06 novembro 2013

EUA: elite, super-elite e desgraçados

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Estados Unidos: o PIB, o Produto Interno Bruto (a riqueza produzida no País), voltou aos mesmos valores do ano 2007.

Dito assim pode até parecer normal: em 2008 deflagrou a crise global, um abrandamento é natural.

Mas as estatísticas não contam tudo. Na verdade, já antes estava em marcha o fenómeno pelo qual o aumento do rendimento era concentrado apenas em 10% da população (que já incluía a super-elite de 1%, ainda mais ricos): o restante 90% dos habitantes viram as próprias entradas diminuir.

Comparando os rendimentos dos últimos anos, podemos notar como 90% dos norte-americanos perderam 17% das entradas em comparação com o ano 2000. Se no virar do milénio o rendimento médio atingia 36.000 Dólares, hoje o valor desceu para 30.500. Uma queda de 5.500 Dólares por ano.

Como é que as famílias conseguiram compensar as entradas mais reduzidas? Aumentado a dívida: 4.000 biliões de dívida adicional.
Portanto, se as entradas diminuíram e apenas 10% da população viu subir os rendimentos, é óbvio que este 10% "roubou" uma grande fatia do PIB: é o 10% que pode gastar mais do que antes, não o restante 90%.
Mas este é um ponto importante: nunca tinha acontecido que num sistema capitalista, enquanto o PIB aumentava, 90% da população via colapsar os seus rendimentos. Mais uma vez: entrámos numa fase que de Capitalismo tem bem pouco.
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O boom da globalização tem sido um desastre na óptica daquele 90% de cidadãos americanos, tem destruído os rendimentos deles, algo parecido com a época da Grande Depressão.

E dado que o "sortudo" tem hoje 73% da riqueza total e que os seus gastos atingem 40% da despesa nacional, os dados agregados nem parecem tão maus.

No Ocidente, a globalização tem como efeito reduzir o rendimento da maior parte dos cidadãos.
No caso dos Estados Unidos, a razão duma nova e inevitável crise é simples: não é possível sustentar a economia apenas com uma elite de 10% de ricos. Não podem gastar o suficiente: a riqueza deles cresce mas, diversamente do que acontece com os trabalhadores, não é gasta toda e em boa medida é destinada aos investimentos.


Ipse dixit.

Fonte: Cobraf

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