este bonito conto. Que é falso.

O taxísta bailarino

Hoje estive num supermercado, o que já não é bom, e enquanto ficava na fila reparei em três coisas.

1. Os preços aumentaram de forma brutal.
Tá bom, é o que merecemos por causa da nossa intrínseca estupidez, não é que haja muito a dizer acerca deste assunto.

2. Numa outra fila havia uma mãe com um bebé nos braços.
Este estava embutido num casaco que parecia um colchão, estava vermelho como um pimento e fartava-se de chorar. E com razão, pois de facto estava a assar de forma lenta: eu, por exemplo, estava de mangas curtas (embora seja verdade o facto de eu ser exagerado no que diz respeito ao calor; doutro lado estou habituado à neve, não ao pseudo-frio português...).

Não é a primeira vez que reparo em situações similares e não entendo a atitude destes pais: não é que manter um bebé na casa dos 40º graus signifique torna-lo mais saudável. Aliás, acho ser exactamente o contrário: sem contar com a constante transpiração, da primeira vez que a criatura tiver verdadeiramente frio ficará logo com uma pneumonia, pois o corpo dela nunca terá tido a possibilidade de desenvolver as defesas naturais.

07 janeiro 2012

Indignados

Então, que se passou em Alfragide?
Ok, ok, os Leitores que não vivem perto de Lisboa estarão a perguntar: mas que é esta Alfragide?

Acho muito interessante seguir este tema e vou explicar a razão: mesmo que o Leitor não seja Português, não deixa de ser uma iniciativa de tipo "novo" (aspas obrigatórias), na qual um grupo de pessoas decide reunir-se para tentar debater dos muitos problemas que afligem a nossa sociedade e , se possível, encontrar soluções.

Entre os participantes havia o Nobre Saraiva que teve a cortesia de enviar-me o relatório final da reunião. Mas antes disso um brevíssimo resumo.

Como pode ser lido na página do blog Sociedade Alienada, na tarde do passado dia 28 de Dezembro decorreu em Alfragide (perto de Lisboa) a Primeira Assembleia Popular, organizada pelos Indignados de Lisboa e aberta a todos.

O que aconteceu?
Como afirmado, eis relatório (obrigado Saraiva!) que, se bem percebi, não é a versão "oficial" mas simplesmente um resumo. Que depois é o que interessa.

06 janeiro 2012

Um Sábado bem empregue

Portugueses!
Não sabem o que fazer no dia de Sábado? Isso é, amanhã?

Eis que o amigo Mário Nunes, de Kafe Kultura, resolve o vosso problema..
A Câmara de Coimbra e as congéneres lousanense e mirandense (tradução: de Lousã e Miranda do Corvo, ndt) vão disponibilizar transporte gratuito para a acção de protesto que o Movimento Cívico de Cidadãos de Lousã e Miranda do Corvo promove no próximo sábado (amanhã, ndt), em Lisboa.

Este ano, o Movimento propõe-se cantar as Janeiras ao ministro da Economia e das Obras Públicas, Álvaro Santos Pereira.

O filosofo de Direita. E de Esquerda também.

Alain de Benoist é uma pessoa esquisita.

É um escritor, um filosofo, sociólogo e não é marxista. Já isso é espantoso, sobretudo considerado que é um francês.
Além disso, admite abertamente ser de Direita, gere duas publicações Nouvelle Ecole (desde 1968) e Krisis (desde 1988) e os seus artigos aparecem regularmente nos diários Le Figaro e Telos, o jornal da Esquerda radical dos Estados Unidos.

Inimigo da globalização, do liberalismo, nos últimos anos aumentou as criticas contra o imperialismo de Washington.

Também não gosta da União Europeia, embora acredite numa Europa federal e o pensamento dele pode ser resumido como um conjunto de marxismo, ecologismo, multiculturalismo (a protecção das identidades culturais dos vários povos), o socialismo, o federalismo e o paganismo.

Vamos ler uma entrevista com de Benoist realizada há poucos dias pelo jornalista Giacomo Gabellini, entrevista onde se fala de tudo um pouco: Europa, Estados Unidos, Bric, Bilderberg, Líbia, Síria...

"Mas é uma entrevista táo comprida..."
Sim, mas é interessante.
"Mas é comprida..."
Tá bom, que posso fazer eu? Façam pausas, ora essa...

Um custo razoável

A sempre pouco louvada Glaxo (nome completo GlaxoSmithKline) terá que pagar uma multa de 179 mil Euros por causa de irregularidades nas autorizações para a experimentação de vacinas em crianças no biénio 2007/2008 .

Tudo aconteceu na Argentina: a Glaxo tinha a intenção de experimentar novas vacinas para as crianças, contra a pneumonia e a otite aguda mas precisava de autorizações. O juíz Marcelo Aguinsky, de Buenos Aires, descobriu que tinham assinados por pais de menor idade, idosos analfabetos, até mães incapazes de entender. Além disso, foram detectadas falta de documentação e ocultação de documentos.  

Pena que 14 crianças morreram, apesar de ser impossível demonstrar uma correlação directa entre vacinas e mortes.

Após um inquérito da Administración Nacional de Medicamentos, Alimentos y Tecnología Médica (Anmat), foi descoberto que a quantidade de vacina subministrada não levava em conta as condições físicas da criança.

O Aviso de Kennebunkport

O ex vice-presidente dos Estados Unidos, Dick Cheney, publicou a sua autobiografia, In My Time. Sem dúvida uma obra prima.

No livro Cheney conta a história de quando, em Junho de 2007, tentou convencer George Bush a bombardear a Síria com base (adivinhem?) no alegado programa nuclear sírio.

Cheney afirma ter sido ele a levantar a questão durante uma reunião do Conselho de Segurança Nacional (NSC). Bush perguntou se alguém mais estivesse inclinado na mesma linha, mas todos ficaram calados.

Desta forma, então, Cheney falhou na primeira tentativa de lançar um ataque à Síria através dos canais legais e institucionais.
 

Pouco mal, afinal era apenas uma tentativa e outras teriam surgido em breve, porque a Síria tem de ser atacada.
Relata o simpático Cheney:
Mais uma vez defendi a ideia de uma acção militar contra o reactor nuclear. Mas a minha era uma voz solitária. Quando terminei, o Presidente disse: 'Alguém está de acordo com o vice-presidente?'. No outro lado da sala não se levantou uma mão. Na verdade, três meses depois o local foi destruído por aviões israelitas.
Não sei o Leitor, mas eu fico comovido perante a ideia do pobre Cheney sozinho e abandonado no meio duma grande sala: afinal não pedia muito, apenas atacar um pequeno País que nada tinha feito contra os Estados Unidos.

05 janeiro 2012

2012: fim do mundo - Parte II

Mecanismo causa-efeito.
C existe porque antes existiu B, por sua vez fruto do acontecimento A.
A nossa visão.

É assim em todo o mundo? Não.
Escreve Jung na introdução da obra I-King:
A nossa ciência é baseada na casualidade, e esta é considerada uma verdade axiomática. Os Chineses, pelo contrário, parecem estar pouco interessados na explicação natural dos acontecimentos, pois estes têm de ser claramente separados entre eles antes de poder ser tratados de forma apropriada. Segundo os Chineses, o instante em observação parece mais a configuração que acontecimentos acidentais formam naquela altura. Enquanto a mentalidade ocidental cuidadosamente separa, pesa, escolhe, classifica, etc., a imagem chinesa do momento contem cada pormenor até o mais ínfimo detalhe, pois o instante observado é o total de todos os  ingredientes.

Refrigerantes multiusos

Só como curiosidade.

Em 2009 o senhor Ronald Ball comprou uma lata de refrigerante tipo gasosa da Pepsi: o Mountain Dew com sabor de limão. Cedo o bom Ronald percebeu que além do limão havia outro ingrediente, um sabor exótico, difícil de explicar. Olhou com mais atenção e no interior da lata encontrou um pequeno rato morto.

Eu gosto de ratitos, são simpáticos e inteligentes. Talvez este não tivesse sido o mais inteligente da espécie dele, pois um rato no interior duma lata de gasosa tem uma esperança de vida bastante curta. Mas, quem sabe?, poderia ter morrido antes, talvez duma doença qualquer.

O mesmo deve ter pensado o bom Ronald que começou a vomitar e sentir-se mal.
Uma vez mais calmo, ligou para a Pepsi para realçar o acontecido. E a Pepsi enviou um especialista (em gasosa? Em ratos? Fica a dúvida).

Maçonaria: as mãos sobre o País

Luís Montenegro, líder parlamentar do Partido Social Democrata português, foi convidado em Junho passado a participar num jantar-debate sobre Portugal, um jantar "reservado" aos "membros da nossa casa", a loja maçónica Mozart49.

Objectivo? Interagir "com o mundo profano".

Outros nomes da lista de convidados:
Nuno Vasconcelos (Presidente Ongoing)
Rafael Mora (Vice-Presidente Ongoing)
Jorge Silva Carvalho, ex-director dos serviços secretos SIED
João Paulo Alfaro, ex-agente secreto
Agostinho Branquinho, ex-deputado do PSD
Pedro Duarte, ex-parlamentar do PSD
Humberto Pacheco, do Partido Socialista.
António Costa, director do Económico (de propriedade da Ongoing)
Armindo Monteiro, vice-presidente da CIP (Confederação da Indústria Portuguesa)
Álvaro Covões, produtor de espectáculos,
António Lourenço dos Santos, ex-secretário de Estado dos Negócios Estrangeiros do PSD
Amândio Antunes, director-geral da Finaccount,
Carlos Veiga, ex-presidente de Cabo Verde
Luís Carrilho, comandante da polícia em Timor-Leste
José Amaral Lopes, ex-secretário de Estado da Cultura do PSD
José Cordeiro, da Indústria de Desmilitarização e Defesa
Filipe Costa, ex-chefe de gabinete de Alberto Costa e hoje no ICEP (Investimento e Comércio Externo de Portugal) em Xangai 
Ricardo Kendall, da Midas
Rogério Tavares, advogado
Francisco Rodrigues, do SIRP (serviços secretos).

04 janeiro 2012

O Banco, os Chineses e a África

Eis uma notícia que deveria fazer reflectir.

Um estudo da sociedade Fitch revela que ao longo dos últimos dez anos o Banco Export-Import chinês (Exim Bank) emprestou 67,2 biliões de Dólares às mais pobres regiões da África, nomeadamente a zona sub-sahariana.

Qual é o espanto? Cá está: no mesmo período, o Banco Mundial emprestou 54,7 biliões de Dólares, muito menos do que o banco chinês.

Os Países interessados são os seguintes:
Angola
Etiópia
Nigéria
Sudão

E nos últimos tempos foram envolvidos também outros Países, de forma que o empenho do Exim Bank aumentou de 12,5 biliões de Dólares.

2012: fim do mundo - Parte I

Tem que ser: vamos falar disso.

Eu sei, alguns Leitores não estarão de acordo, mas estamos no princípio de Janeiro, não podemos passar todo o ano com pesadelos do tipo "Ohi minha nossa, será que em Dezembro tudo acaba? Vamos morrer? Seremos invadidos por extraterrestres ou lulas gigantes?".

Calma, aqui está Informação Incorrecta, o blog que as dúvidas resolve a as lulas frita. Pegamos no raio de calendário Maya e vamos analisar. Pode ser? Pode. Ok, obrigado. De nada, ora essa.

Esta paranóia do 2012, fortemente alimentada pelos média (ver caso Hollywood), é responsável pelas imagens apocalípticas que circulam nestes tempos. Cataclismos, devastações, terremotos, nariz entupido.

Lógico fazer associações mentais com quanto aprendido ao longo da vida: o Dilúvio Universal da Bíblia, os relâmpagos de Zeus do Monte Olimpo, a batalha dos Vimanas nos céus de Vishnu, tudo condimentado com os recentes filmes de tipo catastrófico.
Tudo acaba numa única imensa panela onde ficam misturados sacro e profano, ciência e ficção científica, mito e realidade.

A segunda fase da crise

Não costumo fazer copy/paste de artigos em língua portuguesa, mas desta vez eis a excepção.

O Jornal da Unicamp, a Universidade Estadual de Campinas, acaba de publicar uma entrevista bem interessante. E comprida. Paciência, vale a pena.
A falar é o economista francês e marxista Gérard Duménil que, apesar de ser francês e marxista, consegue dizer coisa com coisa. E o entrevistador é o economista Armando Boito Jr., que eu não conheço mas que parece ser pessoa simpática por causa do apelido de origem italiana.

Artigo interessante, como afirmado. Que, todavia, apresenta um ponto verdadeiramente débil, típico dos analistas marxistas: não é tida em conta uma nova realidade, que diversifica a crise actual das grandes crises anteriores. E esta nova realidade tem um nome: sustentabilidade.

Não do sistema em económico-financeiro, mas da miragem do eterno crescimento, impossível sendo os nossos recursos limitados. Qualquer tentativa de leitura e interpretação da actual situação não pode não vislumbrar na limitação dos recursos umas das chaves principais para explicar a crise. E, da mesma forma, é imprescindível te-la em conta se o desejo for encontrar uma solução que não seja a prazo.

Mas por qual carga de água um marxista deveria ter em conta a escassez dos recursos? Marx nunca tinha falado disso, melhor continuar a falar em classes...


O mundo já ingressou na segunda fase da crise

Jornal da Unicamp – Você vem pesquisando o capitalismo neoliberal há muito tempo. Na sua análise, como se deve caracterizar essa etapa atual do capitalismo?

Gérard Duménil – O neoliberalismo é a nova etapa na qual ingressou o capitalismo com a transição dos anos 70 e 80. Eu e Dominique Lévy falamos de uma nova “ordem social”. Com essa expressão nós designamos a configuração de poderes relativos de classes sociais, dominações e compromissos. O neoliberalismo se caracteriza, desse modo, pelo reforço do poder das classes capitalistas em aliança com a classe dos gerentes (classe des cadres) – sobretudo as cúpulas das hierarquias e dos setores financeiros.

No decorrer dos decênios posteriores à Segunda Guerra Mundial, as classes capitalistas viram o seu poder e suas rendas diminuírem sensivelmente na maior parte dos países. Simplificando, nós poderíamos falar numa ordem “social-democrata”. As circunstâncias criadas pela crise de 1929, a Segunda Guerra Mundial e a força internacional do movimento operário tinham conduzido ao estabelecimento dessa ordem social relativamente favorável ao desenvolvimento econômico e à melhoria das condições de vida das classes populares – operários e empregados subalternos. O termo “social-democrata” para caracterizar essa ordem social se aplicava, evidentemente, melhor à Europa que aos Estados Unidos.

Com o estabelecimento da nova ordem social neoliberal, o funcionamento do capitalismo foi radicalmente transformado: uma nova disciplina foi imposta aos trabalhadores, em matéria de condições de trabalho, poder de compra, proteção social etc., além da desregulamentação (notadamente financeira), abertura das fronteiras comerciais e a livre mobilidade dos capitais no plano internacional – liberdade de investir no exterior. Esses dois últimos aspectos colocaram todos os trabalhadores do mundo numa situação de concorrência, quaisquer que sejam os níveis de salário comparativos nos diferentes países.

No plano das relações internacionais, os primeiros decênios do pós-guerra, ainda na antiga ordem “social democrata”, foram marcados por práticas imperialistas dos países centrais: no plano econômico, pressão sobre os preços das matérias-primas e exportação de capitais; no plano político, corrupção, subversão e guerra. Com a chegada do neoliberalismo, as formas imperialistas foram renovadas.

É difícil julgar em termos de intensidade, fazer comparação. Em termos econômicos, a explosão dos investimentos diretos no estrangeiro na década de 1990 certamente multiplicou o fluxo de lucros extraído dos países periféricos pelas classes capitalistas do centro. O fato de os países da periferia desejarem receber esses investimentos não muda nada a natureza imperialista dessas práticas – sabe-se que todos os trabalhadores “desejam” ser explorados a ficar desempregados.

Quando em meados dos anos 90, nós introduzimos essa interpretação do neoliberalismo em termos de classe, ela suscitou pouco interesse. Mas a explosão das desigualdades sociais deu a essa interpretação a força da evidência. A particularidade da análise marxista é a referência às classes mais que a grupos sociais. Esse caráter de classe está inscrito em todas as práticas neoliberais e inclusive os keynesianos de esquerda se exprimem, agora, nesses termos. Uma recusa a essa interpretação, no entanto, ainda se mantém; muitos não aceitam o papel importante que atribuímos aos gerentes (cadres) na ordem social neoliberal.

Entre os marxistas, continua-se a recusar que o controle dos meios de produção no capitalismo moderno é assegurado conjuntamente pelas classes capitalistas e pela classe dos gerentes (classe de cadres), o que faz dessa última uma segunda componente das classes superiores. Essa recusa é ainda mais desconcertante quando se tem em mente que as rendas das categorias superiores dos gerentes (cadres) no neoliberalismo explodiram ainda mais que as rendas dos capitalistas.

JU – Para alguns autores, o neoliberalismo foi um ajuste inevitável provocado pela crise fiscal do Estado; para outros foi o resultado, também inevitável, da globalização.

Gérard Duménil – A explicação do neoliberalismo pela “crise fiscal” e frequentemente também pela inflação é a explicação da direita; é uma defesa dos interesses capitalistas. Ela especula com as inconsequências dos blocos políticos que dirigiam a ordem social do pós-guerra. Esses foram incapazes de gerir a crise dos anos 70 e preparam a cama para o neoliberalismo.

Passa-se o mesmo com a explicação que apresenta o neoliberalismo como consequência da globalização. Esse argumento inverte as causalidades. O que o neoliberalismo faz é orientar a globalização, uma tendência antiga, para novas direções e acelerar o seu curso, abrindo a via para a “globalização neoliberal”. O movimento altermundialista lutou por uma outra globalização, solidária, e não baseada na exploração em proveito de uma minoria.

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