06 junho 2013

O humanóide de Atacama

Espaço para algo "estranho", pois tivemos algumas notícias interessantes ao longo do último mês.

No ano 2003, em Noria (deserto do Atacama, Chile) foi encontrado um esqueleto mumificado de tipo humanóide. Envolvido num pano branco, com um comprimento de apenas 15 centímetros, atraiu as atenções do descobridor, Oscar Muñoz:
Encontrei-o em meados de Agosto, neste lugar. Estava vasculhando o terreno, quando apareceu isto.
Tanto para tirar logo as dúvidas: o esqueleto de Atacama não é uma escultura, não é um boneco, não é um expediente publicitário, não é um animal selvagem. Não é uma fraude, como será possível averiguar a seguir.

Na altura não foi possível determinar a idade exacta do achado, mas de acordo com o sítio arqueológico em que foi encontrado acredita-se que deve ter sido enterrado há pelo menos cem anos.

Percebendo a estranheza do achado, Muñoz falou com dois fotógrafos seus amigos, Alejandro e Gabriel Davalos, e pediu-lhes para fotografar o objecto, :
Nós deparámos com uma espécie de pequeno homem. Então eu perguntei se poderíamos tirar fotos e, como tinha a minha câmara digital, tirei um monte de fotografias.
Explodiu imediatamente o caso que foi baptizado como "O Extraterrestre de Noria". De facto, os media começaram a interessar-se e a falar da descoberta do primeiro corpo dum alienígena no Chile, enquanto outros "especialistas" declaravam tratar-se dum feto deforme. Aliás, com o passar do tempo esta última foi a versão aceite pelos órgãos de informação e a notícia desapareceu das capas dos jornais.

Dr. Miguel Botella antropólogo da Universidade de Granada (Espanha):
Para nós, é claro, não há nada de errado, não é um ser que tenha algumas características especiais, como eu disse, não há dúvida de que se trata de um feto humano.
Mas as coisas não eram tão simples.

Em 2004, Ramón Navia-Osorio, presidente do Instituto de Pesquisa Esobiologica de Barcelona (Espanha) apresentou oficialmente a relíquia mumificada aos cientistas espanhóis numa conferência: afinal tratava-se dum "feto humano" bastante anormal, com apenas 10 costelas. Os seres humanos têm 12 costelas e de vez em quando alguém nasce com 11. Mas um ser humano com 10 costelas é um caso extremamente raro, que já por si deveria acionar uma campainha de alarme.

Outra particularidade: este "feto" tinha os dentes completamente desenvolvidos, coisa que já tinha sido notada pelo fotógrafo chileno:
Eu disse: "Não, não pode ser um feto." Tinha dentes, tinha uma crista óssea.
Mais: o crânio do humanóide era formado por apenas quatro ossos, em vez dos habituais seis que todos temos. E finalmente, o achado tinha os joelhos sem rótulas. Isso também tinha sido notado imediatamente pelos fotógrafos chilenos:
Outra coisa que me chamou a atenção é que não tinha as rótulas do joelho. Tinha um sistema diferente para mover-se, não tinha rótulas. Como se fosse um insecto.
Em 2009, o Dr. Steven Greer, fundador e director do Disclosure Project, contactou a Universidade de Stanford (Califórnia), e obteve a autorização para realizar uma série de análises científicas sobre a relíquia mumificada.

As análises, conduzidas pelo pessoal da universidade, trouxeram importantes novidades.
A primeira veio quando os pesquisadores perceberam que não tinham na frente um feto abortado.
Dr. Garry Nolan, Professor de Genética da Stanford University:
Num simples exame preliminar é claramente mais velho do que um feto abortado.[...]
O DNA conta a história e nós temos as técnicas computacionais que nos permitem determinar, em muito pouco tempo, se, de facto, isso é humano. Posso dizer com absoluta certeza que não é um macaco.
E foram os joelhos que revelaram a idade aproximada do humanóide. Ainda o Dr. Nolan:
O conceito aqui é que o joelho que cresce, a articulação que cresce, são feitos principalmente de cartilagem. Há uma mineralização da cartilagem, com um aumento progressivo desta chamada "placa de crescimento". Existe um padrão. O choque, acho eu, e surpresa, do Dr. Lachman, foi que esta amostra claramente não era um feto, mas que, ao comparar as placas de crescimento com padrões conhecidos, tinha entre 6 e 8 anos de idade.
O Dr. Lachman citado é Ralph Lachman, co-fundador e co-director do International Skeletal Dysplasia Registry (ISSR) e docente da UCLA School of Medicine :
Examinei no decorrer da minha carreira muitas anomalias esqueléticas e outras anomalias pediátricas e dismorfias. Este espécime não está abrangido por nenhuma classe de distúrbios ou síndromes conhecidos... não há forma conhecida de nanismo que explique as anomalias observadas neste espécime. Mais interessante, com base em padrões epifisélicos do joelho, o espécime parece ter 6-8 anos de idade. Embora ainda haja a possibilidade deste último resultado ser provocado por alguma forma de progeria desconhecida, na minha opinião esta é uma probabilidade baixa.
Neste ponto, o problema tornou-se claro: como pode um ser humano de 15 centímetros ter vivido pelo menos 6-8 anos no deserto de Atacama, cem anos atrás?

Havia ainda uma possibilidade para explicar o mistério, isto é, que o corpo tivesse vivido ao longo de muito menos tempo, alvo duma forma de progeria, uma deficiência genética que acelera de forma excepcional a idade do corpo, e, em seguida, também a dos ossos.

Mas quando foram feitos os testes no código genético, descobriu-se que o gene responsável pela progeria não tinha sofrido qualquer mutação.
Steven Greer:
Os genes que controlam a progeria, o envelhecimento acelerado ou nanismo, não mostram qualquer mutação.
Enquanto isso, a análise dos genes revelou algo ainda mais importante: o humanóide de Atacama tinha apenas 91% do código genético em comum com os seres humanos. O Dr. Nolan consultou especialistas que haviam extraído DNA dos ossos dos Denisovianos, parentes asiáticos dos Neanderthal europeus, mas descobriu-se que os protocolos não eram necessários:
O DNA é moderno, abundante e de alta qualidade.
Indicando com isto que a amostra tem provavelmente algumas décadas de idade e confirmando assim as primeiras avaliações acerca do local onde tinha sido encontrado.
Dr. Greer:
O que é anormal, e por enquanto não podemos tirar conclusões, é que 9% do material genético é "incompatível". Isto dito por um computador do melhor laboratório do mundo, na Universidade de Stanford, e após ter sido verificado 3 vezes.
Nove por cento pode parecer irrelevante, mas na realidade é uma diferença enorme.
Os Homens de Neanderthal compartilhavam com os seres humanos 99,5 % do código genético, enquanto o chimpanzé, que é o primata mais próximo de nós, vária entre 96 e 97%.

Nos próximos anos, conclui Greer, mais de dois milhões de pares de nucleotídeos descartados pelo computador (aqueles não reconhecidos como humanos) serão analisados ​​um por um, para ter certeza de que não foi apenas um erro do computador ou uma falta devida às condições de preservação.

Por enquanto fica a dúvida: era um alienígena? A resposta parece ser negativa.
Dr. Nolan:
A sequência que temos a partir das células mitocondriais diz-nos que a mãe era uma índia nativa da área chilena.
Todavia acrescenta:
As pessoas com as quais entrei em contacto através deste processo convenceram-me completamente de que os fenómenos observados ao redor do planeta não devem ser ignorados. Esse tem sido um despertar para mim.
Seja como for, um mistério para a medicina: no mínimo, "um ser humano infeliz com uma série de defeitos de nascença cuja genética não é óbvia" como explica o mesmo Dr. Nolan. Opinião não partilhada pelo paleoantropolista e anatomista William Jungers, do Stony Brook University Medical Center de New York:
As anomalias genéticas não são evidentes, provavelmente porque não existem.
Única certeza: não é uma fraude. As radiografias mostram claramente os ossos reaiscom sombras arteriais. Explica o Dr. Nolan:
Não é possível falsificar isto.
Conclui o Dr. Steven Greer:
Após seis meses de pesquisas conduzidas pelos melhores cientistas da Stanford University, o humanóide de Atacama continua a ser um profundo mistério
Quanto ao resto: teremos que esperar pelos resultados das análises dos tais nucleotídeos.


Ipse dixit.

Fontes:  Luogocomune, Before It´s News, LiveScience, International Science Times, Daily Mail, Science, Open Minds Tv

8 comentários:

  1. Anónimo6.6.13

    Fantástico!
    Seria um resultado de manipulação genética proposital? Dados somente da mãe não bastam. O mistério ainda vai continuar. Eles poderiam reconstruir o corpo como era no computador, me pergunto o que estão esperando para fazer isso, se já fazem com fósseis de dinossauro.

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  2. koalabomb7.6.13

    Boa história Max, o estranho é mesmo o facto de esta "múmia" ter apenas 100 anos, sem dúvida interessante.

    É que nem na espécie homo ao longo de toda a evolução temos provas de fósseis tão pequenos (penso que o homo floresiensis leva o prémio).

    Mais um mistério para os muitos que assolam a história da América

    abraços

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  3. realmente interessante, quando pensamos que já descobrimos tudo aparece uma surpresa destas

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  4. Este comentário foi removido pelo autor.

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  5. Olá Max

    E não é que acharam o Pequeno Polegar? Pensávamos que fosse fábula.

    Mas há postagens que reduzem a quantidade de costelas para 9, tal como esta: http://www.thrive.com.br/realidade/humanoide-de-atacama-a-verdade-e-revelada/

    Posto com mais detalhes este link: http://universoracionalista.org/analise-da-analise-do-caso-sobre-o-humanoide-do-atacama/
    o autor fornece acesso a vários outros links e videos... e destaco este trecho:

    [No site você encontra a suposta análise em PDF e um artigo (aqui e aqui) com o seguinte título:

    “Stanford University Research: Atacama Humanoid Still A Mystery. Steven M. Greer MD.”

    O problema é que essa análise não consta no site da Universidade de Stanford.]


    Não quer dizer que a pesquisa não exista lá dentro, apenas que não deve estar acessível a todos... até porque e a celeuma que pode descer sobre a vidinha pacata da universidade pode afetar a reputação dela, não é?

    abraços!

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  6. Acrescentando mais este link para que vejam as fotos

    http://siriusdisclosure.com/evidence/atacama-humanoid/

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  7. Eu penso que é um humano com uma doença genética do esqueleto chamada nanismo primordial osteodisplasico microcefálico tipo II. Explica todas as características excepto a alegação da diferença no DNA, que eu não consigo encontrar num documento oficial...

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  8. A indagação mais intrigante sobre esse achado é que ele compartilha apenas 91% do código genético com os demais humanos, enquanto que os chimpanzés, nossos parentes mais próximos, compartilham 96 a 97%!!!!

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