07 agosto 2013

Wall Street: o lobo, o pelo e o vício

Será que depois do que aconteceu com os subprimes, Wall Street fica longe do sector imobiliário?

Claro que não, é uma área demasiado lucrativa.

Mas podemos esperar que tenham acabados os produtos arriscados, como aquele que levaram à falência centenas de bancos privados americanos.

E neste caso a resposta é: claro que não, é uma área demasiado lucrativa.

O sagaz Leitor já terá reparado: as duas respostas são muito parecidas. Uma coincidência? Nem por isso.

Deutsche Bank e Blackstone Group: a nata

De facto, Wall Street volta a mergulhar no mercado imobiliário com um novo produto, algo que tem os mesmos genes dos antepassados, os famigerados subprimes. E para o novo negócio, encontrou a sólida parceria dum dos Too Big To Fail (demasiado grandes para cair): a sempre pouco louvada Deutsche Bank.

06 agosto 2013

Monsanto e copyright: algo não bate certo

Uma das questões mais interessantes no debate sobre os OGM (os organismos geneticamente modificados) é a questão do copyright, o direito de autor.

Não se fala aqui das possíveis consequências dos OGM sobre a saúde, o meio ambiente ou mais ainda: apenas e só do aspecto jurídico. Que não é nada secundário.

Então: o copyright diz respeito à chamada propriedade intelectual. Isso é: eu invento algo, reclamo o direito de autor acerca deste algo e, uma vez reconhecido, este algo não pode ser utilizado por outros sem o meu consentimento. Desta forma, sou o único que pode utilizar o algo para fins comerciais e ganhar com isso.

Poucos sabem que o copyright é um dos sistemas favoritos para não pagar taxas & impostos, pois em alguns Países (como a Holanda), os produtos cobertos por copyright não estão sujeitos a tributação.

Um exemplo banal: o Leitor decide produzir sapatos.
O Leitor mora no Brasil e os sapatos são produzidos no Brasil. No mesmo País são vendidos também, com grande sucesso. Como ganhar mais, evitando a tributação?

05 agosto 2013

EUA: alarme terrorismo

É alarme terrorismo.

Os Estados Unidos fecham algumas embaixadas: Afeganistão, Egipto, Argélia, outras também (ver imagem ao lado).

Não são conhecidos a data, a hora ou o alvo.

Mas não é apenas um alarme: a operação terrorista já estaria em curso, como afirma o network Cbs. 

Segundo o jornalista John Miller, os funcionários da intelligence receberam notícias de fontes de confiança, segundo as quais a equipa de terrorista já estaria perto do alvo, operacional em pleno.

Piripirilândia e a terrível Besta da Inflação

Interessante uma série de comentários que apareceram após a publicação de O dinheiro, o Estado, a História - Parte I e II.

Os vários comentários permitem enfrentar um problema delicado, o da inflação. Por exemplo, a contribuição de Nemo (que agradeço pela participação e pela oportunidade) e as respostas de Anónimo56 (agradecido também, como é óbvio).

Aqui um dos comentário de Nemo:
Existe uma diferença substancial entre a criação de moeda por parte do Estado e dos bancos comerciais.

Quando um banco empresta dinheiro, cria moeda. No futuro, exigirá o retorno do montante emprestado acrescido de um juro. Porém, o banco só empresta quando tem a expetativa que o devedor será mesmo capaz de cumprir a sua obrigação. Isto obriga o devedor a mostrar que tem um projeto viável (no caso de empresas) ou rendimentos futuros condizentes com o que o empréstimo exige; isto é, obriga o devedor a mostrar que tem capacidade para gerar valor suficiente na sociedade (rendimentos do capital ou trabalho) para suportar o empréstimo.

03 agosto 2013

O Precipício de Séneca

Hoje é Sábado, e como todos os Sábados desde que foram inventados os blogues, hoje é o dia da
História.

O que diz o Leitor? A História é uma seca? Malandro dum Leitor! Mas fique descansado: na verdade falamos de História para falar da actualidade. O que é bem mais interessante.

Comecemos com uma pergunta, assim, tanto para quebrar o gelo: como acabam as sociedades? De repente? Dum dia para outro? Ou de forma mais lenta, num cadenciado morrer?
A minha resposta é: boh, não faço ideia. Eu sou blogueiro, não historiador.

Mas o que tem a ver isso com a nossa sociedade? Tem a ver: porque também a nossa sociedade irá acabar cedo ou tarde. Aliás, dados os sintomas, parece mais cedo do que tarde.
Então podemos fazer uma coisa: dado que muitas vezes é feito um paralelo entre o nosso próximo (e alegado) fim e aquele do Império Romano, vamos ver como acabou, de facto, a história de Roma enquanto cidade imperial.

02 agosto 2013

Assange, Manning, Snowden: quem é herói e quem não

Julian Assange? Bradley Manning? Edward Snowden?
Calma, meus senhores, calma: não são a mesma coisa, não é farinha do mesmo saco.

E irrita observar estes três senhores serem postos no mesmo plano, pois assim não é. 

É totalmente enganoso afirmar que Wikileaks e Manning tenham divulgado crimes militares e de guerra. Avançar com esta afirmação é como destacar uma fatia de 10 graus num bolo de 360 ​​graus.
Mas o resto?

Wikileaks, e isso deve ser oportunamente realçado, fez uma descarga indiscriminada de algo como 700 mil documentos secretos norte-americanos (e não só), onde, no meio da confusão, apenas uma pequena parte em questão pode ser classificada como actos criminosos do ponto de vista do direito internacional.

Obama e a cruzada contra os bancos malandros

E continuemos a falar de Justiça.

Nos jornais internacionais dos últimos dias é possível encontrar notícias acerca do simpático Barack Obama na cruzada contra os bancos malandros (nota: em português encontrei algo no Estadão de S.Paulo, pois em Portugal somos demasiados entretidos com as imprescindíveis aventuras dos políticos locais e não temos tempo para parvoíces).

Nada mais, nada menos de que 410 milhões de multa ao famigerado JP Morgan.

Muito bem Obama, continua assim, mostra-lhe quem é que manda!

Porque aqui está uma breve lista das culpas dos bancos privados:

Berlusconi condenado

Silvio Berlusconi foi condenado.

Acusação: fraude fiscal. Pena: 4 anos de prisão (que serão substituídos por um ano de serviço cívico ou prisão domiciliária, dada a idade de 76 anos), interdição de qualquer cargo público ao longo de um ou três anos (a actual condenação de 5 anos será objecto de recurso, pois é superior a quanto previsto pelas leis italianas).

Esta era a última possibilidade de Berlusconi evitar a condenação e perdeu: a sentença é definitiva. Poderia agora apelar-se à União Europeia, mas seria inútil.

Sou um dos muitos italianos que nunca votaram Berlusconi e nunca iriam vota-lo, por muitas (demasiadas) razões. E isso fornece-me também a ocasião para tentar ver as coisas numa óptica ligeiramente diferente: afinal trata-se de um "inimigo" político (agora "ex", pelos vistos).

01 agosto 2013

O dinheiro, o Estado, a História - Parte II

Qual era a pergunta?
Ah, pois, era esta: então, como foi possível para o Estado sobreviver ao longo de milhares de anos sem taxar os rendimentos (ordenados, reformas...) dos cidadãos?

O Estado, de facto, existe desde o tempo de egípcios e sumérios, passou pelos mongóis de Gengis Khan, chegou até nós: e parecia funcionar bem, sendo bastante  eficiente do ponto de vista financeiro. Tudo isso sem praticamente poder contar com os impostos sobre os rendimentos. Muito estranho.

Toda a História foi feita de evasores fiscais e ninguém dava por isso?

Os Pais Fundadores

E o problema não era apenas a dificuldade em colectar impostos, pois sabemos que os meios de comunicação não eram como aqueles de agora. O imposto sobre os rendimentos, por exemplo, foi expressamente proibidos pela Constituição americana de 1776.

XKeyscore: internet, o Cavalo de Tróia

Há uma situação aparentemente paradoxal:
  • os Estados Unidos são o País com as principais infraestruturas que permitem o funcionamento de internet (a mesma plataforma Blogger funciona a partir da Silicon Valley, na Califórnia: tudo o que o Leitor pode ler neste como em outros blogues, passa antes pelos servidores nos EUA).
  • internet é o principal veículo da informação alternativa, aquela que passa o tempo a tentar descobrir as tramas do imperialismo, a pôr em realce as contradições do nosso sistema pseudo-capitalista, a procurar uma alternativa.
Dito assim, parece uma missão suicida: os EUA cultivam o germe da própria destruição?
As recentes revelações de Edward Snowden ajudam a perceber um pouco mais acerca da real situação.

XKeyscore, DNI Presenter, Pinwale...

O diário britânico The Guardian dedica um artigo ao assunto e avança um nome: XKeyscore.
Este é um programa utilizado pela Agência de Segurança Nacional dos Estados Unidos (NSA), que o utiliza para recolher dados pessoais em larga escala: na prática, XKeyscore permite aceder a quase tudo o que um utilizador comum faz na Internet, incluindo o conteúdo de e-mails, mensagens privadas trocadas no Facebook e o histórico da navegação de sites.

XKeyscore é o programa mais abrangente da NSA: não acaso, o mesmo Snowden tinha afirmado durante uma entrevista em Hong Kong:
Sentado na minha secretária, podia espiar qualquer pessoa, tu ou o teu contabilista, um juiz ou até mesmo o Presidente, desde que tivesse um endereço de email.
E é assim: os analistas da NSA têm apenas de preencher alguns campos num formulário e acrescentar uma justificação genérica para começar a colectar dados. De imediato, têm à sua disposição quase tudo o que um utilizador comum faz na Internet, incluindo actividade em tempo real, e sem necessidade de obterem um mandado judicial.

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