15 abril 2013

A lobby política de Facebook

Vamos imaginar um cenário: o Leitor é o dono duma empresa fundada e desenvolvida na internet.

Esta empresa oferece aos próprios membros espaço para discussões, para alojar imagens, jogar, encontras pessoas, ouvir música, partilhar de tudo um pouco. Esta empresa consegue centenas de milhões de membros.

É verdade: esta empresa espreita na vida pessoal dos membros, analisa os gostos, os hábitos, ignora a privacy, até colecta dados pessoais sensíveis, mas agora isto não interessa. E depois a maior parte dos membros não se preocupa com estas coisas.

O que interessa é que e empresa do Leitor factura, e bem. Mas isto conta até um certo ponto: com todo o dinheiro conseguido até hoje, o Leitor não terá que preocupar-se acerca do futuro. Então o que fazer com esta empresa chegados a este ponto?

Este é o "problema", por assim dizer, de Facebook e Youtube. Que parecem ter encontrado uma solução.

Facebook e Youtube, as duas grandes redes sociais que declaram ter ultrapassado o limiar do bilião de membros, mudam de facto alguns aspectos da geopolítica, em especial da política dos EUA. Por enquanto apenas dos Estado Unidos, porque estas empresas não conhecem fronteiras.

Na verdade, estes dois gigantes não podem ser definidos simplesmente como "Comunidade Digital", pois o comportamento dos membros, e em particular dos proprietários, tornam Facebook e Youtube macro-entidades supranacionais. Abrir uma conta é como obter um cartão de identidade, uma espécie de passaporte. E, acima de tudo, respeitar os "Termos e Condições" (que ninguém lê) significa aceitar uma constituição que de democrático tem muito pouco.

Mas nestas novas macro-entidades, qual a ideia do futuro? Falamos aqui não das ideias dos membros, que contam o que contam (isto é: nada), mas dos donos. Estas pessoas, que tornaram-se para as multinacionais indispensáveis meios de promoção e que repetidamente violam a privacidade dos seus membros, terão também uma estratégia política? Tencionam influir ainda mais na sociedade real? E, eventualmente, como?

O proprietário de Facebook, Mark Zuckenberg, no começo da segunda semana de Abril falou acerca duma captação de fundos em favor do governador do New Jersey Chris Christie, um republicano. Obviamente, o facto alertou os Democratas.

Já era conhecido o facto de Facebook-Zuckenberg desejar algo com claras conotações políticas: a operação tem como objectivo uma "reforma abrangente da imigração e da educação".

Segundo alguns, a iniciativa acerca da imigração está relacionada com o facto da maioria dos cérebros operam na Silicon Valley serem oriundos de várias partes do mundo, algumas das quais são áreas altamente estratégicas, como a China, a Índia ou a Rússia.
De acordo com outras fontes, a visão de Facebook acerca da imigração seria uma forma de recolher as simpatias de todos os que sonham de entrar mais cedo ou mais tarde nos EUA.

Mais preocupante a questão da educação: a ideia de que um gigante da web, juntamente com outros parceiros institucionais e não, possa ter o objectivo de "educar" as novas gerações é algo terrificante. Mas parece que a operação esteja em pleno andamento. Vale a pena aprofundar este ponto.

No passado dia 9 de Abril, "Política", uma respeitada publicação on-line dos Estados Unidos, "intercepta" um e-mail. E já a coisa é um pouco esquisita: como é possível "interceptar" um e-mail?
Em frente:  o e-mail, que tem o nome de Prospectus tinha sido enviada apenas para um número limitado de pessoas, e o remetente era uma personagem histórica: Mr. Joe Green, um dos colegas de quarto em Harvard de Mark Zuckenberg.

O texto do correio contem declarações interessantes. Entra estas, brilham as afirmações de acordo com as quais Bill Gates, da Microsoft, e Marc Andreessen (co-autor do Mosaic e co-fundador da Netscape), iriam juntar-se na tal operação “reforma abrangente da imigração e da educação”. rodada do jogo. Segundo Politico, a alegação é negada por parte dos interessados. Na verdade a coisa é um pouco diferente: o porta-voz, tanto de Gates quanto de Andreessen, não comenta.

Sempre de acordo com Joe Green, o nome da operação deveria ter sido Human Capital, mas é provável que entretanto tenha sido mudado, sobretudo por causa da publicidade involuntária recebida.

O grupo dos membros da operação seria formado também por: o fundador da Netflix, Reed Hastings, o criador de Twitter, Jack Dorsey, o co-fundador de LinkedIn, Reid Hoffman, mais algumas chefias de Dropbox, Kynga, Instagram e investidores, provavelmente prontos para apoiar tudo.

O site Politico lembra como as sementes da iniciativa teriam sido lançadas no Verão passado, durante uma reunião do chefe do sector tecnológico, em que foi feito um apelo para a criação duma representação, com o fim de defender a visão e a política industrial da área; uma espécie de Motion Pictures Association (Hollywood) ou Big Pharma.

Neste aspecto  é preciso dizer que outros grupos digitais têm planos diferentes perante as questões da imigração e da educação: é o caso de Eric Schmidt do Google ou dos chefes da Intel, Oracle e Cisco. Há, portanto, uma outra frente, que de momento não tomou uma posição pública.

Voltando ao e-mail Prospectus, vale a pena realçar algumas frases de Joe Green:
o povo da tecnologia pode ser organizado em uma das mais poderosas forças políticas [...]
Nós vimos a ponta do icebergue na altura da SOPA / PIPA" (o maior apagão da rede que ocorreu em 2012 para protestar contra uma votação do Congresso dos EUA) [...] A nossa voz tem um grande peso, porque somos populares [...] Entre nós há pessoas com muito dinheiro e isso pode ter uma grande influência no financiamento da campanha.
Resumindo: a questão parece ser um difícil campo de batalha para o futuro. E não será limitado apenas aos "direitos dos autores", mas incluirá também problemas como a migração das pessoas e a gestão das mentes (a chamada educação).

Tanto para ter uma ideia do tamanho da coisa, a operação de Mark Zuckenberg implicou um investimento inicial de 20 milhões de Dólares. Porque Facebook e Youtube são muito mais do que jogos e vídeos.


Ipse dixit.

Fontes: Megachip, Politico (1, 2, 3, 4), The Australian

2 comentários:

  1. maria16.4.13

    Olá Max: nessa porcaria toda o problema é que cada vez menos gente determina o que cada vez mais gente vai ser, sentir, pensar, ter, amar ou odiar.E quanto mais essa desgraça acontece em todos os âmbitos da vida, mais os indivíduos se creem donos das suas vontades.Abraços

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  2. Olá Max

    Bom esse post! mas falta agora falar sobre o Google... que generosamente nos avalia para nos fornecer uma lista de sites e assuntos de acordo com os nossos gostos... mesmo que com isso deixemos de acessar o que realmente nos interessa e recebamos algo que nada tem a ver com o nosso assunto!...
    E falar do motor de busca como é elaborado... aquele mesmo que o FACE usa e surge quando fechamos uma propaganda que não aprovamos...
    "DIGA-NOS O QUE GOSTA para que possamos saber quem é vc e te empurrar outra propaganda".
    Mas esta nem é a parte mais sórdida e sim aquela que surge quando mudamos a senha e vem o gmail, google, etc, pedindo nosso numero de celular para que possamos recuperar nossa senha preciosa mais rápido... para alguns é bom tal facilidade, para eles também, pelas razões deles, claro...!
    Essa análise sobre nós está arquivada com eles, se somos boas pessoas eles só nos incomodarão com propaganda, mas se somos inimigos da sociedade seremos caçados um dia...
    E agora vem a questão, o que nos define como bons ou maus cidadãos??
    - Pedofilia? Essa é fácil, ou se é ou não é.
    - Tendencias politicas? essa é confusa em suas definições. E não falo sobre ser da direita, da esquerda, ser republicano, democrata ou monarquista... ou anarquista!
    - Desejo por conhecimento X espionagem... onde eles definem o limite de um e outro?
    Se eles querem saber o que penso, eu também quero saber como eles funcionam e pensam a meu respeito!
    por isto agradeço pelo post a respeito do face, confirmou minhas suspeitas.

    abraços!

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