30 setembro 2013

As previsões do BIS

O alarme não é dum blogueiro que adore o catastrofismo, mas dum banco.

Aliás, dum super-banco: com sede em Basileia, na Suíça o BIS (Bank for International Settlements, Banco de Compensações Internacionais) promove a cooperação entre os bancos centrais, fornece serviços financeiros quase como um "banco dos bancos centrais" e actua como agente ou representante nos pagamentos internacionais.

No papel de "banco de todos os bancos", o BIS de Basileia é o mais poderoso banco do mundo, aquele que capta e dirige o clima das finanças globais. E as suas últimas previsões são alarmantes.

O alarme, lançado num relatório na semana passada, observa com preocupação o tsunami de dívida que, na indiferença geral dos governos e dos media, está prestes a cair sobre os mercados e, consequentemente, sobra as nossas cabezinhas. Algo bastante grave, para que fique bem claro.

Culpa da Federal Reserve e da continua injecção mensal 85 biliões de Dólares na disfuncional economia americana? Não, o problema é bem maior. A Fed imprime rios de dinheiro na tentativa de relançar o motor da economia dos Estados Unidos, mas o programa de estímulos não resulta (a Fed baixou as previsões de crescimento): evidentemente os males têm uma origem mais profunda e não abrange apenas as contas de Washington.

William White, ex- economista-chefe do BIS, confirma as previsões sinistras da instituição:
Estamos de volta a uma situação pior daquela na véspera do colapso do Lehman Brothers em 2008. Todas as situações de desequilíbrio ainda estão presentes. Os níveis de dívida pública e privada aumentaram 30% em relação a cinco anos atrás.
Mas afinal quanto é esta dívida? De acordo com as contas do diário económico The Economist, o total da dívida pública global seria de 51.663.084.824.800 Dólares. Um pouco mais de 51 triliões. Segundo outros cálculos, o total já teria ultrapassado os 190 triliões. Mas ter uma ideia precisa é muito difícil.

 Congresso dos EUA, no próximo 15 de Outubro, aumentará o limite da dívida. Terá que fazer isso, caso contrário não estará disponível o dinheiro para so pagamentos. E ninguém consegue imaginar (por enquanto) os EUA incumpridores.

O Japão continua com uma dívida de 211% do seu PIB, o País gasta mais da metade da receitas fiscais para o pagamento dos juros da dívida nacional. E 46% do orçamento de 2013 só pode ser financiado com dívida adicional.

Na China, ao longo dos últimos cinco anos, a dívida privada subiu de 8 para 23 biliões de Dólares.

Na Europa...pois, a Europa. Por aqui, num ano, o rácio da dívida aumentou até atingir valores cada vez mais elevados (Portugal entrou em falência com uma dívida que ultrapassava 80%, agora já atingiu 130%), mas Bruxelas continua a dizer que a crise já passou e que a economia está em recuperação.

Considerarmos a estimativa do The Economist: quem irá pagar 51 triliões de dívida?


Ipse dixit.

Relacionado: O Banco Mundial - Parte II: o BIS

Fontes: Veille.com via Ticino Live
Gráfico: The Economist
Nota: no link do The Economist é disponível a versão interactiva do gráfico, com o valor da dívida em constante actualização.

3 comentários:

  1. maria30.9.13

    Ninguém vai pagar coisa nenhuma, Max. Ninguém.E o que vai acontecer? Acho que coisas um pouco diferentes, dependendo do lugar, embora todos afetados pelas desregulagens globais. Mas quem poderia explicitar algumas opções... penso que tu podes fazer isso num post a seguir. Abraços

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  2. Anónimo30.9.13

    Além do gráfico da publicação 'The Economist' que está no post, existe este: US Debt Clock:

    http://www.usdebtclock.org/

    Neste relógio podemos verificar a evolução de todos os indicadores que caracterizam a economia dos EUA.
    No meio do quadro está um indicador 'US Total Debt'. Clikando em cima deste valor ou de qualquer outro, aparece a explicação do mesmo.
    O montante do 'US Total Debt' é neste instante de: 59,831,095,000,000( está arredondado pois os algarismos não param quietos, estão sempre a subir). Ao valor acima, com 14 algarismos, corresponde uma dívida por cidadão de $188,863, o que dá uma dívida média por família de $749,482, e sempre a subir, sendo que a poupança média por família é de $3,112.
    O Rating dos EUA é segundo a Fitch AAA !!!!!!!!!

    abraço
    Krowler

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  3. Os virus quando infectam um organismo eles sugam toda a força até matar o hospedeiro, é a concorrência da colõnia (dos virus).É claro há antivirus, mas quem vai aplicar é que é o problema.

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