30 abril 2012

ISDA

ISDA. Diz algo este acrónimo?
Nada, eh? Pois.

Os nossos jornais não têm tempo para certos assuntos. Há as aventuras dos políticos locais, as grandes decisões no parlamento, o futebol e o último filme de Cameron ou Spielberg. Sem esquecer a dívida pública. Ahiahiahiahi, a dívida pública...

Assim ninguém fala do ISDA. Pena, porque é por aqui que passam as verdadeiras decisões, aquelas que determinam o nosso presente e o nosso futuro.

ISDA significa International Swap and Derivatives Association. Ops, que nome complicado. Simplificando: é a mais importante associação que trata de derivativos. Dito assim não parece grande coisa. Mas acreditem: é muito mais do que isso.

"Quanto" importante é a ISDA?
Para percebe-lo, melhor seguir as palavras de Joseph Stieglitz, Prémio Nobel da Economia.
Num artigo publicado no passado mês de Fevereiro no jornal da Columbia University, onde o nosso ensina, Stieglitz explica que o BCE (Banco Central Europeu), por exemplo, não decide absolutamente nada: limita-se a seguir as ordens da ISDA.

Somos demais

Pode parecer esquisito, mas a ideia de diminuir o número de indivíduos no planeta não é nova nem limitada ao círculo dos estimadores de borboletas.

A ideia de fundo é que o planeta tenha recursos limitados, o que está correcto. O problema nasce na altura em que uma pessoa pensa que para resolver esta situação seja preciso um genocídio. Termo que nunca é utilizado de forma explicita para não ferir a sensibilidade de quem lê. Mas o conceito não muda: somos demais, temos que reduzir.

Temos depois de distinguir entre quem tenciona controlar os nascimentos com métodos contraceptivos e quem, pelo contrário, prefere resolver o problema reduzindo o número dos pais: é evidente que a segunda medida é um pouco mais drástica, pois prevê a eliminação física de milhões ou até biliões de pessoas.

A questão não é simples. Como afirmado, o planeta tem recursos limitados e este é um dado que não pode ser posto em discussão. Chegará uma altura em que a Terra não terá possibilidade para alimentar todos os representantes da nossa espécie: não é uma questão filosófica, mas matemática.

Um Caravaggio no lixo

No site Stampa Libera, um dos melhores em língua italiana no âmbito da informação alternativa, encontrei uma reflexão de Gianni Tirelli, que acho ser da Redacção.

O assunto é: o próximo futuro ou, como diz o título, Catastrofismo reale.

Vamos comenta-lo porque reúne pontos de vista bastante difundidos, algo que é muito simples encontrar na internet:
Estamos num ponto de não retorno e a humanidade parece não percebe-lo.
As famílias diminuem o seu padrão de vida, apertam o cinto e o consumo de combustível é reduzido drasticamente. A indústria desacelera a produção e despede. Cedo milhões de trabalhadores e empregados ficarão sem um tostão.
A queda acentuada na procura irá desencadear uma reacção em cadeia em todo o complexo sistema social e, como resultado do efeito dominó de várias entidades económicas, o sistema será desligado com todas as consequências devastadoras: black out intermitentes e cada vez mais frequentes, bloqueios nos transporte e consequente bloqueio da distribuição dos bens básicos, as gasolineiras secas, as reformas congeladas, as redes de televisão sem transmissão, os meios de comunicação em silêncio.

29 abril 2012

Cimeira da Nato? Melhor evacuar...

Uma curiosa notícia da CBS via Prison Planet: o governo federal dos Estados Unidos preparou planos para evacuar a cidade de Chicago durante a próxima cimeira da Nato.

E não, não é uma invenção de Alex Jones: é uma directiva real, recebida pela Cruz Vermelha da área de Milwakee. Segundo o correio electrónico enviado aos voluntários da Cruz Vermelha, em Maio poderia haver "distúrbios ou outros acidentes de segurança nacional".

E lá vão eles com a "segurança nacional", mais uma vez...

A reportagem da CBS revela que foi pedido para que a Cruz Vermelha americana disponibilize um número não preciso de abrigos em caso de evacuação de Chicago. Um porta-voz da mesma organização afirmou que a directiva chegou dos Serviços Secretos.

Ouro, a morte do Dólar

No passado mês de Março, o México comprou 16.8 toneladas de ouro.
No mesmo mês, a Turquia comprou 11.2 toneladas de ouro.
Em Abril, a Rússia comprou 16.5 toneladas de ouro.
O Cazaquistão 4.3 toneladas, a Ucrânia 1.2, o Tajikistão 0.4.

Moral: há uma corrida para comprar ouro. Porquê?
O ouro é o bem-refugio por excelência,  algo em que se deposita, as esperanças quando tira um ar feio. Uma guerra? Um cataclismo?

Uma guerra se calhar não, mas um cataclismo poderia ser. Não natural, mas financeiro. De facto, circula uma ideia: e se o Dólar deixasse de ser a moeda das trocas internacionais? E se o Dólar deixasse de ser a moeda para pagar o petróleo?
Seria um cataclismo, como afirmado. Um cataclismo para os Estados Unidos que continuam a utilizar o Dólar; para os outros, pelo contrário, poderia ser uma boa notícia. Aliás: mais do que boa.

28 abril 2012

Borboletas

Paul Ralph Ehrlich é um simpático cientista especializado em borboletas.

Tratasse só de borboletas não haveria problemas: o facto é que Ehrlich, que pertence a uma família de antigas tradições judaicas, é um apoiante das teorias de Thomas Malthus.

Este defendia o controle da população, dado que demasiadas pessoas significam pobreza e falta de desenvolvimento económico.

Assim, de vez em quando, o simpático Ehrlich esquece das suas borboletas e começa a falar de homens. Homens em demasia.
Quanta população podemos manter dependente do estilo de vida? Falo de 1.5-2.000.000.000, pois é possível ter cidades maiores, mais activas e uma natureza não contaminada.

27 abril 2012

O Presidente-Rei e a visita

O conto original é de Stefano Benni (Il Bar Sotto il Mare, "O Café debaixo do Mar", 1987, Editora Ulisseia em Portugal, no Brasil encontrei só entre os usados).
Eu adaptei aos tempos actuais.

Era uma vez um planeta formado por muitos Países. Cada País tinha o seu próprio governo, mas na verdade a maioria obedecia ao Rei do Mundo. Este era um presidente como os outros, só que o País dele era o mais potente.

Um dia, os astrónomos do palácio correram até ao pé do Rei do Mundo.
- Presidente-Rei, encontrámos algo no céu.
- Sim, interessante...
- Presidente, é assunto sério: isso é algo como...como um disco voador.
- Um disco voador? Ora essa. E tu Bo, o que achas disso?
Pois Bo era o Primeiro entre os Conselheiros. Mas Bo na altura estava empenhado a roer um osso, por isso o Presidente-Rei ficou sem resposta.
- És mesmo Português - disse o Presidente-Rei enervado.
- Presidente-Rei, há mais: o objecto aproxima-se, parece que vai aterrar! Aqui, no nosso País!
- O quê? Aqui, na Terra da Liberdade e da Democracia?
- Sim, isso mesmo senhor!
- Chamem os bobos da corte, digam que eu, o Presidente-Rei Barraco, quero uma reunião já no Palácio de Cristal: convoquem todos os representantes das Nações Espremidas.
- Será feito, Senhor.

O juro composto

O que é o juro composto?
É o juro de cada período que é somado ao capital para o cálculo dos novos juros nos períodos seguintes.

É o juro da dívida pública.

Para perceber como funciona, sendo hoje Sexta-feira Dia Mundial dos Contos (assim decidi), eis uma parábola.

Havia em Belém uma família cuja existência tinha sido abençoada com o nascimento dum filho.
Maria, a mãe, foi ter com o pai, José:
- Ó José, sabias que acabaram as fraldas?
- Ahe? Se quiseres posso construir uma fralda em dois minutos.
- Ó José, tu és carpinteiro...
- Por isso: sabes quanto dura uma fralda de madeira?
- Deixa, José, deixa. Em vez disso, vamos até o novo centro comercial em Nazareth, que acabei o detergente da loiça também.

26 abril 2012

A greve fiscal

É justo pagar as taxas?
Parece uma pergunta sem sentido, não é?
Afinal o Estado tem despesas: uma máquina burocrática, os serviços, a saúde...é preciso dinheiro e todos os cidadãos devem contribuir: afinal são eles que gozam das prestações disponibilizadas pelo Estado.

Parece lógico.
A mim não parece tão lógico.

Por exemplo: tenho que pagar uma taxa sobre os metros quadrados da casa onde moro. Porquê?
O Leitor pode pensar: "Bom, é preciso para continuar a ter a recolha do lixo, por exemplo".
Não, eu já pago uma taxa sobre a recolha do lixo.
"Então é a água".
Errado: eu já pago uma taxa pela água.
"Electricidade?"
Mesmo coisa.
"Saneamento?"
Está incluído no lixo.
"Porque sim?"
Exacto, esta é a resposta: tenho que pagar a taxa porque sim.

Obama Show

Acreditem ou não, este é o novo discurso de Barack Obama.
Gravado no auditório da Universidade da Carolina do Norte, durante o talk-show de Jimmy Fallon.


"Agora não é hora de tornar as escolas mais caras para os jovens"
"Oh yeah, vocês deveriam ouvir o Presidente"

Lindíssimo, um dos pontos mais altos da democracia ocidental.
Proximamente, não percam:
  • Obama em Disneyland canta com o Rato Mickey a retirada do Afeganistão.
  • Obama no filme Batman: As Eleições dança enquanto o escuro herói prende uma célula terrorista.
  • Obama canta e dança com Madonna Like a President

Ainda bem que vivi até este inesquecível momento...


Ipse dixit.

25 abril 2012

À procura do Paraíso

Prólogo

Querido Leitor,
hoje é dia de fiesta!

Em Portugal festeja-se a Revolução dos Cravos.
Em Italia festeja-se o Dia da Libertação.
No mundo festeja-se o segundo aniversário de Informação Incorrecta.

Por isso decidi conceder-me uma prenda. Hoje nada de artigos politico-economico-financeiro-globalista-terrorista-reflexivo-sociais. Só um artigo, comprido, que nada tem a ver com o blog. Amanhã voltaremos com as desgraças do costume.

É a minha prenda. Tenha paciência. E, como consolação, pense que o próximo aniversário do blog será só daqui a 12 meses.

Boa leitura.


O Paraíso Perdido

Proponho ao Leitor uma curta viagem à procura de algo que foi perdido.
Ponha de lado os problemas, que são muitos, conceda-se alguns minutos de descanso e venha comigo: temos que encontrar o Paraíso.

Sério, não estou a brincar. Falo do Paraíso, o verdadeiro, o Éden.

O quê? Não existe? É apenas um mito?
Coitado do Leitor, os problemas são mesmo muitos, não é? Vê-se.
Até poucas décadas atrás era normal acreditar no Paraíso, no Inferno e no Purgatório. Depois tudo mudou: agora o Leitor já não acredita. Acredita na dívida pública, mas não no Paraíso. Grande troca.

Venha comigo, confie: na pior das hipóteses, será um pouco de descontracção.

24 abril 2012

Goldman Sachs: pontinhos e círculos

Advertência

Reparei só agora que o mesmo artigo já foi publicado pelos blogues Guerra Silenciosa e Resistir.Info. Dado que o trabalho já está feito, decidi publicar na mesma, mas aproveito para pedir desculpa aos dois blogues "colegas": não foi copy-paste, foi mesmo uma distracção!

 Pontinhos

Se ainda houvesse jornalistas sérios, certas notícias seriam publicadas, haveria investigações, debates, seriam apresentadas possíveis soluções.

Na nossa sociedade, pelo contra´rio, há dois tipos de informação: a informação para estupidificar as pessoas (gossip, notícias inúteis e/ou assustadoras) e a informação de regime. Parecem a mesma coisa, mas assim não é.

Acerca do gossip há pouco para dizer: notícias sem sentido, vida e obras de nulidades (actores, cantores, futebol...). Retratam um mundo que existe. Estúpido e banal, mas que existe.

A informação de regime, pelo contrário, filtra e/ou manipula as notícias, tornando desta forma "real" um mundo que não existe. A filtragem inclui também o ocultamento de notícias importantes, fundamentais para perceber o nosso mundo, e a eliminação de qualquer investigação das páginas mediáticas.

Este último não é um grande esforço, pois, como lembrando na abertura, jornalistas que façam o trabalho deles (que não é apenas traduzir as notícias das agências de imprensa) não há. E os que tentam não aparecem nas páginas dos media mainstream.

Morreu Al Jazeera.

Al Jazeera perde pedaços.

"Tá bom"; pode pensar o Leitor, "afinal é só uma rede televisiva como muitas..."
Leitor malandro, não é bem assim.

Al Jazeera representou muito mais do que isso: era a voz do mundo islâmico, a voz culta, racional, informada, sempre à frente. Uma fonte de notícias únicas, uma das poucas vozes digna da informação global, dominada pelos media ocidentais ou pro-ocidente.

Isso antes. Agora é diferente.

Com a cobertura tendenciosa da crise na Síria e o silêncio ensurdecedor acerca da crise no Bahrein, Al Jazeera despiu o disfarce e mostrou o que realmente é: mais uma voz ao serviço do Império e dos aliados deste. Por isso, alguns importantes membros da filial de Beirute anunciaram a demissão ou já foram-se embora, como relatado pelo diário libanês Al Akhbar.

O managing director de Beirute, Hassan Shaaban, uma semana atrás tinha anunciado a sua ida, depois do correspondente Ali Ashem e do productor Mousa Ahmad. Todos em protesto contra a maneira como foram apresentados os eventos na Síria. Isso sem contar a revolta do Bahrein.

O topo do topo

Alguns números.

Pessoalmente odeio tudo o que é números, multiplicar e dividir são o equivalente matemático de Sodoma e Gomorra. Mas admito: os números têm uma certa utilidade. Por exemplo, poucos dígitos têm a capacidade de descrever uma situação melhor do que centenas de palavras.
Então vamos ver estes dados.

Nos últimos 40 anos, 0,1% da população dos Estados Unidos, absorveram 60% do aumento dos rendimentos. Isso significa que o crescimento favoreceu apenas 300.000 pessoas, numa Nação com 300 milhões de pessoas.

Por outro lado, cerca de 270 milhões de pessoas (90% do total) não tiveram um aumento os rendimentos em termos reais desde 1970. Como explicado pelo especialista David Cay Johnston, no New York Times, citando estudos recentes, durante 40 anos apenas o topo da sociedade beneficiou do sistema económico americano: há agora 15.600 famílias nos Estados Unidos que possuem 37% da riqueza nacional.

23 abril 2012

Nunca

O Leitor ainda tem dúvida acerca da dívida pública? Que, lembro, é apenas um sistema para engordar os cofres dos bancos e dos especuladores (que sempre bancos são)?

Encontrei a seguinte tabela que ilustra a situação da dívida publica italiana entre os anos 1990 e 2008. Não é novidade nenhuma, são coisas que neste blog já foram amplamente tratadas. É só para lembrar...:
A leitura é simples, o que interessa basicamente são a coluna com o total da dívida pública e a coluna com o total dos juros. A primeira, a dívida, após 18 anos apresenta um total (1.663.353) que é quase igual ao total dos juros pagos (1.605.543).

Alguém pode objectar: mas é normal pagar juros quando for contraída uma dívida. Sim, no actual sistema financeiro é normal. Justo, mas depende do valor dos juros. No caso da Italia, por exemplo, o Estado garantiu aos credores uma remuneração 4.2% superior à inflação (em verdade fez até pior, mas enfim...): em termos reais, a dívida duplica em pouco menos de que 20 anos.

Entre 1990 e 2008 a Italia pagou a própria dívida, toda: só que as prestações foram engolidas pelos juros, todas. E que raio de empréstimo é este?

O caso italiano não é o único. Não tenho os dados de outros Países, mas aposto que a situação seja mais ou menos a mesma, pelo menos na maioria dos casos. Porque a dívida não é para ser paga, nunca foi concebida com esta intenção: a dívida é um mecanismo que:
  1. garante entradas aos "especuladores" ao longo dum tempo indeterminado (praticamente infinito)
  2. consente um efectivo controle da despesa e dos investimentos dum Estado por parte dos especuladores, limitando também a efectiva possibilidade de desenvolvimento
  3. permite "conduzir" a economia dum Estado segundo o desejo dos ditos especuladores (no caso actual, o desejo é "austeridade")
Segunda objecção: "Eh, mas os Estados devem financiar-se, pagar os serviços, a máquina pública: devem encontrar o dinheiro".
Correcto. Mas os Estados com moeda soberana podem imprimir o dinheiro.
Se os Estados Unidos tivessem impresso o dinheiro  para financiar o deficit público (as despesas, por assim dizer), hoje a dívida pública seria 40% da actual.
No caso da Italia, a dívida seria praticamente zero.

Interessante notar que os Estados Unidos, mesmo sendo um Estado com moeda soberana, preferiram emitir dívida em vez que imprimir dinheiro. O resultado é que hoje a dívida pública é insustentável.
E os bancos agradecem.

Em Italia a situação é diferente: como todos os Países da Zona NEuro, não pode imprimir o próprio dinheiro e depende da moeda única, que é adquirida pelo Estado com a emissão de Títulos de Estado. Que mantêm inalterado o valor da dívida pública e impedem que a mesma dívida possa ser paga (é o caso da tabela apresentada).
E os bancos agradecem.

Como afirmado: nenhuma novidade, apenas para lembrar que é bem não ter ilusões: a dívida pública NUNCA será paga, não foi pensada para este fim.
Dúvidas? Experimentem ler outra vez a tabela.


Ipse dixit.

Fonte: Cobraf

O verdadeiro rosto da Terra

Faz sentido falar de mapas geográficos neste blog? Sim, faz sentido.
Pode não parecer, mas faz todo o sentido.

Não é uma questão de curiosidade ou de cultura geral ; é que as imagens transmitem mensagens. As imagens passam, as mensagens ficam. Com o tempo, mais imagens e outras mensagens que se acumulam.
Após um determinado período, as mensagens interiorizadas tornam-se uma realidade (a nossa realidade): isso porque já não são activadas com meios exteriores (as imagens), mas provêm do interior, directamente de nós. 

Para esclarecer, vejam o seguinte mapa:

Demência e pré-crime

A demência avança, inexorável: não conhece feriados nem fronteiras.
Mas tem um País favorito: os Estados Unidos.

Ao entrar no território americano, a demência sente-se como em casa: aí encontra as melhores oportunidades e daí parte para espalhar a própria influência no resto do mundo (que, diga-se, já está amplamente predisposto para uma digna recepção).

A demência tem muitos rostos, a maior parte dos quais se escondem atrás duma farda. Não admira, portanto, que o Homeland Security, o departamento governamental que cuida da segurança dos Estados Unidos, veja uma alta concentração de dementes nas próprias fileiras.

E que fazem os dementes fardados? Trabalham, para que a demência possa iluminar o nosso futuro.
Eis explicados alguns projectos que podemos encontrar na secção Human Factors/Behavioral Sciences Projects (Projectos Factores Humanos / Ciências do Comportamento).

Entre todos, merece destaque o Projecto FAST: Future Attribute Screening Technology, algo que parece saído do filme Minority Report.

O FAST deseja, nada mais nada menos, "prever" futuras acções terroristas (lembrem: tudo é feito para proteger contra os terríveis terroristas). Como? Analisando o comportamento humano, detectando subtis sinais que podem escapar ao olhar humano e que, pelo contrário, são registados pelas máquinas.

A difícil guerra contra o Irão

Entre os comentários do artigo Guerra no Verão? há também o de Mário Nunes, que assim escreve:
Ai agora já crês que haverá guerra no Verão, pouco a pouco, acabam por me dar razão.
Mário, lembro, é o autor do blog Kafe Kultura, cuja leitura me permito aconselhar (está também no blogroll). E pensa que uma guerra entre EUA-israel dum lado e Irão do outro seja possível, talvez no prazo de poucos meses.

É possível?
Sim, claro: neste mundo tudo é possível, sobretudo quando no topo da pirâmide do poder encontrarmos pessoas desequilibradas.

É provável?
Acho que não, mas esta é apenas a minha opinião, baseada num ponto de vista racional.

Quanto vale a racionalidade? Não muito, sobretudo quando quem manda demonstra ter problemas que deveriam ser resolvidos com a lobotomia (total).

Do ponto de vista racional, volto a repetir, uma guerra é improvável. Vamos ver quais as razões.

21 abril 2012

Fracking: ao pormenor - Parte II

Segunda e última parte do artigo dedicado ao fracking.
Até agora vimos os efeitos desta técnica na área dos sismos e da poluição das águas naturais. Mas há mais.

Fracking e radioactividade

O fracking precisa de água, muita água. Um só poço produz 1 milhão de galões de água residual (4 milhões de litros), muitas vezes satura de sais corrosivos, substâncias cancerígena como o benzeno e radioactivas como o rádio (também cancerígeno).

Tais substâncias são normalmente presentes no subsolo e ali estão em paz até que uma empresa petrolífera decida perturbar o equilíbrio da zona com o fracking.

A EPA (Enviromental Protection Agency) relata que os perigos e os riscos do fracking são maiores de quanto estimado. Em particular existe preocupação por causa da água: os sistemas de purificação não conseguem remover todas as substâncias tóxicas e radioactiva. às vezes a água nem é testada para verificar a presença de radioactividade, pois é suposto não ter problemas com este aspecto. Mas o fracking mudou as coisas.

A radioactividade do material residual dos poços chega a ser 1.000 vezes superior aos limites estabelecidos pelas leis: juntando isso ao facto dos purificadores não conseguirem travar a corrida das partículas radioactiva e o resultado será uma água ré-enviada no meio ambiente com níveis de radioactividade muito acima do admitido.

Os resultados são espantosos.

20 abril 2012

Última chamada

Após anos em Portugal continuo a considerar-me Genovês. Deve ser a Síndrome do Emigrante.

Mesmo assim, tive tempo para observar a sociedade portuguesa, interagir com ela, tentar perceber o que se passa nas cabecinhas dos indígenas.

E este último ponto é um autêntico mistério.

As últimas estimativas do Eurostat acerca da força de trabalho na Zona NEuro (Fevereiro de 2012) são assustadoras: em Espanha o desemprego dos jovens aumentou de 44,4% para 50,5%. Na Grécia de 39,5% para 50,4% em Dezembro de 2011 (melhor não imaginar como pode estar agora). Em Portugal, sempre o desemprego juvenil, subiu de 26,9% para 35,4%, sem nenhuma perspectiva de melhoria, dada a deterioração das condições do mercado de trabalho.

Em termos de desemprego global, Portugal passou de 12,3 por cento em Fevereiro de 2011 para 15 por cento (ou mais) 12 meses depois.

Peter Weiss, chefe da comissão da União Europeia para Portugal:
Vimos os números e estamos um pouco surpreendidos do rápido aumento no último trimestre. Temos ainda algumas dificuldades na interpretação dos dados, pode ser que factores ligados à época não tenham sido adequadamente considerados.
Este sociopata está surpreendido. Na sua óptica de doente mental, cortar os ordenados, as reformas, facilitar os despedimentos, reduzir os serviços públicos, eliminar os subsídios e outros ainda são todos factores que deveriam fazer bem à ocupação.

Revolución!

É Sexta-feira e, como sempre, é altura certa para um assunto um pouco mas descontraído.
Então fazemos isso: vamos falar de revolução, pode ser?

As democracias representativas são um engano, acerca disso acho não existirem dúvidas.
Os partidos políticos sozinhos nunca poderão reformar alguma coisa. Seria como pedir a um vampiro de não beber o sangue que o mantém vivo.
Doutro lado não é possível aceitar que os mesmos sujeitos políticos que criaram esta desastrada sociedade possam continuar a mandar. Já causaram demasiados prejuízos ao longo das última décadas, chega.

Então temos o problema: como reformar a actual situação?
Aqui temos um cruzamento: dum lado há as pessoas convencidas de que seja possível mudar a situação a partir do interior, outras acham que só do exterior seja possível obter alguma coisa.

A diferença é substancial.

Mudar do interior significa tentar introduzir uma mudança utilizando as existentes regras democráticas.
Mudar do exterior significa o contrário: utilizar métodos não democráticos.

Fracking: ao pormenor

Vamos falar de: petróleo.
Porquê? Porque sim.

Mais: vamos aprofundar o discurso do fracking.
Porquê? Porque é importante.

Acerca do fracking já é possível ler este artigo. Mas vamos além.

Porque apesar de não serem muitas as empresas com a tecnologia "de ponta" para utilizar a tal técnica, a verdade é que a prática se encontra em franca expansão: nascida nos Estados Unidos, a "fracturação hidráulica" (este o sentido do termo fracking) já é utilizada em outros Países.

Para os Leitores. Todos os Leitores.

Pessoal!

Então é assim. Hoje estava a "passear" pela internet, à procura de algo para escrever. Alguns dos sites e blogs que costumava frequentar fecharam, os outros continuam a repetir coisas que todos já sabemos. Há poucas novidades, o risco é tornar-se monótono.
E eu odeio as coisas monótonas.

19 abril 2012

Economistas: opiniões à venda

Os economistas. Eles sabem.
Ou pelo menos tentam saber. E prever.

É possível fazer previsões acertadas o mundo da economia? Sim, com certeza: só que os resultados dependem da vontade do pesquisador. Sobretudo, depende do que desejamos prever.

Se os nossos rendimentos dependem de uma ou mais empresas envolvidas no grande Circo da Economia, pode ser que as nossas observações não sejam tão imparciais.

Afinal, se temos uma palavra influente, uma nossa previsão pode encaminhar os mercados na direcção que é a pretendida pelo nosso dono. O mercado é composto por empresas; atrás das empresas há homens; e os homens podem ser enganados.

Agora, imagine o Leitor que isso aconteça não com um mas com mais economistas de renome. Um quadro assustador, onde a economia é analisada, explicada, ensinada, difundida e prevista por pessoas que têm fortes interesses no mundo económico. Pessoas que podem ser pagas pelos bancos. Pessoas que sentam nas administrações de corporações.

É este o sentido dum óptimo artigo de Renaud Lambert publicado no Le Monde Diplomatique, e traduzido na versão brasileira também, cujo título é "Os economistas engajados".

Vale a pena fazer copy-paste, pois este é um artigo que bem explica o quadro geral.
E vale a pena ler tudo, embora seja comprido: após isso, é provável que da próxima vez que o Leitor ouvir um "respeitado economista" falar, perguntará: "Mas quem é este gajo? Quais interesses defende?".

(Nota: já faz isso? Leia na mesma para confirmar as suas opiniões!).

Boa leitura!

Atómicas e água (e Chineses)

Um Paquistão estável e tranquilo é o ideal para o Ocidente, empenhado em "pacificar" o vizinho Afeganistão (que em paz já estava antes da chegada do Ocidente, mas este é outro discurso).

Só que o Paquistão tem uma verdadeira obsessão: a Índia.
Desde que os dois Países foram divididos, em 1947, os Islamabad e Nova Dheli travaram quatro conflitos: em 1947, 1965, 1971 e em 1999. Todos (com a excepção da guerra de 1971) com um único objectivo: o controle da região do Kashmir (Caxemira).

Mas agora um novo factor de discórdia ameaça o futuro de Paquistão e Índia: a água.

É um problema nada mal, por duas razões:
1. ambos os Países são potências nucleares
2. elemento central da disputa é um dos bens mais preciosos, talvez "o" bem por excelência.

No último Domingo, o jornal The Nation de Lahore (Paquistão) publicou um editorial intitulado "Nizami: a guerra com a Índia é inevitável". Majid Nizami, editor do jornal e presidente do Fundo Nazari-i-Paquistão Trust, disse aos seus concidadãos para preparar-se: haverá uma guerra com a Índia sobre a questão da água.

Durante o encontro intitulado "Relacionamentos Paquistão-Índia: os novos desejos dos nossos líderes", realizado na Aiwan-e-Karkunan Tehrik-e-Pakistan, Nizami afirmou que "as hostilidades e as conspirações indianas contra o País não vão acabar até que não aprendam a lição".

Krugman e os suicidas da Zona Neuro

As vezes faz bem as coisas que já pensamos. É o sinal de que não estamos loucos. Ou que há mais loucos à solta.

Paul Krugman, por exemplo, acha que a Europa está a suicidar-se. Olhem só, é a mesma constatação à qual tinha chegado eu e muitos outros Europeus. Todos loucos.

Krugman tem também outro dom: sabe falar de forma simples, introduzindo tecnicismos apenas quando necessário. E não é o caso deste artigo publicado nas páginas do New York Times, muito simples, muito claro. Tristemente claro.

O suicídio económico da Europa
No passado Sábado, o New York Times informou o Times dum fenómeno aparentemente em aumento na Europa: "o suicídio pela crise económica", pessoas que perdem a vida por desespero devido ao desemprego e à falência.
É uma história comovente. Mas tenho certeza de que não era o único leitor, especialmente entre os economistas, a perguntar se a história maior não era tanto a dos indivíduos, quanto a aparente determinação de alguns líderes europeus para um suicídio económico do continente todo.

Apenas alguns meses atrás eu tinha alguma esperança para a Europa. No final do último Outono a Europa parecia à beira do colapso financeiro, mas o Banco Central Europeu, o equivalente europeu da Federal Reserve, veio em socorro do continente. Ofereceu aos bancos europeus linhas de crédito abertas em troca de Títulos de Estado dos governos europeus: isso apoio directamente os bancos e indirectamente os governos, e acabou com o pânico.

Dinheiro electrónico: porquê?

Prontos? Então comecemos.

Cada vez mais governos e instituições bancárias "empurram" para que os pagamentos das transacções comerciais sejam efectuados com os "cartões": de crédito, Bancomat, Multibanco...todos, desde que sejam cartões.

As motivações parecem bastante simples: mais práticos, fornecem um comprovativo de pagamento, reduzem (teoricamente) as possibilidades de roubo, até podem ser utilizados na luta contra a evasão fiscal (o comprovativo é emitido automaticamente, o que permite melhor averiguar os movimentos duma empresa, por exemplo).

Tudo bom, tudo verdadeiro (nota: nem muito verdadeiro, mas vamos em frente).
O bom cidadão, todavia, já aprendeu que quando bancos e políticos sugerem algo, sobretudo se em conjunto, há algo mais que não é contado.

18 abril 2012

Nadar nu nas águas do Brasil

Encontrei no Telegraph um artigo dedicado ao Brasil.

Não comento, simplesmente vou traduzir e deixo que sejam os Leitores a colaborar com os comentários: que acham de tudo isso? O governo de Dilma está a gerir da melhor forma a riqueza do País? Acham que a actual política económica brasileira pode implicar riscos no futuro próximo?

Desde já, obrigado pelas opiniões.
E boa leitura.

A Tigre da América Latina poderia, em alguns aspectos, ter ultrapassado França, Itália e Grã-Bretanha como quinta maior economia do mundo, mas fica ainda relegada na posição 126 na questão de "facilidade de fazer negócios, atrás de muitos países africanos. Os alarmes que anunciam uma mudança cíclico (em pior) começam a tocar em qualquer lugar.

Está longe de ser claro se esta criatura de 195 milhões de habitantes (um membro do BRIC) conseguiu escapar da "armadilha da renda média" depois de meio século de tentativas promissoras, cada uma das quais prejudicada pelos eventos.

Da democracia representativa e da alternativa

Noutro dia estava a conduzir e pensar: duas coisas ao mesmo tempo!
E pensava: mas afinal a democracia representativa representa o quê?

Explico com o exemplo de Portugal. O governo liderado pelo ignóbil Passa o Coelho corta tudo e mais alguma coisa, obriga o País a percorrer uma recessão com a promessa de que "o futuro será melhor".

Pergunta: se o primeiro ministro tivesse inserido os cortes dos ordenados, das pensões, dos serviços, o aumento dos impostos, a recessão e tudo o resto no próprio programa político, teria ganho as eleições?

Resposta: não, nem morto. Aliás, provavelmente teria sido morto.

Então o actual primeiro ministro representa o quê? O povo Português? Nem por isso: afinal foi eleito com um programa político em que as medidas não estavam especificadas. Isso acontece não apenas em Portugal mas, infelizmente, em muitos dos Países onde existem estes "representantes do povo" democraticamente eleitos.

Cristina e o petróleo da Argentina

Cristina Kirchner, Presidente da Argentina, na manhã do dia 16 de Abril anunciou a expropriação e a nacionalização da empresa "Yacimientos Petrolíferos Fiscales" (YPF), cujo gestão pertencia à Repsol Ibérica, propriedade do Governo espanhol e gerida por uma companhia europeia financiada pelo BCE através da participação de Banco Santander, Banco Bilbao, Unicredit, Sanpaolo Intesa, Popolare Banca di Milano, Société Générale, Credit Agricole, Eni e Deutsche Bank.

Axel Kicillov, vice-ministro da economia, é a pessoa designada para gerir a transferência das acções, das quais 51% vão para o Banco de la Nación e 49% vão para as regiões nos quais se encontram os poços de petróleo. Os Espanhóis ficarão com uma indemnização, cujo valor ainda não é conhecido.

Julio de Vido, ministro do Planeamento e Desenvolvimento Económico e Social, disse:
Por quinhentos anos, os Europeus, primeiro com os conquistadores, em seguida, com os bancos italianos, depois com o exército britânico, e finalmente com a finança especulativa gerida pelo BCE e Wall Street, derrubaram o povo da Argentina dos seus recursos naturais, ouro, prata, açúcar, petróleo, limão, água, soja, couro, para construir a sua riqueza exagerada numa míope perspectiva de escravidão, tanto que a Europa afunda esmagada numa crise que não tem soluções.

17 abril 2012

Chatice: já morremos todos

Dos arquivos da Nasa saiu um artigo bem engraçado.
Publicado em 1986, advertia que a raça humana estaria extinta no prazo de poucas décadas.

Passaram quase 30 anos e ainda aqui estamos. Que aconteceu?

O relatório da Associated Express citava Robert Watson, director do programa da atmosférica superior da Nasa, o qual afirmava:
Uma dramática perda de ozónio sobre a Antárctica mostra que o "efeito estufa" é real e prenuncia um aquecimento gradual que ameaça inundações, secas, miséria humana em poucas décadas - se não for controlada - e eventual extinção da espécie humana.
Dito de outra forma: já estamos extintos e ainda nem demos por isso, apesar de todas as catástrofes que enfrentámos.

Há algo de estranho. Porquê empresas petrolíferas financiam organizações ambientalistas e pesquisadores científicos que defendem um aquecimento estilo "Dia do Juízo Universal"?

Passaram quase trinta anos e ainda aqui estamos com as previsões apocalípticas. Em Portugal há uma Primavera fria, com queda de neve na Serra de Estrela e estamos em meados de Abril: é este o aquecimento global?

O esquisito mundo dos pandas

Já tratámos do assunto.
Mas agora eis mais alguns pormenores.
Tema: WWF!

O que é o WWF? Todos sabem: O World Wide Fund for Nature (WWF, "Fundo Mundial para a Natureza") é uma Organização não governamental (ONG) internacional que actua nas áreas da conservação, investigação e recuperação ambiental. É "a" organização ambientalista.

Falar mal do WWF é impossível: tem um panda como símbolo, como podemos falar mal dum panda?

Mesmo assim há alguns atrevidos que fazem pesquisas. E os resultados são...como dizer? "Esquisitos".
Por exemplo: a jornalista Donna Laframboise (espero por ela que seja um pseudónimo, pois a tradução literal é "Mulher A Framboesa"...) publicou um artigo no qual analisa os pormenores da organização.

Assim, aprendemos que em 1961 a Shell Oil pagou a boa soma de 10.000 Libras (o equivalente de 660.000 Dólares actuais) para ajudar o WWF do Reino Unido: na altura o presidente da Shell era John Loudon, que mais tarde viria a ser presidente do WWF também.

Al Quê?

Notícia Ansa, dia 15 de Abril:
Pelo menos dez mortes, incluindo três líderes locais da Al Qaeda, o resultado de um ataque aéreo hoje no sudeste de Sanaa e de outros actos de violência atribuída à rede terrorista. É este o relatório do Ministério da Defesa. No ataque, que os serviços de segurança atribuem a um drone dos EUA, foi atingido  um carro no qual viajavam três líderes da Al Qaeda.
As outras três vítimas são crianças mortas por uma bomba enquanto caminhavam até a escola e quatro militares auxiliares mortos em outros ataques.
Esta é uma notícia interessante. Com ela é possível perceber que no Iemen os líderes de Al Qaeda são como os mandarins no verão: crescem em cachos, cinco ou seis de cada vez, tão exuberante e espontânea é a produção.

16 abril 2012

MMT - Parte IV

Quarta parte do MMT, a apresentação da Modern Money Theory.
Já sabem: quem explica é Leo, um dos cães mais cultos do mundo (mas não o único: vejam o caso de Burgos, por exemplo).

Boa leitura.

- Boa tarde Leo.
- Boa tarde. Não há nada, não é? Rádio, televisão, jornais...
- Não, é sempre e só uma entrevista escrita para o blog.
- Tudo bem, continuas assim, vais ver quanto sucesso que consegues...
- Olha Leo, um dos Leitores fez uma observação pertinente.
- Fala.
- Diz que é complicado para quem lê acreditar que um banco possa criar dinheiro a partir do nada, simplesmente ao carregar numa tecla. De facto é complicado acreditar nisso, eu mesmo tenho dúvidas...
- Vocês, humanos...mas percebo, o vosso cérebro não é como o nosso, que é muito mais desenvolvido. Percebo e perdoo.
- Obrigado.

Guerra no Verão?

Então, mas o que é isso?
É guerra ou não? São maus, são terroristas, têm a bomba e depois nada. A gente espera e nada acontece. E a gente fica mal, não é?

Mas agora aprece que sim, talvez algo vai acontecer.

Fontes militares russas afirmam que, até o próximo Verão, as forças armadas prevêem um ataque contra o Irão e por isso já foi planeado um plano de acção para enviar tropas russas através da Geórgia até a Arménia, região que faz fronteira com a República Islâmica.

O Conselheiro de Segurança da Rússia, Viktor Ozerov, disse que o Comando Militar Geral preparou um plano de acção em caso de um ataque.
E Dmitry Rogozin, que recentemente tinha sido embaixador russo na NATO e agora vice-primeiro ministro, advertiu:
O Irão é nosso vizinho, se o Irão ficar envolvido em qualquer acção militar, esta é uma ameaça directa à nossa segurança." Rogozin é agora vice-primeiro-ministro da Rússia, é considerado como anti-ocidental e supervisiona a indústria de defesa da Rússia.
Fontes do Ministério da Defesa russo dizem que o exército não acredita que israel possa ter suficientes recursos para derrotar as defesas iranianas, por isso em caso de acção militar será necessária a participação dos Estados Unidos.

O fogo!

Diz Daniela:
Caro Max, já que estamos em período Pascoal, que tal espiritualizar o II, gostaria de saber sobre o Fogo Sagrado que aparece no Santo Sepulcro, nas cerimonias antigas até os dias de hoje, na religião cristã ortodoxa, que é uma divisão do catolicismo que conhecemos...ESTE FATO É POUCO CONHECIDO OU DIVULGADO,SERIA VERDADEIRO OU FALSO ? UM ISQUEIRO LEVADO PELOS RELIGIOSOS ATÉ A TUMBA?
Antes demais: muito obrigado Daniela!
Depois: confesso a minha ignorância, pois nunca tinha ouvido falar do Fogo Sagrado. Então fui pesquisar.
E o resultado é o seguinte.

a descida do Fogo Sagrado é um dos maiores milagres que se repetem até que o nosso tempo e acontece no Sagrado Sepulcro, em Jerusalém, em ocasião do Sábado Santo, mesmo antes do dia de Páscoa. É um milagre muito antigo, acerca do qual já falavam São Gregório de Nissa (394 d.C.), São João de Damasco (780 d.C.) e o historiador da igreja Eusébio de Cesaréia (século IV d.C.).

Grécia: uma nova-velha boa ideia

Há crise? O Euro não presta?
Vamos substitui-lo.

É isso que devem ter pensado em Volos, uma cidade portuária da Grécia. Porque da Grécia não chegam só péssimas notícias.

Há alguns meses atrás, foi introduzida a moeda alternativa, com uma iniciativa popular que desde então tem crescido e hoje pode contar com uma rede de mais de 800 membros, num País que luta diariamente para pagar em Euro no meio duma espantosa crise financeira.

Hara Soldatou pega no conjunto de velas decoradas, feliz da sua compra: "Custaram 24 TEM, que eu juntei oferecendo aulas de ioga".

TEM? Pois esta é coisa engraçada: é possível passear pela zona do mercado sem precisar de Euro no bolso. Jóias, alimentos, peças eléctricas, roupas: tudo aqui está à venda através da moeda alternativa chamada TEM.

14 abril 2012

Informação Incorrecta invade Android

Aproxima-se o aniversário de Informação Incorrecta: é tempo de atacar os novos mercados!

A partir de hoje o blog está disponível também para os terminais  Android, iPhone e iPad com a aplicação Google Currents.

Eu acho que pouco ou nada vai mudar, pois o blog já tinha uma versão optimizada para os telemóveis (mais leve) enquanto para usufruir do conteúdo Google Currents é necessário descarregar a aplicação cujo nome é: Google Currents, olhem só.

Se o Leitor tiver um dispositivo Android é possível instalar Google Currents de Google Play.
Se o Leitor não quiser, não descarrega.
Esta é democracia.

Última nota: ao longo dos próximos dias algumas coisas aparecerão e desaparecerão no blog. Não liguem, estou a tentar criar um menu para que possa ser mais simples aceder aos conteúdos.

Fiquem bem.

Ipse dixit.

13 abril 2012

Portugal: a queda em 3 simples passagens

E acabamos a semana com algo mais divertido: falemos da Zona Neuro.
Por exemplo: o que pode acontecer em Portugal (e também em outros Países em crise da Zona Neuro) nos próximos tempos?

Digo já: são só gargalhadas, um cenário mais simpático do que o outro.

Portugal, como sabemos, encontra-se numa situação privilegiada: falido, em plena recessão, com um tecido produtivo quase inexistente e não competitivo, com um governo que tenta destruir o que sobrou do estado social, dirigido pela dupla fatal Fundo Monetário Internacional/Banco Central Europeu.
E como se não fosse suficiente, hoje chove.

Pensará o Leitor: "Então privilegiado para porquê?".
Simples: contrariamente a maioria dos outros Países, Portugal não há nada a temer, pois é difícil que as coisas possam piorar.

E mais, Portugal pode também ficar descansado pois o seu futuro não depende unicamente dos Portugueses ou das esmolas-armadilhas do FMI/BCE: uma grave crise europeia (por exemplo: a falência duma grande economia como Espanha ou Italia) pode tornar inúteis todos os esforços de austeridade que com tanta alegria são implementados em Lisboa e arredores.

Por isso, olhemos com serenidade e boa predisposição para os possíveis cenários futuros.
E comecemos pela primeira fase do próximo futuro.

A ideia do trabalho

Hoje falamo-se abertamente (e com impunidade) de "mercado de trabalho". Nem mesmo os sindicatos ficam escandalizados perante esta expressão: a energia física e intelectual do homem é considerada uma commodity, uma mercadoria.

Mas antes da Revolução Industrial, agricultores e artesãos nunca tinham sido considerados uma mercadoria. É esta maneira diferente de pensar, de entender o trabalhador, que faz a diferença entre as sociedades chamadas" tradicionais" e aquelas filhas da Revolução Industrial.

O mestre artesão, o dono da loja, não eram considerados uma mercadoria, nem os empregados deles. E ainda hoje, os relacionamentos entre as mesmas figuras vão bem além do simples "mercado de trabalho": são relacionamentos complexos e pessoais.

Também na época feudal, o senhor podia considerar o mestre de loja uma propriedade dele, um servidor: mas sempre como uma pessoa, não como coisa,  um objecto. As actividades do empregado eram incorporadas na sua pessoa.

Então porque hoje falamos de "mercado de trabalho"? Atenção, pois as palavras são muito importantes, não são casuais: reflectem um conceito.

O sonho da retoma

Há algo no ar.
É um sentimento, uma impressão.

Sobretudo é um conjunto de palavras: "O pior já foi, a retoma está aqui".

Expressões como "Nos Estados Unidos a queda acabou" ou "O Euro está fora de perigo" são cada vez mais frequentes nas bocas dos políticos.
Parece o mundo estar à beira dum novo Renascimento.

Este blog não quer ser "catastrofista". Há muitas maneiras de ser catastrofista, pois não é só prever gigantescos terremotos: também profetizar uma eterna crise ou a queda da economia mundial (ou das principais economias do planeta) é uma forma de ser forçosamente negativista.
O que tenta fazer este blog é ser realista: não é simples, mas é sempre melhor do que ser obtusamente optimista ou tragicamente pessimista.

E dado que a única maneira de interpretar a realidade é através dos factos, o que estes factos dizem acerca da crise? Dizem que a crise não acabou. Longe disso.

12 abril 2012

MMT - Parte III

E vamos com a terceira parte do MMT.
Cujas duas primeiras partes podem ser encontradas neste link e neste outro também.

Como sempre será o fiel Leo, o único cão licenciado na prestigiada quanto desconhecida Faculdade de Economia Aplicada e Disfarçada da Real Universidade do Alto do Índio, Almada (Portugal), a privilegiada guia nesta tenebrosa viagem ao coração da economia.

- Boa tarde Leo.
- Boa tarde para si e para todos os telespectadores.
- Não, nada de televisão, é sempre tudo por escrito.
- Nem a televisão...o teu é mesmo um blog miserável, sabias?
- Enfim, é o que temos...olha Leo, da última vez disseste que o dinheiro não tem valor, que na realidade é apenas um código. Podes explicar um pouco melhor?
- Sim, sim, tá bom...vou fazer um exemplo, pode ser?
- Isso mesmo, um exemplo.
- Então é assim. Tu, Max, vais ao banco e pedes um empréstimo de 50.000 Euros.
- E que faço com todo este dinheiro?
- Um estoque de bolachas, por exemplo.
- Ah, pois, não tinha pensado nisso.

A santa cruzada do FMI contra os idosos parasitas

Em exclusivo para os Leitores de Informação Incorrecta: em ante-visão mundial, ou talvez lusófona, se calhar local...enfim, pode ser uma ante-visão e pode não ser...seja como for, eis algumas passagens do Global Financial Stability Report, que o Fundo Monetário Internacional (FMI) irá publicar na próxima semana, durante os trabalhos em Washington.

Temos aqui dois parágrafos: o primeiro mais técnico, dedicado aos operadores financeiros, o segundo mais abrangente e, com certeza, de maior interesse para a maioria dos Leitores.

A propósito: não esqueçam que nem o primeiro nem (sobretudo) o segundo parágrafos são uma piada; é mesmo o documento original, que é possível descarregar em formato Pdf e idioma inglês das páginas do FMI (link abaixo).

Monsanto e o tabaco argentino

Noticias enjoativas, não é?
É só abrir o jornal. Ou conectar-se ao Web.

Corthouse News Service, centro de notícias para quem trabalha no mundo dos tribunais, relata um facto simpático.
Protagonistas: a sempre pouco louvada Monsanto em companhia de outras empresas quais Philip Morris, Carolina Leaf, Universal Corporation.
O lugar: Argentina.

De acordo com o relatório, a Monsanto é alvo de queixa crime e será submetida a julgamento por dezenas de produtores de tabaco argentinos, os quais afirmam que o gigante de biotecnologia deliberadamente escolheu envenenar os trabalhadores do sector com pesticidas e herbicidas.

Isso terá tido como consequências devastadores defeitos de nascimento para os seus filhos: paralisia cerebral, síndrome de Down, atrasos psicomotor, dedos em falta, cegueira.

Os agricultores provêm de pequenas explorações familiares da Província de Misiones e vendem o tabaco deles a muitos distribuidores nos Estados Unidos. As famílias dos agricultores dizem que as grandes empresas de tabaco, como a Philip Morris, pediram a utilização de herbicidas e pesticidas produzidos pela Monsanto, garantindo que tais produtos eram seguros. Mas tão seguros afinal não eram.

11 abril 2012

MMT - Parte II

E agora: segunda parte da MMT.
Satisfeitos?

Não lembram o que é a MMT? Não faz mal.

Eis um resumo: MMT significa Modern Money Theory, gentilmente explicada por Leonardo, o único cão licenciado em Economia Aplicada e Disfarçada na Real Universidade do Alto do Índio, Almada (Portugal).

Para mais pormenores, e para ler a primeira parte, é favor clicar neste link.

Em frente.
- Boa tarde Leo.
- Boa tarde para si e para todos os ouvintes.
- É uma entrevista escrita, não há ouvintes.
- Que blog miserável...
- Leo, hoje continuemos com as explicações acerca da MMT?
- Exacto. Mas para perceber é preciso fazer o ponto da situação.
- E fazemos este ponto.
- Isso significa repetir coisas que provavelmente tu já trataste neste raio de blog. É preciso, percebes?
- Percebo.
- Duvido. E alguns Leitores podem pensar "Epá, mas enfim, mas o que é isso, então?"
- Porque são coisas já ditas?
- Exacto.
- Bom, se é preciso.
- É.
- Então tudo bem.

O darwinismo social

 ...e continuemos.
Continuemos com quê? Com as conspirações.
Mas calma: aqui não vamos debater acerca da existência ou não-existência duma super-hiper-mega conspiração para dominar o mundo.

Falamos, pelo contrário, duma conspiração mais subtil, que talvez nem "conspiração" pode ser definida. É mais um ponto de vista, que muitos entre nós partilham, a maioria, que envolve a nossa sociedade, cúmplice uma ciência cada vez mais enrolada em si mesma, elitista, auto-alimentada.

Aqui simplificamos, neste como em outros blogs, tentamos perceber. E a estrada para entender a verdade é a simplicidade. Quando houver algo de complicado, usualmente há um bug, um defeito. Às vezes pode ser uma ideia fixa, como um princípio que parece estar certo e já não é posto em discussão. Mas incluir um princípio que não pode ser discutido, mesmo que esteja errado, leva até conclusões forçosamente complicadas e erradas.

A propósito: reparei agora que como post é um bocado comprido.
Acontece.

O ouro de Portugal

E Portugal, eh? O simpático Portugal.
Mas não só: também os outros Países em crise.

Eis um falso e-mail que nenhum Leitor alguma vez enviou para pedir explicações acerca da crise portuguesa ou dos outros Países da Zona Neuro:
Caro Max,
em primeiro lugar parabéns pelo blog que acho ser o melhor do mundo e não exagero: você é um génio!
Depois, gostaria de perguntar: porque os Países em crise da Zona Euro não utilizam as reservas áureas para pagar as próprias dívidas?

Continue assim, continue o excelente trabalho e já que estou aqui aproveito para fazer uma doação de 100.000 Euros com o PayPal.
É o mínimo.

Respeitosamente,
Anónimo

Caro Anónimo, antes demais muito obrigado pelas boas palavras e pelo dinheiro também. Por acaso, os 100.000 Euros calham mesmo bem pois tenho que comprar o colar anti-pulga do Leo.

10 abril 2012

Grécia: tudo normal

Grécia? Pois é, Grécia.
Se os órgãos de comunicação fossem coisas sérias, falariam dalguns dos problemas que atravessam o País helénico.

Claro, não puderam evitar a história do reformado grego, o ex-farmacêutico que deitou-se fogo na Praça Syntgama, farto de ter de procurar no lixo algo para comer.
Mas além destes acontecimentos de qualquer forma "espectaculares" e "mediáticos "(pois os media gostam de histórias "fortes"), há outras realidades que continuam ignoradas.

Nomeadamente, na Grécia acontece algo nunca visto num País ocidental desde a Segunda Guerra Mundial. E na Grécia não houve guerra, não nos últimos tempos: houve, e ainda há, o Fundo Monetário Internacional, a União Europeia. Há bancos.

A pesquisa "A Condição da Infância na Grécia 2012", assinada pela Unicef e pela universidade de Atenas, relata que no País são agora 439.000 as crianças que vivem abaixo da linha da pobreza, em condições desnutridas e insalubres. E com o termo "pobreza" é considerado o rendimento mínimo que uma família de quatro pessoas tem que ganhar todos os meses para pagar a renda e as necessidades básicas como alimentação, transporte, vestuário e educação.

Maçonaria: antes e depois

Muito bem, vamos ver as notícias de hoje.
A Síria, o Irão, a crise económica...minha nossa, sempre as mesmas coisas.

Olhem, vamos fazer assim: vamos falar de Maçonaria, tá bom? Afinal muitos vêem nos Maçones uma espécie de Igreja do Mal, mergulhada em conspirações, crimes de todas as espécies, incluído a Nova Ordem Mundial (esta nunca falta).

Então donde começar? Pela fundação da Maçonaria, os cavalheiros de Jerusalém, o Templo de Salomão?

Nem pensar. Existem milhares de páginas na internet dedicadas ao aspecto histórico, mais uma não adianta.
Vamos falar de Maçonaria, mas começamos pela ideia que nós temos da mesma.

Nota: no texto utilizo os termos "Maçon" e "Maçones", provavelmente errados. Ainda não percebi quais os termos certos e não entendo perder mais tempo com isso...

Maçonaria: pontos de vista

A ideia mais comum é aquela segundo a qual a Maçonaria é geralmente constituída como um clube de elite para pessoas afiliadas; pessoas poderosas, que têm como objectivo conspirar, procurar apoios de pessoas influentes.

Esta não é a visão ocidental, mas Europeia (embora haja excepções).

Diferente é a visão nos Estados Unidos, onde a Maçonaria é vista como uma associação semi-séria, semi-hesotérica, uma ocasião de convívio entre amigos e colegas. Como consequência, a Maçonaria aparece nos filmes de Stan Laurel ed Oliver Hardy (O Gordo e o Magro no Brasil, O Bucha e Estica em Portugal) ou na série Dias Felizes (Happy Days).
Até nos Flinstones.

Nas televisões dos Estados Unidos são normalmente transmitidas publicidades da Maçonaria, algo que no Velho Continente seria impensável.

Então, qual o verdadeiro rosto da Maçonaria? Um clube exclusivo, que junta pessoas influentes que querem alargar o círculo de conhecimentos pessoais? Ou um conjunto de pessoas "médias" frustradas, à procura de experiências "exóticas"? Ou, pior ainda, uma diabólica maquinação de quem quer tomar posse do mundo e arredores? Uma espécie de anti-igreja?

Onde está, portanto, a verdade, e acima de tudo, o que é exactamente a Maçonaria, e quais são as suas verdadeiras origens?

09 abril 2012

CIA: o forno nos espiona

Nova Ordem Mundial.
Mais uma vez.

Há pessoas que vivem no pesadelo do NWO (acrónimo de New World Order, Nova Ordem Mundial em inglês). E, como consequências, entram no colorido jardim da demência.

É o caso de Resistance71, blog que retoma uma notícia de Russian Today.
Segundo o artigo, a CIA afirma que em 2020 máquinas de lavar roupa e frigoríficos poderão ser "lidos" pela agência americana. No total, 100 milhões de dispositivos nos Estados Unidos.

David Petraeus, director da CIA:
Itens de interesse serão localizados, identificados, monitorados e controlados remotamente por meio de tecnologias como a Radio Frequency Identification, redes de sensores, pequenos servidores incorporados, todos conectados à Internet de próxima geração.
Wow. Que tecnologia.

Segundo a notícia, todos os dados serão conectados a um maciço mainframe no Utah, um complexo com um custo estimado de 2 biliões de Dólares., capaz de controlar, analisar e armazenar todas as formas de comunicação pessoal, incluindo compras on-line, chamadas de telefone celular, buscas no Google e mensagens privadas.

Wow. Que impressão.

Carvão, muco e sangue: Georgia Power

A central de carvão em Juliette, na Geórgia (Estados Unidos, imagem ao lado) é a maior de todo o País, com duas torres que cospem fumo numa altura de 300 metros.

De acordo com a Agência de Protecção Ambiental, é também o maior produtor de gases com efeito estufa de todos os EUA.

Os cidadãos de Juliette, que vivem ao redor da central, adoecem e morrem. O sintoma mais comum é acordar no meio da noite para cuspir sangue. O que não é agradável.

Os médicos entrevistam os pacientes: "A senhora é alcoólica?". São mães de família, idosos. Não são alcoólicos, simplesmente vivem perto duma central que cospe para a atmosfera poluentes 24 horas por dia. Mas as causas da doença permanecem um mistério.

Como "misteriosa" é a origem de todos os casos de câncer que afectam as famílias.

A Georgia Power, empresa de energia, nega qualquer responsabilidade. Mesmo quando a análise dos cabelos realizado por iniciativa própria dalguns cidadãos revelar 68 partes por milhão de urânio, um subproduto das cinzas de carvão. A empresa nega: tudo controlado, tudo nos moldes da lei.

Elgin: nada de faiscas


A Grã-Bretanha não consegue desligar o gás.

Tranquilamente ignorada pelos media, desde o passado 25 de Março há uma colossal fuga da plataforma de extracção da Total, a Elgin, no Mar do Norte. Fala-se de 200.000 metros cúbicos de metano por dia: tanto para ter uma ideia, é como se a cada dia desaparecessem no ar 21 prédios de 7 andares cheios de gás.

É uma espécie de Macondo (lembram-se? Golfo do México, Deepwater Horizon, petróleo, BP...), só que desta vez fica no Mar do Norte. Em cima é possível observar a fotografia aos infravermelhos publicada pelo diário Daily Mail: uma nuvem  cor de rosa ao redor da plataforma. Muito bonito, não fosse que a nuvem é gás.

Soluções? Ahiahiahi, este é uma nota doente, aliás, melhor não falar do assunto. Deixemos que o gás possa fugir alegremente e entretanto tentemos não fazer faiscas.
Pois o gás é inflamável.

06 abril 2012

Páscoa

Leitores do mundo todo!

Acontece que temos três dias de fiesta:
  1. Sexta-feira Santa
  2. Sábado Santo
  3. Domingo Santíssimo (Páscoa)

O blog aproveita estes dias para retirar-se numa gruta e meditar acerca do Homem e dos sofrimentos deles.

Rezai.
Arrependei-vos.

As transmissões retomarão na próxima Segunda-feira Santa.

Uma Páscoa Feliz para todos os Leitores, as vossas famílias, os vossos cães e gatos. E peixes. E aves de estimação. E porquinhos da Índia. Enfim, para todos.




Ipse dixit.

05 abril 2012

Polícia? É privada!

Privatizar a polícia? Nãooo, estamos a brincar, não é?
Não, não é: é esta a mais recente ideia do governo britânico, uma medida em nome da austeridade. Que, pelo visto, pode justificar tudo e mais alguma coisa.

A notícia pode ser encontrada nas páginas online do sindicato dos dependentes públicos do Reino Unido, o Unison. O resumo é simples: o primeiro-ministro britânico David Cameron concebeu um plano para privatizar parte do sector da polícia. Serão as empresas privadas que patrulharão as ruas, investigarão os crimes, e até mesmo poderão deter suspeitos.

O processo de privatização vai começar a materializar-se já nesta primavera. Duas das principais forças policiais do Reino Unido, nos condados do West Midlands e do Surrey, já aceitaram as ofertas de empresas de segurança privada para transferir parte dos seus serviços, como revelou a imprensa britânica no início de Março.

Ben Priestly, presidente do Unison, diz que a privatização da força policial é uma "experiência extremamente perigosa" que pode ter consequências "desastrosas" para o País e que pode significar um "grave retrocesso" dos direitos dos cidadãos.
Os agentes terão menos responsabilidades com os cidadãos, aos quais será negado o direito de recorrer à Comissão Independente de Queixas à Polícia, quando tiverem um problema.
Com a privatização, a polícia do West Midlands poderá despedir mais de 2.700 agentes nos próximos dois anos.

As emergências da Igreja

Queridos Leitores: é Páscoa e é emergência.
É o mesmo Papa que afirma isso, Rat Singer.

Acontece que um grupo de padres austríacos, liderados por Helmut Schueller, padre da pequena aldeia de Probstdorf e vigário geral do arcebispo de Viena, Christoph Schoenborn, decidiu rebelar-se às ordens do Vaticano e introduzir algumas mudanças, sentidas como necessárias: sacerdócio para as mulheres, comunhão para os divorciados re-casados, abolição do celibato, abertura aos laicos.

Uma verdadeira reforma da Igreja apoiada, segundo uma sondagem da Gfk-Umfrage, por 72 % dos padres austríacos. Hoje o movimento de Schueller conta com mais de 400 padres.

Obviamente Rat Singer fica histérico cada vez que alguém falar de reformas:
Esta situação é dramática.

04 abril 2012

Nos moldes da legalidade

Um Leitor Anónimo ("Anónimo" pois não pedi a autorização para publicar o nome) pergunta:
Quando se quer deitar mão a poços de petróleo estrangeiros, envia-se o exército com uma desculpa. Mas que eu saiba, não é o exército que aponta as armas aos trabalhadores e diz "agora trabalhem só para nós"...
De que forma é que os poços passam a ficar nas mãos do invasor? Porque há toda uma vertente diplomática, e argumentos de protecção do poços...
Pois, é verdade: nunca vimos imagens na televisão com tanques americanos que defendem os poços de petróleo. Então como é que as explorações passam nas mãos dos invasores, ops, queria dizer: dos ajudantes humanitários?

Na verdade o mecanismo não é difícil. No caso do Iraque e da Líbia, tais explorações são: 1. concentradas nas mãos dos governos locais 2. exploradas por um restrito número de privados sob estreito controle do governo local.

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