10 novembro 2013

GOCE: saudade de casa

O satélite GOCE
Ainda a falar de espaço?
Sim, mas desta vez é do espaço para a Terra.

O satélite GOCE (Gravity Field and Steady-State Ocean Circulation Explorer) foi lançado pela Agencia Espacial Europeia (ESA) em 2009 e tinha como missão realizar um mapa gravitacional do nosso planeta. Coisa que o GOCE fez, e bem.

Só que depois de 4 anos passados sozinho, no frio do espaço, decidiu voltar para casa. Uma decisão que faz um certo sentido, admitimos. Só que aqui começam os problemas, porque uma coisa é um regresso programado, outra é um satélite que decide como e quando voltar.

Quando? Se não mudar de ideia, entre hoje, Domingo, e amanhã. 
Mas voltar onde? Eis a dúvida. A área dos destroços deve cobrir uma zona ampla uns 900 quilómetros, mas não se sabe ao certo em qual lugar. Teoricamente, pode ser em qualquer ponto do planeta.

O GOCE pesa 1.100 quilos, mas a boa notícia é que a maior parte do satélite ficará destruída por causa do atrito com a atmosfera terrestre: "a maior parte", mas não todo. São esperados cerca de 20-40 fragmentos que atingirão a terra, os maiores dos quais (que serão poucos) podem pesar uns 90 quilos.
Que pouco não é.

O responsável da missão da ESA, Rune Floberghagen:
Falamos dum risco muito pequeno.
Heiner Klinkrad, do departamento dos detritos espaciais da mesma Agência:
É 250.000 vezes mais provável ganhar a lotaria alemã.
O lançamento em 2009
Curiosamente, estes pontos de vista são muito parecidos com o último pensamento de Varela, a vaca morta por um meteorito na Venezuela em 1972: "Estas coisas não acontecem, seria preciso muito azar..." e tombou.

Conselhos? Poucos.
Os responsáveis falam de "evento raro e incerto", dum objecto que regressará "a velocidade reduzida" (90 kg. não caem, flutuam) e de fragmentos que poderiam perfurar telhados e sótãos (deve ser por causa da velocidade reduzida...). Pelo que, melhor ficar em casa, nos andares mais baixos dos prédios.

Considerado que o satélite pode cair um qualquer ponto do planeta, o ideal seriam 7 biliões de pessoas fechadas em casa, hoje e amanhã.
Possivelmente com as vacas também.


Ipse dixit.

Fontes: Il Corriere della Sera, The Guardian

5 comentários:

  1. anonimo 5610.11.13

    Bons artigos e humor.

    O Max continua a informar-nos "incorrectamente".

    Agradecemos.


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  2. anonimo56: idem...a mesma coisa!! Esse gajo, o Max, tem um bom humor incontestável. Abraços

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  3. rafael11.11.13

    a probabilidade nos ensina que é mais facil cair na cabeça de um chinês.

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  4. Anónimo11.11.13

    Bom filho a casa volta...dizia-se antigamente. Agora seria volta em cima da cabeça de________(inserir ódio de estimação, para actualizar.
    Nuno

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  5. Quando se houve dizer que morreram trinta pessoas no acidente Fukushima ou um virus matou 100 pessoas, devemos comparar com as mortes diarias nas estradas de um país ou da UE=(236/dia) para relativisarmos; ninguem com juizo se atrevia a propor banirmos os automoveis, apesar de termos a "certeza" que vão morrer os o que a media nos diz. Mas se for nuclear ou virus levantam-se coros de iluminados a propor soluções radicais.

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