31 outubro 2012

Wikipédia e os seus clientes

Wikipedia! E quem não conhece Wikipedia? Que em português tem acento no "e" e fica assim: "Wikipédia". Mas porque os portugueses precisam de acentos? Não sabem como ler as palavras? Alguém poderia ler "Wikipedía"?

Tá bom, mas isso agora não interessa. O que interessa é que ao fazer uma pesquisa com um motor de pesquisa, é altamente provável que entre os resultados apareçam umas quantas páginas de Wikipedia (sem acento, já deveriam ter percebido que a pronuncia correcta é "Wikipédia").

Segundo alguns, o que Wikipedia diz é verdade. Será? Com certeza. E os porcos voam também, em particular depois do pôr do sol. É só acreditar.

A estrutura de Wikipedia é simples: uma pessoa acha um assunto interessante, então publica uma voz, isso é, escreve alguma coisa acerca do assunto. Eu mesmo fiz isso na versão italiana de Wikipedia: a página de Almada e das respectivas freguesias é de minha autoria.

Mas isso significa que uma pessoa pode escrever até coisas não verídicas?  Em princípio não, porque a página assim criada pode ser modificadas por outros Leitores. A "minha" voz Almada, por exemplo, foi também alterada com vários acrescentos (pois além de corrigir é possível simplesmente juntar novos dados). Este sistema deveria garantir a imparcialidade da enciclopédia online, a constante actualização e a correcção de eventuais dados não correctos.

Indians - Parte II

Segunda e última parte do discurso de Russel Means - Oyate Wacinyapi.
Boa leitura!
Então, agora, nós, o povo dos índios americanos, somos convidados a acreditar que uma nova doutrina revolucionária europeia, como o marxismo, possa anular os efeitos negativos da história europeia exercida contra nós. As relações de poder na Europa estão numa fase de transformação, uma vez mais, e isso deveria tornar as coisas melhores para todos nós. Mas o que isso realmente significa? Hoje, nós que vivemos na reserva de Pine Ridge, estamos a viver na zona que o homem branco tem designado como uma "Zona de Sacrifício Nacional". Isto significa que na área há depósitos de urânio importantes, e a cultura branca (não nós) necessita desse urânio como do material para a produção de energia.

30 outubro 2012

Indians - Parte I

Post comprido, sem dúvida. Mas vale a pena.

O seguinte é um discurso de Russel Means, nome verdadeiro Oyate Wacinyapin ("Aquele que trabalha para o povo"), chefe dos Lakota.

O nativo americano mais conhecido desde os tempo de Touro Sentado ou Cavalo louco, morreu na passada Segunda-Feira, dia 22 de Outubro.

Oyate Wacinyapin
O único início possível numa declaração como esta é que odeio a escrita. O processo em si resume o conceito europeu de "pensamento legítimo": o que está escrito tem uma importância que é negado ao falado. A minha cultura, a cultura Lakota, tem uma tradição oral, assim de modo geral recuso-se a escrever. Esta é uma das maneiras em que o mundo branco destrói as culturas dos povos não-europeus, através da imposição de uma abstracção sobre o relacionamento não falado de um povo.

Portanto, o que podem aqui ler não é o que eu escrevi. Isso é o que eu disse e que alguém escreveu. Permiti isso porque parece que a única maneira de comunicar com o mundo branco é através das folhas secas, mortas, de um livro.

Eu não me importo que as minhas palavras alcancem ou não os brancos. Eles já demonstraram através da história deles não serem capazes de ouvir, não podem ver, mas só podem ler (claro, há excepções, mas as excepções só confirmam a regra). Estou mais preocupado em fazer-se ouvir pelos indígenas americanos, estudantes e outros, que começaram a ser absorvidos pelo mundo branco através das universidades e outras instituições. Mas, mesmo neste caso, é um tipo de preocupação apenas marginal.

In drone we trust

Interessante artigo do Washington Post.

A administração do presidente Obama determinou uma lista de pessoas que nos próximos tempos deverão ser atingidas por drones, as famigeradas bombas voadoras (ou misseis não tripulados, tanto faz), e não só.

Estes mortos viventes são, obviamente, terroristas. Ou alegados tais. Mas não interessa, pois nunca haverá um regular processo e ninguém gastará tempo para controlar. Temos que confiar nas palavras do carrasco: são terroristas.
E como tais têm que morrer.
Ámen.

A lista recebeu a aprovação de Obama que, sobretudo tendo em vista as próximas eleições, não quer desfigurar. Acusado pelo adversário Mitt Romney de ser demasiado "fraco" com aquela que ainda representa a maior ameaça segundo os Americanos, o simpático Barack assinou a assim chamada disposition matrix, que podemos traduzir com uma menos nobre "lista de homicídios".

Esta matrix faz parte dum programa desenvolvido durante os últimos dois anos e contém os nomes dos suspeitos, tal como os recursos para que possam ser encontrados e as relativas acusações.

Bom, mas afinal não é o que já acontece com os drones?  
Como afirmado em abertura: "e não só". A disposition matrix inclui pessoas que serão eliminadas com os drones e pessoas que serão eliminadas com outras modalidades. Quais modalidades? Não sabemos. Mas os interessados terão modo de descobri-las.

29 outubro 2012

A minhoca moderna

Enquanto israel bombardeia o Sudão, nós falamos de...nós. E viva a originalidade.

Normalmente, em tempos "normais", a condição de escravidão, de subordinação social e de marginalização compacta os indivíduos numa espécie de acordo não escrito, consagrado nas intenções de "redenção" que se expressa numa luta de classe (armada ou civil, tanto faz), com o fim de restaurar os direitos violados, a equidade social, o valor da dignidade.

É importante realçar que aqui a expressão "luta de classe" não tem nada a ver com a condição marxista-leninsta: falamos da "classe" dos cidadãos, dos marginalizados, dos que não tem acesso aos corredores do poder.

Mas nesses dias, a Idade das Trevas, onde tudo é invertido e relativizado, qualquer conceito de pensamento lógico e crítico fica alegremente deitado no lixo. Assim, os novos sujeitos sociais (nós), recusam a ideia duma vida "calma" e até solitária para viver numa caótica metrópole, poluída, disfuncional, ensurdecedora. Com o resultado de partilhar as frustrações, a repressão, as fobias, a ansiedade e a depressão com os nossos vizinhos, afectos pelos mesmo problemas.

A força de vontade, que tinha a função de poder produzir diversidade e mérito, desapareceu. Ou melhor: foi substituída por objectivos que têm como função esgotar as nossas energias na tentativa de alcançar resultados inúteis e temporários, obtidos os quais surgem novas metas, sempre inúteis e temporárias.

28 outubro 2012

iPhone 5: uma honra produzi-lo

Finalmente chegou o novo iPhone 5.

Por uns miseráveis 699 Euros (2.000 Reais, mais ou menos) está disponível em Portugal, enquanto no Brasil será preciso esperar até Dezembro.

Obviamente estes são os preços base, pois sem muito esforço é possível gastar bem mais: 919 Euros a versão de 64 Giga, 3.400 Reais a versão colorida.
E são satisfações.

Os novos proprietários estarão pouco interessados, mas aqui vamos ver "onde" e "como" é produzido o novo modelo de casa Apple que, como as versões anteriores, promete alterar as nossas vidas. No sentido positivo, óbvio.

Um jornalista do diário Shanghai Evening Post conseguiu ser assumido pela empresa Foxconn (pois a Apple não produz nada, limita-se a demandar a produção para a China), e a seguir eis o relato da sua experiência.
Boa leitura.

26 outubro 2012

Líbia: na boa.

E a Líbia, como está?

Lembram-se da Líbia, aquele País que foi atacado e invadido pelas forças democráticas à sombra da bandeira da Nato (que não por acaso é uma organização militar defensiva)?

Ora bem, passado mais do que um ano após a "libertação", a Líbia encontra-se num estado que metaforicamente podemos definir como "confuso".
Já o facto de não ter implodido é sinal que afinal os milagres acontecem. Pena que, além disso, não haja muito mais.

Durante cerca de um mês, as tropas governamentais do Conselho Nacional Geral (CNG) atacaram Bani Walid, uma vez tranquila localidade a cerca de 150 quilómetros sul-oeste de Tripoli, e nas últimas horas parecem ter conseguido o controle.

Dizemos "parece" porque a informação é fragmentaria e bastante manipulada desde o início da história. Esta longa batalha tem sido justificada pela necessidade de "limpar" a área dos fiéis do Coronel Kadhafi.

25 outubro 2012

O petróleo do Golfo

No imaginário colectivo, "árabes" significa, entre outras coisas, "petróleo", sobretudo quando o assunto forem os Países do Médio Oriente: grandes extensões de areia no meio das quais surgem as torres para a extracção do outro negro.

É mesmo assim, na Península de Arábia há petróleo. Mas os proventos, como sabemos, não são partilhados pelas populações locais: o negócio está nas mãos dum punhado de famílias que controlam o petróleo e os Países nos quais é extraído.

Pergunta: mas quem são estas pessoas?
Antes de mais: esqueçam Wikipedia ou outras fontes "oficiais", aí é possível encontrar apenas a história das dinastias e pouco mais. Para descobrir algo mais é preciso ir pouco mais em profundidade: porque além da "linhagem", o que interessa é saber quem realmente mexe os fios do maior negócio do planeta, aquele que literalmente faz funcionar a nossa sociedade.

As famílias em questão operam em seis Países, que fazem parte do Gulf Cooperation Council (GCC), o Conselho de Cooperação do Golfo: Bahrain, Kuwait, Oman, Qatar, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos.

24 outubro 2012

Internet espia

Dia sortudo hoje: abri o correio e encontrei o mail de tal Alberto Rodriguez, que me informa do seguinte:
Su ID de correo se adjudicó un millón de libras esterlinas grande en la promoción del tabaco británico
Só não percebi se "grande" é a promoção ou o milhão. Seja como for, é só enviar os meus dados pessoais ao simpático Alberto o qual, imagino, já terá na mão o meu cheque preenchido.
Considerem os dados já enviados.

E a propósito de dados pessoais: o que acontece quando visitarmos um site internet?
Acontecem muitas coisas, entre as quais as seguintes: acedemos a um site e, ao mesmo tempo, a nossa informação é partilhada com outros sites, dos quais até ignoramos a existência.

Tudo isso não é novidade, mas vale a pena relembrar de vez em quando que se internet for uma excepcional ferramenta para a partilha de conhecimento, ao mesmo tempo esconde insídias, nomeadamente quando o assunto for a privacidade.

23 outubro 2012

O carimbo do FMI: eles sabem

O Fundo Monetário Internacional, após longa meditação, publica um documento no qual apresenta a resposta para um dilema que assombra a nossa sociedade: melhor viver ricos e em saúde ou pobres e doentes?

E, acreditem ou não, a resposta é a mesma que os Leitores já puderam encontrar neste mesmo blog.
Mas vamos com ordem.

Assunto? Dívida pública.
Problema? Não há.
Solução? Velha como o mundo.

O documento "revolucionário" do FMI diz que a dívida pública dos Estados poderia ser eliminada de forma rápida e simples. O relatório afirma que o truque é mudar o nosso sistema, substituindo os bancos privados na criação do nosso dinheiro. Resultado: 100% de corte na dívida, crescimento, estabilização dos preços, fim da hegemonia dos banqueiros, tudo ao mesmo tempo.

O que o FMI propõe é de substituir o dinheiro criado pelos bancos privados (cerca de 97% de todo o dinheiro) por uma sistema no qual é o Estado que cria o seu dinheiro.

Oooooohhhhhhhh........

22 outubro 2012

O Discurso do Presidente

Após a pausa do Verão, o blog Sociedade Alienada dos amigos Saraiva e Xenofonte retoma as publicações.

O novo post tem o título de "O Discurso do Presidente" e, como do costume, trata-se de algo que vale  a pena ler (e ver, neste caso). Eis o trecho inicial:
No seguimento do nosso ciclo de discursos, segue um bastante recente da autoria de José "Pepe" Mujica, o actual presidente do Uruguai em funções desde Março de 2010 (40º presidente). Aos 77 anos José Mujica é um homem que não tem contas bancárias, não possui qualquer empréstimo bancário, doa 90% do seu salário e cuja única riqueza quem tem é um VW Beetle de 1987.

Este discurso feito na conferência RIO+20 - United Nations Conference on Sustainable Development (Conferência das Nações Unidas para o Desenvolvimento Sustentável) e alerta-nos para o GRANDE desvio que fizemos aos destinos da Humanidade e os seus propósitos.[...]

O resto pode se encontrado neste link, também presente no blogroll à esquerda.
Boa leitura!


Ipse dixit.

Fonte: Sociedade Alienada

EUA: o grande espectáculo

A cada quatro anos, a eleição do presidente dos Estados Unidos entra nas nossas casas com um espectáculo de dimensões planetárias. A grande imprensa é capaz de convencer a opinião pública internacional de que o povo americano irá nomear democraticamente o homem que tratará dos assuntos do mundo.

Em alguns Países, especialmente na Europa, a cobertura mediática deste evento é até mais importante do que a eleição do local chefe de Estado: entrevistas, reportagens, debates, biografias. Implicitamente, a imprensa insinua que, num País democrático quais is Estados Unidos, os cidadãos não decidem do seu próprio futuro, que depende da boa vontade do inquilino da Casa Branca.

Chama-se esta "democracia representativa": é eleito um fulano com a esperança de que, uma vez no poder, irá cumprir as promessas da campanha eleitoral. Como sempre, e não por mero acaso, é confuso o acto eleitoral com a democracia.

21 outubro 2012

Antologia: O que podemos fazer?

Um ataque de preguiça? Uma patetica auto-celebração?

Nada disso. Na verdade uma Leitora chamou-me a atenção acerca deste post, que foi publicado há quase um ano. Então fui lê-lo e achei simpático. Por isso eis o primeiro episódio da Antologia. Que, fiquem descansados, será utilizadas com parcimónia. É uma maneira de realçar alguns pontos que já foram ditos (eheh...os Leitores aumentam!) e, para mim, de lembrar-me algumas coisas. A única coisa nova é a imagem.

Boa Leitura!

16.12.2011: "O que podemos fazer?"

"O que podemos fazer?"
É uma pergunta que aparece muitas vezes, mesmo aqui entre os comentários.

"O que podemos fazer?".
É o reflexo da nossa impotência, alegada ou real, mas assim percebida.

"O que podemos fazer?".
É Sexta-feira, uma boa altura para solucionar as grandes perguntas da humanidade.
Modestamente.

Em primeiro lugar: calma, eis que Informação Incorrecta socorre o coitado Leitor com um verdadeiro manual, um ABC que tudo diz e tudo sabe. Como Wikipédia, só um pouco mais curto. E, tal como Wikipedia, é algo já visto, pois muito do que o Leitor vai encontrar foi dito não uma mas várias vezes.
Então porquê repetir?

19 outubro 2012

A Economia Planetária Única

Nota prévia
Antes de publicar o seguinte artigo, fui tentar avaliar o grau de veridicidade do mesmo, inclusive a existência do estudo citado e das pessoas alegadamente envolvidas. O estudo existe, estando disponível para o download numa página internet da União Europeia, tal como existem as pessoas e as instituições citadas. Ver links abaixo.

Um grupo de estudo, financiado pela UE e chamado The One Network Economy Planet (OPEN-UE), desenvolveu em 2011 um documento totalmente ignorado pelos meios de comunicação. Isto até agora.

O documento, Scenarios for a One Planet Economy in Europe (Cenários para uma Economia Planetária Única na Europa), contém diferentes cenários ou "caminhos" que a União Europeia deve seguir para chegar até uma chamada "Economia Planetária Única".

Financiado com recursos do Sétimo Programa-Quadro de Investigação e Desenvolvimento da União Europeia e do WWF, o documento segue os cenários que podemos também encontrar na conhecida Agenda 21.

No documento, embutido de termos como "sustentabilidade" e "matriz ecológica", os autores descrevem quatro caminhos distintos que levam até o Santo Graal, a assim definida Economia Planetária Única. A mesma coisa pode ser encontrada no começo do mesmo estudo.

É afirmado no princípio:
Há quatro histórias que oferecem visões alternativas, não necessariamente ideais, na transição para a Economia Planetária Única na Europa, em 2050; cenários que apresentam tanto uma descrição da vida na Europa em 2050 quanto da organização política necessária para apoiar a transição até este ponto final e comum, com base em pressupostos diferentes do futuro.
Esta é a lista das quatro "histórias":
  1. Capacidade e atenção
  2. Avanço Rápido
  3. Ponto de rotura
  4. Em câmara lenta

18 outubro 2012

Síria: palavras e balas

E continuemos a falar de informação.

Pegamos no New York Times da semana passada, com um artigo que exibe uma bonita fotografia tirada na Síria. A imagem é aquela à direita, onde um rebelde dispara "pacificamente" contra o exercito regular.

E agora vamos ler.

Título:
"Citando [fontes, ndt] dos Estados Unidos, os aliados árabes reduzem a ajuda para os rebeldes sírios".

Parece um repensamento. Louvável.
Vamos em frente.
Ao longo de meses, a Arábia Saudita e o Qatar têm abastecidos os rebeldes com dinheiro e armas, mas foram recusadas armas mais pesadas como mísseis portáteis que teriam permitido aos combatentes da oposição abater os aviões governamentais ou eliminar os meios blindados, invertendo assim os destinos da guerra.
Mas agora os dois governos, que até convidaram publicamente todos para que os rebeldes fossem armados, sentem-se desanimados por causa dos EUA. Os quais, todavia, não proíbem o fornecimento de armas pesadas: simplesmente fazem presentes os riscos.

Liberdade de palavra

No silêncio absoluto dos media, a empresa Eutelsat decidiu apagar da própria plataforma satelitar todos os canais do Irão. Dito de forma mais simples: os satélites Hotbird deixam de transmitir os canais emitidos a partir do Irão.

Admitimos: ver um canal iraniano não é o máximo, sobretudo se o idioma for o árabe. O facto é que Eutelsat apagou todas as transmissões, inclusive aquelas realizadas no Irão mas em línguas estrangeiras. Pela medida são abrangidos também os serviços radiofónicos.

Assim Al-Alam, Press TV, Sahar 1 e 2, Jam-e-Jam 1 e 2 e os canais rádio da Irib desaparecem. Não é por acaso que vivemos em democracia.

Pergunta: mas porque raio Eutelsat tomou unilateralmente esta decisão?
Para poder responder é necessário saber quem é Eutelsat.

17 outubro 2012

Sangue, dinheiro & petróleo.

A Suíça mobiliza o exercito? Ahe? E nós falamos do Sudão.

No passado 9 de Julho de 2011, o Sudão do Sul tornou-se a 193ª nação do mundo. Grande festa, celebrações, espectáculos pirotécnicos. No Sudão, entendo, aqui não muito.
Menos de uma semana depois, nova vaga de violência com choques em Kordofan do Sul, uma área de fronteira entre o Sudão e o Sudão do Sul, controlada pelo Sudão e rica em petróleo. Petróleo, pois. E onde houver petróleo, há coisas sujas. Como os Rothschild.

Os Rothschild no Sudão? Vamos ver.

Durante décadas, as agências de inteligence ocidentais apoiaram o Exercito de Libertação do Povo do Sudão (SPLA), numa tentativa de entregar a parte do sul do Sudão aos quatro cavaleiros do petróleo. Não é um mero acaso se a região tem 75% das reservas petrolíferas de todo o Sudão.
Aquela que tem sido a mais longa guerra civil na África, finalmente terminou quando o presidente Omar Hassan al-Bashir, sob pressão internacional, entregou a parte sul do seu País aos vampiros do FMI / Banco Mundial, depois de um conflito que deixou no terreno mais de 2 milhões de mortes.

Alguns dias depois ter-se declarado uma nação soberana, a empresa estatal de petróleo do Sudão do Sul, o Nilepet, formou uma joint venture com a Glencore International Plc. para comercializar o seu petróleo. E quem controla a Glencore International? Exacto: os Rothschilds. A joint venture tem o nome de PetroNile, 51 por cento da qual é controlada pela Nilepet e 49 por cento pela Glencore.

16 outubro 2012

Portugal e o Orçamento de Estado 2013

Duas palavras acerca de Portugal e do novo Orçamento de Estado.
O governo falhou em 2012 por causa das receitas: na realidade foram inferiores ao previsto.
O novo orçamento aposta novamente nas receitas (mais de 80% das medidas), por isso irá falhar também.

O governo parece não conseguir entender (?) que retirar dinheiro aos contribuintes significa reduzir as despesas dos mesmos contribuintes. E reduzir as despesas significa, por parte do Estado, ver as receitas descer e o deficit subir. Foi o que aconteceu neste ano, acontecerá o mesmo ao longo de 2013. Esqueçam a retoma.

O Mercado - Parte III

- Leonardo, chegou a altura.
- Qual altura?
- De acabar o discurso acerca do Mercado.
- Ah, pois...falta no mínimo um assunto: os derivados.
- Na verdade já falámos disso no blog.
- Cala-te e vamos resumir. Imaginas uma refinaria que quer ter a certeza de conseguir vender a gasolina com um determinado preço ao longo do Inverno. O que faz? Na Primavera faz um contrato com o fornecedor de petróleo, contrato com o qual empenha-se a comprar uma certa quantidade de óleo no início do Inverno, a um preço fixado desde já. Entendes?
- Não muito. Porque não comprar o petróleo directamente no Inverno?
- Porque o preço pode variar até o começo do Inverno e a refinaria seria obrigada a vender a gasolina por um preço superior.
- Tá bom, mas o produtor de petróleo o que ganha com isso?
- Ganha o facto de saber desde já de ter vendido uma determinada quantia de petróleo. Seja com for o mercado no Inverno, o produtor pode já contar com umas vendas seguras. E fica com o dinheiro mais cedo.

15 outubro 2012

Dark Pools

- Leonardo?
- Ca foi?
- Podes explicar-me melhor o que é um Dark Pool?
- Não.
- Mas é um pedido de Maria.
- Ah, então tá bom. Basicamente, as Dark Pools são plataformas financeiras nas quais os títulos são contratados de forma anónima.
- Só isso?
- E achas pouco? Cada dia passam pelas Dark Pools algo como 15.000 biliões de Euros, tudo estritamente fora das normativas internacionais acerca da transparência. No ano 2010, o valor total das transacções foi 500 mil milhares de Euros e desde então aumentou de forma constante.
- Ó Leo, mas isso é como se fosse uma grande Bolsa de Valores.
- Tecnicamente são definidas como Multilateral Trading Facility (MTF, Sistema de Negociação Multilateral), e nelas podem ser trocados títulos, obrigações, dinheiro. Portanto as Dark Pool são como as Bolsas de Valores, só que têm algumas regras particulares:
1. a entrada destina-se apenas aos investidores institucionais (fundos especulativos, fundos do mercado monetário, fundos de pensão, bancos de investimento)
2. os requisitos de transparência das operações são muito menores do que as operações normais, por vezes não existem mesmo.

12 outubro 2012

O Mercado - Parte II

Segunda parte do artigo dedicado ao Mercado.
Uma salva de palma para o nosso convidado, Leonardo.

- Não ouvi nada.
- Não, a salva era metafórica.
- Ah...então vamos ver: até agora falámos do mercado ideal, dos princípios que deveriam estar na base de qualquer mercado.
- Muito bem Leo.
- Mas aqui surge uma pergunta.
- Qual?
- A seguinte: o mundo em que vivemos é realmente assim? Quando jornalistas, economistas e políticos falam acerca dos "mercados", referem-se a condições como aquelas que descrevemos antes?
- Antes quando?
- No post anterior.
- Ah. Não sei...referem-se?
- A resposta é: não! Isso porque a realidade do mercado, especialmente do mercado financeiro, é completamente alterada por uma série de truques, distorções, loucuras bizantinas que distorcem o desempenho e os objectivos. A questão é tão caótica e longe do senso comum que é até difícil apresentá-la duma forma ordenada.
- Então acabou a entrevista?

10 outubro 2012

BRICS!

Brics. O que é o Brics? Todos sabem: Brics é o acrónimo constituído pelas iniciais de cinco Países: Brasil, Rússia, Índia, China e Sul África.

Agora, eis dois comentários.
O primeiro de Maria:
Só para completar, acabo de ler na coluna do Mauro Santayana: "Nesta semana, em Tóquio, os ministros das finanças do BRICS voltarão a reunir-se, à margem do encontro do FMI. Da pauta deverá constar a troca de reservas, em caso de eventual necessidade de financiamento externo, e a criação do Banco do BRICS, cujo capital inicial, segundo anuncia a imprensa internacional, poderá chegar a 50 bilhões de dólares."
Estes parece que já não importa o que diga ou que faça o FMI.

O Mercado - Parte I

Eis um post que deveria ter sido publicado há muito, mas que aparece só agora.
Acontece.

Afinal, o que é o "mercado"?

Se pararmos uma pessoa na rua para perguntar-lhe o que é a economia, esta pode ser a resposta:
A ciência que tem como objectivo ganhar dinheiro, tanto quanto possível.
Esta frase, que consegue juntar um número incrível de erros e distorções em apenas quatro palavras, infelizmente descreve bem a realidade dos chamados "mercados" que tanto influenciam as nossas vidas.

Dado que o assunto é muito maltratado, pode ser boa ideia fazer um pouco de ordem e não apenas adicionar mais uma opinião que pode não ajudar o Leitor a compreender o tema. Mas, claro está, neste caso é preciso alguém que conheça o assunto...

09 outubro 2012

Ops...um pequeno erro!

Eheheh...estes gajos são demais.
Jornal Público de hoje:
No relatório em que reviu em baixa as previsões para a economia mundial, o FMI começou a corrigir algumas contas: por cada euro de austeridade, a economia não cai 0,5 euros, mas sim entre 0,9 e 1,7 euros.

Ao fim de mais de dois anos de austeridade na Europa, com várias previsões de crescimento revistas em baixa, o Fundo Monetário Internacional (FMI) apresentou mais um mea culpa, algo que já se começa a tornar hábito na instituição.
Como diziam os sábios Romanos: errare humanum est, perseverare autem diabolicum, "errar é humano, mas perseverar é diabólico.

A Era do Medo

It doesn't matter if we all die
The Cure, One Hundred Years


O medo é provavelmente a mais potente das armas.
O medo paralisa, não permite raciocinar, tenta escolher a fuga quando possível.
E a nossa sociedade está embebida de medo.

Não que não houvesse algo parecido nas épocas passadas. A Guerra Fira, por exemplo, tinha o espectro da inverno nuclear, a radiação, o fall out. Mas hoje atingimos um patamar superior.
Além do medo atómico, nunca totalmente exorcizado, temos o medo do terrorismo.

Curioso neste aspecto salientar como o melhoramento da tecnologia aumentou os medos em vez do contrário. Quem tiver um computador conhece o medo dos vírus informáticos, com os riscos de roubo de identidade, dados pessoais sensíveis, acesso aos serviços bancários.

08 outubro 2012

A criação do dinheiro

O nome oficial é "Crise do Crédito". Mas o termo real deveria ser "Crise da Dívida". Não se fala aqui da Dívida Pública dos Estados, mas do drama dos privados.

Italia, Espanha, Portugal. Há pessoas presas com empréstimos bancários, credito ao consumo, que chegam a "digerir" 70 ou 80% do ordenado. Pessoas que ganham 2.000 Euros e têm 1.500 Euros de prestações e juros.

Seria simples dizer "Problema deles, gastaram dinheiro que não tinham, agora aprendem".
Mas seria uma visão completamente errada.

Pode tornar-se cómoda ao banqueiros, para justificar os créditos mais reduzidos, ou aos governos ("Fizemos a boa vida antes..."). Já este facto deveria fazer endireitar as antes.

Mas como? Os bancos passaram décadas a oferecer cartões de crédito, nos Estados Unidos até chegam como oferta com o correio, os governos nunca uma palavra para alertar acerca do excesso de crédito: e agora os culpados são só os cidadãos que quiseram fizer a boa vida?

07 outubro 2012

Cinco macacos

Peguem numa jaula com cinco macacos.
Dentro da jaula, pendurem uma banana e debaixo uma escada.

Não vai demorar muito tempo porque um macaco comece a subir a escada para alcançar a banana. Assim que tocarem a escala, todos os macacos são regados com água fria.

Depois, outro macaco tenta de novo, mas o resultado é o mesmo, até que todos os macacos acabam por receber um duche fria.

Depois de alguns tempos, nenhum dos macacos tentará subir a escada.

05 outubro 2012

Bem-vinda Chipre!

Após um leve problema técnico (o computador não conseguia lembrar-se de como inicializar Windows, acontece, ainda bem que tenho instalado Linux também...), eis que voltam os posts.

E apesar de ser feriado em Portugal, eis uma entrevista com o Eurodeputado Nigel Farage, que muitos entre os Leitores conhecem.

Mas antes, tempo de comemorações. Não com a bandeira ao contrário, como aconteceu hoje com o Presidente da República Portuguesa (um sinal? Ou simples arteriosclerose?), mas com o traje das grandes ocasiões: o Clube dos Falidos dá as boas vindas ao mais recente membro, Chipre.

03 outubro 2012

Não interessa

Será que o aumento de 1% dos preços pode provocar uma crise alimentar?
A resposta é: sim, pode.

Após ter descido ligeiramente nos últimos meses, os preços internacionais das matérias-primas aumentaram dramaticamente, de acordo com dados divulgados pelo Banco Mundial.
As estatísticas de Julho indicam um aumento de 10% durante o mês anterior, bem como um aumento de 6% em relação ao mesmo período do ano passado.

O presidente do Banco Mundial, Jim Kim Yogn:
Os preços dos alimentos voltaram a crescer fortemente, ameaçando a saúde e o bem-estar de milhões de pessoas. A África e o Médio Oriente são particularmente vulneráveis, mas também outros Países onde o custo dos cereais aumentou a pico.
Não podemos permitir que esses aumentos históricos se transformem num risco permanente, pois as famílias retiram os filhos das escola e comem alimentos menos nutritivos para compensar o alto custo.
Os Estados devem fortalecer os seus programas destinados a aliviar a pressão sobre a população mais vulnerável.
A lista inclui Países de todo o mundo. De acordo com o Observatório dos Preços dos Alimentos do Banco Mundial, entre os meses de Junho e Julho passados, o custo do milho e do trigo subiram 25% e a soja 17%.
Isso significa um aumento de 1% dos preços quando comparados com o pico em Fevereiro de 2011.

02 outubro 2012

A Fabian Society

Muitas vezes foi pedido algo acerca da Sociedade Fabiana.
Então vamos ver o que é isso, ora essa.

A Fabian Society nasceu em Londres, em 1884, e tinha como objectivo elevar a condição das classes trabalhadoras para que fossem capazes de tomar conta dos meios de produção.
Comunismo? Pelo contrário, o Fabianismo recusa o Marxismo e aposta num Socialismo não utópico: a nova sociedade deveria ser alcançada não com um movimento revolucionário mas com um percurso de desenvolvimento, uma verdadeira evolução no sentido socialista.

Obviamente os comunistas sempre viram o Fabianismo como uma desgraça. Dizia Leon Trotsky:
Em toda a história do movimento laburista britânico houve a pressão da burguesia contra o proletariado com a utilização de radicais, intelectuais, igreja, socialistas e owenistas, que recusam a luta de classe, defendem o principio da solidariedade social, rogam a colaboração com a burguesia, enfraquecem politicamente o proletariado.
Todavia, foi mesmo a Fabian Society a conseguir resultados tangíveis. Além de estar na base do actual Partido Laburista, os Fabianistas conseguiram os cuidados de saúde e a instrução gratuitos para todos os cidadãos, normativas especificas acerca das condições de trabalho e leis contra a exploração das crianças. Muitos dos Ministros do Trabalho e políticos do Reino Unido foram também Fabianistas ( Tony Blair, Gordon Brown).

01 outubro 2012

Capitalismo? Já foi.

Dúvida: será que vivemos numa sociedade capitalista?
Na minha opinião a resposta é "não". Vamos ver qual a razão? E vamos.

Em primeiro lugar temos que individuar quais as características fundamentais do Capitalismo.
Estas são:
  1. Estruturas produtivas de base (terra e capital) na posse dos privados; o capital, neste sentido, é constituído pelos meios de produção, as infraestruturas, as máquinas e os outros instrumentos que concorrem na produção de bens e de serviços.
  2. A actividade económica é coordenada de forma descentrada, mediante a interacção dos vendedores e dos compradores nos mercados.
  3. Os donos dos meios de produção, tal como os que fornecem a mão de obra, são livres de seguir o próprio interesse pessoal, tentando obter o máximo ganho com a utilização dos recursos e do trabalho de produção. Os consumidores são livres de gastar os rendimentos segundo as próprias exigências ou gostos.
  4. O controle estatal é reduzido ao mínimo: com a concorrência, a actividade económica será auto-regulamentada. O Estado terá que proteger a sociedade perante ataques do exterior, proteger a propriedade privada e garantir os contratos.
O que sobra hoje desta visão? Bem pouco.

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