28 julho 2014

As condições de Hamas: sangue e morangos

O Hamas (em árabe: حماس,lit. 'Zelo' ou 'Entusiasmo) é uma organização da Palestina, de orientação sunita, que, como explica Wikipedia, inclui uma entidade filantrópica, um partido político e um braço armado.

É o mais importante movimento fundamentalista islâmico da Palestina.

O Hamas é considerado como organização terrorista pelo Canadá, União Europeia, Japão, Estados Unidos e, obviamente, israel. Austrália e Reino Unido consideram organização terrorista apenas o braço militar da organização, enquanto outros países, como a África do Sul, a Rússia, a Noruega e o Brasil não consideram o Hamas como organização terrorista.

Estas últimas são posições políticas, pois na verdade uma parte da Hamas (as Brigadas Izz ad-Din al-Qassamfaz) utiliza a táctica terrorista e isso não pode ser posto em causa.

Mas vamos momentaneamente pôr de lado (sem todavia esquece-la) a questão terrorismo para observar quais as "pretensões" de Hamas. Isso é importante, pois são ao mesmo tempo os mesmos pedidos partilhados pela grande maioria de todo o povo da Palestina.

Por isso: Hamas é fundamentalista, imprudente, não reconhece israel, dispara contra civis, esconde munições nas escolas e nos hospitais, não faz nada para proteger o povo de Gaza, e mais ainda. Mas o que quer Hamas? Quais são estes pedidos, tão absurdos ao ponto que israel nem considera a possibilidade de aceita-los?

Hamas e a Jihad Islâmica apresentam algumas condições que, se atendidas, poderia provocar um imediato cessar-fogo da duração de dez anos.

A primeira condição é a seguinte: Hamas e a Jihad exigem a liberdade para Gaza.
Pode haver um pedido mais compreensível e legítimo?

Mais:
  • retirada do exército israelita
  • autorização para os agricultores trabalharem as suas terras até o muro de segurança
  • libertação de todos os prisioneiros
  • fim do cerco e abertura das fronteiras
  • abertura de um porto e de um aeroporto sob administração da ONU
  • expansão da zona dedicada à actividade da pesca
  • supervisão internacional da fronteira de Rafah
  • compromisso por parte de Israel de manter um cessar-fogo de dez anos e fecho do espaço aéreo de Gaza aos aviões militares de israel
  • concessão de licenças aos moradores de Gaza para visitar Jerusalém e rezar na mesquita Al Aqsa
  • compromisso por parte de Israel para não interferir com as decisões políticas internas da Palestina
  • criação de um governo de unidade nacional
  • abertura da zona industrial em Gaza.

Estas são condições civis, mais uma vez legítimas e compreensíveis.
Perante as quais, israel responde com a violência, com os massacres.

Que israel não esteja interessada a uma resolução pacífica do conflito é claro. O isolamento de líder palestiniano moderado Mahmūd Abbās é um claro sinal de que Tel Avive procura a violência para aniquilar a Palestina.

Hamas está longe de ser uma organização de santos: o terrorismo tem que ser condenado, sempre, independentemente da cor. Mas propõe uma saída, sem pretensões absurdas: em alguns casos, representam o mínimo para que um povo possa sobreviver.

Como escreve no diário israelita Haaretz o jornalista Gideon Levy:
Em Gaza - e, em menor medida, também em Israel - é derramada uma quantidade terrível de sangue. Este sangue é derramado em vão. Hamas é martelado e humilhado por Israel e pelo Egipto. A única solução possível está na direcção exactamente oposta à que Israel segue.
Um porto para que os óptimos morangos da Palestina possam encontrar compradores.
Tel Avive não está interessada nos morangos: quer sangue.


Ipse dixit.

Fonte: Wikipedia, Haaretz.

8 comentários:

  1. maria28.7.14

    Olá Max: o que o Hamas nomeia é um verdadeiro insulto para as pretensões genocidas de israel. Por isso o Hamas é reconhecido em todo o Ocidente como uma organização terrorista, como são nomeadas todas as instituições que pretendam um mínimo de sobrevivência digna aos povos. Como são tachadas todas as pessoas com visibilidade que operem em favor da dignidade dos semelhantes (aqui temos o caso bem claro da Dilma). Os poderosos só admitem chamar de terroristas aliados seus em alguns momentos inequívocos, para distrair a atenção ou quando não fizeram direitinho a "lição de casa". Abraços

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  2. Anónimo28.7.14

    Quem conhece a imagem 'Palestinian loss of land' que está no link abaixo, sabe que enquanto israel não tomar para sí todo o território palestiniano e expulsar/exterminar todo o povo palestino esta guerra não acaba.

    http://www.worldliteraturetoday.org/sites/default/files/2012/May/palestinian-loss-of-land-1946-2010.jpg

    Não vale a pena inventarem histórias ou argumentos, propor acordos de cessar fogo, mediar negociações ou o que quer que seja.
    Se olharmos para o mapa, e virmos o território palestiniano que resta em 2010, a Cisjordânia não é mais que um grupo de pequenos enclaves isolados uns dos outros que vão desaparecer.

    Esta guerra só termina com a aniquilação de uma das partes.

    Krowler

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  3. Anónimo28.7.14


    Um depoimento esclarecedor: (não ligar á mensagem de vírus, é sinal de que é incomodo e verdadeiro)

    http://www.alfredo-braga.pro.br/discussoes/resistenciapalestina.html



    "Samah Jabr é médica palestina e vive na Jerusalém ocupada. Filha de um professor universitário e de uma diretora de colégio, foi cronista do Palestine Report "


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  4. Anónimo29.7.14

    Posso saber porque o meu comentário com um artigo de "Samah Jabr" foi retirado Max?

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    1. Anónimo29.7.14

      Se o problema é o site em que ele está inserido, está aqui o mesmo depoimento de uma outra página.

      http://mkninomiya.wordpress.com/2012/04/21/resistencia-nao-e-terrorismo/

      "Samah Jabr é médica palestina e vive na Jerusalém ocupada. Filha de um professor universitário e de uma diretora de colégio, foi cronista do Palestine Report "

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  5. Anónimo29.7.14

    Por que você nomeia Israel como "israel', usando uma inicial em minúscula, enquanto usa a letra maiúscula para os demais países?

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  6. Anónimo29.7.14

    http://www.nkusa.org/activities/Demonstrations/20140715.cfm

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  7. Anónimo1.8.14

    Você não passa de mais um esquerdista anti-israelita.

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