13 maio 2014

Vacinas: o caso da anti-polio

Falar das vacinas nunca é simples.
Por isso o blog tenta sempre publicar material que possa ser definido como "razoável", ou pelo menos que assim aprecem aos olhos de quem, como quem escreve, médico não é.

O presente artigo segue a mesma direcção e o assunto é a história da vacina contra a poliomielite. E é importante realçar que as vacinas aqui tratadas são aquelas utilizadas em meados do século passado.

A poliomielite

A poliomielite é uma doença infecciosa viral aguda transmitida de pessoa a pessoa: em 90% dos casos, a poliomielite é assintomática (isso é, o dente não tem qualquer tipo de sintoma) e pode passar despercebida, mas em 1% dos casos o vírus alcança o sistema nervoso central, infectando e destruindo neurónios motores, levando à fraqueza muscular e à paralisia.

A poliomielite foi reconhecida como doença em 1840 mas a vacina apareceu 90 anos mais tarde. A aparição da vacina anti-polio, como é também chamada,  ainda hoje é celebrado como um dos marcos na história da saúde pública.

Todavia, em 1997, a rede de notícias CBC, canadiana, transmitiu uma reportagem que contava uma história muito diferente sobre a segurança e a eficácia desta vacina, incluindo o relacionamento entre anti-polio e o vírus do macaco que causa câncer.

A história da vacina

O desenvolvimento da vacina anti-polio é principalmente atribuído ao trabalho de Jonas Salk, Hilary Koprowski e Albert Bruce Sabin, nos anos '50 da década passada.

Na verdade, já antes da guerra tinha havido outra vacina, desenvolvida pelos pesquisadores americanos Brodie e Kolmer, em 1934; de facto, a vacina funcionava, pois a poliomielite desaparecia. Só que desapareciam também os doentes (9 crianças morreram nos testes enquanto outros ficaram paralisados) e não era esta a ideia originária.

Voltamos aos anos '50. A técnica utilizada para as modernas vacinas anti-polio consiste em extrair dos rins de macacos rhesus infectados com a poliomielite o soro necessário para produção da vacina.

Parece simples, certo? O macaco pode não concordar, mas enfim...

Todavia há um pormenor interessante: pode acontecer (e acontece) que muitos dos macacos donde é extraído o soro possam estar infectados com um vírus que tem um nome esquisito: SV40. O SV40 passa assim do macaco para o homem.

Qual o problema do SV40? Nada de preocupante, além do facto de que pode provocar a insurgência de tumores. "Pode provocar" ou "provoca"? A hipótese de que o SV40 possa causar câncer em seres humanos tem sido um campo de investigação particularmente discutido. Vários métodos foram usados ​​para detectar SV40 nos tumores humanos, mas ainda não é claro qual o relacionamento entre SV40 e células cancerígenas.

Logo após a descoberta do SV40, este foi identificado na forma oral da vacina contra a poliomielite produzida entre 1955 e 1961, tanto na vacina de Sabin quanto naquela de Salk. Nem se sabe como e se o vírus encontrava-se espalhado entre os seres humanos antes de 1950.

Apesar de pensar-se anteriormente que o vírus fosse apenas uma fonte de infecção entre os macacos, mais tarde foi determinado que o vírus SV40 encontrava-se bem instalado em milhões de pessoas que tinham sido submetidas à vacinação contra a poliomielite.

O Dr. Daniel Bergsagel, oncologista pediátrico canadiano:
Acreditava-se que apenas os macacos ficassem infectados com o SV40; descobrimos mais tarde que infecta os seres humanos em qualquer circunstância
O SV40
O Dr. Bergsagel e os seus colegas descobriram por acaso que o SV40 estava presente nas amostras de tumores retiradas de crianças doentes.

Mais logo, foi constatado que dezenas de vírus dos macacos estavam presentes nas primeiras vacinas contra a poliomielite, subministradas durante as campanhas de vacinação em massa que ocorreram por volta das décadas de 1950 e 1960.

O pior é que aqueles que trabalham nas vacinas, incluindo Jonas Salk e o colega Albert Sabin, sabiam que os macacos a partir dos quais produziam as vacinas estavam fortemente contaminados.

O Dr. Howard B. Urnevitz, microbiologista da Califórnia que tem estudado o processo com o qual as vacinas eram preparadas:
A melhor estimativa que podemos fazer hoje, é que não havia nada menos de que 26 diferentes vírus nas vacinas preparadas a partir dos macacos. Variavam de lote para lote, de país para país, mas era claro que aqueles macacos estavam fortemente contaminados.
O que se passou, provavelmente, é que havia apenas um macaco doente, uma fêmea, mas que foi fechada numa gaiola com outros macacos, os quais acabaram infectados também. E de todos foram utilizados na preparação da vacina.

O SV40 causa câncer nos hamsters de laboratório e os estudos mostram riscos para os mamíferos. Foi o primeiro caso conhecido dum vírus de macaco que causa câncer num roedor.

Isso acontecia com as primeiras vacinações em massa, como vimos, nas décadas 50 e 60 do século passado. Todavia, algo pode ter chegado até nós: uma análise apresentada na Vaccine Cell Substrate Conference, em 2004, sugeriu que as vacinas usadas nos antigos Países do bloco soviético (China, União Soviética, etc.), no Japão e na África podem ter sido contaminadas até 1980, o que significa que centenas de milhões de pessoas podem ter sido expostas aos vírus.

A reportagem

A reportagem original do canal CBC, uma meia hora no total com o título Vaccines- Deadly SV40, pode ser visionada no Youtube:
Infelizmente não encontrei nenhuma versão legendada em português.


Ipse dixit.

Fontes: Old-Thinker News, NYVIC, Whale, New Scientist,

1 comentário:

  1. Anónimo13.5.14

    Boas Max, um outro post quase idêntico mas com mais algumas particularidades:

    http://profundaescuridao.blogspot.pt/2013/09/o-cancro-da-polio-cxvi.html

    Aproveita e dá uma vista de olhos no Blog todo.

    Abr.
    o TIPO

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