04 dezembro 2013

Insólito: A Quarta Raça

Premissa!

Antes de iniciar Informação Incorrecta, o meu desejo era escrever um blog fortiano, isso é, uma página web que tratasse de eventos esquisitos mas reais e bem documentados. Depois conheci Informazione Scorretta do amigo Felice e a história mudou. Mas o desejo permaneceu.

Agora, passados três anos e meio de blog, decidi englobar os tais artigos "fortianos" nas publicações diárias de Informação Incorrecta. Ou seja: um pouco de ar fresco no blog.

Obviamente, os novos artigos têm algumas características fundamentais:
  • complementam e não substituem os temas normalmente tratados nestas páginas (o que significará mais trabalho para mim)
  • devem ser todos, sem excepção alguma, amplamente documentados com fontes sérias e credíveis.
Lamento, nada de Reptilianos por aqui: apenas descobertas, pesquisas, estudos, factos que tenham como base algo sério, cientificamente documentado. Podemos não concordar com o conceito de "científico", mas a verdade é que até hoje este permanece como o único capaz de separar a realidade (ou alegada tal) do delírio inconcludente.
Os artigos serão depois reunidos numa página autónoma, tal como já acontece no caso da História ou da Energia.

É tudo?
É.

A quarta raça

Os resultados dum novo estudo foi divulgado no passado dia 18 de Novembro, durante uma reunião realizada na Royal Society de Londres, repletas de geneticistas de todo o mundo.

As análises sugerem que a nossa composição genética seja o resultado do cruzamento ocorrido na Europa e na Ásia, cerca de 3 milhões de anos atrás, a partir de quatro raças humanas. O pormenor interessante: além dos Homo sapiens (nós), dos Neanderthals (Homo neanderthalensis) e dos Denisovianos (Denisova hominins), temos uma quarta raça, completamente desconhecida.

"Começa a surgir um mundo passado muito semelhante ao de O Senhor dos Anéis, com muitas populações diferentes de hominídeos ", brinca Mark Thomas, geneticista evolutivo da College University de Londres, que participou na reunião mas não esteve envolvido no estudo.

Os Neanderthals são um grupo extinto de seres humanos que viveram entre 130 mil e 30 mil anos atrás. Apesar da reputação de homens das cavernas brutos e primitivos, descobertas recentes têm mostrado que eram humanos, com uma cultura muito sofisticada e recursos avançados em determinadas áreas, tal como os seres humanos modernos, apesar de terem talvez um vida social menos articulada.

Os Denisovianos, no entanto, são um grupo de pessoas muito mais misterioso. Estes humanos primitivos viviam na Sibéria e provavelmente derivam da mesma árvore que gerou os Neanderthais cerca de 300 mil anos atrás. No entanto, sabe-se muito pouco sobre o aspecto ou o estilo de vida.

Conforme relatado pela revista Nature, o estudo sugere que estes três grupos conheceram-se e procriaram, tendo como resultado uma numerosa descendência que ainda hoje povoa o planeta. Os genes do Denisovianos aparecem na composição genética das populações das ilhas do Sudeste Asiático e no sul da China moderna.

Os genes dos neanderthals aparecem no DNA dos caucasianos modernos (4% do DNA), o que sugere que as duas espécies cruzaram-se após os humanos modernos terem deixado a África. Por razões completamente desconhecidas, o Homo sapiens é a única sobrevivente entre as raças dos homens.

Neste mosaico genético, eis que aparece uma quarta misteriosa raça de seres humanos, que deixou a sua assinatura no DNA dos humanos modernos. "Poderia ser algo semelhante ao Homo erectus", afirma Carles Lalueza Fox, pesquisadora paleogenómica da Universidade de Pompeu Fabra , na Espanha. O Homo erectus era uma espécie extinta de hominídeo que originou-se na Índia e espalhou-se por toda a Ásia.

O encontro foi um debate animado com especulações sobre a identidade desta população desconhecida de humanos arcaicos. "Não tenho a menor ideia", admitiu Chris Stringer, um paleontólogo do Museu de História Natural em Londres, o qual sugere que a raça pode estar relacionado com o Homo heidelbergensis, uma espécie que deixou a África cerca de meio milhão anos atrás e, em seguida, gerou os neanderthais na Europa .

Lalueza Fox afirma que a questão do misterioso quarto ancestral é agora um " debate paleontológico", e que os resultados oferecidos pelo novo estudo abrem a porta para uma compreensão mais profunda da diversidade individual dos antigos ancestrais humanos. Novas técnicas de laboratório permitem aos pesquisadores reconstruir em detalhe toda a contaminação que ocorreu no curso da evolução humana, cujos restos aparecem no nosso DNA.


Ipse dixit.

Fontes: Il Navigatore Curioso, Nature, Wikipedia

7 comentários:

  1. Anónimo4.12.13

    Boas Max, este teu texto deixa-me umas perguntas aqui meias entaladas porque já li algumas coisas sobre o tema, esses 30 milhões de anos que colocas no inicio do texto provavelmente não estará correcto, 30 milhões de anos é muito atrasado para a história da evolução dos hominídeos visto por exemplo o bipedismo surgir por volta dos 7/8 milhões de anos (mais coisa menos coisa).

    A questão do Homem anatomicamente moderno (aka nós) partilhar material genético com o neanderthal não é nova, isso foi comprovado com um estudo de um institudo alemão á uns anos. A questão principal em debate é sobre se teria sido possível a miscigenação entre estas duas especies, alguns cientistas dizem que esta partilha genética é devido a miscigenação outros afirmam que apenas existe porque tanto nós como os neanderthalensis partilham um antecessor comum.

    Essa quarta raça que referes é que me deixa mais intrigado, mas não nos podemos esquecer que os registos que temos de outras espécies é muito pequeno e estranho seria não se encontrarem ao longo do século XXI mais umas espécies de hominídeos que por aí andavam e que ainda escaparam aos antropólogos.

    p.s. Quem quiser estudar um bocadinho o tema sugiro um dos livros do Chris Stringer ou então da Eugénia Cunha o livro "Como nos tornamos humanos", para além de ser em português explica tudo de uma maneira bastante simples

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  2. 30 milhões de anos....peço desculpa pelo disparate, evidentemente são 3, como realçado pelo anónimo Leitor.

    A propósito: por acaso li bastante acerca do assunto pois acho ser deveras interessante. Houve um tempo em que no planeta havia pelo menos 2 raças de homens que compartilhavam aproximadamente o mesmo território (os Neanderthals um pouco mais a Norte, na verdade).

    Houve troca genética ou os genes derivam do nosso antecessor comum?
    Eu não sou mais do que um simples curioso, pelo que a minha opinião não tem valor, mas estou convencido de que houve troca genética entre as duas raças, a tal miscigenação. E acho que isso aconteceu mais perto do fim da existência dos Neanderthals.

    Aí, as duas raças partilharam os mesmos territórios, os mesmos recursos. Inclusive, parece que um dos últimos redutos neanderthalianos foi a Península Ibérica.

    Por algumas conversas que tive com quem faz da Pré-História o seu trabalho, seria preciso investigar mais as ligações entre os antigos habitantes da costa Oeste e Sul de Portugal com aqueles da África do Norte (área dos Marrocos).

    Mas a nossa ignorância neste âmbito é imensa. Até bem pouco tempo, tínhamos do Neanderthal a ideia dum selvagem que vivia nas cavernas...

    E a quarta raça? Esta foi uma pedrada no charco. Aqui a ignorância é total.

    Abraço!

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  3. Anónimo5.12.13

    Boa Max... Gostei da ideia. ;)

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  4. Anónimo5.12.13

    Oi, MAX, compartilhando.
    http://mosaicosdonovociclo.com.br/
    Abraços,
    Tiago

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  5. Anónimo5.12.13

    Olá Max, o segundo anónimo aqui a falar.
    Também já li umas coisas sobre a Pré-história, aliás, tive o prazer de fazer 3 cadeiras sobre o tema, Pré-história, Pré-história Peninsular (Peninsula Ibérica) e ainda Origens do Homem.

    Sim, a Península Ibérica foi uma das chamadas zonas de "ultimo reduto" para o Neanderthais por motivos sobretudo geográficos, aliás, a questão da miscigenação das espécies até tem um dos seus capitulos mais interessantes em Portugal, no chamado menino do Lapedo: um fóssil do homem moderno mas que demonstra caracteristicas de neanderthal (salvo erro nos dentes). A questão da Pré-história tem tantas perguntas por resolver, as diferentes industrias líticas, será que foi possível a colonização da Europa por diversas espécies ter-se realizado pelo estreito de Gibraltar e não apenas através do Próximo Oriente? Que tal uma parte da evolução ter-se passado na Ásia e não em Africa?

    enfim, é daqueles temas que vai fazer correr muita tinta ainda por muito tempo ;)

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  6. Olá Anónimo!

    Repito: sou um simples interessado e nada mais. Fiz (e ainda faço) algumas pesquisas acerca disso por questões de curiosidade pessoal e porque há a hipótese de publicar um livrinho (nada mais, nada menos), que obviamente contará com a ajuda de pessoas da área.

    Estou convencido de que a Península Ibérica foi a "segunda via" de entrada.

    Um pouco pelos pontos de contacto que existem entre a pré-história portuguesa e aquela da África do Norte.

    Um pouco porque continuamos a ter sempre uma ideia redutora dos povos antigos: só agora, por exemplo, começamos a perceber que os Neanderthal tinham uma cultura complexa, mais complexa daquilo que era suposto.

    Um pouco porque imaginar que os hominídeos tinham chegado na frente de Gibraltar e pararam, assustados por 14 km de mar, é simplesmente ridículo. Isso sem contar que não temos certezas relativa à efectiva largura do Estreito: por exemplo, ao longo da última glaciação (110/12.000 anos atrás), o nível das águas era sensivelmente mais baixo, provavelmente na ordem dos 100 metros.

    E houve mais glaciações na última parte do Pleistoceno: assumindo um nível das água sensivelmente mais baixo, na altura até um Homen erectus (apesar de não brilhar pela inteligência) poderia ter facilmente alcançado as costas espanholas e, sucessivamente, portuguesas.

    Vice-versa, acho curioso pensar que tais hominídeos tivessem atravessado toda a África do Norte, o Altiplano da Anatólia, os montes do Cáucaso, os Alpes e os Pirenéus antes de chegar aqui.

    Mas pode ser: a gasolina era muito mais barata na altura...

    Abraço!

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