29 junho 2013

Vaticano: Monsenhor 500 e o IOR

O Vaticano não consegue mesmo. Ontem foi preso Monsenhor Nunzio Scarano, junto com Giovanni Maria Zito (um ex-oficial da intelligence) e um intermediário financeiro, Giovanni Carenzio: preso no âmbito da investigação sobre o IOR, o banco da Santa Sé. Para todos: acusações de corrupção, fraude e difamação.

Esta é uma investigação complexa.
A história gira em torno de um acordo entre Scarano e Zito que visa o regresso de 20 milhões de Euros dos bancos da Suíça, como resultado de evasão fiscal, a bordo de um jato particular. Por este "serviço", Zito receberia 400 mil Euros. Segundo as interceptação telefónicas, a actividade de importação ilegal de capitais teria sido feita em nome de Paolo Cesare e Maurizio D'Amico, empreendedores da Italia do Sul.

Carenzio, operador do mundo da finança (já indagado na Espanha por fraude e peculato), e na Suíça, era o administrador que guardava o dinheiro do D'Amico. Para transportar o dinheiro (inicialmente 40 milhões de Euros, em seguida reduzidos para 20), Monsenhor Scarano e Carenzio (os quais conheceram-se na Ordem de Constantino) decidiram explorar o potencial operacional do Zito para escapar dos controles. O Zito, portanto, alugou o avião particular com piloto apara retirar o dinheiro em Locarno (Suíça).

28 junho 2013

EUA: a Operação Sucata

A guerra no Afeganistão começou no Outono de 2001, após os atentados do 9/11.
Feitas as contas, são 12 anos de guerra, ao longo da qual os Estados Unidos acumularam milhares de meios, veículos e equipamento para combater uma guerra que perderam.

E dado que perder significa abandonar a região, eis que surge um problema: o que fazer com aquela tralha toda?

A "tralha", em boa verdade, custou biliões de Dólares: só que numa altura em que os Estados Unidos estão a preparar a retirar do País, surge o problema logístico.

Seria possível doar este material para as forças armadas afegãs numa tentativa de manter a segurança após a saída dos soldados americanos. Ou seria possível vender tudo para outras nações, tanto para ganhar uns trocos. Mas não: o exercito está deliberadamente a destruir instrumentação sofisticada, cujo valor é muito elevado, numa operação-sucateiro sem precedentes.

No total, serão destruídos mais de 7 biliões de Dólares de equipamentos, que representam cerca de 20% do material que EUA têm no Afeganistão: a verdade é que seria muito caro organizar o regresso da "tralha" para casa. Até a data, já foram demolidas mais de 77.000 toneladas de equipamento militar.

27 junho 2013

A dança esquecida dos Búlgaros

Os Brasileiros acham ter o exclusivo das manifestações nas ruas?
Nada disso. Na Bulgária, por exemplo, acontece o mesmo.
Única diferença: ninguém fala disso.

E não são algumas dezenas de búlgaros: são milhares de pessoas que ocuparam as ruas durante uma semana. Mas, com raras excepções, os media internacionais optaram por não falar sobre isso.
Olhem só.

Tentamos entender o que se passa? E tentamos.

As pessoas em Sofia, a capital do País, saíram para as ruas uma semana depois de Delyan Peevski ter sido nomeado chefe da Agência de Estado para a Segurança Nacional. Peevski é um simpático oligarca, magnata dono de media e político: a sua nomeação foi extremamente rápida e antes de ser tornada pública, Peevski já estava a dar entrevistas para explicar qual a sua missão. Pormenor: os búlgaros detestam Peevski e com as redes sociais (Facebook e Twitter) organizaram os protestos.

O resultado é que passadas vinte e quatro horas, o primeiro-ministro Oresharski retirou a nomeação.

Os bancos gays

Nota prévia:
Para evitar estúpidas acusações, esclareço que o que está em causa neste artigo não são os direitos gays. A tentativa é realçar um fenómeno real (consultem os link presente no fundo) e, por enquanto, ainda sem explicação.

Goldman Sachs e JP Morgan elogiaram a decisão da Suprema Corte dos EUA, que cancelou a lei (aprovada por referendo popular na Califórnia) que declarava o casamento como a união entre um homem e uma mulher.

Goldman Sachs? JP Morgan? Ora essa...

Cada um está livre de exprimir a sua opinião, claro está: mas não deixa de ser um pouco esquisito, pois estes bancos costumam ter o cuidado de não tomar partido, mantendo uma posição "neutra".

Mas há mais do que isso: os hedge funds mais importantes de New York têm financiado directamente as campanhas para cancelar esta lei do casamento, da mesma forma como financiam com milhões de Dólares os políticos que se declaram pró-gay. Em New York, na prática, o casamento e as adopções gays conseguiram ser legalizadas graças aos milhões de Dólares bombeados por três mega-bancos de investimento (Paul Singer, Asness Cliff e Dan Loeb), que literalmente compraram os políticos que ainda tinham dúvidas.

Não é esta a sede para discutir das problemáticas gays, se é que há algo para discutir ainda. A questão é bem diferente: qual pode ser o interesse dos grandes de Wall Street em apoiar o movimento gay?

26 junho 2013

Bail in: o Grande Roubo, mas legal (e sempre para o nosso bem)

Lembra-se o Leitor do que aconteceu em Chipre?

Na simpática ilhota, as coisas estavam mal (bom, não tão mal em verdade: em crise estava o sistema bancário "hiper-alavancado"), os bancos pediram ajuda e alguém acordou numa linda manhã com uma brilhante ideia: "Vamos fazer um bail in!".

Até a data os Países em dificuldades eram ajudados com um bail out, um resgate (dinheiro do exterior). Tinha sido este o caso da Irlanda, de Portugal, da Grécia.

Chipre foi o primeiro caso de bail in, com dinheiro encontrado onde? Nos bolsos dos cidadãos.

Sim, é verdade, também o bail out é feito com dinheiro dos cidadãos, no sentido que os montantes entregues aos Países em dificuldades não são encontrados debaixo das couve-flores: é dinheiro saído das taxas, dos impostos, é dinheiro dos contribuintes.

Mas no Chipre a coisa foi feita de forma ainda mais simples: o dinheiro foi retirado directamente das contas bancárias dos depositantes.

Strizhka

A teoria é simples: em caso de dificuldades, os cidadãos têm que ajudar o País em crise.

Pergunta: e aqueles que administraram mal as contas do Estado, que levaram o País à beira da falência? As instituições bancárias que jogaram (mal) na Alta Finança com resultados desastrosos? Numa palavra: os responsáveis?

A "nova" Grande Potência

Não é simples descrever o que se passa na Síria. Ou no Egipto, que já não preenche as páginas dos
diários, mas que atravessa uma fase particularmente delicada.

Paul David Goldman (o apelido diz alguma coisa?) escreve no Asia Times: diz que a Síria e o Egipto não podem ser salvos. Goldman escreve que "Síria e Egipto estão a morrer. Estavam a morrer antes da Guerra Civil da Síria e antes da Irmandade Muçulmana tomar o poder no Cairo.

Interessante.

Do Egipto e da Síria

Com Mubaraq, a expectativa de vida era de 70,1 anos no Egipto, tal como em muitas partes dos Estados Unidos. O desemprego no Egipto era menor do que aquilo dos Estados Unidos.


O presidente egípcio Morsi trabalhou para a NASA no desenvolvimento dos motores do space shuttle. Somente cidadãos americanos podem trabalhar na NASA. Os filhos de Morsi são cidadãos americanos. Um acaso?

25 junho 2013

E Dilma falou: as 5 propostas

E Dilma ouviu os manifestantes.
A Presidente apresentou 5 pactos com os Brasileiros:
  1. Responsabilidade fiscal e estabilidade: todos os entes da federação devem se empenhar em manter a inflação e os gastos sob controle.
  2. Plebiscito/corrupção: defende uma consulta popular sobre uma Constituinte específica para fazer a reforma política; corrupção seria crime hediondo.
  3. Saúde: Presidente pediu que políticos “acelerem” gastos com saúde pública (como UPAs) e defendeu entrada de médicos estrangeiros no País.
  4. Transporte público: Afirmou que será ampliada a desoneração de PIS/Cofins sobre diesel, o que auxilia no controle das tarifas; prometeu liberar R$ 50 bi para investimentos em mobilidade e disse que criará o conselho de transporte público.
  5. Educação pública: Governo federal pediu votação em regime de urgência constitucional da proposta que destina 100% dos royalties do petróleo e 50% dos royalties do pré-sal para investimentos em educação pública.
O quê dizer?
Como sempre, quem mais pode opinar são os Brasileiros.
Vistas deste lado da Atlântico, as propostas não parecem mal.

Acerca do futuro (porque o mundo não pára)

Os recentes episódios no Brasil, tal como a vida política geral no mundo ocidental, oferecem matéria
para algumas considerações. Primeira entre as quais: a divisão entre Direita e Esquerda.

A posição deste blog acerca disso é bastante clara, foi debatida em muitos artigos e pode ser resumida na seguinte forma: acordem, sff.

Porque não é difícil entender qual a nossa realidade: atirados ora para as teorias "conservadoras" (aspas necessárias), ora para as progressistas (sempre com aspas), ficamos refém dum jogo auto-alimentado que oculta a verdade e que impede ultrapassa-la.

É curioso realçar como esta dicotomia Esquerda-Direita seja praticamente desconhecida no vizinho mundo árabe, substituída por uma leitura mais ou menos ortodoxa dos princípio religiosos. No máximo, é possível encontrar indivíduos ou grupos mais abertos em relação aos "valores" (aspas, outra vez) ocidentais, mas mais do que isso não. Em qualquer caso: o marxismo presente no mundo árabe é fruto duma exportação ocidental, não duma génesis autoctona.

Este simples facto deveria fazer reflectir acerca do real papel da cor partidária no nosso sistema, seja ele ocidental ou "em desenvolvimento": quem despreza a religião, na maior parte dos casos acaba por abraçar um credo político, onde também é possível encontrar dogmas, mistérios e nem faltam milagres.

24 junho 2013

Afeganistão: os EUA tentam a saída

Enquanto no Brasil a situação melhora e Portugal continua alegremente em coma profundo, os Grandes da Terra reuniram-se na Irlanda para resolver duma vez por todas os graves problemas do planeta.
Que são: transparênciaimpostos, land grabbing, emprego e burocracia.

Pois. São estas as pragas que arruínam a nossa vida segundo os membros do G8. Mas podemos ficar descansados, porque os Grandes encontraram um acordo: decidiram que sim, de facto tudo isso é um problema e deveria ser resolvido. Como? Calma pessoal, muita calma: a pressa é inimiga do bom, não é que tudo possa ser revelado neste ano. É um pouco como a trilogia do Senhor dos Anéis: cada ano um pedacinho. E quando acabar a trilogia, começa a saga do Hobbit.

23 junho 2013

Brasil: além da Esquerda, além da Direita

Após dias passados a ler tudo e mais alguma coisa, algumas considerações.

Primeira, a mais importante: poucos, bem poucos dos comentários que apareceram aqui (mas o mesmo acontece em muitos blogues brasileiros) tomam em considerações as causas das manifestações. Apenas uma pequena minoria. O resto é uma troca da acusações entre Esquerda e Direita e nem falta uma pitada religiosa.

Impressionante. E útil. Porque quem, como eu, vive fora do Brasil, tem a possibilidade de formar-se não uma mas duas ideias, bem distintas e separadas, segundo a inspiração partidária.

21 junho 2013

Brasil: visto de fora

Outra contribuição, sempre na tentativa de perceber o que se passa no Brasil.
Desta vez espaço para os acontecimentos do Brasil vistos de fora.

A advogada

Comecemos com uma entrevista do diário La Repubblica (supostamente de Esquerda, se é que isso ainda interessa).

A falar é Renata Bueno: advogada, 33 anos, especializada em direito internacional nas universidades de Pádua e de Tor Vergata, nasceu em Curitiba por pais de influências venezianas e toscanas e foi eleita para o Parlamento italiano no Grupo Misto (sem um partido de referência, portanto).
O que realmente está a acontecer no Brasil, com centenas de milhares de pessoas nas ruas para demonstrar?

Está a acontecer, como se diz, que a máscara caiu. A máscara do governo, que sempre apresentou de si próprio um quadro muito diferente da realidade. Lula e Dilma agora têm escondido a inflação e muitos outros grandes problemas que ainda estão lá, por trás de uma imagem internacional reconfortante, e, no final, o que aconteceu foi inevitável: o protesto, nascido contra o aumento dos transportes, tornou-se uma grande manifestação contra o governo e não digo isto porque o meu partido no Brasil está na oposição. É um dado objectivo. Obviamente, os exageros e a violência que às vezes acompanham o protesto devem ser condenados com força, especialmente porque a Copa das Confederações oferece uma excelente caixa de ressonância.

Brasil: o que pensam os futebolistas

Três vídeos, três pontos de vista.
Palavras de futebolistas.

Brasil: as dúvidas

Continuam os confrontos no Brasil.

O mapa
O Diário Público acaba de publicar um mapa, retirado do brasileiro Folha de S.Paulo este:


Direita?

No entanto, uma Leitora (que agradeço) envia um artigo do blog Conversa Afiada (via Brasil Cultura).
Publico para avaliação dos Leitores:
Acredito que descobri quem são os infiltrados no movimento MPL. Quem esteve agitando na rua, quebrando tudo, é a direita! A infiltração no movimento de rua do MPL que vem causando transtornos em meio a passeata pacifica, tem vários nomes, movimentos, mas uma forma de agir, cooptar e incitar a violência. E só descobri isso porque lancei uma isca e deu certo!

19 junho 2013

Cadê Brasil?

Sim, sim, eu sei: "cadê" significa "onde fica", mas eu gosto de utilizar a expressão com outros significados.

É uma espécie de licença poética. Ou blogueira, tanto faz.

Então a questão é: cadê Brasil?
Que significa: o que se passa no Brasil?

O simpático blogueiro (que sou eu!) poderia consultar artigos, ler crónicas, visitar blogues para entender o que se passa. Mas muitos, mesmo muitos Leitores de Informação Incorrecta são brasileiros, então pergunto: será que alguém pode ter a vontade de explicar o que realmente acontece nestas dias? Qual  problema? Os bilhetes dos ónibus? Os investimentos para o futebol? Ou mais do que isso?

Não é preciso preencher muitas folhas A4, o espaço dos comentários pode ser suficiente. É tanto para trocar informações e não depender unicamente pelos medias apara entender o que pensam os cidadãos do Brasil acerca dos acontecimentos destas horas.

Se depois alguém tivesse a vontade de escrever mais, o blog está sempre pronto para acolher e publicar. 

Em qualquer caso, fica desde já o agradecimento.


Ipse dixit.

JP Morgan e a ameaça comunista

Na passada semana, a equipa de pesquisa europeia do banco JP Morgan publicou um relatório de 16 páginas acerca dos trabalhos de ajuste na Zona NEuro: coisas que foram feitas, que deveriam ser feitas e outras amenidades.

Nada de particularmente interessante: redução dos custos do trabalho, despedimentos mais simples, privatizações, desregulamentação, protecção das empresas privadas, coisas deste género.

Os únicos pontos dignos de nota são dois.

Em primeiro lugar a previsão segundo a qual a austeridade continuará a ser uma característica da paisagem "por um período muito extenso", dado que a Europa encontra-se no meio dum caminho cheio de dificuldades. Admitimos: não é que como previsão seja uma grande coisa, da equipa de pesquisa dum dos maiores bancos mundiais seria lícito esperar algo mais.

O problema é mesmo este: na altura em que os pesquisadores saírem dos carris do óbvio, tropeçam no delírio.

18 junho 2013

Escravos felizes

Nas páginas do New York Times apareceu um interessante artigo do economista Paul Krugman.

Qual artigo?
Este artigo:

Simpatia para os Ludistas 

[nota: o ludismo foi um movimento que ia contra a mecanização do trabalho, activo desde o século XVIII até meados de 1800, ndt]

Em 1786, alguns trabalhadores de Leeds, um centro industrial onde trabalhavam a lã, no norte da Inglaterra, começaram um protesto contra o aumento do uso das máquinas para cardar, cada vez mais utilizadas para realizar o trabalho que até então tinha sido desenvolvido por uma mão de obra qualificada. "Como é que esses homens, afastados do trabalho, poderão alimentar as famílias deles?" perguntavam aqueles que protestavam: "E qual trabalho terão que ensinar aos seus filhos?".

Não eram perguntas estúpidas.

É verdade que, no final, a mecanização - em um par de gerações - trouxe uma significativa melhoria no padrão de vida dos britânicos. Mas nunca foi muito claro quantos trabalhadores qualificados de repente se viram sem saber como ganhar a vida, aqueles que nas fases iniciais da revolução industrial foram afectados por este processo. Muitas vezes, os trabalhadores que mais sofreram foram os que, com dificuldade, tinham adquirido habilidades valiosas, e que, de repente, acabaram por não ter valor.

Estamos a viver uma outra época assim? E, se estarmos a viver novamente uma altura parecida, o que vamos fazer?

13 junho 2013

Robobees: a nova fronteira da estupidez

Esta parece uma anedota, mas não é.

Sabemos que os polinizadores desempenham um papel vital na reprodução sexual das plantas.

Uma abelha, por exemplo, saltita de flor em flor não porque goste particularmente do cheiro, mas para recolher o pólen. Ao fazer isso, permite a inseminação das plantas e quando comermos uma amêndoa, uma melancia ou até quando saborearmos uma chávena de café na realidade experimentamos o fruto da antiga relação entre as flores e os animais polinizadores.

Infelizmente, na década dos anos Noventa, a saúde das abelhas em todo o mundo entrou em crise. Responsabilidade? Provavelmente várias: poluição e agro-tóxicos (com relativa perda de variedade biogenética no caso dos OGM) criados por empresas como Shell e Bayer em primeiro lugar.

Na Universidade de Harvard pensaram no assunto e decidiram resolve-lo duma vez por todas.
Problema: as abelhas sofrem?
Solução: eliminar as abelhas.

12 junho 2013

Turquia e arredores

O que acontece na Turquia?

A mobilização da Praça Taksim levanta algumas questões importantes: estamos diante duma extensão da "Primavera Árabe"? Ou é um dos efeitos da crise global?

Tudo nasce por causa das árvores: a ameaça de construir um grande centro comercial na grande cidade, as manifestações, a intervenção das autoridades, o choque. Mas é claro: o abate das planta foi uma faisca, é evidente como haja muito mais do que isso.

A Turquia tem vivido nos últimos dez anos de governo AKP (Adalet ve Kalkınma Partisi, o partido sunita) taxas de crescimento económico notáveis, ao nível dos Brics; as manifestações espontâneas (?) chegaram assim de forma inesperada. Mas o modo de acção, a organização da revolta, dizem que estamos diante de algo profundo, não ligado apenas à arrogância e insensibilidade do governo.

11 junho 2013

Obama, próximo teste: China

E vamos concluir esta "Trilogia Estadunidense" (espiões, OGM, armas) com uma hipótese.
Repito: apenas uma hipótese. 

Nos últimos tempos, o simpático Barack Obama tem estado constantemente no olho do furacão: antes o escândalo da agência federal que trata do pagamento dos impostos e que concentra as próprias atenções sobre entes e organizações de Direita; a seguir, o elaborado plano da CIA para espiar os jornalistas da Associated Press; por último, a Administração que espia tudo e todos com os casos Verizon e Prism.

Uma olhada ao calendário: tudo no último mês. Nada mal.

10 junho 2013

As armas do amanhã

As despesas militares dos Estados Unidos estão em declínio, enquanto aquelas da Rússia e da China
aumentam. Esta é a ideia repetida com frequência por alguns meios de comunicação e especialistas; e nos últimos tempos o relatório do Sipri confirmou o conceito.

Em Fevereiro, os líderes militares norte-americanos reuniram-se com o Comité Forças Armadas do Senado para discutir os cortes e soou o alarme acerca do perigoso impacto nas operações das tropas norte-americanas em combate.

De acordo com o general Martin E. Dempsey, a queda nas despesas "fará correr grandes riscos à nação", enquanto o ex-secretário da Defesa, Leon Panetta, acha que a situação pode "convidar os atacantes". O Secretário da Defesa, Chuck Hagel, pensa que as reduções irão "devastar" os militares e o general James Amos, comandante do Corpo dos Fuzileiros Navais, vai além das advertências e afirma que não apoiar os militares vai prejudicar a "prosperidade continuada e os interesses da segurança" dos Estados Unidos.

09 junho 2013

Monsanto e OGM: o ponto da situação

Reza Wikipédia:
OGM é a sigla de Organismos Geneticamente Modificados, organismos manipulados geneticamente, de modo a favorecer características desejadas, como a cor, tamanho etc. OGMs possuem alteração em trecho(s) do genoma realizadas através da tecnologia do DNA recombinante ou engenharia genética.
Mas a pergunta fica: fazem mal?
No debate entra também a revista francesa Le Nouvel Observateur, e com argumentos de peso (em parte já tratados no passado).

A hecatombe dos ratos

Todos os ratos de laboratório alimentados com milho geneticamente modificado (também na versão não tratada com o temível Roundup da Monsanto) ficaram gravemente doentes dentro de 13 meses a partir do início do processo: tumores mamários predominantemente nos sujeitos femininos, patologias no fígado e/ou nos rins nos masculinos.

Os roedores alimentados com milho transgénico desenvolveram as doenças com uma incidência de até 5 vezes maior daqueles alimentados com milho não modificado. E uma percentagem que varia entre 50 e 80% dos ratos-OGM morreram no prazo de 2 anos.
Simples azar? Não parece.

07 junho 2013

Obama: Verizon & Programa Prism... e cartões de crédito também

Breve actualização acerca do simpático Obama e da privacidade dos súbditos dele.

Não apenas telefones, telemóveis, e-mail, chat, dados online, fax...as últimas notícia dão conta dum controle sobre os cartões de crédito também.

Com ordem.
Os controles da Administração incluem outras empresas de telefonia: além da Verizon, também fornecedoras de dados são a AT&T (107 milhões de utentes de serviços móveis, 31 de fixa) e a Sprint (um total de 55 milhões de clientes).

Para piorar a situação, o Wall Street Journal revela que a NSA (National Security Agency) tinha posto sob observação cartões de crédito de milhares de cidadãos dos Estados Unidos. Os controles implicavam verificações das compras online e recolha dos dados na posse dos bancos e das sociedades emissoras dos cartões.

Obama: Verizon & Programa Prism

É a notícia do dia: os dados das chamadas telefónicas de milhões de cidadãos norte-americanos controlados pela NSA, a Agência de Segurança Nacional americana.

O novo escândalo que afecta o governo do simpático Obama é contado pelo diário britânico Guardian, que até publica o relativo despacho top secret. Alvo da NSA são os clientes da Verizon, uma das maiores empresas de telefonia dos Estados Unidos.

The Guardian teve acesso à ordem judicial emitida em 25 de Abril: no documento afirma-se que a empresa de telefonia tem de fornecer durante três meses (até o próximo Julho) a lista diária de dados das chamadas, sejam ligações internas aos Estados Unidos, sejam entre os EUA e outros Países.

Mas não tudo. Além do Guardian há o Washington Post, segundo o qual não apenas a NSA recolhe os dados das chamadas de milhões de americanos assinantes da Verizon, como também o FBI tem acesso aos servers de nove empresas Internet: Microsoft, Yahoo!, Google, Facebook, PalTalk, AOL, Skype, Youtube e Apple.

06 junho 2013

O humanóide de Atacama

Espaço para algo "estranho", pois tivemos algumas notícias interessantes ao longo do último mês.

No ano 2003, em Noria (deserto do Atacama, Chile) foi encontrado um esqueleto mumificado de tipo humanóide. Envolvido num pano branco, com um comprimento de apenas 15 centímetros, atraiu as atenções do descobridor, Oscar Muñoz:
Encontrei-o em meados de Agosto, neste lugar. Estava vasculhando o terreno, quando apareceu isto.
Tanto para tirar logo as dúvidas: o esqueleto de Atacama não é uma escultura, não é um boneco, não é um expediente publicitário, não é um animal selvagem. Não é uma fraude, como será possível averiguar a seguir.

Na altura não foi possível determinar a idade exacta do achado, mas de acordo com o sítio arqueológico em que foi encontrado acredita-se que deve ter sido enterrado há pelo menos cem anos.

05 junho 2013

Margaret Thatcher e o Liberalismo.

Quando Margaret Thatcher nasceu, em 1925, tornou-se parte dum grupo familiar de rendimento superior na Grã-Bretanha.

Quando foi para a Universidade de Oxford, a família dela já havia sido capaz de juntar-se ao 1% da população com o maior rendimento e quando, no decorrer do curso de estudos em Oxford, casou-se com Dennis, esta parte já tinha-se tornado 0,1% da população.

Apesar de pertencer a este 0,1%, não foi considerada suficientemente rica para tornar-se líder do Partido Conservador, que era controlada por parte do 0,01% da população, ou seja, os super-ricos da sociedade britânica.

A eleição dela como Presidente do partido foi vista como uma "revolta" dos ricos contra os super-ricos. Esta rebelião, no entanto, era fictícia, porque Margaret Thatcher serviu com grande entusiasmo e docilidade os super-ricos.

04 junho 2013

O ouro e a fraude

Diz Ferreira (que agradeço e cumprimento!):
Se não existe ouro em Fort Knox, continua a pergunta que não quer calar, para onde vai o ouro extraído deste planeta? Max, não me venha com essa que é para fabricação de brincos, pulseiras, aneis, etc.

Ferreira, até parece que estou aqui para convencer o pessoal de que tudo está bem :)

Vamos dedicar algumas palavras acerca do metal, pode ser?

O ouro: quanto?

Antes de mais: o ouro é pouco, muito menos daquilo que é possível pensar. Esta é uma das razões do seu valor: se o ouro fosse disponível em grandes quantidades, o valor cairia.

Mais ou menos quanto ouro existe?
Até hoje foram extraídas 171.300 toneladas (dados de final de 2011). Muito? Nem por isso: todo o ouro caberia numa sala de forma cúbica com 21 metros de lado. É menos do volume da água presente em 4 piscinas olímpicas.

...mais uma vez: Bilderberg!

E como do costume, aproxima-se o novo encontro do misterioso Grupo Bilderberg.

A primeira reunião do Bilderberg teve lugar em 1954 em Oosterbeek, Holanda, e desde então os encontros respeitaram sempre uma cadência regular.
Únicas excepções: o ano 1976, quando não houve reunião, e os anos 1955 e 1957, quando houve duas reuniões no prazo de 12 meses.

Este ano a localidade escolhida qual sede da reunião é Hertfordshire, na Inglaterra, enquanto os trabalhos irão decorrer entre os dias 6 e 9 de Junho de 2013.

Dado que o Bilderberg é um grupo secreto, do site oficial é possível descarregar o elenco dos participantes tal como os tópicos que serão debatidos:

03 junho 2013

Guolaosi, a morte das horas extras

Ser o primeiro entre os Países do Brics tem um custo.
Por exemplo: suicídios.

A China está a tornar-se o primeiro País por mortes devidas à stress. A Xinhua, a agência de notícias do governo, vai mais além e publica um estudo que posiciona a China em primeiro lugar na classificação global de stress relacionado com o trabalho.

O nome é: guolaosi, morte por horas extras. Na China, a contagem alcança 600 mil mortes por ano, principalmente trabalhadores de colarinho branco nas grandes cidades.

Há alguns dias, um rapaz de 24 anos morreu de paragem cardíaca no local de trabalho: tinha feito um mês inteiro de extraordinários. Nos últimos dias, outros três trabalhadores da Foxconn (a empresa que fabrica por conta da Apple e da Nokia, conhecida pelo longa lista de suicídios) saltaram do telhado da empresa.

Guolaosi escreve-se com os mesmos caracteres utilizados em japonês para formar a palavra karoshi. Foi mesmo no Japão que o fenómeno foi analisado num estudo e, desde 1987, está reconhecido como algo diferente das "normais" mortes de trabalho. Nos anos em que o Japão devastado pela Segunda Guerra Mundial tinha-se posto em marcha com o objectivo de reconstruir o seu poder, era definido com "a nova epidemia".

Banco Mundial: insider ou barbeiro?

Para quem segue certos assuntos não é novidade nenhuma, mas antes poderia representar uma
confirmação.

Karen Hudes alega ter trabalhado ao longo de 20 anos no Banco Mundial e afirma que as famílias dos banqueiros centrais controlam o mundo das instituições de crédito.
Segundo a mulher, os banqueiros estão dispostos a usar a lei marcial para defender o seu monopólio no crédito e nesta óptica a guerra contra o terrorismo seria apenas um pretexto.

Como afirmado: nenhuma novidade. Mas vamos ver quais as afirmações da Hudes.

Ex-membro do Banco Mundial, ex Conselheiro Senior da mesma instituição, Karen Hudes diz que o sistema financeiro mundial é dominado por um pequeno grupo de figuras corruptas relacionadas com a Federal Reserve, o banco central dos Estados Unidos.

02 junho 2013

Portugal e a nova fronteira da medicina: os tubos

É domingo, dia de descanso, por isso vamos tratar de assuntos mais leves, menos sérios.
Por exemplo: Portugal.

O Governo quer poupar, porque como sabemos não é possível recapitalizar os bancos privados com dinheiro público, pagar os juros da dívida aos bancos internacionais e ao mesmo tempo fazer funcionar o Estado como se nada fosse: alguém tem que apertar o cinto.

Eis então uma medida muito bem pensada: o Ministério da Saúde anuncia que os hospitais vão passar a poder reutilizar os cateteres usados em endoscopias e colonoscopias, tal como alguns dispositivos utilizados em obstetrícia.

Parece um retrocesso de 20 anos ou até mais, mas o que o Ministério quer dizer é que os pacientes portugueses viveram até hoje acima das suas possibilidades. E, pensando bem, isto é verdade.

Se um cateter entrou na boca, no ânus, na vagina ou no pénis dum paciente, porquê deita-lo no lixo? É um cateter que já foi testado com sucesso, demonstrou funcionar e destrui-lo seria um desperdício: é prática lógica e de muito bom gosto (em todos os sentidos) reutiliza-lo num outro paciente, com satisfação de todos.

O Ministério fez duas contas e chegou à conclusão que a reutilização dos cateteres permite uma poupança de 45 milhões de Euros por ano. Pessoalmente acho esta medida do Ministério estar incompleta, porque seria possível ir mais além: afinal um cateter é um simples tubo e um tubo utilizado numa colonscopia dum paciente poderia bem dar para a endoscopia dum outro, com uma poupança ainda mais significativa.

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