08 maio 2014

As primeiras crianças OGM

Boas notícias hoje.
O Leitor acha bem manipular geneticamente as plantas? Qual direito temos de fazer isso? Não seria mais correcto começar a manipular os seres humanos?

Dito, feito: os primeiros seres humanos geneticamente modificados foram criados.

Trinta crianças saudáveis ​​nasceram após uma série de experimentos nos Estados Unidos (óbvio...). Até agora, duas das crianças foram testadas e verificou-se que contêm os genes de três pais. No pleno respeito da Natureza, evidentemente.

Quinze dos filhos nasceram nos últimos três anos, como resultado dum programa experimental do Instituto de Medicina Reprodutiva e Ciências de São Barnaba, New Jersey. Um hospital non-profit? Muito bem, tudo cientificamente controlado e longe dos lucros, esta é uma garantia.

As crianças nasceram de mulheres que tinham problemas para conceber. Assim, genes extra de dadores de sexo feminino foram inseridos nos óvulos antes de serem fertilizados, num esforço para permitir a concepção.

Evidências da impressão digital genética em duas crianças com um ano de idade confirmam que estas herdaram o DNA de três adultos, duas mulheres e um homem. Mas a coisa maravilhosa é o facto de que as crianças que herdaram estes genes, conseguiram integra-los na "linhagem germinal" e, portanto, serão capazes de transmiti-los aos filhos.

Alterar a linha germinal humana, isso é, o facto de mexer com a constituição das nossa espécie, é uma técnica evitada pela grande maioria dos cientistas do mundo. Os geneticistas temem que um dia este método possa ser usado para criar novas raças de seres humanos, com recursos extras, como força ou inteligência. No entanto, não há almoços grátis: isso pode trazer consequências no organismo e não se sabe ainda quais.

Mas nada retira a glória aos pesquisadores do Instituto: num artigo na revista Human Reproduction, o líder do grupo, o Professor Jacques Cohen, diz que este "é o primeiro caso de modificação genética germinal humana, resultando em "normais crianças saudáveis".

Quanto "normais" podem ser definidas crianças com três dadores de DNA?
Pormenores, típicos duma mente provinciana e limitada.

Alguns especialistas criticam severamente os experimentos. O dr. Winston, do Hospital Hammersmith (Londres), disse à BBC:
No que diz respeito ao tratamento da infertilidade, não há evidências de que esta técnica seja eficaz [...] Estou muito surpreso que tenha sido efectuado nesta altura. Certamente não seria permitido na Grã-Bretanha.
Pois, mas a Grã Bretanha é provinciana e limitada também.
John Smeaton, director nacional da Sociedade para a Protecção de Crianças Não Nascidas:
É necessário simpatizar com os casais que sofrem de problemas de infertilidade. Mas este parece ser um exemplo adicional do facto de todo o processo de fertilização in vitro, como meio de conceber bebés, levam a que as crianças sejam consideradas como objectos numa linha de produção. Para a humanidade, é mais um preocupante passo em frente no caminho errado.
Patético. O que pode haver de mais natural e mais fofo duma mãe que abraça o filho com três DNA
misturados? Além de que esta ideia nem é assim tão nova, pois já em 1817 Mary Shelley tinha proposto o mesmo: um pedaço aqui, um pedaço aí, junta-se tudo e pronto, eis o novo ser.

Só que a Ciência evoluiu desde então, já não é preciso colar membros de várias origens, hoje pode-se intervir directamente nos genes. E entretanto o nome Frankestein caiu em desuso.

Mas como funciona a técnica?
Simples: o Professor Cohen e os seus dignos colegas diagnosticaram que as mulheres eram inférteis porque tinham defeitos nas pequenas estruturas dos seus óvulos, chamadas mitocôndrias.

Adopção? Afinal há tantas crianças que precisam...Nem pensar! Porque adoptar uma solução lógica e altruísta quando é possível escolher a estrada mais complicada, egoísta e eticamente (muito) dúbia? Foram buscar os óvulos das doadoras e, com uma pequena agulha, sugaram o material interno (que continha as mitocôndrias "saudáveis"), injectando tudo nos óvulos das mulheres que queriam engravidar. Dado que os mitocôndrias continham os genes das doadoras, as crianças resultantes têm herdado o DNA das duas mulheres.

Jacques Cohen é considerado como um cientista brilhante mas controverso, que tem empurrado os limites das tecnologias da reprodução assistida. Desenvolveu uma técnica que permite que homens inférteis tenham os seus próprios filhos, injectando o DNA do esperma directamente num óvulo em laboratório.

No ano passado, Cohen disse que a sua experiência lhe permitiria clonar crianças, uma perspectiva tratada com horror pela comunidade científica.
Cohen:
Seria o trabalho de uma tarde para um dos meus alunos.
Justo. Pelo contrário, concentrar-se no estudo do DNA para prevenir as doenças genéticas ou as malformações dos nascituros deve dar muito mais trabalho, não compensa não é? Ups, esquecia-me: é non-profit. Nada de lucro aqui, tudo feito em nome da Ciência e da sociedade.

Doutro lado, quem consegue resistir ao choro duma mãe que não pode ter filhos? O Leitor não tem coração? Que venham os novos Frankestein.


Ipse dixit.

Fontes: Daily Mail, The New York Times

3 comentários:

  1. Anónimo8.5.14

    Cientistas criam organismo com DNA artificial:
    Nesta quarta-feira fora reportado que cientistas haviam tomado um passo significativo para a alteração do alfabeto fundamental da vida – eles criaram pela primeira vez um organismo com DNA que contém o código genético artificial.

    Os pesquisadores da Scripps criaram quimicamente dois novos nucleotídeos, que eles chamaram de X e Y. Eles inseriram um par de XY na bactéria comum E. coli. As bactérias foram capazes de reproduzir normalmente, embora um pouco mais devagar do que o normal, replicando o X e Y juntamente com os nucleotídeos naturais.

    Como efeito , essas bactérias têm, agora, um código genético de seis letras, em vez de quatro , talvez permitindo-lhes fazer novas proteínas que poderiam funcionar de uma forma completamente diferente daquelas criadas naturalmente .

    “A chegada desta forma de vida ‘alienígena’ sem precedentes poderá, no futuro, alcançar os limites éticos, legais e regulamentares”, Jim Thomas, do ETC Group, uma organização de advocacia canadense , disse em um e-mail. “Enquanto os biólogos sintéticos inventam novas maneiras de brincar com os blocos fundamentais da vida, os governos nem sequer são capazes de remendar os conceitos básicos de supervisão, avaliação e regulação para este campo de afluência “.

    The New York Times: http://nyti.ms/1srp9ky

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  2. maria8.5.14

    Olá Max: eis o futuro...presente...não...digamos...passado recente. Porque ninguém me tira da cabeça que, quando estupidezas destas são divulgadas ao grande público, elas já estejam em curso, e produzindo "frutos" faz um bom tempo.Como dizia o velho sábio índio: o que fizerem à terra, farão aos filhos da terra.Cada dia que passa fico mais contente por não estar neste planeta daqui a 50 anos e não ter cometido a maldade de gerar crianças para viverem o desgraçado tempo que eu já não viverei. Seria muito egoísmo da minha parte querer gozar das alegrias da maternidade e entregar aos meus filhos um mundo monstruoso que eu não consegui fazer grande coisa para melhorar. Abraços

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  3. Anónimo8.5.14

    Já todos aqui devem ter percebido onde isto vai parar.

    Depois do Frankenstein 2.0, em analise, virão novas versões cada vez mais 'evoluídas'.
    Frankensteins militares como aqueles do filme do Van Damme, Frankensteins políticos como o Passos Coelho etc. etc.

    Como diz a maria, o futuro apresenta-se 'risonho'. Não me admira nada que à porta fechada e em segredo, as coisas já levem um bom avanço.

    Krowler

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