18 setembro 2013

Todas as guerras dos Estados Unidos - Parte II

...e vamos com a segunda parte do artigo acerca das guerras dos Estados Unidos.
Em análise, as intervenções para derrubar os regimes estrangeiros.


As acções encobertas: 1964 - 1986

Rio de Janeiro, 1964
1964: Brasil

O governo democraticamente eleito liderado pelo presidente João Goulart foi derrubado por um golpe apoiado pela CIA, em Março de 1964.

Tendo previsto uma guerra civil, o presidente dos EUA Johnson autorizou que material logístico fosse enviado para apoiar os rebelde, como parte da Operação Brother Sam ("Tio Sam"): entre outros, munições, carburantes foram enviados do porto de Aruba (Pequenas Antilhas) enquanto outras 110 toneladas de munições e gás CS ficaram prontas em New Jersey para o envio até o aeroporto de Campina.

Poucos dias após o golpe, um oficial da CIA enviou uma comunicação para Washington:
A mudança do governo irá criar uma grande mudança benéfica para os investimentos estrangeiros.

Os documentos da CIA acerca do envolvimento no golpe do 1964 permanecem secretos.

1966: Gana

Em Fevereiro de 1966, Kwame Nkrumah, o Presidente do Gana, foi derrubado com um golpe militar apoiado pela CIA, enquanto se encontrava em visita de Estado no Vietnam do Norte e na China.

1968: Iraque

Em 1966, Abdul Rahman Arif assumiu a presidência do País e o ano seguinte o governo estava perto de dar novas concessões para a exploração de petróleo por parte de França e URSS. Robert Anderson, ex-Secretário do Tesouro sob o presidente Dwight D. Eisenhower, encontrou-se secretamente com o Partido Ba'ath e chegou a um acordo segundo a qual tanto as concessões petrolíferas quanto o enxofre extraído no norte do País iriam para empresas dos Estados Unidos com o Ba'ath no poder novamente. Em 1968, a CIA apoiou o golpe de Ahmed Hassan al-Bakr, do Partido Baath, que trouxe Saddam Hussein no poder (após uma série de contra-golpes).

Em Junho de 1972, o governo do Iraque nacionalizou os recursos petrolíferos de British Petroleum, Royal Dutch Shell, Compagnie Française des Petroles, Mobil Oil e Standard Oil de New Jersey.

1973: Chile

Salvador Allende
A CIA esteve envolvida em várias missões destinadas a eliminar o Presidente Salvados Allende: tentou
subornar o Congresso chileno para impedir a nomeação dele, tentou fazê-lo exilar, trabalhou para influenciar a opinião pública contra ele, tentou frustrar suas aspirações políticas durante a administração de Lyndon B. Johnson e financiou protestos planeados para levar o País à uma paralisação.
Convencidos de que uma revolta militar convencional não era ainda possível no Chile, a CIA planeou um golpe de Estado constitucional: fazer que o Congresso chileno reconhecesse Jorge Alessandri como vencedor das últimas eleições.

A situação precipitou em 1973, quando o General Pinochet avançou com um golpe de Estado e Allende morreu (ou suicida ou assassinado, ainda não há certezas).

1976: Argentina

O governo democraticamente eleito da Argentina, liderado por Isabel Martínez de Perón foi derrubado por um golpe militar em Março de 1976. Oito dias antes do golpe, o almirante Emilio Eduardo Massera, chefe da Marinha da Argentina e um dos golpistas, tinha pedido ajuda ao embaixador dos EUA Robert Hill: este afirmou que o governo dos Estados Unidos não poderia interferir directamente mas forneceu ao Massera uma lista de empresas que trabalhavam pela Embaixada. Washington incentivou os golpistas e já poucos dias depois do golpe os EUA reconheceram o novo governo.

1978-1989: Afeganistão

Bin Laden e Z. Brzezinski
Uma das mais longas e caras operações secretas da CIA foi o fornecimento de biliões de Dólares em
armas para os militantes afegãos mujahideens que lutavam contra o exército da União Soviética. A CIA forneceu assistência aos insurgentes fundamentalistas através dos serviços secretos paquistaneses num programa chamado Operação Ciclone: algo entre 2 e 20 biliões em fundos dos EUA foram canalizados para treinar e equipar as tropas com armas

Com o financiamento americano, foram armados e treinados mais de 100.000 insurgentes. Em 20 de Julho de 1987, a retirada das tropas soviéticas do País foi anunciada em conformidade com as negociações que levaram aos Acordos de Genebra de 1988, enquanto os últimos soviéticos deixaram o solo afegão em 15 de Fevereiro de 1989.

Os alicerces iniciais da Al-Qaeda foram construídos com as relações e o armamento que vieram dos biliões de Dólares de apoio dos EUA para os mujahideens afegãos durante a guerra para expulsar as forças soviéticas do país. O atentado inicial do World Trade Center em 1993, os ataques contra as embaixadas dos EUA no Quênia e na Tanzânia, o ataque ao USS Cole e os ataques de 11 de setembro de 2001 foram todos supostamente ligados a indivíduos e grupos que foram armados e treinados pelos Estados Unidos.

1980: Turquia

Um dia antes do golpe militar de 12 de Setembro de 1980, cerca de 3.000 soldados norte-americanos começaram a manobra militar Anvil Express em solo turco.

O apoio estadunidense ao golpe foi reconhecido pelo chefe de estação da CIA em Ancara, Paul Henze. Depois do governo ter sido derrubado, Henze telegrafou para Washington, dizendo: "Os nossos rapazes [em Ancara] fizeram isso". O Departamento de Estado dos Estados Unidos anunciou o golpe durante a noite entre 11 e 12 de setembro: os militares haviam telefonado para a embaixada dos Estados Unidos em Ancara para alertá-los do golpe com uma hora de antecedência.

1980-1981: Polónia

Os EUA apoiaram o movimento Solidarność na Polónia, e com a CIA, actuou numa campanha de relações públicas para impedir que "um iminente movimento de grandes forças militares soviéticas na Polónia". Quando o governo polaco lançou uma ofensiva em 1981Solidarność não foi alertada. Possíveis explicações para isso variam: alguns acreditam que a CIA foi encontrada desprevenida, enquanto outros sugerem que os decisores políticos americanos viram uma repressão interna como preferível a uma intervenção soviética.

1980: Angola

A intervenção militar cubana em apoio da ditadura comunista do MPLA em Angola levou a décadas de guerra civil que custou 1 milhão de vidas. A administração Reagan ofereceu ajuda secreta a um grupo de rebeldes anti-comunistas liderados por Jonas Savimbi, chamado UNITA, cuja insurgência forçou o fim à ocupação de Cuba. 

1980-1995 Camboja

A administração Reagan auxiliou os movimentos de resistência anti-soviéticos no exterior da que encontrava-se sob a ocupação vietnamita após o genocídio cambojano realizado pelos comunistas do Khmer Vermelho. Os vietnamitas tinham instalado uma ditadura comunista liderada por um dissidente do Khmer Vermelho, portanto Reagan autorizou a concessão de ajuda a um movimento de resistência chamado Frente Popular de Libertação Nacional do Khmer (KPNLF), dirigido por Son Sann. Mais tarde, os vietnamitas se retiraram, as tropas americanas (com as forças da ONU) invadiram o País onde se realizaram novas eleições.

1981-1990: Nicarágua

Daniel Ortega
Entre 1980 e 1990, a CIA temtou derrubar o governo sandinista na Nicarágua.

Em 1983, a CIA criou o grupo Unilaterally Controlled Latino Assets ( UCLAs ), cuja tarefa era sabotar portos, refinarias, barcos e pontes, e tentar inculpar os Contras para desencadear uma guerra civi. Em Janeiro de 1984 , as UCLA realizaram a operação para a qual seriam mais conhecidas, o posicionamento de minas explosivas em vários portos da Nicarágua, o que implicou o afundamento de vários barcos e navios e danificou pelo menos cinco embarcações estrangeiras.

O governo sandinista liderada por Daniel Ortega venceu as eleições de 1984 mas a guerrilha continuou até 1990, ano em que os Sandinistas perderam o poder. Tanto os Sandinistas quanto os Contras foram sucessivamente acusados pela Comissão Permanente do Nicarágua pelos Direitos Humanos ​​de matar milhares pessoas, estupro, incêndio e outros crimes de guerra. 

1986: Filipinas

Os Estados Unidos tinham há muitas décadas pressionado o ditador Ferdinand Marcos, assim como o regime que abusou dos direitos humanos e a esposa Imelda Marcos. O apoio dos EUA estavam preocupados com as bases navais norte-americanas nas ilhas, mas alguns presidentes americanos, como Ronald Reagan, não quiseram intervir (definindo Marcos qual "combatente da liberdade").
Não obstante o apoio dos EUA, o regime vacilou, Washington, por temer que o antigo aliado se afastasse, desempenhou um papel significativo em pressionar Marcos a renunciar e para transição pacífica até a democracia.


Ipse dixit.

3 comentários:

  1. Marcelo18.9.13

    Se não há confrontação de hipóteses, não há ciência, não há jornalismo, não há conhecimento: há apenas oratória política, propaganda.

    A obrigação do confronto é tão indispensável na busca da verdade, que, mesmo quando os próprios fatos não sugiram desde logo uma hipótese alternativa, o investigador tem a obrigação de criá-la como instrumento de aferição.

    Mas se a alternativa já está presente, manifesta, visível, declarada no próprio tecido dos fatos, a teimosia em ignorá-la, a fuga à confrontação, a insistência obsessiva em argumentar a favor de uma única hipótese denotam algo mais que parcialidade: denotam a fraude pura e simples.

    No caso da alegada participação americana na derrubada de João Goulart, o principal agente da inteligência soviética no Brasil na época, o tcheco Ladislav Bittman, já confessou claramente que ele próprio e seus colaboradores inventaram essa história em abril de 1964, produziram os documentos falsos necessários para dar-lhe verossimilhança e conseguiram impingi-la a toda a grande mídia brasileira (v. Sugestão aos colegas).

    http://www.olavodecarvalho.org/semana/sugestao.htm

    http://www.olavodecarvalho.org/semana/sugestao.htm

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  2. Olá Marcelo!

    Existem documentos desclassificados (áudio, telegramas, memorandum) norte-americanos que comprovam a participação dos Estados Unidos no golpe de '64.

    Podem ser encontrados no National Security Archive:
    http://www2.gwu.edu/~nsarchiv/NSAEBB/NSAEBB118/index.htm

    Se não erro, foram tornados públicos em 2004.
    Difícil entender a razão pela qual Washington deveria inventar isso.

    Abraço!

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  3. Com esse golpe de 1964, os EUA apropriaram-se do Brazil e da mente dos brasileiros, hoje quase todo brasileiro é um cidadão americanizado, até mesmo no falar. Temos a rede Globo maior defensora dos EUA e desmanteladora/subversiva da cultura brasileira e de valores familiares. E os brasileiros ainda precisam de visto no passaporte para visitar os EUA. As remessas de lucro vão bem.

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