31 maio 2013

A Nato económica: Tafta e as Fundações

Bertelsmann Foundation: sabem o que é isso?
Não? Deveriam saber, pois esta é uma das instituições com um peso relevante nas nossas vidas.

Tudo bem, vamos com ordem.

TAFTA/TTIP

O ano de 2013 viu entre os eventos diplomáticos significativos o comunicado oficial conjunto de Washington e Bruxelas, do dia 13 de Fevereiro, para o início das negociações que terão como objectivo a criação da TAFTA/TTIP.

A TAFTA (Transatlantic Free Trade Area), também conhecida como TTIP (Transatlantic Trade and Investment Partnership), é uma parceria para o comércio e o investimento transatlântico, uma verdadeira união comercial e financeira dos dois lados do Atlântico.

A notícia, em boa verdade, não tem tido uma significativa cobertura dos media, o que é bastante normal: trata-se duma daquelas operações que não têm a simpatia dos cidadãos, pelo que avançam em silêncio e são publicitadas apenas antes da implementação, quando a máquina da propaganda entra em cena com analistas e comentadores que, de repente, descobrem as infinitas virtudes da nova criação. Até os políticos nacionais na altura parecem entender de geopolítica e prospectam um futuro radioso.

Na verdade, as negociações existem há alguns tempos, o que se passa é que começou a fase final.

No passado dia 12 de Março, a Comissão Europeia decidiu dar luz verde aos Estados Membros da União Europeia para realizar negociações com os Estados Unidos. E no site da própria Comissão Europeia já há uma grande variedade de estudos de viabilidade e possíveis protocolos de acordo.

O aquecimento que arrefece

Clima?
E clima seja.

Não apenas as previsões climáticas de Al Gore provaram estar erradas e instrumentais, mas as
temperaturas e as mudanças que podemos observar ano após ano parecem confirmar uma previsão exactamente oposta ao conceito de aquecimento global.

Habibullo Abdussamatov, por exemplo, tem um nome esquisito mas apesar disso consegue o respeito dos colegas: é professor universitário, astrofísico, supervisor da secção russa da International Space Station e chefe do laboratório de pesquisa da Academia Russa das Ciências.

O seu ponto forte? O estudo acerca do comportamento do Sol e as consequências sobre o clima.

Segundo Abdussamatov, em 2014 o planeta irá viver progressivamente uma nova era glacial. A Europa ficará mais fria, com uma descida da temperatura de 2-3° C em poucos anos, o que poderia ter consequências muito mais graves do aquecimento que temos experimentado desde a saída da Pequena Idade do Gelo.

30 maio 2013

Os bancos, o óleo, a terra dos outros

De acordo com um relatório apresentado pelo FoE (Friend of Earth Europe), um grupo de bancos têm providenciado mais de 1 bilião de Euros em favor da empresa de agro-negócio Wilmar International, sediada em Singapura, para operações de land grabbing na ilha de Kalangala: mais de 3.600 hectares de floresta que serão arrasados para que seja possível implementar a produção de óleo de palma.

E as pessoas que aí viverem? Expulsas.

Os nomes dos bancos? Os mesmo de sempre: HSBC, BNP Paribas, Deutsche Bank e Rabobank.

O projecto para o cultivo de óleo de palma na Uganda é gerido pela Uganda Limited (OPUL), uma joint venture em que a Wilmar detém aproximadamente 39% das acções; no projecto participa também o governo da Uganda com um empréstimo de 12 miliões de Dólares.

Lex Luthor e a cortina de fumo

Opá, não queria voltar a falar disto, há muitas outras coisas para tratar e peço desculpa por causa disso.
Mas é importante.

Diz o Leitor Anónimo (que agradeço, tal como todos os Leitores!):
Deixe de ser pessimista Max. Fazemos o que nossa consciência nos propõe a fazer e pronto. Não esperemos resultados, agrados ou carinhos...
O Anónimo tem razão: o que escrevi passa uma mensagem pessimista e admito não ter tido a capacidade de explicar-me suficientemente.

A cortina de fumo

Tal como respondi a seguir, não gosto de pessimismo ou fatalismo: não há nada de pré-determinado e necessariamente negativo. "Nunca vamos poder observar o olho do dragão" não significa que o sistema é demasiado forte para nós, que terá a capacidade de esconder-se para sempre. Significa uma coisa mais simples: não há um dragão.

Vivemos num sistema complexo, fruto de milhares de anos de "evolução" (aspas obrigatórias), mas a tendência é reduzir tudo para algo simples. É uma tendência natural e lógica: perante um problema complexo, a coisa mais natural é descompor o problema em componentes mais simples. Todavia nem sempre resulta e, sobretudo, há um perigo: perder de vista o quadro geral.

No mundo da informação alternativa este perigo é ainda mais presente e os resultados estão à vista. Não há muita diferença ente os Illuminati como causa única de todos os males da terra e uma banda desenhada onde Superman combate contra Lex Luthor. A realidade é muito, mas muito mais complexa do que isso.

29 maio 2013

Hitler era um não-violento e a Coca Cola faz bem.

A imagem ao lado representa a nova campanha da Coca Cola.
O nome é : Muda as Estatísticas.

Acreditem ou não, o objectivo oficial da campanha é fazer emagrecer as pessoas.

Isso mesmo: a Coca Cola que deseja ver cidadãos menos obesos.
É como se Adolf Hitler tivesse gravado um vídeo contra a violência.

Dúvida: mas não será que a Coca Cola se arrependeu e finalmente decidiu fazer alguma coisa em prol da humanidade?

A resposta é "não", por duas razões:
  1. se a Coca Cola decidisse fazer algo de útil para a humanidade, a primeira coisa deveria ser auto-extinguir-se.
  2. a segunda razão encontra-se no mesmo site da campanha Muda as Estatísticas. Em baixo, eis que aparecem as Receitas Felizes do Chef José Avillez, tal como na imagem à direita. Quais as sugestões? Crème Brûlée de Laranja e Baunilha, Ovos Benedict (com brioche e bacon), Risotto de boletos com lascas de parmesão.

Estamos entendidos, não é?

Nota final: entre as receitas há também aquela do Pesto, o típico molho de Genova. Dado que eu também sou de Genova e cresci a comer pesto, só um conselho: esqueçam.


Ipse dixit.

Fonte: Coca Cola

O olho do dragão

Periodicamente, alguém lança o alarme: é ataco contra internet.

Pois, é desta: os Grandes Poderes vão ocupar a Web, censurar, proibir, calar.

Sério? Não. Podemos ficar descansados: ninguém quer fechar internet, nem limita-la. No futuro será provável, quase certo, mas agora não. E porquê? Porque internet é a melhor aliada dos tais Grandes Poderes.

Não estão convencidos? Então tentamos pensar.
A maioria dos blogues que fazem informação alternativa (ou alegada tal) opera na plataforma Blogger. Quem é o dono de Blogger? É Google. O Leitor sabe o que é dito acerca de Google, não sabe? A Cia, por exemplo, e não só. Não tenho provas conclusivas mas acredito que tais vozes estejam certas.

Mas aqui surge um problema: os Grandes Poderes queriam censurar um meio que já possuem e que diariamente disponibilizam para que a informação alternativa possa viver. A mesma informação alternativa que fala mal dos Grandes Poderes, de Google, que revela as obscuras tramas dos Senhores do Mundo.
Não só, mas se o serviço não funcionar correctamente até pedem desculpa.  E esforçam-se para criar ainda novos canais, como Facebook (outro sócio da Cia segundo as vozes).
Não acham um pouco esquisito?

Será que internet mudou alguma coisa?

Ipse dixit.


28 maio 2013

Trabalho infantil: 5 multinacionais

O trabalho infantil é uma realidade também nos Países "desenvolvidos": aqui não há menores nas fábricas, mas são vendidos os produtos criados com a exploração de quem deveria estar entre os bancos duma escola e não empenhado na sobrevivência.

Afinal é possível falar de cumplicidade.
Das empresas ou dos consumidores?
De ambos.

As empresas, obviamente, não divulgam estes dados pouco confortáveis, enquanto os consumidores muitas vezes demonstram ser insensíveis perante estas temáticas.

Contar com o interesse dos media não faz sentido, sempre existirão notícias mais importante para ocupar as primeiras páginas.  

Eis 5 empresas multinacionais que para o sue próprio ciclo de produção utilizam o trabalho de menores:

Idiocracia: o analfabetismo funcional

Será "analfabeto" ou "analfabeta"?
Bom, isso agora não interessa: na verdade vamos falar do "analfabetismo funcional". Que não é o analfabetismo "normal".

O analfabetismo clássico é a incapacidade de ler e escrever.
Já este é um problema, pois existem Países onde poder interpretar as letras não é coisa tão comum. Se em Portugal 94.9% e no Brasil 90.0% das pessoas sabem ler, em outras comunidades de língua portuguesa a situação é bem pior: 83.8% em Cabo Verde, 67.4% na Angola, apenas 44.4% no Moçambique.

Mas estes são os problemas dos Países em desenvolvimento: o analfabetismo funcional é algo que atinge os Países industrializados e trata da incapacidade de entender quanto lido.

Esquisito? Aparentemente é: se uma pessoa sabe ler, é suposto entender quanto lido. Mas assim não é.  Mesmo tendo a capacidade de descodificar as letras, falta a habilidade de interpreta-las ou de fazer operações matemáticas.

Sim, será esquisito: mas é um problema grave e muito difundido.

27 maio 2013

Henry Kissinger: o Memorandum NSSM-200

Alegria!

Ontem foi o 90º aniversário do simpático Henry Kissinger, figura incontornável da história contemporânea.

Para comemorar, eis alguns excertos duma das obras primas dele, o Memorandum NSSM-200, documento secreto até o final da década dos anos '90.

Um documento importante, pois as principais linhas de acção foram adoptadas pelo então Presidente Gerald Ford em 1975.

Memorandum NSSM-200
Para a maior parte da história humana, a população mundial tem vindo a crescer muito lentamente. Segundo a taxa de crescimento estimada para os primeiros 18 séculos depois de Cristo, forma precisos mais de mil anos para que a população mundial dobrasse em número. Mas desde o início da revolução industrial, com a medicina moderna e novas regras de higiene, nos últimos 200 anos, as taxas de crescimento da população começou a aumentar. No ritmo atual, a população mundial vai dobrar no prazo de 37 anos. [...]

Obras no blog

Obras no blog.

Ao longo de alguns dias a gráfica de Informação Incorrecta estará um pouco confusa.
Nada de grave, apenas um ligeiro lifting.

Entretanto a actividade prossegue como do costume.

A Direcção pede desculpa pelo transtorno e promete ser breve.


Ipse dixit.

26 maio 2013

Woolwich: MI5? O novo medo.

O "atentado" de Londres é um pouco estranho? É.

Falamos, é claro, de Lee Rigby, o soldado decapitado por dois rapazes em Woolwich.

Em primeiro lugar: não houve decapitação nenhuma. Reconhecer uma pessoa decapitada não é complicado: o corpo está dum lado, a cabeça do outro. Um leve exagero dos media. Mas não é isso que interessa: decapitado ou não, o soldado foi morto.

O que interessa, por exemplo, é ler as declarações dum amigo de Michael Adebolajo, um dos dois assassinos. O amigo afirmou perante as câmaras da televisão que MI5, o serviço secreto britânico, tinha pedido ao Adebolajo para colaborar com eles.

23 maio 2013

Melhor um falsário ou um banqueiro?

Boa pergunta: melhor um falsário ou um banqueiro?

É uma provocação? Sem dúvida, mas não apenas isso e vale a pena reflectir acerca do assunto. A pergunta deve ser colocada correctamente, desta forma: para o bem de todos, o bem da sociedade, é mais prejudicial a actividade de um falsário ou aquela do actual sistema bancário?
  • ambos injectam liquidez no sistema.
  • ambos criam liquidez sem qualquer valor de base (criam dinheiro do nada) e ambos baixam o valor unitário do dinheiro, aumentando a inflação
Até aqui os pontos em comum.
No entanto, existem algumas diferenças:
  • a actividade do falsário é ilegal, aquela do sistema bancário oficialmente não
  • a actividade do sistema bancário cria dívida, ou seja, por cada "X" de dinheiro criado é gerado um "X + Y%" de dívida (com Y sempre maior do que zero, às vezes até 50 ou 60% no caso dos empréstimos de longo prazo), o falsário injecta moeda em circulação para gastá-la, sem dívida associada.
O falsário, portanto, não criar nenhuma hipoteca sobre os bens e não haverá nenhum devedor desesperado que cometa suicídio por ter perdido tudo.

Os delírios do embaixador

O Leitor acha que as reuniões dos vários Grupo Bilderberg, Comissão Trilateral, Instituto Aspen ou Council of Foreign Relations são mantidas secretas por motivos obscuros?

Nada disso: tudo é feito para o nosso bem. Pelo menos, esta é a explicação dum dos participantes, o ex embaixador Sergio Romano, que decidiu falar do assunto no diário Il Corriere Della Sera.

Após ter entrado no rentável mundo da política, no longínquo 1954, Romano esteve em Paris (1968-1977), foi director geral das relações culturais e embaixador da Nato (1983-1985) e concluiu a carreira diplomática em Moscovo. Agora escreve no Corriere e responde às curiosidade dos Leitores.
Por exemplo:
O que pensa das diversas organizações das quais fazem parte poderosos banqueiros, políticos e economistas, como o Grupo Bilderberg, a Comissão Trilateral, o Instituto Aspen e o não menos importante Council of Foreign Relations e, sobretudo, porque os jornais nunca falam das reuniões?
Aqui começa o delírio do simpático Sergio Romano:
Fui membro da Comissão Trilateral por vários anos, participei numa reunião do grupo Bilderberg e em várias do Instituto Aspen. Estou familiarizado com o trabalho do Council of Foreign Relations, uma instituição que tem sede em New York e Chicago, mas nunca tive a oportunidade de participar num dos seus seminários. [...]
Não é verdade que os jornais ignorem os encontros destas organizações. Mas têm que observar em muitos casos as "regras de Chatham House".
De acordo com estas regras, os jornalistas, quando são convidados, podem resumir as intervenções e as ideias apresentadas no decorrer do debate, mas devem abster-se do revelar a sua autoria. A única entre estas associações que pede um maior sigilo é o Bilderberg.

22 maio 2013

O petróleo acaba? Nem pensar

Então: a era o petróleo está prestes à acabar? A realidade será feita de automóveis eléctricos? Acabam os navios petroleiros que naufragam e poluem o mar?

Nada disso. O petróleo veio para ficar. E vai ficar ainda ao logo dum tempinho.
Bastante tempinho.

No máximo será possível ver um crescimento na utilização do gás. Mas o petróleo ficará ainda como fonte energética primária. Com boa paz dos ambientalistas.

Culpa de quem? Da América.
A verdadeira novidade deste começo de século XXI é a revolução energética norte-americana, ou seja, a revolução energética do shale gas (gás de xisto) e do tight oil (petróleo do xisto betuminoso); revolução que já é visível no mercado dos hidrocarbonetos, apesar dos preços muitas vezes não competitivos.

Hoje, o gás de xisto já representa cerca de 25% da oferta de gás natural nos Estados Unidos e de acordo com as previsões pode chegar até 50% em 2030 (ou ainda antes). Milhares de novos poços de gás têm sido escavados na Pensilvânia, Texas e Oklahoma. Outros seguirão em breve.

Petróleo, gás, hidratos...

Mas não apenas gás: também petróleo. Tem havido uma explosão na produção de ouro negro no North Dakota. A Bakken/Three Forks, uma formação de xisto betuminoso que estende-se entre North Dakota e Montana tem um potencial de produção equivalente aos dum grande País do Golfo Pérsico. Só que este fica dentro dos Estados Unidos.

21 maio 2013

Contra-evolução: os dados do SIPRI

O SIPRI (Stockholm International Peace Research Institute) é uma organização que realiza pesquisas científicas em questões sobre conflitos e acaba de publicar o novo relatório anual acerca dos gastos militares no planeta.

O total em 2012 foi de 1.753 biliões de Dólares: este é o montante que o mundo gastou para adquirir armas. Nada mal.

No relatório há notícias positivas e negativas. Mas antes alguns dados.

Os dados

Fonte: SIPRI

A primeira imagem é relativo ao andamento das despesas militares no período entre os anos 1988 e 2012, calculados tendo como base o Dólar de valor constante. Falta o ano 1991 pois não estão disponíveis os dados da União Soviética. Apesar da recente contracção, desde 1998 as despesas aumentaram sempre.

Líbia, dois anos depois

Na Líbia, estabilidade e segurança ainda são uma miragem.

O recente ataque à embaixada francesa em Tripoli lembra que, dois anos após a revolução, a atmosfera  de relativa tranquilidade é apenas aparente. O País é incapaz de sair da fase de instabilidade afecta uma transição já por si complicada. O governo não consegue desarmar as milícias e até mesmo as forças de segurança regulares não parecem oferecer garantias.

Assim, neste normalidade feita de caos e balas perdidas, o débil governo fica preso entre dois fogos. Dum lado há as milícias que continuam a influenciar as autoridades centrais; do outro há o Departamento de Estado dos Estados Unidos, que pede mais esforços para conter a crescente radicalização entre os grupos salafistas.

Enquanto isso, os episódios violentos continuam. Um exemplo são os repetidos ataques contra a minoria copta, mas as próprias instituições são refém da chantagem das milícias. Um dos últimos casos aconteceu no princípio do mês: um grupo de homens com um meio dotado de canhões antiaéreos ocupou o Ministério da Justiça, obrigando o funcionários a abandonar o prédio.

Os culpados? A mítica Al-Qaeda? Os salafistas? Outros extremistas?

20 maio 2013

O Dactylopius não é para todos

Números

Diz Raúl Benítez, director geral da FAO (Food and Agriculture Organization of the United Nations) para a América Latina e Caribe:
Cerca de 870 milhões de pessoas sofrem de fome no mundo, embora haja mais oferta do que procura por alimentos. Isso obedece à falta de acesso de sectores da população aos alimentos devido à falta de rendimentos para comprá-los.
Ou seja: não falta comida, simplesmente há pessoas que não têm dinheiro para compra-la.

Problema de sustentabilidade? Somos demasiados neste planeta? Nada disso: o problema é sempre o dinheiro.
Na verdade há mais oferta do que procura de comida:
Apesar de existir um volume para alimentar toda a população mundial - cerca de 7.084 milhões de pessoas -, existem pelo menos 870 milhões que sofrem a fome.
Dinheiro e que mais?
Pelo menos um terço das colheitas é perdido por causa do mau armazenamento. Há também problemas no âmbito dos transportes e, finalmente, há o desperdício nosso, daqueles que têm dinheiro para comprar comida mas cozinham demais. Tudo isto determina que 1.3 biliões de toneladas de comida seja perdida a cada ano.


Os elefantes cor de rosa de Jørgen Randers

Jørgen Randers não é uma pessoa qualquer: académico, professor de estratégia climatérica, estudioso de cenários futuros, ex membro da direcção do World Wildlife Fund International (WWF), actual membro da comissão governativa da Noruega para a redução das emissões poluentes.

Faz também parte do conselho de administração da British Telecom e da The Dow Chemical Company, uma das principais multinacionais do planeta.

Randers é um dos pais do debate acerca da sustentabilidade, portanto é interessante ler uma entrevista concedida em ocasião do lançamento do novo livro dele, 2052: A Global Forecast for the Next Forty Years ("2052: Cenários globais para os próximos quarenta anos"), livro que conta com a colaboração de 30 entre cientistas, economistas e especialistas internacionais sobre previsões sistémicas.

E o que conta o simpático Randers?
Os seres humanos são "de curto prazo" por óbvias razões genéticas, o que significa que estamos mais interessados nas consequências imediatas das nossas acções do que não nos efeitos de longo prazo. Tal atitude reflecte-se inevitavelmente no processo decisional dos governos democráticos: é impossível que um politico sugira um sacrifício hoje em prol de benefícios para os próximos 60 anos ou que os eleitores aceitem uma subida dos impostos e um forte governo central.
Perfeito, já aprendemos algo: os governos democráticos não prestam quando o assunto for o futuro de longo prazo. Então qual pode ser a solução? Antes de mostra-la, o simpático Randers explica: os governos democráticos tenderão a escolher sempre as soluções fáceis para sair da crise e o resultado será que o mundo da crise acabará num enorme drama climatérico. 

17 maio 2013

Da próxima crise

Duas notícias, uma má e uma boa:
- a má é que estamos à beira duma recessão global.
- a boa é que há só uma notícia má.

Os sinais

Mas temos certeza disso?
Parece que sim, os sinais são bastante claros.

O boletim do GEAB (Global Europe Anticipation Bulletin) prevê a crise um dia sim e o outro também, lógico que cedo ou tarde acerte. Mas desta vez, com o boletim número 75, apresenta uma série de dados preocupantes.

A Europa já está em recessão.
Mais importante: as exportações da China (vitais nesta altura para descrever o estado de saúde da economia do mundo) entraram em forte declínio.
Na Austrália (que é um óptimo indicador do imediato futuro em termos globais) abranda; e os últimos dados acerca das vendas atacado/varejo nos Estados Unidos são negativos.

Há mais. Há as "estranhas" operações dos grandes bancos (JPMorgan, Bank of America), como a urgência de atrair os investidores e a corrida ao ouro (e a queda do valor do metal, em Abril, provavelmente provocada por uma destas grandes instituições).

Mas atenção: apesar da citada queda, a procura de ouro é ainda particularmente elevada e provavelmente continuará a manter estes níveis ao longo de bastante tempo ainda. Mais uma vez: não é um bom sinal, indica um forte choque no horizonte.

16 maio 2013

Cosmética: ler os ingredientes

Uma notícia dos Estados Unidos.

Segundo quanto relatado pela School of Public Health da Universidade da Califórnia, que testou 32 produtos normalmente nas prateleiras das lojas, os batons contêm preocupantes níveis de substâncias nocivas, entre os quais metais tóxicos: chumbo, cádmio, cromo, alumínio, manganês e outros ainda.

O estudo, publicado na revista Environmental Health Perspectives, evidencia o risco de absorção ou ingestão destes metais "espalmados" nos lábios. E não é brincadeira: os pesquisadores quantificam em 24 miligramas a dose diária de batom absorvido, 87 miligramas no caso das mulheres que utilizam o produto mais do que uma vez por dia. E com o batom, eis ingeridos também os metais. Como o já citado cromo, por exemplo, substância ligada ao cancro do estômago.

É possível? Não apenas é possível, mas faz perfeitamente sentido: levante a mão a Leitora que conhece todos ou pelos menos a maior parte dos ingredientes do próprio batom. E do desodorizante? Do shampoo (champô em Portugal, xampu no Brasil)? Do sabão?

Talvez seja o caso de observar mais de perto estes ingredientes que utilizamos todos os dias.

15 maio 2013

O Brasil e a escravidão

Abro a versão online do diário Público e encontro esta notícia:
Libertados cerca de 3000 escravos no Brasil em 2012
No dia em que a lei de abolição da escravatura no Brasil celebra 125 anos, o Ministério do Trabalho e Emprego daquele país revelou que, durante o ano passado, 2849 trabalhadores foram resgatados de situações análogas às dos escravos no século XIX.

De acordo com o comunicado do ministério, foram levadas a cabo 255 acções de fiscalização que culminaram nestes resgates, que representam um aumento de 14% face a 2011. Para aquela entidade, "o aumento de número de resgatados deu-se porque as acções fiscais foram realizadas em regiões até então não inspeccionadas".

De acordo com o El País, os resgatados não só trabalhavam em grande latifúndios agrícolas como em siderurgias e estaleiros de construção civil.
É, aliás, a indústria siderúrgica a principal fonte de escravos retirados a essa condição: 150 só no estado do Pará.

"O número de resgatados está crescendo por causa de dois factores: por um lado aumentou o interesse dos estrangeiros pelo Brasil, que muitas vezes entram de maneira irregular e se envolvem em condições de trabalho degradantes. Por outro, intensificámos as fiscalizações. Logo, a tendência é encontrarmos cada vez mais estrangeiros de nacionalidades variadas vítimas desse crime", disse à BBC Brasil Renato Bignami, coordenador do programa de Erradicação do Trabalho Escravo da Superintendência Regional do Trabalho e Emprego de São Paulo.

A CIA e o mundo em 2030

A cada quatro anos, com o início do novo mandato presidencial nos Estados Unidos, o National Intelligence Council (NIC, o departamento de análise e antecipação geopolítica e económica da CIA) espreita na bola de cristal e publica um relatório que se torna uma referência.

Claro: é uma visão muito parcial, elaborada por uma agência (a CIA) cuja principal missão é defender os interesses dos Estados Unidos. Todavia, o relatório do NIC não pode ser subestimado, pois representa o resultado de estudos realizados por peritos independentes de diversas universidades e em muitos outros Países de todos os continentes.

O documento confidencial, apresentado ao presidente Barack Obama no passado dia 21 de Janeiro, acaba de ser publicado com o título de Global Trends 2030. Alternative Worlds (Tendências Globais 2030. Mundos possíveis).

O que diz este documento? Vamos ver.

A principal constatação é o declínio do Ocidente. Que como previsão não é grande coisa.
Pela primeira vez desde o século XV, os Países ocidentais estão a perder poder em relação às novas potências emergentes. Começa a fase final de um ciclo de cinco séculos de dominação ocidental do mundo. Embora os Estados Unidos continuem e continuarão a ser uma das grandes potências do mundo, perderão a hegemonia económica em favor da China. E não poderão continuar a "hegemonia militar solitária" tal como têm feito desde o fim da Guerra Fria (1989).

A direcção é aquela dum mundo multipolar no qual os novos actores (China, Índia, Brasil, Rússia, África do Sul) constituirão novos pólos regionais em contraposição ao poder de Washington e dos seus aliados históricos (Japão, Alemanha, Reino Unido e França).

14 maio 2013

Vacinas: proteger-se contra o nada

É alarme sarampo na Grã Bretanha.

A epidemia alastra nas terras de Sua Majestade, em particular no País do Gales, e o site do NHS (National Health Service, o sistema de saúde britânico) fala mesmo disso: measles outbreak, surto de sarampo.
Vamos ler:
Um surto de sarampo no País de Gales é um lembrete da importância da vacinação MMR [Measles, Mumps and Rubella, ndt]. Nunca é tarde demais para que os seus filhos (ou você mesmo) sejam vacinados contra esta perigosa doença.

Se os seus filhos ainda não receberam a vacina MMR, não demore. Houve mais de 800 casos confirmados de sarampo em Swansea e o surto não mostra sinais de abrandamento.

Por que é tão importante a ser vacinadas contra o sarampo?

O sarampo não é trivial. É muito infeccioso, é doença desagradável que, em casos raros, pode ser fatal. Cerca de uma em cada cinco crianças com sarampo experimenta complicações como infecções dos ouvidos, diarreia e vómitos, pneumonia, meningite e doenças oculares. Uma em cada 10 crianças com sarampo acaba no hospital. Não há tratamento para o sarampo. A vacinação é a única forma de prevenção.
Enfim, "800 casos confirmados" não são uma brincadeira. Mas se o Leitor viver longe do País de Gales? É o caso para ficar preocupado?
Um surtos de sarampo pode acontecer em qualquer lugar, a qualquer momento, seja onde for que você more no Reino Unido, é importante que os seus filhos fiquem actualizados com o MMR e as outras vacinas infantis. [...] Se os seus filhos estiverem em idade escolar e só com uma dose de MMR, ou não foram vacinados de todo, devem ser vacinados o mais brevemente possível.
Moral: sim, fiquem preocupados, pois o Gales está aí, sempre demasiado perto.
Única dúvida: mas quanto custa  vacina?

13 maio 2013

Trabalho: é o princípio que conta

Nos Estados Unidos as coisas melhoram.
Devagarinho, abaixo das expectativas, mas melhoram.

E poderiam melhor ainda mais sem um verdadeiro exército de parasitas que enfraquecem o País.

Quem é este exercito? Simples: as crianças. Este conjunto de pequenos homens e mulheres que nada fazem em prol do bem comum e que limitam-se a sugar o fruto do trabalho dos outros; estes predadores com caras de anjinhos que desperdiçam a riqueza do Estado Federal.

Mas os tempos mudam e finalmente há pessoas que falam: chegou a altura de acabar com estes vampiros em miniatura. Ray Canterbury é um republicano da Virgínia Ocidental que quer enfrentar e resolver o problema. Sem cerimónias, sem medo.
Eu acho que seria uma boa ideia ter crianças que trabalham para os seus almoços: lixo para ser retirado, corredores para ser varridos, relva para ser cortadas, fazê-los ganhar.
Justo. Estes parasitas sentam-se e esperam: sabem que há sempre um coração de manteiga que entrará na escola com uma refeição quente. Uma família em cada duas ainda consegue juntar algo para comer com os Food Stamps, as almas pias sabem disso e as crianças desfrutam estas tristes condições para provocar um sentimento de piedade, ternura, doçura, tudo o que acabar em "-ura".
E comem, de graça.

08 maio 2013

O estranho mundo de Wikipédia

O artigo de Wikipédia acerca da Síria é uma pequena obra-prima e vale a pena analisa-lo.
Envolvimento estrangeiro - Apoio a oposição.
Guerra Civil Síria (às vezes referida como Revolta Síria ou ainda Revolução Síria) é um conflito interno em andamento na Síria, que começou como uma série de grandes protestos populares em 26 de janeiro de 2011 e progrediu para uma violenta revolta armada em 15 de março de 2011, influenciados por outros protestos simultâneos no mundo árabe.
As manifestações populares por mudanças no governo foram descritas como "sem precedentes". Enquanto a oposição alega estar lutando para destituir o presidente Bashar al-Assad do poder para posteriormente instalar uma nova liderança mais democrática no país, o governo sírio diz estar apenas combatendo "terroristas armados que visam desestabilizar o país".
Primeira conclusão: na Síria há um conflito interno ("Guerra Civil") desencadeado pelos cidadãos ("grandes protestos populares") que querem "mudanças no governo" na óptica democrática ("uma nova liderança mais democrática"). Nada mal como começo.

07 maio 2013

Os Leitores pedem sangue

Vozes levantam-se entre os Leitores: "Basta, basta com esta economia toda, já não aturamos mais,
tratamos de algo mais leve, mais divertido: que tal uma guerra?".

Os Leitores pedem sangue? E que sangue seja.
Todavia...

Todavia não concordo. A maior parte das guerras tem como razão questões económicas. Que muitas vezes são disfarçadas com motivações religiosas, humanitárias e mais ainda. Mas é o dinheiro que está na base.

Pegamos em dois exemplos "clássicos": Afeganistão e Mali. Alguém acredita que os Estados Unidos invadiram o Afeganistão para combater o terrorismo? Realmente há Leitores que pensam nisso? Acho que não, temos todos maior idade e estamos vacinados, por isso é óbvio que o País asiático foi ocupado por outras razões. Sejam elas o ópio, o petróleo ou o controle da Euroásia, na base está sempre ele: o dinheiro.
E o Mali? As minas de ouro, urânio, fosfatos, manganês e bauxita controladas pelas empresas francesas e americanas explicam muito bem as razões do conflicto, não é preciso acrescentar nada.

Uma vez entendido isso, ficam claras não apenas as motivações das guerras mas também o desfecho. Se na base houvesse desentendimentos exclusivamente políticos ou religiosos, seria possível encontrar um acordo entre as partes. Mas na base há o controlo dos recursos, o dinheiro, portanto a parte mais potente no conflicto utilizará todos o recursos possíveis para ganhar. E ganhará, disso não tenham dúvida.

06 maio 2013

Algo acontece

Sim, eu sei, já falámos do assunto. Mas algo não bate certo.

Por exemplo: Algirdas Šemeta é vivo. Quem é este? É o Comissário Europeu para a Taxação, o fulano que quer ressuscitar uma proposta para suprimir o secreto bancário. Se a proposta passar, os bancos (todos os bancos) terão que abrir os ficheiros e entregar às autoridades nomes, contas, tudo. Hedge Funds, Private Equity Partners, etc.

Por isso, o facto de Algirdas Šemeta é sem dúvida digno de nota.

Isso acontece depois do dossier NAV. O que é isso? É uma proposta de regulamentação para um sector que só na Europa "pesa" 490 biliões de Euros, 5.000 biliões no mundo. São os fundos que permitem as Repo Ops, contractos muitos utilizados pelos bancos. Dito assim nem parece grande coisa, mas vamos repetir qual o montante em causa: 5.000 biliões de Euros. 6.500.000.000 Dólares. 13.000.000.000 Reais.

A Comissão Europeia afirma que os NAV representam um risco sistémico, o que é verdade, mas não é este o ponto: o ponto é que os NAV são essenciais aos bancos. Sim, verdade: a política deveria tomar o controlo da Finança e bla bla bla. Mas esta é a teoria, na prática sabemos que acontece o contrário: é a Finança que controla a politica.

05 maio 2013

Administração Pública: algumas ideias

Diz o nobre Nemo:
Gostaria de ver um post sobre porque é que a função pública não funciona bem e que soluções propõe para a tornar "moderna e eficiente".
Bem visto: criticar é bom, mas propor é bem melhor.
Então vamos ver quais as possíveis medidas para tornar uma máquina do Estado mais funcional.
Algumas ideias:
  • Formação das chefias
  • Consultoria dos privados 
  • Revisão do sistema de remunerações
  • Informatização total dos serviços, com software open source
  • Crowdcollaboration
  • Fiscalização anónima dos serviços
  • Aumento dos canais de interface Administração Publica /Utente
  • Introdução da auto-certificação e balcões automatizados.
  • ID da prática
  • Análise/Colaboração com Administrações Públicas estrangeiras
  • Despedimentos

04 maio 2013

Portugal: as novas medidas (mais do mesmo)

Diz o sábio Krowler:
Hoje lá foram mais uns direitos adquiridos, entre os quais o aumento da idade da reforma, que passa para os 66 anos.
Os avozinhos, muitos dos quais são responsáveis por este governo existir, levaram mais um revés. Agora têm de se esforçar mais um ano para conseguirem finalmente dedicar todo o seu tempo ao consumo de programas TV tipo fast food.
Curiosamente não só não fazem nada para defender os adquiridos, mas muitos ainda concordam com esta linha de gestão financeira do país.

Nada mais a dizer.
Pois.
O Primeiro Ministro de Portugal apresentou ontem as novas medidas: Pedro Passos Coelho diz ter chegado a altura de "carregar no acelerador", o que faz um certo sentido: nesta altura, melhor acabar o trabalho e partir o País contra a parede duma vez por todas.
Idade de reforma mantém-se nos 65 anos, mas a reforma sem penalização só será possível aos 66 anos.
Pessoalmente adoro esta medida, quinta-essência do espírito democrático. A ideia é "escolhe livremente e sem pressões: podes entrar na reforma aos 65 anos e perder dinheiro ou aos 66, como nós sugerimos, e levar o dinheiro todo".
Uma medida que faz todo o sentido, sendo que o desemprego tornou-se uma prioridade para este governo: é sabido que quanto maior for a idade da reforma, quanto mais simples será encontrar um trabalho. Isso, claro, segundo os cálculos de Reinhart e Rogoff.

03 maio 2013

Capuchinho Vermelho e os Direitos

- Bom dia Capuchinho Vermelho - disse o lobo enquanto apoiado a uma árvore fumava uma Luky Strike. - É um dia bonito, não é?

Capuchinho desviou o olhar das flores do campo e olhou para o lobo: - Minha Nossa Senhora Santíssima da Saúde, um lobo! Um autêntico lobo mau! Socorroooo!!!
- Calma, calma Capuchinho, fica descansada. Estou aqui, na máxima descontracção, e só me apetecem dois dedos de conversa. E podes esquecer o "mau": sou lobo, sim, mas sou bom, muito bom.

Capuchinho olhou para o lobo: de facto estava parado, na boa. Tinha os olhos pérfidos, quase fechados tanto eram subtis, mas o ar geral parecia...descontraído, como ele tinha dito.
- Por exemplo: onde é que vais com o saco do supermercado? Se não estou a ser indiscreto, óbvio. - disse o lobo olhando os anéis de fumo que flutuavam para o céu.
- Vou...vou levar comida para a minha avó. - respondeu Capuchinho com voz trémula.
- Ah, sim, a velha, pois... - disse pensativo o lobo: - E posso saber qual a razão?

02 maio 2013

Uma t-shirt vermelho sangue

Quarta-feira, 24 de Abril: uma fábrica no Bangladesh rui, matando mais de 300 trabalhadores. Um dia
antes, as autoridades tinham pedido aos proprietários para evacuar o prédio, uma fábrica de roupa que dava emprego a cerca de três mil trabalhadores.

O prédio, o Rana Plaza localizado no subúrbio de Dhaka Savar perto de Dacca, era uma anel da corrente que liga os campos de algodão do sul da Ásia com os pontos de venda dos Países mais avançados: muitas marcas famosas eram preparadas aqui, tal como a Wal Mart, a Benetton, Primark, Mango, Matalan, Premier Clothing. As equipes de resgate conseguiram salvar duas mil pessoas, mas mais de trezentos morreram.

No Ocidente lembramos com horror o incêndio da Triangle Shirtwaist, em New York, quando em 1911 um total de 146 trabalhadores perderam a vida. Em Bangladesh o número de mortos é mais do que o dobro. E o Rana Plaza ruiu cinco meses depois do incêndio em Tazreen que matou pelo menos 112 trabalhadores.

A lista dos "acidentes" é longo e doloroso.
Em Abril de 2005, uma fábrica de roupa em Savar ruiu, matando 75 trabalhadores.
Em Fevereiro de 2006, outra fábrica em Dacca ruiu, matando 18 trabalhadores.
Em Junho de 2010, um prédio ruiu em Dacca, matando 25 trabalhadores.

1º de Maio

Excerto do livro Stranger than Fiction, do Professor Leo Nardo (Universidade de Colares, Portugal), que tem como assunto uma pesquisa relacionada com o dia 1 de Maio:

No continente europeu esta é uma festividade que interessa a um pequeno grupo de indivíduos em rápida via de extinção: apesar dos programas de protecção, os Trabalhadores são cada vez menos e existe uma forte preocupação quanto à possibilidade de poder salvar a espécie.
Caso emblemático é o da Espanha, onde as últimas manadas de Trabalhadores bravos foram observadas ao longo do ano 2012, enquanto pastavam na Meseta, não longe de Madrid.

Muito grave também a situação em Portugal: apesar dos hábitos mais calmos dos Trabalhadores de raça Lusitana, o stress, as condições de vida e a poluição política provocaram uma forte redução dos indivíduos e as perspectivas de médio e longo prazo não são animadoras. Mesma situação em outros Países, como na Italia, por exemplo, enquanto em outras zonas, tal como a Grécia, a extinção da espécie chega a ser oficial.

O WWF apresentou às Nações Unidas um projecto que prevê a criação de áreas protegidas, nos arredores das grandes cidades (o habitat natural dos Trabalhadores), mas problemas orçamentais podem inviabilizar o programa de preservação.

O mesmo WWF, em colaboração com Greenpeace, publicou um breve guia para que seja possível observar e até lidar com uma espécie delicada, de antigas origens e que ainda hoje suscita uma forte curiosidade no seio da comunidade científica.

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