07 janeiro 2013

ULC

Como é que os empreendedores, os industriais, os "capitalistas" medem a competitividade dos trabalhadores?

É importante perceber isso. Estamos no meio duma crise, os trabalhadores têm fazer o papel deles para tornar os Países mais competitivos. Portugal, por exemplo, não é competitivo. Pelo menos, assim é dito.
Pena que não seja verdade: Portugal é competitivo. Muito competitivo.

Possível? Não apenas possível mas até confirmado pelos dados oficiais fornecidos.
Os dados são aqueles do European Round Table of Industrialists, a Mesa Redonda Europeia dos Industriais. Façam atenções aos nomes: não falamos aqui de qualquer desconhecido sindicalista à procura de notoriedade. Falemos do ponto de vista dos "patrões" (para usar um termo querido aos esquerdistas), dos dados deles.

Dados que ninguém conhece porque não difundidos.
Doutro lado, porque publicita-los? As medidas de austeridade podem ser aplicadas só uma vez que o povo-boi terá absorvido determinadas "verdades": não somos competitivos, vivemos acima das nossas possibilidades, é culpa nossa. Já conhecemos.

Mas voltemos aos dados.
O European Round Table of Industrialists mede a competitividade dum trabalhador em termos de Unit Labour Cost (ULC). Este parâmetro basicamente tem em conta o custo do trabalho por cada hora e a capacidade produtiva no mesmo período. Dito de forma mais simples: quanto custa um trabalhador e quanto produz numa hora de trabalho. O resultado é um valor que fica entre 0.50 (trabalhador super-competitivo) e 0.80 (trabalhador não competitivo).

Estes os valores oficiais de alguns Países segundo os dados fornecidos pelos empreendedores:
  • 0.73 Dinamarca
  • 0.72 Reino Unido
  • 0.71 Bélgica
  • 0.70 Áustria
  • 0.69 França, Suécia, EUA, Holanda, Portugal, Italia
  • 0.68 Espanha
  • 0.66 Grécia
  • 0.65 Alemanha
  • 0.61 Irlanda
Estes são os resultados.
Só como curiosidade, olhem onde ficam os assim chamados PIGS (Portugal, Irlanda, Grécia, Espanha).


Ipse dixit.

Fontes: Paolo Barnard, Digital Ink, Attitudes to Work - European Round Table of Industrialists (ficheiro Pdf em inglês)

6 comentários:

  1. maria7.1.13

    olá Max: muito...muiito interessante divulgar, mas é de se esperar tais resultados.
    Quanto custa um trabalhador? Quanto maior o nível de exploração do trabalho, penso que menos custe um trabalhador, porque menos se paga pelo trabalho, menos condições satisfatórias para trabalhar, menos responsabilidades pela saúde física e mental, moradia etc.
    Quanto produz numa hora de trabalho? Quanto mais medo de perder o emprego ( o que chamam de competitividade), quanto mais dependência a família do trabalhador esteja sujeita ao que ele ganha, quanto mais "devoção" ao que lhe é exigido (trabalho de relações públicas na empresa, como chamam), e como se lhe determina( menos escolhas e mais ritmos), obviamente mais produção.
    Aqui não se está a falar em empreendimentos de trabalho coletivo,grupal ou individual, onde realmente os envolvidos sejam "donos" do trabalho e das consequências dele, mas das situações "normais", onde os empreendedores empreendem o melhor uso possível dos que garantem a produção.Então, nessa relação de altos índices de produção "competitiva" com menos custo, era de se esperar que os países onde menos se valorize o trabalhador, tenham altos índices da tal competitividade no trabalho, calculadas desta forma.Gostaria de saber as estatísticas do terceiro mundo e da China, por exemplo,a ver se este meu raciocínio tem alguma procedência. Abraços

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  2. Então...

    "olá Max: muito...muiito interessante divulgar, mas é de se esperar tais resultados.
    Quanto custa um escravo? Quanto maior o nível de exploração do trabalho, penso que menos custe um escravo, porque menos se paga pelo trabalho, menos condições satisfatórias para trabalhar, menos responsabilidades pela saúde física e mental, moradia etc.
    Quanto produz numa hora de trabalho? Quanto mais medo de perder o emprego ( o que chamam de competitividade), quanto mais dependência a família do escravo esteja sujeita ao que ele ganha, quanto mais "devoção" ao que lhe é exigido (trabalho de relações públicas na empresa, como chamam), e como se lhe determina( menos escolhas e mais ritmos), obviamente mais produção.
    Aqui não se está a falar em empreendimentos de trabalho coletivo,grupal ou individual, onde realmente os envolvidos sejam "donos" do trabalho e das consequências dele, mas das situações "normais", onde os empreendedores empreendem o melhor uso possível dos que garantem a produção.Então, nessa relação de altos índices de produção "competitiva" com menos custo, era de se esperar que os países onde menos se valorize o escravo, tenham altos índices da tal competitividade no trabalho, calculadas desta forma.Gostaria de saber as estatísticas do terceiro mundo e da China, por exemplo,a ver se este meu raciocínio tem alguma procedência. Abraços

    Cara Maria, peço perdão por usar seu texto sem sua permissão. É que não resisti observar quanto o uso de uma palavra pode mostrar a inutilidade das estatísticas quando se trata de desvalorizar a humanidade como ser criativo para o seu próprio bem como um todo e não para o bem da desumana, ou inumana? casa grande antropofágica e sua eterna e vasta senzala. Como "eles" gostam de dizer entre uma garfada e outra em seus suntusos banquetes; "O ser humano é mero valor de troca, coisa.

    Sinto muito, me perdoe, vos amo e sou grato.

    ResponderEliminar
  3. Anónimo7.1.13

    Não te haver com este assunto, mas dado o tipo de tema do site acho importante deixar aqui esta informação.

    Há algum tempo atrás soube através de pessoas, inclusive que trabalham para a PSP, que esta está a ver alguns dos sues poderes a serem passados para a GNR... passo necessário quando se pretende ter uma ditadura... Hoje fiquei espantado ao ler no jornal destak que a GNR formou cerca de 1700 interlocutores, pessoas que serão intermidiários entre a população e a GNR... parece-me aqui que talvez outro nome que se pode dar as estes será de "informadores"... necessário sempre que se pretende controlar o povo, de outra forma para é que precisamos que civis ou disfarçados venham a ser intermediários da GNR?

    Parece-me que os próximos tempos vão ser duros...

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  4. Anónimo7.1.13

    Estes dados são muito interessantes e reveladores da competitividade ( detesto esta palavra) dos portugueses.
    Isto claramente à custa dos baixos salários.

    Diz a Wikipédia: 'A competitividade é frequentemente vista no contexto da economia de mercado. Neste sentido, a competitividade empresarial significa a obtenção de uma rentabilidade igual ou superior aos rivais no mercado. Se a rentabilidade de uma empresa, numa economia aberta, é inferior à dos seus rivais, embora tenha com que pagar aos seus trabalhadores, fornecedores e accionistas, a médio ou longo prazo estará debilitada até chegar a zero e tornar-se negativa.'

    Posto isto, resulta desta definição, que não está má de todo, que a competitividade será sempre um factor de pressão sobre as economias forçando a uma constante baixa de salários, a não ser que o desenvolvimento tecnológico compense a custo da mão-de-obra.

    De qualquer modo, e com a dinâmica avassaladora do mercado globalizado, a pressão negativa sobre os salários terá uma tendência crescente.

    Isto leva a uma questão fundamental: Com a baixa de salários generalizada que é a tendência actual, teremos uma redução da capacidade de aquisição dos bens e serviços produzidos, ou seja, menos compradores.

    A consequência lógica, será um crescente no numero de insolvências e desemprego. Tem-se um ciclo vicioso que só poderia ser de certa forma resolvido, através de um processo inverso ao que está actualmente em curso.
    Implementação de medidas proteccionistas, politicas cambiais mais favoráveis, e claro está, aumento dos salários e do investimento publico (endividamento). Mas o que se está a fazer é o contrário.

    Se calhar estou a ver mal o problema.

    abraço
    krowler


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  5. Anónimo9.1.13

    Krowler,

    Estás a ver muito bem o problema, e o curioso, é que hoje em dia ainda é o oposto do que se pratica em Portugal, que se ensina em qualquer universidade de gestão/economia do mundo....
    Que é o que referiste no final do teu comentário e eu reforço com a possibilidade de emitir moeda, com o Euro não temos hipótese...

    Zarco

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  6. Anónimo9.1.13

    Zarco,

    Tambem acredito que com o euro não temos hipotese.

    abraço
    krowler

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