31 julho 2013

O dinheiro, o Estado, a História - Parte I

O Leitor está de férias, deitado ao sol com o tablet na mão? Eis um artigo aborrecido, justo para estragar-lhe o dia. (No Brasil é Inverno, por isso o dia já está estragado).

Falemos de ouro, de moedas e de Estados (eu bem disse que era aborrecido...).

Já vimos como muitas pessoas acham que o dinheiro seja um valor absoluto, mas assim não é. Por exemplo: qual o valor duma nota de 10 Euros (ou Dólares, tanto faz)? Mais ou menos 30 cêntimos: o custo do papel, da tinta e da impressão.

A nota em questão tem um valor relativo: é a sociedade que confere valor ao pedaço de papel, somos nós que aceitamos aquela nota como se tivesse o valor de 10 Euros. A nota em si (tinta, impressão, papel...) nem daria para pagar um café.

Já vimos também que nem sempre foi assim. Antigamente, o dinheiro era produzido com metais preciosos, o que conferia um valor "real" (nota: na verdade as coisas não eram tão simples nem na antiguidade, pois desde sempre os governantes tentaram alterar a efectiva percentagem de metais preciosos nas moedas com metais de aspecto parecido mas menos nobre. Mas isso agora não interesse, justo?): ao ter na mão uma moeda de ouro do valor de 10 Euros (que não existe), eu teria na mão não uma representação dos 10 Euros, mas 10 Euros em ouro efectivo.

Tudo claro até aqui? Sim, tudo claro.
E aqui o discurso se torna interessante.

As três batalhas de internet

Com um número de utilizadores que atinge o total de 2.5 biliões (um terço da população mundial),
internet já não pode ser considerada uma realidade virtual: pelo contrário, é algo bem presente, bem real.

Estaremos no limiar de uma cyber-sociedade global? Provável.

No entanto, ainda existem algumas diferenças entre o mundo real e aquele virtual: no virtual há poucas regras que determinam a atitude e a maneira de agir. E isso causa problemas e até algumas lutas ferozes, como no caso da guerra entre a China e os Estados Unidos sobre a actividade dos hackers ou as revelações feitas por Edward Snowden.

Os EUA têm procurado dominar a opinião pública, aproveitando a extrema complexidade da segurança informática e da imprecisão das suas regras: conhecemos o Programa Prism, as técnicas de controle que têm como alvos potenciais todos os cidadãos.

Então, qual é a verdadeira natureza do mundo virtual?

30 julho 2013

EUA-China: o ataque nuclear preventivo

O professor Amitai Etzioni (olha, um outro hebraico...), na revista  da Universidade de Yale (Califórnia),
coloca uma pergunta importante:
Quem autorizou a preparação de uma guerra contra a China?
Segundo o docente, o Pentágono concluiu que chegou a altura de preparar a guerra contra a China, uma guerra que vai muito além de eventuais planos de contingência. É uma conclusão importante, que irá moldar os sistemas de defesa dos Estados Unidos, a força e estratégia global deles para lidar com o País asiático.

Até agora, a crise económica americana condicionou os preparativos com a falta de financiamentos suficientes: segundo Etzioni, estamos diante duma máquina militar neocon (o termo neo-con é a abreviação de "neoconservadorismo") que põe em perigo tanto os americanos quanto o resto do mundo.

A desvaloriazão das moedas: previsões

É possível "ler" a queda do valor da moeda para antecipa as revoltas?

Até faz um certo sentido: a perda de valor duma moeda significa produtos importados mais caros, o que pode bem traduzir-se em menos consumos. Uma queda nos consumos pode implicar o início dum círculo vicioso, com graves consequências nos casos mais extremos.

Exemplo clássico: desvalorização da moeda nacional, artigos importados mais caros, queda nos consumos, Estado que ganha menos com os impostos, serviços públicos mais caros (ou até cortados), possível subida dos impostos, ordenados com menos valor...e o ciclo recomeça.

Em particular, os Países em maior risco são aqueles onde já estão presentes razões de descontentamento (por razões étnicas, religiosas, económicas...): tudo isso pode traduzir-se em tensões sociais.

29 julho 2013

Fukushima: o problema da água

Ninguém fala do assunto: mas Fukushima está lá, com os seus reactores destruídos e a radiação disseminada pelo ambiente.

Os operadores continuam a luta para conter o vaziamento de água radioactiva, o que mais preocupa. Perdas que trouxeram o temor de que a central poderia até mesmo colapsar durante o processo de limpeza, que irá demorar anos

No passado mês de Maio, a NbcNews enviou dois jornalistas para tentar perceber qual a situação. Uma situação que tem atraído também a atenção da Agência Internacional de Energia Atómica, a qual enviou uma equipa de especialistas para redigir um relatório. E os especialistas alertaram: o Japão pode precisar até de mais tempo para a limpeza, mais do que os 40 estimados.

Infelizmente, pouca possibilidade foi dada aos jornalistas de espreitar no interior do complexo de Fukushima-Daichi. E as preocupações crescem.

O Papa no Brasil

Qual a razão da viagem de Francesco I no Brasil?

A mais óbvia é a seguinte: o Papa foi visitar o primeiro País no mundo por número de católicos. Afinal, falamos de 123.280.172 fiéis. Atrás do Brasil há o México (106 milhões), os Estados Unidos (75 milhões), as Filipinas (74.8 milhões).

No entanto, no Brasil há um problema: apenas 64.63% dos cidadãos são católicos. Na Argentina, o País de origem de Papa Francisco, são 92.3%. A proporção de católicos no Brasil em 1872 era de 99,7%, apesar da forte implantação dos cultos sincréticos afro-brasileiros (classes médio-baixas), da Maçonaria, do positivismo e do kardecismo (classes médio-altas). Um século depois, em 1970, a proporção ainda era de 91,8%; em 2000, já tinha caído para 73,6%. Agora, como vimos, 64,6%.

Em 2010, o número de católicos no Brasil caiu pela primeira vez não apenas em termos percentuais, mas também em termos absolutos: 123,3 milhões, em comparação com 125 milhões registrados no censo de 10 anos antes. O que explica a queda é a disseminação do protestantismo, cujos seguidores (ao contrário daqueles dedicados aos cultos sincréticos, maçons, kardecisti ou positivistas) não vivem a espiritualidade com um diferente catolicismo formal, mas reivindicam a auto-identificação exclusiva.

28 julho 2013

Empresas e Saúde: a fábrica de mentiras

Estudos paralelos, pseudo-especialistas, financiamentos ocultos: a partir dos anos 50, as grandes empresas começaram a manipular a ciência. Porque uma cosia é afirmar que o tal produto não faz mal, outra é poder envolver o mesmo produto numa camada de "oficialidade científica".

As técnicas de desorientação da ciência, inauguradas pelos gigantes dos cigarros, são agora usadas ​​pelos produtores de pesticidas, por exemplo. Mas o âmbito é muito vasto. Estratégias decifradas por Stéphane Foucart, jornalista científico no livro La fabrique du mensonge: Comment les industriels manipulent la science et nous mettent en danger ("A fábrica das mentiras: de que maneira as industrias mentem, colocando-nos em perigo").

Nesta entrevista, Foucart realça um aspecto importante: a fabricação da dúvida. Perante uma série de dados científicos, as multinacionais utilizam várias estratégias para alimentar as dúvidas acerca de questões relacionadas com os resultados das pesquisas. Isso permite atrasar as decisões que afectam as empresas produtoras de substâncias "suspeitas". Em prol dos lucros, obviamente.

26 julho 2013

Brasil: pista vermelha (ou quase)?

Especialmente no começo das manifestações no Brasil, era bem viva a troca de acusações entre quem
suspeitava algo do género Primavera Árabe, quem via nisso uma manobra da Esquerda radical e quem, como este blog, achava ser apenas o sintoma duma lógica evolução da sociedade brasileira.

O seguinte artigo não pretende explicar a razão de todas as manifestações, pois o fenómeno é demasiado complexo (ou talvez demasiado simples, pontos de vista) para ser reconduzido a uma única motivação.

É, pelo contrário, uma contribuição ao debate, que segue uma pista internacional, tal como ré-construída pelo blog francês Ice Station Zebra.


RLS

O Governador do Estado de Rio de Janeiro, Sergio Cabral, acusou "organizações internacionais" nos recentes protestos da cidade:
Nesses actos de vandalismo há a presença de organizações internacionais cujas redes na Internet permitem um nível de comunicação inédita no passado. Sabemos que há organizações internacionais que promovem o vandalismo e incentivam a revolta.
Entre estas "organizações internacionais" há também a Fundação Rosa Luxemburg (RLS) de São Paulo, que é a principal suspeita. Esta é a filial brasileira da alemã Rosa Luxemburg Stiftung.

A revolta ignorada: Bahrain

Abram um diário, um qualquer: simples encontrar a preocupação acerca da guerra civil na Síria, a
ansiedade por causa das manifestações no Egipto, não faltam artigos, enviados especiais, relatos.
Faz sentido.

O que não faz sentido seria ignorar um País no qual acontecessem as mesmas coisas: revoltas, mortos, feridos, repressão. Mas é isso que acontece.

Há um País onde nos últimos 5 dias, as pessoas tomaram as ruas por mais de 190 vezes para protestar contra o poder. No entanto, ninguém fala sobre estas manifestações populares. Não um artigo, não um jornalista, nem um diário. Sabe o Leitor que País é? E o que poderia explicar este silêncio todo?

25 julho 2013

O Papa no Brasil: uma dúvida e uma pergunta

Em vez dum artigo, desta vez uma pergunta.
O Papa está no Brasil, visita uma favela e assim fala:
Gostaria de apelar para aqueles que têm mais recursos, para as autoridades públicas e para todos os homens de boa vontade, comprometidos com a justiça social que não se cansam de trabalhar para uma sociedade mais justa e mais unida. Ninguém pode ficar indiferente às desigualdades que ainda existem no mundo. Cada um, de acordo com as suas possibilidades e responsabilidades, pode oferecer a sua contribuição para pôr fim a muitas injustiças sociais. Não é a cultura do egoísmo, do individualismo, que muitas vezes governa a nossa sociedade, que constrói e leva até uma mais habitável, mas a cultura da solidariedade.
Tudo muito bonito, sem dúvida, palavras que é difícil não partilhar.
Mas algo não bate certo. Porque entre aqueles que "têm mais recursos" há também a Igreja de Roma.

Síria: petróleo e gás entre as causas

Na base das várias Primaveras Árabes pode haver o petróleo e o gás?

A resposta é: não. Ou melhor: não apenas isso.

Se na Líbia a suspeita é grande, no geral as várias "revoluções" têm outros objectivos. Mas os hidrocarbonetos desenvolvem um papel que não pode ser ignorado. Podem não ser a causa principal, mas ninguém em Washington ou Tel Avive esqueceu-se da importância de certas cosias.

O presidente sírio, Bashar al-Assad:
Qual é a verdade sobre os recursos de petróleo e gás de nossas águas? Esta é a verdade: tanto nas nossas águas territoriais quanto no subsolo. Estudos recentes têm mostrado grandes campos de gás nas nossas águas.

24 julho 2013

Portugal: as más vendas de ouro

Diz o Muy Nobre Vítor:
Evolução das reservas de ouro, Banco de Portugal:
  • Em 1971, o BoP tinha 818,3 toneladas
  • Em 2001, o BoP tinha 606,7 toneladas
  • Em Abril de 2012 o BoP tinha 382,5 toneladas
Max tens um gráfico completo?
Ora essa: Informação Incorrecta tem tudo. Ou quase.
Ok, admito: não tinha o gráfico do ouro português. Mas encontrei um blog que apresenta os tais dados.
O blog em questão é Dencidades (link no fundo do artigo). Os valores apresentados são diferentes daqueles de Vítor. Desconfio que a explicação seja: o gráfico do Banco de Portugal considera o total teórico das reservas, uma parte das quais está actualmente no centro do caso jurídico internacional relacionado com o Terceiro Reich de Adolf Hitler. Na verdade, aquele ouro não está actualmente disponível (não pode ser vendidos, por exemplo) mas o Banco de Portugal continua provavelmente a inseri-lo nas actividades.

Onde estão as reservas de ouro? - Parte III

Terceira e última parte do artigo dedicado ao ouro.
A primeira parte pode ser encontrada neste link, a segunda neste.
Boa leitura.

No centro da história das reservas de ouro há uma questão particularmente delicada: de quem são os
lingotes que são (eram?) guardados nos cofres dos bancos centrais e que, em seguida, foram entregues (alocação, leasing, Bancos Bullion, etc.)?

Obviamente, a resposta depende da propriedade dos bancos centrais.
É um aspecto importante: sabemos que muitos dos bancos centrais foram "privatizados" e a maioria dos delegados nos conselhos de administração não são emissários dos governos mas de bancos privados.

Temos a certeza de que, na transição de propriedade, foi calculado o valor dos activos representados pelas reservas de ouro? Na verdade, já é complicado conseguir documentos oficiais que testemunhem a "privatização", o discurso ouro é ainda mais obscuro.

De acordo com um documento do Banco Central Europeu acerca do tratamento das reservas internacionais, as directrizes não exigem uma diferenciação entre o ouro guardado nos cofres e o ouro alugado ou dado em leasing: o documento afirma que "as transacções reversíveis de ouro não têm nenhum efeito sobre a quantidade de ouro monetário, independentemente do tipo de operação (por exemplo, swaps de ouro, acordos de recompra, depósitos ou empréstimos), em linha com as recomendações contidas nos regulamentos do Fundo Monetário Internacional.

Dito de outra forma: mesmo que o ouro tenha saído dos cofres por causa de operações financeiras, os bancos centrais estão autorizados a continuar a considera-lo nos orçamentos deles como activos (desde que o metal seja suposto voltar, cedo ou tarde...).

McDonald's: a imortalidade do Happy Meal

Só uma curiosidade.
E não é de todo uma novidade, mas é melhor não esquecer certas coisas.

A fotografa americana Sally Davies, no dia 10 de Abril de 2010, entrou num McDonald's e adquiriu um Happy Meal. Não sendo estúpida, não comeu a refeição mas limitou-se a esperar e tirar uma fotografia de vez em quando. Eis o resultado:


Não é a primeira vez que alguém testa a imortalidade dos produtos McDonald's, mas admitimos: o resultado faz sempre um certo efeito.

É que um qualquer produto alimentar deveria enfrentar os naturais processos de Mãe Natureza, como a  decomposição, a fermentação, a putrefacção.

O Happy Meal não: resiste ao passar do tempo. Todos envelhecemos, mas não ele (por isso é Happy), simplesmente porque não é natural. Até as bactérias assustam-se e ficam longe: são bactérias, mas não idiotas.

Aditivos, conservantes, aromas, substâncias de síntese: McDonald's encontrou a receita ideal para atrair os mais jovens, a receita da mumificação.
Bom apetite.


Ipse dixit.

Fonte: a sequência completa, realizada ao longo dos últimos três anos, pode ser encontrada na página Flirck da fotografa Sally Davies. Onde há também muitas fotos de cães.

23 julho 2013

Fracking e terremotos: os estudos

Existe uma relação directa entre as actividades de extracção de gás natural através do fracking (a
fracturação hidráulica) e alguns terremotos?

A questão tem produzido várias discussões nos últimos anos: o mundo científico parece orientado a aceitar as evidências neste sentido, apesar da resistência das empresas que exploram esta técnica.

Significativos três artigos publicados recentemente na conceituada revista Science (links no final do artigo).

O fracking parece ser responsável por tremores de terra de baixa intensidade, aqueles que não provocam danos a bens ou pessoas, e também pode produzir terremotos acima do 5º grau. Já para não falar do facto que as zonas alvos de fracking podem ficar mais sensíveis aos efeitos de terremotos violentos ocorridos em outras partes do mundo, cujas ondas sísmicas têm o potencial para produzir graves repercussões.

Onde estão as reservas de ouro? - Parte II

Ao longo das últimas 4 décadas, o esvaziamento dos cofres teria acontecido de duas formas: por meio de leilões e de operações encobertas.

Os leilões foram a maneira mais simples e também aquela oficial. Os primeiros dados apareceram em 1975, quando foi revelado que o total das reservas de ouro de todas as Nações e organizações internacionais do mundo totalizavam 36.700 toneladas. O Global Finance Power decidiu envia-las para o leilão e "optimizar" os procedimentos para a venda, a permuta e a alocação do metal.

O processo em larga escala foi desencadeada pela abolição do Gold Stantard (a teoria com base na qual cada moeda ou nota tinha ter uma correspondência de ouro no banco central) feita por Nixon em 1970-71. Após séculos, o ouro perdeu o papel de garante do valor do dinheiro em circulação, ficando o metal para joalheiros, dentistas e fabricantes de sofisticados gadgets tecnológicos, incluindo os aeroespaciais. Nesta altura, tornou-se uma matéria-prima como outras. Pelo menos em teoria.

Privacidade: entre erros e lobby

No parlamento europeu está em discussão uma nova legislação para a protecção dos dados: trata-se de salvaguardar a privacidade de cidadãos, empresas, até instituições públicas.

Parece coisa boa e justa, mas será que alguém não gosta disso?

Não é preciso puxar muito pela cabeça para responder: é suficiente contar as emendas apresentadas pelos deputados europeus: 4.000.
Mas o que interessa aqui é observar com atenção a natureza das emendas: muitas delas reflectem os argumentos defendidos por empresas tecnológicas dos EUA, algumas são simplesmente retiradas do Facebook ou do e-Bay, onde foram publicadas pelas citadas empresas.

Numa palavra: lobby, um poderoso grupo de pressão.

22 julho 2013

Onde estão as reservas de ouro? - Parte I

Ouro? Boa ideia.

Recentemente, o ouro voltou a ser um tema quente. Robert Lenzner, ex-banqueiro e agora analista da Forbes:
A notícia de que a Alemanha quer repatriar parte das suas reservas de ouro dos EUA e da França faz preocupar bastante, porque é o primeiro grande sinal de que a confiança entre os bancos centrais do mundo está a deteriorar-se.
E quando a confiança desaparece, começam os problemas.
Não é um acontecimento isolado. São muitos os Países nos últimos 50 anos têm depositado o ouro nos grandes cofres norte-americanos e britânicos, mas agora queria ter tudo de volta.

Depois de ter passado 50 anos em casa estrangeira, hoje o ouro da Alemanha deveria voltar à sua terra natal: pelo menos 50% do total das reservas. Esta decisão foi tomada recentemente pela Bundesbank, o segundo maior proprietário de reservas de ouro do mundo.

Porque e porque agora? Existem várias razões. Em parte, porque uma lobby de economistas, advogados e empresários alemães está a exercer pressão neste sentido, mas não só.

Desemprego: 93 milhões no G20

Qual o número total de trabalhadores desempregados nos Países do G20?

Resposta: 93 milhões.

Nada mal, não é? E falemos aqui do desemprego oficial, isso é, aquele das estatísticas governamentais. Porque os números reais são bem piores.

E a boa notícia? Não há: o total dos desempregados continua a aumentar.
Se a taxa de desemprego em Portugal já alcançou a casa de 18%, se os Estados Unidos têm de lidar com uma crise sistémica do emprego, os dados indicam que a falta de emprego é uma praga que envolve muitas mais realidades. Existe alguma esperança de recuperação?

Infelizmente, há várias tendências de longo prazo que se desenvolveram ao longo de décadas e que desempenharam um papel importante para a criação da actual situação.

21 julho 2013

Quem salva a Troika?

Desde que estourou a crise grega, em 2010, apara Atenas foram enviados cerca de 200 biliões de Euros em "ajuda". Mas, apesar disso, a situação do País não melhora.
"Apesar" ou "por causa disso".

Para onde foi aquele dinheiro todo?

Attac (Association pour la Taxation des Transactions pour l'Aide aux Citoyens, a Associação pela Tributação das Transacções Financeiras para ajuda aos Cidadãos) foi investigar e com a ajuda de documentos oficiais encontrou a resposta: 77% da "ajuda" à Grécia terminou nos cofres de bancos e especuladores.

Isso mesmo: quase todos os 200 mil milhões de "ajuda" serviram para engordar os bolsos dos banqueiros e dos especuladores internacionais.

20 julho 2013

O cantinho da Ciência-Demência.

Dado ser Sábado, eis o cantinho da Ciência.
Ou da De-ciência. Que faz rima com Demência.
Não é um acaso.

Astronomia

Falamos aqui das teorias astronómicas da Rede Globo, que no ano passado explicava alegremente como funciona o ciclo das estações. Não no nosso planeta, mas na galáxia longínqua onde vivem os seus jornalistas. E deve ser um lugar bem estranho...

19 julho 2013

América: as muitas estradas entre Atlântico e Pacífico

Nem todos sabem que já há algum tempo existe um protejo para escavar um canal na Nicarágua, algo que ponha em comunicação o Oceano Pacífico com o Atlântico, tal como já faz o Canal do Panamá.

Enquanto este historicamente sempre esteve sob o controle dos Estados Unidos, o novo projecto é algo nascido entre o governo da Nicarágua e uma empresa chinesa.

Poucos dias atrás, o governo do País centro-americano aprovou uma concessão de 100 anos para a construção (custo total estimado: 30 biliões de Dólares) e a gestão da obra em favor duma empresa chinesa. O projecto, apesar dos inevitáveis aspectos controversos, permitirá que a China reforce a sua influência sobre o comércio mundial, ao mesmo tempo que irá enfraquecer a posição dos Estados Unidos.

A falência de Detroit

A cidade de Detroit, sede das três grandes empresas automobilísticas americanas (General Motors, Ford e Chrysler), apresentou o pedido de falência.

Trata-se do maior pedido alguma vez feito por um município na história americana. O pedido foi apresentado ao juiz federal pelo comissário especial da cidade, Kevyn Orr, que declarou o estado de insolvência da cidade; e foi aprovado pelo governador do Michigan, Rick Snyder.

Depois de meses de tentativas, e apesar da indústria local ter recuperação, chegou a falência. Detroit lutou durante anos apara evitar o colapso financeiro: pediu dinheiro emprestado várias vezes, mas a má gestão não produziu os resultados esperados.

As estranhas ideias de Noam Chomsky

Noam Chomsky é um nome bem conhecido no mundo da informação alternativa.

Linguista, filósofo, cientista, crítico e activista, dele assim fala Wikipedia:
Além da sua investigação e ensino no âmbito da linguística, Chomsky é também conhecido pelas suas posições políticas de esquerda e pela sua crítica da política externa dos Estados Unidos. Chomsky descreve-se como um socialista libertário, [...]
Chomsky é uma das personalidades mais conhecidas da política de esquerda americana. Ele se define politicamente na tradição do anarquismo, uma filosofia política que desafia todas as formas de hierarquia. Ele se identifica especialmente com a corrente do Anarcossindicalismo, orientada para a defesa do trabalhador.

18 julho 2013

Síria: os "rebeldes" e as armas químicas da Arábia Saudita

Ar de mudança na Síria.

Não são apenas Estados Unidos, Grã-Bretanha e França perderam a guerra secreta por uma mudança de regime na Síria, mas os terroristas de estado colapsam também em termos de propaganda.
A chegada da equipa de inspecção das Nações Unidas para as armas químicas em Damasco, esta semana, marca mais um golpe contra os planos ocidentais sobre a Síria.

A ONU parece determinada a cumprir as exigências do governo sírio para uma pesquisa sobre o uso de armas químicas no Páis. As autoridades de Damasco e o presidente Bashar al-Assad sempre afirmaram eram os mercenários pró-Ocidente a utilizar as armas proibidas, enquanto as potências ocidentais acusavam as forças do Estado sírio.

O governo da Síria tinha pedido um primeiro grupo de inspectores da ONU já em Março, devido ao uso de gás nervino sarin no distrito de Khan al-Assal, perto de Aleppo, quando 25 pessoas foram mortas, incluindo 16 soldados do exército sírio. No entanto, esta iniciativa foi bloqueada quando a ONU, sob a pressão dos Países ocidentais, pediu que os investigadores tivessem "acesso livre" em todos os lugares da Síria, incluindo as instalações militares.

Portugal: síntese da situação

Eis um artigo a pedido.

Recebi há alguns dias, respondo só agora por causa dos problemas ocorridos. E aproveito para pedir
desculpa pelo atraso, neste como em todos os outros casos.
[...] sei que desististe das notícias relacionadas com o bacano deste país.
Pois. Lamento, mas acho que quanto está a acontecer em Portugal não tem a seriedade suficiente para merecer a atenção. A única coisa positiva é que no estrangeiro poucos sabem do que realmente se passa aqui.
Com tudo o que está a acontecer, não poderia o jogo de poder entre os queridos membros do governo ser uma jogada a favor dos bancos? Afinal aumentam os juros e tudo e tudo...
Infelizmente a resposta é: não.
Digo "infelizmente" porque uma manobra desta género seria aos menos um sinal de capacidade e inteligência. Maquiavélica, mas sempre inteligência. Mas o espectáculo oferecido nestas últimas semanas nada tem de inteligente.

Para os não-portugueses, eis uma breve síntese dos acontecimentos.

17 julho 2013

Snowden e o golpe nos EUA

E voltemos a falar de Estados Unidos.

Paul Craig Roberts, ex-assistente do Ministro do Tesouro dos Estados Unidos e editor associado do Wall Street Journal, publica um interessante artigo nas páginas de Global Research.
Os americanos sofreram um golpe de Estado, embora estejam relutante em admitir isso. O regime de Washington carece de legitimidade e direito constitucional. Os americanos estão actualmente governados por usurpadores de acordo com os quais o executivo está acima da lei e a Constituição não é mais do que um velho papel.
A primeira reacção poderia bem ser: "E bravo Robert, acordaste?". Mas seria injusto: Roberts há muito desmarcou-se dos jogos políticos da capital e tornou-se um dos principais críticos do regime americano no seu próprio País. O que é particularmente interessante, pois conhece bem os tais jogos.
Um governo não constitucional é um governo ilegítimo. O juramento de fidelidade inclui a defesa da Constituição "contra todos os inimigos, estrangeiros e nacionais." Bem queriam enfatizar os Pais Fundadores, o principal inimigo é o próprio governo. O poder não gosta de limitações e de restrições e faz tudo, sempre, para livrar-se desses "laços".

Bancos e dinheiro: se ainda houver dúvidas...

É verdade, ainda há dúvidas.

Há Leitores que, por várias razões, ainda não aceitam uma simples verdade: os bancos privados criam dinheiro.

Seja por não ter informação acerca do assunto, seja por uma questão de princípio, seja por uma razão qualquer: não entendem como é possível que uma empresa privada (os bancos comerciais são isso: empresas privadas).

O blog já tratou muitas vezes do assunto e não vai dedicar-lhe outro espaço. Há a lista dos assuntos tratados na coluna de direita, é só procurar. Mais: existe uma secção inteira dedicada à economia, que pode ser encontrada neste link.

Assunto fechado? Não exactamente.
Se ainda houver dúvidas, eis uma série de afirmações interessantes. Sugiro prestar atenção aos links e as relativas fontes, tal como nas pessoas que se pronunciam.
Boa leitura.

16 julho 2013

Os mísseis chineses

Ar pesado entre os militares dos Estados Unidos.

O País tem a maior marina militar do mundo, mas uma nova e misteriosa arma assusta os almirantes. É isto que está na base da recente aprovação do novo montante máximo de despesa: 65 milhões de Dólares ao longo de três anos entre o Naval Research Laboratory (Laboratório de Pesquisa Naval) e a empresa ITT Exelis.

Os recursos, de acordo com um documento da Marinha dos EUA, destinam-se aos 24 sistemas de guerra electrónica que devem ser carregados nos navios que actuam perto das águas chinesas.

O motivo? Como declarado pela US Navy:
É necessário para combater uma ameaça imediata para as operações da frota
O comando de operações quer que as novas defesas estejam activas a partir de Março de 2014. O alerta urgente apareceu pela primeira vez nas páginas de Military & Aerospace Electronic representa algo insólito: um aviso excepcionalmente forte para a frota mais poderosa do mundo.

15 julho 2013

Snipers

E primeiro lugar, peço desculpa pela falta nas publicações.

Os post costumam ter uma certa regularidade e já se tornaram um encontro fixo por muitos Leitores. Mas ao longo da última semana: nada. Lamento, alguns problemas.

Como costumam dizer em Portugal: é a vida.

Depois, vamos ver como está a situação.
No Brasil continuam as manifestações, em Portugal é confusão total (ou seja: o costume), a Europa está sempre em recessão, no Egipto, Iraque e Síria continua-se a morrer, no Afeganistão já são mais os suicídios do que os mortos em combate, na televisão ainda dão o Big Brother.
Resumindo: não mudou nada.

Então hoje vamos falar dum assunto muitas vezes ignorado mas não por isso menos interessante: os francos atiradores. Ou em inglês: snipers (que é ainda mais fino).

08 julho 2013

O cantinho do bom humor: Portugal e o segundo resgate

P.P.Coelho (dir.) e P.Portas (esq.)
Pedro Passos Coelho, Primeiro Ministro, 30.10.2012:
Que fique muito claro perante o país e os senhores deputados, porque não vale a pena insistir em fantasias, o Governo não está a preparar nenhum pedido de resgate.
Pedro Passos Coelho, Primeiro Ministro, 05.04.2013:
O Governo não está a preparar segundo resgate coisa nenhuma
Pedro Passos Coelho, Primeiro Ministro, 26.06.2013
Portugal está mais próximo de fechar o plano de ajuda [externa] sem necessitar de um segundo resgate

Onu: israel contra as crianças

Bem poucos media realçaram a notícia, mas esta é clamorosa (apesar de não inesperada) sobretudo considerando a fonte: as Nações Unidas.

Um grupo de pesquisa da ONU acaba de publicar um relatório no qual acusa israel de não parar os maus-tratos de crianças palestinianas sob custódia militar e policial, factos já evidenciados em outras ocasiões.

Mas a ONU vai além disso: o relatório acusa as forças israelitas de usar as crianças palestinianas como escudos humanos e alega que em alguns casos os menores enfrentam tortura, confinamento solitário e agressão sexual.

Tortura, confinamento, agressão sexual, escudos humanos

O documento de 21 páginas chega três meses após um papel da UNICEF que criticou os maus-tratos "sistemáticos e institucionalizados" das crianças palestinianas detidas pelo exército israelita.

06 julho 2013

Sukuk?

Continuemos a tratar do assunto Islão e arredores.

Enquanto o mundo financeiro ocidental continua mergulhado numa crise profunda e para a qual não é possível ver uma solução, há outras realidades que não sabem o que é a crise.
Como por exemplo: a finança islâmica.

Títulos: + 54%

Informa o diário Expresso:
Muito antes de finais de 2012, já muita gente previa um ano excecional para a emissão de obrigações conformes à Sharia (lei islâmica), as sukuk. Esperava-se que, até ao fim do ano, o volume destas emissões ultrapassasse os 100 mil milhões de dólares (76 mil milhões de euros).

Tinham razão: as previsões ficaram aquém da realidade. Segundo os números publicados pela KFH Research, empresa de consultoria do Kuwait especializada em questões financeiras islâmicas, o volume total de sukuk emitidas em 2012 ascendeu a 131 mil milhões de dólares (100 mil milhões de euros): mais 54% que no ano anterior.

No entanto, apesar deste salto, continua a recear-se que a oferta de sukuk, um instrumento cuja estrutura permite gerar lucros sem infringir a lei islâmica, fique muito aquém da procura por parte dos investidores.

O medo, sempre o medo

Entre os comentários apareceu o seguinte:
gostaria de saber sua opinião ou a opinião pública do II sobre estes fatos descritos:
Controle de natalidade: Saiba a verdade que a mídia esconde

Vi o vídeo e fiquei com uma péssima impressão.

Em primeiro lugar: fontes? É simples construir um vídeo apresentando dados, mais complicado é fazer um vídeo com dados verificáveis, que aqui faltam completamente.

Mas nem este é o ponto. Pessoalmente oiço estas teorias desde o final dos anos '70, quando apareceram os primeiros imigrantes árabes. Já estou habituado e deixei de preocupar-me.

05 julho 2013

O Verão do Egipto

A política do simpático Barack Obama para o mundo árabe nasceu e morreu no Cairo.

No dia 4 de Junho de 2009, Obama fez um discurso intitulado A New Beginning ("Um Novo Começo") na Universidade do Cairo. Em princípio, o evento deveria ter sanado as relações dos EUA com o mundo muçulmano, depois dos oito anos de retórica anti-muçulmana e neo-conservadora do igualmente simpático Bush.

A Administração Obama, que tem dado um forte apoio ao presidente Morsi através do embaixador dos EUA no Cairo, Anne Patterson, não pediu a suspensão do golpe militar contra Morsi e os ministros deles. A lei conhecida como a Emenda Leahy obriga os EUA a parar qualquer ajuda dirigidas a um País que sofra um golpe. A Emenda Lehay, portanto, requer a rescisão dos 1,3 mil milhões de Dólares em ajuda militar que os EUA fornecem ao Egipto a cada ano. No entanto, os republicanos no Congresso, especialmente aqueles que apoiam israel, suportaram o golpe, proporcionando ao mesmo tempo o apoio a Obama para que o tal Emenda não seja aplicada. Seria lógico perguntar qual a razão, mas é melhor evitar, pois as respostas não são nada simpáticas.

04 julho 2013

Snowden e o mistério dos espiões vivos

Comecemos pelo fim: Portugal recusa a aterragem do avião de Morales por suspeitas sobre Snowden.
Com o desgoverno que merece, provavelmente a maioria dos Portugueses nem entendeu bem o que se passou.

Resumo para os mais distraídos: Portugal recusou na passada Terça-feira a aterragem para reabastecimento do avião do Presidente da Bolívia, Evo Morales, por suspeitas de que Edward Snowden, um informático que fugiu dos Estados Unidos após a divulgação de documentos secretos, estivesse a bordo.

O chefe da diplomacia boliviana, David Choquehuanca, negou que Snowden estivesse a bordo e referiu que o avião de Morales, que regressava de Moscovo, pôde aterrar em Viena, acrescentando que se cometeu "uma injustiça com suspeitas infundadas".

Quem é Snowden? É o ex-agente da CIA ("ex"?), acusado de traição pelos EUA por ter divulgado documentos que mostravam que os norte-americanos estavam a espiar cidadãos e governos em grande escala. Snowden está a tentar evitar a extradição para o seu País, onde seria julgado.

Mas afinal: Snowden estava ou não no avião? Não, não estava.

03 julho 2013

Portugal: a crise é grave mas não séria

Peço desculpa aos Leitores: ontem interrompi o silêncio acerca de Portugal convencido de que algo de
sério estava a acontecer.

Isso significa que 10 anos neste País foram deitados no lixo, pois é evidente que ainda não percebi uma coisa simples: em Portugal não há nada ou quase que possa ser considerado como "sério".

Como lembrado no post de ontem, o número dois do governo, líder dum dos dois partidos da coligação e Ministro dos Negócios Estrangeiros, Paulo Portas, tinha apresentado as próprias demissões irrevogáveis.

Tão irrevogáveis que hoje já começou a trabalhar para voltar no mesmo governo, com os mesmos protagonistas.

Este joguinho custou ao País mais de dois mil milhões de Euros perdidos em 24 horas numa bolsa a pique.
E nem podemos esquecer os juros da dívida, que voltaram ao nível de 2011 (8% nos Títulos a 10 anos).

Tudo por causa de jogos de poder entre dois líderes de partido, nada mais do que isso, rigorosamente nada mais do que isso.
Esta pantomina de governo continuará a sobreviver e provocar prejuízos aos País (entre os quais o segundo resgate da Troika), pois é absolutamente inútil esperar que um dos dois líderes renuncie ao poder (coisa que ficou maravilhosamente demonstrada nas últimas horas). E esperar uma atitude digna por parte do Presidente da República (que poderia demitir o governo) seria pura ilusão; ladrão não caça ladrão, sobretudo sem a autorização da Merkel.

Deveria ter percebido tudo ontem, forte da experiência de 10 anos neste País.
Peço desculpa. Vamos tratar de assuntos sérios.


Ipse dixit.

02 julho 2013

Portugal: tranquilos, é com "eles"

Nos últimos tempos, o blog dedicou cada vez menos espaço aos acontecimentos de Portugal, pela simples razão que acho já não haver esperança.

Hoje todavia, é necessário abrir uma excepção.

Ontem o Ministro das Finanças, Vítor Gaspar, número dois do Governo, demitiu-se, reconhecendo o falhanço das suas escolhas.
Hoje o número três do Governo, Ministro dos Negócios Estrangeiros e líder do partido da coligação, Paulo Portas, demitiu-se.

Há poucos, o Primeiro Ministro falou ao País: não foram as esperadas demissões mas as palavras duma pessoa demasiado envolvida nos jogos de poder.

Printfriendly

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...