31 julho 2012

Cobaias

O cantinho da Ciência nº 2.
Desta vez vamos até a Índia. E também esta é Ciência.

Pessoas analfabetas recrutadas para participar em ensaios clínicos sem um verdadeiro consentimento e sem conhecer os riscos. Vítimas quase nunca recompensadas. Médicos que "aconselham" os seus pacientes para tomar medicamentos sem dizer que estão a participar num ensaio clínico.

Estes são alguns dos abusos cometidos sob o comando dos gigantes da indústria farmacêutica na Índia, desde 2005, um verdadeiro paraíso para as empresas do sector após o "relaxamento" da legislação local acerca do assunto.

A desvendar esse fenómeno é uma investigação do jornal britânico The Independent, que desde o ano passado segue o caso e conta como funciona esta nova forma de "experimentação clínica" no País asiático.

Para entender a razão do fenómeno, devemos partir duma consideração: a procura para o desenvolvimento de um novo medicamento precisa de 10-15 anos e pode custar até 500 biliões de Dólares quando as leis forem respeitadas. Com as experiências na Índia, as empresas farmacêuticas conseguem cortar até 60 por cento do custo da pesquisa e realizar assim grandes lucros.

O Bosão de Higgs, tanto para dizer

Eis o cantinho da Ciência.
Uma pergunta: o que é o Bosão de Higgs? Olhem o acaso, era mesmo disso que queria falar.
Porque é um bosão? E quem é este Higgs?
Mas sobretudo: interessa?

A resposta é: sim, interessa.
Mas as outras perguntas ficam, e nomeadamente uma: o que raio é este bosão?

O que é o bosão?

O Bosão (talvez)
Nas semanas passadas os media de todo o mundo glorificaram a empresa dos cientistas que descobriram a assim chamada "Partícula de Deus", o tal Bosão de Higgs. Deus afinal tinha uma partícula? Pelos vistos. E que faz Deus com esta partícula? Uhhh, muitas coisas, nem imaginam...

Como sempre: ordem e disciplina.
Comecemos com o bosão.

Diz Wikipedia que tudo sabe e tudo censura:
O bosón (português brasileiro) ou bosão (português europeu) é uma partícula que possui spin inteiro e obedece à estatística de Bose-Einstein.

E aqui já tudo fica mais claro: tivesse spin partido seria um problema, mas como o spin é inteiro podemos ficar descansados. Até que enfim, algo que funciona neste País.

30 julho 2012

DPTS

Às vezes encontro um artigo triste e começo a rir.
"Coitadinho", pensarão os Leitores, "mas já dava sinais de cansaço...".

Nada disso. É que são presentadas como "novidades" coisas antigas como o mundo. Vou fazer um exemplo, baseado numa notícia que chega dos Estados Unidos.

DPTS

400 mil veteranos de guerra americanos sofrem de problemas psicológicos. O nome científico usado em psiquiatria é stress pós-traumático (DPTS), que é o conjunto de fortes sofrimentos psíquicos como resultado dum evento traumático ou violento, definido ainda como "neurose de guerra" sendo frequentemente encontrado em militares envolvidos em situações particularmente dramática e/ou violentas.

Os principais sintomas observados nos pacientes são a insónia, a ansiedade, a tensão e a agressão, muitas vezes os pesadelos, mas também frequentes os flashbacks de eventos traumáticos vividos em primeira pessoa e o numbing, um estado de confusão mental e tonturas.

29 julho 2012

O estranho caso da Keshe Foundation

Alguns Leitores desejam perceber o que se passa com a Keshe Foundation, no centro de estranhos acontecimentos.

A Fundação afirma ter encontrado uma nova forma de energia e estar ao centro duma manobra internacional que mira a desacreditar os seus membros e relativas descobertas.

Na verdade tudo isso não representa uma novidade: internet está cheia de pessoas que afirmam ter a chave para resolver os problemas da Humanidade e normalmente trata-se de burlões ou alucinados mentais. Mas o caso da Keshe Foundation é um bocado diferente. Vamos ver qual a razão.

A Fundação foi criada por Mehran Tavakoli Keshe, um engenheiro nuclear nascido no Irão (começamos mal...) e formado no Reino Unido na década dos anos '80. Mais tarde dedicou-se ao desenvolvimento de novas teorias no âmbito da gravidade e da "radiação limpa", até projectar um novo tipo de reactor ao plasma que, segundo as informações do inventor, trabalha à temperatura e pressão atmosférica normal. Evidentemente estamos (teoricamente) perante uma forma de energia nova e revolucionária.

Até aqui a curta história. Que, como afirmado, não é muito diferente de outras já lidas. Todavia é mesmo neste ponto que algo esquisito acontece.

28 julho 2012

A Fé de André

Ahhhh...finalmente é Sábado.
O que é mentira, pois escrevi isso ontem à noite. Tá bom, não faz mal.

Aproveito para responder a um comentário que apareceu no blog há alguns dias e que acho importante, pois esclarece mais uma vez, a posição do blog. Que depois é a minha. E a mesma de Leonardo, o fiel cão que esta semana rosnou perante um homem que estava a oferecer-lhe uma bolacha para cães. Não é por nada, mas Leo come bolachas para homens: provavelmente ficou ofendido.

O comentário é este, de André Ribeiro que agradeço e que ao que parece tem problemas com a tecla Caps Lock (nota: os Leitores mais antigos podem nem ler, não há nenhuma novidade por aqui):
CONCORDO COM QUASE TUDO O QUE DISSES...

MAS AINDA NAO ENTENDO PQ VC AINDA MANTÉM OS LINKS DOS "CONSPIRACIONISTAS" NO LADO ESQUERDO DO SEU SITE...

POR ISSO AINDA NAO TE DEU MUITO CREDITO... PARECE QUE VOCÊ APENAS QUER PROVOCA-LOS.
SE VOCÊ MANTÉM OS LINKS, DÁ A ENTENDER QUE MESMO ASSIM VOCÊ OS APOIA.
ACHO ISSO MUITO ESTRANHO MAX...
AINDA NAO ENTENDI ONDE QUERES CHEGAR.
Caro André, na lista do blogroll aparecem blogues que são rotulados como "conspiracionistas" e que eu mesmo critiquei já mais do que uma vez (critiquei as ideias, acho eu, não as pessoas). Então, porquê continuam a aparecer?
Por uma coisa chamada "agradecimento" ou "gratidão".

Da Italia, Do Euro, Da Esquerda, De Ricardo...

É Sábado e vamos com isso quebrar a tradição iniciada em 1355 por São Bonaventura  que prevê a não publicação de post neste dia dedicado ao Senhor dos Anéis.

A causa é Maria, sempre ela: volta Maria e voltam as perguntas complicadas :)))
Nomeadamente esta:
gostaria de saber qual a percepção que os italianos comuns têm da sua própria situação, porque em geral é difícil compreender o que está muito perto de nós. Uma amiga recém chegada da Itália, mesmo fazendo turismo convencional, relata-me queixas sendo ouvidas em hotéis, restaurantes e na rua. Eu estranho porque sei que uma coisa que é certa que ninguém vê, nesses roteiros padronizados, é a realidade local. O nosso comentarista Ricardo, recém mudado para o Piemonte, declara-se em idílio com o novo lar, mas não comenta sobre manifestações de apreço ou rejeição a cerca da situação econômico social local. A grande imprensa, TVs etc, já se sabe que reporta a naturalização de todos acontecimentos, por absurdos que sejam.Os alternativos já se sabe que atingem os pré dispostos a serem atingidos...Mas, em Itália parece que há movimentos importantes como 5 Estrelas, uma literatura "dissidente" expressiva e buscada pela população...Como isso se reflete na opinião pública? Há diferença significativa frente ao comportamento apático dos portugueses, por exemplo? Uma alteração significativa de comportamento social seria suficiente para alterar alguma coisa, no desenrolar dos acontecimentos que se anunciam? Em alguns locais apenas? Há sinais disso? Quais?

Cara Maria, este comentário daria para escrever 5 ou 6 post...ou se calhar até mais. Tentamos resumir para falar de Italia, sim, mas também de Portugal, do Brasil...

27 julho 2012

Parafraseando: a situação não é simpática

E concluímos a semana com um artigo do jornalista Paolo Barnard que fala da Zona NEuro.
Artigo interessante, o que não surpreende dado o autor.

Leitura aconselhada a todos os residente da Zona NEuro, para perceber o que se passa e em quais mãos estamos. O artigo fala no especifico da Italia, mas as considerações são de carácter geral.

Leitura aconselhada a todos os outros, para poder dar algumas boas gargalhadas.

Intérpretes:
  • Zona NEuro: um conjunto heterogéneo de Estados sem a capacidade de emitir moeda própria, unidos num sistema bem pouco democrático.
  • Mario Draghi: ex director do Banco Mundial, ex vice-presidente do Management Committee Worldwide da Goldman Sachs, agora presidente do Banco Central Europeu.
  • Banco Central Europeu (BCE): entidade privada, formada pelos bancos centrais dos Países da Zona NEuro (bancos controlados por privados), o único emissor oficial da moeda Euro.
  • SMP Bonds Purchase: instrumento político-económico que permite que o BCE possa comprar Títulos de Estado de Países em dificuldade nos mercados internacionais, aprovado no dia 10 de Maio de 2010.
  • MES (Mecanismo Europeu de Estabilidade, em inglês ESM, European Stability Mechanism):  substitui o Fundo Europeu de Estabilidade Financeira (FESF) e o European Financial Stabilisation Mechanism (EFSM). Tem nos cofres dinheiro suficiente para salvar uma charcutaria e pouco mais.
  • Mario Monti: ex vice-presidente da Comissão Trilateral, membro do Grupo Bilderberg, membro do Research Advisory Council da Goldman Sachs Global Market Institute, ex. advisor da Coca Cola Company, membro do Senior European Advisory Council de Moody´s, presidente do  Business and Economics Advisors Group do Atlantic Council, no tempo livre também primeiro ministro italiano. 
  • Ewald Nowotny: ex vice-presidente do European Investment Bank (Luxemburgo), membro do concelho da administração do banco privado BAWAG P.S.K.(grupo Cerberus Capital Management, New York), como passatempo é presidente do Banco Central Austríaco.

Um litro de luz

Dado que a Páscoa é ao virar da esquina, aqui fica um presente para todos os leitores: querem luz? Comprem uma garrafa de água. E não é brincadeira.

Esta é uma solução praticamente com custo zero que está a mudar as vidas de muitos Filipinos, os quais, vivendo na pobreza (melhor ainda: miséria), não podem pagar o acesso à rede eléctrica e ainda menos as contas para a iluminação das próprias casas ou pequenas lojas.

Agora há luz graças Project 1 Liter of Light (Projecto 1 Litro de Água) que literalmente transforma as garrafas de água em lâmpadas solares que não requerem o uso de eletricidade.

As garrafas são aplicadas ao tecto e são capazes de reflectir a luz solar, graças à presença da água e duma superfície reflectora, de uma forma tão potente e eficaz que projectam um brilho aparentemente muito semelhante ao de uma lâmpada comum. Um sistema que evita as perigosas lâmpadas de querosene utilizadas até agora.

26 julho 2012

Fukushima: as conclusões

Uma boa notícia para todos os Leitores que gostam de mar e sol e que moram a poucos milhares de quilómetros do Japão:desde o passado dia 16 de Julho a praia de Nakoso foi reaberta, vale a pena aproveitar.

Situada a 65 km da central de Fukushima, segundo os especialistas apresentas níveis de radioactividade abaixo dos limites: no máximo o bronzeado pode ficar verde fluorescente e não acastanhado, mas este são pormenores que podem ser esquecidos facilmente enquanto nadarmos com toda a força para fugir duma nova alga-vampiro.

A coisa curiosa é que as outras 16 praias da zona permanecem interditas. Permanecem e permanecerão, tal como afirmado pelas autoridades. Nakoso não.
Evidentemente goza dum micro-clima particular, com ventos alísios que limpam suavemente a areia da radiação e correntes oceânicas que tornam cristalinas as águas contaminadas.
Ou isso ou é um teste.

25 julho 2012

Ode quase séria do Neolatino

Os Países neolatinos são aqueles onde se falam as línguas neolatinas: Português, Galego-Português, Espanhol, Catalão, Italiano, Romeno e poucas outras.

Característica dos Países neolatinos é aquela de ser habitados por pessoas neolatinas.
Em Portugal vive o Português, que é neolatino. Se em Portugal vivesse um Alemão, o País já não seria neolatino. No máximo seria neoalemão. O que não é bonito.

Por muitos anos o neolatino tem sofrido preconceitos sobre a etnia dele: gozavam com o neolatino, era tratado como ladrão de galinhas, os outros sempre pensavam que o neolatino teria tentado enganá-los.

Em seguida, no entanto, a fraude veio dos activos tóxicos norte-americanos, os subprimes: agora vemos que somos todos iguais, o neolatino tinha alguns complexos, queria ser como os outros, e em vez disso é o mundo que se tornou como o neolatino.

O neolatino pensava estar atrasado, simplesmente estava muito à frente. Dito sem orgulho, Deus me livre: são factos.

Alexander Retrov, o conceituado

Escreve Salomão Bebum, um dos poucos críticos que tem a coragem de não assinar como "Anónimo" (honra ao mérito):
Você se acha o sabichão em..

Gostaria que desse uma olhada em uma palestra de um ceonceituado físico sobre Nibiru (hercobolus), é um planeta 3 vezes maior que a Terra. E nao um meteoro como Elenin.

veja o video com provas reais, e matematica pura e tire suas conclusões depois de ve-lo.

Vai passar a gente sabe, poucos sabem. Ele nao vai coklidir com a Terra, mas com o alinahmento entre o Sol e Ele, a Terra sofrerá muitas consequencias. Isso é matematica e física.

Video: http://www.youtube.com/watch?v=4hKnUKUGYkg&feature=related
Pois é: falamos mais uma vez de Nibiru, agora com o "conceituado" Prof. Alexander Retrov.

Como realçado por um outro Leitor:
Esse tal do vídeo errou muita coisa, como se pode ver por aqui:
http://www.2012hoax.org/alexander-retrov
O que não admira. Porque Alexander Retrov, o "conceituado físico", de conceituado tem muito pouco:
"Alexander Retrov" é o pseudónimo de Alexander Trevor aka Trevor Hill, um ex professor de canto do Wesley College, em Melbourne, Austrália. 

24 julho 2012

Derivados? Mas "quantos"?

Eis um post comprido. No sentido que tem muitas imagens.
A pergunta é: quanto é o total dos derivados no mundo?
É muito, muito dinheiro.

Mas o que significa "muito"?
Eis uma breve apresentação que tenta visualizar o "quanto".
E reparem: trata só dos Estados Unidos...

(Um agradecimento particular para Sergio U.!!!)

23 julho 2012

Guia TV

Uma das novelas mais bem sucedidas dos últimos anos, Tragédia Grega, parece ter chegado ao fim.
O diário alemão Der Espektakulen anuncia que a empresa produtora de Tele Europa, a FMI, tenciona acabar o projecto e cessar assim os financiamentos, o que poderá significar o fim das gravações já a partir do próximo Setembro.
Segundo boatos recolhidos pela imprensa, a directora do FMI, a ex actriz francesa Christine Lagarde, tem outros planos:
Epá, é assim: Tragédia Grega foi um sucesso, sem dúvida, mas agora a malta precisa algo mais cool. Os jovens querem acção, movimento, e Tragédia Grega começa a ser pouco trendy. Chega o dinheiro, acaba o dinheiro, chega outro dinheiro, acaba outra vez...o público arrisca o aborrecimento, precisa dum lufada de ar fresco...
Por isso a decisão: uma revisão do guião e novos desenvolvimentos no curto prazo. E não faltam as surpresas:

20 julho 2012

Os avisos

Como é Sexta-feira, dado que estou mau-humorado, considerado que o Natal se aproxima (devagarinho...), hoje nada de artigos económicos-banqueiros-trabalhistas-monetários mas algo de mais soft, mais light: como por exemplo os milhares de pessoas que irão morrer durante os próximos Jogos Olímpicos de Londres, afinal um assunto nem tanto empenhado.

Resumo: em Londres, entre os dias 27 de Julho e 12 de Agosto de 2012 d.C. terão lugar os XXX Jogos Olimpicos. "XXX" não é um filme com Vin Diesel e nem indica alguma coisa de pornográfico ou ainda "beijos" com um SMS: significa "trigésimos", só isso.

E a proposito de símbolos: muito foi dito acerca do emblema destes jogos.
A maior parte dos analistas conseguiram ver nisso a palavra "ZION", uma clara referênça ao sionismo. De facto, lendo na vertical e rodando o 2 final, podemos obter mesmo isso: Zion. Lendo duma outra forma, e rodeando um pouco, é também possível ler o nome do meu avô: Enzo. Mas, facto curioso, nenhum blog reparou ainda nisso.

Rodando e rodando podemos também obter Oinz, Nioz, Noiz ou Zoin. Todas palavras interessantes que os conspiracionistas não conseguiram interpretar por enquanto. Mas a esperança é a última a morrer.

E já agora, alguém poderia notar como seja praticamente impossível estilizar o número 2012 sem obter algo parecido com Zion (lendo duma determinada forma e rodando as letras). Mas assim acabaria o divertimento, por isso ignoremos e vamos em frente com estes Jogos Olímpicos no signo do sionismo.

A Rockefeller Fundation é uma fundação filantropica: juntem o apelido Rockefeller com o adjectivo "filantropico" e podem ficar muitos preocupados. Em frente.

19 julho 2012

O pico da água e o mercado

Comecemos com as boas notícias: as maçãs já não ficam acastanhadas.
O nome é Artic Apple e mesmo que cortada não muda de cor: fica sempre fresquinha e agradável. Maravilhas da engenharia genética: podemos pegar numa maçã que tinha sido cortada pela avó antes desta ser enterrada e que, mesmo podre, mantém o aspecto apetitoso. A maçã entendo, não a avó.
São coisas bonitas.

Depois houve um atentado na Bulgária: explodiu um autocarro cheio de israelitas, seis dos quais morreram. Ainda a fumaça pairava no ar e já o primeiro ministro de israel culpava o Irão. Nem uma investigação, nem um pedaço de prova, nada: israel não precisa, já sabe. Até poucos meses atrás teria sido normal acusar Al-Qaeda (alguém lembra? Bin Laden, o Afeganistão?), agora não: agora só pode ser o Irão, israel não se deixa enganar. Esta chama-se eficiência.

E outro atentado aconteceu na Síria: morreram algumas personalidades de topo do governo de Assad. E aqui é preciso reconhecer as capacidades proféticas da simpática Hillary Clinton que no princípio deste mês tinha previsto "ataques devastadores" na Síria. As coisas que esta mulher consegue prever, mas como faz? Mistério...

18 julho 2012

Trabalho e curiosidades

Todas as pessoas que gostavam de fazer previsões no tempo passado concordavam: no século XXI haveria muito menos trabalho. "Culpa" da tecnologia, que teria substituído o homem em muitas das funções dele. Pelo menos em teoria, porque a prática ficou um pouco diferente.

Hoje considera-se normal um dia de trabalho composto por 8 horas nos Países mais "evoluídos". A ideia do eight-hour day (dia de oito horas) surgiu no Reino Unido em 1817. Isso significa que o máximo da evolução possível foi alcançado no princípio do século XIX, quando a tecnologia não era de certeza comparável com aquela de hoje. Curioso, não é?

O País mais evoluído neste sentido é a França, que tem uma semana de trabalho composta por 35 horas: são 7 horas de trabalho por dia, e mesmo assim as críticas não faltam ao ponto que o governo francês tem progressivamente aumentado o período de trabalho-extra até 220 horas por ano.

A maior das críticas é a seguinte: uma semana de trabalho mais curta não conseguiu aumentar o número de empregados. Eis outro aspecto curioso: o trabalho é reduzido não porque as máquinas podem substituir o homem em muitas funções, mas simplesmente como medida para assumir mais trabalhadores.

17 julho 2012

O tempo e o trabalho

É crise.
Tá bom, esta não é uma novidade.
Mas qual a solução? Trabalhar mais? Trabalhar todos? Trabalhar todos mais?

Será que um trabalhador empenhado 14 horas por dia representa um beneficio para o País? Ou não?

No final do ano passado, o primeiro ministro de Portugal, Passas e Coelhos, avançou com a seguinte proposta: todos os trabalhadores do sector privado têm que trabalhar meia hora mais.

Breve parênteses: porquê será que os contractos assinados entre Estado e empresas privadas (as famigeradas parcerias público-privadas que tantos prejuízos causam aos contribuintes) não podem ser alterados enquanto alterar os contratos de milhões de trabalhadores é legítimo? É uma coisa esquisita, não é? Não há uma explicação lógica, provavelmente tem a ver com a religião, deve haver um décimo primeiro mandamento que fala disso e que ainda não foi divulgado.

Voltemos ao assunto principal.
A razão desta proposta foi a seguinte: é preciso melhorar a produtividade. Justo, vamos melhorar a produtividade. Mas como?

O Brasil e a dívida privada

Agora é certo: as famílias e as empresas brasileiras estão muito endividadas e isso é percebido pela taxa de independência que aumenta e atinge o pico dos últimos 12 anos: 6%.

Que se passa?

Passa-se o seguinte: o governo "empurra" os cidadãos na direcção dos consumos e resistir é complicado. Reduções dos impostos sobre os produtos industrializados e fortes descontos por parte dos produtores (por exemplo, a queda nos preços dos carros, na ordem de vários milhares de reais no caso de determinados modelos) são molas que alimentam os consumos.

E isso sem esquecer que os financiamento com taxas de juro perto do zero e o crédito facilitado. às vezes concedido após apresentação duma simples auto-declaração.

Sobretudo este último ponto faz lembrar algo que no Velho Continente vimos no recente passado. E que não trouxe nada de bom. Porque o dinheiro emprestado hoje deverá ser devolvido amanhã.

16 julho 2012

A gordura do Estado

Porquê a austeridade não funciona?
Boa pergunta.

Pegamos num País qualquer...olha: Portugal.

Após mais de um ano de austeridade, o Primeiro Ministro Passas e Coelhos anuncia que os objectivos não serão alcançados: o deficit fica além do pretendido. Tristeza, surpresa.

A mágica receita segundo a qual para emagrecer é preciso cortar um braço parece não funcionar.
Curioso, sem dúvida.

Curioso porque de facto cortar um braço é emagrecer: é uma forma um pouco drástica, verdade, mas sempre emagrecimento é. E mesmo assim Portugal não emagreceu. Porquê será?

A explicação é surpreendentemente simples: se o desejo for emagrecer, a solução passa por fornecer ao organismo menos calorias. E, já que estamos na altura de exames médicos, controlar que não haja uma outra doença qualquer.

15 julho 2012

Os Estados Unidos e a África

O quê? Outro artigo acerca da África? É para chorar acerca dos pobres da Nigéria, dos desgraçados do Darfur ou quê? E fala-se de Estados Unidos também? Olha só que originalidade...

Calma Leitor, calma: a realidade é um pouco mais complexa.
O facto é que na África, tal como no Médio Oriente, há uma guerra em curso. Muitas vezes é uma guerra silenciosa mas nem por isso menos importante. Enquanto os media vendem a Síria nas primeiras páginas, pouco ou até mesmo nada é dito acerca da operações que são desenvolvidas no vizinho continente.

Curioso: há mais mortos na África do que na Síria; há mais forças em campo; há as duas maiores potências mundiais (EUA e China) directamente empenhadas; há biliões de Dólares gastos; há recursos naturais em jogo; mas é só o silêncio, pois todas as atenções são canalizadas para a Síria. Isso significa algo.

12 julho 2012

Libor?

Libor. Já ouviram?
Não faz mal. A explicação é simples.

Nos últimos tempos foram criadas algumas regras para que o mundo da finança seja mais transparente, mais limpo, mais correcto. Dodd Frank, Regra Volker, são este os termos.

Fique descansado o Leitor, não é nada de sério, nenhuma pessoa normal poderia acreditar em coisas assim. E, de facto, o mundo da finança continua alegremente sem prestar muita atenção.

E aqui entra em cena a Libor.
Para perceber de que se trata, temos que fazer uma pergunta: quais são os serviços básicos oferecidos por um bancos? Obviamente o básico é pedir dinheiro emprestado e voltar a emprestá-lo. O Leitor coloca os seus milhões no banco em que confia (o Leitor confia num banco?!?), o banco sorri, aceita o dinheiro e promete pagar juros. Não muitos, mas alguns.

11 julho 2012

Ser ou não ser Peak Oil...

Mas afinal há petróleo ou não?

Ugo Bardi é o presidente da ASPO Italia, filial da ASPO (Association for the Study of Peak Oil and Gas), associação formada por cientistas e pesquisadores universitários que analisam o Oil Peak, o suposto "pico do petróleo". Na prática, a função deles é avisar: "Olha que acaba, olha que já há pouco...".

Bardi cita um artigo de George Monbiot, o qual escreveu nos últimos tempos:
Estávamos errados acerca do pico petrolífero. Há o suficiente para fritar todos.
Então? O petróleo está para acabar ou não?
Bardi explica:
Monbiot está errado acerca do pico do petróleo, mas está certo na conclusão final: há suficiente combustíveis fosseis para fritar todos.
No blog já falámos várias vezes do problema do Peak Oil e a conclusão pode ser a seguinte: ninguém sabe ao certo o que se passa. Há cientistas segundo os quais o pico petrolífero já foi ultrapassado, outros dizem que não, fica pertinho mas ainda falta um pouco.

10 julho 2012

Roubini: enforcados?

"Uma tempestade perfeita", com "montes de banqueiros enforcados nas ruas".
Se fosse a previsão dum blogueiro qualquer poderia ser tranquilamente ignorada. Mas se em baixo encontrarmos a assinatura de Nouriel Roubini, então a coisa muda.

O Dr. Doom ("Doutor Destino", como também é conhecido), economista e docente universitário, especializado em análise financeira, é a mesma pessoa que em 2006 alertava o Fundo Monetário Internacional acerca duma iminente crise de proporções globais. E foi também ele que, em 2007, perante os primeiros sinais do fenómeno subprime, disse: é agora.

Na altura simplesmente não foi considerado, hoje é ouvido com extrema atenção. Fácil perceber a razão.

A análise de Roubini é impiedosa, sem saída no horizonte. E focaliza o problema dos problemas:
Nada mudou desde a crise financeira. Os incentivos para os bancos permitir-lhes actuar de forma fraudulenta, ilegal e imoral para fazer: a única maneira para travar isso é quebrar este grande supermercado financeiro.

09 julho 2012

O Brasil não cresce

Limes, provavelmente a melhor revista italiana de geo-política, dedica um artigo ao caso do Brasil, que de seguida aparece acrescentado com alguns dados oficiais e pareceres de diversas origens.
Sobretudo os dados preocupam: o Brasil não cresce.

Nos últimos dez anos, o Brasil tem experimentado um período de prosperidade sem precedentes.

A melhor prova? 30 milhões de Brasileiros passaram da pobreza para a classe média. A economia viveu um crescimento constante, passando pela crise de 2008 sem muitos problemas, e hoje o Brasil, juntamente com a Índia, é talvez o único exemplo de democracia estável que faz parte do BRICS, os Países caracterizados por um forte crescimento do Produto Interno Bruto.

Só que alguma coisa está a mudar.
O ministro das Finanças, Guido Mantega, procura realçar o único elemento positivo no conjunto de dados tornados públicos pelo Instituto Nacional de Estatística: a recuperação do sector industrial, que registou um crescimento de 1,7 % em relação aos três meses anteriores. "Boas notícias" diz o Ministro.

Páginas

Novidade no blog: para facilitar ainda mais a consultação, decidi reunir alguns temas em páginas externas.
Na verdade não são simples páginas, são verdadeiros blogues externos (sempre Blogger) com uma visualização de tipo dinâmico e sem a possibilidade de comentar (já nem consigo responder a todos aqui, imaginem com 4 ou 5 blogues...).

Estas "páginas" podem ser encontradas na coluna de direita sob a voz "Em Destaque" e actualmente incluem:
  • ABC da Economia
  • Energia (petróleo, gás, renováveis...)
  • História
  • Os Donos (que trata disso mesmo: os donos das nossas vidas).

Este último ainda incompleto.
No futuro uma página dedicada as coisas estranhas (Haarp! Ufo!), saúde (afinal tratei pouco do assunto) e algo acerca da informática (basicamente realce de programas bons e úteis).

Nada mais? Não, acho que chega.

Esperando de ter feito coisa agradável, aproveito para apresentar os meus melhores cumprimentos.


Ipse dixit.

06 julho 2012

O trabalho e a competitividade

Na Europa (como já no passado aconteceu nos Estados Unidos e no futuro acontecerá em outras partes do mundo) circula um dogma: o mundo do trabalho é demasiado regulamentado.

E basta com estes contratos que são verdadeiras armadilhas: os empregadores têm que ser livres, livres de assumir e despedir a segunda das necessidades da empresa. É por isso, é explicado, que falta a competitividade, é por isso, continuam a explicar, que os Países estrangeiros não investem: têm medo das regras demasiado rijas e dos excessivos direitos dos trabalhadores.

Faz sentido. Eu digo que faz todo o sentido.
Pegamos no exemplo dum País que de certeza não brilha em tema de direitos dos trabalhadores: a China. Na China os trabalhadores têm um único direito: trabalhar. O resto é deixado à boa vontade do empregador (isso é, não existe). Resultado? Ninguém consegue competir com a China, os produtos de Pequim invadem o globo.

Mais uma prova neste sentido: um mundo do trabalho demasiado estático e sufocado por regras excessivas corta a competitividade das empresas.

Acaba aqui o post?
Não.

Portugal: o Tribunal Constitucional e os subsídios

Então, vamos falar do assunto? E vamos...

O tema do dia em Portugal é a decisão do Tribunal Constitucional. Este sentenciou que o corte dos subsídios aplicado aos trabalhadores da função pública é inconstitucional.

Parece um pormenor, mas não é: o que está em jogo é toda a manobra que o governo pretende aplicar para que o País possa sair do estado de falência no qual precipitou. Isso cria um buraco nas contas que ultrapassa os mil milhões de Euros.

Vamos com ordem.
O que diz o Tribunal? Diz isso: cortar os subsídios de ferias dos trabalhadores só do sector público não respeita o conceito de igualdade. Por isso, os cortes do ano 2013 são inconstitucionais.

Primeira pergunta: e os cortes em curso, os de 2012? Como podem ser anti-constitucionais os cortes em 2013 e constitucionais em 2012? São os mesmos cortes, aplicados com idênticos princípios.

05 julho 2012

A conversão do FMI

Certas notícias preocupam, apesar de ser verdadeiras.
E se defendem os nossos mesmos pontos de vista, preocupam ainda mais.

Por exemplo.
Saiu um relatório que admite algo muito simples: demasiada finança prejudica a economia. Não é uma novidade, este blog defende o mesmo desde que apareceu. Então, qual é o problema?
O problema é que o relatório é do Fundo Monetário Internacional. Não é normal. É como se a Volkswagen afirmasse que andar de carro é perigoso.

Mas está tudo aí, no relatório Too Much Finance? ("Demasiada Finança?").

O FMI está arrependido? Após ter defendido o modelo neoliberal durante anos, agora abraça a visão de S. Francisco de Assis? Entregará todos os bens aos pobres e viverá de esmolas? A dúvida fica.

No entanto, vamos observar estas 50 páginas (o FMI não tem o dom da síntese).

04 julho 2012

Líbia: os mortos, a democracia, as eleições

E a Líbia? Ainda existe?
É que o País foi apagado de qualquer noticiário.

Começamos com uma boa notícia: a Líbia ainda existe. Esta, diga-se, parece ser a única boa notícia. Agora vamos ver as outras.

O País enfrenta um período de profundo caos, onde os combates não representam a excepção apesar da guerra ter oficialmente terminado há alguns tempos. Particularmente delicada parece a situação no Sul do País, onde o povo Tubu iniciou uma série de combate com as comunidades vizinhas. O objectivo é a manutenção do controle das zonas de fronteiras com o Chad e o Niger, áreas ricas em água e petróleo, desde sempre importante lugares de trocas comerciais, lícitas e ilícitas (armas, drogas, etc.).

Testemunhas falam de ataques contra as cidades de Sabha, Kufra e Tayun. Em Sabha são contabilizados umas 50 vítimas mortais, frutos também dos bombardeios, isso enquanto electricidade e água foram cortados.

O Bispo e Obama

Alguém pensava que os Estados Unidos abdicassem da América do Sul? Sério? Naaaaaaa...
Mas em caso de dúvidas: eis o exemplo do Paraguai.

Resumo dos últimos episódios.
Fernando Lugo, ex bispo católico, em 2008 é eleito presidente da república do Paraguai.
No passado dia 22 de Junho é destituído do cargo.
Dito assim não parece haver nada de estranho, são coisas que acontecem. Mas vale a pena gastar algumas palavras.

O procedimento de impeachement (termo inglês que indica a anulação dum mandato de chefia por parte do poder executivo) esconde uma realidade complexa que fica muito perto dum golpe de Estado.

Enquanto os media mainstream definem o evento no Paraguai como um "impedimento legal", o economista Mark Weisbrot explica:
O Congresso do Paraguai está a tentar derrubar o presidente Fernando Lugo com um processo de impeachment, para o qual foram dadas menos de 24 horas para preparar-se e apenas duas horas para apresentar uma defesa.
Um impeachment bastante rápido, sem dúvida, quase expresso.

03 julho 2012

Uma questão de maneiras

Voltamos a falar de Síria.
Monótono? Talvez. Mas se guerra será, a Síria é o teatro mais provável. Há muito em jogo: não na Síria, País pequeno e desprovido de recursos, mas nos arredores de Damasco, nomeadamente nos vizinhos israel e Irão. Sem esquecer a Turquia.

Os jornais destes dias, entre um novo capítulo do psico-drama europeu e uma final de futebol, tiveram bom jogo para atenuar o fracasso dos Estados Unidos nas negociações acerca do País do Médio Oriente. Mas a essência não muda e os Russos foram bastante claros: Bashar el Assad não deve ser forçado a abandonar o poder pelos estrangeiros. Pelo contrário: deverá ser ele a assegurar a transição.

Claro: os acontecimentos podem sempre precipitar e uma "intervenção humanitária" não pode ser excluída totalmente. Mas Washington não conseguiu a luz verde tanto desejada e agora tem que meditar. Sobretudo, tem que rever a própria estratégia.

Culpa nossa...e não só.

Nos Países ocidentais mais desenvolvidos este é o período do mea culpa.

Tudo o que foi feito e que ainda é feito representa uma culpa: olhar para o passado significa atormentar-se com remorsos, parece impossível encontrar uma civilização pior do que a nossa. E os povos que sofreram as nossas torturas confirmam: o nossa civilização foi (e ainda é) uma autêntica vergonha.

Há razões que explicam esta visão, mas não vamos falar disso nesta altura. Vamos, pelo contrário, falar dalguns destes aspectos. E um dia, quem sabe, iremos falar também do porque "temos" que recitar o mea culpa.

Um dos grandes males cuja responsabilidade parece ser exclusiva do mundo ocidental é o colonialismo. Isso não é verdade, mas como ninguém hoje perde tempo na leitura da História, a ideia passa sem problemas.

02 julho 2012

A velhinha e a rua

 Nos bons tempos idos (por assim dizer) a guerra era feita para salvar o mundo de horríveis ameaças.

A Segunda Guerra Mundial queria travar o poder de Hitler, a guerra do Vietnam servia para parar a avançada do Comunismo, mais recentemente os Estados Unidos salvaram a civilização das armas de destruição maciça de Saddam Hussein. E não podemos esquecer a invasão do Afeganistão, contra o terrorismo.

No últimos anos, pelo contrário, houve uma mudança de rumo: agora as guerras servem para defender os direito humanos. É normal, considerado que temos um presidente dos Estados Unidos que é Nobel da Paz.

É uma mudança importante, que vê no arsenal militar uma acrescida importância das novas armas: as organizações humanitárias. E se o regime da Síria utiliza o exercito, os Estados Unidos confia na obra demolidora de Amnistia Internacional e Human Rights Watch.

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