29 fevereiro 2012

Hoje, os bancos...

Num café:
- Então adeus.
- Como assim?
- É que volto para o Brasil. Volto com meu marido, ele é pasteleiro, eu sirvo ao balcão, com um pouco de sorte é possível construir-se uma vida, agora há possibilidades, não como aqui. O único problema é a violência, da tranquilidade daqui vou sentir falta. Mas lá há mais possibilidades.

Normal. Ficar na Europa para quê? É como viver num cemitério: não há violência, os vizinhos não chateiam, mas é um pouco parado.

Os bancos sofrem

Diário Público:
Um total de 800 bancos tiveram hoje um empréstimo de 529,5 mil milhões de euros do Banco Central Europeu (BCE), na segunda oferta de empréstimos a três anos, acima das previsões
Justo. São os bancos que estão em sofrimento, não os cidadãos. Criar emprego? Nem pensar, os bancos sofrem. Existe até uma explicação:
O objectivo deste novo empréstimo é facilitar o fluxo de crédito para os negócios e para os governos europeus.
Porque é assim: se os bancos emprestarem dinheiro, as empresas começam a trabalhar e o desemprego desaparece. Depois alguém deveria explicar quem é suposto comprar; porque quando uma empresa produzir, alguém depois tem que comprar o produto. Pelo menos, assim era antigamente.
Mas isso é relativo, o que conta é o crescimento, o dogma absoluto. O crescimento e não o dinheiro nos bolsos dos cidadãos.

A teoria pela qual uma economia funciona quando houver procura já está ultrapassada: agora a economia é saudável quando houver oferta. Mesmo que ninguém tenha o dinheiro para comprar, o que conta é a oferta.
Por isso: cortes, austeridade. Menos serviços, impostos mais altos, gasolina cada vez mais cara, cortes nos ordenados e nos subsídios. Este não é o futuro: é o presente.

Que depois é uma treta, porque o problema nem é este: a verdade, da qual ninguém fala, é que os bancos ficam com o dinheiro mas não concedem o crédito. A propósito: não é dinheiro trazido pelo Pai Natal, é o dinheiro dos Europeus. Assim, só para não esquecer.

O software livre de Stallman

Software livre?
Pontos de vista. Ou talvez não.

Porque ao adquirir um computador descobrimos que a máquina está cheia de programas "privados". "Descobrimos"? Em verdade não: nem pensamos nisso, é como se a coisa fosse normal.
É normal utilizar programas em versão trial: após o prazo é necessário pagar para poder continuar a utiliza-los.

Chegámos a um ponto no qual existem pessoas que desconfiam dos programas livres. É livre? Então não presta, com certeza será um produto inferior ou haverá algo que não funciona.

Há poucos dias ouvi "Utiliza Livre Office me vez de Office? Ahi minha nossa!". Porque ainda hoje é Microsoft Office o programa mais utilizado para escrever. Apesar de:

28 fevereiro 2012

Viver no fim dos tempos

Fogo, que artigo comprido...tá bom, tem que ser. Porque é interessante, é um novo ponto de vista acerca do fim da nossa sociedade. Não "o fim do mundo", nada de tão catastrófico: simplesmente, o fim de era.

Acerca disso acho existirem poucas dúvidas: o mundo tal como conhecido até hoje está a desmoronar-se. Como sabemos, começou com a queda do Muro de Berlim, depois houve a tentativa de implementar um único grande império (o dos Estados Unidos), agora parece que o futuro seja o da multi-polaridade: não uma única grande super-potência mas um mundo com vários pontos de referência.

Mas há mais do que uma mera revolução geopolítica: em discussão está o mesmo conceito de Capitalismo. Gostem ou não, nos últimos três séculos foi este o motor do mundo e ainda não conseguimos vislumbrar um possível sucessor. Mas o facto de não conseguir imaginar o futuro próximo não abranda um processo que não pode ser travado: o Capitalismo está a chegar ao fim, pelo menos nos moldes actuais.

Slavoj Zizek, filósofo e atento leitor do Ocidente contemporâneo, escreveu Viver no fim dos tempo, onde a questão não é "se" estamos no fim do capitalismo, mas "como" gerir a transição nesta altura tão delicada. O sentimento que cada vez mais domina a nossa época é a impressão de que o tempo está acabado.
Mas qual tempo? Começou quando? Quanto durou? Está a acabar o quê e que haverá depois?

O peru e o antibiótico

Ops...dia com pouco tempo, por isso notícia rápida: gostam de antibióticos? Não? Paciência, é o que costumam comer diariamente.

É este um assunto que deverá ser aprofundado, pois tem consequências importante para a nossa saúde. Não é o caso de ser alarmistas, mas peçam ao vosso médico: "Faz bem assumir antibióticos?". A resposta será: "Sim, no caso duma doença e por períodos de tempo não prolongados".
Pois, é este o problema: e se não houver doença? E se não for por um período curto?

A verdade é que o consumo de antibióticos prescritos pelos médicos não é nada quando comparado com a quantidade ingerida com os alimentos. De acordo com a Organização Mundial de Saúde, a metade de todos os antibióticos produzidos no mundo é destinado aos animais. Um valor que atinge 80% nos Estados Unidos.

Senegal? Não tem graça.

O simpático Abdoulaye Wade 
Há mortos e mortos.

Por exemplo: há um lugar onde houve violentas manifestações nas ruas, feridos, intervenções da polícia e, como afirmado, mortos? Minha Nossa Senhora do Sudoku, mas onde, onde?
Senegal? Ah, tá bom...

Porque é assim: ninguém quer saber dos mortos africanos. São interessantes quando relacionados com intervenções ocidentais (por exemplo, o caso das revoltas no Egipto, na Líbia), caso contrário não têm graça nenhuma.

Racismo? Nada disso. Mais uma vez: economia. No Senegal não há recursos. Porque ter grandes plantações de amendoins não pode ser considerado como um grande recurso. Se o Senegal tivesse petróleo então as coisas seriam um pouco diferentes, mas assim não tem atractivos. Sejamos honestos: quem entre nós abre o jornal à procura de notícia do Senegal?

Com uma superfície e um número de habitantes maiores de que Portugal, o Senegal é um dos poucos Países africanos que não sofreram golpes de Estado. Mas nem por isso está melhor.

27 fevereiro 2012

A punição de Obama

Segundo o acordo assinado por cinquenta Estados no âmbito da execução hipotecária, os contribuintes norte-americanos pode parar de pagar biliões de multas aos bancos.

Esta é a essência de um artigo que apareceu na primeira página do Financial Times na passada Terça-feira, 17 de Fevereiro.

O artigo mostra como os cinco bancos que devem ser atingidos pelos efeitos do presente acordo (Bank of America, JPMorgan Chase, Citigroup, Wells Fargo e Ally Financial) podem usar o Programa de Modificações das Hipotecas (Hamp) do presidente Obama para reduzir o montante das dívidas e receber pagamento saté 60 cêntimos por cada Dólar de empréstimo não devolvido.

Pode parecer uma boa medida. Parece. Afinal os cidadãos podem ver-se salvos das dívidas enquanto os bancos não perdem dinheiro. Mas não é tudo: o Financial Times revela que os bancos podem receber recursos adicionais por parte da Administração.

Então, é uma boa medida ou não?
Resposta: não. Pelo contrário: é uma outra maneira de entregar dinheiro público (isso é, dos contribuintes) aos bancos.

O petróleo - Parte III: O fim do petróleo

Vimos o petróleo biogénico, o petróleo abiogénico; vimos a teoria de Hubbert e o pico do petróleo.
Mas que aconteceria se o ouro negro acabasse?

Ao deixar uma grande cidade qualquer, atravessamos quilómetros de bairros dormitórios: aglomerados crescidos à volta das cidades, onde as pessoas voltam à noite para descansar.
Muitas vezes são lugares anónimos, com péssimos serviços e preços baratos, muito mais baratos do que os homólogos da cidade.
Tudo isso desapareceria se o petróleo acabasse.

O Capitalismo globalizado, o actual sistema de consumo ilimitado, propiciou altas concentrações de pessoas nas grandes cidades, muitas vezes mal planeadas em relação às necessidades básicas dos cidadãos. Um êxodo rural que é bem documentado, o desenvolvimento paralelo da Revolução Industrial, que ocorreu na segunda metade do século XX.

Os roubos de cobre

Há muitos anos estava a falar com um rapaz do Chile o qual contava: "Há inteiras famílias que procuram cobre. Vasculham tudo, juntam o cobre que conseguem encontrar e depois vão vende-lo. Para alguns é a única forma de sustentamento".

Isso foi há muitos anos, como afirmado.
Agora a "fome do cobre" é um mal que atravessa o planeta.

Razão? Ao que parece o cobre está para acabar, os preços sobem, o cobre tornou-se um metal valioso. Não tanto como ouro e prata, isso não, mas mesmo assim valioso.

Os Leitores portugueses já estão acostumados ao problema: há muito que nos noticiários são relatados furtos que interrompem o fornecimento de serviços como a electricidade ou o telefono. Mas não é apenas um problema de Portugal.

BBC:
Mais de 100 pessoas enfrentam uma outra semana sem linha telefónica e sem internet depois de ladrões terem furtado mais de meia milha de cabo em Tickton, uma aldeia do Yorkshire do Leste.
Em Italia um rapaz morreu electrocutado enquanto estava a roubar cobre das linhas eléctricas. A ideia era conseguir algum dinheiro para depois ir com a namorada a comer uma pizza.

E dos Estados Unidos outra notícia: um jovem casal abateu 18 postes ao longo duma estrada para recuperar o cobre que, uma vez vendido, forneceu os 7.000 Dólares necessários para as despesas do casamento.
"Perdi o trabalho, o que poderia ter feito?" pergunta o recém casado.

Normal: como afirmado, o recurso parece estar perto do fim, o que, juntamente com as manobras  especulativas, torna o valor do metal mais elevado. E as pequenas coisas do dia a dia desmoronam: a panela de cobre, onde a minha avó preparava a polenta, agora tornou-se um objecto de valioso. Nunca poderia ter imaginado isso enquanto olhava para a minha avó que mexia no denso amarelado com o pau de madeira.

E este discurso leva até uma pergunta do próximo artigo: e se o principal dos nossos recursos, o petróleo, acabasse?


Ipse dixit.

Fontes: BBC, La RepubblicaWashington Post, Petrolio

26 fevereiro 2012

...e agora: Terra Cava!

Tá bom, é Domingo, vamos tratar dum assunto mais levezinho.
Por exemplo: a Terra é cava? Eu bem disse: "assunto levezinho".

Não ria o Leitor: nos Estados Unidos há até grupos de pessoas que acreditam numa terra plana e estão convencidas de que todas as fotografias tiradas do espaço sejam falsas.

E por aqui? Por aqui não são poucas as pessoas que acreditam numa Terra oca. E navegando na internet é simples encontrar blogues e sites que defendem esta hipótese. De facto, a ideia fica apoiada em "provas" mais solidas respeito às da Terra plana. No entanto, como iremos verificar, a Terra não é oca.
Lamento, mas não é mesmo.

Ma qual a ideia?
Simples: segundo a teoria, num dos Polos haveria uma abertura que permite aceder ao mundo subterrâneos. Aqui haveria uma segunda Terra, iluminada por um segundo Sol. Obviamente neste Terra dentro da Terra viveriam outras pessoas. As quais provavelmente têm blog que defendem como no interior da Terra deles haja  uma outra Terra. Praticamente uma Matrioshka, a boneca russa com dentro outras bonequinhas todas iguais, apenas mais pequenas.

Tudo bem: mas quais as "provas"?
A mais importante é sem dúvida o testemunho do Almirante Byrd.

O petróleo - Parte II

Muito bem.

Então até agora vimos que existem duas teorias acerca do petróleo: uma teoria biogénica (petróleo formado a partir de resíduos fósseis) e uma teoria abiogénica (sem restos fósseis).

As implicações são profundas, pois no primeiro caso o petróleo será um recurso limitado (existe até quando existirem reservas no subsolo), no segundo caso o petróleo não será um recurso limitado (existe e continuará a ser formado a partir de reacções químicas naturais).

Vamos aprofundar o discurso acerca do petróleo como recurso finito. Esta seria uma tragédia para a nossa sociedade, amplamente baseada na exploração do ouro negro: neste caos falamos da teoria de Hubbert, o geólogo que na década dos anos '50 formulou a hipótese do petróleo limitado.

24 fevereiro 2012

A escolha de Afonso Henriques

Assim, Afonso Henriques foi-se.

De manhã tinha sido Guida a reparar: "Olha, Afonso foi para cima da máquina lava-roupa e fixa a janela aberta". Leo confirmou: de facto não era um grande voo, mas sempre voo era.

Entrei na marquise.
- Olá, sou Max.
(Nota: não sei se já adverti os Leitores do blog, mas tenho algumas facilidades para falar com os pombos)
- Sim, eu sei, ouvi Guida chamar-te.
- Ah, bom. E tu és Afonso, Afonso Henriques.
- Não, o meu nome é Jerónimo. Mas podes continuar a chamar-me Afonso se é isso que queres.
- Obrigado.
- Ora essa.

Os partidos: associações privadas com fins lucrativos

Dinheiro público para os partidos políticos?

É costume. Nas democracias mais "avançadas" (no comment), os partidos políticos são financiados com o dinheiro dos cidadãos. E esta forma de financiamento é vista como normal. Coisa que eu interpreto, pelo contrário, como uma aberração.

Mas, como sempre, vamos com ordem.

As origens

Wikipedia (versão portuguesa) associa o termo "partido" aos movimentos políticos das antigas Grécia e Roma, o que é uma enorme bestialidade. Na verdade, o partido como instituição nasce na Inglaterra com a Revolução Industrial (final do séc. XVIII): com o alargamento do número dos eleitores nascem organizações difundidas no território, com um sistema de comunicação entre centro e periferia, na tentativa de obter o apoio popular, o poder local e nacional.

O caso das Taxas Libor: sempre os mesmos

London Interbank Offered Rate, Libor para os amigos. 
E em Tóquio? Tibor.
E na Europa? Euribor.
E em Hollywood? Zsa Zsa Gabor.

Tá bom, esqueçam o último exemplo. Mas os outros são importantes, pois são taxas de referência: indicam o custo dos empréstimos no mercado interbancário.
Na prática, quanto custa aos bancos encontrar dinheiro. Pois o dinheiro custa, em todo o mundo.

São importantes? Claro que sim.
São uma importante referência para muitas transacções de mercado.

Porque são importantes

Por exemplo: Toninho entra no banco para pedir um empréstimo.
- Bom dia, sou um jovem recém-licenciado, fui muito louvado por causa dos meus estudos sobre como resolver a fome no mundo, agora procuro um emprego e queria um empréstimo para comprar uma casa.
- Mas o senhor é doido varrido, saia já desta respeitável instituição bancária!

De facto, Toninho enfrentou o problema duma perspectiva errada.
Outro exemplo: Zé Pedro entra no banco para pedir um empréstimo:
- Bom dia, acabei de sair da prisão por causa de uma certa história de drogas, tenho 3 casas no Algarve, 1 nas Maldivas, uma pipa de massa na Suíça, um Porsche 911 estacionado cá fora, quero um empréstimo para comprar uma nova casa.
- Com certeza, seja bem vindo, faça o favor, deseja um café? Só uma coisa: com o empréstimo costumamos cobrar também o spread, que é o nosso ganho, mais a taxa Euribor, que é o custo do dinheiro, a coisa não incomoda, pois não?
- Imagine, entre colegas...

23 fevereiro 2012

A carta aberta de Mikis Theodorakis

Grécia? Ok, Grécia.

A Grécia está salva, pelo menos ao longo das próximas duas horas, depois não se sabe. Aliás, sabe-se muito bem: a Grécia irá falir, mas não digam isso em Bruxelas porque ficam doidos.
Pelo contrário: é preciso dizer que sim, Atenas atravessa uma altura um bocado complicada, mas com o resgate recentemente aprovado o sol voltará a brilhas sobre a Acrópole.

Que entretanto terá falido, mas este é outro assunto.

Mas não estamos aqui para falar da "ajuda" da Zona Euro ("ajuda" com juros, tanto para não esquecer): falemos da Grécia mas do ponto de vista grego.

Mikis Theodorakis é um compositor grego (Zorba o Grego), famoso também por causa do seu empenho na vida política de seu país. Durante a ditadura militar dos coronéis (1967-1974) foi preso e torturado, enquanto a música dele era proibida. Na altura, escreveu as canções com base nos poemas do patriota grego Alexandros Panagulis. Ponto de referência para a opinião pública de Esquerda, Theodorakis por um tempo fica ao lado do centro-direita, voltando a reconciliar-se com a Esquerda apenas depois da saída de Papandreou.

Aqui a opinião dele.
Lembro que os artigos apresentados nem sempre reflectem a opinião de Informação Incorrecta.

Falkland: Acto II

Em 1983, os Pink Floyd publicaram The Final Cut, 12º álbum do grupo.

Não o melhor trabalho deles, sem dúvida, mas interessante porque descreve o Reino Unido num particular momento histórico: a época conservado do governo de Margareth Tatcher e a guerra das Falklands (ou Malvinas).

As ilhas ao largo da Argentina tinham sido ocupadas pelas forças do regime militar de Leopoldo Galtieri, na altura ditador do País, e isso provocou a intervenção das forças inglesas: foi uma guerra de curta duração (19 de Março - 14 de Junho), que custou a vida de 900 soldados e reafirmou a soberania britânica neste canto do mundo perdido no meio do Oceano Atlântico. 

Em Buenos Aires, como em outras cidades argentinas, há vários monumentos dedicados aos soldados que morreram nas Ilhas Falkland e centenas de cartazes com uma única frase:. "Las Malvinas são argentinas". Ainda? Sim, ainda.

22 fevereiro 2012

Afonso Henriques, o pombo

Ehm...eu sei, eu sei: tento nunca utilizar o blog por razões pessoais, mas dada a situação...alguém sabe alguma coisa acerca de pombos?

É assim: há uns três dias atrás oiço "Aaaaaaaaaaahiahiahiahiasocoroooo!". Era Guida, que, com a ajuda do corajoso cão Leo, tinha encontrado um pombo na marquise (ou alpendre). E Guida tem pavor das aves.

Uma vez acalmada a rapariga ("Tira-me aquela coisa daiiiiií!") fui espreitar e encontrei o bicho perto da máquina lava-roupa. Tinha entrado pela janela (estava aberta) e não saiu. Pensei que tivesse uma asa partida, mas após três dias já não parece.

De matar o bicho nem pensar. De atira-lo pela janela mesma coisa. Então ficou aí.

Comprei comida para rolas (pombos, rolas...bah, são parecidos) e pus água.

Desde então o bicho fica aí, dorme, come, bebe: faz uma boa vida. Queixa-se apenas quando me aproximo: aí começa a agitar as asas, faz "Pio! Pio!" (que imagino signifique "Desapareces e vai buscar a comida, vai!") e anda pela marquise toda com um ar do tipo "Mas já viram? Um pombo não pode descansar que logo chega este animal, mas acham bem?!?". Não voa, caminha.

Para mim não haveria problema e o pombo poderia ficar aí. Os problemas são: 1.Guida  2.Leo.
Guida não se aproxima e observa o pombo só através do vidro, com a porta fechada. Leo ladrou nos primeiros dois dias, pois reparou num estranho fenómeno: cada vez que ladrava, caia uma mão do céu direitinha para a sua cabeça e então pensou bem observar o novo inquilino em respeitoso silêncio.

Resumindo: para recuperar a paz familiar, não seria mal se o pombo (que baptizei Afonso Henriques) encontrasse uma nova casa, possivelmente no meio natural. Mas antes disso gostaria que o dito cujo gozasse duma boa forma.

Perguntei numa loja de animais e a resposta foi "Boh?", por acaso a mesma conclusão à qual tinha chegado eu. Wikipedia diz que os pombos em cativeiro podem viver até 18 anos, que como ajuda não é grande coisa e até parece uma ameaça. Outros sites que consultei (entre os quais Avibase) falam do pombo como da ordem dos Columbiformes, família das Columbidae, nome científico Columba livia, Felsentaube em Alemão e Klippedue em Dinamarquês. Útil, sem dúvida.

Por isso: alguém sabe alguma coisa acerca de pombos? O que comem, porque não voa?

Obrigado desde já e desculpem a nota estritamente pessoal...


Ipse dixit.

A Soberania Alimentar

A Ong (Organização no-profit) Grain foi recentemente galardoada com o Nobel Alternativo (Right Livelihood Award) por causa da sua luta contra as ocupações de terras, especialmente por parte das multinacionais, nos Países em desenvolvimento.

Uma Ong? Suspeita, não é?
Sim, de facto as organizações no-profit são muitas vezes elementos de fachada para conseguir bem outros objectivos, ocultos e não propriamente "humanitários". Mas há também Ong "sérias". Poucas, mas há.
 
Henk Hobbelink, o coordenador internacional de Grain, conversa sobre a soberania alimentar, a luta dos camponeses e a biodiversidade agrícola.
Cristian Ferreyra foi morto com uma bala disparada por dois homens armados em frente da sua casa e da sua família. Cristian vivia em San Antonio, uma aldeia no norte de Santiago del Estero, na Argentina. Pertencia a uma comunidade de agricultores e era um membro duma organização parceira, a organização camponesa indígena Mocase Via Campesina. O seu crime? Recusar deixar a sua terra natal para possibilitar uma plantação intensiva de soja, uma das muitas que foram introduzidas na Argentina durante os últimos dez anos. Cristian tinha 25 anos.

Islândia: o tamanho dos Vikings

Vamos falar da Grécia, eh? Vamos falar da Grécia?
Não. Vamos falar da Islândia.

Lembram-se da ilha no meio do Oceano Atlântico, cheia de gelo e de dívidas, à beira da falência?

Como sabemos, um dia os Islandeses disseram "Svín!", que no idioma deles significa:
"Agora basta, e que raio, vamos substituir estes políticos incapazes, vamos também nacionalizar os bancos e afastar estas melgas do Fundo Monetário Internacional!".
E assim fizeram.

A partir daí a Islândia desapareceu dos noticiários internacionais. Porquê? Porque as coisas começaram a correr bem.

É destes dias a notícia que a agência Fitch aumentou o rating da ilha até BBB, com outlook (perspectiva) estável.

21 fevereiro 2012

Saúde: câncer e prevenção

E aqui está o tercero artigo dedicado ao mundo da saúde.
Um artigo que tem como autor um Leitor. Que agradeço, óbvio.
Boa leitura.
 
Olá a todos os leitores de Informação Incorrecta!

Li o apelo no post em cabeçalho e resolvi dar o meu contributo. Contudo, não vou falar “das mesmas coisas”, como o Max pediu. Ou por outra, vou: sobre um tema em particular, a saúde. Mas, dentro desse tema, vou falar sobre uma coisa que não é comum ouvir-se.

Porém, isto é mais uma transmissão de informação do que uma reflexão propriamente dita…  Estejam  atentos,  porque  isto  que  vão  ler  pode  muito  bem  evitar  a  morte  de  alguém.
Não  é  brincadeira.  Está  na  altura  disto  ser  sabido,  (ou  melhor  dizendo,  RELEMBRADO)  e  eu
agradeço desde já a que repassem a informação a quem precise.

E vamos lá: existe aqui alguém que conheça alguém que tenha a infelicidade de sofrer de um problema de cancro? Porque se existe, ainda bem que estão a ler isto…estão prestes a conhecer a cura. Calma, não fechem já a página web! Tenham ao menos a sensatez de ler isto até ao fim, para formarem a vossa opinião. Por favor, deixem-me continuar.

Trata-se  de  mais  uma  informação  escondida  que  veio  a  público,  e  não  é  de  agora.
Aliás, nem chegou a ser escondida…esta,  excepcionalmente,  foi  manchete  nos  jornais,  pelo menos  aqui  em  Portugal.  Lembro-me com toda a nitidez…foi em finais dos anos 90, quando surgiu em letras garrafais:

“PADRES FRANCISCANOS DESCOBREM CURA CONTRA O CANCRO”

Lembram-se? Pois não era mentira. Nenhuma.

Saúde: mental

Outro tipo de saúde: mental.
Mas neste caso não falamos dos cidadãos mas do legislador.

A notícia:
Todos os utentes que não recorram a um centro de saúde durante três anos consecutivos vão ser expurgados das listas. A experiência-piloto já começou no Agrupamento dos Centros de Saúde Grande Lisboa II - Lisboa Oriental e será mais tarde alargada a toda área de influência da Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo (ARSLVT) e, posteriormente, a todo o país.
Sim, perceberam bem: não visitam o centro de saúde ao longo de três anos? Ahi ahi ahi, algo não bate certo. Mas porquê? É o Ministério da Saúde que explica:
O processo de depuração das listas visa retirar, com a rapidez necessária [três anos é "rapidez" segundo o Ministério, ndt] , as inscrições de cidadãos entretanto falecidos ou de inscrições redundantes e criar uma lista de utentes passivos, isto é, de cidadãos que não recorrem ao SNS [Sistema Nacional de Saúde, ndt] por um prazo determinado [três anos consecutivos]

Saúde: económica

Olá pessoal de Informação Incorrecta: bom Carnaval!
E, para festejar, eis três artigos, dois curtos e um mais comprido (um hóspede!), que falam de saúde:
  1. saúde económica
  2. saúde mental
  3. saúde física e prevenção.
Começamos com a saúde económica.

Grécia: aprovado o resgate

Após 13 horas de reunião, as Mentes Pensantes de Bruxelas aprovaram o segundo mega-resgate de Grécia. Faltam ainda conhecer alguns pormenores, mas o que é sabido já é suficientemente divertido.

Os Ministros das Finanças da União Europeia, por volta das 5 da madrugada (heróicos, esta é a única palavra digna de descrever a condição destes homens), conseguiram o acordo. O tão desejado acordo.

- Epá, vamos fazer assim: 130 milhões de Euros, tá decidido?
- Fogo, que sono...eh? 130? Sim, tá bom...
- Ehi, mas quem fez entrar as mulheres da limpeza?
- 130 milhões...e um perdão parcial da dívida, eh? Que tal?
- Desculpe, importa-se de desligar o aspirador?
- Sim, tá bom, perdão parcial, assim estes desgraçados ficam com uma dívida de 120%?
- 120%? Mas só em 2020...ehi, deixe o copo, ainda não acabei de beber...
- Pare, não é lixo, é a minha mala!...120%, sim, pode ser, mas as garantias, eh?, as garantias?...É a minha mala eu disse, não mexa!

20 fevereiro 2012

A Anarquia Agrícola do Dr. McPherson

Guy McPherson é Professor Emérito de Ciências Naturais, de Ecologia e de Biologia Evolucionaria da Universidade do Arizona, onde foi docente e realizou pesquisas durante 20 anos.

Autor de mais de 100 artigos e dez livros, por muitos anos estudou a conservação da biodiversidade.

Mora numa casa de palha, pratica a agricultura auto-suficiente e orgânica, trabalha numa pequena comunidade rural. Pelo menos não pode ser acusado de não dar o exemplo.

No seguinte artigo fala de alternativas.
Interessante. Fundamentalista, utópico, mas interessante.
Boa leitura.

Os bonds, os Suíços, os Ingleses, o plutónio...

Coisas esquisitas acontecem.

No Verão de 2009, circulou uma estranha história de dois indivíduos japoneses presos durante uma tentativa de contrabandear 134.000 milhões (134 biliões) de Dólares em Títulos de Estado americanos de Itália para a Suíça.

Cedo foi declarado que os Títulos eram falsos e desde então nada mais foi ouvido.

Até agora.
De repente, aparece uma nova história. Segundo Bloomberg, os investigadores anti-máfia italianos apreenderam 6 triliões de Dólares em Títulos de Estados americanos: um valor que é quase a metade da dívida pública dos Estados Unidos.

O petróleo - Parte I

Breve explicação.

Bruno António realçou um vídeo muito interessante de Michael Ruppuert, cujo título é Collapse, vídeo que infelizmente está disponível apenas em língua original (com legendas em espanhol). O mesmo Bruno pediu algumas notas acerca do petróleo, pois Collapse fala do possível fim do precioso líquido.

Então reparei que nunca falámos de forma exaustiva acerca deste assunto.

É grave? É gravíssimo.
Há ainda esperanças? Talvez.
Não estão interessados? Maus.

Começa portanto aqui uma breve viagem no mundo do petróleo que poderá também contar (espero) com a intervenção de Debora Billi, jornalista italiana membro do Aspo (a associação que trata da questão do Peak Oil) e autora do blog Petrolio.

Mas vamos com ordem.

19 fevereiro 2012

Origens: o Homem - Parte IV

Com Lucy (o exemplar de Australopithecus afarensis) a antropologia entra definitivamente no âmbito dos macacos cada vez menos macacos e mais homens. Mas o caminho é ainda comprido: afinal Lucy viveu há 3.2 ma e o nome científico é Australopithecus, não Homo. O primeiro género inclui mamíferos parecidos com o homem, enquanto o segundo é o género ao qual pertencemos actualmente nós.

O homem hábil...

E quando aparece o "Homo"?  Pouco depois ("pouco"...): 2.4 ma. atrás aparece o Homo habilis, o primeiro de todos os "Homo". Na verdade as diferenças entre um Australopithecus afarensis como Lucy e um Homo habilis não são muitas: à primeira vista até parecem a mesma coisa.

A partir de agora não vamos analisar toda a cadeia de alegados antepassados do género Homo: uma qualquer pesquisa com Google pode resolver a questão de forma rápida.

Vamos, pelo contrário, analisar os exponentes mais significativos: Homo habilis (o primeiro), Denisova hominin, Homo de Neanderthal e Homo sapiens.

O Homo habilis, como afirmado, apareceu perto de 2.4 ma.: abundantes restos foram encontrados em África, principalmente na zona da actual Tanzânia.

17 fevereiro 2012

Santo já: o Cardeal e a Rainha da Cozinha

Manuel Monteiro de Castro é um dos 22 novos cardeais aos quais Bento XVI vai entregar, neste sábado, os anéis e os barretes cardinalícios. Hoje o novo Cardeal surge em duas entrevistas em ambas as quais defende uma ideia interessante. Vamos ver com algumas das frases proferidas.
Manuel Monteiro de Castro
A mulher deve poder ficar em casa, ou, se trabalhar fora, num horário reduzido, de maneira que possa aplicar-se naquilo em que a sua função é essencial, que é a educação dos filhos.
Portugal tem de dar mais força às famílias, pôr os nossos portugueses a produzir em Portugal e não fora. Devíamos dar muito mais valor à família e ao valor da mulher em casa.
O trabalho da mulher a tempo completo, creio que não é útil ao país. Trabalhar em casa sim, mas que tenham de trabalhar de manhã até à noite, creio que para um país é negativo. A melhor formadora é a mãe, e se a mãe não tem tempo para respirar como vai ter tempo para formar.
A mulher perdeu muito do valor que tinha. Tem muito valor num sentido mas noutro… Um país depende muito, muito das mães, pois é ela que forma os filhos. Não há melhor educadora que a mãe.
Mas se a mãe tem de trabalhar pela manhã e pela noite e depois chega a casa e o marido quer falar com ela e não tem com quem falar… Isto é, uma família bem organizada é uma base fundamental para um país.

O custo da energia: o petróleo

Falar mal do petróleo é simples, os exemplos de poluição não faltam.

Mas aqui falamos de destruição, as sofrida pelos Países onde o líquido é extraído: Países pobres, que não têm relacionamentos de amizades com os grandes consumidores, que não ocupam áreas estrategicamente relevantes e onde as pessoas, mergulhadas num mar de preta riqueza, sofrem a fome.

A área do Delta do Níger é a maior zona fluvial da África,  a terceira maior do mundo. Tem uma superfície total de 70.000 quilómetros quadrados. Era um paraíso ecológico, um ecossistema onde a floresta, os pântanos e as curvas do rio representavam um equilíbrio perfeito que mostrava de forma clara a extraordinária beleza da natureza, que providenciava os instrumentos para que 20 milhões de pessoas pudessem viver da caça, de pesca e de agricultura.

Tudo isso no passado, pois hoje já não é assim.

O custo da energia: as renováveis

Hoje falemos de energia. Porquê? Porque sim.
Toda a nossa vida é baseada na exploração de fontes energéticas. E a energia custa.

Qual será a forma mais conveniente para produzir energia? Petróleo? Nuclear? Renováveis?

Não sei. Eu apoio sempre o sol, fonte totalmente gratuita, limpa, (quase) inexaurível; e acho que o futuro passará inevitavelmente por aí, a não ser que seja descoberta uma nova maneira de produzir energia limpa e barata.

Mas isso é o futuro, pois agora as coisas não são tão simples: também esta fonte energética esconde custos.  Então é preciso fazer duas contas.

Num antigo post falamos duma ilha espanhola, a Ilha de el Hierro, que quase alcançou a independência energética com a exploração das renováveis. Um grande exemplo, sem dúvida, que todavia esconde grandes investimentos por parte do governo espanhol e da União Europeia. A verdade é que, sozinhos, os habitantes da ilha não teriam conseguido implementar um sistema tão avançado e complexo por via dos custos.

A seguir dois artigos: um fala dos custos das renováveis, outro dos custos do petróleo. E o panorama não é nada simpático.

16 fevereiro 2012

Entrevista: Soros, o filantropo - Parte II

E continuemos com a segunda parte da entrevista com o ídolo de grandes e pequenos: George Soros, uma pessoa que colocou "o bem público na frente dos interesses privados" como questão de princípio. E desculpem se pode parecer pouco...

Boa leitura.
 Parte 2 - O fracasso político da Europa

Spiegel: Como muitos Americanos, e como o governo dos Estados Unidos, você também deseja que seja injectado mais dinheiro para salvar o Euro. Porque então os EUA não aumentam a contribuição para o resgate através do Fundo Monetário Internacional?

Soros: Não vejo a necessidade de envolver o FMI. É apenas um fracasso político da Europa e especialmente da Alemanha, porque a Alemanha é a responsável. A Europa no geral está em equilíbrio e deveriam ser capazes de resolver os seus problemas internos.

Spiegel: O senhor tem repetidamente "empurrado" para a introdução dos Euro-bonds [as obrigações em Euro, ndt]. O ministro das Finanças alemão, Wolfgang Schäuble, respondeu com a afirmação de que as Euro-obrigações seriam um incentivo errado, porque "é preciso gastar sem deixar a conta para os outros."

Ai não, não nos calam!

Senam (obrigado!!!) faz notar um vídeo engraçado.

A música é o tormento "Ai se eu te pego", mas as letras foram alteradas em Portugal, em ocasião da manifestação do passado dia 11 de Fevereiro. O resultado é bem simpático.

Boa visão!


Fukushima: quase um ano depois...

Fukushima, o terremoto, o tsunami, o nuclear...num mundo que vai depressa, a história de Fukushima teve a honra duma cobertura mediática prolongada. Mas há limites: o nuclear sim, tudo bem, mas agora nas primeira páginas dos jornais encontramos as agências que cortam o rating dos Países em crise.

Desde a catástrofe nuclear até a catástrofe dos nossos cérebros. E Fukushima já não tem espaço.
Pena, porque passam-se coisas interessantes naquele lugar.

11 meses depois da emergência, no interior do Reactor nº 2 continuam as reacções fora de controle.
Até agora as autoridades tinham falado de quatro reactores com danos e fase de desligamento controlado. Mas ao que parece as coisas não estão mesmo assim.

As agência de imprensa Yomiuri e Jiji relatam que o termómetro do reactor nº 2 alcançou os 400 ºC antes de partir-se: e partiu-se porque 400º C representa o valor limite da medição neste instrumento. De facto ninguém sabe qual o valor certo que foi alcançado.

A Tepco (mas ainda existe? Não estão todos presos?) afirma que o desligamento frio só poderia continuar com temperaturas abaixo dos 100 graus Celsius. Mas o termómetro está a mostrar temperaturas quatro vezes mais elevadas.

As vendas dos Estados Unidos

Após os controversos dados acerca do desemprego, após a alegada retoma do sector imobiliário (que este blog nem publicou: uma retoma com os preços em queda? Mas por favor...), eis os dados dos Estados Unidos acerca das vendas ao retalho ao longo do mês de Janeiro de 2011.

Por questões de "peso" da imagem, a tabela aqui apresentada é apenas uma miniatura, sendo que a original pode ser encontrada neste link.

15 fevereiro 2012

Entrevista: Soros, o filantropo - Parte I

É sempre interessante ler uma entrevista de George Soros.

Vergonhosamente rico (Forbes calcula uns 14.000 milhões de Dólares), a vida dele dava para escrever um livro. Um livro do horror.

Mas nós gostamos dele assim, criminal, um dos mais iluminados exemplos de especulador, amigo da família Rockefeller, talvez traficante de estupefacientes (como afirmado pelo porta-voz do Parlamento dos Estados Unidos, Dennis Hastert), corruptor, membro do Council on Foreign Relations, do Open Society Institute, apoiante dos movimentos revolucionários da Ucrânia, Geórgia e Bielorrússia, e, naturalmente, filantropo. O homem que arruinou o Banco de Inglaterra.

Como afirmou o economista Paul Krugman em 1999:
Ninguém que tenha lido uma revista de negócios nos últimos anos pode ignorar que nesses dias existem investidores que não apenas movimentam dinheiro em antecipação duma crise como também fazem o melhor para desencadear a crise, para se divertir e obter lucros. Estes novos actores na cena ainda não têm uma definição, eu proponho o termo "Soroi ".

O caminho para a Pérsia

Conspirações? Esqueçam.

Os cenários mais assustadores são contidos nos documentos, nas imagens e nas declarações oficiais.
Por exemplo: a Síria, o Irão, a Líbia, Al-Quaeda...seria possível passar horas e horas para imaginar planos que envolvam estes nomes.

Tempo desperdiçado: é só consultar as fontes oficiais.
E não é um exercício inútil, pelo contrário: permite prever quais os próximos acontecimentos, quais os protagonistas, quais as tácticas e as razões. São chaves de leitura que o "conspiracionismo" não permite.

Death Bonds, a úlitma fronteira

O Leitor tem na própria família uma pessoa idosa?

Olhem para ela: está velha, provavelmente com algumas doenças, não produz, só gasta a reforma.

Em definitiva: é um parasita.

Mas eis que agora a Deutsche Bank encontra a maneira de rentabilizar estas pessoas inúteis. Como? Com os Death Bonds.

Não são uma novidade absoluta, no sentido que nos Estados Unidos existem há mais de uma década (sempre muito à frente o Tio Sam); é que agora a Alemanha importa este artigo inovador que, verdade seja dita, fazia falta.

14 fevereiro 2012

Avaaz: as ligações (muito) perigosas

Assim, outra esperança que desvanece.

Não de agora, verdade: as dúvidas tinham começado antes, quando o site apelava para a "liberdade" da Líbia.

Procura e procura, afinal descobrimos quem é o dono de Avaaz.

Diz a página de apresentação da organização:
Avaaz, que significa "voz" em várias línguas européias, do oriente médio e asiáticas, foi lançada em 2007 com uma simples missão democrática: mobilizar pessoas de todos os países para construir uma ponte entre o mundo em que vivemos e o mundo que a maioria das pessoas querem.

O banco sem juros

Lembram-se do banco Jak? Lembram-se, não é? Não lembram? Ohhhh...

Bom, breve resumo: o banco Jak é um banco (e bravo Max, que perspicácia).
Só que trabalha sem juros.

Sem juros??? Ahahahahah, estúpido Max, isso é impossível!!! Que coisa tão ridícula, como pode um banco trabalhar sem juros?

Calma, calma.
Em boa verdade a ideia dum banco sem juros não é nova: todos os bancos islâmicos trabalham da mesma forma, pois receber juros é proibido pelo Alcorão. Mas o Jak não é islâmico, é sueco. Então, como é? Pois esta coisa do Jak despertou a curiosidade de muitos leitores.

Algumas informações podem ser encontradas nos link mais abaixo, velhos artigos do blog. Mas agora vamos ver este raio de Jak um pouco mais de perto, pode ser? Sim, pode. Mas como? É simples, é só traduzir as páginas do Jak, que estão todas em sueco, idioma que o bom Max utiliza normalmente para falar com Leonardo (que responde sânscrito).

Ou, talvez, seja melhor traduzir uma das página da Jak Italia.

13 fevereiro 2012

A falência, para reconstruir

E vamos acabar o discurso sobre a Grécia falando...de Portugal também. 

O analista do conceituado Financial Times, Wolfgang Münchau, examina as situações de Grécia e Portugal.
A solução? A falência. A falência oficial, pois aquela técnica já é coisa assumida.

Não é o só caso de economista que encontra numa falência declarada a única saída possível; além disso bem conhecemos a atitude dos Ingleses perante os problemas da União Europeia.
Todavia o tempo passa, a crise continua e isso faz pender a balança em favor deste tipo de solução.

Pode parecer uma medida drástica e até injusta. Mas afastadas as regurgitações pseudo-patrióticas, é possível encontrar um sentido nesta visão. Paradoxalmente, mais patriótica que não o contrário. 

Ambos os Países não precisam de medidas para salvar uma situação desesperada, mas de decisões para reconstruir-se: o futuro não pode ser um conjunto de medidas de emergência que têm como fim a sobrevivência.

Eis o artigo traduzido, onde o negrito é meu.
Boa leitura.

Grécia: mais um passo

Uma breve actualização acerca da novela grega, pois merece.

A Grécia aprovou hoje o memorando de entendimento com a 'troika', que define um novo pacote de austeridade, condição essencial para Atenas receber o novo resgate: 130 mil milhões de Euros.

Primeira observação: lembro que este dinheiro não é uma esmola, mas um empréstimo que a Grécia terá que devolver com juros. Este "resgate" é uma manobra para substituir uma dívida com uma nova dívida.

Esta última apresenta condições mais vantajosas (até um certo ponto: 5% não é mesmo uma prenda...), verdade, mas sempre dívida é.

E vamos fazer duas contas:
1º resgate 110 mil milhões
2º resgate 130 mil milhões
total 240 mil milhões de Euros de dívida.

Com certeza, considerem isso já pago.

12 fevereiro 2012

A maçã podre: do fim da democracia

Interessante troca de comentários após os dois vídeos do post anterior.

O primeiro é de Bruno António:
Já agora…digo aquilo que te escusas a dizer para não seres acusado de heresia, estou-me lixando para esta democracia, se isto em que vivemos é democracia já não me sinto um democrata, que venha alguém e ponha ordem nisto, chamem-lhe ditador, chamem-lhe o que quiserem… mas que devolva a dignidade que nós esta a ser sugada ao mesmo ritmo das condições de vida, só espero que a reposição da legitimidade não seja tentada pelos militares (...).

10 fevereiro 2012

Vídeo: Medina vs. Ratigan

O Muy Nobre Saraiva faz notar dois vídeos bem interessantes.

O primeiro pode ser mais interessante para os Leitor de Portugal: quem fala é Henrique Medina Carreira, um dos pouco com a mente suficientemente lúcida neste País e, por isso, ignorado pela classe política. As suas reflexões são tristes, mas não deixam de ser verdadeiras. Boa visão.

O Equalizador Global

Cortes nos salários, cortes nas reformas, cortes nos serviços. Tudo isso aqui.

Entretanto, numa galáxia longínqua chamada China, o governo empenha-se para aumentar os ordenados mínimos de 13% por ano até 2015, além de adoptar medidas para a criação de 45 milhões de novos lugares de trabalho. Pequim também permite agora facilitações fiscais e empréstimos no caso de pequenas empresas e para os desempregados que desejem começar uma nova actividade.

Esquisito, não é? Dum lado cortes, do outro aumentos.
Não, não é nada esquisito, pelo contrário: tudo segundo os planos.

Estamos perante o novo Equalizador Global.
O que é isso? Simples: os ordenados globais devem ser harmonizados.
Esta é a Nova Economia Global. Desde 1994, com a completa abertura do mercado ocidental aos novos produtores asiáticos, é iniciado um processo que tem como fim a convergência dos salários ocidentais com aqueles asiáticos.

O milagre alemão: a história não contada

A Alemanha? Ohhh, meus senhores, tiremos o chapéu, é gente que trabalha, não como nos outros Países onde as pessoas fingem de trabalhar. É gente precisa, que vai direitinha ao assunto, encara os problemas olhos nos olhos: é por isso que são os melhores da Europa e entre os primeiros do Mundo.

Provas? Não são precisas, é só abrir os olhos e ler o que diz a Chancelaria: os desempregados baixaram dos 5,1 milhões de 2005 para os 2,8 milhões de hoje; isso significa que a economia alemã conseguiu reabsorver 2,3 milhões de desempregados em seis anos, uma proeza.

No total, os que não encontram emprego representam apenas 6,9% da população, um recorde e um sonho em comparação aos 9,9% da França e aos 9,1% (oficiais) dos Estados Unidos. Parece repetir-se o milagre do Terceiro Reich, que em três anos colocou a população num regime de pleno emprego.

A explicação? Simples, como relata a mesma Chancelaria: a "moderação salarial" dos trabalhadores alemães e a "disciplina" aceite pelos sindicatos.

Mas agora aparece um estudo francês, um estudo malandro que revela os truques e o preço social desse milagre. Porque nem tudo o que brilha é ouro e também a simpática Angela Merkel tem os seus esqueletos no roupeiro. Ou talvez no jardim, não sabemos.

09 fevereiro 2012

Origens: o Homem - Parte III

Enquanto os antigos macacos prosperavam,, um novo tipo de macaco surgiu: os Hominoidae.
Eram estes parecidos com os modernos homens? Na verdade não: sempre macacos eram. Só que cada vez mais afastavam-se da "macaquidade" para adquirir traços humanos.

O procônsul

25 ma de anos atrás surge o Proconsul que é, ao mesmo tempo o últimos dos Catarrhini e o primeiro dos Hominoidae: pode ser considerado o elo entre os macacos e as raças mais "humanas".
Na imagem ao lado o Proconsul. O quê? Parece um macaco? Pois claro que parece um macaco, a estrada para chegar aos primeiros "humanoides" é ainda muito comprida.

Os Proconsules viveram na África do centro e do sul, a parte frontal do crânio era parecida com aquela dos homens, o cérebro era bem desenvolvido, não tinham cauda, apresentavam dentes molares grandes: mas além disso viviam principalmente nas árvores, pesavam uns 20 quilos, caminhavam só com as quatros patas e a alimentação era constituída por vegetais.

A partir daqui a reconstrução procede aos saltos, o primeiro dos quais não é nada pequeno: entre o Proconsul e o fóssil seguinte, o do Afropithecus turkanensis, passam algo como 9 milhões de anos. Nove milhões de anos ao longo dos quais ninguém sabe o que aconteceu.
Na mesma altura teria vivido também o Turkanapithecus kalakolensis, descoberto em 1986 no Kénia (tal como tinha acontecido pelo A. turkanensis. E a lista pode continuar comum longo elenco de espécie, por algumas das quais foram encontrados apenas fragmentos de ossos e cuja classificação é complexa.

O Lago Vostok

O lago numa imagem radar
Grécia, Irão, Síria...não é que as novidades abundem.
Então vamos mudar: hoje vamos falar de algo que fica num lugar frio, mas frio mesmo.

O diário La Repubblica publica um artigo muito interessante. Reparem na fonte: não o blog "Mistérios, Fantasmas e Medo", mas o segundo (ou primeiro? Já não sei) diário mais vendido do "Bel Paese".

O assunto? O lago Vostok, 250 km de comprimento, 50 de largura, 1.000 metros de profundidade.
Nunca visitaram o lago Vostok? Não admira: em primeiro lugar fica na Antárctica, um pouco afastado das tradicionais rotas turísticas; depois não é um lago normal, mas encontra-se debaixo de duas milhas de gelo.

Um lago debaixo da camada gelada da Antárctica? Isso mesmo. Promete bem.

08 fevereiro 2012

Desemprego EUA: dados contraditórios

Na passada Sexta-feira saíram os dados ocupacionais dos Estados Unidos.
Festa grande. A taxa de desemprego caiu desde 8.5% para um bem mais simpático 8.3%, melhor de que as previsões.

E reparem no percurso:
Setembro 9.1%
Outubro 9.0%
Novembro 8.6%
Dezembro 8.5%.

Nada para fazer: a economia americana melhora com o passar dos meses. Crise? Já foi. Talvez. Ou talvez não. Porque logo a seguir explodiu a guerra dos números: os dados são falsos, não, são verdadeiros.

Nada melhor que observar bem de perto estes números.

O simpático mundo de Angela Merkel

Acabámos de entrar num novo mundo.

Neste mundo, imaginado pela chancelera alemã Angela Merkel, as pessoas vivem em humildes cabanas, percorrem trilhos que ligam as longínquas aldeias e quando encontrarem um rio...bom, ou voltam atrás ou arriscam a vida, pois de pontes nem a sombra.

Provavelmente são as lembranças da juventude da chancelera, quando com a sua manta vermelha corria feliz entre as árvores da Floresta Negra para alcançar a cabana onde vivia a avó. Preocupa que estas lembranças agora se tornem uma visão económica.

Ao falar aos alunos da Bela Foundation de Berlim, a simpática Angela disse:
Quem já esteve na Madeira, pôde ver para onde foram os fundos estruturais europeus. Há muitos túneis e auto-estradas bonitas, mas isso não contribuiu para que haja mais competitividade
Na opinião de Merkel, os referidos fundos devem servir para apoiar as pequenas e médias empresas, por exemplo, como ficou decidido no recente Conselho Europeu, em Bruxelas, e não mais para construir estradas, pontes e túneis, como sucedeu, na sua opinião, naquela região autónoma portuguesa.

Síria: a conta dos mortos

Quantos mortos na Síria? Depende, é só escolher.

O alegado "massacre de Homs" da semana passada, por exemplo:
Yahoo Notícias Brasil: 105 mortos.
Washington Post: mínimo 200 mortos.
Euronews: 200 mortos.
Expresso: 217 mortos.
New York Times: 287 mortos.
La Repubblica: mais de 300 mortos.
Corriere della Sera: 337 mortos.

Cada um pode escolher o número de mortos que mais lhe agrada. O importante é lembrar que todos os mortos são obra do regime. O mesmo regime que corta a electricidade e deixa morrer as crianças nas incubadoras, óbvio.

E os "revolucionários"? Não têm armas? Sim, mas só para legitima defesa, pois os "revolucionários" são bons.

O que é certo é que em Homs houve confrontos entre a oposição e as forças governamentais. Dizer mais é impossível. Não porque faltem as fontes,: mas porque as fontes que fornecem as notícias para todos os media ocidentais são duas e ambas da oposição.

07 fevereiro 2012

Mesmo para lembrar alguns pontos...

Recebi um mail de P. (não publico o nome porque não pedi a autorização), que agradeço desde já, e que reporto por duas razões:
  1. porque fornece a ocasião para esclarecer alguns pontos, que são bem conhecidos aos Leitores mais antigos mas que podem gerar dúvidas nos mais novos;
  2. porque apresenta um link dum vídeo (em língua inglesa) que por sua vez está relacionado com um blog LibertyPen (também em língua inglesa) que, como afirma logo abaixo do título, "defende a superioridade da liberdade e da razão.
Eis o resumo do mail:
Max. , a tempo venho percebendo que vc tem tendência para criticar a liberdade do mercado, de forma geral, [...] os seus artigos criticam o liberalismo, afirmando que é causa de muitos problemas no mundo actual como a crise. [...] Eu tenho umas perguntas:
o mercado livre , não cria riqueza para a população em geral?
a crise actual não é o produto da intervenção governamental?

Vídeo interessante, com blog interessante. Mas vamos ao que interessa: Informação Incorrecta critica o livre mercado? Resposta: não, Informação Incorrecta critica este livre mercado, não a ideia de livre mercado no geral.

Popcorn e efeitos hepatorrenais

Eu sei, eu sei: depois haverá alguém que acusa este blog de ser "sensacionalista", como já aconteceu.
Pois é assim, ao falar da Monsanto ficamos logo rotulados: sensacionalistas.
Organismos geneticamente modificados? Sensacionalistas.
Uma pesquisa publicada no International Journal of Biological Sciences?
Sensacionalistas.
Também no caso duma pesquisa científica?
Sim, sensacionalistas.

Tudo o que tem a ver com os aspectos menos claros da saúde fica no âmbito do sensacionalismo. O blog não sensacionalista? Aquele que não dúvida e nem trata de determinados assuntos.

Paciência, acontece. Aqui falamos de Monsanto, de OGM e duma pesquisa cientifica publicada numa conceituada revista médica. Porque ser sensacionalista é uma coisa, ser obtuso é outra. 

Grécia: em pedaços

Ainda Grécia? Sim, ainda Grécia.

Porque o que podemos encontrar nos media nesta altura são os relatos acerca dos Gregos "maus", os que não aceitam o novo plano de austeridade imposto pelas Mentes Pensantes da União Europeia, do Fundo Monetário Internacional e do Banco Central Europeu. Mas não seria mal perceber "porque" os Gregos recusam o novo plano: simplesmente porque são maus e casmurros ou pode haver outras razões?

Assim, enquanto o País enfrenta a enésima greve geral, com cerca de dois milhões de pessoas nas ruas que manifestam contra a redução do salário mínimo (-20%) ou a supressão de 15.000 empregos no sector público (medida anticonstitucional., diga-se), vamos ver uma outra realidade, que não ocupa as páginas dos jornais.

06 fevereiro 2012

Facebook e velhos instintos

Feisbuk. Mais conhecido como Facebook, um dos rostos das redes sociais, o mais conhecido.

Não é possível ignorar esta realidade que no prazo de poucos anos condicionou o desenvolvimento de internet. E são as mesmas redes sociais que tentam perceber o que se passa: normal, afinal têm que oferecer um produto sempre à altura das expectativas e explorar novos territórios. 

Os pesquisadores de Facebook, por exemplo, acabam de publicar um novo estudo que tenta analisar como as pessoas recebem e reagem às notícias dentro das redes sociais. Um estudo que tem um nome significativo: Repensar a Diversidade da Informação nas Redes.

Grécia: é toda culpa deles

Será desta? Assim parece.

As negociações por enquanto não registam avanços. Pelo contrário: nenhum acordo após a última reunião com o primeiro ministro Lucas Papademos e os líderes dos principais partidos gregos.

O problema? Simples: as Mentes Pensantes de Bruxelas, do Fundo Monetário Internacional e do Banco Central Europeu querem novos cortes, caso contrário nada de ajudas.

Porque é assim: após resgates e ainda resgates, a Grécia precisa de outro dinheiro, e não pouco. Em Março Atenas terá que reembolsar alguns títulos, um total de 14.5 biliões de Euros. E, claro está, não tem fundos, pelo que precisa dum novo empréstimo.

Michael Lewis e a próxima crise

Michael Lewis é um escritor americano.
Mas não inventa histórias, relata o mundo da finança a partir do interior dele.

O "milagre" de Silicon Valley, investigações, a vida no mundo das Bolsas são os temas escolhidos, sempre com um olhar crítico e um estilo simples e imediato. Umas boas leituras para entender melhor os grandes poderes que gerem o planeta..

O diário Público apresenta uma entrevista bastante comprida com Lewis. E Lewis não apenas apresenta o seu último livro como também fala da crise actual e da próxima.
Pois haverá outra, Lewis não tem dúvidas.

05 fevereiro 2012

Origens: o Homem - Parte II

Pensa-se que os primeiros primatas apareceram 85 milhões de anos atrás (vamos abreviar em 85 ma), num período conhecido como Cretáceo.

Purgatorius, o rato-macaco

Exemplo destes primeiros Primatas (que Primatas não eram: é correcto falar de espécies com algumas das características dos Primatas) é o Purgatorius,(imagem à direita), algo parecido com um esquilo, vivido na América do Norte 65 ma.

A data é importante, pois estamos pouco após a grande extinção dos Dinossauros. É provável que durante o reinado dos grandes repteis, os proto-primatas ficassem bem caladinhos, tentando não dar muito nas vistas para não serem transformados em suculentos almoço: situação que mudou após a Grande Extinção, quando os antigos Primatas tiveram mais possibilidade de evoluir com uma certa tranquilidade.

O Purgatorius era um animal pequeno, era omnívoro, vivia nas árvores e distinguia-se da restante família dos ratos por ter dentes com uma estrutura parecida com aquela dos Primatas. Este minúsculo animalzinho foi o antepassado ancestral dos modernos macacos e do homem também? Assim parece.

Juca Kfouri e a Copa 2014

Aproxima-se o Mundial de Futebol de 2014 e no diário Público aparece uma entrevista de Juca Kfouri.
Juca é um jornalista desportivo, conhecido no Brasil, e a visão dele acerca do grande evento desportivo é basicamente negativa.

Reporto a seguir a entrevista, sem comentá-la, para dar espaço a quem melhor conhece o assunto: os Leitores do Brasil.

Boa leitura!

Elefantes brancos?
O Campeonato do Mundo volta a casa em 2014. O país do futebol vai entrar em festa, que se prolonga até 2016 com os Jogos Olímpicos. Todo o brasileiro satisfeito. Todo, menos Juca Kfouri.

Durante dois anos, o Brasil vai receber as duas provas desportivas mais importantes do planeta. O país do futebol vai entrar em festa com o Campeonato do Mundo em 2014 e continua até 2016 com os Jogos Olímpicos. É todo um samba feito desporto e deixa todo o mundo satisfeito. Todo o mundo não, Juca Kfouri, o jornalista mais polémico do Brasil é contra e aponta o dedo à corrupção.

04 fevereiro 2012

Origens: o Homem - Parte I

Então: chegaram os Mamíferos e os Primatas. Paciência.
E depois?

Depois apareceu o Homem. Logo? Não, não logo.
A Teoria da Evolução explica que os Mamíferos multiplicaram-se e, entre as várias famílias (o termo correcto seria Ordens), uma em particular começou a distinguir-se, os Primatas, e que a seguir apareceram várias espécies de Primatas, cada vez mais evoluídos até chegar ao Homem. Simples, não é?

Evolucioquê?

Não, não é. Há restos de macacos mais evoluídos, e não poucos; é possível observar um percurso que cada vez aproxima estes seres ao homem moderno. Mas pessoalmente tenho uma grande objecção, já manifestada num anterior artigo: onde estão os elos?

03 fevereiro 2012

"Não têm provocados um grande número de vítimas civis..."

Na passada Segunda-feira, o simpático Barack Obama tornou-se o primeiro presidente a participar numa reunião virtual on-line na Internet.

Embora possa ser considerado um acto digno de figurar no livro dos recordes, o presidente Obama também fez uma outra coisa durante a reunião: mentiu. Tá bom, não é novidade. Mas não deixa de ser um bocado irritante..

Na web-chat hospedada pelo Google, o Presidente pronunciou-se sobre uma série de questões colocadas pelos cidadãos americano.

No prazo de quarenta e cinco minutos, o presidente Obama justificou a lei Stop Online Piracy Act recusando a falar sobre o assunto em profundidade, admitiu não ser um grande dançarino e ter tomado aulas de pantomima.

Enquanto isso, ignorou os problemas reais e não ofereceu qualquer solução sólida para os graves problemas do seu País, mas falou de algo importante, algo acerca do qual todos deveriam reflectir: as missões em curso dos drones norte-americanos afinal não são tão más.

Tobin Tax

O simpático Nicolas Sarkozy, marido de Carla Bruni e presidente da República Francesa, anunciou a introdução uma nova taxa: a Tobin Tax, que irá atingir todas as transacções financeiras e fornecerá dinheiro aos cofres do Estados.

Sarkozy virou comunista? Bateu com a cabeça?
Não, pois na realidade a ideia não tem nada de comunista e nem é tão esquisita, aliás, faz todo o sentido.
Demonstração: a ideia não é de Sarkozy.

O conceito original da Tobin Tax é do prémio Nobel James Tobin e foi proposta em 1972. É uma taxa que prevê atingir de forma suave todas as transacções financeiras nos mercados para estabiliza-los (pois de facto penaliza as especulações) e, ao mesmo tempo, para fornecer dinheiro para a comunidade internacional.

E as primeiras ideias acerca disso tinham sido do economista John Maynard Keynes, na década dos anos '30: mas nunca foram aplicadas por causa da resistência das lobbies, dos media e dos mesmos mercados (em particular dos fundos especulativos).

Mas seria a Tobin Tax uma boa ideia? Resposta: sim, sem dúvida. Para ser mesmo eficaz deveria ser adoptadas possivelmente em todo o mundo, mas claro está, em alguns lado seria preciso começar: e a França poderia ser o primeiro sinal neste sentido.

02 fevereiro 2012

O câncer dos Presidentes

Numa série de discursos públicos, Hugo Chávez descreveu como uma "epidemia" os casos de câncer que estão a afectar muitos presidentes latino-americanos, definindo este um fenómeno estranho e perturbador.

O câncer atingiu Chávez, o presidente paraguaio Fernando Lugo, Dilma Rousseff e Lula da Silva (Brasil), Crisitina Fernandez (Argentina). Todos eles são conhecidos como políticos de centro-esquerda que lutam para acelerar o processo de integração da América Latina e para livrar-se do domínio dos Estados Unidos no Hemisfério Ocidental. Chávez falou de impérios que estão prontos a fazer qualquer coisa para atingir os objectivos deles.

A resposta de Washington foi rápida. Victoria Nuland, uma porta-voz do Departamento de Estado, definiu as palavras de Chávez como "horríveis". Isto é, foram percebidas pela administração Obama como uma acusação acerca do uso de tecnologias biológicas para causar câncer entre os líderes latino-americanos, os mesmos culpados de não praticar uma política amigável com os Estados Unidos.

Hugo Chávez  entendeu que Washington teria exigido provas: por isso o presidente ilustrou a sua posição, segundo a qual ele nunca teve a intenção de culpar ninguém, mas fez uso da liberdade de pensamento perante uma série de estranhos eventos difíceis de explicar.

Mas a dúvida tinha sido criada. Como é que estas doenças aparecem? Como pode um tumor maligno atingir um homem saudável, um ex-militar, ex-jogador de baseball, frequentador de ginásio? Porque só os políticos de centro-esquerda encontram estes problemas e nada acontece com os presidentes que defendem o Império?

Bancos: o problema do crédito

Os bancos não emprestam dinheiro.

Apesar dos vários Quantitative Easing (prática com a qual os bancos centrais deitam rios de dinheiro no sistema bancário e, supostamente, na economia), os bancos continuam a não fornecer crédito. Esquisito: um banco deveria existir apenas em função do crédito, é o trabalho dele. Mas a verdade é que este rio de dinheiro não consegue alcançar a economia real, fica por cima das nossas cabeças, como preso numa rede qualquer.

Então algo não bate bem. Tentamos perceber o quê.

Tentemos raciocinar como um banco. Sim, eu sei, isso pode implicar danos até graves  e permanentes ao sistema neuronal, mas neste caso é preciso.

Cada empresa privada trabalha na perspectiva do lucro; e os bancos não são uma excepção, os bancos são empresas privadas. Por isso, o banco empresta dinheiro se houver a perspectiva de ganhar com esta operação.

Grécia: o estômago vazio

A Grécia precipita no terceiro mundo: os seus filhos ficam com o estômago vazio, enquanto os turistas que visitam o País podem desfrutar o baixo preço das saladas gregas ao som do bouzouki.

As políticas de Papandreou, Papadimos e da troika FMI-BCE fizeram que milhares de crianças do ensino básico fiquem nas escolas de Atenas sem comer nada. E seriam centenas os casos de crianças que permanecem até o fim do horário prolongado, às quatro da tarde, com o estômago vazio.

Após as pressões dos directores das escolas, das associações de pais e dos media, do Ministério da Educação reconheceu os casos de crianças desnutridas e anunciou ontem que na próxima semana começará a distribuição de pequenas refeições em 18 instituições sediadas nos bairros mais pobres de Atenas e arredores. O programa será posteriormente alargado a outros distritos historicamente habitados por trabalhadores de baixo rendimento ou imigrantes.

01 fevereiro 2012

Apenas 17 lugares disponíveis!

Queridos Leitores,

com a certeza de prestar um serviço de pública utilidade, eis a tradução dum artigo de eBay Deutschland, a versão alemã do portal de vendas online.

À direita a imagem, a seguir a tradução, em baixo o link.
Aproveitem.

Do Proteccionismo - Parte II

Proteccionismo?

Ah, verdade: eis a segunda parte do artigo acerca do pensamento do economista Gael Giraud. Que diz o seguinte: diz que a União Europeia parece promover a economia 'verde', a transformação da economia no sentido ecológico-biológico, mais clean, mais renovável.

Tudo correcto, tudo muito bonito, impossível não concordar. Mas não é suficiente tentar vender alguns carros eléctricos (caros e com prestações ridículas) para tornar-se "verde", é preciso muito mais do que isso. E "muito mais" significa um plano de investimentos abrangentes, com infraestruturas e uma nova filosofia na produção.

As dúvidas do Capitalismo

Eu sei que com este artigo vou atrair a ira de muitos Leitores. Mas enfim: paciência.
O assunto é: o Capitalismo.

Navegamos na internet, abrimos um jornal, ligamos a televisão: o que podemos encontrar são as críticas contra o Capitalismo, esta gangrena que destrói tudo o que encontra, tipo a avançada de Átila. Críticas ferozes, até fundamentadas, porque o sistema não funciona e cria profundos desequilíbrios e injustiças.

Tudo correcto, tudo verdadeiro. Mas algo não bate certo. Vamos ver, em primeiro lugar, quais as críticas? Olhem, boa ideia.

No Corriere della Sera do passado dia 21 de Janeiro é presente um interessante artigo-debate acerca do Capitalismo. Interessante porque mostra alguns erros típicos de quem critica o Capitalismo.
A crise financeira explodida no Outono de 2008 foi provavelmente a porta que introduziu uma nova fase, a da destruição ao invés da criação, da riqueza.
Eis o erro: não há nenhuma "nova fase", o processo de destruição e criação são parte integrante da lógica capitalista. Como sempre, é só pegar num livro de história para perceber. A crise de 1929 (a "mãe de todas as crises"), por exemplo, não foi a primeira: simplesmente testemunhou a passagem para um novo tipo de Capitalismo, o da hegemonia americana.

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