28 junho 2013

EUA: a Operação Sucata

A guerra no Afeganistão começou no Outono de 2001, após os atentados do 9/11.
Feitas as contas, são 12 anos de guerra, ao longo da qual os Estados Unidos acumularam milhares de meios, veículos e equipamento para combater uma guerra que perderam.

E dado que perder significa abandonar a região, eis que surge um problema: o que fazer com aquela tralha toda?

A "tralha", em boa verdade, custou biliões de Dólares: só que numa altura em que os Estados Unidos estão a preparar a retirar do País, surge o problema logístico.

Seria possível doar este material para as forças armadas afegãs numa tentativa de manter a segurança após a saída dos soldados americanos. Ou seria possível vender tudo para outras nações, tanto para ganhar uns trocos. Mas não: o exercito está deliberadamente a destruir instrumentação sofisticada, cujo valor é muito elevado, numa operação-sucateiro sem precedentes.

No total, serão destruídos mais de 7 biliões de Dólares de equipamentos, que representam cerca de 20% do material que EUA têm no Afeganistão: a verdade é que seria muito caro organizar o regresso da "tralha" para casa. Até a data, já foram demolidas mais de 77.000 toneladas de equipamento militar.

As alternativas consideradas foram rapidamente abandonadas: os EUA não querem deixar no Afeganistão por causa da inexperiência dos soldados locais; e nem querem vender, por causa do medo de que o comprador não tenha as condições para retirar tudo daquela que ainda é considerada uma zona de guerra.

A única possibilidade que resta, portanto, é desfazer-se de todos os materiais considerados em excesso, e depois tentar vendê-los ao quilo no mercado afegão.

Claro, existe ainda outra interpretação: porque reciclar quando é possível voltar a comprar? A lobby das armas precisam projectar, produzir, vender. Nova guerra? Grande compras. E mesmo que não haja um novo conflito no horizonte, é sempre uma boa ocasião para substituir e modernizar. Com o dinheiro dos contribuintes.

E não podemos esquecer os drones. As bombas voadoras e telecomandadas já revestem um forte importância estratégica no exercito americano: no futuro será este um dos pontos fortes da táctica militar de Washington, substituindo assim a presença física no terreno.
Isso pode também explicar (em parte) a destruição do equipamentos para as operações de terra, incluindo 2.000 dos 11.000 veículos blindados que o Pentágono comprou o meu a partir de 2007 e que agora estão no Afeganistão.

E, para concluir, não podemos esquecer o papel do governo de Karzai: apesar de estar na folha de pagamento dos EUA, a verdade é que Washington não confia plenamente nele: reforça-lo está fora de questão, tanto que, neste momento delicado, preferem dar luz verde a um desperdício de recursos tão grandes ao invés de deixar algo nas mãos dos supostos aliados.

7 biliões de equipamento destruídos. O que teria sido possível fazer com aquele dinheiro todo? Não importa, pois como sempre não haverá responsáveis.


Ipse dixit.

Fontes: RT

3 comentários:

  1. maria28.6.13

    Olá Max: que pena...nenhum comentário sobre algo que deveria fazer as pessoas pensarem, e deplorarem a estupidez humana, revoltarem-se pelas injustiças e exageros da cobiça, saírem em passeata ao redor do mundo. Abraços

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  2. Este comentário foi removido pelo autor.

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  3. O que fazer com os equipamentos de guerra? Nada, já foram pagos e depreciados. A economia que foi gasta para produzi-los é como a água que passou por baixo da ponte. É passado. A indústria armamentista precisa de mais fôlego e todos ajudamos e vamos continuar ajudando. Para que alguma coisa mude é preciso rever o acordo de Bretton Woods.

    Enquanto a banca judaica tiver o "privilégio" de continuar pintar papel e nós os otários do mundo continuar a acreditar nessa idéia nada mudará.

    Continuaremos a ver passeatas, protestos vazios das verdades incontestáveis de pessoas que só conseguem enxergar o próprio umbigo. Enquanto isso o mundo, não só o Afeganistão e a máquina de guerra vira sucata.

    E, pior estamos virando sucata pela indiferença dos demais, ninguém quer sair da sua zona de conforto. A vida está tão prostituida por todas as formas de estímulos externos que acabamos por ficar insensíveis à pedra angular de todos os problemas. Cada um sabe o que é bom para si, na sua casa. Mas, infelizmente só fica nisso. Enquanto isso as sucatas da miséria se espraiam pelo mundo.

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