31 maio 2012

Mistérios "faça você mesmo": os tubos de Baigong

A misteriosa China
Vamos construir uma teoria da conspiração? Vamos.

Comecemos com um pensamento simples que será partilhado pela maior parte dos Leitores: isso para bem predispor os mesmos.

O pensamento é o seguinte: a História oficial é bem diferente do que realmente aconteceu no passado.
E já o Leitor está a gostar: temos uma versão oficial que será desmontada, temos a implícita promessa de novas importantes revelações.

Continuemos: pegamos num lugar longínquo, onde é pouco provável que alguém entre os Leitores more ou conheça suficientemente bem. Neste caso o lugar é Baigong, perto da cidade de Delingha, na província de Qinghai, na China.

À direita podem encontrar o relativo mapa, o que ajuda a localizar os factos e transmite também a impressão de que eu tenha passado alguns tempos no estudo do caso.

Palavras

Mais uma vez: as palavras.
Que são os instrumentos com os quais descrevemos a realidade: ao mudar as palavras, mudamos a realidade.

No passados dias 20 e 21 de Maio, em Chicago, houve a reunião dos 28 Países da Nato. Uma ocasião para celebrar "mais de 60 anos sem conhecer verdadeiras guerras".

Pois. Porque a primeira guerra do Golfo (1991), a guerra na Somália (1992), na Bósnia (1995), na Sérvia (1999), no Afeganistão (2001), no Iraque (2003) e na Líbia (2011) não eram verdadeiras guerras, eram mais "missões humanitárias" ou "operações de paz".
Na realidade, o que a Nato festejou foram mais de 60 anos sem guerra nos territórios dos Países Ocidentais. O que é ligeiramente diferente. Mas não importa.

Afinal esta é a força das palavras.

Wikipedia, por exemplo define a Nato como "a organização constitui um sistema de defesa colectiva na qual os seus Estados-membros concordam com a defesa mútua em resposta a um ataque por qualquer entidade externa".

Desta forma, caso um País da Nato seja atacado, a Nato intervirá no âmbito da defesa.
E quando não houver ataques? Neste caso será uma operação "humanitária" ou operação "de paz".

30 maio 2012

O Capitalismo e os horizontes sem limites

Costanzo Preve é uma pessoas esquisita.

Nascido em Valenza, cidade do Norte de Italia, perto do rio Po, onde são produzidos biscoitos e jóias de ouro, Preve desde cedo foi atacado por uma grave doença: o Comunismo.

Apesar disso, conseguiu estudar e entrar em contacto com os intelectuais políticos do seu tempo, com os quais estudou: Jean Hyppolite, Louis Althusser, Jean-Paul Sartre, Roger Garaudy, e Gilbert Mury.
Uma vez acabada a universidade, Preve finalmente assumiu a própria diversidade e entrou no Partido Comunista Italiano, no qual ficou até este desaparecer.

Então Preve começou a recuperar não o Comunismo mas Marx. E percebeu. Percebeu que Marx não era comunista: Marx era um economista e um idealista. E mais: nem era tão original, pois as bases de Marx podem ser encontradas em Hegel.

Hoje Preve é uma pessoa finalmente tratada, que tenta recuperar o Marxismo numa visão antropológica, não comunista.
O Marxismo é outra coisa, é um -ismo sistematizado, mas Marx nunca sistematizou o próprio pensamento. Este foi produzido ao longo de 20 anos por Friedrich Engels e Karl Kautsky. A cena primitiva do Marxismo, para utilizar a linguagem de Freud, é uma forma de positivismo de esquerda na tradição progressista do Iluminismo.
Preve é hoje um Marxista, não um Comunista. Esta é uma diferença importante. Ao ponto que Preve dialoga com Alain de Benoist, cujas raízes ideológicas podem ser encontradas na extrema direita, e admira Marine Le Pen. Coisa que obviamente faz enfurecer todos os Comunistas. Mas Preve simplesmente não liga e continua na procura duma sociedade melhor, baseada numa verdadeira análise de Marx. E não do Comunismo.

Esta é uma entrevista de Asia Times.

A Dívida: Bau vs. Miau

Ainda com esta raio de Dívida Pública?

Com certeza. É preciso. Lamento, mas é preciso perceber o que se passa. E não apenas perceber: é preciso ler, ingerir e digerir. Podem chama-la "lavagem cerebral", como aquela feita diariamente pelos media, só que aqui o sentido é inverso.

Mais: é importante porque o mecanismo da dívida está ligado à Modern Money Theory, da qual falámos no recente passado.

Muitas vezes já disse que a austeridade não é a solução: pelo contrário, piora a situação.

Agora, o que digo eu não conta muito. Mas se o mesmo for dito por um economista? Mais: se for demonstrado por um economista? Mais: se for dito e demonstrado por um cão economista?

- Olá Leo.
- Saudações para todos os Leitores de Facebook.
- Não temos Facebook. Que dizer, temos mas não funciona.
- Cada vez pior este blog...
- Temos Tweeter
- Tweeter é para deficientes.
- Ok, vamos em frente. Leo, vieste para explicar algo importante acerca da dívida pública, não é?
- Claro. É preciso. Por isso vou ler alguns trechos dos Actos dos Economistas, a base histórica de qualquer estudo sério no âmbito da economia canina. Que, como sabes, é bem superior à economia humana.
- Óbvio...

29 maio 2012

Entre gnomos e dragões

Economia. Pois.
Também a Economia sofre dos mesmos males que afligem a informação mainstream?
Sim, sem dúvida.

Pior: como a informação mainstream descreve o mundo "real", é obrigada a manter uma certa ligação com aquilo que os leitores podem observar. No caso da economia não há este tipo de limite, pois segundo as pessoas este é um assunto "complicado", "obscuro", algo que é melhor deixar nas mãos dos "especialistas".

Implicitamente é uma licença para dizer tudo e o contrário de tudo. É exactamente isso que acontece.

E o resultado é que todos, sem excepção nenhuma, ficamos retidos nas explicações dos especialistas. Explicações que nem são postas em dúvida. E como poderiam? Na altura em que decidirmos que devem ser outros a tratar dum problema, perdemos a possibilidade de saber quais as visões alternativas, porque simplesmente estas não são apresentadas.

Exemplo prático: porque há crise na Europa? Reposta: porque os Estados endividaram-se muito ao longo das passadas décadas, gastaram sem limites ao ponto que as suas dívidas públicas dispararam.
Esta é a explicação que todos, sem excepção, consideram como verdadeira: é repetida por todos os órgãos de informação, sejam mainstream ou alternativos. .

Problema: é falsa. Totalmente falsa.
Não são eu que afirmo isso, são os dados.
Façam o favor de observar este gráfico:

As ovelhas alternativas

Mah...

Salto na internet, um pouco aqui, um pouco aí...até mudo de idioma, nunca se sabe. Mas o resultado não muda. É só queixar-se, apontar as falhas, os erros do sistema, a frustração.

Parem um pouco e perguntem: mas não haverá algo que está a fugir-nos? Tranquilos, não quero começar com a história do "temos que fazer alguma coisa, acção, mexam-se". Acho que nesta altura do campeonato certas coisas devem estar claras, inútil repetir.

O discurso é outro, um pouco mais complexo.

Alternativas: uma má, outra pior

Quem desejar encontrar notícias tem duas opções: ou confia na informação de regime ou tenta espreitar a informação alternativa.

A informação de regime (mainstream) é conhecida: passam notícias, com certeza, mas na maior parte dos casos não aquelas que interessam ou que podem ser definidas como realmente úteis.

Então o leitor acede ao mundo da informação alternativa: e aqui encontra o caos total. Não "um pouco de confusão", não, o caos total mesmo. Há teorias para todos os gostos, desde a loucura total até o razoável.
Mas existem alguns pontos em comum, os seguintes:
  • relatórios de notícias e/ou factos negativos
  • apresentação de teorias que justificam as notícias negativas
  • falta de soluções viáveis.
Isso no geral, depois há excepções.

28 maio 2012

A sociopata

O quê? Um outro post? Mas que raio de blog é este? E a bexiga de Voz?
Calma, calma...é o último post de hoje; e à Voz já aconselhei um balde perto do ecrã, em caso de emergências...

É só para realçar as palavras da peruca de Christine Lagarde, fascinante directora do Fundo Monetário Internacional.
A simpática Christine era entrevistada pelo britânico The Guardian quando, numa rara altura de sinceridade, afirmava:
É preciso que os Gregos comecem a ajudar-se reciprocamente, pagando as taxas.
Porque é verdade: a melhor forma de ajudar é pagar as taxas. Doutro lado, mesmo neste blog, aparecem muitas pessoas que não querem destinar para os desempregados as sobras dos restaurantes, melhor que fiquem no lixo. Pois este tipo de ajuda humilha, a solidariedade mata a alma das pessoas.

Pagar as taxas, pelo contrário, é vida. Não a vida de todos, mas no caso dos bancos privados sim, sem dúvida. Eu mesmo não consigo imaginar uma ajuda melhor.
Os pais gregos têm que pagar as taxas.
Repetiu mais logo, caso não tivesse ficado claro da primeira vez.
É importante repetir. Desta forma um grego que se levante de manhã não pode ter dúvidas. "O que tenho que fazer hoje? Ah, pois, tenho que pagar as taxas, óbvio. Mas já paguei ontem...não faz mal, pago outra vez, já que perdi o trabalho e não tenho mais nada para fazer...".

Sondagem

...de facto no fundo do blog há um fórum muito pouco utilizado.
Por isso, à direita, uma sondagem: o que fazer com o fórum?

Tempo até Domingo para responder.
E, desde já, obrigado!

Entretanto à esquerda aparece o espaço para Tweeter. Se alguém estiver inscrito e quiser participar será bem-vindo, como óbvio.

Ipse dixit.

A economia "inútil"

Imaginemos: o Leitor tem um determinado montante e pretende entrar no mundo dos negócios para tornar o capital produtivo e juntar uns lucros que dão sempre jeito.

Como primeiro acto, contacta uma agência especializada e encomenda uma pesquisa de mercado para entender qual a situação: basicamente, como o mercado está orientado, o que pede.

Em seguida, decide qual o bem que será produzido, de acordo com os custos de produção e de distribuição, mais algumas características de acordo com as capacidade do Leitor e a visão das coisas.

Quantificado como 100 o capital que deseja investir, o Leitor destina uma mínima parte para os custos relacionados com a produção do bem, enquanto o resto (a grande maioria) é investido numa maciça campanha publicitária conduzida com um slogan atractivo que aponte directamente para o cérebro das pessoas.
Desta forma, o Leitor cria uma necessidade que antes não existia, nascido tendo como base o condicionamento da sugestão e a persuasão forçada. Muito simples.

As orelhas do rato da Tasmânia

Na verdade, o produto que o Leitor vende agora é inútil: na melhor das hipóteses é supérfluo, pois é apenas um entre os milhares de produtos expostos nas prateleiras de qualquer supermercado, todos com a mesma função. Pode chamar-se Danacol, Actimel, Bifidus Essensis, Acti Regularis e pode ser descrito como algo que faz emagrecer dormindo, tipo Somatoline Cosmetic. O limite é a fantasia.

Nos últimos tempos é moda realçar um ingrediente exótico: a aloe vera, as água do Mar Vermelho, os sais do Himalaya, os pelos das orelhas do rato da Tasmânia, todos com propriedades quase mágicas. Também neste caso é apenas uma questão de criatividade.

25 maio 2012

Sim, mas afinal o que merecemos?

Pessoal,
obrigado pela participação, mas queria realçar uma coisa: eu não me queixo do número das visitas, não é isso que está em causa.

Já disse muitas vezes que se a ideia fosse ter dezenas e dezenas de comentários, então teria aberto bem outro tipo de blog, isso é mais do que óbvio.

Os Leitores são poucos? Para mim não são: centenas de pessoas que diariamente consultam o blog ou recebem os artigos via e-mail ou feed não é pouco na minha óptica (e sempre considerando os temas tratados).

Reportei o número dos comentários como simples comparação: quando o assunto for uma teoria da conspiração, os comentários "disparam" (sempre relativamente à média do blog), quando o assunto for a realidade, os comentários baixam ou até desaparecem.

Estes são factos e são tristes.

O que merecemos

Cada vez que o assunto for uma teoria da conspiração os comentários não faltam.
As teorias da conspiração têm poderes inesperados.

Perguntas: o que é uma commodities?
É só olhares perdidos.
Perguntas: mas como é possível acreditar em algo como o Projecto Blue Beam?
E as respostas não faltam. Até pareces um idiota a negar certas coisas, o mítico von Braun falou disso, imaginas só.

Dois anos deste raio de blog deitados no lixo, isso é que é. Um trabalho inútil, totalmente inútil.
Qual pode ser a função dum blog? Tentar explicar determinadas coisas, sem dúvida, mas a real utilidade é poder servir de estímulo, só isso.
Tu dizes "pensem com a vossa cabeça". E a resposta é um copy-paste do que está escrito em outras páginas da internet. Espero que seja um copy-paste, espero que não haja pessoas que conheçam de cor certas coisas.

24 maio 2012

Ruby

No excelente blog Tra Cielo e Terra descobri um aterrador vídeo que, supostamente, fala de senhoiragem.
Um tema complexo, muito complexo, que aqui é tratado por...Ruby!

"Quem é Ruby?" perguntará o Leitor.
Bem, Ruby é...como explico...Ruby é uma rapariga de Marrocos, verdadeiro nome Karima El Mahroug, de 18 anos, conhecida em Italia por estar no centro do escândalo sexual que viu implicado Silvio Berlusconi.
De forma mais simples: Ruby era a amante de Berlusconi.

Agora, que Ruby tenha decidido não desaparecer do planeta já é espantoso. Mas inacreditável é que agora apareça para falar de senhoiragem e Grupo Bilderberg.

Grupo Bilderberg? Exacto, o novo fenómeno pop, como já realçado no post Bananização.

Movimento 5 Estrelas: és tu que escolhes

Um exemplo.
E, embora possa parecer esquisito, desta vez chega de Italia.
Ainda mais esquisito: do assunto fala um diário português, o Público, do qual reporto o artigo de hoje.

Enquanto o primeiro ministro Mario Monti fala de combater a Máfia, os velhos partidos políticos entraram numa espiral de destruição.

Não admira no caso de Berlusconi: o seu Partito delle Libertá (Partido das Liberdades) simplesmente não existia, o partido era o mesmo Berlusconi, que já saiu da política para entrar nos tribunais.
Não admira no caso da Lega Nord, que há muito tinha deixado de ser uma alternativa para tornar-se um simples partido de poder em Roma ("Roma ladra" como era chamada quando a Lega ainda tinha um sentido).

O que admira é a queda do Partito Democratico (Partido Democrático, PD), a Esquerda histórica italiana, os herdeiros de Antonio Gramsci.

Estas eleições eram como uma grande penalidade numa baliza sem guarda-redes. E o PD conseguiu o impossível: fazer autogolo.

Margem Sul

Uma pequena novidade que em princípio interessará apenas alguns Leitores.

Introduzi o blogroll "Realidade Local: Margem Sul" que reúne alguns dos blogues editados na Margem Sul, a região na margem sul do Tejo, mesmo em frente de Lisboa. Blogroll ainda está em fase de construção.

É dedicado a todos os Leitores de Almada e zonas confinantes (que descobri não serem poucos!) que, desta forma, vêm reunidos os links para as notícias e as opiniões locais (mas há mais do que isso: arte, poesias, imagens...).

Pareceu-me uma maneira engraçada de homenagear a zona onde vivo há alguns anos. Uma boa zona, diga-se, apesar dos muitos problemas.

Para os outros Leitores fica como "janela" aberta sobre a realidade portuguesa.

Só isso.

Blue Beam: Deus em 3D (de borla!)

O que é o projecto Bluebeam?
Como pouco sei acerca do assunto, vamos ler o que diz o blog A Nova Ordem Mundial:

O Projeto Blue-Beam, segundo alguns, é um plano super secreto orquestrado em parte pela NASA, e que em quatro etapas tentaria nada menos que o primeiro ataque de falsa bandeira global, com a ajuda da tecnologia holográfica tridimensional.

De acordo com Serge Monast, o Projeto Blue Beam será composto de quatro etapas: culminando em uma espécie de apocalipse de radiação ELF (Frequencia extremamente baixa):

Na primeira, terremotos iriam expor novas descobertas arqueológicas, que supostamente revelariam que as doutrinas mais básicas de todas as religiões foram incompreendidas e mal interpretadas.

Na segunda etapa, a imagem de Deus falando em todas as línguas iria aparecer em um show espacial gigantesco com projeções de laser de imagens holográficas tridimensionais em todo o mundo.

23 maio 2012

Perder uma final?!? Não em Portugal.

Perder a final do campeonato europeu de futebol? Nem mortos.

Então eis a ideia: que tal um navegador GPS com função de televisão? Genial, não é?

E onde penduramos esta jóia tecnológica? No pára-brisas, óbvio, porque caso contrário não impediria uma correcta visão da estrada.

Mas no pára-brisas onde?
Lado passageiro? Não, demasiado inteligente.
No meio? Já é melhor, mas ainda falta um bocado...
Em frente do volante? Perfeito, este é o lugar dele.

Esta disposição consente conduzir com o olho direito e observar a final com o esquerdo. Para completar seria preciso um par de auscultadores estéreo, para captar mesmo as pequenas nuances do jogo e criar um ambiente mais envolvente.

Petróleo do Brasil: China e Pré-sal

Dada a demanda voraz de energia, a China adicionou o Brasil entres os seus principal parceiros no âmbito petrolíferos, provocando uma rápida expansão dos seus negócios no País sul-americano.

Coisa que é vista por alguns como um factor de dinamismo e por outros como um risco para a futura auto-suficiência .

A China foi o grande investidor petrolífero do Brasil nos últimos três anos através de empresas quais a China Petrochemical Corporation (Sinopec) e a Sinochem Corporation (Sinochem), como afirmado pelo Adriano Pires.

Durante este período, investiu cerca de 15.000 milhões de Dólares, principalmente na compra de activos de empresas que já operam no Brasil nas áreas da exploração e da produção de petróleo, principalmente no fundo do mar, onde o País tem as maiores reservas.

Diz Pires, director do Centro Brasileiro de Infra-estrutura (CBIE):
É uma estratégia da China para garantir as reservas de petróleo para o próprio abastecimento, o mesmo acontece em outros Países latino-americanos como Argentina e Venezuela, e em outras regiões, como a  África.
A Agência Brasileira de Promoção de Exportação informa que a China pretende aumentar em 60 por cento as reservas estratégica de petróleo, não importa donde o precioso líquido chegar.

O ciberespaço no Utah

Numa pequena e calma comunidade no oeste dos Estados Unidos, onde a maioria dos 7.000 moradores são mórmones, o simpático Obama decidiu implementar a maior central de espionagem alguma vez vista.

A cidade é Bluffdale e fica no deserto e montanhoso estado de Utah, cuja população olha com espanto para o gigante que está em construção com as obras do Corpo dos Engenheiros do Exército.

Esta é a nova poderosa base da Agência de Segurança Nacional (NSA), que se tornará no centro de uma enorme rede mundial destinada a espiar todos os cantos do planeta onde podem estar em jogo os interesses de Washington. Ou seja: todos os cantos do planeta.

Carroll F. Pollett, director da Agência do Sistema de Defesa de Informação (DISA), fica contente como uma criança cada vez que falar do novo centro:
O ciberespaço tornou-se um novo campo de batalha. Adquiriu uma importância semelhante ao dos outros campos, terra, mar, ar e espaço. É evidente que devemos defender e torná-lo operacional
Ciberespaço? Ah pois, estamos a falar daquele que os militares definem como o "quinto campo de batalha".

22 maio 2012

Estadias em Louisiana: tudo pago.

Qual a capital mundial das prisões?

O País com o maior número de presos per capita são os Estados Unidos: resposta óbvia, é o País da Democracia e da Liberdade por excelência. É um pouco como dizer que o País mais "vivo" é aquele com a maior mortalidade infantil.

Mas nos Estados Unidos há uma Estado em destaque: o Estado de Louisiana, a verdadeira capital mundial das prisões.

Este País à beira do Golfo do México tem uma percentagem de presos que é três vezes maior do que o Irão, sete vezes maior do que a China e dez vezes do que a Alemanha. Mais de 1600 pessoas presas por 100 mil habitantes: 1 adulto cada 86 está atrás das grades (1 pessoa negra em cada 14, porque o racismo é algo ultrapassado).

Dito assim, a Louisiana parece um inferno: criminalidade imparável, bandidos por todos os lados, velhinhas assaltadas em pleno dia. Ou talvez uma polícia particularmente repressiva.

Mas não, a explicação é outra: as prisões são privadas.

Entre os mais antipáticos

Clique para ampliar!
A cada ano a BBC (a televisão do Reino Unido) entrevista 24 mil pessoas no mundo para tentar perceber quais as tendências, qual o "clima" entre os seres humanos.
Isso para descobrir quais os temas mais interessantes que podem ser tratados nas transmissões de aprofundamento (que, lembramos, são depois seguidas um pouco em todo o mundo).

As perguntas deste ano estavam relacionadas com a maneira com a qual as pessoas observam e "sentem" a influência de outros Países. E os resultados apresentam algumas surpresas.

Assim, eis que entre os Países mais "antipáticos" aparecem os óbvios Coreia do Norte, Irão e Paquistão. E israel.

Israel? Ah, pois. O que é esquisito, porque enquanto Irão e Coreia são alvo de ferozes campanhas de propaganda, israel pode contar com as enormes quantias de dinheiro disponibilizadas pela Agência Sionista de New York, o budget publicitário dedicado ao turismo, a posição sempre "a favor" dos media, a actividade das lobby e, claro está, o Holocausto.

O futuro? Risonho...

Antigamente, para conhecer o estado de saúde da economia mundial, olhava-se para Washington. Hoje não, observa-se o que se passa em Pequim.

O problema é que a China é ainda um objecto "misterioso": aquele sistema capital-leninista é de difícil interpretação.

Por exemplo: no primeiro quadrimestre deste ano esperava-se que a China alcançasse um ponto particularmente baixo da própria economia, mas isso não aconteceu. Mesmo assim, se o País fosse "normal", os alarmes já teriam começado a tocar, fortes e claros.

Todos os principais indicadores da oferta monetária mostram sinais de crise. As transacções caíram para níveis nunca vistos desde a estagnação no final dos anos 90

Os dados M1 (o total da moeda circulante) de Abril são os mais baixos registados nos tempos modernos: uma contracção mais rápida daquela observada na crise de 2008-2009, mais rápida daquela actualmente em curso em Espanha.

21 maio 2012

Dívida Pública: não é um problema (pelo contrário!)

O Leitor ainda não está convencido.
Eu sei: continua a pensar que a Dívida Pública seja um monstro de sete cabeças que mata o Estado.

Normal: dum lado continuamos a chama-la "dívida" o que, por definição, é uma coisa negativa.
Doutro lado, é só ligar a televisão ou ler um diário para encontrar o culpado: a Dívida, o Excesso de dívida, as Despesas sem limites, etc. etc.

Então venha comigo o Leitor. Venha comigo porque juntos vamos ler não a opinião deste blog (que, afinal, é escrito por quem economista não é) mas a opinião dum economista verdadeiro. Venha comigo ao encantado mundo da Economia para descobrir coisas maravilhosas que os media ignoram mas que os especialistas bem conhecem.

Abracadabra.
E acabamos de entrar no mágico blog de Alberto Bagnali, professor de Política Económica da Universidade Gabriele D'Annunzio de Pescara, Italia.

Dá lições de Economia e Política da Globalização, é pesquisador no Centre de Recherche en Economie Appliquée à la Mondialisation da Universidade de Rouen, França. Costuma publicar artigos em revistas especializadas como China Economic Review, Economy Modeling e outras.
Resumindo: é suposto perceber alguma coisa de Economia.

Bagnali utiliza o exemplo da Italia. Óbvio, o dele é um blog italiano. Mas os conceitos são universais e podem (e devem) ser aplicados no contexto geral.

Dia 9 de Julho: DNSChanger

No próximo dia 9 de Julho, o FBI (Federal Bureau of Investigation) "cortará" todos os computadores do mundo infectados pelo vírus DNSChanger.

Parece um filme de ficção científica e as implicações não são poucas. Uma entre muitas: quem autoriza o FBI a "cortar" os computadores do planeta?

Vamos em frente.
DNSChanger é um maleware capaz de modificar os parâmetros dos DNS e ré-endereçar as visitas dos computadores infectos.

O que é o DNS?

DNS significa Domain Name Server. Um exemplo simples: se na barra dos endereços escrevermos 74.125.224.72 o resultado será a abertura da página de Google. Pois aquele número é um dos muitos endereços IP de Google.

Se o DNS não existisse, seria preciso lembrar cada vez o número em vez de poder escrever http://www.google.com. Uma seca, sem dúvida.
Podemos pensar no DNS como algo que traduz o "nome" duma página web num endereço IP e permite, portanto, a conexão.

Ttragédia grega: último acto?

Quase. Quase quase. Não falta muito.
A tragédia grega que o blog seguiu desde o começo está preste à acabar.
Até que enfim.

Vai ser complicado e ainda não sabemos o que pode significar: mas não pode ser considerado como um acontecimento "local", isso é claro.

Não é o futuro de Atenas ou da Europa que está em jogo, é mais do que isso. A falência da Grécia evidencia o fracasso duma inteira gerações de políticos e economistas espalhados pelo planeta.

O "Turbo-Capitalismo", o "Liberalismo", como foi definido, mostra todos os seus limites.
Isso para não falar da Zona NEuro e das Mentes Pensantes de Bruxelas, emanação directa duma visão alucinada que encontra as próprias origens nos prédios de Wall Street e numa amalgama bem pouco homogénea feita de Capitalismo corrupto, fascismo corporativo, uma pitada de Orwell e uma de Comunismo.

19 maio 2012

Platão e a República - Parte I

De esquerda: Sócrates, Cerezo, Platão
Meus senhores, vamos aqui falar duma das obras imortais da Humanidade.

A Bíblia? Não.
Playboy? Também não.
Vamos falar da República. Mas qual delas? É que há muitas.
Mas a nossa é só uma: a República de Platão.

Pensará o Leitor: "E onde fica esta? Nunca tinha ouvido...".
Não, querido Leitor, a República de Platão é uma das tais obras imortais. E chama-se assim porque foi escrita por Platão.
Platão, este homem que tanto fez pela banda desenhada.

Mas antes de começar, vamos conhecer Platão, filósofo, astrónomo, jornalista, arrumador no parque da Acrópoles nos feriados.

Vida de Platão

Platão nasceu em Atenas de família nobre. Wikipedia afirma que Platão nasceu no 428/427 a.C.
Há por isso duas hipóteses:
  1. ou Platão começou a nascer perto da meia-noite do 31 de Dezembro de 428
  2. ou as fontes históricas não conseguem estabelecer uma data certa.
A escolha, como sempre, é do Leitor.
O pai tinha entre os antepassados o rei Codro enquanto a mãe estava aparentada de Sólon.
Irmãos de Platão eram Adimanto, Glaucão e Potão. Já chamar-se Adimanto ou Glaucão não é o máximo, mas Potão...

18 maio 2012

Segundo os planos: a contagem regressiva

E acabamos a semana com as notícias divertidas da União Europeia.

As instituições do Velho Continente estão a apodrecer e estudar cenários para uma bancarrota na Grécia, segundo o comissário europeu do Comércio, Karel de Gutch, numa entrevista ao diário De Standaard:
Há um ano e meio, talvez houvesse o perigo de um efeito dominó, mas hoje em dia há, quer no Banco Central Europeu quer na Comissão Europeia, serviços que estudam os cenários de emergência ou para o caso de a Grécia não se aguentar
Tradução: há um ano e meio havia o perigo da Grécia sair do Euro, hoje as probabilidades aumentaram e muito.

Será por causa disso que os cidadãos do País helénico fazem a fila nos bancos para retirar o dinheiro das contas? E será por causa disso que o mesmo parece começar em Espanha também?

O Governo alemão já veio dizer estar preparado para todas as eventualidades
O Governo alemão é, naturalmente, responsável perante os seus cidadãos por estar preparado para qualquer eventualidade
Tradução: Sim, a Grécia vai sair. E nós que podemos fazer?

Angela Merkel, a chancelera alemã, ligou para Atenas e disse ao presidente grego Carolos Papoulias que a solução melhor seria formar um governo estável após as eleições legislativas.
Também acrescentou que as rosas florescem em Maio e que a água molha, pelo que Atenas agradeceu a entrega de tamanha sabedoria, ainda por cima sem juros.

O Grupo dos Trinta - Parte II


Segunda e última parte do artigo dedicado ao Grupo dos Trinta.

O resultado de quanto dito até aqui: a oportunidade de entender e controlar a destrutividade dos Derivativos apresentou-se no início da década dos Noventa. O Grupo dos Trinta foi o principal actor na operação para tornar inútil qualquer tentativa de trazer sob controle público estes assassinos financeiros, cujas consequências bem conhecemos.

Vamos ver alguns dos nomes.
Apenas alguns, é suficiente.
São estas as pessoas que arruinaram a vida de centenas de milhões de famílias, milhões de empresas, das democracias dos principais Países ocidentais, para não mencionar os horrores do Terceiro Mundo e o Ambiente.
Estes senhores (não sozinhos, claro, há outros também) criaram e defenderam um dispositivo termonuclear fora de controle hoje representado por 650.000.000.000.000 de Dólares de Derivativos que pode arrasar o planeta.
Este senhores perpetraram um golpe financeiro único na História.

As très gaiolas

Difícil rotular Salvatore Brizzi.

Pode ser considerado um filósofo, um escritor, um divulgador.
Brizzi trabalha para uma nova sociedade, para que o Homem não continue a seguir ídolos. Para que possa ser um monge-guerreiro numa sociedade tradicional, onde o Sagrado (não em termos religiosos) volte a acompanhar o desenvolvimento cultural e tecnológico do planeta.


Brizzi é várias vezes hospede do Blog de Beppe Grillo, o mesmo Grillo que está na base do Movimento Cinque Stelle, o mesmo que abalou o castelo de papel partidário nas últimas eleições italianas.

As Três Gaiolas do Homem

O Homem vem ao mundo com uma expressão surpreendida. logo aprende a gostar desta nova realidade: mas nós sabemos, desde a infância.
Acontece que lhe será negada esta grande obra-prima da Natureza, este espantoso mistério que é o ser humano: será implacavelmente, violentamente desmantelado e reduzido a um papel, será apenas um contabilista, um estudante, um marido, um funcionário, um Papa, um presidente, na procissão dos papéis que mantêm prisioneiros todos os seres humanos.

Culpados

Onde estará o Leitor?
Onde estará cada um de nós?
Onde será possível pôr os olhos? Com qual cara?

Será altura para esconder-se na sala, em frente à televisão? Quando os filhos estiverem envenenados, com uma vida miserável, tensos, abatidos. Quando já não houver esperança? Quando o futuro for das gerações que terão de pagar pelos nossos erros?

Quando o futuro estiver nos sonhos das lotarias. Quando o trabalho for fonte de traumas, de litígios em famílias. Quando não for possível dizer o que passa pela cabeça.

Não é assim que o Leitor sonha o futuro dos próprios filhos, claro que não. A escola, a universidade, o trabalho, o matrimónio, os netos. Não uma vida onde será cada vez mais fácil ficar doentes, porque o corpo tem que desabafar de alguma forma. Não uma vida onde à noite se mergulha na almofada para não fazer ouvir as lágrimas.

Tem que ser...ao longo de alguns meses

Leitores! Amigos! Parentes! Camaradas! Companheiros de mil batalhas (?)! Outros!

É com o coração que pinga dor, como uma flecha sangrenta após ter perfurado a cândida alma, que tenho de anunciar o seguinte: ao longo das próximas luas Informação Incorrecta vai mudar.

Não, não chorem por mim!  De facto, menos tempo terei, pelo que o destino já ditou as regras: artigos mais curtos, ou artigos mais leves ou até...ausentes!!!

Será que Informação Incorrecta vai fechar? Será que o pesado pano da ignorância cala de maneira definitiva sobre o grande livro da sabedoria?

Não, meus amigos, nada disso, podem descansar em paz.
O blog vive e viverá. É o tempo que é tirano e outras obrigações exigem a minha presença.

Eu sei, entendo e junto-me aos vossos lamentos: "Porquê? Porquê destino cruel, porquê mesmo agora?".
Em verdade, em verdade vos digo: tem que ser.

Nas imagens à direita, alguns Leitores que conheceram em primeira mão a horrível decisão.

Mas para que não fiquem dúvidas, eis uma série de fucks...ops, queria dizer: faq's.

FAQ's

1. Ouvi dizer que o blog vai fechar, é verdade?
Não, o blog não fecha.
2. Certeza?
Sim, certeza.
3. E porquê não?
Porque não quero que feche, ora essa.
4. Então porquê vai abrandar?
Porque Max vai estar empenhado num novo projecto.
5. Qual projecto?
Coisas pessoais.
6. Podemos saber?
Não, ora essa.
7. Porque não dizes o que é? Será algo ilegal?
Não, nada de ilegal, que ideias...
8. Algo ligado à ufologia?
Mas qual ufologia...
9. Algo ligado à publicação de obras?
Já disse: assuntos pessoais.
10. Algo ligado ao mundo da música?
Ainda? Assuntos pessoais.
11. É verdade que Max estará empenhado na reedição de Rin-tin-tin, com Leonardo na parte do cão inteligente e Max naquela do miúdo estúpido?
Não, nada de Rin-tin-tin.
12. O blog fecha?
Outra vez? Não!
13. Quando voltará à normalidade?
No prazo de poucos meses.
14. Depois fecha?
Credo! Não, não fecha, ponto final.
15. Mas que acontece entretanto?
Nada, haverá menos artigos, só isso.
16. E quais assuntos serão tratados?
Mais ou menos os do costume.
17. Que significa "mais ou menos"?
Significa que talvez seja boa altura para tratar de assuntos que normalmente não são aprofundados. Mas sem esquecer a economia.
18. Mas porque estás a contar isso?
Que dizer, os Leitores habituaram-se a certos ritmos, se algo muda acho bem explicar o que se passa.
19. Achas que alguém está interessado?
Não sei, talvez.
20. Mas depois fecha?
!!!

Resumindo...

A palavra passe é: resistam poucos meses.

Último esforço antes da "paragem": Platão, pois ficou prometido. E talvez uma história do mundo num único post :)

Ah: é uma boa altura para que sejam os Leitores a escrever algo, não esqueçam...


Ipse dixit.

Informação Incorrecta no Twitter

Até que enfim...

Configurei Twitter para que sejam publicados os post do blog sob-forma de Tweet.
Espero funcione.
Portanto a novidade é que agora é possível seguir o blog também via Twitter.
Ohhhhh....

A página de Informação Incorrecta é...olhem ,boa pergunta...
Bom, o perfil é InfoIncorrecta. Se calhar é suficiente.
Não sei.

Mas porque uma pessoa deveria seguir o blog no Twitter?
Também isso não sei.


Ipse dixit.

17 maio 2012

É o Haarp!

Nãoooo, por favor, não, não Russia Today também...
Mas sim, é mesmo Russia Today. Que fala do Haarp. Tinha que ser.

Há um terremoto? É o Haarp.
Inundação? É sempre o Haarp.
Está calor? Deve ser o Haarp.
Frio? Mesma coisa.

Neste caso é a neve na Bósnia. Culpa de quem? Adivinhe o Leitor...


Então: é o Haarp?
Sim, sem dúvida. Eu pessoalmente não tenho dúvidas e até encontrei mais provas.
Onde? Em Italia.

O Grupo dos Trinta - Parte I

Um prefácio? Até tinha escrito um.

Depois pensei: "Tempo perdido. Publica e nada mais".
Sim, acho que é isso. Não quero gastar o tempo dos Leitores e o meu também.

Enquanto deixamos que a nossa vida seja vendida como uma mercadoria qualquer, preferimos preencher o vazio com lobisomens, aventais, caveiras, antigos rituais ou beber da Fonte da Santa Ignorância, a televisão.

Aqui há uma conspiração, mas nada de alienígenas, vampiros ou Bicho-papão. É uma das conspirações nos moldes das leis. As mais aborrecidas e as únicas que resultam.

O que tinha escrito? "É preciso estudar"? Sim, sim, tá bom... No dia seguinte aparece um link para ver uma menina nua que dança numa festa maçónica.
Quem quer entender que entenda. E paciência.

Derivativos

O resultado dos Derivativos , que são produtos financeiros inteiramente compreensíveis para pouco mais de 200 pessoas em todo o mundo, é a crise financeira de 2007-2012. Foi uma brincadeirinha começada no escritório da AIG de Joseph Cassano em Londres, para iniciar um colapso global.

Não que tudo tenha sido culpa da AIG, porque antes já tinha nascido a bolha dos Derivativos dos subprime nos Estados Unidos, a bolha imobiliária, os criminosos Mers, os Servicers e os Derivativos tipo Frankestein (uma criação de Wall Street) que em breve acabaram por infectar todo o mercado financeiro e os bancos. A partir dai foi (e ainda é) possível começar o mantra do "controle orçamental", da "austeridade", o pesadelo da "Dívida Pública".

De facto: esvaziar os Estados para torna-los impotentes.

16 maio 2012

Quem é o Maligno?

Uma vez havia o Maligno.

Bons tempos. Há um problema? É culpa do Maligno e da obra dele.

Hoje já não é assim. Há um problema? É culpa do político. Mas o político é por nós eleito. Por isso é culpa nossa. Mas nós somos condicionados pelos media. Então é culpa dos media. Mas os media pertencem aos grandes grupos de poder. Então é culpa dos grupos de poder. Que operam com os bancos. Dos quais nós somos clientes.

Assim, a culpa é de todos e de ninguém.

Os homens são hoje na terra como células cancerígenas. Multiplicam-se excessivamente, ganham volume, consomem recursos até comprometer o funcionamento do organismo. Há poluição, há extinção de espécies animais. Talvez haja também alterações do clima.

E os que querem reduzir o número dos indivíduos são os que em medida maior causam estes problemas. Curioso. Ou talvez não.

Podemos voltar atrás? Podemos individuar um Maligno? Talvez não tão mau, só um bocado, justo para poder inculpar alguém.

Os parabéns

Não é costume, mas desta vez uma excepção é obrigatória: hoje é o aniversário de Maria!
Eu sei, eu sei, a maioria dos Leitores têm um aniversário também: mas Maria faz hoje 118 anos! Um bom resultado, sem dúvida.

Maria é pessoa esquisita: apesar da idade, daria uma excelente blogueira, mas decidiu dedicar-se à meditação no meio da Amazónia, numa região que os conquistadores espanhóis baptizaram Tierra Ancla ("Terra Âncora" em bom português), não longe do El Dorado.

Maria viajou muito: foi na Rússia dos czares onde encontrou Rasputin ("um gajo simpático mas um pouco bruto" como costuma dizer), foi a primeira mulher que alcançou o Pólo Sul de táxi, foi na Líbia quando ainda o petróleo não era explorado ("Esta coisa cheira mal, toda pegajenta...não tem futuro" dizia na altura).

Amiga pessoal de Che Guevara ("Olha Che, aqui tira um ar enfadonho, melhor tu ires na Bolívia que é um lugar bem mais sossegado" disse-lhe ela ao longo do último encontro), nos últimos anos reviu as próprias posições políticas e espirituais, até abraçar uma forma pessoal de Cristianismo ("Sim, eu teria ressuscitado Lázaro...mas o que ele teria dado em troca?").

Bolhas

JPMorgan perdeu mais de 2 biliões de Dólares devido a apostas especulativas. Tudo em seis semanas. Não é simples perder mais de 2 biliões em pouco mais de um mês, mas JPMorgan conseguiu.

Podemos pensar num problema deles, afinal é um banco privado. Mas não é bem assim. JPMorgan faz parte do restrito grupo dos Too Big To Fail, os demasiado grandes para falir.
E se forem demasiado grandes para falir, isso significa que em caso de problemas será encontrado o dinheiro para o resgate. Dinheiro público, dos contribuintes, claro.

Só que este dinheiro público tem dois efeitos:
  1. salva o banco em situações complicadas (depois)
  2. permite que os administradores da empresa façam apostas arriscadas com a máxima descontracção (antes).
Porque, em caso de "acidentes de percurso", haverá sempre o ponto 1.
A desinchação de Too Big To Fail torna-se então uma espécie de autorização para perpetrar as operações mais arriscadas.

15 maio 2012

Bananização

O filho da rainha Isabel II visitou os estúdios da BBC, aceitando o convite para apresentar o boletim meteorológico. Normal, trata do ambiente, o clima está relacionado.
"Graças a Deus que amanhã não é feriado", exclamou o príncipe Charles, quando antecipava a ocorrência de aguaceiros, no dia seguinte, em algumas regiões. "Afinal, ninguém gosta de passear à chuva", acrescentou.
Quem diria? O homem não é estúpido, revela uma mente fina.

Entretanto o homem mais rico do Brasil, o empresário Eike Batista, anunciou a compra de 50 por cento da empresa Rock World S.A., responsável pela realização do "Rock in Rio", um dos maiores festivais de música do mundo, de Roberto Medina.
Na sua conta oficial no "twitter", Eike Batista afirmou que a parceria surgiu na sequência de uma "admiração mútua" entre os dois empreendedores.
É bom saber da admiração mútua entre Batista e Medina, aliás, estava um pouco preocupado neste aspecto por causa de algumas vozes contrárias e sei que muitos entre os Leitores perderam noites de sono por isso. Mas não, tudo bem felizmente.

Voltando para Inglaterra, os adeptos do Blackburn Rovers, insatisfeitos com a equipa, largaram uma galinha no relvado na derrota frente ao Wigan, que valeu a despromoção do histórico do futebol inglês.
No estádio Ewood Park o Wigan era decisivo e aos 7 minutos de jogo, invasão de campo: uma galinha entra no relvado, ao pé da baliza do guardião visitante.
A galinha foi logo recuperada, tendo depois declarado "Que jogo de m...a, nunca tinha visto o Blackburn tão em baixo, a saber nem teria saído do poleiro". Pois pode não parecer, mas a galinha é um animal sensível.

O funeral do €uro? Calma, ainda falta um bocado...

Diz Paul Krugman no blog dele:
Alguns entre nós falou disso e é assim que pensamos acerca de como vai acabar este jogo:

1. Saída da Grécia do Euro, provavelmente no próximo mês.

2. Retiradas maciças de dinheiro dos bancos espanhóis e italianos, porque os depositantes tentarão movimentar o próprio dinheiro em direcção da Alemanha.

3a. Talvez, apenas como possibilidade, o controles de facto, para proibir que os bancos possam transferir os depósitos fora do País e limites para os levantamentos em dinheiro.

3b. Alternativamente, ou talvez em conjunto, pedido de enormes crédito ao BCE para evitar que os bancos entrem em colapso.

A Alemanha pode escolher:
  1. Aceitar a persistência das enormes dívidas públicas da Itália e Espanha, bem como uma revisão drástica da estratégia, essencialmente para dar a Espanha, em particular, uma esperança de manter as taxas de juros baixas para garantir a contenção da sua dívida e uma meta de inflação maior na área do Euro para garantir que os preços possam realinhar-se.
  2. Fim do Euro.
E estamos a falar de meses, não de anos, para ver o fim deste jogo.
Faz sentido. Faz.
É este o futuro imediato? Pode ser, mas não acho.

Com ou sem filhos?

Os títulos com letras cubitais são para impressionar as mentes mais fracas.
Depois há outras notícias, muito mais insidiosas, que podem começar sob-forma de pergunta aparentemente retórica e falsamente inocente. Até estúpida.

São notícias que têm como tarefa insinuar nas mentes das pessoas dúvidas que normalmente nem existem.

Como esta:
Os filhos fazem com que os pais sejam pessoas mais felizes?
Que dizer, nem deveria ser preciso um artigo de jornal para responder, não é? Mas não é apenas um artigo, até há pessoas que trabalham nisso.
Dois estudos que analisaram um total de 130 mil adultos apontam para a conclusão de que, actualmente, as pessoas que têm filhos podem ser mais felizes do que os casais sem filhos. Uma das investigações foi realizada com casais a viver na Alemanha e no Reino Unido e outra com feita com base nas respostas das famílias norte-americanas a dois inquéritos nacionais. Os trabalhos foram apresentados no encontro anual da Population Association of America, uma organização sem fins lucrativos dedicada ao estudo de questões populacionais, e divulgados pelo jornal USAToday.
Dois estudos? 130mil pessoas? Tudo para resultados que "apontam" para uma pergunta que nem deveria existir?

14 maio 2012

Uma boa ideia: Re-Food

O amigo Jlbraga (inexaurível fonte de notícias, que mais uma vez agradeço) realça uma iniciativa que, infelizmente, passa um pouco despercebida. Esta iniciativa nasceu em Lisboa mas pode ser implementada em qualquer cidade, de qualquer País.
É apenas uma questão de boa vontade.

Reporto um artigo publicado numa das passadas edições do diário Correio da Manhã:
O projecto ‘Re-Food’, que consiste na distribuição por famílias carenciadas de comida recolhida em restaurantes, iniciou-se há um ano na freguesia lisboeta de Nossa Senhora de Fátima e chegará brevemente à do Lumiar, adiantou o seu mentor.

A ideia de fazer o ‘Re-Food’ chegar a outras freguesias de Lisboa é, para o norte-americano Hunter Halder, "possível" e "essencial".
"Estamos a afinar os procedimentos na óptica da multiplicação, já temos uma equipa bastante avançada em Telheiras, freguesia do Lumiar", avançou.
"Temos muito interesse em que o projecto chegue ao Porto, Coimbra, Vila Real de Santo António, Cascais, Oeiras e Berlim (Alemanha). O nosso objectivo é espalhar o ‘Re-Food’ o máximo possível", referiu Halder .
"As condições existem em todas as áreas urbanas do planeta. (…) É algo que dá resultados. Os restaurantes não querem deitar comida ao lixo, as pessoas que passam fome não querem ter fome e pessoas que fazem voluntariado existem em todo o lado", afirmou o responsável.

A barreira

E agora?
Agora podemos observar uma coisa curiosa: uma barreira.

É uma linha de demarcação imaginária que separa as pessoas que utilizam regularmente a rede de informação digital (disponível com internet) daqueles que não o fazem.

Desde o início da Internet começou a ser notada esta grande diferença: não-utentes de internet que continuavam a receber informações dum único ponto de vista (o ponto de vista "institucional") e utentes da rede que descobriam outras realidades.
Caso clássico: a guerra no Kosovo, que podia ser observada do lado oposto (o lado do povo da Sérvia, nesse caso) e que por isso mudava completamente cor.

Aqueles que assistiam à televisão ou liam a imprensa, ouviam uma única voz a redes unificadas: "Os rebeldes da Sérvia semeiam o terror nas aldeias albanesas, matando mulheres e crianças sem piedade".
Esta a versão oficial. Depois havia a outra, disponível na internet, que contava uma história um pouco diferente. Neste caso os "rebeldes sérvios" tinham sido treinados, financiados e armados pelos norte-americanos, em secreto.
Desta forma, cada utente podia tirar as suas próprias conclusões.

A única saída

O post acerca das duas Cristina tem muitos pontos de interesse.
Vamos ver apenas alguns.

As sanguessugas

Banco Mundial e Fundo Monetário Internacional, mais uma vez, demonstram ser instituições que têm uma missão bem precisa: uniformizar as economias dos vários Países, não para garantir um mercado mais competitivo mas para poder exercer um maior controle.

Não hesitam em atropelar as normas vigentes para implementar um sistema que consiga transformar em refém as Nações que tenham o azar de cair debaixo das garras delas. Também as técnicas utilizadas são claras: a emissão da dívida, uma moeda como "referência", o controle directo ou indirecto (mas sempre presente e condicionante) dum banco central.

Não há novidade neste sentido, já tratámos do assunto muitas vezes.

Os Estados Unidos e a MMT 

Segundo ponto: ao livrar-se destas sanguessugas, a Argentina conseguiu sair duma péssima situação (uma bancarrota) e, no prazo de poucos anos, recuperar a própria economia e preservar a dignidade. Como? Extremamente interessante este ponto: com a ajuda dos americanos.

Percebo que nesta altura a maior parte dos Leitores terá o fígado aos saltos, mas Cristina Kirchner foi até os Estados Unidos para procurar ajuda e foi nos Estados Unidos que encontrou o que era preciso.

Nomeadamente, com uma dica de Paul Krugman, do qual, não por mero acaso, já várias vezes este blog hospedou escritos.

Mais: Krugman e Christina Rohmer são dois keynesianos, a escola de pensamento económico que está na base da Modern Money Theory. Mesmo ela.

Não que nos EUA a MMT seja aplicada, longe disso: mas nasceu no mundo anglo-saxónico (John Maynard Keynes era britânico) e na Terra do Tio Sam encontra agora os meios para uma melhor interpretação e possível aplicação.

Os meios. Os meios, meus amigos, os meios.

Os meios

Os Kirchner abriram duas universidades nas quais são aprofundados os mecanismos que regulam o mundo da economia e da finança. Pois entenderam que um dos pontos mais fracos da Argentina era a falta de preparação.

Este ponto é absolutamente central: os meios.

Sabem porque a informação alternativa não consegue vingar?
Sabem porque os vários movimentos de protesto não conseguirão vingar (no plano nacional, diferente é o caso da realidade local)?

Porque nem uma nem outra fornecem os meios para ir além da nossa realidade.

E os meios não estão no estudo da Maçonaria, pois esta também é um meio para perpetuar o actual status. Inútil falar de Bilderberg, um outro meio, sem ter percebido o modus operandi, a maneira de operar destes senhores.
O que interessa saber qual o próximo lugar da reunião? Os lugares são todos iguais: um hotel, muita segurança, carros topo de gama.
O que interessa saber quem participa? São simples executores e são as caras do costume: políticos, empreendedores, pouco mais do que isso, mas sempre simples executores.

O que realmente interessa é saber como actuam, quais as armas. Aliás, qual "a" arma, pois é só uma: o controle da economia. Esqueçam as missas negras, esqueçam os aventais: não que não existam, se calhar até podem bem existir, mas são apenas areia para os olhos.

A chave sempre foi uma só: a economia.

Aborrecida? Pois é.

Eu não sou economista, não tenho nada a ver com o assunto. Até poucos anos atrás nem sabia o que era um Título de Estado, simplesmente comecei a perceber algumas coisas, com a leitura de blogues quais Informazione Scorretta do amigo Felice Capretta. Então iniciei a interessar-me, procurar textos, explicações. Ainda não percebo nada, mas algo fez-se estrada até numa cabecinha como a minha.

É por isso que escrevo textos tão aborrecidos como a série da Modern Money Theory. Eu sei que são aborrecidos, mas não escrevo para que o Leitor possa ficar espantado tipo "Mas olha quantas cosias que sabe este gajo!": escrevo porque estou convencido de que só percebendo um pouco mais da economia podemos entender quais as motivações que estão atrás de determinadas escolhas, não apenas económicas.

A Argentina é um excelente exemplo neste sentido: sem o apoio dos economistas hoje seria mais um protectorado do Banco Mundial, teria perdido, de facto, a própria independência.

Porquê as oposições na Europa fadigam a derrotar as maiorias de governos? Porque são incapazes de produzir qualquer cenário económico credível. Não têm (ou não querem ter) as bases. Nos casos mais patéticos sabem falar de "luta do povo", nos casos melhores produzem alternativas sempre nos moldes do actual quadro económico. Não há por aqui a humildade duma Kirchenr que pega nas malas para falar com quem perceba mais do assunto.

Caso prático

Tudo isso parece muita teoria e pouca prática? Nada disso.
As melhores medidas propostas nestes meses pelo partido comunista português são o aumento dos salários e das reformas. E eu pergunto: mas nasceram já assim ou foi uma doença desenvolvida mais tarde?

Aumentar os salários e as reformas num País cuja economia é já agora "zero" (aliás, menos do que zero, pois Portugal já está em recessão) significa aumentar a inflação (que corrói logo os aumentos) e matar as exportações (pois Portugal já não pode "jogar" com uma moeda própria inflacionada), além de provocar sérios problemas para as empresas que produzem para o mercado local.

Uma alternativa como esta é derrotada por um economista do primeiro ano de universidade em menos de 5 minutos.
O Partido Socialista, o principal elemento da oposição, viaja na mesma linha: não quer aumentos mas oferece soluções que ficam sempre no "quintal" do conhecido (e derrotado).

Conheço a situação em Italia, outro exemplo: a oposição fica bem caladinha perante o governo de Mario Monti, em parte porque vendida (afinal Monti é Goldman Sachs), em parte porque incapaz de produzir uma real alternativa, tal como os homólogos portugueses.

Situação parecida em Espanha. E Hollande, na França, não parece oferecer grandes novidades.

E a revolução?

Mas como foi possível chegar até este ponto?
A resposta é simples: com a uniformização das economias dos vários Países, a mesma que foi tentada na Argentina.

Os poderes, os verdadeiros poderes, criaram mecanismos complexos, uma selva de equações, algoritmos e tecnicismos perante os quais as pessoas fugiram e continuam a fugir. O que gera ignorância, a mãe da escravidão.

Então temos respostas um pouco mais precisas perante as perguntas acima apresentadas:

Porquê a informação alternativa não consegue vingar?
Porque trata apenas dos sintomas e não oferece soluções.

Porquê os vários movimentos de protesto não conseguirão vingar?
Porque tratam apenas dos sintomas, não oferecem soluções e não conseguem atrair as forças produtivas da sociedade.

Porquê as oposições políticas não conseguem vingar?
Porque tratam apenas dos sintomas, não oferecem soluções, não conseguem atrair as forças produtivas da sociedade e, em alguns casos, apresentam um instrumento disfuncional (a ideologia) para interpretar a realidade.

Em bom Português: todos estes protagonistas ignoram o elemento-chave, que é a economia.

Pior: no caso de Occupy Wall Street, por exemplo, conseguem aproximar-se dela para depois concentrar-se apenas em poucos aspectos (como os bancos) e sem oferecer alternativas que possam realisticamente atrair as forças produtivas. Não tenho dados, mas julgo terem sido poucos os empresários que decidiram abandonar a religião económica dominante para abraçar a causa dos Indignados, Occupy, etc.

Não é com um "muro contra muro" que será possível conquistar o motor da sociedade (que é a economia). E fica assim ainda mais claro o envolvimento nestas iniciativas de determinadas forças que, a rigor, deveriam remar no sentido contrário.

O que faz Rockefeller ao lado dos Indignados espanhóis?
Simples: trabalha para canalizar o descontentamento numa estrada sem saída, torna inofensivo o descontentamento. Ajudando os Indignados a organizar-se, retira legitimidade e qualquer possibilidade de sucesso ao movimento.

Meus amigos, podemos saber tudo dos Rotheschild, saber de cor os nomes dos participantes do Bilderberg; podemos utilizar Blogger, Wordpress, Facebook, Twitter, Youtube e Power Point se for o caso, mas continuará a faltar a essência. As forças económicas continuarão a trabalhar, sem preocupar-se com os suspiros da praça. Porque falta perceber como é que chegámos até aqui e qual a possível saída. E tudo isso pela economia.

Lamento, não há outra solução.
Querem fazer uma revolução? E façam a revolução, criem um partido novo que tenha como objectivos a solidariedade, a saúde universal para todos, políticos menos corruptos, uma justiça mais justa, mais feriados, mais salários.
Tempo seis meses e tudo estará como antes, até pior.

Porque a única revolução com alguma possibilidade de vitória é aquela que consegue substituir um sistema económico manipulador com outro realmente ao serviço do País.

Mas para fazer isso é preciso antes entender como funciona o actual sistema económico e como este é utilizado para controlar inteiros Estados. E façam o favor de esquecer Marx ou Adam Smith: podem ser um bom ponto de partida, não de chegada.

E que raio, estamos em 2012, não em 1800: bem diferentes são os inimigos hoje.

Estudar

É preciso estudar, entender.
Eu sei, custa. Mas se o desejo é perceber o que se passa, então não há alternativas.
Hoje ainda há quem pense na política como um choque de ideologias. O que é terrivelmente falso: não há uma política do mercado, há o mercado da politica.

A finança da nossa sociedade, uma finança oligárquica, não é o mercado. Há dois anos que repito a mesma coisa: "Meus senhores, este não é Capitalismo". E não é mesmo. Assim como digo para esquecer Marx, acrescento também Adam Smith: estas fases estão amplamente ultrapassadas.

Não existe a lógica da procura e da oferta, o custo social: o único objectivo é abater o livre mercado em nome do livre mercado. Eu sei, parece um paradoxo, mas é o que se está a passar: eliminar os Estados em nome dum livre mercado que de livre tem apenas o nome.

Só desta forma é possível entender o que acontece na Europa, com a destruição dos Estados e até da ideia de Nação. É o mesmo que foi tentado na Argentina, sem sucesso.

O objectivo é sempre o mesmo, muitas vezes apresentado pelo teóricos da Nova Ordem Mundial: criar uma sociedade mais simples, com um menor número de pessoas que detenham o poder de decidir.

É quanto denunciado pela miríade de blogues e sites que tratam da NWO. Só que bem poucos destes blogues ou sites têm entendido qual a arma utilizada. Não são as mensagens subliminais, não é o programa MK-Ultra, não é Lady Gaga, não é a Maçonaria: somos nós quando entrarmos num supermercado.
Tudo o resto, incluído Lady Gaga, são acessórios.

Combater este tipo de futuro significa, como já afirmado, perceber antes como funciona. Dito de outra forma: estudar. E a Argentina indicou o caminho: pedir a ajuda (Krugman) e estudar (as duas universidades).

...e o blog, coitado...

Eu, não sendo economista, pouco posso oferecer neste aspecto: e este pouco fica publicado no blog.

Mas mais importante ainda é convidar os Leitores a não afastar-se dos assuntos económicos.

Eu também gosto de ver vídeos engraçados no Youtube: um Ufo aqui, uma teoria da conspiração aí. Mas o meu conselho é reservar um pouco de espaço para vídeos que tratem, mesmo que em forma "leve", de economia: perceber o que é o dinheiro, como funciona, coisas assim.

Chato? Sim, chato. Muito menos espectacular do que o previsto. Mas alguém acha que numa Comissão Trilateral ou num Bilderberg alguém fica realmente preocupado se um blog de informação alternativa falar das bases nazi na Antárctica?


Ipse dixit.

Relacionados:
As Duas Cristinas
MMT

13 maio 2012

Fukushima: conspiração global?

Um Leitor anónimo enviou um artigo publicado no Revolução Final, um blog novinho em folha que promete bem (muito obrigado ao Leitor, obrigado também ao blog do qual sanguessugo, como diria o amigo Gilson, a tradução).

O artigo é a tradução dum texto de Jim Stone, ex- analista da NSA (National Security Agency) dos EUA, que publicou recentemente um artigo controverso onde pretendeu desmontar a narrativa oficial do desastre de Fukushima e propor uma explicação alternativa.

Eis a introdução de Revolução Final e parte do artigo traduzido pelo citado blog (do qual mantenho o negrito e os links):
Traduzi excertos que me parecem importantes do artigo de Jim Stone onde este apresenta argumentos verificáveis para comprovar a sua tese. O negrito e o sublinhado foram colocados por mim para salientar o que considero serem os pontos-chave da argumentação de Stone. Estes argumentos baseiam-se em fotografias (vista de cima ) e (vista de frente) classificadas dos reatores de Fukushima tiradas por drones (aviões não tripulados) dos EUA  a que Stone teve acesso.

As duas Cristinas

Hoje vamos contar uma história.

Depois de ter tomado o poder há poucos meses, receberam a delegação do Banco Mundial e do Fundo Monetário Internacional, liderado por Dominique Strauss Kahn.

Ao sair da reunião, os Kirchner estavam pálidos. Sobretudo ele, Nestor, tinha percebido como as coisas funcionavam:
Eu só sei que não entendi nada do que eles disseram, absolutamente nada, mas uma coisa, isso sim, eu entendi: eles ficam com a República da Argentina, toda, incluindo os glaciares do sul. Estamos realmente na merda.
A esposa dele, Cristina, falou com alguns conselheiros íntimos e fiéis, alguns dos quais admitiram mesmo terem ficado convencidos de que a implementação do plano do Banco Mundial e do FMI afinal era uma boa coisa.

12 maio 2012

Intervalo

Sábado, óptimo dia para aborrecer os Leitores com alguns vídeos musicais.
Escolhidos por quem? Por mim, claro.

E que tem a ver a música com Informação Incorrecta? Rigorosamente, absolutamente, definitivamente nada.

Por isso: eis Al Stewart. Alguém conhece? Difícil, não é?
Esta é The Year of the Cat, 1976. Já estava nascido em '76? Acho que sim, aliás, lembro de cantar esta canção no berço:
"te iar of te keeeeeeeet!!!"
E minha mãe que tentava acalmar os vizinhos "Não é uma criança má, é que nasceu já assim, coitadinho...".

Arte em Almada

É Sábado?
Já estava pronto um post acerca de Fukushima, mas sendo dia de festa não vamos maçar as pessoas.
Falemos, pelo contrário, de arte.

A Câmara do gulag de Almada decidiu comemorar as duas grandes festividades que o governo ainda não cortou: 25 de Abril dia da Revolução dos Cravod, e dia 1º de Maio, Festa do Trabalhador.

E fê-lo recorrendo à ajuda dum grande artista, do qual nem lembro o nome (pelo que é possível já entender quanto pouco profundos os meus conhecimentos na área). O resultado foram dois painéis que ficaram pendurado na frente da Câmara ao longo das últimas semanas.

Este blog não costuma tratar de artes, e esta é uma falha que admito. Por isso, é com grande prazer e um pouco de vergonha que tento redimir-me com a apresentação dos painéis em questão.

Será uma ocasião artística e de reflexão.

11 maio 2012

Um gajo divertido

Eu sei, eu sei: tinha prometido ocupar-me menos de Portugal, pois como realidade é bastante aborrecida.
Mas que culpa tenho eu se as notícias mais divertidas chegam deste cantinho do planeta?

O Primeiro Ministro, Pedro Passos Coelho (por uma vez escrito de forma correcta), sabe que o governo dele tem poucas probabilidades de chegar até o fim da legislatura. Um problema sério para um homem que passou a própria vida na política, isso é, que não sabe fazer nada.

Então o simpático Pedro tenta novas estradas, porque na vida nunca se sabe.
E que tal entrar no mundo do espectáculo?
Verdade, dificilmente poderia ganhar um Oscar, mas um lugarzito como comediante está ao alcance.
Pouco convencidos? Então vejam as últimas declarações:
Estar desempregado não pode ser, para muita gente, como é ainda hoje em Portugal, um sinal negativo. 
Ah ah ah ah ah, que pessoa espirituosa que temos no governo. Não é uma boa anedota? Eu acho ser.
Um acaso? Não, mais do que isso, um guião completo:
Despedir-se ou ser despedido não tem de ser um estigma, tem de representar também uma oportunidade para mudar de vida, tem de representar uma livre escolha também, uma mobilidade da própria sociedade.
Pare, pare que dói-me a barriga! Ser despedido é a oportunidade da vida! É uma livre escolha também.

Da soja, da Argentina e da Zona N€uro

A Argentina consegue recuperar mesmo sem as receitas do Fundo Monetário Internacional? Lógico que comecem os ataques.

Um dos maiores mitos sobre a economia argentina, repetido quase todos os dias, é que o seu rápido crescimento nos últimos dez anos tem sido apenas um boom das exportações.
Por exemplo, na última semana o New York Times escrevia:
Na onda de um boom nas exportações de produtos como a soja, a economia da Argentina cresceu com uma taxa média de 7,7% de 2004 a 2010, quase o dobro em comparação com 4,3% do Chile, País que é frequentemente citado como um modelo para as políticas económicas.
Michael Shifter, provavelmente a fonte mais citada acerca da América Latina na imprensa dos Estados Unidos, escreveu um artigo sobre a Argentina com um tom bastante depreciativo, declarando que:
Se a venda e o preço da soja, as principais exportações, permanecem altos, então o País pode continuar no caminho do crescimento económico.
É difícil encontrar um economista que diga que o notável crescimento económico da Argentina nos últimos 9 anos (que levou a níveis recordes em termos de emprego e de redução da pobreza) foi impulsionado pela soja ou pelo boom das exportações. Talvez porque isso não é verdade.

Pensará o Leitor: "O que interessa?". Interessa, interessa...

Curiosidades: 9/11 e sondagens

Curiosidades.

Segundo uma investigação da TNS Emnid, uma das maiores instituições de sondagens no País, quase 90% dos Alemães não acredita na explicação do governo americano acerca do 11 de Setembro de 2001.

89.5% é a percentagem exacta, enquanto a TNS descobriu também que 73.7% das pessoas acha o assassinato do presidente Kennedy uma conspiração e 80% pensa que a CIA conduza operações ilegais na Alemanha.

Em 2003, uma sondagem da Forsa, encomendada pelo diário Die Zeit, havia descoberto que 31% dos alemães com menos de 30 anos achava o 9/11 uma operação interna.

O cepticismo cresceu com o passar dos anos.

Em 2004, uma sondagem da Zogby afirmava que mais de metade dos habitantes de New York achava que no caso dos atentados do 9/11 os investigadores não tinham descoberto a verdade, em 2006 uma nova sondagem da mesma instituição revelava que a metade de todos os cidadãos americanos não acreditava na versão oficial.

Como diria Orwell, um clássico caso de bi-pensamento: reconhecer, aceitar a mentira, rejeita-la ao mesmo tempo por razões de conveniência social.


Ipse dixit.

Fontes: Die Zeit, 9/11Komplott (alemão) via Infowars, Wikipedia (versão inglesa), AngusReid (inglês). Não consegui confirmar a notícia no portal da empresa TNS (em alemão).

A direcção

Sinceramente não sei se tratei do assunto alguma vez.

Após 1900 post (!) acho normal não lembrar certas coisas. Fiz uma pesquisa mas não encontrei nada, mesmo assim espero que os Leitores possam perdoar-me caso isso seja uma mera repetição. Considerem a hipótese duma incipiente arteriosclerose também. Precoce, sem dúvida, mas enfim...

Entre os comentários do post anterior (a propósito: obrigado a todos!), um em particular capturou a minha atenção. Este:
A genética define tudo, enquanto os povos europeus meteram o homem na lua, os subsarianos quando os portugueses lá chegaram nem a roda tinham inventado, nem uma cronologia tinham... coisas da vida.
A genética. Pois.
Em primeiro lugar, obrigado ao Anónimo que escreveu, mas não concordo.
Fiquem descansados, não vou aqui lembrar a treta do "somos todos iguais, somos todos irmãos, etc.".
Não, não somos todos iguais e nem somos todos irmãos. Mas não acho ser a genética o maior factor de diversificação.

10 maio 2012

África: a guerra dos híbridos

Os recentes assassinatos de cristãos na Nigéria e no Quénia por mãos de fundamentalistas islâmicos contam a desintegração social e cultural, bem como económica, de um continente, o Continente Negro.

Até algumas décadas atrás, a história da África negra e dos seus muitos grupos étnicos era uma história na qual eles procuravam uma acomodação dos conflitos, acordos em vez de coques.

E, salvo as óbvias excepções de uma história milenar que se aplica a toda a África, o que o antropólogo John Reader escrevia para o povo do Delta do Níger vale para todo o Continente:
O risco de conflito era muito alto, o delta interior do Níger deveria ter sido um surto de hostilidade inter-étnicas. Mas o que distingue esta região durante os 1600 anos de história registada não é a frequência dos conflitos mas a estabilidade das relações pacíficas.

Asterix e o Capitalismo de Estado

Qual a possível desfecho da actual crise global?

O historiador Eric Hobsbawm acredita que perante a crise capitalista, o "capitalismo de Estado" tem um grande futuro". E, segundo ele, isto é demonstrado pelos Países do Brics.
Interessante.

Vamos ler a entrevista publicada há poucos dias no semanário L'Espresso.

O Capitalismo de Estado substituirá o livre mercado

 A actual crise é diferente das anteriores?

Sim. Porque está ligada a um deslocamento do centro de gravidade do planeta: desde os velhos Países capitalistas para as Nações emergentes. Do Atlântico ao Oceano Índico e o Pacífico. Se na década dos anos Trinta todo o mundo estava em crise, com excepção da URSS, a situação hoje é diferente. O impacto é diferente na Europa em comparação com os Países do BRIC: Brasil, Rússia, China, Índia. Outra diferença, em comparação com o passado, é que, apesar da gravidade da crise, a economia global continua a crescer. Mas somente em áreas fora do Ocidente.

09 maio 2012

Problemas com o blog?

Olá pessoal!

Dado que a dor de dente continua e dado que estou enervado, eis não um artigo mas um pedido.
Recebi o seguinte e-mail que publico:
A propósito deste artigo aproveito para dizer que muitas das vezes que visito este blog (do qual sou viciado, adoro os artigos, as opiniões, o sentido de humor, os comentários dos leitores e informações adicionais, etc...) fico com o pc completamente bloqueado (já aconteceu em vários pcs) tendo que forçar o encerramento. Ontem quando estava a ler este artigo o bloqueio foi tal que danificou a instalação de um programa com que estava a trabalhar.

Porque será que isto acontece? Será que o blog está com virus (se é que isso é possível) ou será algum tipo de censura?

Seja como for vou continuar a vir cá.

Em primeiro lugar, como sempre: muito obrigado por ter escrito.

A seguir.

Posso assegurar que Informação Incorrecta não tem qualquer tipo de censura (pelo menos de minha parte), todos podem aceder e, eventualmente, participar com comentários sem restrições. Até simplifiquei a inserção dos comentários após pedido dum Leitor.

Também o facto de ter um vírus é improvável pelas seguintes razões:
  • costumo controlar a "saúde" do blog com serviços de avaliação externos (tipo Norton Safe Web, PhishTank, AVG Link Scanner Online, ferramentas WebMaster de Google e outros), mesmo à procura de software maliciosos e outros tipo de problema.
  • também as ligações incluídas nas páginas são submetidas a controle.
O único problema pode vir da velocidade de abertura do blog, o tempo que demora a página a "carregar-se".

O mais conceituado programa de verificação online é Pingdom Tools, segundo o qual a página carrega em 3.03 segundos (mais rápido do que 51% de todos os websites analisados). Não é um excelente resultado, mas está na média.

O blog tem um "peso" de 342 KB, também aqui mais ou menos na média.

Resumindo, não sei que dizer: não é normal um computador bloquear-se durante a navegação em internet.

As únicas sugestões que posso dar são:
1. enquanto uma instalação for em curso, melhor evitar a utilização de outros programas. Algumas aplicações chegam mesmo a pedir que outras actividades sejam interrompidas. Em particular se o nosso computador não for de última geração.
2. verificar o navegador: está actualizado? As extensões também (lembrem: quantos menores as extensões utilizadas, maior a velocidade do navegador)? São instalados os plugin (tipo Shockwave, Flash Player)?
3. "limpar" o computador (aconselho o programa CCleaner) e desfragmentar o disco rígido (não com o desfragmentador de Windows que é uma treta, melhor um programa tipo Auslogic Disk Defrag por exemplo)

Costumo abrir o blog a partir de vários computadores e sinceramente nunca encontrei problemas.
Mas a questão do amigo Leitor é uma boa ocasião para submeter um quesito a todos os Leitores.

Pergunta:

Informação Incorrecta causa alguns problemas na navegação?

Tipo imagens não visualizadas, bloqueios, incêndios no prédio ou coisas parecidas?
Podem existir coisas nas quais não pensei, por isso, em caso de problemas, aproveitem e enviem o vosso comentário.

E, agradecendo mais uma vez o Leitor que forneceu a ocasião para tratar do assunto, agradeço também todos os Leitores que partilharão os problemas encontrados.
Que espero nem existam, claro...


Ipse dixit.  

Printfriendly

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