30 junho 2012

Do rir

O mundo da informação alternativa é esquisito: pois há assuntos que não podem ser enfrentados, pena a excomunhão. Um deste é o futebol.

Blogueiros empenhados numa espécie de guerra de religião, combatida com assinalável violência, contra todas as pessoas que seguem as empresas das equipas desportivas. Proibido falar bem de futebol, proibido festejar as vitórias. Obrigação: falar mal do futebol, sempre.

Os que festejarem as vitórias são deficientes, a informação alternativa não pode fazer isso: há um status que tem de ser defendido. É preciso demonstrar ser superior, ter conseguido livrar-se das correntes do sistema, não cair nas tentações que o conjunto maçónico-financeiro-religioso oferece, observar os acontecimentos com o destaque de quem sabe estar do lado da razão. Só assim podemos recolher o consentimento dos colegas blogueiros e a simpatia dos Leitores.

Eu gosto de futebol. E não desde hoje: nunca escondi ser adepto da equipa da minha cidade (a Sampdoria!). Um pouco menos adepto sou da seleção nacional, por questões históricas e pessoais, mas é claro que amanhã vou torcer pelos Azzurri.

28 junho 2012

Síria: caso ainda haja dúvidas...

Ainda dúvidas acerca de quem está a combater na Síria?
Eis a ajuda do New York Times: e as dúvidas desaparecem...
De acordo com funcionários dos serviços secretos árabes e norte-americanos, agentes da CIA estão a operar no sul da Turquia para decidir quais guerrilheiros podem receber armas, através da fronteira, para lutar contra o governo sírio.

As autoridades falam em metralhadoras, granadas, munições e algumas armas anti-tanque que passam através da fronteira com a Turquia com uma rede de intermediários, incluindo a Irmandade Muçulmana, Arábia Saudita e Qatar.

Um alto funcionário americano disse que agentes da CIA entraram no sul da Turquia há várias semanas, em parte para manter as armas fora das mãos dos guerrilheiros aliados à Al-Qaeda ou outros grupos terroristas. A Administração Obama afirma que não está a fornecer armas aos rebeldes, mas também reconhece que os Países que fazem fronteira com a Síria teriam feito isso.

27 junho 2012

Viva o livre mercado

...e tanto para não deixar passar um dia sem post, eis algo rápido: podemos chama-lo "viva o livre mercado!". É aconselhado clicar na imagem para poder ler decentemente os nomes.

Sempre em tema de livre mercado, algo mais complexo. Aqui é preciso clicar e usar uma lupa também, mas vale a pena...
Ipse dixit.

25 junho 2012

Má fé

Em verdade, em verdade vos digo: nem era para escrever algo hoje, pois há incumbências que andam por ai, inclusive um tal roteiro que tem de ser acabado. Mas aconteceu algo que ajuda a entender bem a natureza da crise no Velho Continente e que por isso vale a pena comentar.

A cena passa-se em Portugal, mas poderia ser num outro País qualquer da Zona NEuro.

Diário Público, passada Sexta-feira:
A Direcção-Geral do Orçamento (DGO) divulgou nesta sexta-feira os números da execução orçamental, que mostram que as receitas fiscais estão a ter um desempenho pior do que o previsto, tal como o ministro das Finanças, Vítor Gaspar, já tinha admitido na reunião do Eurogrupo.

O défice do Estado rondou os 2700 milhões de euros nos cinco primeiros meses do ano, mais 35% do que em igual período do ano passado, fruto não só da queda da receita fiscal, mas também do aumento da despesa.

“Não obstante não se poderem fazer extrapolações lineares para o conjunto do ano, a informação agora disponível sugere um aumento dos riscos e incertezas da execução orçamental”, alerta o documento da DGO.

Os dados mostram que, até Maio, as receitas fiscais caíram 3,5%, mais do que tinha acontecido até Abril. Com impostos indirectos, onde se conta o IVA, diminuíram 5,9%. Neste imposto sobre o consumo, as receitas caíram 2,8% até Maio, enquanto no Orçamento do Estado está previsto um aumento de 11,6% em todo ano.

22 junho 2012

Da saída do Euro e de outras banalidades - Parte II

Este e o dois milésimo post de Informação Incorrecta. Justo que seja dedicado a como sair do Euro.

Dado que a matéria é complicada, eis a opinião não de uma mas de doze especialistas: são eles Gabriel Colletis, Alain Cotta, Jean-Pierre Gérard, Jean-Luc Gréau, Roland Hureaux, Gérard Lafay, Philippe Murer, Laurent Pinsolle, Claude Rochet, Jacques Sapir, Philippe Villin, Jean-Claude Werrebrouck.
Falta só Leonardo, o décimo terceiro, mas nesta altura está a dormir.

Estas doze pessoas (na maior parte dos casos, economistas de primeiro plano como no caso de Jaques Sapir, director da Escola de Estudos Superiores em Ciências Sociais de Paris e chefe do Centro de Estudos da Industrialização) assinaram um documento cuja opinião central é que cedo ou tarde o Euro seja destinado a desaparecer numa explosão incontrolada. Portanto, melhor começar desde já a pensar na remoção controlada, para que a transição em direcção das moedas nacionais seja feita de forma ordenada e sem grandes traumas.
Faz sentido.

Problema: não existe uma normativa que explique como sair do Euro. Simplesmente nunca foi considerada esta hipótese, o Euro foi encarado desde o início como o único caminho possível na Europa, além do qual há só trevas, guerras, dragões e peste. No Euro é possível entrar mas não sair.
Como a areia movediça, mesma coisa.

E o gás avança...

As últimas notícias da OPEP (a Organização dos Países Exportadores de Petróleo) parecem indicar um futuro instável e tumultuoso.

A crise financeira que abalou o mundo inteiro coloca em risco a estabilidade da inoxidável organização dos Países produtores de petróleo.

Será? Ah, pois é.
Relata o Financial Times:

Com a crise da dívida soberana dos europeus que piora e os medos crescentes em relação à economia global, as divisões profundas no seio da OPEP são susceptíveis de minar a capacidade da organização para perseguir o seu objectivo, ou seja, para gerir a oferta de petróleo e evitar violentas oscilações do preço.
Ohhhh...
E o Financial Times é muito claro quando define quais Países podem ser considerados "moderados" e quais "extremistas". Entre os primeiros (os moderados, os bons) temos a Arábia Saudita, o Kuwait, os Emirados Árabes Unidos, a Nigéria, a Líbia (!), E entre os segundos (os extremistas, as "cabeças quentes") a Venezuela (óbvio), o Irão (normal) e...o Iraque.

21 junho 2012

A Irmandade Muçulmana

O Egipto se encontra (ou "encontra-se"? Fica sempre a dúvida...) numa situação particular. E "particular" não é sinónimo de "bonita".

O antigo presidente Mubarak está em coma e mesmo que não estivesse já fica fora dos jogos: a "Primavera Árabe" varreu o governo dele deixando o País no caos.

Após as recentes eleições, ainda não são conhecidos os resultados e o País fica nas mãos dos militares. Dum lado o candidato Ahmas Shafiq, antigo primeiro ministro de Mubarake bem visto no Ocidente; do outro o candidato da Irmandade Muçulmana, Mohammed Morsi. Ambos reclamam a vitória.

Mas o que interessa aqui é saber algo mais acerca desta "ameaça": a Irmandade Muçulmana. Quem são estas pessoas? O que querem? Qual o relacionamento deles com o Ocidente?

Da saída do Euro e de outras banalidades - Parte I


Muito bem pessoal: chego a altura.

Para quê?
Para enfrentar um tema todo europeu: uma série de artigos que tratam da situação do Euro e, sobretudo, de como sair dele. Afinal este é um blog nascido no Velho Continente.

Começamos com uma pergunta: o que aconteceria numa Europa sem Euro?

O que aconteceria se o Euro ruísse? Para muitos, a resposta é um desastre absoluto, um Armageddon de proporções nunca vistas antes.

Mas seria mesmo assim? Talvez não.

Talvez a identificação da Europa com a União Europeia e com a sua moeda oficial, o Euro, como muitos políticos fazem, é um paradigma enganoso. Um possível colapso do Euro e da União pode ser visto como uma oportunidade para a evolução do continente. E evoluir das actuais condições não é difícil.

Es hora de cambiar (It's time to change)

Acabou o G20, a grande reunião dos chefes da terra que depois tanto chefes nem são mas enfim está tudo bem assim o importante é acreditar.

Também Barack Obama participou, na qualidade de presidente queniano-havaiano-irlandês dos Estados Unidos. E que disse o simpático Obama? Disse isso:
É hora de agir para garantir que todos façam o que for necessário para estabilizar o sistema financeiro, assegurar o crescimento, restaurar a confiança dos mercados e evitar o proteccionismo
Bravo Obama, assim se fala! Pena que as palavras sejam uma coisa e os factos outra coisa ainda. Mas já lá vamos.

No entanto vamos ver qual a resposta de José Durão Barroso, actual presidente da Comissão Europeia (isso é, que nunca foi eleito por alguém):
Esta crise teve origem na América do Norte e muitas das nossas instituições financeiras têm sido contaminadas por causa das práticas pouco ortodoxas das estruturas financeiras dos EUA. Não viemos aqui no G20 para tomar lições de ninguém.
Bravo Durão, mostra o orgulho! Pena que apresentar os bancos europeus como vitimas dos homólogos americanos seja um bocado forçado, não é? Que dizer, os bancos europeus estavam aqui, santinhos, a fazer obras de caridade, quando de repente eis que apareceram os terríveis bancos americanos, uma raça nunca vista antes, que começaram a estragar uma economia saudável e uma finança de transparência cristalina? É essa a ideia? Ou não será por acaso que bancos americanos e europeus (e não só) fazem parte dum podre emaranhado com interesses comuns?

20 junho 2012

Umas férias úteis

Que o Leitor confesse: as férias se aproximam e ainda não escolheu o lugar para onde levar a família, não é?
Normal: o trabalho, os pequenos problemas, os empenhos...afinal sobra pouco tempo.

Mas o Leitor tem sorte, pois escolheu ler um blog que já resolveu o problema: eis o destino de sonho das próximas férias!

Que tal aprender a matar alguns palestinianos? Divertido, não é? Pois. E simples também. É só comprar uns bilhete de avião para Jerusalém e logo apanhar um autocarro até o assentamento de Gush Etzion, perto da capital, não longe do Monte Hebron.

Esta é a sede da empresa Caliber 3, dirigida pelos simpáticos Sharon Gat e Ran Soffer, dois antigos membros das forças especiais. E acredite, a oferta de Caliber3 é mesmo tentadora.

Eis o programa do mini-curso de duas horas.
  • Uma palestra de sete minutos sobre as tácticas de combate ao terrorismo.
  • Um espectáculo de 15 minutos ("impressionante" afirma o site da empresa) de luta e capacidade de disparo por parte dos instrutores.
  • Uma lição de 30-45 minutos acerca do modo de disparar durante um ataque anti-terrorista.
  • Uma sessão de 30-45 minutos de tiro com vários tipos de armas fornecidas pela empresa, com apoio personalizado, "uma experiência a não perder pelos participantes mais jovens" como afirmado .
Obviamente não faltam espaço de treino, actividades para as famílias e festas de aniversário.

Da violência

Após ter publicado o vídeo das manifestações nas Astúrias, em Espanha, Miguel escreveu:
Não é este o caminho!
Violência apenas alimenta mais violência.
Existem outras alternativas, bem mais saudáveis e eficazes...
Obrigado Miguel, este é um comentário que fornece a ocasião para uma breve reflexão acerca da violência.
Acho que todos podemos concordar: a violência é má. Mas é sempre má? Haverá ocasiões nas quais pode ser considerado positivo utiliza-la? É possível falar de violência "boa"? Parece uma contradição, sem dúvida.

Então, se a violência for má, seria lícito esperar firmes condenações por parte dos nossos Países, em particular pelos governos democráticos, perante qualquer forma violenta. Mas assim não é.

O Procurador

"Procurem! Procurem!" diz sempre o simpático Max. Que sou eu.
Mas procurar como? E onde? E porquê? E quando?
Epá quantas perguntas, vamos calma.

Procurar na internet é simples e complicado ao mesmo tempo.
Simples porque não faltam motores de busca, complicado porque no meio dum mar de resultados muitas vezes não é fácil encontrar o que interessa.
Então eis algumas dicas para o Bom Procurador.

As dicas do Bom Procurador

O motor de pesquisa

Que fique claro: Procurador em Português não é utilizado para indicar a pessoa que procura. Mas eu gosto de termo, por isso fica assim. Então: o que faz o Bom Procurador? Procura, óbvio.
Como procura? Com um motor de pesquisa (ou busca, mesma coisa).
Qual? Primeira resposta que passa pela cabeça: Google.
Resposta errada.

19 junho 2012

Há quem diga "Não"

Espanha, Junho de 2012:



Ipse dixit.

O 23º aniversário de Tienanmen

Praça Tienanmen é a grande praça perto do centro de Pequim, a capital da China: é a maior praça pública do mundo (o eixo maior atinge os 800 metros) e por muitos é considerada a coração simbólico da China.

Aqui foi proclamada a República Popular em 1949, aqui houve o movimento de protesto de 1976 e aqui, em 1989, houve o massacre dos manifestantes: centenas, provavelmente milhares.

O governo chinês não gosta de falar acerca do assunto, lembrado como "o acidente de 4 de Junho", e censura as informações via internet. A memória, todavia, permanece viva na mente daq1ueles que viveram os acontecimentos ou que perderam familiares naquele dia.

Zhang Xianling perdeu o filho na Praça Tienanmen e, com Ding Zilin, fundou o grupo "Mães de Tienanmen". Uma ocasião para lembrar os eventos e para espreitar o "sistema China" de hoje.

18 junho 2012

Olé!

Acontece...
Quando um País estiver em crise, como vimos, são precisas algumas medidas prioritárias: cortar os ordenados, cortar os serviços de saúde e subsidiar as touradas.

Muitos entre os Leitores não estarão de acordo com as primeiras duas medidas, mas quanto à última acho ser o consenso geral.

Eis portanto a lista das empresas e dos membros das famílias da tauromaquia que podem continuar a torturar e matar os touros para felicidade dos doentes mentais que gostam deste "desporto"; o Diário da República confirmou no passado dia 21 de Março os subsídios atribuídos pelo IFAP (Instituto de Financiamento da Agricultura e Pescas) no 2º semestre de 2011:

Política e bancos: quem rasteja não tropeça

O administrador do banco JP Morgan Chase, Jamie Dimon, testemunhou na passada Quarta-feira perante a comissão bancária do Senado dos Estados Unidos no âmbito da investigação sobre as recentes enormes perdas provocadas por operações de alto risco especulativo, realizadas pela filial inglesa do banco.

Os media do resto do mundo têm ignorado o assunto, mas não deixa de ser uma ocasião bastante rara o facto dum dos donos do mundo aparecer entre os humanos e, como se isso não fosse suficiente, falar e interagir com os inferiores.

Teoricamente, Dimon deveria ter esclarecido o comportamento dos managers de topo da empresa perante uma série de operações acabadas mal, anunciadas no mês de Maio, com perdas oficiais de dois biliões de Dólares. Oficiais, claro, pois segundo a imprensa especializada o total deve ter sido bem maior (fala-se em oito biliões de Dólares ou até mais).

Dimon estava tranquilo: afinal os senadores que faziam as perguntas eram os mesmos que o banco tinha financiado durante as campanhas eleitorais. Mais do que uma comissão do Congresso, esta era uma reunião do chefe com os funcionários.

Grécia: até o fundo do abismo, democraticamente

Assim acabaram as eleições na Grécia.
Estes os resultados, quando já foi analisados 80% dos votos:
  1. Nea Dimokratia (Direita conservadora) 29.7%
  2. Syriza (coligação de Esquerda radical) 26.9%
  3. Pasok (socialistas) 12.3%
  4. Grécia Independente 7.45%
  5. Chrisi Afghí (Amanhecer Dourado, neo-nazi) 6.95%
  6. Dimar (Esquerda Democrática) 6.1%
  7. KKE (partido comunista) 4.46%
A abstenção ficou na casa de 40%.

As percentagens podem ainda variar mas não de muito.
Isso significa que os principais partidos pró-Euro, Nea Dimokratia e PASOK, conseguem 163 assentos, a maioria parlamentar.
Antonis Samaras, líder de ND: .
Hoje, os Gregos optaram por manter os laços com a Europa. Esta é uma vitória para toda a Europa.
No entanto, ND precisa dos socialistas do Pasok para a maioria, mesmo após do partido socialista ter sido pesadamente punido pelos eleitores. Evangelos Venizelos, o líder do Pasok, já anunciou o próprio apoio para um governo de coalizão com a Nova Democracia, e até foi mais longe, propondo um governo de "responsabilidade compartilhada" apoiado por quatro partidos: PASOK, a Nova Democracia, Syriza e a Dimar, a esquerda democrática.

Mas Syriza já fez saber que ficará na oposição.

O que muda? Nada. Os partidos que ganharam apoiam as medidas da troika FMI-BCE, incluídas as de austeridade. A tragédia grega pode continuar sem outras perturbações, decomposição do País incluída: a partir de agora até com o carimbo democrático.
Satisfeitos eles...


Ipse dixit.

Fontes: La Repubblica

17 junho 2012

Ron, Rand & Mitt (e Goldman também!)

Há muito tempo um Leitor perguntou: "O que achas de Ron Paul?".
E como não achava nada, fiquei calado.

Até hoje, quando encontrei um artigo de Massimo Mazzuccho, no blog Luogocomune. Vou traduzi-lo como minha resposta, pois já fiz uma breve pesquisa na internet e as notícias apresentadas parecem mesmo confirmadas.

Ron Paul, para os mais distraídos, é o eterno candidato derrotado na corrida para Presidente dos Estados Unidos de América.

Eis o texto:
O mundo dos libertarian norte-americanos está em crise. Depois de Rand Paul, filho de Ron, ter anunciado o seu apoio oficial à candidatura de Mitt Romney, muitos falam de traição. Experimentem fazer uma pesquisa no Google com as palavras Ron Paul e traitor e vão encontrar mais de meio milhão de resultados.

Até agora, a linha estratégica de Ron Paul era muito clara: mesmo sabendo que nunca teria obtido a nomeação republicana, liderou uma campanha corajosa, conseguindo levar a mensagem libertária nos lares de milhões de americanos graças aos debates televisivos entre os vários candidatos. A ideia era que Ron Paul, então, ficaria "aposentado", lançando o filho Rand, que já é senador e que há muito tempo promove as mesmas ideias do pai, para continuar a batalha contra o establishment nos próximo quatro anos.

16 junho 2012

AQAP!

Antes a boa notícia: Al-Qaeda já não é um perigo.
A má notícia: agora temos AQAP.

O que aconteceu?

Segundo a CNN, de Al-Qaeda no Afeganistão sobram mais ou menos uns 90 militantes.
Isso significa que a Nato pode abandonar o País? Nem pensar: há ainda os terríveis Talebans e os ferozes camelos deles.

Mas, como afirmado, do grupo terrorista ficou praticamente só a representação diplomática a nada mais.

Terrorismo derrotado? Nem pensar: morta uma Al-Qaeda, pronta logo a nova. E aqui entra em cena AQAP, que significa Al-Qaeda in the Arabian Peninsula (Al-Qaeda na Península Arábica).

A Máquina da Felicidade

Ta-tá!
Eis de volta Max com o seu computador que agora parece um Ferrari.
E como hoje é Sábado, Dia Mundial dos Vídeo do Youtube, eis um vídeo. Aliás, seis vídeos. Muitos? Não, cada um tem 10 minutos, no total são uma horita.
Mas vídeo de quê?
Calma, vamos explicar.

Já ouviram falar de Edward Bernays? Alguém já ouviu, de certeza. Eis um pequeno resumo.

Bernays nasceu em Viena em 1891, de pais hebraicos (tinha que ser, não é?), e era o sobrinho nada mais nada menos que de Sigmund Freud, o criador da psicanálise. Bernays é considerado uma das 100 figuras mais influentes do séc. XX.

Todavia todos conhecem o tio e ninguém o sobrinho: porquê? A resposta é que Bernays trabalhou numa área onde muitas vezes os homens de ponta ficam nos bastidores: é a área da fábrica do consentimento, da mente colectiva, da propaganda. Combinando as ideias do tio com aquelas de Gustave Le Bon (autor do livro Psicologia das Massas) e de Wilfred Trotter, foi ele um dos primeiros que vendeu métodos para utilizar a psicologia no subconsciente com o fim de manipular a opinião pública.

13 junho 2012

Um conto


Dia de pausa.
Computador internado: análise do sangue, electrocardiograma, intervenção cirúrgica para instalação de nova memória. Coitadinho.

Por isso: espaço livre para comentários! Comentem, sugiram, sugiram e comentem. Obrigado.

Mas antes: um conto inédito de Jean de la Fontaine, poeta e fabulista francês que falava da vaidade, estupidez e agressividade humanas através de animais. Foi o autor de contos quais A Lebre e a Tartaruga, O Homem, O Menino e a Mula, O Leão e o Rato, e O Carvalho e o Caniço.

12 junho 2012

...e o Bilderberg disse: fora do Euro!

Olhem só, hoje sobra um pouco de tempo.
Então vamos fazer o quê? Vamos falar duma teoria da conspiração!!!

Malandro este Max.
E estúpido também: não sabe que as pessoas têm a liberdade de acreditar em tudo o que assim desejarem?
Claro que sei. Mas eu tenho também o direito de dizer o que penso. Ou não?
Então eis o Bilderberg.

O Bilderberg.
Quem pode duvidar do Bilderberg? Ninguém, óbvio.

A reunião dos simpáticos Bilderberguenses acabou. Na minha óptica, isso significa que as ordens foram transmitidas e ponto final. Mas segundo outros não é bem assim: o Bilderberg é muito mais do que isso. Então vamos ver quais as decisões tomadas, pelas palavras de Daniel Estulin, especialista Bilderbergaro.

No plano geopolítico, particulares preocupações existem acerca da Rússia e pelo facto de Vladimir Putin pretender manter intacta a soberania do próprio País.

Revolucionário, sem dúvida. Era precisa uma reunião nos Estados Unidos para entender isso.

Os zombies de Assad

Tropas governamentais da Síria
Tinha que ser.

Como a comunidade internacional ainda não consegue tomar uma decisão acerca duma intervenção na Síria, é a ONU que tenta elevar a fasquia. Segundo um novo relatório, o regime de Assad:
  • rapta crianças
  • mutila as crianças
  • viola as crianças
  • tortura as crianças
  • utiliza as crianças como escudos humanos contra os rebeldes.
Nada mais? Claro que há mais, mas vamos com calma.
Radhika Coomaraswamy, representante especial das crianças nas Nações Unidas:
Muito ex-soldados falam de ataques em zonas civis e de crianças mutiladas e mortas. Raramente vi tanta brutalidade como na Síria, onde os rapazes são presos, torturados, justiçados e utilizados como escudos humanos. Há testemunhas que viram as crianças torturadas e ouvimos de crianças postos nos tanques e utilizados como escudos humanos para evitar os tiros.

Morrer de MEF

Milhares e milhares e milhares de e-mail, aliás nenhum a perguntar: "Ó Max, mas como funciona esta coisa dos resgates, eh?". Bom, dado, que ninguém pergunta, vou com prazer explicar.

Na Zona NEuro, como vimos ao longo dos últimos anos, quando um País estiver em dificuldades há a intervenção de Bruxelas para dar o golpe da misericórdia, que aqui gostamos de definir como "regaste".

É um sistema com o qual as Mentes Pensantes pegam no dinheiro das carteiras dos contribuintes europeus para entrega-lo ao Estado moribundo. Desta forma, o Estado moribundo não resolve os próprios problemas mas pode continuar a moribundejar até o resgate sucessivo (ver caso da Grécia).

Faz sentido uma "ajuda" assim?

11 junho 2012

Grécia: Democracia em alta

Faltam poucos dias para as eleições na Grécia e os partidos apresentam as próprias ideias em programas dedicados.

Um dos factores de maior interesse da última consulta eleitoral tinha sido a entrada no parlamento do grupo de extrema direita Chrisi Afghí (Amanhecer Dourado), declaradamente nazi. O qual tem agora a possibilidade de confrontar as próprias ideias com os restantes partidos helénicos, num debate civil e democrático.

Finalmente: mais transparência!

A notícia económica da semana é sem dúvida o resgate da Espanha. Ou melhor: dos bancos espanhóis. Ou melhor ainda: dos bancos americanos e europeus.

A Espanha "faliu" tal como Grécia, Irlanda e Portugal? Não é bem assim, há algumas diferenças. Vamos ver quais.

Mais uma vez estamos perante aquela que os diários nestes dias chamam de "bolha imobiliária", o que em parte é verdade. Mas só em parte: as razões têm que ser procuradas em operações de risco elevado, com perdas bilionárias.
Como exemplo "mediático", podemos lembrar os empréstimos milionários que os bancos concederam às equipas de futebol (Real Madrid, Barcelona) para a aquisição de futebolistas. Aquisições que também foram utilizadas como garantias para operações financeiras.

10 junho 2012

Alcoolismo, Aborto, Drogas, Homossexualidade...

Assim, após um par de dias de comentários "abertos", vamos fechar os tópicos "escabrosos".

Claro que a ideia na base das perguntas era outra, e por isso evitei intervir nas discussões. Porque nem sempre o que parece é.

Os dados

O assunto com mais participação foi "homossexualidade". Se tivéssemos que julgar com base no número dos comentários, a conclusão seria que a homossexualidade (31 comentários) é mais importante problema da nossa sociedade. Curioso, não é?

Em segundo lugar a droga (26), depois o aborto (12) e por último o álcool (5 comentários).

Pessoalmente estava à espera deste último resultado, tal como muitos entre os Leitores, imagino.; mas não estava à espera de que os comentários acerca do álcool fossem tão poucos. Há pessoas que ficam doidas só ao ler a palavra "droga", para depois ignorar (ou quase) o problema do alcoolismo. Curioso, outra vez.

09 junho 2012

Os números de Obama

Até algumas semanas atrás, sobretudo quando considerado o fraco desempenho da economia europeia, era realçada a contida mas "prometedora" recuperação dos Estados Unidos e já falava-se dum provável crescimento de 3 % do Produto Interno Bruto, o PIB.

Nesta perspectiva os novos 180.000 lugares de trabalho eram considerados como um resultado excepcional.

No final do mês passado a musica mudou: o cresicmento diminuiu e os novos trabalhos afinal eram apenas...59.000.

Num discurso transmitido em todo o mundo, o simpático Obama culpou os problemas da Europa e a fixação da Alemanha, com a política de austeridade dela, qual "travão" da economia mundial. O que em parte pode bem ser verdade, pois as medidas pretendidas pela simpática Angela Merkel são um suicídio; mas o presidente dos Estados Unidos deveria ter a coragem para ir além disso e falar da desaceleração da economia global (China, Brasil...) e dos problemas americanos. Que não são poucos.

Homossexualidade

Aborto

Alcoolismo

Droga


08 junho 2012

Coisas do blog: a Chata

Informação Incorrecta dá um enorme passo em frente no mundo da alta tecnologia e apresenta um instrumento inovador que baptizei como "chata" ("chat" em inglês).

Decidi chama-la assim pois de facto pode tornar-se um pouco chata, mas por enquanto aqui está.
Fica presente na coluna de esquerda (versão pequenina), e numa página autónoma, cuja ligação fica na barra abaixo do título (versão ampliada).

A maravilha é que as duas chatas funcionam em contemporânea: escrevo aqui e aparece também noutro lado. Fantástico!!! Ok, custou um dinheirão, mas pode valer a pena...

Quem pode escrever? Todos, é suficiente registar o próprio username directamente na chata. Nada mais.

Aos engenheiros japoneses que construíram este protótipo pedi também para inserir um som cada vez que alguém enviar uma mensagem. Assim podemos ler um post ou até navegar num outro blog (o que é muito, mas mesmo muito mau) e reparar quando chegarem novas mensagens. Obviamente, neste caso o separador de Informação Incorrecta tem que ficar aberto em segundo plano.

Para evitar que as mensagens na chata possam esvaziar os comentários: inútil inserir mensagens compridas, simplesmente não vou responder porque não é aquele o lugar idóneo.

Existe também a possibilidade de "banar" os usurários e um anti-spam. Falta nada!

Se a coisa pegar bem. Caso contrário: paciência, vou despedir todos os engenheiros japoneses e destruir o protótipo.

Ipse dixit.

Síria: há mortos e mortos...

O primeiro ministro da Síria é mau?
Sim, é muito mau. E estúpido também. Já vimos que o binómio maldade-estupidez é uma constante.

É mau porque os Sírios querem profundas reformas institucionais: nomeadamente mais liberdade.

É estúpido porque nem chega a perceber que se os Sírios já forem enervados, matar crianças inocentes não pode que piorar a situação. Não uma, mas várias vezes: parece que Assad tenta promover o novo desporto nacional: "Mata a criança".

Uma dúvida: mas porque Assad deveria matar crianças?

Segundo os media ocidentais, depois do massacre do passado dia 25 de Maio (Hula, 100 mortos), eis a réplica: Hama, aldeias de Al Kubeir e Maarzaf, 20 mulheres e 20 crianças mortas.

Afirma Mohammed Sermini, porta-voz do Conselho Nacional Sírio, que as forças do governo teriam bombardeado as duas aldeias para depois acabar os habitantes com pistolas e facas.

07 junho 2012

Grécia & Austeridade: funciona! (sem luz)

Continua o desmantelamento da Grécia. O País entrou numa espiral que não aprece ter fim.
Agora o problema é a electricidade. As famílias não têm dinheiro para as contas? Sim, mas não é só isso: é o governo que não tem um tostão.

Em poucos dias, muitas famílias ficarão sem luz em casa porque o Departamento de Energia não pode tem gás e petróleo suficientes para manter em funcionamento as centrais geradoras: o problema são as contas que ainda devem ser pagas aos fornecedores.

O Presidente da Public Gas Corporation (DEPA), Harri Sachinis, enviou uma carta ao ministro das Finanças, George Zanias, e ao Ministro do Ambiente e da Energia, Grigoris Tsaltas, para que sejam pagas as contas que o Estado ainda não saldou, perto de 300 milhões de Euro, caso contrário no prazo dum mês será obrigada a suspender o fornecimento de energia eléctrica.

06 junho 2012

As medidas

Nota prévia

Antes que alguém comece a pensar em complexos de superioridade, antes que alguém me acuse de sofrer dum ataque de narcisismo, de ter informações escondidas, objectivos ocultos ou sabe lá o que, desejo que fique claro desde já que a seguinte é apenas a tentativa de discutir com os Leitores eventuais medidas que poderiam ou deveriam ser tomadas numa utópica sociedade supostamente melhor.

Nem são estas as medidas mais importantes ou as mais urgentes. São apenas algumas medidas.
É um pouco como construir uma manobra política dos Leitores.

Niu Iork Taims, 01.07.2012:

Ontem tomou posse o primeiro governo luso-brasileiro liderado pelo Partido da Informação Incorrecta. O Primeiro Ministro, rodeado pelas admiradoras, afirmou "parece coisa boa, mas quanto ganho com isso?" e logo apresentou as primeiras resoluções com a quais a Sampdoria passa a ganhar as próximas dez temporadas da Liga de Futebol portuguesa e brasileira (mesmo sem participar) e o cultivo de beterrabas, pepinos e aipo é interdito nos dois Países. "São coisas importantes" continuou Max "e agora vou comprar uma dezenas de BMW e Jaguar com o dinheiro dos contribuintes, sabem como é, é só para favorecer o crescimento da economia, tenho que dar o exemplo, não é? Com licença...".

A Dívida Privada

Espanha em sofrimento?
Assim acontece ouvir coisas destas na rádio:
O spread... é uma avaliação da dívida de governos e bancos, como podemos observar em Espanha.
Dívida. Ter uma dívida. O que significa isso?
Pego no dicionário (no sentido figurado, pois é o dicionário online da Porto Editora):
Dívida: aquilo que se deve.
Pois, bem me parecia.
Então temos que fazer uma pergunta: com quem estão em dívida os bancos?

Bah, em parte já conhecemos a resposta: os bancos tentam juntar dinheiro de várias formas, uma das quais é investir em operações financeiras.
Sim, tudo bem. Mas não é a razão principal: os bancos afinal concedem créditos.

Então vamos ver: os bancos estão em dívida com aqueles aos quais é preciso devolver o dinheiro, justo? Justo. Então significa que os bancos estão em dívida com aqueles que antes deram o dinheiro aos bancos, correcto? Correcto. E quem são estas pessoas que dão dinheiro aos bancos?
Resposta: os depositantes!

Coisas do blog

Breve nota quanto ao fórum.

A sondagem acabou e a maioria dos votantes que escolheu a primeira opção: Assim como está é perfeito, só falta participação (51%).

E dado que assim como está é perfeito, mudei logo a cor :)

Ninguém escolheu a opção O autor é que é uma besta, pois deveria participar mais (0%), o que deixou-me um bocado triste. Que deve fazer um blogueiro para ser insultado?

Felizmente, 4 pessoas têm a minha mesma dúvida: afinal, O que é um Fórum? (11%).
 
Nesta altura deveria agradecer todos os participantes. Na verdade agradeço todos com a excepção do 51% que escolheu a primeira opção, pois eu preferia abrir um fórum autónomo e não no fundo do blog. Mas a maioria ganha e afinal posso estar enganado.
Então agradecemos todos... 

Obrigado!

Ipse dixit.

05 junho 2012

Donos de Portugal: entrevista com Jorge Costa

Jorge Costa nasceu em 1975 e é licenciado em Comunicação Social.

Colaborou em diversas publicações jornalísticas e é co-autor dos seguintes livros:
Grandes Planos- Oposição estudantil à ditadura (1956-1974), com Paulo Pena e Gabriela Lourenço
A Guerra Infinita, com Francisco Louçã
Os Donos de Portugal (Cem anos de poder económico 1910-2010), com Luís Fazenda, Cecília Honório, Francisco Louçã e Fernando Rosas.

Integra a Mesa Nacional do Bloco de Esquerda desde a fundação do movimento e é deputado da Assembleia da República, enquanto na Comissão Política do Bloco de Esquerda tem a responsabilidade da comunicação e propaganda. 

Donos de Portugal: o filme

Recentemente foi apresentado no Fórum Romeu Correia de Almada o documentário Donos de Portugal, de Jorge Costa.

Sala pequena mas cheia, quando as luzes baixaram estava à espera dum vídeo realizado numa óptica essencialmente partidária, sendo alguns dos autores exponentes da Esquerda portuguesa.
Mas estava redondamente enganado.

Donos de Portugal é uma obra que a sociedade portuguesa deveria ter bem presente na altura de avaliar a actual situação do País; e cuja visão é obrigatória para quem pretenda encontrar as dinâmicas que estiveram na base da formação da actual elite política e económica de Portugal.

Com Donos de Portugal é possível entender o porque e o como de determinadas escolhas que condicionaram de forma decisiva o desenvolvimento nacional. É aqui que podemos vislumbrar as raízes de muitas das falhas ainda hoje presentes.

Baseado no livro Os Donos de Portugal – 100 anos de poder económico (1910-2010), da autoria de Jorge Costa, Luís Fazenda, Cecília Honório, Francisco Louçã e Fernando Rosas, da Edições Afrontamento, foi produzido no âmbito do Instituto de História Contemporânea para a RTP 2.

Estreado no passado dia 25 de Abril na RTP2, ultrapassou em poucas semanas 160 mil visualizações na net. É uma viagem na história das famílias que dominaram a economia do País durante 100 anos, as suas estratégias de conservação de poder e de acumulação de riqueza.

04 junho 2012

Palavras e Futuro

Com Palavras falámos das...palavras, óbvio.
Em particular dalgumas delas: "missões humanitárias", "operações de paz". Termos que escondem a guerra.

Porquê mesmo a guerra?

Porque o que as elites tentam fazer é transmitir com a falsificação da linguagem a ideia de que a guerra é afinal algo normal.

O facto é que as gerações passam e hoje, quase setenta anos após o último conflito mundial, a resistência dos cidadãos perante a guerra é menos forte.
Não que os cidadãos sejam indiferentes perante o problema: mas já são poucos os indivíduos dos Países ocidentais que viveram uma guerra, que viram com os próprios olhos o abismo. Ninguém com um mínimo de cérebro pode desejar uma guerra, mas uma coisa é ter vivido em primeira pessoa os horrores, outra coisa é lê-los nos livros de História.

Na verdade há muitas guerras em acto, só que acontecem em lugares longínquos e por motivações aparentemente diferentes. Há as guerras contra o "terrorismo" (Afeganistão), contra os Países supostamente detentores de armas de destruição maciça (Iraque antes, Irão hoje), para a defesa dos direitos humanos (Líbia e Síria), e intervenções humanitárias (Somália).

E não podemos esquecer as várias revoltas "espontâneas", como no caso do Egipto e dos Países da ex União Soviética.

A magia de Soros

George Soros é uma pessoa fantástica.

É o típico indivíduo que fala contigo para explicar que roubar é mau enquanto te devolve a carteira vazia. Soros é assim, é naturalmente simpático.

Quando Soros afirma que este sistema é podre, diz a verdade: ele foi uma das pessoas que mais ganhou com a podridão, sabe muito bem do que fala. Por isso é bem ouvi-lo com atenção: ninguém melhor dum ladrão conhece a arte do roubo.

Hospede do Festival da Economia em Trento, Italia, Soros explicou assim a actual situação:
A crise põe em causa os próprios fundamentos da teoria económica, com base na física newtoniana. Entre as ciências naturais e as ciências sociais, há uma diferença. Nas ciências naturais os factos têm valor objectivo. Os eventos sociais são o resultado de sujeitos pensantes, que têm uma vontade própria, não são meros observadores. A minha abordagem é baseada em Karl Popper, o meu mestre, que me ensinou como a interpretação da realidade quase nunca coincide com a própria realidade.

Falibilidade e reflexividade são as características deste tipo de conhecimento, de entendimento, que é falacioso. Estas produzem uma discrepância entre as expectativas dos actores sociais e o que efectivamente acontece. Tentei concentrar-se sobre o papel dos erros, de como estes influenciem o comportamento dos agentes económicos, como no caso das bolhas financeiras. Em suma, devemos abandonar a ideia de um modelos universais capazes de prever o futuro.

E bravo Soros, descobriu que a Economia não é uma ciência exacta. E não é, de facto. Mas eu teria distinguido entre Economia e Finança: ambas não são exactas, mas a Finanças, em particular nas últimas décadas, abandonou o contacto com a realidade para percorrer caminhos até então inexplorados.

03 junho 2012

Europeu 2012: a prioridade

Domingo...

Antigamente o Domingo era o dia do futebol. Em Italia, digo. Às 15:00 começavam os jogos e havia os relatos em directo na rádio. Tudo acontecia nos vários campos de jogo ao mesmo tempo e era simpático ouvir as interrupções das vozes excitadas em ocasião dos golos.

Depois também este aspecto mudou e também o futebol teve que dobrar-se perante as exigências do mercado. Os dias de jogo ficaram assim "espalmados" ao longo de dois, três, até quatro dias.

Porquê? Basicamente por causa dos direitos televisivos: há emissoras que vivem em boa medida graças aos proventos dos jogos transmitidos em directo, por isso mais jogos significa mais receitas. Claro, assim a competição fica falseada, pois há equipas que entram em campo sabendo já qual o resultado realmente útil que devem conseguir.

Mas que importa?
Desta forma a atenção do adepto é mantida viva ao longo de mais dias, com uma teórica maior venda de jornais também e de todos aquele adereços que transformaram (há muito tempo) um jogo numa indústria.

02 junho 2012

Agora é oficial: este blog já não presta

Há críticas e críticas.

Algumas são apenas insultos sem sentido, outras são aquelas que podemos definir como "críticas construtivas". Que não são censuradas ou ignoradas mas reportadas na integra.

É o caso de Fada.
Max,
É de mim ou começas a ser tão repetitivo, que parece que estás de certa forma a tentar fazer com que ninguém acredite em nada?
Sou repetitivo? Sim, claro que sou. Reparaste só agora? Mas o objectivo não é fazer com que "ninguém acredite em nada". Depende do que tu achas serem as coisas importantes nas quais acreditar.

Se para ti são importantes coisas como o Grupo Bilderberg, então óbvio que ficas aborrecida com as minhas ideias. E ficas ainda mais aborrecida pelo facto de eu repetir que o grupo é uma treta. Não vou mudar isso.

O Bilderberg não existe? Sim, claro que existe. Mas qual a importância dele? É o deus ex-machina, a causa primária de todas as nossas desgraças? Ou haverá algo mais?

Na minha óptica há algo mais. Defini os participantes como "mordomos" e confirmo isso: não é dele que partem as ordens. E tu já deverias ter percebido isso. O Bilderberg é o pano destinado a ocultar os realizadores: é o fenómeno pop que, junto com o simbolismo de Lady Gaga (só para fazer um exemplo banal), tenta apontar para um alvo que não é o verdadeiro alvo.

Queres acreditar no Bilderberg? Ou na Maçonaria? Como bem sabes aqui há Leitores que acreditam em muitas coisas, a maior parte das quais eu não partilho. Para mim não é um problema, limito-me a apresentar as minhas dúvidas e o meu ponto de vista. Se para ti for um problema, lamento. Mas é um problema teu, não meu.

Por minha parte, eu só posso lamentar a facto de tu desperdiçares o teu tempo na caça aos fantasmas.

01 junho 2012

Bilderberg 2012: a lista

Ontem começou a reunião do Grupo Bilderberg, em Chantilly, Virgínia, Estados Unidos.

A reunião tem lugar na taberna que é possível observar na imagem à direita: 25 Euro por noite, pequeno almoço não incluído.
É por isso que a maioria dos participantes chegou com latas e thermos.

Os mais ricos (é o caso da delegação portuguesa) trazem frigoríficos portáteis.
Pena, pois na taberna falta também a electricidade.

O meu ponto vista é que esta é a reunião dos mordomos: bem mais interessante seria a reunião dos donos, mas enfim...

Para satisfazer a pública curiosidade, eis a lista dos participantes neste evento cada vez mais folclórico. 

O novo super-herói

Quem irá ganhar as próximas eleições nos Estados Unidos?
Quem será o novo Rei do Mundo?

Eu acho que a resposta será: Obama. O simpático Obama, mais uma vez.
Afinal uma previsão simples: os Republicanos esforçaram-se ao máximo para apresentar os candidatos mais improváveis e o único "decente" (neste caso, aquele que disse até hoje o menor número de bestialidades) não parece ter condições para ser o próximo Rei.

Mesmo assim pode não ser suficiente, então eis que a Administração decidiu ir além e organizar uma campanha eleitoral em digna de Hollywood.

Na verdade são sempre "dignas de Hollywood", mas neste caso vai além, porque um empurrão chegará mesmo da capital do cinema.

A receita é simples: pega-se numa realizadora que tem no recente passado uma película vencedora do Prémio Oscar , neste caso Kathryn Bigelow com o seu (lindíssimo, opinião pessoal) The Hurt Locker: junta-se um recente episódio de fantasy mediático como a morte do já morto Bin Laden e disponibilizam-se instrumentos como o suporte directo da mesma Administração. O resultado será um filme que glorificará as decisões, a audácia, a coragem, a astucia e até o cão Bo do actual Rei Obama.

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