26 setembro 2013

O que o supermercado não quer que se saiba

Uma volta no supermercado?
Diz Marion Nestle:
Os pesquisadores têm trabalhado anos para garantir que o comprador comum observe quanto mais produtos possíveis durante as compras, porque quanto mais eles veem, tanto mais eles compram.
Marion Nestle, para nossa sorte, não tem nada a ver com a homónima multinacional suíça (a Nestlé): pelo contrário, é o autor do recente livro An Aisle-by-Aisle Guide to Savvy Food Choices and Good Eating , uma tentativa para favorecer escolhas alimentares mais experientes e uma melhor alimentação. A seguir, alguns pontos interessante acerca dos supermercados.

1 . Os carrinhos de compras estão sujos.

De acordo com os estudos feitos nos carrinhos, mais de 60% ​​destes albergam bactérias coliformes (as espécies de bactérias que são encontradas nas casas de banho públicas). O Dr. Chuck Gerba, um microbiologista da Universidade da Arizona, diz:
Estas bactérias podem ser originados nos vegetais não lavados, dos enchidos não limpos, das mãos sujas dos clientes ou das crianças sentadas nos carrinhos. É suficiente pensar que onde colocamos os nossos brócolos poucos minutos antes havia o rabo de uma criança.
De acordo com estudos feitos por Gerba e os colaboradores, os carrinhos de compras têm mais bactérias do que qualquer superfície estudada, incluindo os apoios das sanitas e os apoios de cabeça dos comboios.

Para evitar a contaminação com bactérias Gerba sugere limpar a parte do carrinho onde apoiamos as mãos com lenços higienizado e lavar as mãos depois de ter feito as compras.

2 . Os alimentos "amigos das crianças" estão dispostos a altura delas.

Quem faz compras com crianças sabe que deve prestar atenção às coisas que acontecem, o que os putos atiram para o carrinho. Marion Nestle:
Eu sempre digo aos pais para nunca fazerem compras com os filhos. As caixas com as personagens das bandas desenhadas são sempre colocadas nas prateleiras mais baixas, onde até mesmo as crianças podem pega-las.
Uma pequena viagem pelo corredor dos cereais é a melhor demonstração disso.
Tara Gidus, da American Dietetic Association, diz:
Os cereais açucarados estão ao nível dos olhos das crianças, enquanto os saudáveis e ricos em fibras estão nas prateleiras mais altas.
É a mesma situação que podemos encontrar na caixa registadora, onde os doces estão estrategicamente colocados para incentivar as compras impulsivas de adultos e para que as crianças possam facilmente pegar nestes pequenos produtos.

3. Cortam e fatiam os alimentos para aumentar o preço.

Nos departamentos dos alimentos frescos, podemos encontrar algumas boas fatias de melancia já cortadas e frescas saladas de legumes lavados e cortados. Na área das carnes, o peito de frango assim como os bifes são já cortados e também marinados, prontos para serem preparados. Não há como negar que estes alimentos já cortados tornar a vida mais fácil, mesmo os nutricionistas concordam que isso aumenta o consumo de legumes ou frutas e, então, representam uma coisa boa para a saúde.

Mas devemos pelo menos ter em mente que estamos a pagar uma sobrecarga bastante elevado de preço (às vezes mais do que o dobro, basta ler o preço por quilo e não aquele duma única embalagem) para algo que poderíamos fazer sozinhos.

4 . Os alimentos que são bons para a saúde estão escondidos

O exemplo clássico é o da massa de trigo integral, que é colocada nas prateleiras mais baixas ou até mesmo os alimentos orgânicos, que muitas vezes têm uma pequena prateleira junto aos alimentos étnicos .

5. As exposições no final do corredor estão aí para distrair-te
Marion Nestle:
As empresas alimentares pagam os supermercados para colocar os seus produtos onde possam ser vistos mais facilmente, tais como nos expositores no final dum corredor.
O conceito é o de colocar os itens ou os grupos de alimentos de alto lucro, como os chocolates, de forma a inspirar compras compulsivas: e mesmo que estas exposições sejam utilizadas para promover produtos em oferta, as pessoas tendem a compra-los mesmo sem que haja uma real necessidade.
O Dr. Brian Wansink, director do Laboratório de Alimentos e Marcas da Universidade University e autor do livro Mindless Eating:
As pessoas compram 30% mais aqueles produtos que estão colocados na exposição daqueles que ficam nas prateleiras no meio do corredor, também porque achamos que as verdadeiras oportunidades estejam no fim.
6. Negócio nem sempre é negócio.

Quem pode resistir perante uma oferta como "Compre 5 e leve um grátis" ou "Três por um"?
Aparentemente, apenas algumas pessoas.
O Dr. Brian Wansink:
Todas as vezes que vemos um número no cartaz duma prateleira, vamos comprar cerca de 30% mais do que realmente seria preciso comprar.
Portanto, se comprarmos mais do que for preciso não necessariamente é um bom negócio. Ou, pior ainda, vamos consumir mais.
Sempre o Dr. Brian Wansink:
Uma vez que o produto está em casa, será consumido mesmo sem prazer, pois é uma vergonha deitar fora comida.
Mais: se, por exemplo, uma caixa de atum é anunciada a um preço inferior do que outra, temos que prestar atenção à quantidade de atum na caixa e tentar ler o preço ao quilo.
Tendo estudado marketing, conheço estes e outros truques, alguns dos quais são realmente muito eficazes. Um é colocar "Promoção", "Oferta Especial" ou algo similar sem uma real variação no preço do produto. Invariavelmente, a taxa de rotação do produto aumenta quando o consumidor não tende a memorizar os preços originais, especialmente se é um produto que não é costume adquirir. Isso funciona ainda melhor ainda se estes produtos com redução de preço não efectiva se encontram dentro de uma oferta promocional mais ampla, com produtos que tiveram uma redução real e os exemplos poderiam continuar.
7. O percurso obrigado

Não só o caminho no interior dum supermercado, como todos sabem, é sempre obrigado devido à disposição das prateleiras, mas muitas vezes somos obrigados a seguir um caminho sem perceber isso. O caminho "forçado" é na verdade criado sem barreiras, mas seguindo as necessidades primárias dos compradores como pão, massas, leite e legumes. Seguindo estes caminhos, ficamos com 60-70% mais de produtos do que tínhamos orçamentado.

8. Nem sempre é limpo

Os inspetores do Departamento de Higiene muitas vezes (em teoria) controlam os supermercados à procura de eventuais irregularidades. Mas é possível fazer um pouco de inspecção sozinhos: passamos um dedo no topo das prateleiras para encontrar eventual pó. Nem se fala de produtos perto de moscas (que transportar bactérias) ou de embalagens com pó.

Conselho pessoal: esqueçam o supermercado e visitem o simples mercado. Ou a loja de bairro, onde o atendimento é mais pessoal.
Melhor ainda? O produtor.


Ipse dixit.

Nota: Marion Nestle, a autora citada no artigo, é professora de nutrição, estudos alimentares e saúde pública na Universidade de New York, professora de Sociologia na mesma instituição e professora de Ciências Nutricionais da Universidade de Cornell.

Fonte: Psiche e Soma via Il Fattaccio, Food Politics

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