30 junho 2014

E quando achamos ter tocado o fundo...

Observam a senhora na imagem ao lado. Que tem de especial? Aparentemente nada.

Mas na verdade assim normal não é: a senhora, cujo nome é Burbanks, está num funeral.
O seu funeral.

Pois: está morta. Não parece mas está, bem mortinha.

E este não é o único caso. Uma agência funerária dos Estados Unidos (óbvio...) teve a brilhante ideia: um funeral no qual os convidados de honra são os mortos, não no caixão mas vestido e em posas "naturais".

Na verdade, tudo isso não é novidade.
Séc. 1800
Já no 1800 era costume tirar fotografias com bebés ou crianças mortas.

Todavia há uma enorme diferença: no séc. XIX a fotografia era desfrutada para imortalizar alguém que não teve tempo para viver, era uma maneira de transmitir as feições dum ser que tinha passado demasiado pouco tempo connosco.

Hoje em dia, a fotografia, os vídeos e até os funeral-party representam a nossa incapacidade de aceitar uma simples realidade: a morte faz parte da vida.
Sem morte nem poderia haver vida.

Assim temos o morto que "toca" numa pequena banda de jazz, a morta sentada no meio dum jardim com uma garrafa de champanhe ao lado, a morta sentada num outro jardim com tanto de cartaz que conta vida da defunta.

No caso de Burbanks, as filhas decidiram organizar uma festa: até aqui nada de mal, aliás, parece-me uma excelente forma de despedida. O problema é que a morta fica sentada, rodeada das cosias das quais gostava (os cigarros, a cerveja, a equipa de football de New Orleans), como se estivesse ainda aí, viva.

Mórbido? Sem dúvida.
Doentio? Bastante.

Se o Leitor estiver interessado, terá que contactar a empresa Charbonnet Funeral Home. Por enquanto acho ser a única a oferecer este tipo de serviço, mas sabemos que a estupidez tem uma velocidade fora do comum, pelo que é provável que a moda pegue.



Ipse dixit

4 comentários:

  1. Olá Max:mercantiliza-se tudo em vida, e depois na morte também.O defunto deve individar-se a não querer mais. E, como defunto não paga a conta, tudo deve ser feito com bastante antecedência garantindo o serviço e os custos devidamente saldados em vida. Abraços

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  2. Anónimo1.7.14

    Os espertinhos sempre procurando ganhar dinheiro em cima da idiotice alheia. Logo, logo, vão aparecer empresas de eventos disputando esse filão, pois como você disse a estupidez cresce velozmente. Não adianta fazer teatro, pode ter pose de vivo mas não passa de cadáver. Ô mundo materialista, fútil e tolo que não busca espiritualidade. Até quando, meu Deus?! mara

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  3. Anónimo1.7.14

    we'll make great pets?
    we are great pets...

    até um cão que todos os dias vais buscar o jornal ao dono por gostar dele ou o que se senta na campa dele anos a fio depois da sua morte se envergonharia de nós se tivesse percepção de como somos estúpidos e estupidificáveis por gente que nos trata mal... e vai na volta até já percebeu...

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  4. Anónimo1.7.14

    Assim, fica sempre a duvida se já tocamos no fundo, ou se ainda há espaço para mais.
    Com a imaginação que a nossa espécie tem para coisas completamente idiotas e com o objectivo de se ganhar dinheiro, fico a pensar que novas coisas aí virão. Até arrepia, só de pensar.

    Krowler

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