29 março 2013

Breve mas interessante historia da economia - Parte V

Querido Leitor,

aqui estamos outra vez, sempre com Marx. Só que agora vamos ver qual a análise que o economista alemão fez acerca da fonte do lucro.
Ou seja: Marx perguntou-se o que realmente determina o lucro para os capitalistas e para o povo, no geral para toda a sociedade.

Não é algo "leve", a maioria das pessoas não entende como é que o lucro é gerado: normal, não é tão simples. Até alguns economistas têm o mesmo problema: pensam que seja suficiente desenvolver o sector privado para que o dinheiro possa circular e tornar o País rico. Mas não é assim, a questão é muito mais complexa.
Vamos explica-la de forma simples? E vamos.

Então, já vimos que no tempo de Marx existiam os seguintes actores: os reis, os nobres e a Igreja (os parasitas) cada vez menos poderosos; os capitalistas burgueses, com as fábricas e empresas, cada vez mais poderosos; e, finalmente, os perdedores do costume, ou seja, a massa dos pobres, camponeses e operários.

É claro que o consumo da altura era concentrado principalmente nas duas primeiras classes, e muito pouco nas massas. Mas Karl Marx não era um economista qualquer e percebeu que num futuro não muito distante a massa dos assalariados iria consumir a maior parte dos produtos, simplesmente por uma questão de número. Então Marx colocou a análise acerca da origem do lucro.

Pensou que os trabalhadores recebem o salário e, em seguida, gastam o mesmo salário para fazer compras, correcto? As máquinas, que cada vez mais povoam as fábricas, não, não têm esta capacidade. Portanto, diz Marx, a única fonte de rendimento para os capitalistas é a massa dos assalariados com os salários deles. Salários que são pagos pelos mesmos capitalistas.

27 março 2013

Portugal: Sócrates na televisão

Post para Portugal.

Circula uma petição pública contra o regresso de José Sócrates, ex Primeiro Ministro, na televisão em qualidade de comentador (não retribuído). E já fui convidado por várias pessoas a assinar.

Não vou assinar porque é estúpido e hipócrita.

Qual a razão para assinar? A razão apresentada é que Sócrates deixou o País com uma dívida pública enorme. Que como explicação não tem sentido: porque a dívida pública não é e nunca foi um problema.

Mas se a dívida for um problema aos olhos de alguns, então seria engraçado perceber quem foi que mais contribuiu para a subida da dívida ao longo dos anos. Sabem quem foi? O nome dele é Aníbal Cavaco Silva, conhecem? Para os mais distraídos, é o actual Presidente da República. Viram uma petição para a demissão do Presidente por causa do "buraco" que provocou no País? Não? Então, queridos Portugueses, expliquem lá: porque Sócrates sim e Cavaco não?

Breve mas interessante história da economia - Parte IV

Querido Leitor,

você não tem mais nada para fazer na vida, não é? Sempre aqui, a ler a Breve História da Economia...mas fique feliz, pois hoje merece: começamos a falar de Marx!

Antes de avançar: querido Leitor, faça o favor de apagar do seu cérebro termos como "comunista", "revolucionário", "leninista". Estas coisas não tem nada a ver com o assunto: aqui fala-se do Marx economista, porque é isso que ele basicamente foi. E, provavelmente, foi o maior entre os economistas assim chamados "clássicos" (Adam Smith, Robert Malthus, David Ricardo). Que depois possa ter descarrilado com as ideias políticas, bom, este é outro discurso. Mas como economistas está fora de discussão (onde está escrito que um excelente economista possa ser um excelente político também?).

Marx não era um revolucionário, sempre agitado com uma bandeira vermelha na mão. Aliás, era um tipo bastante tranquilo, mesmo tendo passados uns bons bocados na juventude. Foi um eminente estudioso, que depois foi tomado como modelo ideológico por milhões de seres humanos em tempos diferentes. Com as consequências que conhecemos.
Isto é importante, porque os críticos de Marx vão dizer que era um louco subversivo e outras amenidades. Mas não: Marx era um cientista da economia, então podemos não concordar com as ideias dele, mas nunca podemos afirmar que o gajo não tivesse cérebro (económico).

A corda, o pescoço, o teu electroencefalograma

Já disse e repito: fico contente pelo facto de viver nesta altura.

Pode parecer uma afirmação esquisita, e talvez assim seja para muitos. Mas não no meu caso. Esta é uma das raras ocasiões nas quais podemos ver trabalhar forças que costumam ficar nos bastidores. As guerras, as revoluções, são apenas a consequência duma cuidadosa preparação, são o capítulo final. E, diga-se, muito menos interessante.

Mais empolgante é poder ver o que acontece "antes". 
E hoje, quem viver na Europa, pode observar o esforço (por enquanto pacífico) para transformar um conjunto de Países numa ditadura.

"Ditadura"? Wow, que termo sério e "espectacular"...mas pertinente. Porque não tenham dúvidas: este é o objectivo, boa parte do qual já está alcançado, na máxima calma e descontracção.

26 março 2013

Breve mas interessante história da economia - Parte III

Querido Leitor,

desta vez, tal como prometido, vamos falar de David Ricardo.

Mas antes uma pergunta: lembra-se o Leitor da ideia do "orçamento equilibrado"? O Leitor português sabe disso: fomos informados de que, se o Estado gastar 100 para nós, cidadãos e empresas, e se estes pagarem 100 de impostos, o orçamento está equilibrado e o País todo renasce como novo.

Um conceito que é espalhado aqui, neste cantinho à beira mar plantado, mas também no resto da Europa.
Um conceito que é uma idiotice integral, porque alguém deveria ter a gentileza de explicar como as pessoas e as empresas podem viver (comprar, investir...) recebendo 100 e devolvendo tudo com taxas e impostos. Poderia funcionar se cidadãos e empresas pudessem encontrar o dinheiro na horta: mas isso não acontece porque só o Estado, em teoria, emite dinheiro (repito: em teoria, pois já vimos que assim não é).

Mas o que tem tudo isso a ver com Ricardo?
O facto é que tinha sido mesmo ele, o bom Ricardo, a entender a coisa já no 1800. Também Ricardo era inglês e viveu na mesma altura de Malthus (como "E quem é este Malthus agora? Ó Leitor, vimos isso no capítulo anterior, ora essa...) e o simpático David chega na cena e diz para o colega: "Você disse um monte de bobagens, porque todo o dinheiro que os seus parasitas irão pagar aos comerciantes na compra dos bens e do trabalho, em seguida será devolvido sob forma de taxas e impostos pagos aos mesmos parasitas, dado que estes têm o poder de tributar-nos até a morte e são proprietários de todos os imóveis. Os comerciantes poderia muito bem queimar todos os bens que produzem e nada mudaria para eles no seu estúpido sistema".

25 março 2013

...e Chipre já era.

Finalmente: a crise de Chipre está resolvida.

Uma satisfação, sobretudo do ponto de vista dos ciprinos...ciprestes...cipriotas, é isso, cipriotas...sobretudo do ponto de vista dos cipriotas que agora percebem o sentido profundo do termo "democracia". Que mais ou menos é isso: Tu votas, eles riem.

Breve resumo dos episódios anteriores:
  • o sistema bancário de Chipre entra em crise.
  • Chipre arrisca a bancarrota.
  • como se isso já não fosse suficiente, o FMI e a União Europeia oferecem uma ajudinha.
  • FMI e União Europeia lembram alguns detalhes para viabilizar a ajudinha: imposto sobre o dinheiro dos cipriotas guardado nas contas dos bancos. É um assalto, sem dúvida, mas sem armas de fogo, o que tranquiliza.
  • o Parlamento de Chipre vota compacto contra a ajudinha FMI/UE
  • o Banco Central Europeu respeita a decisão do País e não quer fazer pressões: simplesmente lembra que sem ajudinha Chipre não vai ver mais um tostão
  • o Presidente da ilha voa até o Continente (não o supermercado, a Europa mesmo) e pede ajuda. Diz a ovelha na toca do lobo: "Sr. Lobo, pode ajudar-me? Estou constipada".
  • o Comissário europeu para os Assuntos Económicos e Monetários, Olli Rehn, avisa: "Infelizmente, os acontecimentos dos últimos dias levaram a uma situação em que já não há soluções ótimas disponíveis. Hoje, só restam escolhas difíceis". Depois cai no chão, vítima dum ataque de gargalhadas que ainda não acabou.
E chegamos ao dia de hoje.

24 março 2013

O horizonte dos bancos

Bancos...e está tudo dito.

"A Europa redescobre o banco do Estado", este o título do diário económico italiano Il Sole 24 Ore do passado 2 de Fevereiro acerca da nacionalização do grupo holandês Sns Reaal. Custo da operação: 3.7 biliões de Euros. Muito? Não, pouco considerada as vantagens. 

A actual crise pode ser considerada como a segunda fase da crise começada em 2007. Subprime, alguém se lembra? Parece uma vida, mas tudo começou há 6 anos. E ainda aqui estamos, com a nossa crise da qual boa parte do planeta parece não conseguir sair. A crise de 2007 decretou o fim do modelo de desenvolvimento centrado no enorme crescimento da finança: era previsível (e de facto alguém tinha alertado), pois tratava-se duma "bolha" que, como é lógico, cedo ou tarde tinha que rebentar.

A turbo-finança ainda não acabou, mas está com problemas: os assets tóxicos ainda circulam e há mais do que isso. Mas o que interessa aqui é observar o mundo dos bancos privados e, eventualmente, imaginar uma alternativa viável.

23 março 2013

Breve mas interessante história da economia - Parte II

Querido Leitor,

hoje vamos falar dum fulano que é pouco conhecido, daqueles que aparecem pouco na televisão, mas que tem a importância dele. É um dos homens que permite entender porque hoje há uma queda nas vendas e nas rendimentos, porque temos que despedir e fazer uma vida negra.

Como se chama? Thomas Robert Malthus. Aliás: chamava-se, pois morreu há alguns tempos, acerca de 200 anos mais ou menos. Este era um autêntico sacana, mas mesmo um daqueles...
O que tem a ver um sacana de 200 anos atrás com a nossa vidinha? Tem, e muito até.

Malthus sempre viveu na Inglaterra, entre 1776 e 1834: era filho duma família abastada, o pai dele era amigo pessoal do filósofo David Hume e tinha contactos com Jean-Jaques Rousseau. Malthus (o filho) estudou no Jesus College de Cambridge, ganhou prémios em inglês, latim, grego, adorava a matemática e, uma vez licenciado, tornou-se pastor anglicano. Uma boa vidinha, num bom ambiente.

Normal, portanto, que as ideias de Malthus fossem um pouco diferentes daquelas da maioria da população, os que trabalhavam. Por exemplo: havia pobreza e sofrimento? Eis a solução de Malthus: encurtar a vida dos infelizes, reduzir a alimentação deles, não permitir muitos filhos. O que até faz um certo sentido: um pobre morto é um pobre a menos, é uma questão de lógica.

22 março 2013

A alegre Zona N€uro



No comment

(psssst! Erro no mapa: a Córsega faz parte da França)


Ipse dixit

Breve mas interessante história da economia - Parte I

Querido Leitor,

a situação não é simpática, eu sei.
Levantas-te de manhã, vais trabalhar (se tiveres sorte), voltas à noite e mesmo assim o dinheiro nunca chega. Ligas a televisão e dizem que afinal a culpa é tua. Dá para ficar um pouco alterado, não dá?

Olha, aqui não há milagres, o máximo que podemos fazer é tentar perceber como é que chegámos até este ponto. Gostarias mais de um depósito na tua conta? Eu sei, mas enquanto vou arranjar o dinheiro, podes ficar com uma breve mas interessante história da economia, pode ser? Pode sim, é grátis até. 

Por favor, repara que até o final de 1700, a economia era simples. Muito mais simples. Não é uma coisa do tipo "Ah, os bons tempos idos, tudo era melhor, não como agora...". Não, era mesmo mais simples. Havia o Rei, o Papa, os nobres: eles tinham tudo. Os outros nada. Mais simples era impossível.

Depois algo aconteceu e este algo tem um nome: tecnologia. O que aconteceu foi que, graças aos novos meios mecânicos, novos navios, novos conhecimentos, etc., cresceu entre os desgraçados uma nova classe, a burguesia; isto é, pessoas sem poder político, mas que conseguiam fazer dinheiro com as empresas. Então Reis, Papas e nobres fizeram o quê? A coisa do costume: fizeram trabalhar os outros sem muitos problemas, mas com o bónus duns sãos e robustos impostos. Não que antes os impostos não existissem: mas mais dinheiro ao povo significa mais impostos, é toda fartura.

Tributa hoje, tributa amanhã, alguém ficou ligeiramente alterado. Nada de grave: algumas revoluções (França), pouco mais. Na verdade tudo continuou como antes. Só houve uma redistribuição do poder, que da nobreza passou parcialmente para a nova classe.

20 março 2013

Casamentos felizes

Só para lembrar. Não é esta a causa de todos os males, mas que tenha um peso, isso tem.
Falamos de quem? Dos Rothschild, mais uma vez.

A imagem mostra a rede das alianças formadas por casamentos entre os Rothschild e outras famílias que podemos definir como abastadas. Casamentos de amor? Se o Leitor gosta de pensar isso...

Click para ampliar!



Em vermelho as principais realidades financeiras que cada família possui.
Em azul a data da feliz união.

O sacrifício de Chipre

Chipre, uma ilhota na parte oriental do Mar Mediterrâneo: pouco mais dum milhão de habitantes, na frente das costas turcas e sírias. Um País que adoptou o Euro. E que faliu.

Euro? Falência? O clima ideal para virar uma nação de avesso, é só esperar pela ajuda europeia.

A União Europeia concedeu 10 biliões de Euro de ajuda para restaurar a economia cipriota. Porque a ilha tem problemas, de facto: a proporção deficit/PIB é de 6,3% e a dívida pública, ainda que sólida, em Setembro de 2012, era 84% do PIB.

Primeiro efeito: com a ajuda europeia, a dívida ultrapassa logo 100% do PIB. Normal: a "ajuda", como sabemos, é um empréstimo, isso é, uma dívida com tanto de juros, que vai somar-se à dívida preexistente. E os cipriotas agradecem.

O grande problema de Chipre são os bancos. O sistema de crédito da ilha está numa fase delicada, apesar de ainda encontrar um equilíbrio. Os bancos apresentam 58,8 biliões em capitais e reservas, 107,2 biliões em depósitos, 104 biliões de empréstimos, 1,7 biliões de obrigações em dívida e outros 37.4 biliões em outras obrigações. Não é uma situação má, mas delicada sim.

14 março 2013

Papa Francisco: luzes e sombras

Após um turbo-conclave, eis o novo Papa: Francisco!

Como Francisco Xavier, fundador dos Jesuítas. Como Francisco de Assis. Como Francisco Franco. Talvez este último não. Mas o nome é sem dúvida uma boa escolha, deixa transparecer alguma coisa.

Segundo os retratos dos diários internacionais, que nestas horas dedicam os principais títulos ao acontecimento, Papa Francisco é praticamente um santo: humilde, culto, utiliza o autocarro, vive num pequeno apartamento, come pouco, bebe muito chã, fala vários idiomas entre os quais o dialecto piemontês.

Assinalável.

Mas nem todos concordam.

13 março 2013

Fukushima: alguns problemas (nada de grave)

Boas notícias para o Japão: o dossier Fukushima pode ser arquivado.

Com 500 biliões de Dólares, 30 ou 40 anos de espera e um pouco de boa vontade, a coisa fica fechada.
Sem dúvida o nuclear geridos por privados é um excelente negócio.

Sim, alguém morreu, há pessoas que ao longo das décadas sofrerão os efeitos das radiações. Mas enfim, isso pode ser inserido na coluna do azar.

A agência Reuters relata que alguns especialistas têm realizado um estudo para estabelecer quais as etapas necessárias para fechar a usina nuclear de Fukushima, aquela que foi destruída pelo tsunami de 2011. Nada de grave, apenas o pior acidente nuclear desde Chernobyl. E, por incrível que pareça, um quebra-cabeça para o governo japonês.

12 março 2013

A ideia de carro (e o ar!)

Ainda com esta história das autos electrícas? Sim, ainda.
Um pouco porque as vendas destes modelos procedem alegres com uma procissão fúnebre, um pouco pro via dos custos de produção.

Da utilidade do carro eléctrico não há muito para dizer. O carro serve essencialmente para ir do ponto A até o ponto B. Se o carro parar no ponto C, e se este ficar no meio dos dois anteriores, a coisa não está agradável.

Com uma autonomia que nem chega aos 200 quilómetros (devagarinho e sempre que não haja ventos contrários), com no mínimo 6 horas de espera para uma recarga completa, com um custo alucinante (33 mil Euros para um Nissan Leaf? Quase o dobro do que um carro normal?), com efeito-memória dos acumuladores (e o custo da eventual substituição), não admira que o adquirente tenha que ter fortes traços de masoquismo.

E da ecologia? Que tal o impacto do carro eléctrico no ambiente?
O cientista Bjorn Lomborg, nas páginas do Wall Street Journal, faz duas contas.

11 março 2013

Orban, o autocrata democrático

Nota: por alguma misteriosa razão, a publicação previamente programada falhou.
Definitivamente esta não é a minha semana...
Eis o post, atrasado:  

Por razões pessoais, conheço um pouco de Hungria, até vivi naquele simpático País ao longo duns tempinhos. E continuo a manter-me informado acerca do que aí se passa.

É por isso que fico surpreendido (mas só até um certo ponto) perante um artigo do diário italiano La Repubblica.

La Repubblica, o jornal da Esquerda.
Quem for de Esquerda em Italia, quem ficou órfão de Marx e Lenine após a queda do Muro de Berlim, não lê Il Corriere della Sera (na prática, o governo), La Stampa (Fiat) ou Il Giornale (Direita). Lê La Repubblica, porque aí pode encontrar o pensamento do Partito Democratico, o antigo Partito Comunista Italiano, que agora paga os impostos na Suíça (Esquerda sim, mas se for possível poupar uns trocos e evitar que o fisco descubra certas coisas...), convencido de encontrar naquelas páginas "a verdade", aquilo que os outros escondem.

Eis o que diz La Repubblica acerca de Viktor Orban, o Primeiro Ministro da Hungria:
O líder autocrate-nacional-populista e euro-céptico húngaro [...]

09 março 2013

Os chineses e a nossa reforma

Uma pensão integrativa.
Interessante.

Por enquanto é o Estado que trata das reformas. Mas o Estado está um bocado...como dizer? "Assim". E "assim" significa falido, sem um tostão. Ainda consegue pagar, mas amanhã?

Por isso são cada vez mais as pessoas que pensam integrar a futura reforma com algo complementar. Há os fundos de pensões complementares, vão chegar empresas novas de insurance, não vão faltar programas, pacotes "seguros e garantidos", com a experiência "duma empresa que trabalha no ramo há 30 anos". Não há risco, não há engano: pegas no teu dinheiro e deposita-o nos cofres deles.

Muito bem, então vamos ver: temos que escolher a empresa financeira que ofereça as melhores condições. Ok. E esta que faz? Sorri, agradece, pega no nosso dinheiro que fica investido. É assim que a reforma é criada, não há o Estado aqui, tudo passa pelos investimentos.

Perfeito. E onde é que o dinheiro vai ficar investido? Simples: o funcionário mostra a cenoura, 70% em obrigações, 12% em acções, o resto em títulos corporativos. É uma certeza, não é possível perder dinheiro aqui. Nós não percebemos nada disso, mas para não fazer uma figura de parvo retribuímos o sorriso. Os termos são complicados, estes gajos sabem do que falam, é o trabalho deles, não vão arriscar perder milhares de clientes com investimentos errados, não é?

07 março 2013

O banqueiro de Deus

"Sabemos que a Máfia é cliente do banco do Vaticano... eu soube e preciso de confirmação sobre a morte do banqueiro do Vaticano, me disseram que ele se enforcou num poste de luz onde não se encontrou escada para chegar naquela altura... me contaram que o mordomo que vazou uma porção de documentos que formaram o corpo de um livro...não vi o suicida pendurado, não li o livro.. não tenho provas do que escrevo..."

Ninguém tem provas. Há muitos factos ("factos", não teorias), mas ligar os pontinhos para obter um quadro geral claro e inequívoco, este é outro discurso.

O banqueiro é Roberto Calvi. Depois temos o Ior, as passagens obscuras de dinheiro, as lutas de poder. Algumas décadas mais tarde, a história do "banqueiro de Deus", como Calvi foi definido, ainda não acabou. Trinta anos depois, desde aquele 18 de Junho de 1982, quando foi encontrado morto debaixo da ponte dos Frades Negros, em Londres, com nos bolsos pedras e 15 mil Dólares. Trinta anos e uma série de decisões judiciais, todas com um único sentido: Calvi foi morto. O assassino? Os mandantes? Desconhecidos.

É uma história complexa, entre cujos protagonistas encontramos Flavio Carboni (Maçonaria), Pippo Caló (mafioso), Enrico de Pedis (criminalidade organizada de Roma), Paul Marcinkus (Vaticano). E um banco, claro. Aliás, dois: o Ior e o Banco Ambrosiano.

06 março 2013

A epidemia

Por acaso é o contrário...
Morreu Hugo Chavez.
Nada aqui de comemorações: internet está cheio disso e as opiniões divergem. Cada um que fique com a própria.

Mas na Rede é possível encontrar também uma teoria, a mesma que circula há tempo e que foi retomada ontem pelo vice Mauro: foi uma conspiração dos americanos, a mesma que matou Arafat.

Será? Pode ser, os meios nem faltariam. E os escrúpulos não atrapalham. Mas...

Arafat morreu em 2006. No mesmo ano, Hamas conquista a maioria do Conselho Legislativo da Palestina. E Hamas não é propriamente tenra com israel. É depois da morte de Arafat que a Palestina apresenta o pedido de admissão nas Nações Unidas, algo que estraga os sonhos de israel. Se a morte de Arafat tinha como objectivo travar o movimento de libertação, o objectivo falhou.

05 março 2013

O Cavalo de Tróia

Durante o tradicional discurso sobre o Estado da União, o simpático Barack Obama anunciou a abertura de negociações com a União Europeia.
O assunto é uma parceria global para o comércio transatlântico e os investimentos comuns entre os dois lados do oceano.

Poucas horas depois, eis que o "creme" político do Velho Continente confirma as declarações de Obama com os profundos pensamentos dos Presidentes do Conselho Europeu, Herman Van Rompuy, e da Comissão Europeia, José Manuel Durão Barroso.

Breve ressalva: os cidadãos europeus não elegeram Van Roumpy e não elegeram Barroso que, portanto, falam a título pessoal. Só para lembrar.
Vamos em frente.

A criação dum mercado transatlântico é apenas parte de um projecto maior, que inclui a criação de um governo supra-institucional com um Conselho Económico Transatlântico, um Conselho Político Transatlântico e uma Assembleia Parlamentar Transatlântica. Arrepios nas costas? Então preparem-se: estes órgãos já existem, foram criados sem qualquer publicidade, sem que ninguém pudesse dizer "sim" ou "não". Existem e ponto final.

04 março 2013

Os 8 pontos da Esquerda

Em Italia, o efeito-Grillo começa a funcionar.

Direita e Esquerda estão empenhadas em triplos saltos mortais para convencer o Movimento 5 Estrelas a formar uma aliança. O Movimento já disse "Não", mas o espectáculo continua.

E enquanto é esperada a proposta de Berlusconi, eis que Bersani, líder da Esquerda, avança com 8 pontos para "um programa de governo preciso, exigível e limitado".
Eis os pontos:
  1. uma lei contra a corrupção e a máfia
  2. uma contra o conflito de interesses
  3. uma em prol duma política menos cara
  4. uma para reformar os partidos
  5. intervenções urgentes acerca da cidadania
  6. intervenções urgentes acerca dos casais homossexuais
  7. intervenções em prol da escola
  8. intervenções em prol do direito ao estudo.
Reacções no Corriere della Sera.

O limite da riqueza (de alguns)

Uma medida histórica na Suíça.
Informa o diário Público:
Os eleitores suíços aprovaram neste domingo, em referendo, a adopção de medidas legislativas para controlar os salários dos conselhos de administração.

Segundo os resultados avançados pelas agências internacionais AFP e Reuters, o "sim" ganhou com 67,9% dos votos. Isto significa que o Governo, que se declarou contra a iniciativa, deverá agora redigir um projecto de lei que respeite as disposições do texto referendado e depois levá-lo ao Parlamento para ser aprovado.
É correcto? Não sei.
É correcto no sentido que assim a maioria dos Suíços decidiu: é o País deles, são eles que decidem. Ámen.
Mas em princípio, faz sentido limitar o salário duma pessoa? E porquê?
Pormenor interessante: não falamos aqui de empresas estatais, mas privadas.

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