05 março 2014

Notas para um futuro pouco risonho - Parte II

Segunda e última parte das notas dedicadas ao futuro.
E, como todas as notas, estão em ordem casual.

Globalização

Em aceleração.

Na verdade, seria preciso especificar de qual "globalização" estamos a falar: há alguns Países que podem viver uma globalização mediática ou tecnológica por exemplo, enquanto outros nem por isso. Seria mais correcto falar de globalização do mercado: hoje um agricultor da Etiópia pode vender o café para uma multinacional que irá revende-lo na Ásia ou na América do Sul. O agricultor ficará sempre miserável (na verdade, o desgraçado arrisca até ver a própria posição piorar, pois as multinacionais tendem a monopolizar o mercado, baixando os preços oferecidos aos produtores), mas o lucro da empresa irá aumentar. E são satisfações (talvez não do agricultor).

Boa parte da produção ocidental será globalizada, isso é, as empresas irão fechar os estabelecimentos no ocidente para transferir a produção em Países em desenvolvimento. Este é um fenómeno que já tem alguns anos mas será acelerado no futuro próximo. Doutro lado, se o principal mercado da Porsche for a China, porque os carros têm que ser produzidos na Europa?

Mais tarde, esta hemorragia irá abrandar. Mas para que isso aconteça, o custo do trabalho (entendido como remuneração do trabalhador mas também como conjunto de direitos adquiridos ao longo das décadas) no ocidente terá que diminuir bastante enquanto aquele dos Países em via de desenvolvimento terá que aumentar (o que é inevitável), mas sem nunca atingir os antigos níveis ocidentais. Podemos dizer uns 15/20 anos como prazo? Parece razoável.

Em qualquer caso, a Globalização é a chave que abrirá as portas do mundo para a actual elite. 

Tecnologia e Controle

Em fortíssima aceleração.
O futuro será controle: controle do indivíduo, controle das massas, controle das informações. Por isso os produtos tecnologicamente avançados (que do controle representam o vector) estarão cada vez mais baratos. De facto, já hoje um tablet ou um navegador GPS podem ser comprados por poucas dezenas de Euros: podemos fazer a comparação com a descida dos preços dos telemóveis, na altura muito mais lenta.

O controle é necessário para que as escolhas dos indivíduos possam ser devidamente encaminhadas ou até criadas (é o caso dos consumos); o controle das massas, feito através da difusão do medo (o terrorismo, as doenças, etc.) e da distorção da realidade (com a filtragem/criação de notícias), servirá para endereçar a sociedade verso aqueles que são os objectivos da elite no poder.

Quais são estes? Na internet é simples encontrar a expressão Nova Ordem Mundial, algo que é utilizado até por alguns exponentes políticos em discursos públicos. O problema é que o assunto NWO (Nova Ordem Mundial segundo o acrónimo inglês) foi devidamente ridicularizado pela mesma internet: voltam aqui os Illuminati, os Reptilianos e a companhia deles.

Mais uma vez: não há necessidade, pois as miras expansionistas duma elite chegam e sobram para justificar o desejo dum governo mundial. Ampliar a Globalização significa aumentar os lucros, concentrar o controle dos bens de primeira necessidade em poucas mãos, criar informações oportunamente veiculadas que possam criar novos inimigos e justificar assim novas guerras de expansão. Tudo isso reforça a posição da elite.

Portanto, se a Globalização for a chave, a tecnologia e o relativo controle são o Cavalo de Tróia utilizado por esta elite.

Religião

Este é um assunto importante, porque no nosso mundo tendemos a ignorar o aspecto espiritual (e agradeçam por isso Voltaire e os Illuministas), mas não deixa de estar presente sendo até uma necessidade.
A religião está a dobrar-se perante os desenhos da elite. E isso não é bom (dito por quem não é um crente).

Acho que no futuro será interessante dedicar mais espaço não à Igreja de Roma (em via de transformação) mas ao presente da religião, entendida não como missa e companhia mas como conjunto de pensamentos em via de rápida difusão. Algo que é já entre nós, além do Catolicismo, além do islamismo, um instrumento para encaminhar o pensamento dos homens ao longo dum percurso bem definido. Vejam por isso Yohio, o Homem Novo.


Qual sociedade?

Boh? Se quanto afirmado até agora estiver correcto (e caso se venha a concretizar), no geral diria uma sociedade mais pobre, muito mais pobre em todos os sentidos.

Mais pobre do ponto de vista económico (a deslocação das empresas para os Países em desenvolvimento não tem como objectivo aumentar o nível de vida de quem aí vive e trabalha, mas diminuir os rendimentos e os direitos dos que ficam nos Países "avançados"), cultural (uma sociedade com um único sentido...), ambiental (têm ideia do custo que implica o desenvolvimento dum único País? Tipo a China?), científico (também aqui não é difícil já agora observar um único sentido).

Uma sociedade rica em ilusões. Ilusão de estar protegido, ilusão de participar activamente nas escolhas importantes, ilusão de poder informar-se, ilusão de poder escolher, ilusão de ser livre.

Mas...mas não acredito em tudo isso.
Porque já outras elites tentaram o mesmo e sempre fracassaram.
Porque o homem é um animal estranho, muitas vezes estúpido.
Porque basta pouco para fazer falir o melhor dos planos.

Nós tendemos a pensar que tudo tem de acontecer agora: é agora que o mundo acaba, é agora que volta Nibiru, é agora que descobrimos a partícula de Deus, é agora que temos as melhores teorias científicas, é agora que deflagra a Terceira Guerra Mundial, é agora que implementam o NWO. Mas a História não quer saber de nós, ignora-nos alegremente e segue o seu curso, às vezes feito de passos em frente, às vezes de passos atrás.

Um NWO seria sem dúvida um passo atrás para a espécie humana, mas achar que isso será de certeza o nosso futuro próximo é uma outra ilusão (bem espalhada pela internet: e não, meus senhores, não são os conspiracionstas que espalham esta ideia, são os alegados arquitectos dela).

Por isso (para responder à Maria) estou satisfeito de estar aqui agora: porque é uma altura de mudança e não temos a mínima ideia de como será o depois. Se fosse tão simples poder prever o futuro (e afirmar que será implementado o NWO é uma clara previsão acerca do futuro), Nostradamus nunca teria alcançado a fama: seria só observar a realidade e retirar as lógicas consequências, um jogo que qualquer um poderia fazer. Mas assim não é.

Acho que a Globalização irá continuar, tal como a difusão da tecnologia e do controle ao longo dos próximos anos. Na Europa continuarão a ser atacados o mundo do trabalho e os direitos dos cidadãos.
O Brasil, a África do Sul e poucos outros irão gozar dum ilusório aumento do nível de vida (mas não aos ritmos vividos até aqui). Pelo contrário, ainda não percebi qual o jogo da China.

Tudo isso sempre que a actual sociedade consiga ultrapassar a próxima crise económica, que não tardará.

E isso é tudo.
Desiludidos? Estavam à espera de previsões mais específicas? Tipo "haverá um terramoto no dia 24 de Agosto de 2016"?

Lamento, mas este não é o blog do Professor Karamba e as previsões mais específicas que consigo fazer são de outro tipo. Por exemplo: sinto que os comentários do Leitor Henriques serão misteriosamente removidos. Ou outra: pressinto que Leonardo irá adormecer em breve (isso porque o bicho está já a bocejar).

Mas este é o máximo ao meu alcance.
E os Leitores: que tipo de futuro conseguem prever?


Ipse dixit.

10 comentários:

  1. Anónimo5.3.14

    Sobre eventuais caminhos futuros para a 'involução' humana, Os dois posts no geral, estão muito completos.

    Ainda ontem, o iluminado Vitor Bento, presidente da SIBS(rede multibanco), sugeriu um imposto sobre todos os levantamentos de dinheiro nas caixas multibanco. Acrescentou a criatura que, o objectivo é reduzir ao máximo o volume em dinheiro vivo a circular pois assim as transacções financeiras através da rede, serão todas controladas, logo taxadas pelo estado. Mais uma fonte de receita, dizia ele.

    O cerco tecnocrata continua a apertar. Existe uma constante diarreia legislativa. Hoje tudo é regulamentado. E quando pensamos que já quase nada resta para regulamentar, lá vem mais uma dose de originalidades, para avivar ainda mais os contornos do inferno, em que esta sociedade se está a transformar.

    Espanta-me a passividade geral, mas também me espanta a quantidade de filha-da-putice que anda por aí. Ou melhor, já não me espanta.

    abraço
    Krowler

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  2. anónimo 566.3.14



    NOAM CHOMSKY:
    Quem são os donos do mundo?

    "Assim que rompermos com a estrutura de Estados nacionais como entidades unidas, sem divisões internas dentro deles, nós poderemos ver que há uma transferência global de poder, mas é da força de trabalho global para os donos do mundo: o capital transnacional, as instituições financeiras globais."




    "O mundo está suficientemente preparado para se submeter a um governo mundial. A soberania supranacional de uma elite de intelectuais e de banqueiros mundiais, seguramente é preferível à autodeterminação nacional."

    David Rockfeller
    1991

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  3. Anónimo6.3.14

    Olé! Enganaste-te!
    Ainda não desapareci!!!

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  4. Anónimo6.3.14

    http://www.zerohedge.com/contributed/2014-01-31/powers-be-are-secretly-terrified-people%E2%80%99s-power-%E2%80%A6-and-only-pretend-they%E2%80%99re-fi

    Nuno

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  5. Infelizmente em concordo com a tua análise´,engraçado houve uma época anos sessenta que parecia que a humanidade estava a escolher outro caminho foi sol de pouca dura
    eu prevejo dor muita,loucura cada vez mais generalizada
    Há uma saída mas ninguém a quer tomar
    que é deixar de comprar comprar só o essencial,voltar à frugalidade´deixar de trabalhar 20 h por dia para comprar um jogo ao filho acreditar que são os afectos a nossa maior riqueza e que para haver afectos é preciso tempo para interagirmos uns com os outros deixar de ligar os meios de comunicação fomentam além da loucura o medo, deixar de reciclar pois só estamos engordando os loucos que estão no poder pois para a terra não há beneficio nenhum pois as politicas de exploração e de exigência de consumo não são alteradas. acabam os recursos + depressa ,pode ser que seja a cura
    reaproveitar tudo o + possível
    e já agora descobrir onde os doidos escondem as naves para fugir daqui quando isto for inabitável,para tirar só uma pecinha, para não irem contaminar com a loucura nenhum outro lugar



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  6. Faltou mencionar que tudo será mais caro. Tem também o fenomeno climático que vai em 2014/2015 se apresentar e exercer seu poder de influência fazendo muita gente passar fome.

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  7. Anónimo6.3.14


    Uma análise bastante interessante...

    "Nos últimos 30 anos, diz Michael Sandel (filósofo político da Universidade de Harvard), os Estados Unidos passaram de uma economia de mercado a uma sociedade de mercado; pode-se dizer que uma experiência americana de vida cívica compartilhada depende de quanto dinheiro se tem. (Três exemplos fundamentais: acesso à educação, acesso à justiça e influência política.) Em uma palestra e em um debate com a participação da plateia, Sandel nos convida a pensar francamente sobre esta questão: em nossa democracia atual, há coisas demais à venda?"

    Ver vídeo (com legenda):
    Ted Talks - http://bit.ly/1ibpwd7

    Bob

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  8. Chaplin6.3.14

    E quem são os condutores históricos, dessa lógica de poder, submetida a usura, comércio e guerras, e que, ao longo do tempo, formaram uma hierarquia de valores totalmente corrompida por esses princípios? Judeus, donos da propaganda, das informações privilegiadas e credores dos endividamentos dos Estados nacionais,criados por sucessivos governantes submissos a tamanho poder. E mesmo aqui, neste espaço, observo a dificuldade de dimensionar a importância fundamental desse protagonista praticamente oculto...

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  9. maria7.3.14

    Olá Max: aí segue o rol de desgraças que consigo imaginar, além de concordar com aquelas que descreves
    1. Endividamento individual e familiar para além do "endividamento " dos Estados.
    2. sub divisões de países, mediante muitas "guerras".
    3.aceleração brutal das migrações forçadas por guerras, miséria, fome...
    4. institucionalização de novas classes para preencher as lacunas do jogo da sociedade de representação.
    5. intensificação de guerras.
    6. disseminação de guetos de resistência e auto determinação
    7. disseminação de grupos soberanos de indivíduos dentro de um mesmo país.
    8. intensificação de seitas religiosas.
    9. diminuição brutal da capacidade de diálogo e comunicação oral entre indivíduos.
    !0.....chega, já cansei. Abraços

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  10. anónimo 567.3.14



    Esta teimosia do Chaplin em tocar esse tema parece exagerada, mas infelizmente tem fundamentos bem reais.



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