10 dezembro 2013

Insólito: Matrix, o nosso universo

O que é real? Como defines real? Se estás a falar do que pode ser cheirado, provado e visto, então real é simplesmente um sinal eléctrico interpretado pelo teu cérebro.
Matrix




Pode parecer uma teoria fruto duma mente "conspiradora" ou com vontade de brincar. Mas não é : é uma hipótese seriamente considerada por vários pesquisadores. Não muitos, como é óbvio. Mas nem por isso deixa de ser fascinante: vivemos numa simulação holográfica?

É claro, é uma ideia espantosa e dificilmente compreensível até, mas é isso: uma teoria uma maneira para tentar descrever um dos maiores mistérios que está diante dos nossos olhos: o que pode ser a realidade?

De acordo com alguns cientistas, a realidade que temos sob os nossos olhos pode ser o resultado de uma simulação holográfica, um elaborado programa de um super-computador, por sua vez fruto de uma civilização muito mais avançada do que a nossa (o que não é difícil, dito entre nós).

Se essa for a suspeita que habita as nossas mentes, não há uma maneira prática de descobrir se isso é verdade? E quem teria sido capaz de criar um plano tão perturbador e, acima de tudo, para quais fins? Finalmente: seria possível escapar desse universo estilo Matrix?

O físico Alain Aspect realizou um experimento de grande interesse para mostrar que a rede de partículas subatómicas que compõem o nosso universo (o chamado de tecido da realidade) tem o que parecem ser propriedades holográficas inegáveis ​​. Além disso, de acordo com a teoria proposta pelo Dr. Robert Lanza (autor do livro Biocentrism - How Life and Consciousness are the Keys to Understanding the True Nature of the Universe , "O Biocentrismo - Como a vida e a consciência são as chaves para entender a verdadeira natureza do Universo"), a morte pode ser apenas uma ilusão, a experiência sensorial da saída do Universo Holográfico.

O filósofo grego Platão inventou uma história intrigante - o mito da caverna - por meio do qual tentava explicar a sua ideia sobre a natureza da realidade.

Platão estava convencido de que o nosso mundo, o universo, não era nada mais do que uma cópia desbotada da verdadeira realidade, chamada Iperuranio ("além dos céus"). Então, o que nós consideramos ser a realidade, é simplesmente uma ilusão. O homem vai ser capaz de entender a verdadeira natureza do universo somente quando a sua alma retornar no Iperuranio.

Mas vamos supor por um momento que a teoria holográfica seja real, que nós de facto vivemos numa simulação e que nossa realidade é nada mais do que uma ilusão. A partir da nossa experiência sensorial, podemos pensamos que a nossa é uma espécie avançados.
Ainda assim, temos um conhecimento muito limitado do mundo que nos rodeia. Basta pensar que não temos o poder de captar o infravermelho ou o ultra-som, apenas podemos com instrumentos desenvolvidos para esta tarefa.

Quantas outras coisas não conseguimos ver? Como explicar fenómenos aparentemente absurdos como a matéria escura ou a energia escura (que constituem mais de 90% do universo)?

Nick Bostrom , professor na Faculdade de Filosofia da Universidade de Oxford, director do Future of Humanity Institute e do Programa de Impactos da Tecnologia sobre o Futuro na Oxford Martin School, há alguns anos atrás apresentou o que tem sido chamada de "Argumento da simulação", que ainda é uma fonte de amplo debate entre os cientistas.

Bostrom começa a sua reflexão com a suposição de que as civilizações futuras terão o poder de computação e conhecimentos de informática suficientes para ser capaz de criar uma simulação avançada da vida humana. A simulação seria habitada por seres programados com uma tal complexidade ao ponto de estarem conscientes e ter o mesmo tipo de experiências que temos. Os cérebros simulados seriam parte integrante deste universo-Matrix.

Na sua hipótese, Bostrom não faz previsões sobre quanto tempo pode demorar o desenvolvimento destas capacidades. Alguns futuristas acreditam que isso poderia acontecer dentro dos próximos 50 anos:
Mas mesmo que isso levasse 10 milhões de anos, não faz diferença.
O nosso universo tem uma idade entre 14 e 16 biliões de anos, por isso houve tempo para que uma civilização anterior à nossa, muito mais avançada, pudesse ter desenvolvido a sofisticada simulação na qual vivemos. Bostrom está ciente, no entanto, que a sua ideia não pode ser provada, não fosse pelo facto de termos apenas pouca informação sobre a realidade e, portanto, é impossível determinar se esta hipótese for verdadeira ou falsa.

Se fosse verdade, as leis descobertas por Copérnico, Darwin, Einstein e outros seriam uma descrição do funcionamento da realidade simulada. Estas leis podem ou não podem ser idênticas às que operam no nível mais fundamental da realidade, ou seja, fora do computador que executa a nossa simulação.

Mas por qual razão uma civilização avançada deveria criar um mundo virtual? De acordo com Bostrom,

Mas é possível afirmar que estamos realmente a viver numa simulação?

Pode ser um experimento científico, com o objectivo de estudar as épocas tecnologicamente mais primitivas. Pior ainda: poderia ser um jogo virtual dos nossos criadores, desenvolvido com o mesmo espírito com o qual nós jogamos com "The Sims".

Se os programadores do nosso universo-matrix assim não quiserem, então nunca vamos entender. Mas, na verdade, a questão pode ser mais intrigante. Assumindo que as nossas são mentes simuladas...aliás: assumindo que as dos Leitores são mentes simuladas (assim parece-me melhor), o facto de fazer perguntas sobre a natureza da realidade é implícito no programa: é um erro ou uma evolução não prevista pelos arquitectos?

A simulação poderia apenas ser a maneira de operar dum "arquitecto" (a grande mente que processou a realidade e que alguém identifica com a palavra "Deus"). Neste caso, as questões existenciais que habitam a mente do homem (quem somos, qual é o propósito da nossa vida, o que é realidade, o que há depois da morte, como é que nasceu um blog tão bonito como Informação Incorrecta e outras ainda) seriam uma das partes mais importantes da nossa programação, não apenas um erro ou uma evolução não prevista.

Se assim for, talvez a humanidade está mais orientada para a vertente existencial da vida e não naquela material, que, neste caso, seria só uma ilusão.

Curiosidade

Só como curiosidade: quanto acaba o prazo do B.I. de Neo?

A resposta na imagem à direita (clicar para aumentar!)




Ipse dixit.

Fontes: The Simulation ArgumentIl Navigatore Curioso

12 comentários:

  1. Anónimo10.12.13

    Os indus chamavam माया.

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  2. Volto a sugerir: "A grande síntese" de Pedro Ubaldi, escrito a quase 80 anos atrás.

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  3. anónimo 5611.12.13



    Sim.

    Aquilo a que o homem contemporâneo chama realidade, limita-se ao que os nossos sentidos percebem e a tecnologia actual detecta.

    Nestes tempos em que a mecânica quântica nos mostra que aquilo que sustenta o nosso "familiar" mundo, está ainda muito longe de ser compreensível para as nossas enfatuadas mentes.

    Nestes tempos em que sabemos que o código genético armazena quantidades gigantescas de informação altamente complexa, integrada e precisa, cuja origem acidental nem todo a idade do Universo tornaria possível.

    E que portanto deve consequentemente ter sido produto de inteligência com propósito.

    Essa inteligência, oculta na Natureza e em todo o Manifestado.

    Que por vezes nos envia Seres que nos instruam, como Aquele que crucificamos faz 2 milénios.

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  4. A simulação realmete existe, Platão já a descrevia, mas esquece essa idéia de seres superiores com máquinas/computadores e programas, isso é fantasia de hollyhood.
    Nossa mente criou a simulação ao se afastar da realidade e vivemos de tal maneira enfiados nela que fica cada vez mais difícil acordar, em alguns casos torna-se impossível quebrar essa simulação, é o que o mestre chamava de segunda morte, a morte da alma.

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    1. Anónimo12.12.13

      Exacto, caro SHANERRAI! Não podia colocar melhor.
      Nuno-f.

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  5. Anónimo11.12.13

    Onde estão os leitores do Max? Será que o abandonaram? Matéria tão importante e tão poucos comentários significativos.

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  6. Anónimo11.12.13

    o mundo material/mente consciente é a simulação, ou melhor, a representação em si do que criamos como substituto para o que apenas é.

    cada encarnação é uma experimentação na simulação; reencarnamos nesse jogo espiritual, nessa ilusão, afim de nos depurarmos e evoluir espiritualmente. Estamos presos nessa samsara, mas é daqui mesmo que podemos despertar.

    O mundo de lá, o espiritual, o divino, o plano da imanência, permanecerá escondido até a nossa morte, salvo as tentativas de alguns desbravadores (sonhadores, artistas, curandeiros, crucificados...)

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  7. Chaplin11.12.13

    Não consigo avaliar esses processos sem fazer alguma correspondência com poder e dominação e seus desdobramentos. A própria história mostra, invariavelmente, o quanto o homem desenvolveu-se buscando o poder e a dominação ou a sua manutenção. A origem dessa capacidade cognitiva continuará sendo um mistério imensamente sedutor para inúmeros estudiosos. Podemos fazer uma analogia entre realidade e ilusão, comparando-os a presente e passado. A linha divisória é tênue demais...abraço a todos que compartilham esse excelente blog.

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  8. Chaplin11.12.13

    Quem domina os conceitos é a ideologia burguesa e quem domina a ideologia é o sionismo...

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  9. Anónimo11.12.13

    Ilham disse : muito bom o seu texto. Somente, acredito pelas minhas observações , que menos pessoas estão preocupadas em especular sobre este tema. Na sociedade contemporânea brasileira as pessoas estão cada vez mais preocupadas com a matéria e parecem ter-se esquecido da espiritualidade. o que parece importar unicamente é o consumo desenfreado. Há um grande número que aderem às religiões, mas não procurando uma evolução espiritual, mas única e tão somente precisam de um líder , seja ele pastor ou padre para mostrar-lhes como viver , delegando a estes o trabalho de pensar.

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  10. excelente postagem, bom ponto de vista!

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  11. Ao desconfiar da realidade devemos ir ao início: Eu não encontro provas da existência de uma realidade para além da experiência dos nossos sentidos e instrumentos. Isto é a realidade pode ser uma construção do observador, não ter existência "independente".

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