18 março 2014

OGM e leucemia

Contrários aos OGM, os Organismos Geneticamente Modificados?

Nem por isso.
Na verdade acho que ninguém pode estar contra os OGM, simplesmente porque estes fazem parte das nossas vidas há séculos.

O pão de todos os dias, por exemplo, é feito com farinha que foi seleccionada pelos agricultores, num processo que durou várias gerações, com cruzamentos de espécies, sucessos e falhanços.

Coisa que não pode ser dita pelos OGM industriais, como os da Monsanto, por exemplo.
Neste caso, o lucro fala mais alto e as consequências são produtos que deixam, no mínimo, com muitas dúvidas. É aqui que começam os problemas.

Por exemplo: não era suficiente o estudo da equipa de Seralini, que havia mostrado como ratos alimentados com alimentos geneticamente modificados desenvolvessem tumores. Agora, um outro estudo publicado no Journal of Hematology & Thromboembolic Diseases (Jornal de Hematologia e Doenças Tromboembólicas) indica que a toxina manipulada pelo engenheiros genéticos, contida nos cereais e conhecida como Bacillus thuringensis (Bt), pode contribuir para anomalias do sangue, tais como anemia, cancros hemáticos malignos, leucemia.

Um grupo de pesquisadores do Departamento de Genética e Morfologia do Instituto de Ciências Biológicas da Universidade de Brasília tem avaliado a toxicidade e a patogenicidade deste agente, uma vez que muito pouco se sabe sobre os efeitos nos organismos não-alvo da manipulação (por exemplo, os consumidores finais do produto manipulado).

Com o advento da tecnologia que recombina, os genes que produzem esta toxina foram inseridos em plantas para uso comercial, entrando na normal cadeia alimentar nos Estados Unidos, onde é permitido o cultivo de OGM. O estudo concluiu que a toxina Bt é capaz de induzir alterações nas células vermelhas do sangue, o que causa danos significativos, e que podem suprimir a proliferação da medula espinal, criando comportamentos anormais dos linfócitos compatíveis com a leucemia.

O estudo também constatou que:
  • a toxina em causa revela os seus efeitos prejudiciais mesmo quando estiver suspensa em água destilada e não necessita de alcalinização, como anteriormente era pensado.
  • que mesmo a menor dose testada (27 mg/kg) pode induzir anemia hipocrômica. A toxina foi detectada no sangue de mulheres não-grávidas, mulheres grávidas e nos fetos, no Canadá, uma contaminação provavelmente devida à exposição à comida (no Canadá também há grandes áreas cultivadas com OGM).
  • a toxina parece acumular-se nos tecidos e persiste no meio ambiente.
  • altas doses desta toxina induzem alterações no sangue, um sinal de danos na medula óssea.

No entanto, apesar do crescente número de evidências acerca do perigo representado pelos OGM, os governos continuam a sofrer as tremendas pressões das multinacionais biotecnologicas e raramente conseguem resistir.


Ipse dixit.

Fonte: Journal of Hematology & Thromboembolic Diseases - Hematotoxicity of Bacillus thuringiensis as Spore-crystal Strains Cry1Aa, Cry1Ab, Cry1Ac or Cry2Aa in Swiss Albino Mice (ficheiro Pdf, inglês), Il Cambiamento

2 comentários:

  1. anónimo 5618.3.14

    "Na verdade acho que ninguém pode estar contra os OGM, simplesmente porque estes fazem parte das nossas vidas há séculos.

    O pão de todos os dias, por exemplo, é feito com farinha que foi seleccionada pelos agricultores, num processo que durou várias gerações, com cruzamentos de espécies, sucessos e falhanços."



    Cruzamento de espécies é bem diferente de manipulação genética.
    Pode ser comparado a cruzar raças de cavalos, cães etc... por procriação natural com o objectivo de obter determinadas características.
    Algo que podemos criticar, mas que é feito de forma minimamente "natural".

    Já meter um gene de cebola num coelho, ou de peixe num tomate (isto acontece)...

    Isto é menosprezar a Natureza e brincar com Ela.

    Uma poluição que, contrariamente á nuclear, por exemplo ( que já é terrível e longa), não tem fim e prolonga-se na cadeia natural indefinidamente.

    Quanto ao trigo do pão, consta que já foi modificado anos 70 ( para que ficasse mais curto etc...) ainda antes da engenharia genética.
    Não conheço os processos, mas parece que eram bem piores ainda que a manipulação genética.
    Consta que o trigo é uma das causas de grande parte de muitos problemas de saúde, comuns hoje em dia.
    Parece que desde aí tornou-se uma substancia que não é reconhecido pelo organismo humano, provocando inflamações crónicas e problemas vários.

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  2. maria19.3.14

    Olá Max e leitores: vocês já imaginaram o que toda gente como nós comeremos, quando leis do tipo que o Max comentou recentemente, onde os privados podem demandar os Estados (e consequentemente ganhar a demanda, pois as corporações multinacionais têm mais poder, influência e dinheiro que os Estados)conforme perceberem seus interesses sob risco!! Abraços

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