31 agosto 2012

Proteccionismo e Liberalismo

Hoje em dia a ideia dum País proteccionista é escandalosa. A sociedade é "global", consequentemente a economia tem que ser "global" também. E quem pensar o contrário é, na melhor das hipóteses, um retrogrado.

Mas com base em que podemos afirmar que o liberalismo económico ontem melhores resultados de que o seu oposto (um regime proteccionista)?

A base pode ser só uma: os dados. Pois as teorias podem ser bonitas e fascinantes, mas o que conta para avaliar os resultados duma escolha são os dados e nada mais do que isso. O resto são apenas palavras e boas intenções. E de boas intenções é pavimentada a estrada para o Inferno.

Pegamos num grande País: os Estados Unidos, heróis da globalização, e voltamos atrás no tempo.
São poucos os estudos para comparar a época proteccionista dos EUA com aquela liberal. Mas algo há.
Mark Bils, por exemplo, no seu Tariff protection and production in the early U.S. Cotton textile industry (1984) afirma:
A minha descoberta dificilmente poderia estar em maior conflito com o ponto de vista consensual sobre a importância económica da pauta. Os cálculos acima demonstram que, a partir de 1833, a remoção da protecção teria eliminado a esmagadora maioria do valor acrescentado na indústria têxtil do algodão.
Bils, portanto, não tem dúvida: o proteccionismo desenvolveu um importante papel no desenvolvimento da indústria têxtil, permitindo o lucro na área do algodão, por exemplo.
Mas será esta matéria a clássica excepção que confirma a regra?

O tamanho importa

Há duas maneiras para enfrentar a crise.

A primeira é aquela da maioria dos Países: obedecer. É o caso de Grécia ou de Portugal.

A segunda é aquela de poucos Países: Argentina, Islândia.

A Grécia

Um trader grego manifestou nas páginas de Business Insider o triste estado de espírito do seu País:
Neste momento, estou com medo de que haja bem pouca visibilidade sobre a evolução política nos próximos meses. Poderíamos jogar a cara ou coroa.
A elite política decidiu: mais sacrifícios. É este um percurso começado há tempo: sacrifícios, depois sacrifícios para resolver os problemas que os sacrifícios anteriores não tinham resolvido, depois novos sacrifícios, depois mais e mais.

O resultado é um País de rastos, com uma economia defunta, o desemprego que continua a aumentar, um clima social que não é exagerado definir como "explosivo". É presente em muitos gregos a ideia de que esteja por perto um ponto de viragem social, determinado pela capacidade das famílias gregas e da sociedade de suportar medidas de austeridade cada vez mais pesadas.

25 agosto 2012

O velho filme. Legendado em castelhano.

Como era o quiz de ontem?
Era assim:
  • tente o Leitor descobrir qual o valor da dívida pública espanhola (em % do Produto Interno Bruto)
  • compare o mesmo valor com aquele de: Estados Unidos, Bélgica, Reino Unido, França, Canada, Alemanha, israel, Áustria, Holanda.
A resposta correcta chegou com o comentário de Zarco:
O problema não é a divida pública espanhola 70% do PIB, inferior à de todos os outros países que referiste e que não estão em "crise"(excepção dos EUA que não está em crise de dívida pelas razões conhecidas e outras que desconhecemos...).

O problema espanhol, na verdade são dois problemas:

- Os detentores da dívida pública são Bancos, ao contrário do Japão que tem 223% de dívida, mas maioritariamente detida pelos particulares e paga juros de 0.95% a 10 anos...
- A dívida dos particulares é de 197% (leram bem, cento e noventa e sete )do PIB.

E quando assim é os "mercados"=bancos não perdoam...
Exacto.

24 agosto 2012

Quiz Show: Espanha!

Eis um interessante quiz para todos os leitores, grandes e pequenos.

Então é assim: sabemos que a Espanha está em crise, certo?

Sabemos também que os problemas da Espanha estão ligados à dívida pública: muita dívida, demasiada dívida, o Estado já não consegue fazer nada.

Um típico caso de País que viveu acima das possibilidades e que agora tem que sofrer para ficar melhor depois.

Estando assim as coisas:
  • tente o Leitor descobrir qual o valor da dívida pública espanhola (em % do Produto Interno bruto)
  • compare o mesmo valor com aquele de: Estados Unidos, Bélgica, Reino Unido, França, Canada, Alemanha, israel, Áustria, Holanda.
Prémios:
Não há, é tempo de crise, temos que sofrer agora para ficar melhor depois. No máximo o Leitor está autorizado a ir até o supermercado para comprar um litro de leite de cabra, que pode sempre dar jeito.


Ipse dixit. 

Dívida: mas quando começou?

A dívida pública. Ahi que horror!
Enche os artigos dos jornais, aparece na televisão para lembrar que temos de sofrer, condena inteiros Países à recessão e ao empobrecimento. Mas donde chega? Quando começou?

Ohé, Leitor, calma, tá bom? Não sou uma máquina. E nem sei responder. Mas temos aqui uma pessoa que sabe. Ok, não é mesmo uma pessoa, mas sabe na mesma, não é Leo?
Leo, estás a ouvir-me?
- Claro que sim. E bom dia para ti e para todos os Leitores que seguem o blog via satélite.
- Não temos satélite.
- Pois, não tem nada de nada este blog. Deverias mas é pedir a caridade, não escrever num blog...
- A propósito do blog: sabes que segundo alguns Leitores o facto de ter um cão que fala desvaloriza o conjunto, tornando-o menos sério?
- Olha, faz como eu como quando encontro uma árvore: levanta a perna e...
- Leonardo!
- Pois, a dívida dizias.

23 agosto 2012

Puzzle

Este blog não costuma fazer previsões catastróficas, tipo cometas que chocam com a Terra ou invasões alienígenas no decorrer das Olimpíadas.

Todavia há alguns sinais que merecem ser considerados. Podem ser preâmbulo do próximo Grande Colapso, podem ser apenas sintomas duma sociedade esquizofrénica. Seja como for, vale a pena falar do assunto. 

Os Leitores aficionados lembram das demissões em bloco no sector bancário e financeiro ao longo dos últimos meses. O que podem significar? Mistério. Infelizmente não temos acesso às conversas confidenciais que decorrem nas reuniões corporativas em lugares como Washington ou Londres, por isso tudo o que podemos fazer é observar e tentar interpretar.

Na semana passada, foi revelado que o governo dos EUA ao longo dos últimos dois anos, pediu secretamente que cinco dos maiores bancos dos País desenvolvessem planos para evitar um colapso. Esta é uma peça.
 
Já dissemos das demissões me massa, não dissemos? Então eis outra peça: enquanto uns demitiam-se, outros vendiam grandes quantidades de acções.

Punk! Soros! A improvável rebelião das Pussy Riot

Qual a notícia mais importante na Europa?
Resposta: Pussy Riot.

Quem são estas? É simples, são as últimas vítimas do tirânico regime de Vladimir Putin, três autênticas mártires presas na diabólica máquina da repressão do novo czar. Sentença: dois anos de prisão. E o mundo ocidental insurge.

França e Reino Unido definem a sentença como desproporcionada.
Angela Merkel acha a pena excessiva.
O Conselho de Europa fica pasmado.
E os Estados Unidos acham que seria justo reconsiderar o processo.

E o mundo artístico? Também preocupados com o destino das jovens rebeldes ficaram:
Bryan Adams, Beastie Boys, Courtney Love, Madonna, Paul McCartney, Yoko Ono, Peaches, Patti Smith, Sting, Pete Townshend.

E se Yoko Ono e Sting ficarem preocupados, então significa que a coisa é mesmo grave.

22 agosto 2012

A ovelha atrevida

Na Sérvia, o Governo entendeu: é preciso reformar o sistema bancário, dissociar-se do modelo europeu. Por isso as atenções estão focadas no banco central do País, um dos muitos que no Velho Continente rezam austeridade, penitência e sofrimento: o governo quer mudar.

O governador do banco, Dejan Soskic, demitiu-se: não pode tolerar tamanho ataque. Mas o governo vai em frente e restringe severamente a independência do Banco Central.

Obviamente a notícia teria passado totalmente ignorada, mas o Fundo Monetário Internacional (FMI) da fascinante Christine Lagarde decidiu expressar publicamente a sua oposição ao governo liderado pelo primeiro-ministro socialista Ivica Dacic, dando assim realce aos factos.

21 agosto 2012

Aquecimento Global? Com certeza, talvez não.

Eis um artigo que desejava publicar há uns tempos mas que só agora aparece. Motivo do atraso: falta de dados científicos de confiança.

Vamos abandonar o mundo da economia e falemos de outro assunto: o aquecimento global é uma realidade?

Muitos entre os Leitores acham que a resposta é "não" e também eu tenho não poucas dúvidas. Há dados contrastantes: dum lado temos por exemplo o degelo anómalo da Gronelândia (dois artigos acerca do assunto: Kafe Kultura 1 e 2), do outro lado temos quem afirma que o Global Warming é uma invenção (sem esquecer também a experiência pessoal: desde que cheguei em Portugal os Verões ficaram mais "frios" e este último não é uma excepção).

Surge agora um estudo que parece apresentar os requisitos para merecer confiança. Ao longo de cinco anos, um grupo de cientistas americanos (um grupo bastante numeroso, diga-se) desenvolveu uma análise para avaliar a precisão dos dados fornecidos pela rede NOAA (National Oceanic and Atmospheric Administration, organização que trata de meteorologia, oceanos, atmosfera e clima), a base dos estudo apresentados pelo IPCC (Intergovernmental Panel on Climate Change, organização da ONU que estuda o aquecimento global, no centro do Climagate).

Os resultados são surpreendentes.
Ou talvez não.

20 agosto 2012

Bancos simpáticos: HSBC - Parte III

Terceira e última parte dedicada às aventuras do banco HSBC. Mas não apenas dele.

O banco inglês não era o único a facilitar a ida dos terroristas. Um relatório de 2009 do Government Accountability Office (GAO, Estados Unidos) realçava como "alguns padrões de desempenho estabelecidos pelo Departamento de Estado estavam a baixar-se", tal como aconteceu no mesmo ano:  apesar do GAO ter recomendado que os Estados Unidos reintroduzissem padrões de controle para impedir o fluxo de fundos da Arábia Saudita destinados a terroristas e extremistas fora do Reino da Arábia Saudita", o relatório anual sobre as estratégias de controle internacional do tráfico de drogas publicado pelo Departamento de Estado não fazia qualquer menção das medidas para combater a lavagem de dinheiro ou o financiamento dos terroristas por parte da Arábia Saudita.

A razão? O apoio da administração Obama aos terroristas salafistas suportados pelos sauditas, que actuavam na Líbia e a seguir na Síria, financiados com os "Entes Sauditas Estrangeiros de caridade".

18 agosto 2012

O dinheiro e o poder. Não haja dúvida.

Pois é.
Diz Walner:
Já li em postagens anteriores suas suspeitas quanto ao 11/09, não sei se estou enganado, mas me parece que a tua posição a respeito se alterou quanto ao assunto.

Não sei se seria pedir muito, em se tratando de participante menos atuante, como no meu caso, mas poderia fazer um resumo sobre o que pensas de todo este enredo? Sempre tive a impressão de que comungava da tese de ataque de falsa bandeira. Agora, tenho a impressão que tuas buscas te levaram por outras paisagens.
E diz Maria:
Mas, como mais um 11 de setembro se aproxima, também me junto a ti na solicitação da versão inteligente de ii.
O assunto 9/11 é questão complexa.
Antes demais: a versão oficial não consegue explicar o que realmente se passou naquele dia. E ao longo dos anos foram reunidas muitas questões que não encontram uma resposta idónea, ao ponto que é difícil perceber como possam existir pessoas que acreditem nela.

16 agosto 2012

Bancos simpáticos: HSBC - Parte II

Havia sinais de perigo que poderiam ter advertido o banco? Havia, e eram mais do que simples sinais.

Em Março de 2002 surgiu a lista dos financiadores da Al-Qaeda, após a apreensão dos computadores da Benevolence International Foundation (BIF) em Sarajevo, uma organização sem fins lucrativos da Arábia Saudita que o Departamento do Tesouro dos EUA mais tarde descreveu como "terrorista".

E antes de prosseguir com as aventuras do HSBC, vale a pena gastar algumas palavras acerca desta BIF.

Al-Rajhi Bank. Notável o logo.
BIF

A BIF teve origem em 1988 quando foi fundado o Islamic Benevolence Committee, no Paquistão: tratava de assistir os combatentes na guerra contra os Russos no Afeganistão.

Em 1992 o Islamic Benevolence Committee foi rebaptizado Benevolence International Foundation (BIF) e estabeleceu a própria sede nos Estados Unidos: antes na Florida e depois em Chicago, Illinois. Aqui recebeu a visita do Embaixador americano Melissa Wells, enviado pelo então presidente Bill Clinton, que abençoou o BIF pelos "esforços para aliviar o sofrimento".

Não apenas no Afeganistão, mas em outras partes do mundo também, como a Bósnia. E Bin Laden tinha um passaporte da Bósnia, fornecido por Alija Izetbegovic, o ex-membro da SS Handschar (uma divisão do exército nazista durante a Segunda Guerra Mundial), o ex-comunista ao serviço do Marechal Tito e o futuro presidente da Bósnia e Herzegovina, que tantos apoios teve entre os Ocidentais (pois Izetbegovis era um "liberal").

15 agosto 2012

Israel - Irão: o plano do ataque. Ou não.

Um post no dia 15 de Agosto?
Pois é, está é uma surpresa também para mim. Mas a notícia merece.

Richard Silverstein, por muitos definido como o Wiskylicks de Israel, decidiu publicar em rede os planos de ataque de israel contra o Irão.

"Vai ser uma agressão coordenada, com um ataque cibernético sem precedentes" que tornará inutilizáveis em poucos minutos "internet, telefones, rádio, televisão, comunicações via satélite, conexões de fibra óptica de edifícios estratégicos do País.

O objetivo? "Não fazer saber ao regime iraniano o que está a acontecer dentro de suas fronteiras".
Silverstein decidiu publicar tudo no seu blog, após a fonte dele ter transmitido os documentos. Mas qual a razão? A verdade é que nem todos em israel querem a guerra, além da fachada do regime há uma oposição que luta para sair da lógica da beligerância sem fim. E como os tambores de guerra falam cada vez mais alto, eis a publicação.

14 agosto 2012

Carta Aberta com Ponto de Interrogação

Quelo
Ter um blog é um pouco como viver numa ilha e atirar para o mar uma mensagem fechada numa garrafa. A diferença entre um blogueiro e um náufrago é que o primeiro vive num oceano feito de garrafas e a dele é apenas mais uma. Em comum têm o facto que a possibilidade da mensagem ser lida é escassa.

Informação Incorrecta já enviou muitas garrafas e conseguiu ter contactos com um número crescente de náufragos. Os quais, por sua vez, enviam outras garrafas, algumas de volta, outras para destinos desconhecidos.

Hoje recebi uma nova garrafa e fiquei curioso. Em primeiro lugar porque vinha dum lugar bem perto (e quem disse que os náufragos têm que viver em ilhas longínquas?). Depois porque apresenta questões...como dizer? Questões, ponto final.

Curiosos? Então eis a mensagem, cuja versão original pode ser encontrada no blog Reticência(s)
de autoria de Ponto de Interrogação (fiquem descansados: é apenas um pseudónimo):

13 agosto 2012

Bancos simpáticos: HSBC - Parte I

Verão, tempo de deitar-se num relvado, à noite, para ver as estrelas caírem (longe, possivelmente) e ouvir histórias.

Por exemplo: que tal a história do HSBC? Boa ideia.
Mas é uma história bonita? Com certeza.
Há também o Príncipe Azul? Um? Há muitos deles.
Porque o HSBC é nada mais nada menos do que o segundo maior banco do mundo: é ele que empresta o dinheiro aos Príncipes Azuis. Com juros, claro.

HSBC tem sede em Londres, opera em 85 Países com 7.200 escritórios, 89 milhões de clientes e negócios com um valor estimado de mais de 2,6 triliões de Dólares. Tem uma longa história (a original Hongkong and Shanghai Banking Corporation Limited foi fundada em 1865) e, como qualquer banco que se preze, está também envolvido em negócios quais lavagem de dinheiro, financiamento ao terrorismo, tráfico de droga.
Enfim: um banco à maneira.

Mas vamos conhecê-lo melhor.

09 agosto 2012

Saldos de fim de época

É Verão aqui no Hemisfério Norte, é Agosto: as notícias são poucas e repetitivas, dominadas pelo calor, as Olimpíadas e os profundos pensamentos das Mentes Pensantes de Bruxelas e arredores. Não faltam os aconselhamentos sazonais (está calor? Bebam água).

Por isso o blog está a concentrar-se na crise do Velho Continente e, de vez em quando, uma espreitadela para ver se a Síria ainda está no lugar dela.

Eurocentrismo do autor (que sou eu)? Em parte sim, mas não só.
A verdade é que algo irá acontecer nos próximos tempos: final do Verão ou Outono, as datas ainda não estão claras. Mas haverá novidades, disso podem ter a certeza. Entre as possibilidades:

1. Saída da Grécia da Zona NEuro.

As vozes continuam a circular, cada vez mais insistentes. O facto é que a troika (Fundo Monetário Internacional, Banco Central Europeu, União Europeia e cúmplices) aceitam fornecer outra "ajuda" (isso é: empréstimo com juros) só caso Atenas introduza novas medidas de austeridade.
É um pouco como tentar extrair sangue duma beterraba. Mas é interessante, porque a Grécia torna-se  assim o teste por excelência: até que ponto é possível torturar os cidadãos antes destes ficarem ligeiramente alterados? A capacidade de resistência dos Gregos será o limite aplicado nos restantes Países.

08 agosto 2012

Os mortos não pagam

Os mortos pagam as dívidas? Boa pergunta.

Cristina Kirchner fala na Câmara do Comércio de Buenos Aires no dia 2 de Agosto, e lembra as palavras do seu falecido marido, Nestor, que em 2003 tinha advertido as Nações Unidas: "Os mortos não podem pagar as suas dívidas". Pelo que a resposta parece ser negativa: os mortos não podem mesmo pagar. Mas porquê?

Eis a grande revelação: a austeridade não cria riqueza e nunca poderia ter permitido a recuperação da Argentina. Conclui a Kirchner:
Eu sinto que a Europa não entende isso.
Querida Cristina, não é bem assim: na Europa muitos políticos sabem isso, e bem. Só que o objectivo não é a recuperação económica mas a mesma austeridade e o desmantelamento dos Estados. Mas este é outro discurso. Vamos ver o que diz a Presidente: 
Como é possível ter crescimento se as pessoas perdem os empregos, os salários são cortados, as casas leiloadas e os benefícios sociais são reduzidos?
Pois: não é possível. E a Argentina bem conhece esta história.

07 agosto 2012

O tempo das coisas

"Os últimos serão os primeiros e os primeiros serão os últimos na vinha do Senhor: o problema é quem ficar no meio" como disse Papa RatSinger na encíclica "Fátima, Lourdes e Lady Gaga".

O problema é que antes todos diziam que era necessário torcer pelos rebeldes: os rebeldes do Egipto contra o feroz regime, os rebeldes da Líbia contra o feroz regime, os rebeldes da Síria contra o feroz regime. Quantos ferozes regimes há espalhados pelo mundo fora? Muitos, sem dúvida.

Mas estes regimes não eram já ferozes antes? Eram.
Não eram ferozes quando os políticos ocidentais, vestidos como Pinóquio, abraçavam, apertavam as mãos, beijavam, congratulavam os ferozes chefes dos ferozes regimes? Eram.
Não eram ferozes quando as empresas assinavam contratos bilionários por isso e por aquilo? Eram.
Então porque de repente são todos maus? Porque de repente são sanguinários, atrasados, antidemocráticos, bombardeiam o próprio povo, assassinam, violam, raptam?

A resposta é: porque sim.
Deve ter a ver com as mudanças climatéricas. Ou é o trânsito de Jupiter em Venus.

1992 - 1994: Mãos Limpas

Hoje vamos contar uma história, para grandes e pequenos.

Uma história que não é inventada mas é resumo do que se passou num País longínquo, onde as pessoas passam o dia a comer massa, ouvir Toto Cutugno e ver as montras dos estilistas famosos. México? Não, mas qual México: é a Italia. A nossa história até tem um nome: Mani Pulite, "Mãos limpas".

Prontos? Vamos.
1992

Antonio Di Pietro
Corria o ano 1992 e o simpático Max (que depois sou eu) vivia num País chamado Italia. Este País era uma autêntica treta: na prática nada mudava, os políticos eram sempre os mesmos desde o final da guerra (ver caso de Giulio Andreotti), os partidos também: havia a Democrazia Crisitana (sempre no poder), o Partito Socialista (um pouco no poder, um pouco não) e o Partito Comunista (nunca no poder). Havia também outros partidos, mas sem alguma real importância.

O sistema político regido por estes movimentos tinha dado alguns frutos: o grande boom económico da década dos anos '50, por exemplo, ou o boom dos primeiro anos '80. Tinha também resistido ao fenómeno terrorista (anos '70 e início '80), todavia, além destes pontos positivos, a verdade é que tinha favorecido o surgimento dum grupo de poder fechado, onde dominavam a corrupção e os acordos com a Máfia no Sul do País.

As pessoas estavam fartas, o desacredito do mundo político era total. Só que não havia solução à vista. Até que a solução surgiu "sozinha", quase por acaso.

05 agosto 2012

...e agora: 21 Dezembro de 2012!

Acabaram as Olimpíadas?
Nem pensar. ainda estão a decorrer.
Então? Então podemos avançar com uma breve reflexão.
Já? Mas não é cedo?
Não é.

A reflexão

Mais uma vez o mundo da informação alternativa deixou-se arrastar num vórtice de pseudo-notícias na cuja base havia o nada. Como ovelhas bem comportadas, todas em ordem atrás da miragem de turno, sem dúvidas, sem incertezas.

Mas desta vez há algo que vale a pena reter, algo que pode ensinar alguma coisa.

Entre as várias fontes do nada acima das quais foram construídas as notícias-esperanças sem sentido, desta vez havia algumas que merecem ser observadas: como a Rockfeller Foundation, por exemplo.
A qual pode bem felicitar-se consigo própria, pois o teste foi passado com distinção: foi suficiente publicar uma hipótese com a roupa do estudo para recolher a febril atenção do mundo da informação alternativa.
Este, doutro lado, tem a invulgar capacidade de auto-alimentar os próprios pesadelos-esperanças, pelo que à Rockefeller foi suficiente atirar um fantasma para pôr em estado de espera milhares de blogues ou sites com relativos leitores.

01 agosto 2012

Mini-Férias: Entre a Costa, atentados e invasões

Hoje é o dia 1 de Agosto.

Confesso: estava à espera disso, pois não é a primeira vez que após o 31 de Julho chega o 1 de Agosto.

Assim, o bom Max tira uns dias de férias, coitadinho. "Férias" se calhar é exagerado, pois serão dias passados aqui nas redondezas. Talvez na praia da Costa da Caparica, não seria mal, apesar da água fria (pois, estou acostumado à água do Mediterrâneo...), do sol arrasador, dos peixes-aranha, dos remoinhos de água que afogam os banhistas.

Verdade: prefiro a montanha, pelos menos uma pessoa cai, embate no fundo do vale e acabou tudo.
Mas seja como for, preciso de tirar uns dias, mesmo que poucos.

Férias sérias mais à frente: agora é uma boa ocasião para pôr um pouco de ordem, responder a todos os mails ainda à espera, tratar do livro, etc. Por isso, até o final da semana Informação Incorrecta pára.

A não ser...pois, a não ser que no dia 4 haja a tão esperada invasão alienígena. No qual caso voltarei para cumprimentar os Leitores antes de ser deportado para Saturno ou uma das luas dele.

O facto é que o mundo da informação alternativa está à espera desta invasão, prevista para o tal dia 4: mesmo ontem estava a trocar impressões com um blogger italiano, pessoa que respeito mas que parece ter sido capturado pela deriva "alternativa". E o resultado é este: dia 4, Olimpíadas de Londres, invasão alienígena em directo.

Faz lembrar a epopeia de Elenin, não faz? Pois. Mas nunca se sabe, por isso eis as previsões que circulam no mundo de internet.

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