23 julho 2014

A Grande Colheita no Afeganistão

Afeganistão? Pois: também aí há uma guerra e é algo que dura há 13 anos.

O que há no Afeganistão? Não muito: alguns terroristas (assim dizem), ferro, cobre, lítio, mas sobretudo ópio, um mar de ópio.

Mas não é isso que agora interessa.
Agora é altura para espreitar o Commander’s Guide to Biometrics in Afghanistan: Observations, Insights, and Lessons. ("Guia para Oficiais das medidas biométricas no Afeganistão: observações, notas e métodos").

Mais simplesmente: um programa de pesquisa com o qual o Exército dos EUA está a tentar obter os dados biométricos de toda a população do Afeganistão.

Através do uso de dispositivos electrónicos, impressões digitais, recolha de amostras de DNA e "entrevistas" feitas à população, os militares dos EUA está tentar identificar e catalogar os 25 milhões de Afegãos que vivem não apenas nas cidades e nas aldeias, mas também aqueles que vivem em montanhas ou nas cavernas. Os perfis individuais incluem uma avaliação do eventual nível de perigo do sujeito.
Parece o enredo duma película de ficção científica, não é?
Mas não: os documentos estão disponíveis (pontos 2 e 5 do FOIA, o Freedom of Information Act, a lei federal que regula o acesso aos documentos do Estado) e podem ser consultados (links abaixo).

Eis algumas passagens:
O objectivo declarado do esforço que ocorre no Afeganistão é a classificação biométrica de toda a sua população.

Todos os dados recolhidos são enviados para o DOD (Department of Defense, Departamento da Defesa), através da ABIS (Sistema Automático de Classificação Biométrica), no West Virginia, onde são recolhidos e partilhados com o DHS (Department of Homeland Security, Departamento de Segurança Interna) e o FBI. A colaboração com outras nações torna possível a utilização dos dados por parte do DOD contra governos estrangeiros ou para a aplicação da lei.

O Guia para Oficiais sugere para registar todos, mesmo as pessoas que morreram, aos quais o DNA é extraído através de tampões orais [...] O benefício para as forças norte-americanas e da coligação, em termos de proteger o público e de identificação dos indivíduos perigosos, é tão grande que os oficiais têm que ser criativos e persistentes no seu trabalho, de modo a catalogar o maior número possível da população afegã.

O Exército dos EUA está a utilizar três métodos para recolher essa enorme quantidade de dados: o BAT (Biometric Automated Toolset), o HIIDE (dispositivo portátil de autenticação) e o SEEK (kit de registo electrónico).
O BAT é usado principalmente pelos fuzileiros navais da Marinha e consiste dum computador portátil com dispositivos que fazem a varredura das impressões digitais, do íris e recolhe o material fotográfico.
O HIIDE recolhe as mesmas informações, mas é um dispositivo ainda mais portátil.
Todos os três sistemas de recolha podem apoiar-se em mais de 150 servidores dos EUA espalhados por todo o território do Afeganistão, através dos quais podem fazer qualquer upload e download em tempo real de toda a informação biométrica, com a lista dos sujeitos considerados potencialmente perigosos.

Qual a ideia em recolher os dados biométricos de 25 milhões de pessoas agora que a guerra está perdida e quando o País deverá ser abandonado no prazo de poucos meses? É normal e sobretudo legítimo que os EUA recolham estas informações (muito) pessoais e as guardem (e partilhem) nos bancos de dados de três distintas instituições? E por qual razão o Afeganistão?

Temos ainda que acreditar na hipótese do terrorismo?

Se assim for, isso significa que serão precisas recolhas de dados biométricos me muitas outras zonas: na Coreia do Norte, que tem um arsenal nuclear capaz de destruir o sistema solar, no Iraque, que ainda escondem depósitos de armas  de destruição em massa, na Palestina, que querem derrubar israel dos pobres judeus e submetê-los a um segundo Holocausto, no Irão, onde apedrejam mulheres adúlteras a cada dia, na Somália, onde atacam todos os dias os navios neutros para obter o dinheiro do resgate, na Venezuela, que tenciona exportar o Comunismo para o mundo todo... afinal, há potenciais terroristas à cada esquina.

Dúvida: por enquanto será só no Afeganistão ou a recolha já estará activa em outras partes do mundo?


Ipse dixit.

Fonte: U.S. Army: U.S. Army Commander’s Guide to Biometrics in Afghanistan (ficheiro Pdf, inglês)

1 comentário:

  1. maria23.7.14

    Resposta, Max: será em todas as partes "perigosas" do mundo, ou seja, todas com um mínimo de potencial de resistência à dominação total, que ainda não tenha passado pelo processo. Nós aqui já passamos, na década de 70...creio que será necessário apenas uma atualização para tornar estéreis as mulheres que possam vir a gerar terroristas (uma medida de prevenção, aplicada com êxito no nordeste brasileiro), testar medicamentos, vacinas e cosméticos novos, enfim, em matéria de classificação de escravos tudo deve ser feito com cuidado que requer a boa seleção científica. Abraços

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