17 março 2014

Do MAI para o TTIP. E Suzy.

Período esquisito este.

Dum lado há o aumentar do caos, com Primaveras que brotam em todos os lados (África do Norte, Oriente Médio, agora Ucrânia), do outro há uma forte aceleração que aponta para uma situação muito ordenada.

Período esquizofrénico? Nem por isso: não esquizofrénico mas programado.

O ruído de fundo, o barulho, serve perfeitamente para encobrir as coisas importantes. Assim, entre um avião desaparecido e um referendo legítimo mas não reconhecido, eis que o cidadão perde os poucos direitos que ainda tem e nem dá por isso.


MAI? TTIP!

Um teste? Assim seja, um teste.
Quantos entre os Leitores europeus já ouviram falar do MAI? E o TTIP? Levantem a mão, sff.
Levantaram? Não é por nada, é que deste lado não consigo ver, só isso. Mas imagino tenham sido poucas. É normal, mas é assustador, porque são coisas importantes: são estes o futuro nosso e dos nosso filhos.

Vamos explicar.
O MAI era o Multilateral Agreement on Investment, um acordo em favor do livre mercado entre a União Europeia e os Estados Unidos, cujo esboço tinha sido criado em 1997. Dito de outra forma: o assunto era arrasar os direitos dos trabalhadores europeus, equipara-los aos ridículos dos homólogos americanos; pegar nos direitos sociais, embrulha-los e atira-los para o lixo.

Porque para que um acordo destes possa funcionar, é preciso que haja uniformidade. E o que acha o Leitor? Seriam os americanos a introduzir novos direitos, aprofundar os assuntos sociais ou seriam os europeus a perder os seus?

O MAI foi derrotado, atropelado pelo rio de criticas. Lembram da "Batalha de Seattle", Novembro de 1999? Foi também graças a este tipo de episódio que o MAI foi fechado numa gaveta. Mas não esquecido.

Agora, o MAI regressa. Mudou de nome, mas o espírito é o mesmo. A nova denominação é TTIP: Transatlantic Trade and Investment Partnership.

O que é o TTIP? É o MAI. Muda o embrulho, mas o conteúdo é exactamente o mesmo.
É a tentativa de reviver a mesma operação político-económica (cujo credo é uma economia baseada na exportação), sem envolver qualquer instituição que represente os cidadãos americanos ou europeus: apenas a Comissão Europeia (que não é eleita) e o representante do Comércio da Presidência dos Estados Unidos (que também é nomeado, não eleito).

Os princípios fundamentais do TTIP estão em evidente conexão com um paper do banco JP Morgan, que em Maio de 2013 pediu aos Países da UE para libertar-se das limitações das constituições social-democratas e anti-fascistas para permitir o livre comércio.

Será mais compressão das protecções sociais; será menos direitos; será o agravamento das condições de vida dos cidadãos; será apenas uma política económica que enriquece os do costume; será deregulation e negação das prerrogativas públicas.

Se os Leitores assim desejarem, será possível saber um pouco mais acerca deste TTIP.

Anestético

Por enquanto, eis algumas gotas de anestético cerebral gentilmente oferecidas pela televisão pública portuguesa, que de MAI ou TTIP não quer saber, mas quando o assunto for estupidificar nunca fica atrás.

A coitada é Suzy, cujo tema ganhou o Festival da Canção 2014 e que representará Portugal no Eurofestival. A canção é de rara feiosidade, repetitiva e nada tem de português: uma autêntica pimbalhada. Mas eu tenho uma ideia acerca da maneira como Suzy conseguiu convencer o júri.

Não costumo propor músicas no blog: mas esta merece, sendo particularmente horrível...

Uhauhauheuhauheeee....



Ipse dixit.

6 comentários:

  1. Anónimo17.3.14

    Qualquer festival da canção/Eurovisão é, além de anestésico, lavagem cerebral. O conteúdo de muita "música" que por lá se faz revela-o, as pessoas é que não sabem "da missa a meio".
    E a propósito: se Portugal não fosse mais à eurovisão, alguém morria por isso? Max, você que é italiano, sabe que Itália passou aí uns 14 ou 16 anos sem lá pôr os pés e ninguém se importou com isso, pois não?

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  2. maria17.3.14

    Olá Max: "é uma questão de segurança nacional manter o público na desinformação dos acontecimentos, em especial do que lhes interesse diretamente". E quem diz isso está no meio do furacão, o Noan Chomsky. E não precisaria ser ele a dizer, qualquer indivíduo minimamente lúcido/a percebe isso em milhares de oportunidades e no mundo inteiro. Abraços

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  3. anónimo 5617.3.14



    Está tudo capturado por quem se passeia por trás dos "honestos mercados" como lhes chama certo "abominavel homem" das Neves. (isto é só para Português entender)

    Somos realmente governados por cínicos psicopatas legitimados por meia dúzia de opinion makers, que anestesiam a opinião pública, ou melhor, opinião publicada.

    Há que pôr os "burros" em sintonia com os interesses dos seus donos.
    E conseguem...

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  4. Anónimo17.3.14

    A propósito do TTIP diz o site Brasil de Fato:
    'Se você ainda não ouviu falar sobre um novo acordo comercial de proporções gigantescas entre os Estados Unidos e a União Europeia (UE), não se alarme, era exatamente essa a intenção. Chamado de Parceira Transatlântica de Comércio e Investimento (TTIP, sigla em inglês), ele representa aproximadamente 40% do PIB mundial, o que o torna, possivelmente, o maior acordo comercial do planeta. Mesmo com essa magnitude, está envolto de segredos e sigilo, sendo, há meses, negociado e refinado por burocratas de Washington e Bruxelas'

    pode-se ler ainda no texto:
    'Interesses corporativos contra o interesse público. Essa é a grande chave para o entendimento do que realmente está por trás da TTIP. O escritor britânico George Monbiot tem sido um dos mais ativos nas denúncias contra o acordo EUA-UE. Sua principal acusação é quanto ao que ele classificou recentemente como o “mecanismo mais tóxico do acordo”: uma cláusula que possibilita às corporações processarem judicialmente governos cuja orientação política ou leis domésticas entre em conflito com os interesses das companhias em tribunais secretos, cláusula essa chamada de “acordo judicial de disputa Estado-investidor”.'

    Krowler

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  5. Anónimo18.3.14

    Quando vi este vídeo logo lembrei que por aqui tem umas dezenas de moças como essa aí ... E as pessoas adoram. São poucos os que sabem o que anda ocorrendo, "os (des)governos" já não precisam se preocupar em manobrar a massa, isso se tornou uma diversão
    O mais interessante é que quando você fala com as pessoas sobre o que realmente está acontecendo elas acham esse tipo de assunto chato, tedioso ... assim caminha a humanidade, estamos indo em direção ao precipício ... com o atual cenário não me parece que alguma coisa vá melhorar.

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  6. "ANESTÉTICO"... é alguma mistura de anestéSico com estético?...

    Os médias fazem questão de empurrar a opinião deles e o governos prefere a todos desinformados e dóceis. "Se não sabes a verdade, dependes de mim para dizer-lhe como... viveres!"

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