02 março 2014

A Ucrânia, a Venezuela e o mundo do lucro

Há mais ou menos três anos, o simpático blogueiro (eu!) escrevia que era este um tempo de grandes
mudanças e que, todo somado, era bom estar presentes aqui, mesmo nesta altura.

Passados três Natais, o simpático blogueiro ainda está satisfeito de poder assistir a estas mudanças: só que descreve-las começa a ser complicado.

A Ucrânia, por exemplo. O ex-presidente Yacunoic não era um santo, não há dúvidas acerca disso. Só que a cura parece bem pior do que o remédio. O País é dividido, com uma vaga "vontade" de entrar na União Europeia (aos coitados ainda não foram explicadas um par de coisas...) dum lado e fogos de resistência pró-Rússia (ver o caso da Crimeia) do outro: uma situação que ameaça precipitar a Ucrânia numa guerra civil, nesta altura facilmente diagnosticável.

Os ucranianos (e a UE) são utilizados como fantoches, a real vontade deles nada conta: nos bastidores há o choque entre os Estados Unidos do fantoche Obama e a Rússia de Putin. Este não entende baixar os braços e é simples perceber a razão: o que fariam os EUA, por exemplo, se o México ameaçasse tornar-se uma colónia chinesa?
Doutro lado do Atlântico há o caso da Venezuela.
Maduro não é Chaves, isso ficou claro, e não basta passar as noites na tomba do defunto líder para obter o apoio das massas. Mas o movimento é o mesmo, com uma oposição que explora a altura de fraqueza do regime e a vontade duma parte da população, seguindo as indicações que chegam do exterior. Neste caso a única dúvida é: faltam mesmo os géneros de primeira necessidade? Porque isso, num dos principais Países exportadores de petróleo, não seria tão facilmente compreensível nem justificável.

Em qualquer caso, este é um "pormenor" (se o leitor for Venezuelano não é tão "pormenor"), pois o que conta é que também aqui há forças superiores em jogo. E, mais uma vez, seguir o fio leva até Washington.

Tudo isso é muito complicado mas, paradoxalmente, ajuda a entender algo.

As derrotas convenientes
 
Em primeiro lugar: sim, este é um tempo de mudança e grande até.
Não sabemos como será o futuro e fazer previsões neste sentido é mais complicado agora do que há alguns anos atrás. Se dum lado quem mexer os fios já não faz questão de esconder-se, do outro os objectivos (que são claros) podem trazer desenvolvimentos não esperados.

O caso dos Estados Unidos é particularmente significativo. Um País em crise, com os indicadores de pobreza e de desemprego que teimam em não descer depois de ter alcançado níveis nunca vistos antes; com as contas públicas à beira do colapso; um País que ficou derrotado no Iraque (pois se a ideia era implementar a democracia, só de derrota é possível falar), no Afeganistão, no Líbia (em pleno caos), no Egipto (idem).

Um País deste deveria antes tentar resolver os problemas internos e só depois, eventualmente, pôr o nariz fora de casa. Mas não é isso que acontece: pelo contrário, Washington parece ter decidido acelerar as mudanças no exterior, contra o rival russo dum lado e com a tentativa de expansão na América do Sul.

Estamos perante uma desesperada prova de força para cimentar a posição de super-potência?
Não.

Porque na verdade pobreza e desemprego não interessam a uma elite que joga em Wall Street e que vê os próprios lucros crescer dia após dia. E o mesmo pode ser dito acerca da situação financeira federal: simples efeitos colaterais, até saudáveis segundo o ponto de vista.

Porque se a democracia ficou derrotada no Iraque, o mesmo não pode ser dito pelas empresas que exploram o caos no País, desde as milícias privadas dos contractors até as companhias petrolíferas. Tal como acontece na Líbia. E no Afeganistão, o cultivo do opio retomou como e mais do que antes.

No horizonte das multinacionais há agora o gás da Ucrânia (além, claro, duma aproximação às fronteiras da Rússia, um mercado de 150 milhões de consumidores). As motivações políticas já não contam: não há aqui o livre mercado contra o Comunismo, é apenas um choque entre interesses corporativos.

E, na América do Sul, há as reservas de petróleo da Venezuela, além do enfraquecimento das recentes alianças comerciais da região. Ou alguém realmente acredita que Washington esteja assustada com o "socialismo" de Maduro?

Então não é nada complicado compreender quem realmente governa o mundo, o que se esconde atrás das palavras: escreve-se "democracia", lê-se "lucro", pronuncia-se "liberdade", entende-se "dinheiro".
Tudo o resto é apenas conversa, boa para encher os artigos dos diários mas inútil para perceber quem mexe os fios das marionetas.

O problema é que esta nova governance mundial já não é mitigada por considerações de oportunismo político: aliás, a política parece ter sido completamente dobrada perante os interesses corporativos, muito mais do que acontecia no passado. Obama revela-se por aquilo que sempre foi: um fantoche que actua segundo as ordens da governance mercantilista, tal como as Mentes Pensantes de Bruxelas ou as Nações Unidas. Comparem, por exemplo, um Obama com um Ronald Reagan ou uma Margaret Tatcher: não notam diferenças?

Tudo isso acarreta riscos desconhecidos até agora: um mundo regido só e unicamente pelas leis do lucro não é um bom mundo. E se o Leitor pensar "mas sempre foi assim", então irá ficar surpreendido com o que virá nos próximos tempos.


Ipse dixit.

13 comentários:

  1. Anónimo2.3.14

    E o que poderá ser?

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  2. Vem ai o tempo do "juízo final", tipo arrependei-vos pois o fim está próximo.
    http://ultimasnoticiasnew.blogspot.com.br/2014/02/senales-de-advertencia-de-que.html

    Então vão ser obrigados a parar com a safadeza.

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  3. Engraçado que o alvo dessas revoltas sao lugares estrategicos
    ao interesse dos EEUA.
    E tem alienado que acha que quem
    eh contra essa politica Imperialista esta errado.
    Exercicio de Imaginaçao:
    Um mundo com governo mundial com todo o gado marcado e direcionado
    quem estiver fora do contexto sera
    alvo dos robos do Darpa.

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  4. maria2.3.14

    Olá Max: tenho comigo que o "sempre EXATAMENTE assim" limita-se aos séculos XX e XXI, quando a guerra e a dinâmica da sociedade de representação são as tecnologias políticas que melhor funcionam para o exercício do poder de dominação sócio política econômica. E é isso que me cansa, ao contrário de ti, viver nessa época de eternas repetições do mesmo. Tomara tenhas razão, e algo diferente esteja por acontecer, mas eu só consigo prever a aceleração, aprofundamento, e intensificação do mesmo. E então gostaria que tu desenvolvesses, em posts seguintes, o teu ponto de vista, e quais desdobramentos históricos consegues imaginar. Abraços

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  5. bem dito. e basta ver os media ingleses/EUA a forçaremotomna corrupçãode Ivanovitch quando a Timochencko e seu regime tinha mais buracos que uma canasta. É necessario separar as "derrotas" do Iraque ou Libia ou Siria/Egipto com perguntas simples mas finsamentais = quem ficou a explorar o petroleo do Iraque ou Libia. Quem tem visto as sua sfronteiras poupadas e protegidas com os conflitos na Siria e Egipto (Israel). Quem está a umpasso de deitar as unhas as maiores reservas de petroleo porque o vidente de passarinhos deve ter geito para muita coisa menos para a politica? Paz? mas desde quando a paz é uma vitoria para os criminosos que "manobram" a politica mundial? Basta ver as manobras informativas que os anglosaxonicos fazem permanentemente para desestabilizar o Irao, Ucrania, Venezuela, Brasil, Sudão...

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  6. Anónimo2.3.14

    Muito boa matéria Max!!! Espero ler mais posts como este em seu site , sua opinião , ao meu ver , e essencial..
    Abraços
    Carlos Eduardo

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  7. anónimo 562.3.14

    Pois é Shanerrai,
    O fogo do interior da terra está cada vez mais activo.

    http://www.thehorizonproject.com/earthquakes.cfm


    http://2.bp.blogspot.com/_TbkIC-eqFNM/TMwcKFUVRII/AAAAAAAAG5Y/HbNM2-4mhqo/s1600/global+volcanism+updated.jpg


    http://www.michaelmandeville.com/earthmonitor/polarmotion/plots/Table101_World_earthquake_trend_73-98.gif

    Por outro lado, seja por arrefecimento ou aquecimento global, a verdade é que os fenómenos meteorológicos extremos estão na ordem do dia e vulgarizam-se por todo o planeta.

    Grandes eventos Cósmicos se avizinham.


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  8. Anónimo3.3.14

    Sobre a Ucrânia, a propaganda dá-nos duas versões dos factos: A versão ocidental e a versão russa.
    Depois temos a real, que é esta, com os interesses económicos e financeiros e mexer os cordéis nos bastidores.

    Vai ser muito interessante acompanhar o desenrolar dos factos nos próximos tempos.

    Krowler

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  9. Anónimo3.3.14

    Esse ultimo paragrafo é um pouco "sinistro" mr Max. Tipo tenho uma ideia do que será mas não vou colocar aqui, para já. Já agora como outros leitores como a Maria, também agradecia que desenvolvesse um pouco mais. Creio que aqui já existe algo mais serio que somente interesses económicos acho que é um processo desenhado a anos que está a ser acelerado mas muito acelarado, também li algures que começava em força este ano. Não sei bem é porquê e para quê? Vai uma ajuda?
    Abraços
    Nuno

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  10. anónimo 563.3.14

    Aconselho a consulta dos geniais artigos de Manuel Freytas (não que sejam verdades absolutas, mas vale a pena ter em conta), que tal como o nosso amigo Max, nos ajuda a interpretar a realidade por trás do véu do "ilusionismo" mediático.

    https://www.facebook.com/pages/iarnoticias/248455253623?fref=ts

    (Os artigos completos estão no título debaixo das imagens)

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  11. Chaplin3.3.14

    Acho que podemos sermos mais objetivos. Sem sairmos do oficialismo da quase totalidade dos historiadores não identificaremos a origem de tamanha dominação.A ocultação do personagem central e maior protagonista é a chave do poder maior. As próprias abordagens são fracionadas suficientemente para que o entendimento não evolua. Desde sempre os hebreus estiveram no centro do controle do comércios, das guerras e das piratarias. Eram afugentados por inúmeros povos, mas sempre acabaram prevalecendo por sua influência via dependência econômica/financeira junto aos governantes, sejam eles reis, presidentes ou ditadores.

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  12. Chaplin3.3.14

    Sua imagem foi definitivamente moldada por sua elite, o sionismo e suas organizações internacionais, a partir da segunda guerra, transformando-os em "vítimas" do mundo, difundida exaustivamente pela propaganda midiática ocidental. Não vejo qualquer possibilidade de mudança real sem que essa pauta torne-se a primeira e principal entre as sociedades existentes. E como a Maria citou, o que muda é o que não decide. A consequência final será tornar a escravidão um processo visível e aceitável como único caminho para a humanidade, sob a lógica da superioridade darwiniana.

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  13. 408283Olá Max,

    Vamos por partes: eu apesar de ler sobre economia e política, a mim me parece que em todos -TODOS - os governos há um bando de indivíduos com os mesmos problemas mentais, mania de grandeza, corrupção e uma tal ignorância explícita em seus comportamentos que me custa considerá-los capacitados para gerir a própria vida. Até parece que quem está no comando está seguindo uma linha de conduta combinada entre eles - ENTRE TODOS ELES - que nós não percebemos o sentido de ser! Eu não percebo a coerência desse sentido de ser, mas percebo a similaridade... Estou de fora da brincadeira e não acho graça!
    Ao que parece cada sujeito que ingressa numa certa elite que controla um nicho da sociedade passa por uma lavagem cerebral para agir conforme uma regra que não considera o bem de um país, o bem de uma nação e o desenvolvimento deste país (seja qual for ou aonde for).
    - E tudo o que aprendem, todas as especializações deles são usadas para tirar vantagens sobre o vizinho. - Muitas vezes tenho vontade de pedir que pare o planeta para descer...

    Mas, uma coisa boa esse... "final dos tempos" nos tem proporcionado, -com a oportuna tecnologia da internet desenvolvida por "eles"- o encontro de mentes que pensam com o mesmo foco. Afinal, algum proveito do que eles inventam para uso voraz deles nós usamos com uma boa finalidade.

    abraços a tod@s

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