03 janeiro 2014

O cartão de crédito: efeito bola de neve

O Brasil já não é o que era: deixado atrás o rotulo de País "em desenvolvimento", agora pode
razoavelmente aspirar a um patamar maior.

Um dos sintomas? O cartão de credito.
Este pequeno objecto tem a capacidade de tornar realidade os nossos desejos: é só apresentar o cartão, digitar o PIN, e sair da loja com o nosso novo bem.

Nem parece quase um pagamento: não há dinheiro em toda a operação, só o terminal do banco e o sorriso do funcionário enquanto embrulha a compra.

Dito de outra forma: o cartão de crédito é um armadilha letal, que bem pode arruinar a nossa economia domestica e as nossas vidas com ela.

Dois são os factores que contribuem para isso:
  • a sensação de "não gastar dinheiro", como vimos
  • e os juros.
Sobretudo estes últimos representam o perigo maior.
No acto da compra há os juros sobre o empréstimo (o banco não dá dinheiro "de graça"): na verdade, um bem adquirido com um cartão custa invariavelmente mais do que o mesmo adquirido com dinheiro vivo.
Ao preço da loja é preciso acrescentar o valor dos juros que são cobrados pela instituição financeira: o montante antecipado pelo banco costuma ser devolvido em "cómodas" prestações, assim parece "pesar" menos.

Depois há os juros no caso da nossa conta ir para "o vermelho", isso é: acaba-se o dinheiro e o banco, em vez que fechar a torneira, continua a conceder empréstimos. Mas desta vez os juros pagos sobre este "dinheiro extra" costumam ser muito elevados, muito mais daqueles aplicados. Sobretudo se numa família houver mais do que um cartão, os resultados podem ser dramáticos: pagar as contas do banco pode tornar-se impossível.

Crédito & Dívida

Em Natal, mais da metade (24,8%) dos brasileiros endividados (43,3%) apontam o cartão de crédito
como causa do seu endividamento, segundo uma pesquisa realizada nos últimos tempos pelo Serviço de Proteção ao Crédito do RN.

Um levantamento realizado no banco de dados do Banco Central ajuda a explicar porque o total de pessoas com dívidas no cartão chega a ser até quatro vezes maior que o total de brasileiros com dívidas no carnê - segunda maior causa de endividamento - no País.

Apesar de ter as taxas de juros mais altas do mercado, o rotativo do cartão de crédito (quando se paga o mínimo e financia o restante da dívida no cartão) foi a segunda "modalidade de crédito" mais utilizadas pelos brasileiros em Setembro desse ano, dado mais recente fornecido.

O rotativo só ficou atrás do cheque especial, em termos de valor emprestado através de novas operações. A preferência pelo cartão de crédito é uma das razões para a taxa de inadimplência no Rio Grande do Norte entre Janeiro e Outubro desse ano ter atingido 17,4%, a maior para o período desde 2010, diz o vice-presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas de Natal e diretor do SPC no estado, Augusto Vaz:
O rotativo do cartão é um trampolim para a inadimplência.
A explicação por trás da preferência dos brasileiros, apesar das altas taxas de juros, está na facilidade com a qual se "acessa" a esta modalidade de crédito, diz Vinício de Souza e Almeida, doutor em Finanças pela Coppead/UFRJ, professor adjunto no Departamento de Administração da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) e coordenador do programa de especialização em mercado de capitais da universidade. A concessão é menos restritiva.

Toda esta facilidade, no entanto, tem um preço. Enquanto as taxas de juros de um empréstimo consignado (modalidade com taxas mais baixas) giram em torno de 2% ao mês, as do cartão de crédito podem ultrapassar 14% ao mês.

Uma ferramenta recém-lançada pelo Banco Central mostra quanto "pesa" pagar o mínimo do cartão de crédito. Segundo a Calculadora do Cidadão, disponível no site do Banco Central, uma dívida contraída no cartão chega a mais do que dobrar em poucos meses, tornando-se muito maior do que se tivesse sido contraída através do cheque especial, crédito pessoal ou consignado, com taxas de juros menores.

Seis conselhos

Conselhos? Na verdade não existem conselhos "mágicos": como em todas as coisas, é necessário usar o cérebro.

1. Acompanhar os movimentos do cartão de crédito

Parece uma coisa óbvia. Mas se fosse tão óbvia, haveria muitos menos problemas...

Em caso dum orçamento limitado, é preciso repartir de forma mais eficaz possível as despesas. Para isso é importante controlar os pagamentos feitos com o cartão de crédito, consultar periodicamente o saldo do cartão para ter uma noção do ‘plafond’ usado.
"Quanto" periodicamente? Depende do uso que costumamos fazer do cartão. No geral, não menos de que uma vez por semana: é sempre necessário ter uma ideia do dinheiro disponível para poder enfrentar novas despesas.

Além disso, é conveniente que guardar todos os talões dos pagamentos realizados com o cartão de crédito até receber o extracto mensal, para confirmar que todos os movimentos incluídos no extracto estejam correctos. Os bancos erram também. E não costumam errar em prol do cliente...

2. Pesquisar bem antes comprar

Obviamente, este conselho é válido tanto para quem opta por fazer o pagamento das compras com o cartão de crédito quanto por quem escolha qualquer outro meio de pagamento. Existem vários sites na internet que permitem comparar os preços de um mesmo produto, seja ele um livro, um telemóvel, um televisor, um produto informático, um brinquedo ou uma peça de roupa. A poupança que é possível obter é considerável.

Antes de proceder à compra, faça um simples cálculo: some o valor dos juros ao preço do bem. Desta forma terá uma ideia precisa de quanto irá gastar. Não há maneira de pagar com dinheiro vivo? É preciso comprar mesmo agora? E que tal poupar uns mesitos para poder pagar com dinheiro vivo (e se calhar pedir um desconto na loja) mais tarde? É bom lembrar: com o cartão o mesmo artigo custará sempre mais.

3. Ter alguns cuidados de segurança com as compras online

Há cada vez mais consumidores a optarem por fazer as compras pela internet.
É cómodo? Sim, muito. É seguro? No geral sim, é seguro. Claro, temos que ter um mínimo de atenção. Duas regras básicas:
  1. não efectuar compras se o endereço do site não começar por "https://". É suficiente espreitar a barra dos endereços do nosso navegador: se o site começar com um simples "http://" (sem "s"), nada de compra.
  2. nunca fornecer indicações acerca do nosso cartão via e-mail, mesmo que este seja solicitado por uma entidade qualquer. Os bancos nunca contactam, por mail ou por telefone, os seus clientes para solicitar dados desta natureza.
4. Analise das anuidades e dos juros associados

Há muitos bancos. E não temos a certeza de que o nosso seja o melhor (ou o "menos pior"...). No interior do mesmo banco, depois, há várias ofertas disponíveis. Por isso, boa ideia é  de vez em quando consultar a página internet do nosso banco para espreitar quais as novidades. E já que ligámos internet, vamos espreitar também a concorrência, que não faz mal.

Por norma os cartões das gamas inferiores (tipo Classic ou outra denominação) apresentam anuidades mais baixas face aos cartões da modalidade Gold. Depois é preciso lembrar que em muitos casos a primeira anuidade é gratuita, mas também existem cartões de crédito que isentam o pagamento deste encargo nos anos seguintes. Além deste encargo, outro factor que deverá ter em atenção está relacionado com os juros associados ao cartão. Este critério é particularmente importante para quem optar pela devolução faseada dos pagamentos efectuados com o cartão de crédito.

5. Aproveite todas as vantagens associadas ao cartão

Além da possibilidade de ter acesso a uma linha de financiamento, os cartões de crédito podem disponibilizar uma série de outras vantagens que muitas vezes os consumidores desconhecem. A generalidade dos cartões de crédito tem um pacote de seguros associados (como assistência em viagem e acidentes pessoais).

Além disso, muitos cartões de crédito têm a modalidade de cash-back: com isso,  banco devolve na conta uma parcela do valor realizado em compras feitas com o cartão de crédito. Há também alguns cartões que prevêem a "modalidade de arredondamento": perante uma compra no valor de 79,02 Euros, o valor da compra poderá ser arredondado para os 80 Euros, sendo que os restantes 98 cêntimos revertem automaticamente para a conta poupança.


6. Um cartão poderá ser suficiente

O cartão de crédito poderá ser uma ferramenta financeira preciosa para a ajudar a gerir o orçamento domestico; ou pode tornar-se o pior dos pesadelos. Tudo depende da forma como é utilizado. Para evitar a acumulação das dívidas é aconselhável ter só um cartão na carteira, pois poderá ser mais fácil controlar os movimentos. Se for possível pagar com dinheiro vivo, melhor não hesitar. Ou então, um cartão de crédito é mais do que suficiente.

Mas as regras mais importantes são apenas duas:
  1. escreve-se "crédito", lê-se "dívida".
  2. nunca pedir empréstimos cujas prestações sejam superiores a 30% do nosso rendimento mensal.
O risco é de desencadear um efeito "bola de neve" feito de dívidas e de mais empréstimos com os quais pagar as dívidas preexistentes. Nesta altura, sair do círculo só com os nossos rendimentos torna-se impossível.

Ipse dixit.

Fontes: Informarmy
Il pagamento con carta di credito nella modalià rotativo e con pagamento minimo della rata si sta rivelando una vera trappola finanziaria . Senza disciplina nella spesa e soprattutto senza una adeguata formazione culturale questo sistema di pagamento sta trascinando nella " inademplencia" milioni di consumatori .
I tassi di interesse per questa modalità di pagamento possono arrivare al 14% al mese determinando un effetto a valanga sul debito che qui chiamano " bola de neve " che lo rende  impagabile in pochi mesi . 
- See more at: http://www.informarmy.com/2013/12/carte-di-credito-con-effetto-bola-de.html#sthash.V3IiAHl7.dpuf

10 comentários:

  1. maria4.1.14

    Olá Max:me parece que a expressão viva de acordo com os seus limites, se aplicada aos indivíduos, funciona muito bem. A tendência do brasileiro/a comum viver endividado, e endividando-se cada vez mais é proporcional a sua ânsia de viver de aparências,a vontade de fingir para si próprio pertencer a uma classe social que não pertence, a tendência a viver num mundo ilusório de glamour,a sua característica quase "genética" de desperdiçar ou seja, prato cheio para quem lucra com esse tipo de estupidez. Abraços

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  2. Anónimo4.1.14

    Deixei de usar cartão de crédito há quase 10 anos e não tenho sentido nenhuma falta dele. Tenho um único cartão multibanco, de débito, para levantar dinheiro e pagar algumas contas.

    O cartão de crédito serve unicamente para aumentar artificialmente a capacidade temporária de endividamento das pessoas, pois, a capacidade real depende unicamente dos seus rendimentos.

    Krowler

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  3. Anónimo4.1.14

    Ilham disse : não sei aí em Portugal como funciona, mas aqui no Brasil o preço pago à vista é o mesmo pago no cartão de crédito. Isto aconteceu porque algumas lojas começaram a dar desconto de 5% a quem pagasse as mercadorias com dinheiro vivo. O governo proibiu esta prática. Deste modo, os lojista não dão mais desconto, isto é o preço da mercadoria é o mesmo seja o pagamento feito em moeda ou no cartão de crédito.O que me fez concluir que aqui todos pagamos juros, seja em moeda ou no cartão. Nós brasileiros somos muito espertos.....

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  4. Anónimo4.1.14

    Em relação a Portugal, posso falar da minha experiência... em lojas de comercio tradicional, mais pequenas, onde vou com alguma frequência, já me aconteceu dizerem-me que pago menos 6% da compra, um desconto, se pagar com dinheiro, porque é o valor que o comerciante paga ao banco pela compra paga com cartão (neste caso de débito, não tenho cartão de crédito).
    Claro que há também a questão dos impostos, mas sempre obtive a factura sem qualquer problema.
    Abraço

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  5. Anónimo7.1.14

    Prezados, o cartão de crédito é um a benção, pois tomamos os créditos e não pagamos juros. É claro que para isso precisamos contar com os nossos créditos futuros. (rendas, salários) para pagar no seu devido tempo. Os cartões de crédito foram criados para os mais idiotas, aqueles que são compulsivos.Que são a maioria. Uso o cartão de crédito a mais de vinte anos e nunca tive problema de ficar endividado.

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  6. Anónimo7.1.14

    "Uso o cartão de crédito a mais de vinte anos e nunca tive problema de ficar endividado."

    e em caso de roubo ou fraude com o cartão de crédito tem muito mais segurança e apoio do que com um cartão de débito...
    é ler os contratos de cada um e não é difícil perceber...
    o preço dessa segurança e outros benefícios em termos de seguros passa pela diferença nas anuidades, que alguns clientes de alguns bancos nem têm de pagar.
    há bancos que chegam a contactar os clientes que escolhem a modalidade de pagamento a 100% a facilitar outros créditos...
    o problema dos cartões de crédito é que a maioria das pessoas simplesmente não os usa para realmente aproveitar os benefícios que têm.
    o problema começa logo pelas campanhas de cartões enviadas pelos bancos aos clientes... duvido muito que enviem um cartão desde logo com a modalidade de pagamento a 100% e, logo, sem juros. eu já recebi algumas dessas campanhas e nenhum cartão estava com pagamento a 100%, eu é que teria de solicitar a alteração se quisesse o cartão...
    abraço

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  7. Este comentário foi removido pelo autor.

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  8. Olá Max e pessoal!

    Se cartão de crédito fosse bom, eles não disputavam a gente ligando para oferecer essa porcaria, nós pediríamos ao banço e eles fariam uma infinidade de exigências para fornecer.
    A meu ver é a invenção financeira que eles mais amam porque com os credcards eles enriquecem rapidamente! quem inventou esse cartãozinho e esse esquema de facilidades com armadilha financeira para o trouxa que o usa foi um cara espertalhão.

    O credcard só serve para uma coisa, Vc está no final do mes e precisa fazer uma compra antes do dia do seu pagamento. então vc usa esse dinheiro de plástico e dali 7 dias quita a despesa, assim não tem dor de cabeça por se endividar... pagar apenas uma parte da parcela? NUNCA! O ciclo de aumentos sobre o restante da dívida fica alto e pode causar muita dor de cabeça!

    Cheque especial tem o mesmo problema, é outra encrenca se não for bem administrado. Mas, se Vc já tem o cheque especial, para quê quer o credcard?

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  9. Anónimo21.1.14

    Cara Maria, eu uso o cartão de crédito a mais de vinte anos e não estou endividado. Para usar o cartão de crédito, primeiro tu tens que saber o quanto terás para pagá-lo. Cartão de crédito é uma mera opção de quem tem dinheiro para honrar os seus compromissos, o cartão de crédito não é uma Casa da Moeda que produz dinheiro. O cartão de crédito é como comprar "fiado". Só isso.

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  10. quererei compartilhar a minha alegria com vocês. É várias vezes aldrabado perdi esperança porque que quer um empréstimo de 130.000 €, mas mim entendi falado do Sr. Geraldo. Ao início era ligeiramente que desconfia mas após os diferentes procedimentos protegidos para nós dois mim terminei por ter pelo empréstimo pedido sobre o meu conta 72 horas após o meu pedido de empréstimo, e isto à uma taxa de 2%. Queiram tomar contacto com ele se vocês tenham necessidade de um empréstimo junto de uma pessoa honesta e seriedade contactam para ter uma solução tem os vossos problemas financeiros, eis o seu endereço correio eletrónico: vanepablo@outlook.fr

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