04 janeiro 2013

A Alemanha e o vício antigo

Ok, a palavra faz um certo efeito, sobretudo porque é utilizada no caso de algo que se passa na Alemanha, mas não está totalmente desproporcionada. A palavra é "deportação".

Mas de quem? Dos idosos.
A usa-la é o diário britânico The Guardian, num artigo que faz luz sobre as reais condições de vida no País considerado como um exemplo no âmbito da União Europeia. Vamos ver o que isso significa.

Um número crescente de idosos doentes alemães são enviados para o estrangeiro para serem submetidos a tratamentos de longa duração em lares ou centros de reabilitação. A iniciativa, que tem visto milhares de aposentados mudar para a Europa Oriental ou a Ásia, tem sido fortemente criticada por parte de organizações que tratam de bem estar e de direitos humanos.

Mas porque os velhotes são "deportados"? Por causa do aumento dos custos e da diminuição dos cuidados na Alemanha.
A população envelhece, os custos sociais crescem, e se o lema for "austeridade" (com os relativos cortes) o dinheiro não dá para todos. Então, tal como as empresas são deslocadas na tentativa de baixar os custos, da mesma forma os velhotes são enviados para o estrangeiro para poupar.

Actualmente, cerca de 7.000 idosos encontram-se em abrigos da Hungria, 3.600 na República Checa e na Eslováquia; várias centenas em Espanha, Grécia, Tailândia ou Filipinas.

The Guardian falou com muitos deles, os quais afirmam não estarem nada satisfeitos: de facto foram forçados a seguir esta opção com extrema relutância, não se fala aqui de pessoas abastadas que escolhem clínicas no estrangeiros.
E este é apenas o início: várias empresas especializadas na área abriram filiais nesses Países para estipular acordos com o sistema de saúde alemão de saúde e "receber" assim os velhotes enviados para os tratamentos.

As associações alertam: os idosos muitas vezes abdicam do tratamento, os que aceitam ficam em lugares distantes, com línguas diferentes, longe da própria casa, do bairro. E tudo em nome da poupança do Estado.

Este é o resultado das políticas de Angela Merkel, este é o doentio projecto chamado União Europeia.


Ipse dixit.

Fonte: The Guardian

6 comentários:

  1. Os caras aprimoraram o "estilo", sinto muito. Sou grato.

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  2. A alemoada atropela tudo e todos. Felizmente estamos longe dos tentáculos da Sra. Merkel, aqui no Brasil. Cuidado, irmãos portugueses.

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  3. maria4.1.13

    olá Max: como se as condições de tratamento de saúde nos países citados (leste europeu,países asiáticos etc...) fossem melhores que a do país de origem (se ao menos mandassem para Cuba...). Como se alguém já debilitado pela idade avançada, e pelas doenças, tivesse chance de melhoria em um lugar que não é o seu de origem, longe de amigos e parentes. Isso é apenas "seleção natural" posta em prática, a lei do sucesso do mais forte, levando os idosos à morte. Isso é apenas um dos efeitos da sociedade de consumo; logo as coisas e as pessoas deixam de "servir", e são portanto, descartáveis, como o são as crianças pobres, os bichos abandonados, os muito pobres ou muito alucinados, os que não consideram isso uma coisa natural.
    Abraços

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  4. Caro Regis, infelizmente estamos mais perto dos tentáculos deles do que você possa imaginar. Já estão por aqui invisibilizados, pela mídia faz tempo. É questão de "bola da vez"... Eles são muito disciplinados, não querem cometer os "enganos" cometidos na época do 3º REICH.

    Cara Maria,que alma bela a sua. Lamento, são "fazendeiros" criadores do gado humano para abate, O SISTEMA É PSICOPÁTICO, ESCRAVAGISTA, ALIENÍGENA, INUMANO, ANTROPOFÁGICO & CORRUPTO POR NATUREZA. SÃO DIABÓLICOS. Nunca desliguemos nossos detectores de mentiras. Ninguém virá nos salvar...
    Vos amo. Sinto muito, sou grato.

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  5. Anónimo4.1.13

    Os humanos são cada vez mais 'commodities' ou seja, mercadorias.

    Como disse o Aldo Luiz, estão mesmo a aprimorar o estilo.

    Este caso da deportação dos idosos alemães não conhecia, mas na logica pura do capitalismo faz todo o sentido.

    Tudo em nome da nova religião chamada - Redução de custos.

    abraço
    krowler

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  6. Rita M.5.1.13

    De facto Maria, a palavra "descartáveis" descreve bem como a sociedade funciona.
    É usar e deitar fora.

    Vivemos em sociedades onde se sabe o preço de tudo e o valor de nada.
    O dinheiro garante a sobrevivência e fala sempre mais alto quando chega à hora de tomar decisões.

    Quanto à Alemanha... há sempre uma grande diferença entre as aparências e a realidade.
    Quando as coisas parecem muito perfeitas... salta sempre "um esqueleto do armário".

    Abraço
    Rita M.

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