20 outubro 2014

A prova de Schindler

De vez em quando acontece: chega uma boa notícia.

Lembram-se do avião da Malaysia Airlines abatido? Não o desaparecido, daquele ninguém voltou a falar, provavelmente entrou numa nuvem de lixívia e desintegrou-se (o que explicaria razoavelmente bem a falta de indícios). O Boeing em questão é o outro, aquele abatido enquanto voava por cima da Ucrânia.

Ora bem.
O conceituado jornal alemão Der Spiegel, cujo artigo foi amplamente divulgado pelos media de meio mundo, põe um ponto final na questão: os serviços secretos de Angela Merkel têm as provas de que a derrubar a voo MH17 da Malaysia Airlines no espaço aéreo controlado pelas autoridades ucranianas foram os "separatistas de língua russa".

A agência de espionagem BND (Bundesnachrichtendienst) afirma que uma milícia local derrubou o voo, e diz isso após ter entrado na posse de "fortes indícios". O presidente da BND, Gerhard Schindler, reunião secretamente no passado dia 8 de Outubro com os membros da comissão de controlo parlamentar. Na reunião, Schindler afirmou que a milícia disparou um foguete a partir dum sistema de defesa antimísseis que tinha capturado numa base ucraniana. Logo depois, o foguete explodiu ao lado do avião, causando a sua queda.

Segundo o relatório agora apresentado, Schindler forneceu amplas evidências para apoiar a sua teoria, incluindo imagens de satélite e outras evidências fotográficas. Na mesma reunião, Schindler terá afirmado que as provas fornecidas pela inteligência da Ucrânia eram falsas (o que não deixa de ser interessante...), tal como aquelas do lado russo.

Gerhard Schindler
Fica assim explicada a trágica morte das 297 pessoas, após três meses de investigação, durante os quais os 007 da Alemanha recolheram as provas que culpabilizam os filo-russos além de qualquer razoável dúvida.
Até que enfim.

Na verdade, há um ponto que ainda poderia ser esclarecido. Não passa dum pormenor, óbvio, mas ficaria bem, tanto para sermos precisos: quais são estas provas?

Nem Schindler, nem o BND, nem o parlamento alemão apresentaram factos, só teorias. Não é que aqui alguém duvide da palavra dum alemão, longe disso: mas, tal como dito, uma prova, mesmo que pequenina, ficaria mesmo bem. 

E nem deveria ser difícil:
  • sabemos que, naquele momento, nos céus da Ucrânia encontrava-se um satélite espião americano que estava a fotografar tudo.
  • sabemos que havia dois aviões AWACS equipados pela guerra electrónicas que vigiavam toda a área.
  • sabemos que as caixas-pretas do avião foram encontradas intactas pelos "rebeldes" do Donbass e entregue.
  • sabemos que existe uma gravação das conversas entre a tripulação e o centro de controle de Dnepropetrovsk (nunca revelada).
Portanto, é só abrir os cofres, divulgar algo e calar os que pensam mal.
 
Isso também ajudaria a perceber como é que no avião foram encontrados foros de metralhadora aérea e não pedaços de foguete. Era um míssil armado de metralhadora também? Antes o míssil metralhou o avião para depois decidir explodir perto dele (e já agora: atiro-lhe um pouco de lixívia também)?


Alguns simples dados ajudariam a perceber também a quem pertencia o avião militar que esvoaçava perto do Boeing, o mesmo avião militar que nem os ucranianos nem nenhuma outra força ocidental (incluído a BND) consegue ver no meio das "provas".

Ficamos à espera, com a certeza de que a precisão teutônica não deixara estas questões em aberto.


Ipse dixit.

Relacionados:
As coincidências
Malaysia Airlines: as perguntas de Moscovo

Fontes: RT, Der Spiegel
Imagem: Der Spiegel

2 comentários:

  1. Anónimo20.10.14

    Aqule relatório feito pela comissão de inquérito oficial, e que lí parte, ( gostava de saber o que é uma comissão de iquérito oficial?) menciona que o avião foi atingido por objectos.
    Uma parte da fuselagem sob a janela do cockpit do avião, apresenta furos de 30 mm.
    Conclui-se então que o avião foi atingido por objectos que andavam no ar e que tinham a dimensão de 30 mm.
    Eu como não sou parvo, deduzí logo que se tratam de uns objectos voadores com 30 mm, com a particularidade de fazerem concorrência aos pássaros mais pequenos, que costumam voar por esse mundo fora, e que na Ucrânia deve haver muitos.
    No entanto, apareceram por aí umas más linguas a dizer que estes objectos era tiros de metrelhadora de 30 mm que equipa os mig 25 da força aérea ucraniana, pois os rebeldes separatistas não têm aviões.
    Relativamente ao Schindler, é pena ele não apresentar as provas que diz ter senão teríamos uma nova Lista de Schindler.

    Krowler

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  2. Quais as provas conclusivas?
    Até agora só temos acusações, de ambos os lados e as provas nada.
    Infelizmente isso talvez nunca saberemos a verdade, pois acredito que se realmente fosse os rebeldes pró Russia, já teriam mostrado todas as provas sem pestanejar.
    Das duas uma, se realmente foram os rebeldes, estariam talvez negociando pra não mostrar em troca de concessões na Ucrania ou foram os ucranianos, então é melhor deixar por debaixo dos panos.

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